Papa João XXI

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
João XXI
187º papa
Brasão pontifical de João XXI
Nome de nascimento Pedro Julião
Nascimento Lisboa, Portugal,
entre 1205 e 1226
Eleição 20 de setembro de 1276
Fim do pontificado 20 de Maio de 1277
Antecessor Adriano V
Sucessor Nicolau III
Listas dos papas: cronológica · alfabética

João XXI nascido Pedro Julião mais conhecido como Pedro Hispano[1] , (Lisboa, 1215  — Viterbo, 20 de maio de 1277) foi papa entre 20 de setembro de 1276, até à data da sua morte, tendo sido também um famoso médico, filósofo, professor e matemático português do século XIII.

Alguns autores indicam como data de nascimento o ano de 1205[2] , outros que foi antes de 1210, possivelmente em 1205 ou 1207[3] e outros ainda entre 1210 e 1220.[4]

História pessoal[editar | editar código-fonte]

Pedro Julião, ou Pedro Hispano, nasce em Lisboa, no então Reino de Portugal, em data não conhecida, mas seguramente antes de 1226, filho de Julião Rebelo, médico, cuja profissão segue, e de Teresa Gil (embora Luís Ribeiro Soares defenda que possa ter sido filho do chanceler de D. Sancho I, Mestre Julião Pais).

Começou os seus estudos na escola episcopal da catedral de Lisboa, tendo mais tarde estudado na Universidade de Paris (alguns historiadores afirmam que terá sido na Universidade de Montpellier) com mestres notáveis, como São Alberto Magno, e tendo por condiscípulos São Tomás de Aquino e São Boaventura, grandes nomes do cristianismo. Lá estuda medicina e teologia, dedicando especial atenção a palestras de dialética, lógica e sobretudo a física e metafísica de Aristóteles.

Entre 1246 e 1252 ensinou medicina na Universidade de Siena, onde escreveu algumas obras, de entre as quais se destaca o Tratado Summulæ Logicales que foi o manual de referência sobre lógica aristotélica durante mais de trezentos anos, nas universidades europeias, com 260 edições em toda a Europa, traduzido para grego e hebraico.

Prova da sua vastíssima cultura científica encontra-se na obra De oculo, um tratado de Oftalmologia, que conhece ampla difusão nas universidades europeias. Quando Miguel Ângelo adoece gravemente dos olhos, devido ao árduo labor consumido na decoração da Capela Sistina, encontra remédio numa receita de Pedro Julião. De sua autoria, o ‘Thesaurus Pauperum’ (Tesouro dos pobres), em que trata de várias doenças e suas curas, com cerca de uma centena de edições e traduzido para 12 línguas.

Já no domínio da Teologia, é autor de Comentários ao pseudo-Dionísio e Scientia libri de anima. Encontra-se por publicar a obra De tuenda valetudine, manuscrita em Paris, dedicada a Branca de Castela, esposa do rei Luís VIII de França, filha de Afonso IX de Castela.

Antes de 1261, ano em que é eleito decano da Sé de Lisboa, Pedro Julião ingressa no sacerdócio. O rei Afonso III de Portugal confia-lhe o priorado da Igreja de Santo André (Mafra) em 1263, posto o que é elevado a cónego e deão da Sé de Lisboa, Tesoureiro-mor na Sé do Porto e Dom Prior na Colegiada Real de Santa Maria de Guimarães.

Bispo e Cardeal de Braga[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Dom Martinho Geraldes, Pedro Julião é nomeado Arcebispo de Braga pelo Papa Gregório X, em 1273. Um ano depois, participa no XIV Concílio Ecuménico de Lião, altura em que Gregório X o eleva a Cardeal-bispo com o título de Tusculum-Frascati, da Diocese suburbicária de Frascati, o que permite ao pontífice poder contar com os serviços médicos do sábio português. Regressa ao Arcebispado de Braga, até ser nomeado o sucessor, Dom Sancho. De volta à corte pontifícia, Gregório X nomeia-o seu médico principal (arquiathros) em 1275.

A eleição de Pedro Julião, em conclave realizado em Viterbo, após a morte do Papa Adriano V, a 18 de agosto de 1276, decorre num período muito perturbado por tensões políticas e religiosas e com alguns cardeais a sofrer violências físicas. É eleito Papa a 13 de setembro e coroado a 20 de setembro de 1276, e adota o nome de João XXI.

