As Crônicas de Nárnia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
| As Crônicas de Nárnia | |
Estátua em memória do autor da série, Clive Staples Lewis, olhando o interior de um guarda-roupa, como no livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. |
|
| O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa Príncipe Caspian A Viagem do Peregrino da Alvorada A Cadeira de Prata O Cavalo e seu Menino O Sobrinho do Mago A Última Batalha |
|
| Autor | Clive Staples Lewis |
|---|---|
| Título Original | The Chronicles of Narnia |
| Tradutor | Silêda Steuernagel |
| Ilustrador | Pauline Baynes |
| Idioma | Inglês |
| Publicado durante | 1950 - 1956 |
| Editora | |
| País | |
|
|
|
As Crônicas de Nárnia (título no Brasil) / As Crónicas de Nárnia (título em Portugal) (The Chronicles of Narnia, no original em inglês) é uma série de sete livros de romance para o público infantil, escrita pelo autor irlandês Clive Staples Lewis (conhecido simplesmente como C.S.Lewis). É a obra mais conhecida do autor, e a série é considerada um clássico da literatura infantil, tendo vendido mais de 120 milhões de cópias em 41 idiomas. Escrito por Lewis entre 1949 e 1954 e ilustrado por Pauline Baynes, As Crônicas de Nárnia foram adaptados diversas vezes, inteiramente ou parcialmente, para o rádio, televisão, teatro e cinema. Além dos tradicionais temas cristãos, a série usa caracteres da mitologia grega e romana, bem como os tradicionais contos de fadas.
As Crônicas de Nárnia, apresentam, geralmente, as aventuras de crianças que desempenham um papel central, que descobrem o ficcional Reino de Nárnia, um lugar onde a magia é corriqueira, os animais falam e ocorrem batalhas entre o bem e o mal. Em todos os livros (com exceção de O Cavalo e seu Menino) os personagens principais são crianças de nosso mundo, que são magicamente transportados para Nárnia, onde são ajudados e instruidos pelo leão falante conhecido como Aslam (ou mesmo Aslan dependendo da tradução).
Ainda durante sua infância, Lewis, criava ilustrações para as histórias que escrevia.[1] Quando o livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa estava prestes a ser publicado, ele havia pensado na possibilidade de ilustrá-lo, mas acabou solicitando uma desenhista profissional que foi Pauline Baynes, na época com com pouco mais de vinte anos de idade mas que já tinha ilustrado o último livro do autor J.R.R. Tolkien (chamado de Mestre Gil de Ham). Lewis, então, decidiu que ela seria a pessoa ideal para ilustrar as pessoas e os fantásticos seres em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, porém esta acabou por ilustrar os sete livros da série.
No Brasil, a série As Crônicas de Nárnia foi editada inicialmente pela ABU Editora e era praticamente desconhecida, até o lançamento do filme The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, que fez com que os livros fossem os mais vendidos no país.
Índice |
[editar] Os Sete livros
As Crônicas de Nárnia foram escritas durante o ano de 1949 à 1954, porém foram publicadas durante 1950 à 1956; Clive Staples Lewis (também conhecido simplesmente como C. S. Lewis ou Lewis) publicou inicialmente O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa em 1950 sem ter a intenção de produzir uma série de livros. Ao prosseguir escrevendo outros livros, Lewis aproveitou para retomar partes anteriores da história para preencher lacunas deixadas no primeiro livro. Por isso a ordem de publicação não coincide com a ordem cronológica dos eventos que ocorrem nas histórias dos livros. A ilustradora original foi Pauline Baynes, que fazia os desenhos à base de caneta de tinta, comuns nos livros publicados até as atualidades. A série conseguiu verder mais de 120 milhões de cópias em 41 idiomas. Abaixo, serão apresentados as sinopses dos livros da série, em ordem de publicação.
