Engenho de açúcar no Brasil colonial

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Casa Grande e Senzala

Na Idade Média, em meados do século XVI, o açúcar era produzido apenas pelo Oriente e, com a colonização das terras brasileiras, os portugueses encontraram uma oportunidade de produzir seu próprio açúcar, trazendo ao Brasil as primeiras mudas de cana.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro de um engenho de açúcar no Brasil que se tem informações, foi instalado em São Paulo, na capitania de São Vicente, em 1532. Em seguida, outros foram instalados na região Nordeste, inicialmente em Olinda e se espalhando por todo o Recôncavo Baiano. Ainda que houvessem canaviais no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, o Nordeste foi quem assumiu mais importância devido ao seu solo de Massapê (cor escura), o clima quente e úmido e as chuvas regulares que ofereciam excelentes condições para cultivo da cana. Outro fato que favoreceu essa região era por estarem mais próximo da África, local de onde vinham os escravos para trabalhar na lavoura, e também por estar mais contíguo de Portugal, facilitando o transporte do produto. Dessa forma, o Nordeste tornou-se a principal área açucareira da colônia, destacando sobretudo, Pernambuco e Bahia.

Estrutura dos Engenhos[editar | editar código-fonte]

Por ser uma estrutura complexa, o engenho necessitava de grandes extensões de terra para abrigar todas as suas funções. Cada uma das etapas do processo de fabricação do açúcar, refletia na arquitetura e criava a sua configuração espacial.

Estrutura dos Engenhos

Canavial[editar | editar código-fonte]

O canavial era local onde a cana de açúcar era cultivada.

Casa da Moenda[editar | editar código-fonte]

Cômodo retangular que abrigava a estrutura do engenho. Era construído em um nível mais baixo e próximo do rio, para que permitisse a passagem de água na casa. Necessariamente, deveria conter duas portas: uma para a entrada da carroça que trazia a cana-de-açúcar e outra para que ela saísse sem ter que dar a volta no interior do cômodo. A moenda era uma máquina feita de madeira que, com um mecanismo de engrenagem movido por força humana, animal ou hidráulica, prensava a cana e a transformava em caldo. Em algumas casas, o caldo extraído era conduzido pelas calhas até a casa das caldeiras, sendo primordial haver uma ligação direta entre elas.

Engenho de Açúcar, Nordeste Brasileiro, 1816

Casa das Caldeiras[editar | editar código-fonte]

Considerado o local mais perigoso do engenho pelos riscos de queimadura ou incêndio, o cômodo tinha dimensões menores e era o local onde o caldo era cozido. Possuía uma bancada de tijolos onde estavam as chamadas tachas para cozer o açúcar. Em sua proximidade, existiam altas e grandes chaminés de tijolo que caracterizavam um sistema em que o fogo alimentava as tachas longitudinalmente.

Casa de Purgar[editar | editar código-fonte]

Local onde o caldo cozido ficava por vários dias para que as suas impurezas saíssem de modo a transformá-lo em açúcar e, por isso, devia estar próximo à casa de caldeiras e mais afastada do centro do engenho. O destaque desta dependência é o fato da mesma ter um nível mais baixo e, ao longo das paredes ter estruturas de tijolos que criavam apoios para as tábuas de madeira onde as formas de purgar eram encaixadas.

Senzala[editar | editar código-fonte]

O termo deriva do significado de “lugar de habitações dos indivíduos de uma família” ou “morada separada da casa principal”. No Brasil colonial, foi usado para referir-se a moradia coletiva dos escravos. Eram estruturas divididas em cubículos e não tinham banheiro ou cozinha, podendo estar próximas ou não da casa grande. No geral, não havia privacidade e todos viviam juntos. Em alguns casos, as senzalas tinham lugares reservados para os casais ou tinham pequenas casas separadas como forma de incentivo a terem filhos. Em frente às senzalas, ficava o chamado tronco ou pelourinho, um lugar usado para castigar ou, como se falava no século XVI, “educar” os escravos.

Casa Grande, Senzalas e Armazéns

Casa Grande[editar | editar código-fonte]

Residência do senhor de engenho, eram construções com grandes salas, numerosos quartos e acomodações confortáveis, podendo ser térrea ou sobrado e geralmente estava em um lugar central e elevado da propriedade para que se pudesse ter visão total do engenho e representar a função política e administrativa do conjunto. Nos séculos XVI e XVII, as casas não eram tão luxuosas e eram feitas de pau a pique, pedra-lavada, cal, teto de palha ou de sapê.

Capela[editar | editar código-fonte]

Construída a partir da necessidade religiosa e governamental, foi instalada ao lado da casa grande, como uma extensão dela, reunindo os habitantes do engenho para a realização de cerimônias religiosas. A Capela era uma construção modesta e baixa, mas com tamanho suficiente para abrigar a comunidade.

Casas de Trabalhadores Livres[editar | editar código-fonte]

Pequenas e simples habitações onde viviam outros trabalhadores do engenho que não eram escravos, geralmente os fazendeiros que não possuíam recursos.

Curral[editar | editar código-fonte]

Local que abrigava os animais usados nos engenhos, seja para o transporte (produtos e pessoas) ou para alimentação da população.

Tipologias[editar | editar código-fonte]

Os engenhos apresentavam tipos diferentes quanto a força motriz usada para girar as engrenagens. Basicamente, no período colonial foram utilizados três tipos de engenho:

Alçaprensa ou alçaprema[editar | editar código-fonte]

Almanjarra

Movido a força humana e geralmente era usado em engenhocas (pequenos engenhos);

Almanjarra, trapiche ou atafona[editar | editar código-fonte]

Movido pela força de animais, geralmente bois e, em alguns casos, usavam cavalos;

Água ou real[editar | editar código-fonte]

Movido pela força d’água, por meio de uma roda.

Século XIX[editar | editar código-fonte]

A partir do século XIX, na época do Império, surgiram outros tipos:

Banguê: Engenho movido a vapor;

Entrosa: Engenho movido por paus que usava a força humana;

Gangorra: Engenho de madeira manual com dois cilindros que usava a força humana;

Fogo-morto: Usado para se referir a um engenho inoperante.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GOMES, G. Engenho & arquitetura: tipologia dos edifícios dos antigos engenhos de açúcar de Pernambuco. Recife: Fundação Gilberto Freyre, 1997
  • FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Editora Record, Rio de Janeiro, 1998, cap. IV, 34.ª edição
  • História das usinas de açúcar de Pernambuco, ANDRADE, Manuel Correia de., 1989.
  • Espaço e tempo na agroindústria canavieira de Pernambuco, Revista USP