Fluoxetina

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Fluoxetina
Alerta sobre risco à saúde
Fluoxetin Structural Formulae of both enantiomers.png
S-fluoxetine-3D-vdW.png
Nome IUPAC (±)-N-methyl-3-phenyl-3-[4- (trifluoromethyl)phenoxy]propan-1-amine
Identificadores
Número CAS 54910-89-3
PubChem 3386
DrugBank APRD00530
ChemSpider 56589
Código ATC N06AB03
DCB n° 04176
Primeiro nome comercial ou de referência Prozac (20 mg); Prozac Durapac (90 mg); Daforin (10 mg, 20 mg, 20 mg/mL)
Propriedades
Fórmula química C17H18F3NO
Massa molar 309.32 g mol-1
Farmacologia
Biodisponibilidade 72%
pico em 6-8 horas
Metabolismo hepático
Meia-vida biológica 1-3 dias (aguda); 4-6 dias (crônica);
Ligação plasmática 94,5%
Excreção rins 80%, intestino 15%
Classificação legal

C1 - Outra substância sujeita a controle especial (Sujeita a Receita de Controle Especial em duas vias) (BR)



Excepto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições PTN

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

Fluoxetina é um medicamento antidepressivo da classe dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina.[1] [2] Suas principais indicações são para uso em depressão moderada a grave,[3] transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno alimentar [4] , transtorno do pânico e de ansiedade.[5] É utilizado na forma de cloridrato de fluoxetina, como cápsulas ou em solução oral.

Foi sintetizada e comercializada inicialmente pela companhia farmacêutica Eli Lilly com o nome Prozac®.[6] Atualmente é comercializada no Brasil e em Portugal por vários laboratórios como medicamento genérico, estando sujeita a receita médica (ou até mesmo a retenção da receita).

A patente da Eli Lilly sob o Prozac expirou em agosto de 2001,[7] despertando um influxo de genéricos ao mercado. Só nos Estados Unidos, mais de 19 milhões de prescrições genéricas foram efetuadas em 2006, colocando-a na terceira posição entre os antidepressivos mais receitados, após a sertralina e o escitalopram.[8]

História[editar | editar código-fonte]

Cápsulas de fluoxetina 20 mg.

O trabalho que levou à descoberta da fluoxetina começou na Eli Lilly em 1970, como um colaboração entre Bryan Molloy e Robert Rathburn.[6] Era sabido na altura que o anti-histamínico difenidramina tinha alguns efeitos antidepressivos, pelo que o composto 3-fenoxi-3-fenilpropilamina, estruturalmente similar à difenidramina, foi usado como ponto de partida. Molloy sintetizou dúzias de derivados, e os testes dos efeitos fisiológicos destes fármacos em ratos resultaram na descoberta da nisoxetina, um inibidor selectivo da recaptação da noradrenalina amplamente utilizado em experiências bioquímicas hoje em dia.[6]

Mais tarde, na esperança de descobrir um derivado que inibisse apenas a recaptação de serotonina, Wong propôs que se voltasse a testar esses compostos in-vitro quanto ao seu efeito sobre a recaptação de serotonina, noradrenalina e dopamina. Este teste, realizado por Jong-Sir Horng em Maio de 1972,[6] mostrou que um composto (mais tarde nomeado fluoxetina) era o mais potente inibidor da serotonina da série.[9]

Gerou-se uma controvérsia após investigadores da Lilly publicarem um artigo intitulado "Prozac (fluoxetine, Lilly 110140), the first selective serotonin uptake inhibitor and an antidepressant drug"[6] (em português, Prozac, o primeiro inibidor seletivo da recaptação da serotonina e um fármaco antidepressivo), implicitamente afirmando que a fluoxetina era o primeiro inibidor selectivo da recaptação da serotonina (SSRI). Após dois anos, tiveram que publicar uma correção admitindo que o primeiro SSRI era a zimelidina, desenvolvida por Arvid Carlosson e os seus colegas.[10] A fluoxetina estreou-se no mercado belga em 1986[11] e foi aprovado pela FDA nos Estados Unidos em Dezembro de 1987.[12] A fluoxetina foi o quarto SSRI a surgir no mercado, após a indalpina, zimelidina e fluvoxamina. Contudo, os primeiros dois foram retirados devido a efeitos laterais, e uma campanha vigorosa de marketing pela Eli Lilly garantiu que na cultura popular, a fluoxetina fosse vista como um avanço tecnológico e associada com o título de primeiro SSRI.

