Tragédia do Gran Circus Norte-Americano

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A tragédia do Gran Circo Norte-Americano foi um crime de fogo ocorrido em Niterói, em 17 de dezembro de 1961, em que morreram mais de 500 pessoas, e mais de 800 sofreram ferimentos.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Gran Circo Norte-Americano estreou em Niterói em 15 de dezembro de 1961. Os anúncios diziam que era o maior e mais completo circo da América Latina – tinha cerca de 60 artistas, 20 empregados, e 150 animais. O dono do circo, Danilo Stevanovich, havia comprado uma lona nova, que pesava seis toneladas, e seria de náilon - detalhe que fazia parte da propaganda do circo. O Norte-Americano chegou a Niterói uma semana antes da estreia e instalou-se na praça Expedicionário, no centro da cidade.[2]

A tragédia[editar | editar código-fonte]

A montagem do circo demandava tempo e muita mão de obra. Danilo contratou cerca de 50 trabalhadores avulsos para a montagem. Um deles, Adílson Marcelino Alves, o “Dequinha”, tinha antecedentes por furto e apresentava problemas mentais. Trabalhou dois dias e foi demitido por Danilo Stevanovich. Dequinha ficou inconformado e passou a ficar rondando as imediações do circo.[carece de fontes?]

Adílson, o "Dequinha", colocou fogo no circo em vingança ao proprietário Danilo Stevanovich.
Walter, o “Bigode”, jogou gasolina na lona.
José, o “Pardal”, ficou vigiando o local.

Na estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio, que Danilo Stevanovich mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar, mas foi visto e impedido pelo tratador de elefantes, Edmílson Juvêncio.[carece de fontes?]

No dia seguinte, 16 de dezembro, sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era constantemente acusado de ser culpado da demissão de Dequinha. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.[carece de fontes?]

Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o Pardal, e Walter Rosa dos Santos, o “Bigode”, com o plano de pôr fogo no circo. Eles se encontraram num local denominado Ponto de Cem Réis, na divisa do bairro Fonseca com o centro, e decidiram pôr em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra da gasolina, advertiu o chefe da lotação esgotada do circo e iminente risco de mortes. Porém, Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.[carece de fontes?]

Com três mil pessoas na plateia, faltavam 20 minutos para o espectáculo acabar, quando uma trapezista notou o incêndio. Em pouco mais de cinco minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. 372 pessoas morreram na hora e, aos poucos, vários feridos morriam, chegando a mais de 500 mortes, das quais 70 % eram crianças. Ironicamente, a fuga de um elefante da sua jaula, foi o que acabou por salvar imensa gente. O animal com sua força, arrebentou com parte da lona, abrindo caminho a um maior número de pessoas fugir. A lona, que chegou a ser anunciada como sendo de náilon, era, na verdade, feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.[3]

Por coincidência, naquele dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve. O Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, estava fechado. A população arrombou a porta e, os médicos em greve foram sendo convocados através da rádio, pelos soldados do exército, os quais compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender ao hospital. Inclusivamente, os cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas interromperam seus espectáculos para averiguar se haveria médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados de emergência, para darem a extrema-unção às vitimas que já se sabia que não tinham qualquer hipótese de sobrevivência. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e, brasileira no geral, deslocaram-se à Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. Dentre essas personalidades, destaca-se o então Presidente, João Goulart.[carece de fontes?]

As agências funerárias não tinham mãos a medir, tal era elevado o numero de caixões que eram necessários, para enterrar as vitimas mortais. O Estádio Caio Martins foi transformado numa oficina provisória para a construção rápida de urnas, com carpinteiros da região a trabalharem dia e noite. Os cemitérios municipais de Niterói logo ficaram lotados; assim, uma roça no município de São Gonçalo, vizinho de Niterói, foi usada de urgência como cemitério para enterrar os restantes corpos.[carece de fontes?]

Com base no depoimento de funcionários do circo que acompanharam as ameaças de Dequinha, ele foi preso em 22 de dezembro de 1961. Os cúmplices Bigode e Pardal também foram presos.[carece de fontes?]

Em 24 de outubro de 1962, Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão e a mais 6 anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão, foi assassinado. Bigode recebeu 16 anos de condenação, e mais 1 ano em colônia agrícola. Finalmente, Pardal foi condenado a 14 anos de prisão, e mais 2 anos em colônia agrícola.[carece de fontes?]

Televisão[editar | editar código-fonte]

A história do incêndio do Gran Circo Norte-Americano foi retratada no programa Linha Direta, da Rede Globo, em 29 de junho de 2006, sob o nome de Linha Direta Justiça. O dono do circo, Danilo Stevanovich, foi vivido pelo ator Dalton Vigh.[carece de fontes?]

Livro[editar | editar código-fonte]

A tragédia foi também assunto do livro "O espetáculo mais triste da terra - O incêndio do Gran Circo Norte-Americano", do jornalista Mauro Ventura. Elaborado a partir de extensa pesquisa desenvolvida pelo autor, durante dois anos e meio Ventura entrevistou sobreviventes e pessoas que de alguma forma se envolveram com o acontecimento, como médicos, voluntários, autoridades e escoteiros. Ele também ouviu o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que chegou a atender vítimas da tragédia, além de parentes do Profeta Gentileza. O livro de Ventura, lançado em 2011, quando do cinquentenário da tragédia, aponta controvérsias como o número de mortes e as causas do incêndio.[4][5][6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Profeta Gentileza, nome pelo qual ficou conhecido José Datrino, motorista de caminhão, que, no dia da tragédia teve um chamado à vida espiritual, e passou a residir no local do incêndio, iniciando assim uma missão não terrena.[carece de fontes?]
  • O palhaço Carequinha ajudou no financiamento para a construção de um cemitério em São Gonçalo, para enterrar as vítimas do incêndio, que eram muitas para serem sepultadas apenas no cemitério de Maruí, em Niterói.[carece de fontes?]

Referências

  1. Em Niterói, incêndio no Gran Circo Norte-Americano mata mais de 500 pessoas. globo.com.br. Acesso em 2 de setembro 2016
  2. Da alegria ao terror, a tragédia do Gran Circus Portal Terra - acessado em 16 de dezembro de 2011
  3. (em alemão) Das Brandmal. fr-online.de. Acesso em 2 de setembro 2016
  4. Ventura, Mauro: "O espetáculo mais triste da Terra: o incêndio do Gran Circo Norte-Americano" - São Paulo: Companhia das Letras, 2011. ISBN 978-85-359-1991-2
  5. Perin, Diogo Zomer (4 de agosto de 2015). «O espetáculo mais triste da Terra: o incêndio do Gran Circo Norte-Americano». Cadernos do Tempo Presente. 0 (19). ISSN 2179-2143 
  6. Zanin, Luís (8 de janeiro de 2012). «O espetáculo mais triste da Terra». O Estado de S. Paulo. Consultado em 12 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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