Eleição presidencial no Brasil em 1914

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Eleição presidencial no Brasil em 1914
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1º de março de 1914
Venceslau Brás.jpg Ruy Barbosa 1907.jpg
Candidato Venceslau Brás Ruy Barbosa
Partido PRM PRL
Natural de São Caetano da Vargem Grande, Minas Gerais Salvador, Bahia
Companheiro de chapa Apoiou Urbano Santos Apoiou Alfredo Ellis
Votos 532 107 47 782
Porcentagem 91,76% 8,24%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1914 foi a sétima eleição presidencial e a sexta eleição presidencial direta. Foi realizada em 1º de março nos vinte estados da época e no Distrito Federal. Os resultados foram divulgados no dia 1º de julho.

Contexto Histórico[editar | editar código-fonte]

O presidente Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca que anos antes havia combatido os revoltosos da Revolta da Esquadra, logo no início de seu governo teve de lidar com uma nova rebelião : a Revolta da Chibata, arquitetada por cerca de dois anos e que culminou num motim dos marinheiros no Encouraçado Minas Gerais, Encouraçado São Paulo, Encouraçado Deodoro e Cruzador Bahia, revolta liderada pelo marinheiro João Cândido Felisberto.[1] Depois de conseguido o objetivo, o fim da aplicação da Chibata na Marinha, e concedida a anistia a todos os mais de dois mil marinheiros amotinados, o governo traiu sua palavra e começou um processo de expulsão de marinheiros. O primeiro motim, já controlado, foi seguido de um levante no batalhão de fuzileiros navais sem causa aparente. O Marechal Hermes ordenou o bombardeio aos portos e colocou o país em estado de sítio. Apesar de ser bastante popular quando eleito, sua imagem ficou bastante abalada depois da revolta. Logo outra revolta veio conturbar o seu governo, a Guerra do Contestado, que não chegou a ser debelada até o fim de seu governo.[1]

Rua de Salvador após bombardeio pelo Governo Federal durante a Política das Salvações

A Política das Salvações aplicada pelo presidente, nem sempre pacífica, consistiu em promover intervenções federais sucessivamente nos Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Alagoas, alegando a prática de corrupção e a fim de colocar militares na chefia dos Estados, em substituição aos políticos. As intervenções provocaram violenta oposição, que resultou no bombardeio a Manaus em 8 de outubro de 1910, ainda no Governo de Nilo Peçanha[2] e Salvador.

Em seu governo ocorreu nova renegociação da dívida externa brasileira, em 1914, com um segundo funding loan (o primeiro fora negociado por Campos Sales), pois a situação financeira do Brasil não andava bem. Sua política externa manteve a aproximação com os Estados Unidos, traçada pelo chanceler barão do Rio Branco, que continuou no cargo de ministro, até 1912, quando faleceu.

No plano interno, prosseguiu o programa de construção de ferrovias, incluindo a ferrovia Madeira-Mamoré e de escolas técnico-profissionais, delineado no governo Afonso Pena. Instalou a Universidade do Paraná. Concluiu as reformas e obras da Vila Militar de Deodoro e do Hospital Central do Exército (HCE), entre outras, além das vilas operárias, no Rio de Janeiro, no subúrbio de Marechal Hermes e no bairro da Gávea.

Em 1913, o nome de Venceslau Brás, vice-presidente do país, foi proposto como medida reconciliatória entre Minas Gerais, São Paulo e os outros estados, como candidato à sucessão de Hermes. Minas Gerais havia vetado a candidatura de Pinheiro Machado que era apoiado por Hermes da Fonseca, e Rodrigues Alves, que, na época, governava São Paulo, vetara a candidatura Rui Barbosa.[3][4]

Processo eleitoral na Primeira República (1889-1930)[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Constituição de 1891 que vigorou durante toda a Primeira República (1889-1930), o direito ao voto foi determinado a todos os homens com mais de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares.[5] Mesmo tendo o direito de voto estendido a mais pessoas, pouca parcela da população participava das eleições.[6] A Constituição de 1891 também declarou que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.[7] A eleição para presidente e vice eram realizadas individualmente, e o mesmo poderia se candidatar para presidente e vice.

