História do Paraguai

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O Paraguai foi descoberto por Aleixo Garcia e Sebastião Caboto, ambos sob as ordens da Espanha, em 1524. A cidade de Asunción foi fundada por Juan de Salazar y Espinosa, natural de Espinosa de los Monteros (Espanha) sendo consolidada por Juan de Ayolas. Originou-se assim um longo período de colonização que durou até 1811, quando o país alcançou sua independência.

Era pré-colombiana[editar | editar código-fonte]

Quando da chegada dos espanhóis ao território do Paraguai Oriental, ou seja, a área entre o rio Paraná a leste e o rio Paraguai a oeste, o território era habitado por diversas etnias indígenas que se encontravam em estado de guerra entre elas. Estas etnias pertenciam a três grupos diferentes: os do Pampa, os lágidos e os amazônicos. Ainda não se sabe qual destes grupos chegou primeiro ao território. O que se sabe é que até o século XV os guaranis conseguiram avançar desde o norte, isto graças à sua superioridade numérica e posse de uma cultura material mais desenvolvida, onde praticavam o cultivo da mandioca, milho e amendoim. A prática de uma agricultura de roça permitia que obtivessem excedentes necessários para manter uma população em contínuo crescimento demográfico, e que necessitava de novos territórios.

Os guaranis encontraram na região grupos jês ou lágidos como os guayaki, coletores e caçadores, e também os grupos do Pampa, como os paiaguás. O primeiro contato dos guaranis com os europeus foi com Aleixo Garcia, explorador português que participou em várias expedições à América do Sul com a frota espanhola.

Entre o final de 1524 e começo de 1525, Garcia chegou onde hoje fica Assunção, treze anos antes de sua fundação. O grupo recrutou 2.000 guerreiros guaranis para invadir terras no Chaco paraguaio, enfrentando as tribos locais, consideradas perigosas pelos exploradores. Marchando para o oeste, o grupo de García descobriu as Cataratas do Iguaçu (em guarani, "Águas Grandes") cruzando o Rio Paraná. Na descoberta das Cataratas do Iguaçu, existem versões conflitantes entre os historiadores. Alguns dizem que foi Álvar Núñez Cabeza de Vaca quem descobriu as quedas; outros, Alejo Garcia. As datas, porém, são próximas.

O grupo subiu o rio Pilcomayo, chegando às fronteiras do império inca provavelmente na zona da atual Cochabamba, Bolívia, e travou ali alguns combates com a ajuda dos avá guarani oito anos antes de Francisco Pizarro conquistá-los. Os exploradores pilharam as aldeias que encontraram pelo caminho, antes que o exército de Huayna Capac, então governante inca, reagisse. Quando voltava para o litoral Garcia foi assassinado às margens do rio Paraguai pelos paiaguás, perto da atual cidade de San Pedro del Ycuamandiyú, mas a notícia da pilhagem aos incas chegou aos exploradores espanhóis e atraiu Sebastião Caboto, filho do explorador genovês João Caboto, ao Rio Paraguai, dois anos depois.

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Os primeiros colonos espanhóis chegaram ao Paraguai no início do século XVI.[1] A cidade de Assunção, fundada em 15 de agosto de 1537,[2] logo se tornou o centro de uma província nas colônias espanholas na América do Sul, conhecida como "Província Gigante de Indias".

Cquote1.svg …o Paraguai não chegou a formar grandes latifúndios exportadores, em mãos de uma camada poderosa de proprietários rurais, como aconteceu em muitos países latino-americanos. (…) Os camponeses livres, na sua maioria mestiços, haviam sido, no início do século XVIII, os protagonistas das grandes rebeliões "comuneras" contra os jesuítas e as autoridades espanholas ligadas a eles."[3] Cquote2.svg
Cabildo de Assunção (1537-1811).

Antes da chegada dos europeus, os territórios situados entre os rios Paraná e Paraguai eram ocupados pelos guaranis, que viviam da agricultura, da caça e da pesca. Acossados, no século XV, por tribos da região do Grande Chaco, os guaranis cruzaram o rio Paraguai e submeteram seus inimigos, levando o conflito aos limites meridionais do império Inca. Eram, assim, os aliados naturais dos primeiros exploradores europeus que procuravam rotas mais curtas para as minas do Peru.