[editar] The Lion, the Witch and the Wardrobe (1950)
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (do inglês The Lion, the Witch and the Wardrobe), concluído durante o inverno de 1949 e publicado em 1950, é o primeiro romance da série em ordem de publicação, porém o segundo em ordem cronológica. Narra a história de quatro crianças humanas: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Pevensie, que através de um antigo e misterioso guarda-roupa, chegam ao mundo de Nárnia, um exuberante país, mas que enfrenta um terrível e prolongado inverno, imposto pela falsa rainha do país – a Feiticeira Branca – e que já completava cem anos. Com ajuda do grande e poderoso leão, Aslam, os irmãos Pevensie devem derrotar a terrível bruxa e trazer, enfim, paz à Nárnia e a todos os que nela habitam.
[editar] Prince Caspian (1951)
Príncipe Caspian (do inglês Prince Caspian ou mesmo Prince Caspian: The Return to Narnia), concluído durante o outono de 1949 e publicado durante 1951, é o segundo livro da série a ser publicado, porém o quarto em ordem cronológica. Narra o retorno dos irmãos Pevensie à Nárnia, lugar onde teriam passados 1300 anos, enquanto que no nosso mundo, apenas um. Durante esse tempo, muitas coisas aconteceram: telmarinos – humanos que vivem em Telmar, próximo à Nárnia – invadem o país, desmatando os bosques e assassinando as criaturas narnianas. É nesse momento que os Pevensie conhecem Caspian X, um bondoso príncipe telmarino, e juntos, deverão derrotar o telmarino e falso rei de Nárnia, Miraz – tio de Caspian –, o atual comandante destes massacres no país. Para este plano se concretizar, eles terão, novamente, a ajuda de Aslam.
[editar] The Voyage of the Dawn Treader (1952)
A Viagem do Peregrino da Alvorada ou A Viagem do Caminheiro da Alvorada (em inglês The Voyage of the Dawn Treader), concluído durante o inverno de 1950 e publicado em 1952, é o terceiro livro da série a ser publicado, porém o quinto em ordem cronológica. Neste romance, apenas Edmundo e Lúcia Pevensie retornam à Nárnia, porém desta vez, com seu incômodo e emburrado primo Eustáquio Mísero. Juntos de Caspian X – atualmente o rei de Nárnia – e do rato Ripchip,eles viajam à bordo do navio Peregrino da Alvorada, pois devem encontrar Os Sete Fidalgos, banidos por Miraz. Agora, enfrentarão diversos perigos e aventuras em inúmeras ilhas e como sempre, com a ajuda de Aslam.
[editar] The Silver Chair (1953)
A Cadeira de Prata ou O Trono de Prata (em inglês The Silver Chair), concluído por Lewis durante a primavera de 1951 e publicado em 1953, é o quarto livro da série em ordem de publicação, o sexto em ordem cronológica e o primeiro livro em que os Pevensie não aparecem. Nesta fantástica aventura, apenas Eustáquio Mísero e sua amiga de escola, Jill Pole vão à Nárnia; eles devem encontrar o Príncipe Rilian, o filho desaparecido do rei Caspian X – agora, uma pessoa idosa à beira da morte – . Com os conselhos de Aslam, Eustáquio e Jill devem percorrer Nárnia em busca de Rilian, e acabam por descobrir que o príncipe foi sequestrado e hipnotizado pela Feiticeira Verde, que planeja, através do próprio Rilian, tomar Nárnia.
[editar] The Horse and his Boy (1954)
O Cavalo e seu Menino ou O Cavalo e seu Rapaz (em inglês The Horse and his Boy), concluído durante a primavera de 1950 e publicada durante 1954, é o quinto romance da série a ser publicado, porém é o terceiro em ordem cronológica, pois se passa durante A Era de Ouro em Nárnia, ou seja, durante o reinado dos irmãos Pevensie. Narra a história do cavalo falante Bri e do garoto Shasta, ambos, detidos em cativeiro na Calormânia. Durante a fuga, estes descobrem que a Calormânia pretende invadir Nárnia através da Arquelândia. Agora eles devem impedir que este ataque ocorra, mas para isto, passarão por incríveis aventuras, junto de Aravis e Huin.
