Estação Ferroviária de Campolide

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Campolide Logos IP.png
Vista geral da estação de Campolide, em 2002.
Inauguração 29 de Julho de 1999 (nova estação)
Linha(s) Linha de Sintra (PK 3,100)
Linha de Cintura (PK 2,690)
Linha do Sul (PK 0,000)
Coordenadas 38° 43′ 57,11″ N, 9° 10′ 05,55″ O
Concelho Lisboa
Serviços Ferroviários Fertagus.jpgBSicon LSTR black.svgSuburbano
Horários em tempo real
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Telefones públicos Caixas Multibanco Parque de estacionamento Sala de espera Caixas de correio Lavabos Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços: BSicon uBHFq.svg Sado (CP+Soflusa)BSicon fBHFq.svg Sintra (CP)
BSicon uexBHFq.svg FertagusBSicon BHFq.svg Azambuja (CP)BSicon BHFq yellow.svg Cascais (CP)


(n) Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Head station
Urban head station
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Urban station on track
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHFa-R"
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
Unknown route-map component "vKBHFa-BHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
Unknown route-map component "vBHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
Unknown route-map component "vBHF" Urban station on track Unused straight waterway
 Penteado (a)
(n) Alverca 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdKBHFa-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Moita (a)
(n) Póvoa 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
Unknown route-map component "fvKBHFa-BHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Unknown route-map component "uTRAJEKT" Unused straight waterway
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban End station Unused straight waterway
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "vSHI1l-STRl" Unknown route-map component "KBHFeq" Unknown route-map component "uexBHF"
 Penalva (u)
(z) Marvila 
Unknown route-map component "fvSTR" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Coina (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "KRWl" Unknown route-map component "KRW+r" Unknown route-map component "uexBHF"
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHFa-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Pragal (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR"
Unknown route-map component "uexSTRl" + Unknown route-map component "fvSTR+l-"
Unknown route-map component "fSTRq" + Interchange on track
Unknown route-map component "uexSTRr" + Unknown route-map component "fSTR+r"
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "fKBHFe"
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBHFa yellow"
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
Unknown route-map component "fvSHI1l"
Unknown route-map component "fSHI1c3" + Unknown route-map component "fSHI1+r"
End station Unknown route-map component "BHF yellow"
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
Unknown route-map component "fKBHFe" + Unknown route-map component "fSHI1c1"
Unknown route-map component "fvSHI1+r" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
Unknown route-map component "fvKBHFe" Unknown route-map component "BHF yellow"
 São João Estoril (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Estoril (c)
(c) Cascais 
Unknown route-map component "KBHFaq yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "STRr yellow"
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

A Estação Ferroviária de Campolide situa-se em Lisboa, Portugal. É servida por comboios suburbanos da CP Lisboa (Linha de Sintra e Linha da Azambuja) e da Fertagus. É um importante nó ferroviário, onde se cruzam e/ou têm início as Linhas do Sul, de Cintura e de Sintra. A estação original de Campolide entrou ao serviço em 1891.[1]

Dispõe de duas gares: Campolide, na Linha de Sintra, e Campolide A, na Linha de Cintura e é o término oficial da Linha do Sul. Nos terrenos anexos existe ainda um vasto parque de manobras e estacionamento, e as oficinas da EMEF Campolide. Situam-se ainda neste complexo ferroviário o portal norte do Túnel do Rossio, e o acesso ferroviário à Ponte 25 de Abril.

A estações seguintes são:

  • na Linha de Sintra (Campolide): Rossio (sentido Rossio) e Benfica (sentido Sintra);
  • na Linha do Sul (Campolide A): Pragal (sentido Setúbal);
  • na Linha de Cintura (Campolide A): Alcântara-Terra (sentido Alcântara) e Sete Rios (sentido Braço de Prata).

Existe ainda uma concordância para tráfego direto entre Campolide A e Benfica.

Campolide / Campolide A situa-se no vértice do triângulo ferroviário topologicamente oposto à Concordância de Sete Rios, que liga as estações de Sete Rios (Linha de Cintura) e Benfica (Linha de Sintra).

Torre de controlo, de Cottinelli Telmo.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Apesar de se situar na freguesia de Campolide, a estação ainda se distancia do centro do bairro epónimo, sendo o bairro mais próximo o da Liberdade. A ligação de Campolide à estação de Campolide faz-se através da carreira 702 da Carris. Tem acesso pelo Largo da Estação, na cidade de Lisboa.[2]

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, apresentava cinco vias de circulação, com 233 a 310 m de comprimento; as plataformas tinham 236 a 287 m de extensão, e 90 cm de altura.[3]

A estação de Campolide conta com uma torre de controle, que foi desenhada por Cottinelli Telmo em 1940 e construída no mesmo ano.[4]

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

A capa do álbum Campolide, de Sérgio Godinho, editado em 1979, é ilustrada com uma foto mostrando o cantor na gare desta estação, em edifício entretanto demolido.

