Paulo da Iugoslávia

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Paulo da Jugoslávia
Príncipe-Regente da Jugoslávia
Cônjuge Olga da Grécia e Dinamarca
Descendência
Alexandre da Jugoslávia
Nicolau da Jugoslávia
Isabel da Jugoslávia
Pai Arsen da Jugoslávia
Mãe Aurora Pavlovna Demidova
Nascimento 27 de Abril de 1893
São Petersburgo, Império Russo
Morte 14 de setembro de 1976 (83 anos)
Paris, França
Enterro Igreja de São Jorge, Sérvia

O príncipe Paulo da Jugoslávia (português europeu) ou Iugoslávia (português brasileiro), também conhecido por Paulo Karađorđević (em servo-croata: Pavle Karađorđević, alfabeto cirílico sérvio: Павле Карађорђевић, em esloveno: Pavel Karadjordjević, transliteração: Paul Karageorgevich; 27 de abril de 1893 - 14 de setembro de 1976), foi Regente do Reino da Iugoslávia durante a menoridade do rei Pedro II. Pedro era o filho mais velho de seu primo Alexandre I. Seu título na Iugoslávia era Knez (Knez Pavle Karađorđević), que se traduz melhor como "Príncipe".

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

O príncipe Paulo da Jugoslávia era o único filho do príncipe Arsen, irmão do rei Pedro I, e da princesa e condessa Aurora Pavlovna Demidova, neta da filantropa finlandesa Aurora Karamzin e do seu marido russo, o príncipe e conde Pavel Nikolaevich Demidov. Paulo casou-se com a princesa Olga da Grécia e Dinamarca, irmã da princesa Marina, duquesa de Kent, em 1923. O rei Jorge VI, na altura ainda duque de Iorque, foi o padrinho deste casamento em Belgrado.

Paulo foi educado na Universidade de Oxford, onde se tornou membro do Bullingdon Club, um clube exclusivo que se dedicava a destruir a propriedade de restaurantes. Os seus amigos mais chegados incluíam Chips Channon, um americano que se tinha naturalizado como cidadão britânico, e dizia-se que a sua perspectiva era britânica. Tornou-se cavaleiro da Ordem da Jarreteira em 1939.

Regente da Jugoslávia[editar | editar código-fonte]

Paulo com a sua esposa Olga, Hermann Göring e a esposa dele.

No dia 9 de Outubro de 1934, o príncipe Paulo passou a ser regente do seu país depois de o seu primo, o rei Alexandre, ser assassinado em Marselha, na França. No seu testamento, Alexandre nomeou Paulo como o primeiro de três regentes que iriam governar até Setembro de 1941, altura em que o filho mais velho do rei, o príncipe Pedro, se tornaria maior de idade.[1]

O príncipe Paulo era mais jugoslavo do que sérvio, ao contrário do seu primo Alexandre. Muito geralmente, a sua política interna centrou-se em eliminar a herança que a ditadura de Alexandre tinha deixado: o centralismo, a censura e o controlo militar, assim como pacificar o país e resolver o problema sérvio-croata.[2]

Em Agosto de 1939, o Acordo de Cvetković–Maček criou a Banovina da Croácia. O governo central passou a controlar as relações externas, a defesa nacional, o comércio com o estrangeiro, o comércio, transportes, segurança pública, religião, industria mineira, pesos e medidas, seguros e a política de educação. A Croácia teria a sua própria legislatura em Zagreb e um orçamento separado.[3]

Quando rebentou a Segunda Guerra Mundial, a Jugoslávia declarou a sua neutralidade.[4] A 25 de Março de 1941, o governo jugoslavo assinou o Pacto Tripartido com grandes reservas, uma vez que este recebeu três notas. A primeira nota obrigava os poderes do Eixo a respeitar a integridade territorial e a soberania da Jugoslávia. Na segunda nota, os poderes do Eixo prometiam não pedir assistência militar à Jugoslávia. Na terceira nota, prometiam não pedir autorização à Jugoslávia para mobilizar as suas forças militares no seu território durante a guerra.[5]

Dois dias depois, o príncipe Paulo foi retirado do poder.[6]