[editar] The Magician's Nephew (1955)
O Sobrinho do Mago ou O Sobrinho do Mágico (em inglês The Magician's Nephew), concluído durante 1954 e publicado em 1955, é o sexto livro da série a ser publicado e o primeiro em ordem cronológica. Este romance, narra os acontecimentos durante os primórdios de Nárnia, preenchendo as lacunas deixadas no livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Através de uns anéis mágicos fabricados por André Ketterley (também conhecido como Tio André), Digory Kirke e Polly Plummer viajam até Charn – um mundo muito antigo sem vida – onde acabam por libertar acidentalmente Jadis, a Feiticeira Branca. Depois de muitos acontecimentos, eles chegam à um mundo acabara de ser criada por Aslam, Nárnia. O livro também relata a origem do guarda-roupa e de como ele foi parar no nosso mundo.
[editar] The Last Battle (1956)
A Última Batalha (em inglês The Last Battle), concluída durante a primavera de 1953 e publicada durante 1956 é o último romance a ser publicado e também o último em ordem cronológica. Depois que a Calormânia, juntamente como seu líder, Tash, invadem Nárnia, ocorre uma grande e violenta guerra. Aslam, então, decreta o fim de Nárnia, fazendo as estrelas descerem do céu, o sol se apagar e inundando todo o resto. Todos os humanos e criaturas boas e fiéis à Aslam, vão para o paraíso conhecido como País de Aslam; lá, todos os "amigos de Nárnia" – os Pevensie, Caspian X, Eustáquio, Jill, Digory, Polly – se encontram, exceto Susana Pevensie, que havia "esquecido-se" de Nárnia, por causa das coisas materialistas.
[editar] Ordem de Leitura
Os fãs da série As Crônicas de Nárnia, possuem fortes opiniões sobre o correto modo de ler-se os livros da série. À princípio, os livros não eram numerados; a primeira editora americana que numerou os romances foi a Macmillan, que colocou número nos livros seguindo a ordem em que foram publicados. Quando a editora HarperCollins assumiu a série no ano de 1994, os livros foram renumerados, seguindo a ordem cronológica, tal como foi sugerido pelo enteado de C.S.Lewis, Douglas Gresham.
Lewis publicou inicialmente O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, em 1950, sem ter a intenção de produzir uma série de livros. Ao prosseguir escrevendo outros livros, aproveitou para retomar partes anteriores da história para preencher lacunas deixadas no primeiro livro. Por isso a ordem de publicação não coincide com a ordem cronológica dos eventos que ocorrem nas histórias dos livros. Não existe uma ordem oficial para a leitura dos livros, mas duas delas são mais conhecidas. Uma coloca os livros na ordem cronológica dos eventos que ocorrem ao longo da série e a outra na ordem de publicação.
Na Ordem Cronológica o livro O Sobrinho do Mago que narra acontecimentos que antecedem O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa aparece em primeiro lugar e o livro O Cavalo e seu Menino que narra acontecimentos que ocorrem no tempo descrito num parágrafo do livro O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa aparece em seguida deste. Esta ordem foi sugeria por um leitor dos livros da série para o próprio Lewis, que gostou da idéia mas nunca a tomou como oficial. Várias edições dos livros os colocam nesta ordem.
Na Ordem de Publicação, os livros seguem a ordem em que foram publicados. Aqueles que defendem esta ordem de leitura, comentam que nessa sequência o leitor explora o universo criado por Lewis na ordem em que ele foi imaginado pelo autor. Isso tornaria a história mais coerente, alegando, por exemplo, que a verdadeira apresentação inicial de Aslam está no livro O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, o primeiro a ser publicado e não em O Sobrinho do Mago, o primeiro em ordem cronológica. Muitos leitores, fãs e críticos, acreditam de que este seja o modo correto de se ler a série, pois em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa (primeiro livro em ordem de publicação, porém o segundo em ordem cronológica), Nárnia é explorada, tomando conhecimento ao decorrer do livro. Já no romance O Sobrinho do Mago (sexto livro em ordem de publicação, porém primeiro em ordem cronológica), Nárnia foi exibida de um modo "familiarizado" aos leitores.