Serviços[editar | editar código-fonte]

Transporte ferroviário[editar | editar código-fonte]

Serviço Municípios Servidos
CP Urbano
Linha de Sintra
Lisboa, Amadora, Oeiras e Sintra
CP Urbano
Linha da Azambuja
Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira e Azambuja
Fertagus
Almada, Seixal, Barreiro, Palmela e Setúbal

Urbanos de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   CP Urbanos de Lisboa
Logo Linha Sintra.png
Sintra ↔ Rossio
Logo Linha Sintra.png
Mira Sintra-Meleças ↔ Rossio
Linha da Azambuja
Alcântara - Terra ↔ Castanheira do Ribatejo
(excepto fins-de-semana e feriados)
Linha da Azambuja
Alcântara - Terra ↔ Azambuja
(apenas primeiro e último comboio do dia, excepto fins-de-semana e feriados)

Comboios de Portugal Estações ferroviárias servidas dentro de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Fertagus[editar | editar código-fonte]

Fertagus logo icon.jpg   Fertagus
Fertagus logo icon.jpg
Setúbal ↔ Roma-Areeiro
Fertagus logo icon.jpg
Coina ↔ Roma-Areeiro

Padrão de serviços de comboio[editar | editar código-fonte]

Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Benfica
Direção Sintra / Mira Sintra-Meleças
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Rossio
Terminal
Alcântara-Terra
Terminal
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Sete Rios
Direção Castanheira do Ribatejo1 / Azambuja2
Fertagus Fertagus
Pragal
Direção Setúbal / Coina
  Fertagus
Linha do Sul
  Sete Rios
Direção Roma-Areeiro

1Excepto fins-de-semana e feriados

2Apenas primeiro e último comboio do dia, excepto fins-de-semana e feriados

Transportes urbanos[editar | editar código-fonte]

Carris (autocarros e eléctricos)Carris[editar | editar código-fonte]

Estação original de Campolide.

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 1880, foi apresentada ao parlamento uma proposta para um contracto com a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, relativo à construção de uma linha desde a Estação de Santa Apolónia até Pombal, seguindo pelo vale de Chelas e pela costa Oeste.[5] No entanto, esta proposta não teve seguimento devido à queda do governo, pelo que em 31 de Janeiro de 1882 a Companhia Real fez um novo pedido, desta vez para um grupo de linhas unindo Alcântara à Figueira da Foz, Merceana, e Sintra.[5] Um alvará de 7 de Julho de 1886 autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir um ramal entre a Benfica, na futura Linha do Oeste, e Xabregas, de forma a ligar as duas linhas.[5][6] Outro alvará, de 23 de Junho de 1887, permitiu que a linha de união fosse desde logo construída em via dupla, e autorizou a construção de duas concordâncias, uma em Braço de Prata e outra de Campolide a Sete Rios, para facilitar o trânsito dos comboios para a futura estação central, a construir no Terreiro do Duque.[5]

O troço original da Linha de Sintra, entre as Estações de Sintra e Alcântara-Terra, abriu à exploração em 2 de Abril de 1887.[5] Em 9 de Outubro de 1887, um alvará autorizou a Companhia Real a construir um ramal em via dupla desde o Vale de Alcântara até uma estação junto à Praça de D. Pedro IV[5], cujo túnel foi inaugurado provisoriamente em 5 de Abril de 1889.[7] Os primeiros comboios atravessaram o túnel em Maio de 1889, e tanto o túnel como a Estação do Rossio foram inaugurados em Maio de 1891, e entraram ao serviço em 11 de Junho desse ano.[5] Entretanto, a linha entre Xabregas e Benfica abriu em 20 de Maio de 1888[5], e em 5 de Setembro de 1891 foram abertas as duas concordâncias até Braço de Prata e Sete Rios.[5]

Em 10 de Janeiro de 1894, a Companhia Real anunciou o concurso para a empreitada de construção de uma cocheira de locomotivas em Campolide, com a base de licitação em 4.200$00 Réis.[8]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Guarda Republicana em Campolide, durante a greve de 1914.

