Clube de Bilderberg

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A conferência de Bilderberg, também chamado grupo ou clube de Bilderberg, é um encontro, geralmente anual,[1] não-oficial, do qual participam, no máximo, 150 convidados, escolhidos entre personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político. Segundo o site oficial da organização, a conferência é um fórum de discussão informal acerca de grandes tendências e questões mundiais. Os encontros ocorrem sob a regra de Chatham House, isto é, os participantes são livres para usar as informações recebidas durante a reunião mas não podem revelar a identidade ou a afiliação de quem as deu. Não existe uma agenda detalhada da reunião, nenhuma resolução é proposta, não há votações, e, após o encontro, nenhuma declaração política é divulgada.[2]

Os participantes são personalidades líderes políticos, personalidades ligadas à indústria, ao mundo das finanças, à academia ou a grandes grupos de comunicação. Cerca de 70% deles são europeus, e o restante, da América do Norte. Cerca de 30% são políticos ou atuam na área governamental.[2] ) Dado que as discussões envolvem personalidades públicas mas não publicadas, esses encontros anuais são alvo de críticas e suscitam várias teorias da conspiração,[3] tais como a defendida pelo jornalista lituano Daniel Estulin no livro O Clube de Bilderberg.[4] Os organizadores da conferência explicam que o sigilo é necessário para garantir aos participantes maior liberdade de expressão, sem o risco de que suas opiniões sejam deturpadas pela mídia.[5]

O grupo se reúne anualmente em diferentes partes do mundo, em um hotel ou resort de luxo, geralmente na Europa, e, uma vez a cada quatro anos, nos Estados Unidos ou no Canadá. Existe um escritório em Leiden, nos Países Baixos.[6] Os nomes dos participantes são publicados através da imprensa,[7] [8] [9] embora a conferência seja fechada ao público e à imprensa.[10]

Em 2014, a 62ª conferência de Bilderberg foi programada para o período de 29 de maio a 1º de junho, no Hotel Marriott de Kopenhagen, Dinamarca[2] [11]

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

A denominação do grupo deriva do Hotel de Bilderberg, situado na província de Gueldres, nos Países Baixos, local onde ocorreu a primeira reunião, em 1954. Muitos participantes são frequentadores regulares, sendo eventualmente referidos como membros de uma sociedade secreta.

Origens e objetivos da primeira conferência anual[editar | editar código-fonte]

A primeira conferência foi realizada no Hotel de Bilderberg, perto de Arnhemia, de 29 de maio a 30 de maio de 1954. A ideia da reunião foi dada pelo conselheiro político polonês Józef Retinger.

Preocupado com o crescimento do antiamericanismo na Europa Ocidental, ele propôs uma conferência internacional em que líderes de países europeus e dos Estados Unidos pudessem se reunir com o propósito de promover a discussão crítica entre as culturas dos Estados Unidos e Europa Ocidental.

Retinger se aproximou do príncipe consorte dos Países Baixos Bernardo de Lippe-Biesterfeld, que concordou em promover a ideia, em conjunto com o primeiro-ministro da Bélgica, Paul van Zeeland. A lista de convidados deveria constituir-se de dois participantes de cada país, representando pontos de vista liberais e conservadores (ambos os termos utilizados no sentido adotado nos Estados Unidos), respectivamente. Cinquenta delegados de 11 países da Europa Ocidental participaram da primeira conferência, juntamente com 11 americanos.[12]

O sucesso da reunião levou os organizadores a promoverem conferências anuais. Um comitê executivo foi criado, sendo que Retinger foi indicado como secretário permanente. Além de organizar a reunião, o comitê criou um arquivo contendo os nomes dos participantes e informações para contato, com o objetivo de estabelecer uma rede informal através da qual essas pessoas pudessem se comunicar entre si com privacidade. O propósito declarado do Grupo Bilderberg foi estabelecer uma linha política comum entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental.

O economista holandês Ernst van der Beugel se tornou secretário permanente em 1960, após a morte de Retinger. Príncipe Bernardo continuou a ser o presidente das conferências até 1976, ano em que se envolveu no escândalo da Lockheed, que consistiu no envolvimento em processos relativos a recebimento de suborno para favorecer a empresa norte-americana em contratos de compra dos jatos F-104 Starfighter em detrimento dos Mirage 5. Não houve conferência naquele ano, mas os encontros voltaram a ocorrer em 1977, quando Alec Douglas-Home, ex-primeiro-ministro britânico, assumiu a presidência. Na sequência, vieram Walter Scheel, ex-presidente da Alemanha; Eric Roll, ex-presidente do banco SG Warburg, e Lord Carrington, ex-secretário-geral da OTAN.

