Economia do Amazonas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Economia do Amazonas
Ficha técnica (2017)
Participação no PIB nacional 1,4% [1]
PIB R$ 93,2 bilhões
PIB per capita R$ 22 936,28
Composição do PIB (2017)[2]
Agropecuária 6 %
Indústria 27,9 %
Serviços 50,2 %

O Amazonas é o segundo estado mais rico da região Norte do Brasil. Em 2017, seu PIB somou R$ 93,2 bilhões ou 1,4% do PIB nacional.[3] A economia amazonense é diversificada, composta por polos agropecuários, indústrias (alimentos, bebidas, construção civil, eletroeletrônicos, duas rodas, naval, mecânica, siderúrgica, petroquímica, plástica e termoplástica),[4] bem como o setor terciário (comércio, comunicação, transportes, turismo, ecoturismo na Amazônia e demais serviços), que é responsável pela metade da economia do estado.[5]

Localizado no centro da maior floresta tropical do mundo, o estado do Amazonas possui mais de 95% do seu bioma preservado.[6][7] Aliando seu potencial ecológico a uma política econômica embasada na sustentabilidade, a capital amazonense tornou-se um grande pólo de serviços e negócios para o país, ostentando a 6.ª maior economia do Brasil.[8]

No interior do estado, destaca-se o município de Coari, com a produção de petróleo e gás natural em larga escala na Província Petrolífera de Urucu, sendo a maior reserva provada terrestre de óleo equivalente (petróleo e gás natural) do país.[9] Na região metropolitana, aparece Itacoatiara como a segunda maior economia do estado. Fato explicado pela sua localização considerada estratégica, tornando-se um grande polo logístico exportador de grãos oriundos do Centro-Oeste do país.[10] Já o município de Manacapuru, também na Grande Manaus, destaca-se no setor primário, colocando o Amazonas como o maior produtor de juta e malva do país.[11]

Basicamente, cinco dos grandes rios do Brasil estão localizados no estado do Amazonas, fazendo que muito de seus rios, afluentes e subafluentes tornem-se ótimos para a navegação facilitando o fluxo de bens para outras partes do Brasil e países vizinhos desnecessitando a abertura de novas estradas na selva, onde também pode se tornar prejudicial para a economia do próprio estado.[12]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

Os principais produtos do extrativismo vegetal do estado do Amazonas são: banana, madeira, melancia, guaraná, borracha, castanha-da-amazônia (maior produtor do país),[13] tucumã, cacau, graviola, pupunha, cupuaçu, essências, óleos de copaíba, andiroba, piaçava, coco, açaí e bacuri.[14][15] A extração mineral está em expansão e os minérios mais importantes são: bauxita, ferro, sal-gema, manganês, linhita, ouro e cassiterita[16][14], a extração desses minérios ocorrem principalmente nos municípios de Presidente Figueiredo e Novo Aripuanã onde também são extraídos diamantes, níquel, cobre, calcário, gipsita, chumbo, caulim e estanho.[14][17]

A agricultura é praticada como forma de subsistência. Nas fazendas industriais existentes no estado os principais produtos produzidos são: juta e malva, (maior produtor do país)[11] guaraná (com destaque ao município de Maués),[18] mandioca, banana, cana-de-açúcar, feijão, laranja, cupuaçu, milho e pimenta-do-reino, enquanto na pecuária, apresenta gado bovino, suíno e bubalino (esse em pequena escala), existe também um pólo piscicultor, alguns especialmente na criação de peixes ornamentais como acará-bandeira e o tetra-cardeal e a exportação de peixes amazônicos mais consumidos como pirarucu, tambaqui, matrinxã, tucunaré e jaraqui. O sul do estado é a região onde ocorre com mais frequência a agricultura e pecuária, principalmente nos municípios de Apuí, Humaitá, Novo Aripuanã e Manicoré, a pecuária também destaca-se nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea.[19]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

