Intervenção militar na Líbia em 2011

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Intervenção militar na Líbia em 2011
Parte da Guerra Civil Líbia
Coalition action against Libya.svg
Mapa da zona de exclusão aérea sobre a Líbia e as bases militares usadas pelo Ocidente durante a intervenção.
Data 19 de março - 31 de outubro de 2011[1]
Local Líbia
Desfecho Vitória da OTAN
Combatentes
Países apoiantes da Resolução 1973 da ONU:

Flag of NATO.svg OTAN

Jordânia
 Catar
 Suécia

 Emirados Árabes Unidos
Flag of Libya (1977-2011).svg Líbia:
Comandantes
Operação Harmattan

França Nicolas Sarkozy
França Alain Juppé
França Alm. Édouard Guillaud
Operação Ellamy
Reino Unido David Cameron
Reino Unido Liam Fox
Reino Unido Gen. David Richards
Operação Amanhecer da Odisseia
Estados Unidos Barack H. Obama
Estados Unidos Robert Gates
Estados Unidos Gen. Carter Ham
Operação Unified Protector
Flag of NATO.svg Anders Fogh Rasmussen
Estados Unidos Alm. James G. Stavridis
Canadá Ten-gen. Charles Bouchard
Estados Unidos Ten-gen. Ralph Jodice

Itália VAlm. Rinaldo Veri
Flag of Libya (1977-2011).svg Muammar Kadafi [5]
Flag of Libya (1977-2011).svg Saif al-Islam Gaddafi (capturado em 19 de novembro)[6]
Flag of Libya (1977-2011).svg Abu-Bakr Yunis Jabr
Flag of Libya (1977-2011).svg Khamis al-Gaddafi
Flag of Libya (1977-2011).svg Al-Saadi Gaddafi
Flag of Libya (1977-2011).svg Ali Sharif al-Rifi
Baixas
Reino Unido Um militar morto em um acidente aéreo na Itália[7]
Estados Unidos Um USN MQ-8 abatido[8]
Países Baixos 3 aviadores navais capturados (depois libertados)[9]
Países Baixos 1 helicóptero Lynx da Marinha Real Neerlandesa capturado[9]
Estados Unidos Um caça F-15E da USAF perdido (caiu por falhas mecânicas)[10]
=Emirados Árabes Unidos Um caça F-16 danificado durante o pouso[11]
Flag of Libya (1977-2011).svg 1 393-1 627 soldados mortos
Flag of Libya (1977-2011).svg 1 509 tanques, blindados e outros veículos destruidos[12]
Flag of Libya (1977-2011).svg 369 paióis de munição[12]
Flag of Libya (1977-2011).svg 550 instalações de mísseis e armas antiaéreas[12]
Flag of Libya (1977-2011).svg Várias aeronaves destruidas ou danificadas
Flag of Libya (1977-2011).svg 438 postos de comando e controle e outras instalações militares destruidas[12]
Flag of Libya (1977-2011).svg 16 posições de artilharia[12] [13]
A liderança militar americana não reconhece qualquer perda civil infligida durante a operação.[14]
O navio de guerra americano USS Barry disparando um míssil de cruzeiro Tomahawk contra alvos na Líbia.

A intervenção militar na Líbia começou em 19 de março de 2011, quando as forças armadas de vários países intervieram na Guerra Civil na Líbia, apoiando à oposição do país que tentava derrubar o governo de Muammar al-Gaddafi e com o objectivo de criar uma zona de exclusão aérea no espaço aéreo líbio, seguindo a Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 17 de março de 2011.[15] A zona de exclusão aérea foi proposta para impedir que a força aérea líbia atacasse as forças rebeldes.[16]

Em 12 de março, a Liga Árabe pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para impor uma zona de exclusão. A 15 de março, o embaixador libanês Nawaf Salam propôs o pedido como resolução, que foi apoiada pela França e o Reino Unido.[17] A 17 de março, o Conselho de Segurança votou a com dez votos a favor contra nenhum contra para aprovar uma zona de exclusão aérea através da Resolução 1973. Houve cinco abstenções vindas do Brasil, Rússia, Índia, China (BRICs) e da Alemanha.[18] [19] [20]

Os Estados Unidos comandaram as operações militares até o dia 27 de março, quando passou formalmente o comando da operação para a OTAN.[21]