[editar] Paralelos Cristãos
Clive Staples Lewis foi uma pessoa convertida ao cristianismo, e que tinha anteriormente, obras relacionadas à teologia e apologética cristã. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Lewis não possuía a intenção de empregar conceitos de Teologia Cristã nas histórias ficcionais da série As Crônicas de Nárnia. Segundo um relato do próprio Lewis sua intenção inicial não era usar temas cristãos, mas estes teriam sido naturalmente incorporados durante o processo de criação. O conteúdo cristão da série é o centro de um caloroso debate entre os seus críticos e defensores. Muitos cristãos entendem a série como um grande meio de evangelização, enquanto outros colocam os livros como um meio subliminar de passar valores pagãos. Alguns críticos apontam que a temática cristã em vários dos livros é tão sutil que dificilmente é identificada por leitores que não estejam familiarizados com elas, embora tal sutileza permita a penetração no público não cristão.
Em todos os romances da série são encontrados, supostamente, fatos relacionados à acontecimentos bíblicos. Entre eles, o mais famoso seria o fato de que muitos cristãos acreditam que o personagem ficcional Aslam, seria uma alegoria à Jesus Cristo; isso deve-se ao fato de que o personagem está presente do início ao fim da história, do mesmo modo de Cristo; Lewis alega ser uma grande coincidência o fato de que Jesus seja chamado como O Leão da tribo de Judá, pois o personagem Aslam representa a figura de um leão.
|
«Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.»
|
|
|
(Apocalipse 1:8)
|
|
«E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.»
|
|
|
(Apocalipse 5:5)
|
Com o lançamento de The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe em 2005, as acusações re-iniciaram.[2] Algumas pessoas que seguem o cristianismo acham desagradável, enquanto as pessoas não familiarizadas com o cristianismo, não chegam a perceber estas supostas "Temáticas Cristãs". Muitos cristãos, por sua vez, acreditam que a série de Lewis seja uma excelente ferramenta para o evangelismo cristão. A questão do cristianismo nos romances se tornou o ponto focal de muitos livros.
[editar] J.R.R. Tolkien
J.R.R. Tolkien foi um grande amigo de C.S.Lewis, um autor de inúmeras obras literárias e também o responsável pela conversão de Lewis ao Cristianismo. Tolkien e Lewis, juntamente de outros escritores, faziam parte dos The Inklings, grupo que consistia na discussão das histórias criadas pelos autores do grupo. No entanto, Tolkien não estava entusiasmado com as histórias,[3] pois em parte, devido ao modo de como foram empregados as criaturas mitológicas de uma forma que não poderia agradar o público, principalmente aqueles que fossem cristãos ou soubessem que Lewis era convertido ao Cristianismo, o que em parte a mitologia é considerada paganismo para certas religiões. Tolkien também criticou alguns atos relatados nas histórias, como as viagens entre o nosso mundo e Nárnia. Embora houvesse criticado em diversos pontos as histórias de Lewis, Tolkien alegou que o enredo desta história seria um instrumento para emitir-nos valores cristãos e bíblicos.
[editar] Influências sobre Nárnia
[editar] Vida de Lewis
Lewis agregou, diversas vezes, acontecimentos de sua vida nas histórias da série. Nascido em Belfast, Irlanda do Norte, Lewis mudou-se para um local na orla da cidade, quando ainda possuía sete anos; a nova casa continha longos corredores e muitas salas vazias, onde Lewis e seu irmão imaginavam viajar entre mundos ao mesmo tempo em que exploravam a casa. Do mesmo modo como Caspian X e Rilian, Lewis perdeu precocemente sua mãe. Durante sua juventude na Inglaterra, Lewis tinha que embarcar em trens para chegar à escola, o que possue coerência e coesão com a trajetória dos irmãos Pevensie. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas crianças eram evacuadas de Londres para outros locais por causa dos Ataques Aéreos; durante esse período, algumas crianças ficaram abrigadas na casa de Lewis, inclusive uma garota chamada Lucy (Lúcia em português brasileiro), fazendo-nos lembrar a hospedagem de Lúcia Pevensie e seus irmãos na casa do Professor Kirke.
