Urubu-rei

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Urubu-rei no Zoológico Nacional, em Washington, D.C., nos Estados Unidos

Urubu-rei no Zoológico Nacional, em Washington, D.C., nos Estados Unidos
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Super-reino: Opisthokonta
Reino: Animalia
Subreino: Eumetazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Infrafilo: Gnathostomata
Superclasse: Tetrapoda
Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes[2]

Falconiformes

Família: Cathartidae
Género: Sarcoramphus
Espécie: S. papa
Nome binomial
Sarcoramphus papa
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
King Vulture.png

Sarcoramphus papa (L.), popularmente chamado de urubu-rei, urubu-real, urubutinga[3] , corvo-branco, urubu-branco, urubu-rubixá e iriburubixá, é uma ave da família Cathartidae. Habitante de zonas tropicais a semitropicais, desde o México à República da Argentina. Habita todo o território brasileiro, onde sua caça é proibida, pois é considerada uma ave importante na limpeza do meio ambiente: quando muitos animais são exterminados por doença, o urubu ajuda a controlar a epidemia comendo os animais mortos e agonizantes. Tem cabeça e pescoço nus, pintados de vermelho, amarelo e alaranjado, a parte superior do corpo amarelo-clara, esbranquiçada, asas e cauda pretas, o lado inferior branco, com plumagem branca e negra. Possui uma envergadura de 2,40 metros e peso que oscila de 3 a 5 kg, medindo cerca de 85 cm de comprimento. Na natureza, tem poucos predadores naturais, mas, devido à baixa reprodutividade da espécie e à degradação do seu habitat, é uma espécie cada vez mais rara de se observar.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Sarcoramphus vem da junção dos termos gregos sárx, "carne"[4] e rámphos, "bico"[5] , significando, portanto, "bico de carne". É uma referência aos apêndices que revestem parte de seu bico.

"Urubu" vem do tupi uru'bu[3] . "Urubutinga" vem do termo tupi para "urubu branco"[6] .

Urubu-rei no Zoológico de Londres, na Inglaterra

O maior e mais colorido de todos os urubus recebe este nome por vários motivos: pela exuberante coloração, presente principalmente na cabeça e pelo seu forte bico, que lhe proporciona ser o único urubu a conseguir a abrir as partes mais difíceis de seu alimento, como a carcaça de um animal grande,[7] sendo capaz de rasgar o couro de um boi ou de um cavalo e até mesmo de um bacalhau.[8] Como é um urubu sociável, frequenta carniça com outros urubus.[9] Quando ele abre uma carcaça, é seguido por outras aves necrófagas, que se aproveitam da carcaça já aberta para se alimentarem.[7] Quando ele não encontra a carniça, espera que outros urubus achem-na, para, então, se alimentar. Essas espécies que o acompanham na alimentação se afastam, devido ao tamanho superior do urubu-rei, dando a ele o aspecto de ser o "rei" entre elas.[10] Essas espécies nunca disputam alimento com ele, esperando respeitosamente que ele se satisfaça para, então, comerem o que sobra.

Características[editar | editar código-fonte]

Tem até 3 vezes o tamanho das outras espécies. Possui 85 cm de comprimento, pesando aproximadamente 3 quilogramas, podendo chegar a 5 quilogramas, mas é bastante pequeno quando comparado a outros rapinantes. Sua envergadura varia de 1,70 a 2,00 metros. De narinas vazadas, tem pernas cinza e garras longas e grossas, possui uma crista carnuda e laranja, pendente no macho. O urubu-rei é mudo, não possui siringe (laringe inferior das aves). Sabe, porém, bufar.[11] A cabeça e o pescoço do urubu são implumes, não têm penas. Esta falta de penas é uma adaptação de higiene: a falta de penas previne bactérias da carniça e expõe a pele aos efeitos esterilizantes do sol.
Raramente ele voa mais alto que 400 metros. Pode enxergar uma presa de 30 centímetros no solo, mas prefere animais grandes.[7] Destaca-se dos outros urubus pelo desenho branco e preto da asa e pela cauda muito curta, o que lhe dá uma aparência arredondada em voo. Quando está sobrevoando uma área, chama a atenção o contraste entre o negro da cauda e asas com o corpo todo branco do adulto. Para diferenciá-lo do cabeça-seca a grande altura, observe que a cabeça e pescoço são pequenos e pouco notáveis, bem como os pés não aparecem depois da cauda.
Ao contrário dos outros urubus, é todo negro até o sexto mês de idade. A partir daí, começa a adquirir plumagem branca amarelada do corpo; só às penas da cauda e as longas penas da asa continuam negras. É um processo de até quatro anos de duração. O pescoço é todo colorido, alaranjado ou vermelho. Essas cores fazem um intenso contraste com o olho branco, cor já exibida pela ave juvenil. O urubu-rei não possui muitas diferenças sexuais: o macho é levemente maior do que a fêmea. Ao nascer, está coberto com uma fina penugem branca, mantida nas primeiras semanas de vida.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Urubu-rei no Zoológico de Minnesota, nos Estados Unidos