A indústria é a segunda maior fonte geradora de renda na economia do Amazonas.[5] Após o fim do ciclo da borracha, a extração do látex deu lugar à indústria, com a implantação da Zona Franca de Manaus, em 1967. A indústria petroquímica também está presente na economia do estado. A Refinaria Isaac Sabbá, localizada às margens do rio Negro, em Manaus, iniciou suas operações em 6 de setembro de 1956 com a denominação de Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam). Fundada pelo empresário Isaac Sabbá, a refinaria foi inaugurada oficialmente em 3 de janeiro de 1957, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek. Desde o ano 2000, a refinaria opera com capacidade de processamento de 7 milhões e 300 mil litros de petróleo por dia, ou seja, 46 mil barris por dia.[20] Em junho de 2012, o Amazonas foi o terceiro estado que mais contribuiu para a produção média de petróleo e gás da Petrobrás, dentre as dez unidades da federação produtoras, ficando atrás somente de Rio de Janeiro e Espírito Santo.[21]

  • Região Metropolitana de Manaus: maior polo de riqueza regional, concentra a maior parte das indústrias presentes no estado do Amazonas, onde a Grande Manaus detém o maior PIB da região Norte do Brasil.[22] O faturamento desse polo é em média cerca de US$ 18,9 bilhões por ano, com exportações superiores a US$ 2,2 bilhões.[23] São mais de 700 empresas de grande, médio e pequeno porte que fabricam uma grande quantidade da produção brasileira de motocicletas, televisores, monitores para computadores, cinescópios, telefones celulares, aparelhos de som, DVDs players, relógios de pulso, aparelhos de refrigeração, bicicletas, produtos químicos e bebidas sem álcool.[12]
  • Coari: quarta maior economia do estado, a maior parte da economia provém da extração de petróleo e gás natural, que ocorre no campo de Urucu, sendo esta unidade a maior em extração terrestre existente atualmente no Brasil. Atravessa o estado com o gasoduto de 663,2 km que liga Urucu até a capital, onde ocorre o processamento e distribuição a partir da Reman (Refinaria de Manaus).[17]

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

O setor terciário em geral responde pela metade do PIB do Amazonas.[5] Em 2017 as áreas de comércio, bens e prestação de serviços foram responsáveis por 50,2 % da economia amazonense, sendo o setor mais importante na economia do estado.[5]

O Amazonas mescla uma combinação de modernidade e conservação da natureza, dispondo de arrojados espaços culturais, shopping centers, excelente rede hoteleira, restaurantes de categoria internacional, rede de ensino diversificada, parques ecológicos, hotéis de selva e espaços de integração social, que asseguram qualidade de vida e bem-estar à população. O estado conta ainda com diversas opções de turismo que vão da visita de cavernas e cachoeiras, a prática do arvorismo, pesca esportiva, festivais folclóricos e patrimônios históricos.[24] Existem na capital do estado feiras que promovem o potencial econômico da região, incluindo produtos industrializados de ponta e regionais, feitos com base em matérias-primas locais e importadas.[25]

Panorama da cidade de Manaus em 2014, o centro financeiro da Amazônia Brasileira. Na cidade estão sediados alguns dos maiores conglomerados empresarias do país, como a Atem's Distribuidora, a Bemol, o Grupo Simões, a MAP Linhas Aéreas, a Petróleo Sabbá, a Recofarma, a Rede Amazônica, a Rede Calderaro de Comunicação, entre outros.

PIB por municípios[editar | editar código-fonte]

Em negrito, estão os municípios que integram a Região Metropolitana de Manaus, que produzia 86% do PIB de todo o estado em 2016.