[editar] Acontecimentos históricos
Em diversas ocasiões nos romances da série, Lewis transforma alguns fatos e acontecimentos históricos mundiais em ficção, geralmente, o autor usa esses exemplos como crítica ao comportamento da humanidade, os atos praticados pelo homem. No romance O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Jadis, a Feiticeira Branca, representada como uma ímpia, tirana, corrupta e falsa-rainha, alega ser 'a governanta serva do Imperador de Além Mar', enviada por tal. Imperador de Além Mar, é uma divinidade no mundo de Nárnia, um deus. Muitos fãs, leitores e críticos acreditam que Lewis esteja lembrando sobre fatos ocorridos durante a Idade Média na Europa, onde Reis e Rainhas alegavam serem enviados de Deus para possuírem "poderes" sobre o reino, episódio conhecido como Absolutismo. Na Irlanda Medieval, havia uma tradição na qual os 'Grandes Reis' governavam sobre os reis, rainhas ou príncipes "menores", assim como o Reinado dos Pevensie. Em um certo capítulo no livro O Sobrinho do Mago, novamente a personagem Jadis, destrói o seu mundo natural, conhecido como Charn, através de uma magia conhecida como Palavra Execrável. Muitos leitores acreditam que ao escrever isso, Lewis teria criticado a manipulação e o uso de armas nucleares, pois o livro foi concluído durante o período da Guerra Fria. O personagem Aslam alega ao final do livro:
| “ | Não é impossível que um homem perverso de sua raça descubra um segredo tão pavoroso quanto o da Palavra Execrável, use este segredo para destruir todas as coisas vivas. Breve, muito em breve, antes que envelheçam, grandes nações em seu mundo serão governadas por tiranos parecidos com a imperatriz Jadis: indiferentes à alegria, à justiça e ao perdão. Avisem seu mundo deste grande perigo. | ” |
[editar] Influências Mitológicas
C.S.Lewis complementou a fauna de Nárnia usando seres ficcionais da mitologia grega e mitologia nórdica, como por exemplo, centauros (mitologia grega) e anões (mitologia nórdica). Antes de escrever os livros da série, Lewis havia lido amplamente sobre Literatura Medieval Celta, que influiu ao longo de todos os livros, porém fortemente em A Viagem do Peregrino da Alvorada, no qual o livro sa baseia no conto immrama (pronunciado MI-rah-vuh), no qual o conto narra a história onde os personagens principais nevegam pelos mares enfrentando dificuldades e perigos para chegarem em uma ilha. No romance da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Lewis escreve, em um trecho, que a personagem conhecida como Feiticeira Branca se passa por Filha de Eva, quando na verdade, ela é descendente de Lilith. Lilith é uma personagem mitológica, que segundo as lendas sobre ela, teria sido a primeira esposa de Adão e a responsável pela aparição da serpente no Jardim do Éden, enquanto outros acreditam que ela seja a própria serpente. Ao decorrer dos livros da série, são apresentados seres mitológicos e lendários como faunos, centauros, minotauros, dríades, sereias, gigantes, dragões, duendes, pégasos, grifos, sátiros, unicórnios, animais falantes, entre outros, que são popularmentes conhecidos pelo público, por diversas outras séries que apresentam estes seres fantásticos.
[editar] Nome
A origem do nome "Nárnia" é incerto. Segundo Pul Ford's Companion to Narnia, o nome do país ficcional não é uma alusão à antiga cidade italiana Narni, conquistada em 299 a.C., quando foi renomeada como 'Narnia'. Contudo, Lewis havia estudado clássicos em Oxford, onde possivelmente encontrou algumas referências sobre Narnia na literatura latina. Existe também a possibilidade de que Lewis, estivesse referindo-se ao texto alemão de 1501 Lucy von Narnia (Lúcia de Nárnia), escrito por Ercole d'Este. Lewis havia lido este texto durante seus estudos sobre literatura maedieval e renascentista. Outra provável origem, talvez possa ser uma palavra em sindarin, uma língua desenvolvida por J.R.R.Tolkien, amigo de Lewis, onde "Narn-îa" significa algo semelhante à "profundeza dos contos".
