Mística islâmica

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Mística islâmica ou Sufismo é a dimensão mística e esotérica da tradição muçulmana. Como esta última, está baseada no Corão e nas tradições e práticas do profeta Maomé. O Sufismo é a dimensão contemplativa do Islã. Segundo a Filosofia Perene de René Guénon e Frithjof Schuon, toda grande religião possui duas dimensões, a exotérica e a esotérica. A primeira diz respeito à "ação" e a segunda à "contemplação"; a primeira às leis e ordenamentos exteriores; a segunda, à interioridade e à mística. Esta é a dimensão do Sufismo no marco do Islã.

Assim sendo, a mística islâmica tem sua origem com a revelação maometana da Península Arábica no século VII DC. As origens do Sufismo, portanto, remontam ao profeta Maomé (Muhammad) e os primeiros califas "bem-guiados" (ou ortodoxos) do Islã, sobretudo Abu Bakr e Ali. A maioria das confrarias sufis (turuq, singular: tarica) têm estes dois califas e místicos como as figuras iniciais de suas silsilás (termo árabe que constitui como que uma "árvore genealógica" ou "sucessão apostólica" que assegura a continuidade tradicional de determinado mestre sufi e de sua confraria).[1].

Entre as confrarias sufis mais conhecidas no Ocidente contemporâneo, destacam-se a Mevlevya, estabelecida por Rumi em Kônia, na Turquia, no século XIII; a Shadilyia, estabelecida também no século XIII pelo cheique ("mestre espiritual") magrebino Iman Shadili; a tarica Alawyia, fundada pelo cheique Ahmad al-Alawi no início do século XX, em Mostaganem, Argélia.[2].

Entre os grandes representantes da mística islâmica, incluem-se o místico al-Hallaj, martirizado em Bagdá no século X por ter dito, em estado de êxtase, "Eu sou a Verdade"; o grande sufi metafísico Ibn Arabi (século XIII), autor de diversas obras influentes, entre elas as "Revelações de Meca"; Al-Ghazali, Rumi, Rabiah Adawiah, Attar, os sheikhs Shadily, Darqawi, al-Alawi, entre outros.

Livros e dissertações de mestrado em português[editar | editar código-fonte]

Para compreender o Islã, de Frithjof Schuon (Rio de Janeiro, 2006). Inclui extenso e esclarecedor capítulo sobre a mística islâmica.

" HIKAM Palavras de Sabedoria", de Ibn Atâ Allah al-Iskandari (São Paulo), 2010). Uma das mais célebres compilações de aforismos Sufis.

O Sufismo: doutrina metafísica e via espiritual, de William Stoddart (Lisboa, 1990).

Iniciação ao Islã e Sufismo, de Mateus Soares de Azevedo (Rio de Janeiro, 2001, 4a. edição). Introdução à religião do Islã e à mística sufi por um autor e jornalista brasileiro que se dedica ao tema há mais de trinta anos.

Mística Islâmica, de Mateus Soares de Azevedo (Petrópolis, 2002, 3a. edição). Uma continuação da obra acima, para os leitores que já tem algum conhecimento do Sufismo. Analisa as contribuições do Sufismo para a arte e a cultura do mundo islâmico e estabelece paralelos com a espiritualidade cristã.

Homens de um Livro Só: o Fundamentalismo no Islã e no Cristianismo, de Mateus Soares de Azevedo (Rio de Janeiro, 2010). Crítica do fanatismo e do extremismo religioso, afirmação da base tradicional de sabedoria e compaixão que moldam o Islã.

Islã - O credo é a conduta, de Roberto Bartholo e Arminda Campos (Rio de Janeiro, 1990). Inclui informativa seção sobre o esoterismo muçulmano.

A conferência dos pássaros, de Farid ud-din Attar (São Paulo, 1987). Poema místico-filosófico de um sufi do século XII.

Fihi Ma Fihi, de Rumi (Rio de Janeiro, 1993). Coletânea de ensinamentos de um dos grandes porta-vozes da mística islâmica.

SILVA FILHO, Mário Alves da. A Mística Islâmica em Terræ Brasilis: o Sufismo e as Ordens Sufis em São Paulo. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). São Paulo: PUC/SP, 2012.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Mateus Soares de Azevedo: Mística Islâmica. Petrópolis, editora Vozes, 2001
  2. Mateus Soares de Azevedo: Iniciação ao Islã e Sufismo. Rio de Janeiro, Record, 2002