Décadas de 1900 e 1910[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Junho de 1902, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que tinha sido construída em Campolide uma junção transversal, permitindo a circulação directa dos comboios no sentido de Santa Apolónia e de Alcântara Terra.[9]

Em 14 de Janeiro de 1914, iniciou-se uma greve dos funcionários da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que levaram à paralisação quase total dos comboios em Lisboa durante cerca de uma semana.[10] Os grevistas fizeram vários actos de sabotagem, levando à ocupação das principais estações, incluindo o Rossio e Campolide, por parte da polícia e das forças militares.[10] Na manhã do dia 15, o comboio 5003 saiu da estação do Rossio, com escolta militar, tendo demorado cerca de 40 minutos a chegar a Campolide, onde foi abalroado por um grupo de 300 grevistas, que insultaram o maquinista e obrigaram o comboio a parar.[10] De tarde, foi feita uma nova tentativa, com vários guardas armados dentro da cabina da locomotiva, tendo o comboio chegado sem incidentes a Campolide.[10] A situação melhorou nos dias seguintes, mas voltou a deteriorar-se no dia 23, quando voltaram a ser feitos actos de violência, tendo um maquinista sido agredido em Campolide.[10]

Lançamento da primeira pedra para a construção da Escola Vasconcellos Correia, em 16 de Abril de 1933.

Décadas de 1920 e 1930[editar | editar código-fonte]

Em 1920, foram ampliadas as oficinas de Campolide.[11]

Em 1925, entraram ao serviço as locomotivas da Série 601 a 608, que ficaram desde logo afectas ao depósito de Campolide, para fazer os comboios rápidos entre o Rossio e Vila Nova de Gaia.[12]

Cerca de 1932, o arquitecto Cottinelli Telmo projectou a Escola Profissional de António Vasconcellos Correia, destinada ao Grupo Instrutivo Ferroviário de Campolide do Pessoal das Máquinas e Oficinas da CP, tendo o edifício sido inaugurado em 1934.[13]

Um diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações de 13 de Janeiro de 1937 aprovou o projecto da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para a expansão e modificação da estação de Campolide, e para uma variante na via descendente entre o Apeadeiro de Cruz da Pedra e Campolide.[14] Em 1 de Julho desse ano, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que já tinha sido reservada a quantia de cerca de 500 mil escudos para a modificação das vias férreas e das plataformas em Campolide, sendo um dos objectivos o descongestionamento dos comboios com origem e destino na estação do Rossio, prevendo-se que as obras seriam iniciadas ao fim de poucos dias.[15]

Num artigo da Gazeta dos Caminhos de Ferro de 1 de Novembro de 1938, o jornalista José Fernando de Sousa propôs a electrificação do Túnel do Rossio, devido ao desconforto para os passageiros causado pelo material a vapor, sendo o material motor dos comboios trocado à passagem por Campolide.[16]

Em 1939, chegou a Portugal um conjunto de carruagens metálicas que tinham sido fabricadas pela casa americana Budd, tendo sido feitas várias viagens para testar o novo material, incluindo uma em 7 de Abril de 1939, de Campolide a Vila Nova de Gaia[12], que serviu para regular a futura marcha dos comboios rápidos.[17] Foi utilizado um comboio formado pela locomotiva 501, um furgão e três carruagens, que demorou 3 horas e 9 minutos na viagem, com paragens em Pampilhosa, Albergaria e Entroncamento.[12]

Em Agosto desse ano, ainda decorriam as obras de ampliação de Campolide, incluindo a modificação da linha para Sintra, de forma a deixarem de ser feitos cruzamentos de itinerários no interior do túnel.[18] No dia 1 de Agosto, reiniciou-se o comboio Sud Expresso, após um período de interrupção de três anos durante a Guerra Civil Espanhola, ligando Lisboa a Paris; este serviço tinha uma carruagem directa até Alcântara-Mar e Estoril, que era atrelada ou desatrelada do resto do comboio em Campolide.[19]

O início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, causou grandes restrições à importação de combustíveis, que atingiu tanto os caminhos de ferro como os automóveis.[20] Desta forma, verificou-se uma ressurreição temporária dos veículos a tracção animal, que funcionavam em combinação com o transporte ferroviário, transportando passageiros, bagagens e mercadorias desde as estações até aos domicílios, como sucedeu em Campolide.[20]

Estação de Campolide em 1956.

Décadas de 1940 e 1950[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Junho de 1940, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que a estação de Campolide estava em obras, incluindo a construção de um novo aqueduto e a instalação de novas vias férreas.[21]

Em 1940, foi projectada a torre de controle de Campolide.[22] Este foi um dos primeiros postos de sinalização electromecânica da Companhia Caminhos de Ferro Portugueses.[23] Após a electrificação, os equipamentos já existentes foram integrados nos novos sistemas de controlo de tráfego.[24] Este projecto fez parte de um conjunto de intervenções que a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses fez para modernizar os seus sistemas de sinalização e de gestão de tráfego nas principais estações, que incluíram a construção de várias torres de controlo.[25]