Durante a Primeira República, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças para fazer prevalecer seus interesses e se revezarem na Presidência da República, assim, esses partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo, até que essas alianças se quebrassem em 1930. Essas alianças são chamadas de política do café com leite.[8]

Nessa época, o voto não era secreto, e existia grande influência dos coronéis - pessoas que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente o poder militar da região. Os coronéis praticavam a fraude eleitoral e obrigavam as pessoas a votarem em determinado candidato. Com isso, é impossível determinar exatamente os resultados corretos.[9]

Candidaturas[editar | editar código-fonte]

Para Presidente da República, sessenta e um (61) nomes foram sufragados, e para vice-presidente foram sufragados cento e dois (102) nomes. Essa foi a primeira e a única eleição da República Velha em que todos os maiores partidos do país — Partido Republicano Mineiro (PRM) + Partido Republicano Paulista (PRP), Partido Republicano Rio-grandense (PRR), Partido Republicano Fluminense (PRF) — apoiaram um único candidato, o da chapa Venceslau BrásUrbano Santos. Em protesto a isso, o Partido Republicano Liberal (PRL), partido de oposição ao governo vigente, lançou a chapa Ruy BarbosaAlfredo Ellis, mas não o registrou oficialmente. Em 31 de dezembro de 1913, verificando a falta de financiamento na campanha, e a eleição assegurada a Brás, a chapa de Ruy Barbosa declara renúncia à Presidência da República no chamado "Manifesto à Nação". Mesmo assim, o dissidente obteve 47.782 votos (8,22% dos votos). 0,18% dos votos foram dados a outros candidatos não-registrados.[10][11][12]

Resultados[editar | editar código-fonte]

A população aproximada em 1914 era de vinte e cinco milhões e quinhentas mil de pessoas (25.500.000), sendo um milhão e quinhentos e oitenta (1.580.000) eleitores, dos quais compareceram quinhentos e noventa mil (590.000), representando 2,31% da população.

Eleição para presidente do Brasil em 1914 Eleição para vice-presidente do Brasil em 1914
Candidato Votos Porcentagem Candidato Votos Porcentagem
Venceslau Brás 532.107 91,58% Urbano Santos 556.127 96,21%
Ruy Barbosa 47.782 8,22% Alfredo Ellis 18.580 3,21%
José Gomes Pinheiro Machado 222 0,03% José Joaquim Seabra 926 0,16%
Outros 889 0,15% Outros 2.405 0,42%
Votos nominais 581.000 Votos nominais 578.038
Votos brancos/nulos 9.000 Votos brancos/nulos 11.962
Total 590.000 Total 590.000
Fonte:[11]

Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral).

Referências

  1. a b «Hermes Rodrigues da Fonseca». Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República e Almanaque Abril. UOL - Educação. Consultado em 9 de setembro de 2012 
  2. Mensagem lida perante o Congresso do Amazonas na abertura da segunda sessão ordinária da sétima legislatura pelo Exm. Sr. Col. Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt Governador do Estado em 10 de julho de 1911 página 7
  3. BARBOSA, Rui, Campanhas Presidenciais, Livraria Editora Iracema, São Paulo, s/d
  4. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome InfoEscola
  5. Constituição de 1891. Cola da Web. Acessado em 14/10/2011
  6. Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho. Página 40. Google Books. Acessado em 14/10/2011.
  7. Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011.
  8. Política do café com leite. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  9. Coronelismo. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  10. Aloildo Gomes PIRES - página 32
  11. a b Eleição Presidencial - 1º de março de 1914 (Domingo). (Pós 1945) Acessado em 19/10/2011.
  12. Eleição para presidente em 1914. (duplipensar.net) Acessado em 19/10/2011.
Bibliografia
  • PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.
  • DEPARTAMENTO DE PESQUISA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. PRESIDENTES DO BRASIL (DE DEODORO A FHC). São Paulo: Cultura, 2002.