[editar] Controvérsias
[editar] Sexismo
A autor da série, C.S.Lewis tem recebido várias críticas ao longo dos anos, muitas delas por colegas autores. A maior parte delas, resume-se na forma de sexismo no qual Lewis tratou a personagem Susana Pevensie no romance A Última Batalha, onde descreve que a personagem havia esquecido-se de Nárnia por causa de 'batons, náilons e convites'. A autora JK Rowling, responsável pela série Harry Potter disse o seguinte:
- Chega um ponto em que Susana, que era a garota mais velha, está esquecendo Nárnia, porque ela fica interessada em batom. Ela tornou-se irreligiosa basicamente porque encontrou sua sexualidade, tenho um grande problema com esta questão de Susana.
Philip Pullman, autor da série literária His Dark Materials, muito crítico aos livros de Lewis[4] chegando a ser apelidado de "Anti-Lewis", chama As Crônicas de Nárnia como monumento de desprezo femenino, interpretando a passagem de Susana na seguinte forma:
- Susana, assim como uma "Cinderela", está prestes a sofrer uma mudança de fase de sua vida para outra. Não aprovo isso, Lewis. Ele não gosta de mulheres ou sexualidade em geral, pelo menos enquanto escrevia os livros. Lewis estava assustado e horrorizado com a ideia do crescimento.
Por sua vez, o editor do Fan-magazine ("Revista-fã") chamado Andrew Rilstone, opõe esta opinião, afirmando que 'os batons, náilons e convites' citados no livro, é retirado de seu contexto. Afirmam que em A Última Batalha, Susana está excluída em Nárnia porque ela não acredita mais neste mundo. Ao final do livro, Susana ainda está viva e pode acabar juntando-se novamente a sua família. Além disso, Susana adulta e com maturidade sexual é visto como algo positivo em O Cavalo e seu Menino, portanto 'os batons, náilons e convites' possam ser razões improváveis para a sua exclusão em Nárnia.
É interessante ressaltar que Lewis apoia em citar o papel positivo das mulheres na série, como Jill Pole em A Cadeira de Prata, Aravis Tarcaína em O Cavalo e seu Menino, Polly Plummer em O Sobrinho do Mago, Lúcia Pevensie e a própria Susana em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
[editar] Racismo
Em um romance da série, especificamente em O Cavalo e seu Menino, há um local chamado Calormânia, no qual já foram planejados diversos ataques em Nárnia, em outra palavras, retratado como a cidade "vilã" de algumas histórias retratadas na série. Os calormanos são retratados como pessoas de pele escura, com longas barbas e turbantes, que muitos traçam semelhanças com os árabes, apesar de que os costumes e a religião possui mais semelhanças com o povo hindu. Muitos críticos consideram racismo na parte de Lewis, que sempre descreve o povo calormano como algo ruim. Sobre o alegado racismo em O Cavalo e seu Menino, a editora jornalística Kyrie O'Connor escreve:
- É simplesmente terrível. Embora as histórias do livros contenha suas virtudes, você não precisa ser uma pessoa com conhecimentos vastos para encontrar essas afirmações anti-árabe, Anti-Leste ou Anti-Otomano.
[editar] Paganismo
Ao longo do tempo, Lewis recebeu críticas enviadas por alguns cristãos e organizações cristãs, que entendem que As Crônicas de Nárnia possa ser uma "ferramenta com paganismo e ocultismo", por possuir temas considerados hereges como, principalmente, a representação antropomórfica de Jesus Cristo como um leão, no caso Aslam. Em cada história, Lewis empregou um significado bíblico, conhecido como "Paralelos Cristãos" ou mesmo "Temática Cristã", na qual a história faz referência a acontecimentos bíblicos, o que tem sido considerado paganismo por usar 'a palavra de Deus', ou seja, passagens bíblicas em histórias ficcionais. Ao decorrer dos livros, podemos ver que Nárnia sempre esteve repleta de magia.[5] A Bíblia nos diz o seguinte:
- Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti. Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus."
[Deuteronômio 18:9-13]
Esta polêmica agravou-se ainda mais, por causa do emprego de criaturas mitológicas reunidas à estes paralelos cristãos, pois muitas Igreja Cristãs, possivelmente todas, acreditam que histórias e seres mitológicos são hereges. Lewis alegou dizendo que através de contos ficcionais, com seres e criaturas mitológicas, os leitores, no caso o público infanto-juvenil, aprenderiam um pouco mais sobre o Cristianismo imposto em As Crônicas de Nárnia.