Propósito[editar | editar código-fonte]

A intenção inicial do Clube de Bilderberg era promover um consenso entre a Europa Ocidental e a América do Norte através de reuniões informais entre indivíduos poderosos. A cada ano, um "comitê executivo" recolhe uma lista com um máximo de 100 nomes com possíveis candidatos. Os convites são enviados somente a residentes da Europa e América do Norte. A localização da reunião anual não é secreta, e a agenda e a lista de participantes são facilmente encontradas pelo público, mas os temas das reuniões são mantidos em segredo e os participantes assumem um compromisso de não divulgar o que foi discutido. A alegação oficial do Clube de Bilderberg é de que o sigilo preveniria que os temas discutidos, e a respectiva vinculação das declarações a cada membro participante, estariam a salvo da manipulação pelos principais órgãos de imprensa e do repúdio generalizado que seria causado na população. Algumas teorias dizem que o Clube Bilderberg tem o propósito de criar um governo totalitário mundial.

Perspectivas acerca da natureza do grupo[editar | editar código-fonte]

A alegada justificativa do grupo pelo sigilo é que isso permite que os participantes falem livremente sem a necessidade de ponderar cuidadosamente como cada palavra poderia ser interpretada pelos órgãos de comunicação de massa. Alguns, entretanto, consideram a natureza elitista e secreta das reuniões como antiético em relação aos princípios da inclusão em sociedades democráticas.

Participantes[editar | editar código-fonte]

Participantes do Bilderberg incluem membros de bancos centrais, especialistas em defesa, barões da imprensa de massa, ministros de governo, primeiros-ministros, membros de famílias reais, economistas internacionais e líderes políticos da Europa e da América do Norte. Alguns dos líderes financeiros e estrategistas de política externa do Ocidente participam do Bilderberg. Donald Rumsfeld é um Bilderberger activo, assim como Peter Sutherland, da Irlanda, um ex-comissário da União Europeia e presidente do Goldman Sachs e British Petroleum. Rumsfeld e Sutherland compareceram em conjunto em 2000 na câmara da companhia de energia suíço-sueca ABB. A jornalista Clara Ferreira Alves, o político e professor universitário Jorge Braga de Macedo e Francisco Pinto Balsemão são três exemplos portugueses. O ex-secretário de defesa dos Estados Unidos e atual presidente do Banco Mundial Paul Wolfowitz também é um membro, assim como Roger Boothe Jr. O atual presidente do grupo é Etienne Davignon, empresário e político belga.

Reuniões[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Em alguns anos, houve mais de um encontro; em outros anos, não houve reunião.
  2. a b c (em inglês) Bilderberg meetings. Site oficial.
  3. Bilderberg mystery: Why do people believe in cabals?. BBC, 8 de junho de 2011.
  4. (em italiano) Il gruppo Bilderberg. Italian Samizdat, 22 de abril de 2012.
  5. Emanuele Menietti Monti, i Bilderberg e la Trilaterale. Il Post, 14 de novembro de 2011.
  6. (em inglês) The masters of the universe. Por Pepe Escobar. Asia Times, 22 de maio de 2003.
  7. Bilderberg Announces 2008 Conference. Business Wire, 5 de junho de 2008.
  8. (em inglês) Official 2008 Bilderberg Participant List. Info Wars, 6 de junho de 2008.
  9. Bilderberg Meetings Chantilly, Virginia, USA, 31 May-3 June 2012
  10. (em inglês) Bilderberg: The ultimate conspiracy theory. Por Jonathan Duffy. BBC, 3 de junho de 2004.
  11. Danish Police confirm Marriot Hotel site of Bilderberg 2014 Protesters to be located in parking lot opposite hotel. Por Paul Joseph Watson. Infowars.com, 12 de maio de 2014.
  12. Rockefeller, David. Memoirs. New York: Random House, 2002. p. 412. ISBN 9780679405887.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ESTULIN, Daniel. A Verdadeira Historia do Clube Bilderberg. Editora Planeta do Brasil, 2006. ISBN 85-7665-169-6
La Verdadera Historia del Club Bilderberg. ISBN 84-8453-157-0
Clube Bilderberg: Os Senhores do Mundo. Lisboa: Temas e Debates, 2007. ISBN: 9789727597840

Ligações externas[editar | editar código-fonte]