Aleixo Garcia, que partiu do litoral brasileiro em 1524 e Sebastião Caboto, que subiu o Paraná em 1526, foram os primeiros a atingir as terras interiores da bacia Platina, hoje pertencentes ao Paraguai, mas coube a Domingos Martínez de Irala a primazia dos primeiros núcleos coloniais (1536-1556). Juan de Ayolas, Juan de Salazar e Juan de Garay também realizaram penetrações na região. Irala lançou os fundamentos do Paraguai, que logo se transformou no centro da transformação espanhola na região sul-oriental da América do Sul. Sua política de colonização consistiu na delimitação das fronteiras com o Brasil através da construção de uma linha de fortes contra a expansão portuguesa, na fundação de vilas e na intensa miscigenação de espanhóis com guaranis, principal fator da formação da população do país.

A partir do início do século XVII e por mais de 150 anos, missões jesuíticas do sudeste do Paraguai exerceram governo efetivo sobre cerca de 100 000 índios com 33 reduções, as quais serviam como centros de conversão religiosa, de produção agropecuária, de comércio e manufaturas, mas também como postos avançados contra a expansão portuguesa.

Primeiro contato e exploração[editar | editar código-fonte]

Sebastião Caboto estava navegando para o oriente em 1526 quando ouviu falar das façanhas de Garcia. Achando que o Rio de Solís poderia proporcionar uma passagem mais fácil ao Oceano Pacífico para ir ao Peru do que pelo Estreito de Magalhães, acabou explorando o estuário do Prata. Deixando um grupo na orla nordestina do estuário, Caboto subiu em direção ao norte pelo Rio Paraná por aproximadamente 160 quilômetros, quando fundou um pequeno forte chamado Sancti Spiritu próximo da atual cidade argentina de Rosario. Continuou a exploração rio acima cerca de 800 quilômetros além da confluência com o Rio Paraguai, ainda no Paraná, quando a navegação se tornou complicada devido às fortes corredeiras. Caboto, vendo que não era mais possível avançar em direção ao norte, resolveu retornar, não sem antes obter alguns objetos de prata que, segundo os índios do lugar, vinham de bem longe, de uma terra a oeste. O navegador decidiu desistir de sua rota no rio Paraná e entrou no Rio Paraguai. Aproximadamente quarenta quilômetros antes da atual Assunção, Caboto encontrou uma tribo guarani que possuía objetos de prata. Crendo ter encontrado a rota para as riquezas do Peru, nomeou o Rio Paraguai como "Rio da Prata". Hoje, no entanto, o nome só se aplica ao estuário onde está atualmente a cidade de Buenos Aires. Em 1530, retornou à Espanha e Carlos V (1519-56) foi informado sobre suas descobertas. O imperador deu permissão a Dom Pedro de Mendoza para montar uma expedição ao estuário do Prata. O imperador também o nomeou governador do Rio da Prata e lhe concedeu o direito de nomear a seu sucessor.

Os primeiros europeus, membros da expedição comandada por Juan de Salazar de Espinosa e Gonzalo de Mendoza e destinada a procurar Ayolas, estabeleceram-se na zona refugiados depois do fracasso da primeira fundação da cidade de Buenos Aires no começo do século XVI, e fundaram uma fortificação que seria futuramente a cidade de Asunción (Assunção) no dia 15 de agosto de 1537, dia de Nossa Senhora de Assunção. Espinoza e Mendoza declararam que era um bom lugar de "amparo e conserto da conquista". Continuaram rio acima e se encontraram com Irala, que tinha ordens de esperar a seu chefe Ayolas. Os três homens o procuraram sem resultados positivos. Então, Salazar e Gonzalo de Mendoza desceram o rio de regresso ao recém-fundado Forte de Assunção.

Irala lutara contra os índios kario, donos da terra, capitaneados pelo cacique Avambae, vencendo-os ao pé de um cerro que domina a vista da atual Assunção. Essa formação geográfica foi batizada como Lambaré, nome dado em honra ao cacique vencido. Lambaré, hoje, é uma populosa cidade vizinha à capital paraguaia. Os índios kario se aliaram a seus vencedores contra os índios guerreiros payagua e guaikuru. Como prova de aliança, os kario deram até dez mulheres a cada chefe espanhol.