Hoje em dia, a política estrangeira do príncipe Paulo, incluindo a assinatura do Pacto Tripartido parece ter sido motivada pelo seu desejo de dar a maior margem de manobra possível ao seu país em circunstâncias extremamente adversas. Após a queda de França e a derrota da Grã-Bretanha, Paulo não viu outra hipótese de salvar a Jugoslávia senão através da adopção de políticas de acomodação dos poderes do Eixo. Mas mesmo sob estas circunstâncias, Paulo, que por fora era neutral, permaneceu a favor dos Aliados. Ajudou Grécia quando o país foi invadido, incentivou a colaboração militar entre os exércitos jugoslavo e francês e durante quase três anos impediu os avanços do Eixo na Jugoslávia.[7]

Exílio[editar | editar código-fonte]

O príncipe Paulo e a sua família ficaram em prisão domiciliária por ordem britânica, no Quénia, durante o resto da guerra.

A princesa Isabel, a sua única filha, obteve e publicou informação sobre os ficheiros executivos das operações especiais no Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico em Londres e publicou-as em Belgrado, na edição de 1990 da biografia do seu pai em servo. O livro original sobre Paulo da Jugoslávia foi escrito por Neil Balfour, e foi publicado pela primeira vez pela Eaglet Publishing em Londres, em 1980.

As autoridades comunistas do pós-guerra declararam Paulo um inimigo do estado. O príncipe foi impedido de regressar à Jugoslávia e toda a sua propriedade foi confiscada. Morreu em Paris, a 14 de Setembro de 1976, quando tinha oitenta-e-três anos de idades, e foi enterrado na Suíça. Foi reabilitado pelos tribunais servos em 2011 e actualmente existem planos para que o seu corpo seja transladado para o túmulo da família em Oplenac, na Sérvia.

Colecção de Arte[editar | editar código-fonte]

O príncipe Paulo coleccionou, doou e dedicou um grande número de obras de arte à Sérvia e aos servos, incluindo trabalhos estrangeiros. Esta colecção tem principalmente obras italianas, francesas e dinamarquesas e a maioria encontra-se no Museu Nacional da Sérvia. Incluem artistas como Rubens, Renoir, Monet, Titian , van Gogh , Paul Gauguin etc.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Alexandre da Jugoslávia (13 de Agosto de 1924 -), casado com a princesa Maria Pia de Sabóia, filha do rei Humberto II da Itália; com descendência. Casado depois com a princesa Bárbara do Liechtenstein; com descendência.
  2. Nicolau da Jugoslávia (29 de Junho de 192812 de Abril de 1954), morreu aos vinte-e-cinco anos de idade num acidente de viação; sem descendência.
  3. Isabel da Jugoslávia (17 de Abril de 1936-), casada primeiro com Howard Oxenberg; com descendência. Casada depois com Neil Balfour; com descendência. Casada por fim com Manuel Ulloa Elías; sem descendência. Foi candidata a presidente da Jugoslávia.

Referências

  1. Hoptner, J.B, "Yugoslavia in crisis 1934-1941"., Columbia University Press, 1962, p. 25
  2. Hoptner, p. 26
  3. Hoptner, p. 154
  4. Hoptner, p. 167
  5. Hoptner, p. 240
  6. Hoptner, p. 266
  7. Hoptner, p. 298

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Martin van. Hitler's Strategy 1940-1941: The Balkan Clue (em inglés). [S.l.]: Cambridge University Press (ed.), 1973. 264 p. ISBN 9780521201438
  • Robin. Diary of a disaster : British aid to Greece, 1940-1941 (em inglés). [S.l.]: University Press of Kentucky (ed.), 1986. 269 p. ISBN 9780813115641
  • J. B.. Yugoslavia In Crisis 1934-1941 (em inglés). [S.l.]: Columbia University Press (ed.), 1962. 328 p. OCLC 404664
  • Walter R.. Tito, Mihailovic, and the Allies, 1941-1945 (em inglés). [S.l.]: Rutgers University Press (ed.), 1973. 406 p. ISBN 9780813507408
  • Joseph. East Central Europe Between the Two World Wars (em inglés). [S.l.]: University of Washington Press (ed.), 1990. 438 p. ISBN 9780295953571
  • Tsvetkovith, Dragisha. (1951). "Prince Paul, Hitler, and Salonika" 27 (1).
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