Indicações[editar | editar código-fonte]

A fluoxetina também é muito usada para tratar depressão e ansiedade em animais.[13]

A fluoxetina está aprovada em Portugal para o tratamento de episódios depressivos maior, perturbação obsessivo-compulsiva e bulimia nervosa e transtorno bipolar.[14] Outras indicações incluem ainda a síndrome do pânico,[15] e o transtorno obsessivo-compulsivo.

A fluoxetina mostrou ser eficaz na depressão em ensaios de seis semanas com controlo e dupla ocultação, onde também alivou a ansiedade e melhorou o sono. A fluoxetina foi melhor que o placebo na prevenção da recorrência de depressão quando pacientes que originalmente tinham respondido à fluoxetina foram tratados durante mais 38 semanas. A eficácia no tratamento da depressão geriátrica assim como pediátrica foi também demonstrada em estudos com placebo.[15]

Estudos recentes sugerem que uma parte significante da resistência aos SSRIs paroxetina e citalopram pode ser explicada por variações genéticas do transportador Pgp. A paroxetina e o citalopram são activamente transportados para fora do cérebro por esta proteína, enquanto que a fluoxetina parece não estar sujeita a este mecanismo, pelo que seria benéfico a administração de paroxetina em doentes resistentes à terapêutica.[16] [17]

O transtorno obsessivo-compulsivo foi tratado com sucesso pela fluoxetina em dois estudos com adultos e um com crianças com a duração de 13 semanas.[carece de fontes?]

Dose recomendada de 20 a 80mg/dia.

Uso no mundo[editar | editar código-fonte]

Em alguns países da Europa cerca de 3 a 7% da população faz uso de algum antidepressivo. Cerca de 80% do consumo é por mulheres.[18] No Brasil, segundo a ANVISA, o consumo cresceu cerca de 44% entre 2005 e 2009 movimentando cerca de um bilhão de reais por ano.[19] O consumo é alto no Centro-Sul (especialmente Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo) e mais de dez vezes menor no Norte-Nordeste.[20]

Precauções[editar | editar código-fonte]

Pacientes com alto risco de suicídio devem ser acompanhados de forma atenta por um especialista. Sendo um medicamento sem indicações para uso pediátrico, outras formas de tratamento devem ser encontradas ao invés do uso de fluoxetina. O uso em pacientes com histórico de crises convulsivas deve ser cuidadosamente avaliado. Podem ocorrer em pacientes sensíveis a coceiras, urticária (com febre), leucocitose, artralgias, edema e até linfadenopatias.[21]

Não é recomendado seu uso somente para reduzir o apetite, exceto em obesos com transtornos de ansiedade, alimentares ou do humor. Um efeito colateral possível em pessoas saudáveis é o aumento do apetite e do peso e agravamento de problemas cardiovasculares, urológicos, neurológicos e respiratórios. Entre 5 a 21% dos pacientes são metabolizadores lentos da fluoxetina e sofrem com efeitos colaterais mais sérios. [22]

Descontinuação[editar | editar código-fonte]

Ao se parar o uso de fluoxetina, podem ocorrer nervosismo, insônia, e isolamento acompanhado de tristeza sem explicação.

Síndrome de descontinuação de ISRS[editar | editar código-fonte]

Ao reduzir a reciclagem de serotonina ela demora entre um a dois meses para fazer seu efeito máximo. O tratamento recomendado dura entre um a três anos.

Pode ocorrer em função da interrupção repentina, do esquecimento de doses ou da descontinuação de qualquer Inibidor seletivo da recaptação da serotonina. Os sintomas mais comuns são: ansiedade, agitação motora, insônia, tonturas, vertigens, fadiga, náuseas, dores musculares, coriza, mal-estar, perturbações sensoriais e agravamento da depressão. Iniciam 12 a 48 horas após a última dose, durando em geral até duas semanas. Ocorre com mais frequência na descontinuação da paroxetina, seguida do citalopram, da sertralina e da fluvoxamina. É recomendável:

  • Alertar o paciente para o risco da síndrome se por acaso esquecer de tomar o medicamento ou interrompê-lo repentinamente;
  • Reiniciar com uma dose por dia do medicamento para eliminar os sintomas e interromper o uso gradualmente;
  • Fármacos de meia-vida longa (fluoxetina) demoram mais para causar a síndrome (4 a 6 dias) e portanto devem ser recomendados a pacientes pouco aderentes.