A partir dos finais da Década de 1940, a Companhia dos Caminhos de Ferro começou a adquirir material motor a gasóleo, tendo-se decidido montar em Campolide um posto oficinal destinado a este tipo de veículos.[26] Em 16 de Setembro de 1948, a Gazeta dos Caminhos de Ferro relatou que já estava quase concluída a primeira oficina para a reparação do material a gasóleo, que seria completamente separada das que serviam as locomotivas a vapor.[27] Em 1 de Abril de 1949, a Gazeta informou que tinham chegado mais quatro locotractoras, que já tinham sido transportadas para as oficinas de Campolide, e que iriam entrar ao serviço dentro de 60 dias.[28] Em 30 de Junho desse ano, foi feito um comboio especial de Campolide para Sintra, para testar uma das novas locotractoras, experiência que contou com a presença de vários altos funcionários da companhia e do director da General Electric.[29]

Em 21 de Janeiro de 1950, foram feitas obras de adaptação na cocheira de Campolide, para servir de ponto de recolha para automotoras e locomotivas a gasóleo.[30] Estas oficinas ganharam reputação internacional, tendo sido por diversas vezes visitadas por técnicos do estrangeiro, que vinham estudar o processo de substituição da frota a vapor pelo gasóleo, em linhas onde não se justificava a electrificação.[31]

Em 1955, os comboios de passageiros de longo curso passaram a ser feitos em Santa Apolónia em vez do Rossio, e as locomotivas da Série 500 foram passadas para o depósito do Barreiro.[12]

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Em 1972, o Serviço de Estatística e Mecanografia da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses foi transferido do Rossio para Campolide, onde foi ampliado com um novo computador IBM, que foi o primeiro na companhia a trabalhar com discos.[32]

Comboio da Fertagus na estação de Campolide, em 2009. A Fertagus é a empresa concessionária dos comboios suburbanos entre as duas margens do Tejo.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Na Década de 1990, iniciou-se um programa de melhoria da oferta na Linha de Sintra, que incluiu a remodelação e modernização das estações, introdução de novo material circulante, a modificação do sistema de sinalização com a instalação de um sistema centralizado de controlo de tráfego, e a quadruplicação da via férrea entre Campolide e o Cacém.[33] Em 1992, entraram ao serviço novas automotoras quádruplas eléctricas, no lanço entre Campolide e Cacém da Linha de Sintra.[34] Em 1996, estava em curso da primeira fase de execução do projecto de modernização da sinalização electrónica na Linha de Sintra, que previa a instalação de novos equipamentos, do tipo ESTW L 90, no lanço entre Campolide e Cacém, incluindo a via quádrupla.[35] Todo o sistema de sinalização seria controlado a partir de um posto central de telecomando, no sistema CTC, a construir na estação de Campolide.[35] Este centro de comando permitiu a concentração de quase todas as operações naquela área, aumentando as condições de qualidade, capacidade e serviço, e reduzindo os custos de operação.[36] Este projecto foi lançado pelo GNFL - Gabinete do Nó Ferroviário de Lisboa, que também estava a planear a modernização e a construção da nova estação de Campolide, em conjunto com a Rede Ferroviária Nacional.[37] Em 1995, algumas das locomotivas da Série 1200 estavam a fazer serviço de manobras em várias estações de Lisboa, incluindo Campolide.[38]

O GNFL também dirigiu as obras para o Eixo Ferroviário Norte - Sul, correspondente à ligação entre as duas margens do Tejo, pela Ponte 25 de Abril[35] Este projecto implicou a instalação de novos lanços de via férrea dupla electrificada entre Campolide e Pinhal Novo, e a construção de várias interfaces ferroviárias, incluindo uma nova gare em Campolide, que deveria estar ligada ao Metropolitano de Lisboa.[39] A sinalização do Eixo Norte - Sul também seria controlada a partir de Campolide.[40] Em 1996, já se tinha iniciado a construção de várias empreitadas deste projecto, incluindo o Viaduto de Campolide.[39]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Atutomotora USGL 3500, parada em Campolide, em 2008.

O jornal Público de 30 de Novembro de 2002 noticiou que nesse fim de semana iria ser cortada a circulação dos comboios entre Campolide e Braço de Prata, para as obras de quadruplicação de via e de construção da nova estação de Estação de Roma-Areeiro, tendo sido organizado um serviço de autocarros de substituição.[41]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. REIS et al, 2006:12
  2. «Campolide». Comboios de Portugal. Consultado em 15 de Novembro de 2014 
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  4. AFONSO, 2005:111
  5. a b c d e f g h i TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 18 de Fevereiro de 2013 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  6. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 3 de Novembro de 2017 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  7. NONO, Carlos (1 de Abril de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1471). p. 71-72. Consultado em 3 de Novembro de 2017 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  8. NONO, Carlos (1 de Janeiro de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1465). p. 25-26. Consultado em 3 de Novembro de 2017 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • PINTO, A. U. Fialho (1991). Para um Museu da Viatura de Tracção Animal. Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras. 82 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]