Papa Gregório XII

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Gregório XII
205º papa
Nome de nascimento Angelo Correr
Nascimento Veneza, Itália,
1327
Eleição 30 de novembro de 1406
Fim do pontificado 4 de julho de 1415 (88 anos)
Antecessor Inocêncio VII
Sucessor Martinho V
Listas dos papas: cronológica · alfabética

O Papa Gregório XII, nome de batismo Angelo Correr, nasceu em Veneza. Patriarca latino de Constantinopla, foi eleito Papa no dia 30 de novembro de 1406. Com mais de oitenta anos de idade, foi coroado no dia 19 de dezembro do mesmo ano. Fisicamente muito magro e alto, somente "pele e ossos" segundo crónicas da época, assumiu o espírito ascético e conciliatório com relação aos problemas da Igreja Católica, principalmente com Bento XIII, o antipapa que residia em Avinhão.

O Cisma do Ocidente[editar | editar código-fonte]

Decidido a resolver o problema do chamado Grande Cisma do Ocidente encarou-o de forma sincera, declarando inclusive a ideia de abdicar a Cátedra de São Pedro, se isso resultasse em paz definitiva. Declarou-se pronto a imitar a mãe que, em presença do rei Salomão, preferiu entregar o próprio filho em mãos estrangeiras a vê-lo morrer. Gregório XII conquistou o coração do clero internacional e de diversos soberanos, colocando o antipapa contra a parede. Este, sem poder se esquivar de tal vontade, aceitou encontrar-se com Gregório na cidade italiana de Savona.

A ideia de abdicar resultou em uma rápida reação dos familiares de Correr, muitos deles já então instalados em diversos postos de comando da administração da Igreja. Beneficiados pelo nepotismo, reagiram firmemente à ameaça. Gregório XII então cedeu aos apelos da família. A opinião publica na época ficou horrorizada com a atitude dos parentes do Papa, insultando-os inclusive com cartas "a Satanás", endereçadas ao Arcebispo de Ragusa. Apesar do insucesso, Bento XIII se viu sob assédio em Avinhão do rei francês. Consegue fugir para Aragão em 1408, e, emitindo uma bula, convoca um concílio para Perpignan. Em Paris, o rei decidiu então concorrer com ambos os Papas e decretou um outro Concilio, reunindo os cardeais dos dois líderes católicos, a Pisa em marco de 1409. A convocação se deu por meio de sete cardeais rebelados de Gregório XII porque este havia nomeado dois sobrinhos como cardeais. Unindo-se aos rebeldes um grupo de cardeais de Avinhão, reunidos em Livorno. A ideia era reunir os dois Papas e - fosse o caso - força-los a renunciar ou então depô-los. Gregório XII reage com firmeza aos rebeldes, e após uma primeira tentativa de aproximação e perdão, anunciando um novo Concílio em uma cidade do Veneto para esclarecer os fatos. Não obtendo sucesso,acabou por nomear dez novos cardeais e excomungou os rebeldes. Dado a reação da opinião publica romana, decide partir para uma região mais segura aos seus interesses, se mudando para Rimini em 1409.

Estava formada uma enorme confusão no seio da Igreja. Com tais acontecimentos, o primeiro Concílio, em Perpignan (anunciado por Bento XIII) começou de fato, com a presença de 120 prelados e diversos soberanos que estavam tomando partido de um ou de outro. O rei Roberto do Palatinado Renano apoiava Gregório, porque via no Concílio de Pisa a influência poderosa do Rei da França. Ladislau I de Nápoles, como titular de "defensor da Igreja de Roma", também se apoderou da cidade deixada pelo Papa e anunciou ser contra o Concílio desejado pelo rei francês.

Nesse clima de tamanha confusão iniciou-se o Concílio de Pisa em 25 de março de 1409, com a presença de 10 cardeais fiéis a Bento XIII, 14 cardeais fiéis a Gregório XII, 4 patriarcas, 80 bispos, 27 abades e diversos doutores de Teologia e Direito Canónico, além de vários prelados que abandonaram Perpignan. Como presidente do Concílio foi nomeado o cardeal de Poitiers, Guy de Malesec.

No primeiro dia foram chamados os dois Papas, esperados até o dia 30 de março e como não se apresentaram, foram declarados ausentes. Gregório XII foi defendido pelo rei alemão Roberto do Palatinado Renano, declarando ser ilegítimo um Concílio não anunciado pelo Papa e que qualquer ação em matéria de renuncia do Papa seria portanto ilegal. Ignorado, o Concílio se declarou ecuménico e reuniu definitivamente os presentes que recusaram a obediência tanto a Gregório como a Bento.