Reações adversas[editar | editar código-fonte]

Os efeitos colaterais mais comuns (mais de 1%)[18] :

Em geral são efeitos que surgem no início do tratamento e diminuem ou desaparecem com o tempo. Podem ocorrer, mas não são comuns: diarreia, secura na boca, hiperprolactinemia. Episódio maníaco (aceleração do pensamento e impulsividade), confusão mental, ideias de suicídio, discinesias(sensações táteis sem estímulos externos), trombocitopenias (redução do número de plaquetas no sangue), ginecomastia(aumento dos seios), mastodinia(dor nas mamas), dismenorreia (problema menstrual) e sangramento vaginal.

Como a maioria dos serotoninérgicos, pode causar diminuição do desejo sexual (libido), diminuição do prazer sexual (anorgasmia) e atraso na ejaculação.[23] Associação com buspirona ou bupropiona podem amenizar esses efeitos colaterais. Caso não seja suficiente, existem diversas outras opções de medicamentos antidepressivos.[18]

Interações medicamentosas[editar | editar código-fonte]

Não é recomendado em associação com [18] :

Quando usado em associação com anticoagulantes como aspirina aumenta a chance de sangramentos.

Referências

  1. Psiquiatria Para Estudantes de Medicina. pag. 400
  2. Guia Essencial da Depressão. pag. 202
  3. P.R. Vade-mécum ABIMIP 2006/2007
  4. Psicosite. Acompanhamento prolongado da Bulimia Nervosa. Página visitada em 11/01/2010.
  5. http://www.galenoalvarenga.com.br/medicamentos/fluoxetina-prozac
  6. a b c d e Wong, DT, Bymaster FP, Engleman EA. (1995). "Prozac (fluoxetine, Lilly 110140), the first selective serotonin uptake inhibitor and an antidepressant drug: twenty years since its first publication". Life Sci 57 (5): 411-41. DOI:10.1016/0024-3205(95)00209-O. PMID 7623609.
  7. Patent Expiration Dates for Common Brand-Name Drugs. Página visitada em 2007-07-20.
  8. Top 200 Generic Drugs by Units in 2006PDF (19.4 KiB). Drug Topics (March 5, 2007). Retrieved on April 14, 2007.
  9. Wong D, Horng J, Bymaster F, Hauser K, Molloy B. (1974). "A selective inhibitor of serotonin uptake: Lilly 110140, 3-(p-trifluoromethylphenoxy)-N-methyl-3-phenylpropylamine". Life Sci 15 (3): 471–9. PMID 4549929.
  10. Carlsson A, Wong DT. (1997). "A note on the discovery of selective serotonin reuptake inhibitors". Life Sci 61 (12): 1203. DOI:10.1016/S0024-3205(97)00662-0. PMID 9315511.
  11. Swiatek, Jeff. (2001-08-02). "Prozac's profitable run coming to an end for Lilly". The Indianapolis Star.
  12. Electronic Orange Book. Food and Drug Administration (abril 2007). Página visitada em May 24, 2007.
  13. http://veja.abril.com.br/090507/p_123.shtml
  14. http://www.infarmed.pt/prontuario/framepesactivos.php?palavra=fluoxetina&x=0&y=0 Prontuário terapêutico - Fluoxetina (acesso: 10-03-2008)
  15. a b Prozac prescribing information (PDF). Eli Lilly (2007-06-21). Página visitada em 2008-01-09.
  16. Uhr M, Tontsch A, Namendorf C, Ripke S, Lucae S, Ising M, Dose T, Ebinger M, Rosenhagen M, Kohli M, Kloiber S, Salyakina D, Bettecken T, Specht M, Pütz B, Binder EB, Müller-Myhsok B, Holsboer F. (2008). "Polymorphisms in the Drug Transporter Gene ABCB1 Predict Antidepressant Treatment Response in Depression". Neuron 57 (2): 203–9. DOI:10.1016/j.neuron.2007.11.017. PMID 18215618.
  17. Kato M, Fukuda T, Serretti A, Wakeno M, Okugawa G, Ikenaga Y, Hosoi Y, Takekita Y, Mandelli L, Azuma J, Kinoshita T. (2008). "ABCB1 (MDR1) gene polymorphisms are associated with the clinical response to paroxetine in patients with major depressive disorder". Prog. Neuropsychopharmacol. Biol. Psychiatry 32 (2): 398–404. DOI:10.1016/j.pnpbp.2007.09.003. PMID 17913323.
  18. a b c d http://www.mdsaude.com/2010/04/antidepressivos-escitalopram-citalopram.html
  19. http://www.depressao.net/venda-de-antidepressivos-no-brasil-cresce.html
  20. http://www.scielo.br/pdf/ramb/v58n1/v58n1a20.pdf
  21. Bula do Medicamento Psiquial - Merck
  22. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852009000200005
  23. Revista NutriWeb

