Canto do Rio Foot-Ball Club

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Canto do Rio
Escudo do Canto do Rio FC.jpg
Nome Canto do Rio Foot-Ball Club
Mascote Bebê
Arara Henriqueta
Fundação 14 de novembro de 1913 (101 anos)
Estádio Caio Martins
Capacidade 12 000
Presidente Brasil Rodney Gomes de Melo
Treinador Brasil Luca Moreira
Competição Rio de Janeiro Campeonato Carioca - Série C
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
titular
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Uniforme
alternativo
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Canto do Rio Foot-Ball Club é uma agremiação esportiva da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Foi fundado a 14 de novembro de 1913.

História[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de novembro de 1913, quatro garotos com entre dez e onze anos de idade se reuniram em Niterói, e fundaram o Canto do Rio Foot-Ball Club, entidade focada no futebol infantil. Seu primeiro presidente foi Hugo Mariz de Figueiredo.

O "Cantusca", como era popularmente chamado, logo se tornou o time mais popular de Niterói, onde disputava o campeonato municipal. Nos tempos áureos do futebol niteroiense, o clube realizava o chamado Clássico da Zona Sul com o Fluminense A.C., com quem formava, nas décadas de 1920 a 1950, o "Grupo dos Seis", junto com os extintos Ypiranga F.C., Niteroiense F.C., Byron F.C. e Barreto F.C. (estes últimos realizavam o Clássico da Zona Norte).

O Canto do Rio foi ainda um dos cinco fundadores da Associação Fluminense de Esportes Atléticos, que se tornaria, posteriormente, a Federação Fluminense de Desportos, que organizava o futebol do antigo estado do Rio de Janeiro. Sob os auspícios da entidade, o clube sagrou-se campeão municipal de Niterói em 1933, recebendo o título simbólico de "representante oficial do estado do Rio/AFEA".

Equipe do Canto do Rio em 1956

O clube cresceu muito e tornou-se o primeiro clube do antigo estado do Rio de Janeiro a se profissionalizar, em 1941. Como todos os campeonatos organizados pela Federação Fluminense de Desportos eram amadores, o Canto do Rio obteve licença especial para disputar o Campeonato Carioca de profissionais, do vizinho Distrito Federal. A presença de um clube de outro estado sempre incomodou os clubes chamados de "pequenos" da cidade do Rio de Janeiro (em especial o tradicional São Cristóvão), que, por várias vezes, tentaram alijar o clube niteroiense da disputa.

Como clube mais popular de Niterói (apelidado de "O Mais Querido da Cidade Sorriso"), o clube teve papel fundamental na transição da preferência da torcida niteroiense dos campeonatos de seu município e estado para os campeonatos do Distrito Federal/cidade do Rio de Janeiro na década de 1940.

Paralelamente à sua participação no Campeonato Carioca com seu quadro profissional, o clube manteve quadros amadores que disputavam os campeonatos municipais e estaduais do antigo estado do Rio de Janeiro (o clube chegou a terminar em terceiro lugar no campeonato fluminense de 1945). Foi um período de grande rivalidade com o Fonseca Atlético Clube nos campeonatos municipais, rivalidade que botava em cheque a "fidelidade" ao seu estado de origem: o Fonseca, forte no campeonato fluminense, defendia a valorização dos campeonatos do antigo estado do Rio de Janeiro e considerava o Canto do Rio "traidor" de sua terra; o Canto do Rio, por sua vez, tachava o campeonato fluminense de deficitário, acusando sua pouca visibilidade entre os próprios niteroienses, que, então, já acompanhavam majoritariamente o campeonato carioca.

Thiago, profissional do Cantusca, em 2007. Foto de Paulo Roberto Rodrigues

Em 1952, o campeonato estadual do antigo estado fluminense tornou-se profissional, o que deu início a um movimento de expulsão do clube do Campeonato Carioca, já que uma das condições de sua licença especial seria seu fim em caso da instituição oficial do profissionalismo no seu estado de origem.

O ano de 1953 marcou um grande momento do Canto do Rio, quando conquistou o Torneio Início do Campeonato Carioca ao vencer o Vasco por 3 a 0 na partida final, disputada em pleno Estádio Jornalista Mário Filho.

O Canto do Rio conseguiu se manter disputando o Campeonato Carioca (muito mais rentável e com muito mais cobertura jornalística do que o Campeonato Fluminense) até 1964, quando uma confusão em um jogo contra o Fluminense que resultou em briga generalizada entre os jogadores e invasão de campo no Estádio Caio Martins resultou na expulsão definitiva do clube alviceleste do futebol carioca.

O Canto do Rio abandonaria o profissionalismo até a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Na década de 1980, o clube voltou a tornar-se profissional e, desde então, vem alternando participações em divisões inferiores do futebol com pedidos de licença.

Formação profissional em 2007. Foto de Paulo Roberto Rodrigues

Em 2007, o clube voltou a disputar a Terceira Divisão Estadual, repetindo o procedimento em 2008. Há planos da diretoria de que o clube mantenha-se definitivamente no futebol profissional.