Para seguir a Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, vários países participaram das operações militares para ajudar os rebeldes que lutavam contra as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi. Os Estados Unidos lançaram a Operação Amanhecer da Odisséia,[22] [23] a França a Operação Harmattan,[24] o Canadá a Operação MOBILE,[25] o Reino Unido com a operação Ellamy e a OTAN comandou a chamada Operação Unified Protector (Protetor Unificado).[26]

Apenas nas primeiras horas de ataques, pelo menos 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados de navios de guerra americanos e britânicos.[27] Bombas também foram lançadas sobre a Líbia a partir de aviões da Força Aérea Francesa, da Real Força Aérea inglesa e da Força Aérea Real do Canadá[28] e um bloqueio naval também foi imposto pelas forças da coalizão.[29]

A luta na Líbia terminou apenas em outubro com a morte de Muammar al-Gaddafi. A OTAN anunciou formalmente o fim das operações militares na região em 31 de outubro de 2011.[30]

Cumprimento da resolução[editar | editar código-fonte]

O planeamento inicial da OTAN para uma possível zona de exclusão aérea teve lugar em finais de fevereiro e início de março,[31] especialmente por dois membros da OTAN, a França e o Reino Unido.[32]

Os Estados Unidos tinha meios aéreos necessários para impor uma zona de exclusão aérea, mas foi cauteloso para apoiar tal ação antes de obter uma base jurídica para a violação da soberania da Líbia. No entanto, devido à natureza sensível da ação militar, os Estados Unidos buscaram a participação árabe na execução de uma zona de exclusão aérea.[33]

Em uma audiência no Congresso, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, explicou que "uma zona de exclusão aérea começou com um ataque à Líbia para destruir as defesas aéreas líbias (...) e então poderiamos voar os aviões por todo o país e não se preocupar com os nossos militares serem derrubados. Mas esse é o modo como inicia."[34]

No dia 19 de março, os ataques de caças franceses sobre a Líbia começou,[35] e em outros países começaram suas operações individuais. A primeira fase começou no mesmo dia com o envolvimento dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália e Canadá.[36]

No dia 24 de março, os embaixadores da OTAN concordaram que o comando da aplicação da zona de exclusão aérea ficaria a cargo da organização, enquanto outras operações militares se manteriam de responsabilidade do grupo de nações anteriormente envolvidos.[37] A decisão foi tomada após as reuniões dos membros da OTAN para resolver as divergências sobre se as operações militares na Líbia deve incluir ataques a forças terrestres.[37] A decisão criou uma estrutura de poder em dois níveis para supervisionar as operações militares. Encarregado politicamente, uma comissão liderada pela OTAN, incluiu todos os países participantes na aplicação da zona de exclusão aérea, enquanto Organização do Tratado do Atlântico Norte recebeu o comando total sobre as operações militares.[38] O Tenente-General Charles Bouchard foi nomeado para comandar a missão da OTAN.[39]