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Artigos científicos e médicos[editar | editar código-fonte]

Web-endereços comerciais[editar | editar código-fonte]

Outras ligações[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Nomes Comerciais[editar | editar código-fonte]

País onde é comercializado Nome do medicamento
África do Sul Lorien, Nuzac, Prohexal, Prozac, Sanzur
 Alemanha Fluctin, Fluneurin, Fluox, Fluoxa, Fluoxgamma, Fluoxmerck, Fluox-Puren, Fluxet, Fysionorm
 Argentina Alental, Animex-On, Captaton, Eburnate, Equilibrane, Fluopiram, Foxetin, Lapsus, Mitilase, Nervosal, Neupax, Prozac, Saurat
 Austrália Auscap, Erocap, Fluohexal, Lovan, Prozac, Zactin
 Áustria Felicium, Fluctine, Fluoxibene, Fluoxistad, Fluoxityrol, Flux, Fluxomed, Mutan, Nufluo, Positivum
 Bélgica Fontex, Prozac
 Brasil Daforin, Deprax, Depress, Eufor, Fluxene, Fluox , Neo-Fluoxetin, Nortec, Prozac, Prozen, Psiquial, Verotina
 Canadá Prozac
 Chile Actan, Anisimol, Clinium, Dominium, Pragmaten, Prozac, Sostac, Tremafarm
 Dinamarca Afeksin, Flutin, Fluxantin, Folizol, Fondur, Fonigen, Fontex, Fonzac
 Espanha Adofen, Austrin, Lecimar, Nodepe, Prozac, Reneuron
 Estados Unidos Prozac, Serafem
 Finlândia Fluxantin, Fontex, Seromex, Seronil
 França Prozac
 Grécia Dagrilan, Dinalexin, Exostrept, Flonital, Fluxadir, Fokeston, Ladose, Orthon, Sartuzin, Stephadilat-S, Stressless, Zinovat
 Países Baixos Prozac
 Hong Kong Deprexin, Fluxil, Magrilan, Nopress, Provatine, Prozac
 Hungria Deprexin, Fefluzin, Floxet, Portal, Prozac
 Índia Fludac, Flufran, Platin
 Inglaterra Prozac, Prozit
 Irlanda Affex, Biozac, Gerozac, Norzac, Prozac, Prozamel, Prozatan, Prozit
 Israel Affectine, Flutine, Prizma, Prozac
 Itália Deprexen, Diesan, Flotina, Fluoxeren, Fluoxin, Grinflux, Prozac, Serezac, Zafluox
 Malásia Prozac
 México Auroken, Axtin, Flocet, Florexal, Fluoxac, Prozac, Siquial
 Nova Zelândia Fluox, Plinzene, Prozac
 Portugal Nodepe, Prozac, Psipax, Salipax, Selectus, Tuneluz
 Tailândia Actisac, Anzac, Atd, Deprexin, Flumed, Fluoxine, Flusac, Flutine, Fluxetil, Fluxetin, Fluzac, Hapilux, Loxetine, Magrilan, Oxetine, Oxsac, Prodep, Prozac, Unprozy
 Singapura Fluxetil, Magrilan, Prozac, Zactin
 Suécia Fluxantin, Fontex, Seroscand