Plano Bresser

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Luiz Carlos Bresser Pereira, a autoridade responsável pelo plano.
O ex-presidente da República, José Sarney.

O Plano Bresser foi um plano de estabilização da economia brasileira instituído em 12 de junho de 1987, através dos Decretos-Lei nº 2335/87,[1] nº 2336/87 [2]e nº 2337/87[3]durante o governo José Sarney, quando Luiz Carlos Bresser Pereira era o Ministro da Fazenda. O plano Bresser seguiu o Plano Cruzado II, que havia fracassado na tentativa de controlar a inflação.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após o Plano Cruzado II, a inflação voltara a se acelera. Foram autorizados vários aumentos de preços e tarifas. O câmbio voltara a ter correções, assim como os contratos e as aplicações financeiras. Os salários só receberam o "gatilho" de 20%, acumulando como perdas o que excedesse a esse percentual. As contas externas estavam muito ruins no começo de 1987, e alguns reescalonamentos da dívida externa foram obtidos, mas a negociação era cada vez mais difícil em função da perda de credibilidade e da insolvência do país. Em fevereiro, Sarney declara o país em "moratória técnica" e tenta reviver o clima nacionalista de poucos meses antes. Mas já não havia o mesmo entusiasmo popular nem o mesmo apoio político.

O congelamento de preços havia sido extinto, e as mercadorias que estavam em falta retornavam às prateleiras com novos preços. Nada lembrava o Plano Cruzado. Em março, o Ministro do Planejamento, João Sayad pede demissão. Os governadores do PMDB articuladores do chamado "Centrão", Orestes Quércia (SP), Moreira Franco (RJ) e Newton Cardoso (MG), pedem mudanças no ministério e na política econômica.

Dilson Funaro, o ministro da Fazenda que era, até pouco tempo antes, o nome mais popular do país, juntamente com Sarney, não resiste às pressões que vêm da presidência, dos governadores e dos partidos políticos. Também não é capaz de superar o desgaste popular diante do fracasso do Cruzado lhe acarretara. Cai em abril.

Sarney tenta emplacar Tasso Jereissati, governador do Ceará, na pasta da Fazenda. Mas Ulysses Guimarães ainda tem força suficiente para barrar seu nome e indicar o nome de Bresser Pereira para o ministério. Bresser assume em abril e dá início a uma correção larga e acelerada de preços, visando eliminar eventuais defasagens para que um novo congelamento não fracassasse. Ele diagnostica que o Plano Cruzado pegara alguns preços e contratos no contrapé e por isso havia sofrido pressões muito grandes para realizar correções: como elas não eram autorizadas, as mercadorias sumiram ou criaram-se ágios. A inflação bate seu recorde histórico no mês de maio: 23,26%.

Lançamento do Plano[editar | editar código-fonte]

No dia 12 de junho, Bresser anuncia o novo plano de estabilização: congelamento, por 90 dias, de preços, salários e de câmbio, depois de realizar a conversão dos primeiros pelo pico, dos segundos pela média e do terceiro com uma desvalorização de 10%. Pretendia, com a desvalorização do câmbio, conter as importações que haviam arrebentado as contas externas no Plano Cruzado.

Como os preços já tinham sido corrigidos, imaginava que não haveria pressão por reajustes. Mas não é o que acontece, até porque o impacto da desvalorização cambial passa a ser repassado, pelos empresários, aos preços. De fato, para preços e salários o Plano previa um "gatilho" baseado na média de inflação do trimestre anterior, chamado de URP (Unidade de Reajuste de Preços), mas, na prática, esse reajuste controlado acabou valendo somente para os salários.

Com Bresser, o Brasil decreta nova moratória em julho, desta vez ao Clube de Paris, e propõe grandes cortes de gastos e de subsídios, com demissões de pessoal no setor público, enxugamento da máquina governamental e cortes nos investimentos públicos. Ao mesmo tempo, tenta retomar negociações externas, mas a recepção dos credores é ruim. Greves de trabalhadores e protestos empresariais (sobretudo das montadoras de automóveis: a Autolatina chega a fazer lockout por alguns dias) crescem contra o plano econômico no segundo semestre, e alguns reajustes começam a ser liberados para preços e tarifas.

A inflação retoma rapidamente seu ritmo e supera a marca de 10% ao mês. Bresser tenta convencer Sarney a adotar pacote de reformulações tributárias, com novos cortes de gastos públicos e maior redução da máquina estatal. Sarney não concorda, e o ministro pede demissão em dezembro. Na verdade, desde o início ele não contara nem com apoio político-partidário nem com a confiança dos agentes econômicos internos (sua briga com a Autolatina assume em alguns momentos a dimensão de um confronto), nem com trégua dos trabalhadores e nem com alguma aposta dos credores externos - com quem também acabou tendo atritos explícitos. De Sarney não tivera sequer a preferência para ser nomeado.

A inflação, contida por um período muito curto, só faria crescer dali em diante. Nova tentativa de estabilização seria feita em janeiro de 1989 (Plano Verão) pelo sucessor de Bresser, Maílson da Nóbrega. Mas seria ainda mais efêmera. O país caminhava para a hiperinflação.

Referências

  1. Decreto-Lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987. Dispõe sobre o congelamento de preços e aluguéis, reajustes mensais de salários e vencimentos, institui a Unidade de Referência de Preços (URP) e dá outras providências.
  2. Decreto-Lei nº 2.336, de 15 de junho de 1987. Altera a redação de dispositivos do Decreto-lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987.
  3. Decreto-Lei nº 2.337, de 18 de junho de 1987. Altera os artigos 13 e 14 do Decreto-lei nº 2.335, de 12 de junho de 1987, e dá outras providências.

Ver também[editar | editar código-fonte]



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