Suas cores oficiais, definidas pelo estatuto, são o azul e o branco. O uniforme original do Canto do Rio é camisas azuis com golas brancas e calções brancos (alvianil). No entanto, tradicionalmente o clube utiliza camisas listradas em um tom de azul mais claro (azul-celeste) e branco, porém mantendo os calções e o escudo no tom azul original.

Essa peculiaridade tem uma explicação histórica: quando o clube passou a participar do campeonato carioca, em 1941, adotou, nessa competição, camisas alvicelestes idênticas às da seleção da liga de Niterói, representando, assim, a cidade. Nas competições fluminenses, o clube manteve o uniforme original alvianil. Porém, graças à maior visibilidade do campeonato carioca, o uniforme alviceleste se consagrou e é utilizado preferencialmente até hoje.

O uniforme alviceleste, tradicionalmente usado e o célebre uniforme alvianil

O chargista Mollas, que, na década de 1940, criou mascotes para os clubes participantes do Campeonato Carioca de Futebol, criou um bebê como mascote para o Canto do Rio, representando que o clube estava engatinhando ao lado dos grandes e tinha muito a crescer. O bebê cantorriense era apresentado segurando uma tesoura, pois o clube adorava aprontar surpresas (ou "cortar o barato") para os clubes grandes.

Com a saída do clube do campeonato carioca, no entanto, o bebê caiu em desuso. Ultimamente, o clube utiliza a arara Henriqueta (há mais de 40 anos no clube) como seu mascote oficial.

O Canto do Rio queria uma nova partida contra o La Coruña. O jogo terminou em WO para o La Coruña, devido a problemas na documentação em um dos enfermeiros da partida. O Tribunal de Justiça Desportiva manteve o resultado do jogo, multou o time de Niterói em 20 mil reais e ainda suspendeu o Canto do Rio do Campeonato Estadual da Terceira Divisão de 2009.

Não há um levantamento concreto sobre o total de títulos conquistados pelo clube nos mais diversos esportes. O Cantusca dispõe de uma sala com um bom número de troféus, mas os mesmos não estão catalogados. É necessário fazer um levantamento nos boletins do clube para se descobrir a relação completa.

No futebol, é importante ressaltar que, a partir de 1941, quando o clube se profissionalizou e ingressou no Campeonato Carioca, o clube deixou equipes secundárias/amadoras nas disputas da Federação Fluminense de Desportos. A título de informação, essas conquistas de equipes secundárias estão listadas separadamente.

Em 2010, retornou à disputa da Terceira Divisão de Profissionais do estado do Rio de Janeiro.

A maior goleada sofrida[editar | editar código-fonte]

Vasco da Gama 14 - 1 Canto do Rio FC

Uma das maiores goleadas do futebol profissional do Rio de Janeiro. Mas a equipe cruzmaltina que aplicou esta goleada não foi uma equipe qualquer. Foi simplesmente uma das maiores equipes que já existiram no futebol brasileiro, o Expresso da Vitória, como era chamado o time do Club de Regatas Vasco da Gama dos últimos anos da década de 1940 e início da década de 1950. Esta mesma equipe cruzmaltina foi a primeira equipe brasileira a conquistar um título no exterior, em 1948, no Chile.

O Canto do Rio ainda tentou evitar a derrota, trocando de goleiro no intervalo, quando o placar era de "apenas" 5 a 0.

O jogo foi realizado em São Januário, no dia 6 de setembro de 1947. O Vasco atuou com: Barbosa, Augusto e Rafanelli; Eli, Danilo e Jorge; Nestor, Maneca, Dimas, Ismael e Chico. T: Flávio Costa. O Canto do Rio atuou com: Odair (Raimundo), Borracha e Lamparina; Carango, Bonifácio e Canelinha; Heitor, Waldemar, Raimundo, Didi e Noronha.

Gols: Maneca (5), Ismael (4), Dimas (3), Nestor, Chico e Waldemar.

Árbitro: Alberto da Gama Malcher.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Estaduais[editar | editar código-fonte]

(1933, 1934, 1945, 1948, 1954 e 1968)

Outras Campanhas de Destaque[editar | editar código-fonte]

Outros Esportes[editar | editar código-fonte]

  • Rio de JaneiroCampeonato estadual de basquetebol feminino: 3 vezes (1979, 1982/83)

Alguns ídolos do clube[editar | editar código-fonte]

Observação[editar | editar código-fonte]

O nome correto do clube, de acordo com seus estatutos, é "Canto do Rio Foot-Ball Club", com hífen e não "Football Club" ou "Futebol Clube", como erroneamente citado em algumas fontes.

Muitas fontes citam Gérson, craque da Seleção Brasileira, como um dos grandes nomes do clube. No entanto, o "canhotinha de ouro" jogou apenas nas categorias de base do clube, logo se mudando para as categorias juvenis do Flamengo, onde se profissionalizou. Portanto, o craque nunca teve a oportunidade de vestir a camisa do clube em competições profissionais adultas. Outro craque criado no Canto do Rio, mas que também jogou apenas no juvenil, foi Ipojucam, que, com apenas 11 anos, se transferiu para o Vasco da Gama.

Fonte[editar | editar código-fonte]

  • VIANA, Eduardo. Implantação do futebol Profissional no Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Cátedra, s/d.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]