Papa Inocêncio XI

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Beato Inocêncio XI
240º papa
Brasão pontifical de Beato Inocêncio XI
Nome de nascimento Benedetto Odescalchi
Nascimento Como, Itália,
19 de Maio de 1611
Eleição 21 de Setembro de 1676
Fim do pontificado 12 de Agosto de 1689 (78 anos)
Antecessor Clemente X
Sucessor Alexandre VIII
Listas dos papas: cronológica · alfabética

O Papa Inocêncio XI, nascido Benedetto Giulio Odescalchi (Como, 19 de maio de 1611Roma, 12 de agosto de 1689) foi eleito no dia 21 de setembro de 1676. Ficou conhecido como exemplo de humildade e humanidade, e a nível de política, pela oposição a Luís XIV de França e pelo cognome de "Salvador da Hungria" por ter apoiado a reconquista da Europa Central e Oriental, então ocupada pelos turcos otomanos.

Origens e formação[editar | editar código-fonte]

Filho de Livio Odescalchi e Paola Castelli, de famílias de comerciantes abastados de Bérgamo. Estudou em Roma e Nápoles, doutorando-se nesta última em Direito Civil e Canónico.

Trabalhou com os papas Urbano VII e Inocêncio X em diversos cargos da Cúria Romana. Este último nomeou-o cardeal em 1645, cardeal-diácono de São Cosme e Damião e Legado do Papa na cidade de Ferrara onde grassou uma grande fome, destacando-se na ajuda aos mais desfavorecidos e ganhando o cognome de «pai dos pobres».

Em 1650 Odescalchi foi ordenado bispo de Novara, tendo colocado a sua diocese ao serviço dos doentes e dos mais pobres. Renunciou à sua diocese em 1656, regressando ao serviço da Cúria Romana. Já em Roma foi consultor de diversas congregações e em 1659 mudou o seu título cardinalício pelo de Santo Onofre. No ano seguinte foi nomeado Camerlengo do Colégio Cardinalício.

Participou nos conclaves de 1655, de 1667 e de 1669-1670, sendo vetada neste último a sua candidatura ao papado por Jean-François Paul de Gondi, cardeal de Metz com o título de S. Maria sopra Minerva, em nome de Luís XIV de França.

Eleição como Papa[editar | editar código-fonte]

Eleito no conclave de 1676, depois de ter sido vetado pelo rei francês Luís XIV na eleição de 1669-1670, mas tendo de ceder desta vez, atendendo à sua forte popularidade entre o povo romano e junto de toda a Igreja. Assim que eleito, de imediato decretou uma severa redução de gastos inúteis na Cúria Romana, passando a viver de forma bastante simples e apelando aos demais cardeais para seguirem o seu exemplo.

Assumiu um carácter profundamente reformador, fosse sobre as finanças, estilo de vida, ou mesmo pastoral. Em 1679 condenou 65 proposições, retiradas dos escritos de Escobar, Francisco Suárez, e outros no género, considerando-as como "propositiones laxorum moralistarum" e proibiu o seu ensino a quem quer que fosse, sob pena de excomunhão.

Túmulo de Inocêncio XI no seu antigo local na Capela de São Sebastião, na Basílica de São Pedro, em Roma

Inocêncio XI após um período de doença prolongada, por pedra nos rins, em 12 de agosto de 1689. Foi sepultado na Basílica de São Pedro sob o monumento funerário junto da Capela Clementina, que o seu sobrinho Livio Odescalchi tinha encomendado.[1] [2] O monumento, concebido e esculpido po Pierre-Étienne Monnot, tem uma figura do papa sentado num trono no cimo de um sarcófago com um baixo-relevo a mostrar a libertação de Viena que estava cercada pelos turcos, por John III Sobieski, ladeada por figuras alegóricas a representar a Fé e a Perseverança.[3] [4]

Relações com a França de Luís XIV[editar | editar código-fonte]

O Rei Luís XIV, tentando entrar de boas relações com o papa, revogou o Édito de Nantes, que garantia a liberdade religiosa, tanto a católicos como a protestantes e passou a perseguir estes últimos. Mas o papa não apreciou tal gesto, manifestando seu desgosto pela violência e perseguição.

Óleo de Inocêncio XI

Inocêncio XI decretou que em Roma os diplomatas não poderiam mais gozar do privilégio de conceder direito de asilo a criminosos. Tendo o papa notificado o embaixador francês de que não seria mais reconhecido como representante da França a menos que renunciasse a tal direito, este, não aceitando, com o recurso à força armada de 800 homens, tomou o seu palácio à força. Desde então o papa excomungou-o e decretou a proibição da Igreja de São Luís dos Franceses, na capital romana.