[editar] Adaptações
Ao longo dos tempos, As Crônicas de Nárnia foram adaptadas diversas vezes para a televisão, rádio, teatros e atualmente até mesmo para o cinema. Estas adaptações possuíram um grande desempenho, o que faz gerar cada vez mais adaptações na mídia. Com exceção das adaptações nos rádios e teatros, a série nunca foi adaptada inteiramente para a televisão ou cinema, ou seja, não são adaptados todos os sete livros da série. Geralmente, os "excluídos" são O Cavalo e seu Menino, O Sobrinho do Mago e A Última Batalha, ambos, os últimos livros da série em ordem de publicação. Embora não sejam todos adaptados, As Crônicas de Nárnia possuem prêmios e diversas indicações.
[editar] Televisão
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa foi a primeira adaptação dos livros da série para a televisão, o que ocorreu em 1967, formado por dez episódios, contendo trinta minutos cada um. Foi dirigido por Helen Standage e o roteiro foi escrito por Trevor Preston.
Em 1979, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa foi adaptado novamente para a televisão, desta vez como desenho animado, produzido por Bill Meléndez e apresentado no Children's Television Workshop. O responsável pelo roteiro foi David D. Connell. Foi o primeiro filme de longa-metragem animado feito para televisão. Para ser liberado na televisão britânica, muitos personagens tiveram suas vozes re-gravadas por atores e atrizes britânicos, tais como Leo McKern, Arthur Lowe e Sheila Hancock, mas a voz de Aslam, fornecida pelo norte-americano Stephen Thorne permaneceu na nova versão.
De 1988 à 1990, quatro romances da série As Crônicas de Nárnia foram adaptados para a televisão e transformaram-se em sucessos da BBC. Apenas O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Príncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da Alvorada e A Cadeira de Prata foram adaptados, mas mesmo assim, conseguiram um total de quatorze prêmios, incluindo um Emmy na categoria de Melhor Programa Infantil. Esta série televisiva já foi adaptada para DVD e VHS.
[editar] Rádio
A primeira adaptação da As Crônicas de Nárnia para o rádio ocorreram na década de 1980 produzido pela BBC Radio 4, conhecida como "Tales of Narnia" (Contos de Nárnia), onde a série foi apresentada em um período de aproximadamente quinze horas.
Em 1991, Sir Michael Hordern produziu versões da série de uma forma resumida, onde foram acompanhadas por harpa de Marisa Robles e flauta de Christopher Hyde-Smith. Foram relançados durante 1997 pela rádio Collins Audio.
Durante 1999 à 2002 o grupo Focus on the Family produziu dramatizações dos sete romances da série, apresentados em seu programa conhecido como Rádio Teatro ou Teatral de Rádio. O elenco de vozes incluíam mais de cem atores, uma trilha orquestrada original e um desing de som digital com qualidade de cinema. A duração da apresentação durou aproximadamente vinte e duas horas. O enteado de C.S.Lewis, Douglas Gresham, foi o responsável pela produção da série. No website do programa de rádio Focus on the Family, consta o seguinte:
- Entre o lampião até Cair Paravel, juto ao mar do oeste, está Nárnia, uma terra mística onde os animais tem o poder de falar … faunos das florestas se associam aos homens … forças das trevas, numa demanda pela conquista, avançam por todas as partes do mundo para ganhar a guerra contra o legítimo herdeiro do reino… e o Grande Leão Aslam é a única esperança. A este mundo encantado chega um grupo de viajantes incomuns. Esses meros garotos e garotas, quando estão diante do perigo, aprendem extraordinárias lições de coragem, auto-sacrifício amizade e honra!
[editar] Teatro
Em 1984, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa foi adaptado para o teatro, apresentado no 'London's Westminster Theatre', produzido por Vanessa Ford Productions. Foi adaptada para os palcos por Glyn Robbins e dirigida por Richard Williams, onde o responsável pelo design foi Marty Flood. A turnê teatral no Westminster foi encerrada apenas em 1997. Outros livros de As Crônicas de Nárnia foram adaptados para o teatro, como A Viagem do Peregrino da Alvorada em 1986, O Sobrinho do Mago em 1988 e O Cavalo e seu Menino em 1990.