Pontificado[editar | editar código-fonte]

Brasão de armas do Papa João XXI.

João XXI irá marcar o seu breve pontificado (de pouco mais de 8 meses) pela fidelidade ao XIV Concílio Ecuménico de Lião. Apressa-se a mandar castigar, em tribunal criado para o efeito, os que haviam molestado os cardeais presentes no conclave que o elegera.

Embora sem grande sucesso, leva por diante a missão encetada por Gregório X de reunir a Igreja Grega à Igreja do Ocidente. Esforça-se por libertar a Terra Santa em poder dos turcos.

Tenta reconciliar grandes nações europeias, como França, Germânia e Castela, dentro do espírito da unidade cristã. Neste sentido, envia legados a Rodolfo de Habsburgo e a Carlos de Anjou, sem sucesso.

Pontífice dotado de rara simplicidade, recebe em audiência tanto os ricos como os pobres. Dante Alighieri, poeta italiano (1265-1321), na sua famosa Divina Comédia, coloca a alma de João XXI no Paraíso, entre as almas que rodeiam a alma de São Boaventura, apelidando-o de "aquele que brilha em doze livros", menção clara a doze tratados escritos pelo erudito pontífice português. O rei Afonso X de Leão e Castela, o Sábio, avô de Dom Dinis de Portugal, elogia-o em forma de canção no "Paraíso", canto XII. Mecenas de artistas e estudantes, é tido na sua época por 'egrégio varão de letras', 'grande filósofo', 'clérigo universal' e 'completo cientista físico e naturalista'.

O sarcófago de João XXI na Catedral de Viterbo.

Mais dado ao estudo que às tarefas pontifícias, João XXI delega no Cardeal Orsini, o futuro Papa Nicolau III, os assuntos correntes da Sé Apostólica. Ao sentir-se doente, retira-se para a cidade de Viterbo, onde morre a 20 de maio de 1277, vitimado pelo desmoronamento das paredes do seu aposento, estando o palácio apostólico em obras. É sepultado junto do altar-mor da Catedral de São Lourenço, naquela cidade. No século XVI, durante os trabalhos de reconstrução do templo, os seus restos mortais são trasladados para modesto e ignorado túmulo, mas nem aqui encontraram repouso definitivo. Através do contributo da Câmara Municipal de Lisboa, por João Soares então seu presidente, o mausoléu é colocado, a título definitivo, ao lado do Evangelho de Catedral de Viterbo, a 28 de março de 2000.

Referências

  1. Segundo algumas referências, como a GCatholic e a The Cardinals of the Holy Roman Church, o nome seria João Pedro Julião.
  2. CALAFATE, Pedro. Pedro Hispano Portucalense (ou Pedro Julião). Instituto Camões. Página visitada em 14 de fevereiro de 2010.
  3. coord. J. Paiva Boléo-Tomé. Pedro Hispano Portugalense: Papa João XXI no 8o centenário do seu nascimento. Porto: Acção Médica, 2007. 262 p. ISBN 978-989-20-0937-7
  4. BERNARDO,Luís Miguel. Histórias da Luz e das Cores. Porto: Universidade do Porto, 2005. p. 155. ISBN 978-972-8025-64-9 Página visitada em 14 de fevereiro de 2010.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Edição especial do Correio da Manhã - "Os Papas - De São Pedro a João Paulo II" - Fascículo VIII, "João XXI - o único Papa português", página 182 e 183, ano 2005.
  • SOARES, Luis Ribeiro (1993) Pedro Hispano na Corte do Rei Sábio?, Lisboa: APH, Anais da Academia Portuguesa da História 2ª s., 33, 67-76.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Martinho Geraldes
Brasão arquiepiscopal
Arcebispo Primaz de Braga

1272 - 1274
Sucedido por
Sancho
Precedido por
Eudes de Châteauroux
Brasão cardinalício
Cardeal-Bispo de Frascati

1274 - 1276
Sucedido por
Ordonho Alvares
Precedido por
João de Toledo
Cardeal
Deão do Sacro Colégio dos Cardeais

12751276
Sucedido por
Bertrand de Saint-Martin
Precedido por
Adriano V
Brasão arquiepiscopal
Papa
187.º

1276 - 1277
Sucedido por
Nicolau III