Em 1688, vagando o bispado de Colónia, cargo relevante por o seu titular ser eleitor para a designação do Imperador, dois prelados eram candidatos, um alemão e um francês, nenhum conseguindo a maioria, e recaindo a escolha final no Papa. Este optou pelo alemão, aliás de acordo com a vontade dos príncipes e bispos alemães, bem como de toda a restante Europa, à excepção de França que pretendia adquirir maior influência no Império. Luís XIV retaliou, ocupando o território papa de Avinhão e ameaçando de separar a Igreja de França da Igreja universal. O papa contudo não cedeu e após a sua morte, o conflito foi resolvido em favor de Roma.

1683 e a grande derrota turca[editar | editar código-fonte]

Em 1683 o exército turco cercava Viena e o Papa mobilizou os príncipes alemães e o rei polaco para socorrem aquele cidade, bem como mais tarde auxiliarem a libertação da ocupação turca da Hungria.

A coligação de reinos católicos ("Liga Santa") organizada pelo Papa derrotou os turcos na batalha de Kahlenberg em 12 de setembro de 1683, às portas de Viena. A coligação reuniu 170 000 homens, homens provenientes dos estados alemães, do Sacro Império, da nobreza italiana, e de polacos guiados pelo valor do seu próprio rei, Jan III Sobieski que triunfou, sem precedentes, sobre as forças turcas que contavam com mais de 300 000 soldados, e que vinham de incendiar e derramar sangue de civis nos estados do Mar Negro e dos Balcãs, bem como nas cidades de Buda e de Pest, na Hungria.

A França não formava parte da coligação , porque se tinha comprometido com os turcos do Império Otomano, a sustentá-lo logisticamente, em armas e economicamente... sem lhe importar as consequências da ameaça turca para o resto da Europa. Isso valeu a Luís XIV, o roi soleil, o epíteto de "le roi maure" (o rei mouro)

Após ganhar a batalha de Viena, a Liga Santa levou a cabo a tomada da Hungria, na qual as cidades de Buda e de Pest foram reconquistadas em 1686.

Ao mesmo tempo, os venezianos puseram em marcha uma expedição à Grécia, que conquistou o Peloponeso. Durante o ataque de Veneza de 1687 sobre a cidade de Atenas (ocupada pelos otomanos), os otomanos converteram o Partenón num paiol de munições. Um morteiro veneziano atingiu o Parténon, detonando a pólvora armazenada no seu interior e destruindo-o parcialmente.

A derrota turca e o triunfo de la coligação católica-ortodoxa foi devida às incessantes exortações de Inocêncio XI para que os Estados Alemães e o Rei da Polónia Jan III Sobieski se apressassem a ajudar Viena.

Após este rotundo triunfo Inocêncio XI não teve nenhuma reserva para induzir os príncipes cristãos a que completassem a expulsão dos turcos do resto da Europa, contribuindo financeiramente para tal. Teve a satisfação de sobreviver à captura de Belgrado, em 6 de setembro de 1688. Bizâncio seria recuperada pela última vez em 1697.

Outros conflitos[editar | editar código-fonte]

Monumento a Inocêncio XI na Basílica de São Pedro

Reinava então em Inglaterra Jaime II, católico, mas obrigado pelas leis do seu país a respeitar a liberdade religiosa e sobretudo a Igreja Anglicana como religião oficial. No entanto, Jaime II tentou por todos os meios voltar a tornar o catolicismo como religião oficial, tentando suprimir as liberdades do parlamento e tornar-se rei absoluto à moda francesa da altura. O Papa nunca apoiou tais esforços, que condenava e veio a apoiar o derrube daquele rei pela sua filha, protestante, Maria II e seu marido Guilherme III, príncipe de Orange, no que ficou conhecido como Gloriosa Revolução.

Beatificação[editar | editar código-fonte]

Após uma causa difícil pela sua canonização, iniciada em 1741 por Bento XIV, e que gerou considerável controvérsia ao longo dos anos, foi beatificado em 7 de outubro de 1956 por Pio XII. Inocêncio XI tem sido considerado como um dos mais importantes papas do século XVII, conhecido pela sua santidade, piedade, firmeza e educação. Seu dia festivo é 12 de agosto.

Referências

  1. A obra Illustrated Hand-Book to Italy (1865) de Bradshaw descreve o seu túmulo como sendo o do monumento na basílica, junto ao de Leão XI. Francis Wey, em Rome (1875) e S. Russell Forbes em Rambles in Rome: An Archaeological and Historical Guide (1882) indicam o mesmo.
  2. Cevetello, Joseph F.X., "Blessed Innocent XI," Homiletic & Pastoral Review. New York, NY: Joseph F. Wagner, Inc., 1957. Pp. 331–339.
  3. Monument to Bl. Innocent XI SaintPetersBasilica.org. Página visitada em 21 June 2011.
  4. Reardon, Wendy J. (2004), The Deaths of the Popes, Jefferson: McFarland & Company, Inc. P. 215.


Precedido por
Clemente X
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Papa

240.º
Sucedido por
Alexandre VIII


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