Posição Município Região Intermediária[26] PIB (R$ 1.000)[27] Per Capita[27]
Em 2016 Em 2015
1 Estável (0) Manaus Intermediária de Manaus 70.296.364 33.564
2 Aumento (1) Itacoatiara Intermediária de Parintins 2.054.830 20.861
3 Aumento (1) Manacapuru Intermediária de Manaus 1.241.891 13.027
4 Baixa (2) Coari Intermediária de Manaus 1.134.798 13.521
5 Estável (0) Parintins Intermediária de Parintins 1.024.890 9.093
6 Aumento (2) Tefé Intermediária de Tefé 650.319 10.450
7 Aumento (1) Codajás Intermediária de Manaus 648.090 23.737
8 Aumento (1) Iranduba Intermediária de Manaus 636.014 13.618
9 Baixa (3) Presidente Figueiredo Intermediária de Manaus 546.209 16.207
10 Aumento (1) Humaitá Intermediária de Lábrea 493.744 9.431
11 Baixa (1) Manicoré Intermediária de Lábrea 477.439 8.860
12 Estável (0) Rio Preto da Eva Intermediária de Manaus 445.164 14.234
13 Aumento (1) Lábrea Intermediária de Lábrea 433.736 9.842
14 Aumento (1) Tabatinga Intermediária de Tefé 414.692 6.651
15 Aumento (1) Maués Intermediária de Parintins 396.078 6.481
16 Baixa (3) Eirunepé Intermediária de Tefé 391.606 11.364
17 Aumento (1) Boca do Acre Intermediária de Lábrea 308.465 9.115
18 Baixa (1) Urucará Intermediária de Parintins 296.567 17.379
19 Estável (0) Careiro da Várzea Intermediária de Manaus 295.105 10.321
20 Aumento (1) Autazes Intermediária de Manaus 287.717 7.621
21 Baixa (1) São Gabriel da Cachoeira Intermediária de Manaus 271.073 6.184
22 Aumento (3) Benjamin Constant Intermediária de Tefé 266.870 6.603
23 Baixa (1) Borba Intermediária de Manaus 265.443 6.655
24 Baixa (1) Carauari Intermediária de Tefé 263.441 9.371
25 Aumento (1) Manaquiri Intermediária de Manaus 249.818 8.518
26 Baixa (3) Careiro Intermediária de Manaus 241.608 6.544
27 Baixa (1) Barreirinha Intermediária de Parintins 219.595 7.060
28 Aumento (1) Tapauá Intermediária de Lábrea 216.816 12.019
29 Aumento (2) Nova Olinda do Norte Intermediária de Manaus 209.842 5.862
30 Aumento (2) São Paulo de Olivença Intermediária de Tefé 205.182 5.501
31 Baixa (1) Jutaí Intermediária de Tefé 198.021 12.223
32 Baixa (4) Apuí Intermediária de Lábrea 185.275 8.810
33 Aumento (2) Anori Intermediária de Manaus 154.516 8.972
34 Aumento (8) Uarini Intermediária de Tefé 175.838 13.245
35 Aumento (4) Atalaia do Norte Intermediária de Tefé 168.978 9.085
36 Baixa (3) Novo Aripuanã Intermediária de Lábrea 167.040 6.758
37 Aumento (1) Santo Antônio do Içá Intermediária de Tefé 161.023 6.888
38 Baixa (1) Barcelos Intermediária de Manaus 157.193 5.698
39 Baixa (4) Fonte Boa Intermediária de Tefé 149.829 7.418
40 Aumento (13) Alvarães Intermediária de Tefé 147.946 9.406
41 Estável (0) Caapiranga Intermediária de Manaus 145.493 11.527
42 Aumento (4) Maraã Intermediária de Tefé 144.220 7.805
43 Estável (0) Envira Intermediária de Tefé 142.594 7.449
44 Baixa (4) Pauini Intermediária de Lábrea 140.830 7.226
45 Estável (0) Nhamundá Intermediária de Parintins 133.331 6.462
46 Baixa (10) Santa Isabel do Rio Negro Intermediária de Manaus 128.353 5.558
47 Estável (0) Ipixuna Intermediária de Tefé 125.078 4.534
48 Aumento (2) Urucurituba Intermediária de Parintins 121.982 5.634
49 Baixa (5) Beruri Intermediária de Manaus 121.837 6.558
50 Estável (0) Novo Airão Intermediária de Manaus 120.587 6.650
51 Baixa (2) Tonantins Intermediária de Tefé 116.886 6.273
52 Baixa (2) Boa Vista do Ramos Intermediária de Parintins 110.092 6.089
53 Baixa (2) Guajará Intermediária de Tefé 109.928 6.834
54 Aumento (5) Itapiranga Intermediária de Parintins 100.554 11.123
55 Baixa (3) Silves Intermediária de Parintins 97.990 10.713
56 Estável (0) Canutama Intermediária de Lábrea 97.250 6.351
57 Aumento (1) Anamã Intermediária de Manaus 95.318 7.533
58 Baixa (1) São Sebastião do Uatumã Intermediária de Parintins 94.782 7.233
59 Baixa (4) Juruá Intermediária de Tefé 88.753 6.535
60 Estável (0) Itamarati Intermediária de Tefé 84.143 10.320
61 Estável (0) Amaturá Intermediária de Tefé 66.232 5.995
62 Estável (0) Japurá Intermediária de Tefé 59.189 12.701