Após a morte de Muammar Gaddafi, em 20 de outubro de 2011, a OTAN anunciou que cessava todas as operações militares na Líbia duas semanas mais tarde.[40]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Nato chief Rasmussen 'proud' as Libya mission ends", BBC News, 31 de outubro de 2011.
  2. Blomfield, Adrian. "Libya: Foreign Mercenaries Terrorising Citizens", The Daily Telegraph, 23 de fevereiro de 2011. Página visitada em 22 de março de 2011.
  3. HUMA KHAN and HELEN ZHANG. "Moammar Gadhafi's Private Mercenary Army 'Knows One Thing: To Kill'", ABC News, 22 de fevereiro de 2011. Página visitada em 22 de março de 2011.
  4. Meo, Nick. "African Mercenaries in Libya Nervously Await Their Fate", The Daily Telegraph, 27 de fevereiro de 2011. Página visitada em 22 de março de 2011.
  5. "Muammar Gaddafi Killed as Sirte Falls", Al Jazeera, 20 de outubro de 2011.
  6. "Gaddafi's son Saif al-Islam captured in Libya", BBC News, 19 de novembro de 2011.
  7. Airman killed in road accident in Italy. Ministry of Defence. Página visitada em 7 de agosto de 2011.
  8. "U.S. Navy Drone Missing over Libya Was 'Shot Down' by Gaddafi's Forces", Daily Mail. Página visitada em 7 de agosto de 2011.
  9. a b "Three Dutch Marines Captured During Rescue in Libya", BBC News. Página visitada em 11 de maio de 2011.
  10. "US Crew Rescued after Libya Crash", BBC News. Página visitada em 22 de março de 2011.
  11. "UAE Fighter Jet Veers Off Runway at Base in Italy: Report", 27 de abril de 2011. Página visitada em 10 de maio de 2013.
  12. a b c d e PDF Library. NATO (25 de setembro de 2011). Página visitada em 10 de maio de 2013.
  13. "NATO: Gadhafi Forces Caught Mining Misrata Port", USA Today. Página visitada em 16 de janeiro de 2012.
  14. "Coalition Targets Gadhafi Compound", CNN, 16 de março de 2011. Página visitada em 21 de março de 2011.
  15. Security Council Approves ‘No-Fly Zone’ over Libya, Authorizing ‘All Necessary Measures’ to Protect Civilians in Libya, by a vote of ten for, none against, with five abstentions. Un.org. Página visitada em 19 de março de 2011.
  16. "U.N. Security Council approves no-fly zone in Libya". CNN. Página acessada em 10 de maio de 2013.
  17. Denslow, James (16 de Março de 2011). Lebanon's role in a U.N. security council resolution against Libya is evidence of unfinished business between the two countries. The Guardian. Página visitada em 21 de Março de 2011.
  18. "U.N. authorises no-fly zone over Libya", Al Jazeera, 17 de Março de 2011. Página visitada em 21 de Março de 2011.
  19. Mark Mardell. "Libya: U.N. backs action against Colonel Gaddafi", BBC News, 17 de Março de 2011. Página visitada em 21 de Março de 2011.
  20. U.N. Security Council approves no-fly zone over Libya. CNN (17 de Março de 2011). Página visitada em 21 de Março de 2011.
  21. Libya Rebels Target Sirte as NATO Jets Hit Qaddafi Hometown (em inglês). Bloomberg (28 de março de 2011). Página visitada em 05 de abril de 2011.
  22. DOD News Briefing with Vice Adm. Gortney from the Pentagon on Libya Operation Odyssey Dawn. U.S. Department of Defense. Página visitada em 27 de março de 2011.
  23. What’s in a Name? ‘Odyssey Dawn’ Is Pentagon-Crafted Nonsense (21 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  24. Libye : point de situation opération Harmattan n°1. Página visitada em 27 de março de 2011.
  25. Operation MOBILE: National Defence and Canadian Forces Response to the Situation in Libya. National Defense and the Canadian Forces. Página visitada em 27 de março de 2011.
  26. NATO No-Fly Zone over Libya Operation UNIFIED PROTECTOR. Página visitada em 05 de abril de 2011.
  27. Libya Live Blog – March 19. Al Jazeera. Página visitada em 19 de março de 2011. Cópia arquivada em 19 de março de 2011.
  28. "Libya: US, UK and France attack Gaddafi forces", BBC News, 20 de março de 2011.
  29. "French Fighter Jets Deployed over Libya", CNN. Página visitada em 19 de março de 2011.
  30. "UN Security Council votes to end Libya operations", BBC News. Página visitada em 27 de outubro de 2011.
  31. Nato weighs Libya no-fly zone options. Guardian.co.uk (08 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  32. Libya: UK and French no-fly zone plan gathers pace. BBC News (08 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  33. Coalition Launches 'Operation Odyssey Dawn', por Jim Garamone. American Forces Press Service, 19 de março de 2011.
  34. U.S. mulling military options in Libya. CNN (2 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  35. Gunfire, explosions heard in Tripoli. CNN (20 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  36. Odyssey Dawn: Phase One Of Libya Military Intervention. The Epoch Times (19 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  37. a b Nato takes over Libya no-fly zone. BBC (24 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  38. Nato to oversee Libya campaign after France and Turkey strike deal. Guardian.co.uk (24 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  39. Canadian to lead NATO's Libya mission. CBC News (25 de março de 2011). Página visitada em 27 de março de 2011.
  40. "Libya: Muammar Gaddafi's body to undergo post-mortem", BBC. Página visitada em 22 de outubro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]