A 5 de junho, o Patriarca de Alexandria leu a sentença que decretava Pedro de Luna (Bento XIII) e Gregório XII retirados do cargo de líderes da Igreja Romana como cismáticos, considerando a sede vacante. Dez dias depois, os 24 cardeais entraram em conclave e elegeram, por unanimidade, como novo Papa, o Bispo de Milão, Pietro Filargo, que foi consagrado na Catedral de Pisa, em 7 de julho, assumindo o nome de Alexandre V.

Com intenção de prosseguir os trabalhos para afrontar os problemas imensos da Igreja, não teve sucesso. Os prelados estavam esgotados de discussões. Concluiram-se os trabalhos e anunciou-se um novo concílio específico para 1412.

O caos na Igreja não diminuiu com a conclusão do Conclave de Pisa. Ao contrário, aumentou. Teólogos e doutores de Direito Canónico já diziam que tal Concílio era uma farsa, sem fundamento jurídico. Para piorar a situação, havia três papas no comando a Igreja: Gregório XII, que representava a Itália, Alemanha e o norte da Europa; Bento XIII, que representava a Escócia, Espanha, Sardenha, Córsega e parte da França; e Alexandre V, com a maior parte das Ordens Religiosas decididas a fazer uma inteira reforma na Igreja).

Gregório XII não ficou todo esse tempo como espectador dos fatos. Conforme prometera, iniciou os trabalhos no seu Concílio, na cidade de Cividale del Friuli (perto de Aquileia) e, no dia 22 de Julho, declarou como legítimos apenas os pontífices sediados em Roma - de Urbano VI até ele próprio. Todos os demais foram declarados antipapas - de Clemente VII até Bento XIII e, é claro, Alexandre V. Deixou claro que estava ainda disposto a abdicar ao trono de Pedro, desde que os outros dois postulantes fizessem o mesmo e que todas as correntes do pensamento da Igreja se reunissem em um único colégio no qual fosse eleito um novo Papa, com aprovação de ao menos dois terços dos cardeais das três correntes. Procurou apoio dos reis Roberto da Germânia, Ladislau de Nápoles) e Segismundo da Hungria, para que implementassem um plano de paz permanente, segundo a sua própria ideia. Entretanto mais um problema explodiu nas mãos de Gregório.

A Sereníssima República de Veneza, juntamente com os Patriarcas de Aquileia e de Veneza, proclamou-se obediente a Alexandre V e tentou prender Gregório XII. Este conseguiu fugir disfarçado, enquanto seu funcionário - usando as roupas de Gregório - foi feito prisioneiro. Conseguiu chegar a Gaeta sob proteção de Ladislau, rei de Nápoles.

Roma, nesse meio tempo, era controlada por Luís d'Anjou, reconhecido como rei de Nápoles pelo Concílio de Pisa, em detrimento de Ladislau. Assim, na primavera de 1410, Alexandre V pôde entrar em Roma aclamado pelo povo da cidade como o verdadeiro Pontífice Romano. Breve, porém, foi sua permanência. Aqueles que comandavam de fato o Concílio de Pisa, liderados pelo cardeal napolitano Baldassarre Cossa, responsável pela região de Bolonha, já tramavam a substituição de Alexandre. Chamado a Bolonha, Alexandre V morre no dia 5 de maio, provavelmente envenenado pelo próprio cardeal Cossa, que rapidamente reuniu um novo conclave e, no dia 25 do mesmo mês, nomeou a si mesmo Papa, com o nome de João XXIII - nome depois cancelado, só reaparecendo no século XX - e já no ano seguinte tomou posse da cátedra romana.

Gregório XII já não imaginava mais poder voltar a Roma. Para seu azar, Roberto da Germânia morreu logo depois da coroação do antipapa João XXIII e Ladislau, receoso de Luís d'Anjou, tratou com o ex-cardeal Cossa para tê-lo ao seu lado contra Luís. Com isso, Ladislau retirou seu apoio a Gregório VII e passou a apoiar João XXIII, eleito segundo ele "por inspiração divina".

Em Roma, o antipapa João XXIII prosseguia com seus projetos de transformar o Vaticano em uma fortaleza. Construiu a famosa passagem elevada que liga o Vaticano ao Castelo de Santo Ângelo, hoje conhecida como Passetto, provavelmente restaurada pelo Papa Alexandre VI. Mas para sua surpresa, chegavam da Alemanha notícias sobre um novo pretendente à coroa do Sacro Império Romano Germânico: Segismundo, um dos príncipes alemães, que considerava a situação reinante - com três pontífices sendo que nenhum dos três tinha autoridade de fato - intolerável para a cristandade. Como consequência, Ladislau rompe com João XXIII, que foge para Florença, enquanto o rei de Nápoles saqueava Roma.