Dados[editar | editar código-fonte]

  • Acima de 1 bilhão: 5 municípios
  • Entre 300 milhões e 1 bilhão: 12 municípios
  • Entre 200 milhões e 300 milhões: 13 municípios
  • Entre 100 milhões e 200 milhões: 24 municípios
  • Menos de 100 milhões: 8 municípios

Referências

  1. «Contas Regionais 2017». Agência de Notícias. IBGE. 14 de novembro de 2019 
  2. «Produto Interno Bruto do Amazonas 2017» (PDF). Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI-AM). Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  3. «Contas Regionais 2017». Agência de Notícias. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 18 de novembro de 2018 
  4. Gallo, Márcio (10 de abril de 2017). «Polo Industrial de Manaus». Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). Consultado em 14 de novembro de 2019 
  5. a b c d «Produto Interno Bruto do Amazonas 2017» (PDF). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI-AM). 2019. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  6. «Pesquisa científica comprova contribuição do PIM para a redução do desmatamento na Amazônia». Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). 15 de setembro de 2008. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  7. «Pesquisador do INPA afirma que o Amazonas é um dos estados mais preservados da Bacia Amazônica». A Crítica. 19 de maio de 2015. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  8. «54 municípios concentravam 50% do PIB do país em 2010, diz IBGE». G1. 12 de dezembro de 2012. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  9. OLIVEIRA, Nielmar (10 de dezembro de 2016). «Urucu completa 30 anos de exploração de petróleo em plena Amazônia». Agência Brasil. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  10. «Hidrovia é o principal caminho de exportação da soja na região Norte». G1. 21 de abril de 2013. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  11. a b «Amazonas quer tornar Brasil auto-suficiente na produção de fibras de juta e malva». Globo Rural. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  12. a b MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina (2005). Projeto de Ensino de Geografia - Geografia do Brasil. [S.l.: s.n.] 
  13. Gomes, Beatriz (29 de setembro de 2017). «Extração de castanha no Amazonas é a maior do país». D24AM. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  14. a b c «Economia do Amazonas». Colégio Web. Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  15. «Extração de minério no Amazonas.». D24AM. 11 de dezembro de 2011. Consultado em 31 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 26 de março de 2017 
  16. «Mineração Taboca». Taboca. Consultado em 10 de maio de 2017 
  17. a b «Urucu–Coari–Manaus». Petrobras. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  18. «Maués: a terra do Guaraná». Agência Brasil. 27 de setembro de 2019. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  19. «Amazonas | Cenários para a pecuária». CSR da UFMG. Consultado em 5 de agosto de 2018 
  20. «Refinaria Isaac Sabbá (Reman): Principais Operações». Petrobras. Consultado em 28 de agosto de 2019 
  21. «Amazonas foi o terceiro maior produtor de Petróleo e Gás em junho deste ano». www.crea-am.org.br. Consultado em 28 de agosto de 2019 
  22. Vidal, Pedro. «PIB dos municípios 2015». Agência de Notícias. IBGE. Consultado em 5 de agosto de 2018 
  23. Nascimento, Enock (2 de fevereiro de 2016). «PIM fatura R$ 78 bilhões em 2015». Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  24. «Economia». Governo do Estado do Amazonas. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  25. «Economia do Amazonas». Amazônia de A a Z. Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  26. «Regiões Geográficas Estado do Amazonas» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2017. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  27. a b Governo do Estado do Amazonas (14 de dezembro de 2018). «Produto Interno Bruto dos Municípios 2016» (PDF). Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (SEPLANCTI). Consultado em 6 de março de 2019