Sua dieta é estritamente carnívora, mas nunca se alimenta de animais vivos. Como consumidores de carne em putrefação desempenham importante papel saneador, eliminando matérias orgânicas em decomposição. São imunes, aparentemente, ao botulismo. O suco gástrico dos urubus é bioquimicamente tão ativo que neutraliza as toxinas cadavéricas e bactérias, eliminando perigos posteriores de infecção. Quando são alimentados em cativeiro com carne fresca, são limpos e sem mau cheiro.[11] Assim que avista uma carcaça, mergulha rapidamente em direção ao solo e pousa nas proximidades. Por mais fome que tenha, espera cautelosamente durante uma hora. Então, convencido de que não há nenhum perigo, come até mal poder se mover. De barriga cheia, exala um cheiro forte, repugnante.[12] E é exatamente durante a alimentação que ele, normalmente de hábitos solitários, é visto com outras aves de rapina, principalmente urubus pretos (que mantêm distância respeitosa). Aparentemente, espera que os outros urubus encontrem a carniça através do cheiro ou da visão. Quando as espécies menores estão pousando para alimentar-se, esse comportamento denuncia a presença de carniça e o urubu-rei aproveita-se disso para chegar à fonte de alimentação. Em geral, um ou dois adultos, eventualmente algumas aves juvenis, estão em uma carniça. Isso parece indicar a existência de território, onde as aves adultas evitam a presença de outros urubus-rei. Em algumas carcaças grandes, é possível se observar mais adultos. Mesmo com outros da sua espécie, só se encontra nestas ocasiões ou, claro, em época reprodutiva.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Urubu-rei voando no Piauí, no Brasil

Na estação de reprodução, que vai de julho a dezembro, o macho corteja a fêmea empoleirado ou no solo, abre e fecha as asas e exibe a vértice vivamente colorido, abaixando a cabeça. O casal escolhe um local sem muito capricho, no chão da mata ou no meio de pedras, ou em morros. No último caso, simplesmente aproveita um ninho já existente, para fazer a postura dos ovos que são em número de 1 a 2, mas com cobertura vegetal densa. A incubação é longa durando de 53 a 58 dias. Enquanto a fêmea choca os ovos, o macho sai a procura de alimento para ambos. O casal pode se revezar na incubação. Quando o filhote está nascendo, a fêmea ajuda a tirar a casca do ovo delicadamente e, quando finalmente o animal sai do ovo, possui uma fina penugem branca, mantida nas primeiras semanas de vida. Com o passar dos dias, seu aspecto passa a lembrar uma bola de algodão. Logo é alimentado pelos pais com regurgito. Atinge a maturidade sexual aos 3 anos, quando já pode apresentar coloração típica.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Koenigsgeier-06.jpg

Ave diurna, pousa nas árvores mais altas da mata, onde costuma dormir. Passar a noite empoleirada em um galho, sempre no mesmo lugar, o urubu rei levanta voo quando o sol nasce e plana acima do topo das árvores. Circula bem alto. Locomove-se no solo a custa de longos pulos elásticos as pernas são relativamente longas. Para a termorregulação abre as asas e defeca sobre as pernas. É visto normalmente voando bastante alto, sozinho ou aos pares, raramente em grupos de vários indivíduos. É visto com outros urubus na alimentação, onde tem hábito solidário. Quando estão com a cabeça abaixada e um pouco inclinada estão desconfiados e observam algo com atenção. Esta mesma posição da cabeça abaixada e um pouco inclinada é usada, pelo macho no cortejo do acasalamento. Quando incomodados vomitam e sopram fortemente para afastar um intruso, característica também feita pelos filhotes, quando o intruso se aproxima o urubu-rei defende-se com as garras e, principalmente, com seu poderoso bico.

Outras informações[editar | editar código-fonte]

Urubu-rei no Zoológico de Berlim, na Alemanha

É vulnerável à extinção, pois é o único urubu brasileiro que é afetado pela destruição de seu habitat. Além disso, é capturado para tráfico de animais por sua beleza, sendo exposto como troféu. Possui uma distribuição abrangendo toda a América Latina até o sul do México. Habita florestas, mas principalmente áreas de cerrado. Embora presente em todo a República Federativa do Brasil, é mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Encontrado também do México à Colômbia, Bolívia, Peru, norte da Argentina e Uruguai. Habita regiões de florestas com clareiras (campos, pastagens) distantes de centros urbanos e nunca é encontrado em regiões desérticas.

Referências

  1. BirdLife International (2012). Sarcoramphus papa (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 . Página visitada em 5 de Dezembro de 2012.
  2. Raptors (em Inglês). IOC World Bird List. Página visitada em 13 de Outubro de 2010.
  3. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 743
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 553
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 449
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. pp.1 743,1 678
  7. a b c Saúde Animal
  8. Parque dois irmãos
  9. Aves de Rapina do Brasil
  10. Aves de Rapina do Brasil
  11. a b Embrapa
  12. Saúde Animal

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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