Em 1988, o Royal Shakespeare Company premiou O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. A Crônica foi adaptada para o palco por Adrian Mitchell com música de Shaun Davey. Adrian Noble foi o diretor original do musical, Anthony Ward foi o responsável pelo design e Lucy Pitman-Wallace foi a diretora do revival. A produção foi tão bem apreciada que apresentou-se durante os feriados natalinos de 1998 à 2002, agora no 'Royal Shakespeare Theatre em Stratford'. Subsequentemente, a apresentação teatral foi transferida para para os teatros 'Londres no Barbican Theatre' e 'Sadler's Wells', onde fizeram apresentações limitadas. O jornal London Evening Standard escreveu:
- … a bela recriação de Lucy Pitman-Wallace, a partir da produção de Adrian Noble evoca todo o encanto e mistério deste conto mitológico complexo, sem nunca ser formal demais ao ponto de deixar de abarcar toques cômicos como o extravgante veado do campo ou um, castor com em afaseres domésticos… Em nossa era de domínio da ciência e tecnologia, a fé tem se tornado gradativamente insignificante — mas por outro lado nesta gloriosa e ressoante produção é possível entender o seu poder de atração.
A adaptação de Adrian Mitchell, foi posteriormente estreada nos Estados Unidos com a equipe Minneapolis Children's Theatre Company, vencedora de Tony Award em 2000. Esta foi sua primeira apresentação na costa leste, com a Seattle Children's Theatre encenando próximo às festividades natalinas durante 2000 à 2003, que mais tarde seria reencenada durante a temporada de 2003 à 2004. Esta adaptação está licenciada para atuação no Reino Unido através de Samuel French.
Outra produção de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa que foi notável, foi as produções comerciais de companhia Malcolm C. Cooke Productions na Australia, dirigida por Nadia Tass e descrita por Douglas Gresham, e pelo Trumpets Theatre, conhecido por ser um dos melhores teatros comerciais nas Filipinas.
Produções teatrais de As Crônicas de Nárnia têm se tornado popular entre profissionais, comunidades e teatros jovens durante o decorrer do tempo.
[editar] Cinema
Uma versão cinematográfica de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, intutulado The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, produzido pela Walden Media e distribuído pela Walt Disney Pictures foi lançado em dezembro de 2005; o filme conquistou muitos fãs, dando notoriedade à série literária que era quase desconhecida em alguns países, como no Brasil. O filme foi dirigido por Andrew Adamson, que anteriormente, só havia dirigido filmes de animação. O roteiro foi escrito por Ann Peacock. O filme de longa-metragem foi gravado em lugares na Polônia, República Checa e na Nova Zelândia. O filme ficou popular por seus grandes e belos efeitos especiais, usado principalmente para criar algumas criaturas ficcionais. A reação crítica do filme foi um sucesso. O filme alcançou o Top dos 25 melhores filmes de todos os tempos. A Disney produziu uma sequência, The Chronicles of Narnia: Prince Caspian, lançado em maio de 2008 nos Estados Unidos. A Disney havia anunciado que não iria financiar o terceiro filme, The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader, devido a limitações orçamentais. Há pouco tempo, foi anunciado que a Twentieth Century Fox irá continuar a série.
Referências
- ↑ http://www.disney.com.br/cinema/narnia/livros/chronicles/books/illustrated.html Ilustrações de As Crônicas de Nárnia
- ↑ http://www.noticiascristas.com/2008/05/crnicas-de-nrnia-e-o-evangelho.html As Crônicas de Nárnia e o Evangelho
- ↑ http://lazer.hsw.uol.com.br/narnia2.htm Inimizade de Tolkien por Nárnia
- ↑ http://lazer.hsw.uol.com.br/narnia3.htm Philip Pullman acusa As Crônicas de Nárnia de racismo e preconceito sexual
- ↑ http://www.espada.eti.br/narnia.asp Problemas com Nárnia: O lado ocultista de C.S.Lewis