Em 30 de outubro de 1413, Segismundo convoca todo o mundo religioso católico, incluindo príncipes e soberanos, para um novo concílio ecumênico que seria aberto em Konstanz, no sul da Alemanha, na fronteira com a Suíça, em 1 de abril de 1414. Convidados também foram os três papas reinantes, com o propósito de resolver de vez a situação e acabar com o cisma religioso e com as novas heresias para afinal reformar Igreja como instituição. O antipapa João XXIII aceitou a proposta e assumiu a convocação, para "legalizar" o ato, anunciando-o como uma continuação do Concílio de Pisa. Gregório XII e Bento XIII recusaram-se a participar. João XXIII, contente com a reação dos outros dois papas, obteve de Segismundo a garantia de proteção a sua vida e, no dia 28 de outubro de 1414, entrou triunfalmente na cidade onde seria realizado o concílio. Além dele, vieram representantes de toda a Europa cristã, em um total de mais de 1800 eclesiásticos, teólogos, bispos, arcebispos, patriarcas e cardeais, bem como os representantes dos reinos interessados. Presidiu ao Concílio João XXIII. Segismundo, coroado Imperador do Sacro Império Romano-Germânico em Aachen no dia 8 de novembro, chegou na véspera do Natal.

A maior inovação foi dividir o concílio em cinco regiões, as mais importantes para a Igreja: Itália, Germânia, França, Castela e Inglaterra, cada uma liderada por um bispo. Outra inovação foi o direito de voto a todos os presentes, laicos inclusive, em um novo conceito de democratização da Igreja. Com isso a autoridade era de todo o concilio e não apenas do Papa (ou de um deles) sendo negado o direito divino de soberania papal. Foi um duro golpe contra o poder da Igreja Romana, colocando em jogo o futuro do papado.

Apesar de tudo, Gregório XII enviou seu representante na pessoa de Giovanni Domici de Ragusa, anunciando que estava pronto a renunciar se os outros dois papas fizessem o mesmo. Pediu também que João XXIII fosse retirado da presidência do Concílio. A assembleia do concilio aceitou a proposta de Gregório XII, e João XXIII recitou sua parte no "teatro": em 2 de março de 1415 foi o protagonista principal. Ajoelhou-se em frente ao altar e jurou ser seu único objetivo a paz na Igreja e o fim do Cisma. O ato, teatralmente perfeito, tem nos bastidores a sua razão de ser: já começavam a circular vozes difamadoras contra ele, que já não se sentia tão seguro do seu poder. Com a ajuda de Frederico, duque da Áustria, fugiu e refugiou-se na cidade de Sciaffusa, denunciando posteriormente as intrigas e os preconceitos do concílio, bem como a violação das prerrogativas papais.

Para confirmar a regra, houve nova confusão, e somente com a inteligência de Segismundo e do cardeal Pierre d'Ailly evitou-se a dissolução do concílio. Chegou-se a conclusão que os três papas deveriam renunciar por livre vontade ou seriam forçados a isso - a começar por João XXIII, cujo destino fora selado pelo regente de Nuremberg, que o levara de Sciaffusa para uma cidade próxima ao local do concílio. No dia 29 de maio, seu título de Papa foi retirado. Declarado culpado pela situação, o antipapa foi posto na prisão. Depois de implorar pelo perdão, João XXIII foi entregue por Segismundo conde do Palatinado Renano, que o manteve sob custódia. Continuou prisioneiro dos príncipes alemães até que o novo Papa, Martinho V mandou soltá-lo, perdoou-o e o nomeou cardeal-bispo de Túsculo, cidade onde morreu em 1420.

Depois de João XXIII, foi a vez de Gregório XII, que se comportou com muita dignidade. Em 15 de junho de 1416 encarregou seu amigo e protetor Carlo Malatesta de comunicar à assembleia que "espontaneamente" abdicava ao papado e, para oficializar o concilio (pois era ele o único Papa de fato), declarou-o aberto naquele dia através de seu representante, o Cardeal Dominici, e legitimou todos os atos do concilio. Dai em diante não haveria mais contestações quanto à legitimidade do Concílio de Constança.

No dia 4 de julho, Carlo Malatesta apresentou então a carta de renúncia de Gregório XII e, em reconhecimento pela dignidade mostrada pelo Papa, o concílio o convidou a assumir o bispado de Porto e a representação pontifícia da região italiana do Marche. Gregório XII então agradeceu a assembleia em uma carta que assinou com seu nome de batismo: "Angelo, Cardeal e Bispo". Morreu na cidade de Recanati em 18 de outubro de 1417 e foi sepultado na catedral daquela cidade.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Rendina, Claudio - I Papi Storia e Segreti , Volume 2 Newton & Compton Editori s.r.l. - Roma 2005

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