Depois de 20 anos, a população de Assunção (Asunción) já era aproximadamente 1.500 pessoas, a maioria índios. Os embarques de prata que vinham desde o Peru até a Europa passavam obrigatoriamente por Assunção. Esta se converteu então no núcleo de uma província espanhola que abarcou uma porção tão grande que foi apelidada de a Província Gigante das Índias.

Asunción finalmente converteu-se na sede de uma província colonial espanhola, tornando-se conhecida como "Mãe de Cidades" já que dela partiram as correntes povoadoras de diversas cidades: Ontiveros, a Cidade Real del Guayrá e a primeira Villa Rica del Espíritu Santo na antiga província do Guayrá (no atual estado do Paraná, Brasil), Santiago de Jerez no Itatín (no atual Mato Grosso do Sul), de San Francisco de Mbiazá na costa do Oceano Atlântico (atual estado brasileiro de Santa Catarina), Santa Cruz de la Sierra no Chaco Boreal, bem como as importantes cidades argentinas de Buenos Aires, Corrientes, Santa Fé e Concepción de Buena Esperanza, mais conhecida como Concepción del Bermejo.

Sob o governo de Hernandarias, chegam ao Paraguai os jesuitas para contribuir à tarefa de pacificação dos indígenas, dando assim origem às célebres reduções jesuíticas. Desde 1604 a 1767 os jesuítas realizam com os indígenas guaranis do Paraguai um original governo teocrático. As reduções jesuitas chegaram a constituir um estado praticamente independente, já que tinham autonomia com respeito aos governadores de Assunção. As missões chegaram a abrigar mais de um quarto de milhão de indígenas, onde se lhes ensinava a religião católica, agricultura, artesanato e pequena indústria.

A organização total abarcou 32 reduções. As missões primeiro instalaram-se na região do Guayrá (também chamado La Pinería)-atual estado do Paraná - e depois se estabeleceram entre os rios Tebicuary e o divortium aquarum (divisor de águas) entre a Bacia do Prata e as bacias menores, afluentes diretas do Oceano Atlântico. A língua guarani foi respeitada e fixou-se em forma escrita; nela foram vertidas importantes obras de teologia, impressos na primeira imprensa do Rio da Prata. Paralelamente o assuncenho Ruy Díaz de Guzmán escrevia as primeiras obras de História referentes à região do Cone Sul.

Com respeito à organização das reduções, cada povoado era administrada por um cura Reitor, máxima autoridade; o cura doutrinário, encarregado da instrução religiosa; o cura Dispenseiro, encarregado da administração econômica; e o cura auxiliar ou coadjuntor, que era o elo entre o reitor e a população.

Em 1617, durante o governo de Hernandarias - e contra sua vontade - produziu-se a divisão da Província em duas governadorias: a do Paraguai e a de Buenos Aires. Desta forma o Paraguai perdeu a zona marítima do estuário do rio da Prata, e conservou só Assunção, Ciudad Real e Villa Rica del Guayrá. A perda da "saída por terra" pelo porto de Buenos Aires fez-se sentir bem mais desde que a província espanhola do Paraguai perdeu o estratégico território chamado de Mbiazá ou Yviazá (ou La Vera), que correspondia ao atual estado brasileiro de Santa Catarina, território no qual se achava o estratégico porto, fundado em 1538, de San Francisco de Mbiazá.

Em 1717 a rebelião 'comunera representou o primeiro grito de liberdade de toda América, mas com a derrota na batalha de Tovatí em 1721 foram impostas duras sanções ao departamento que asfixiaram completamente sua economia. Em 1750, o tratado de limites entre Espanha e Portugal, afetou o Paraguai com as perdas de Guayrá (entre o rio Paraná e o Oceano Atlântico), a grande província do Itatín e a região de Cuyabá (atual Cuiabá, no Mato Grosso) que foram cedidos ao Brasil português a mudança da Colônia do Sacramento, na Banda Oriental do rio da Prata. No ano de 1750 a corte espanhola e a coroa portuguesa decidiram repartir o território das reduções indígenas. Os jesuítas não aceitaram, e os exércitos espanhol e português empreenderam a chamada Guerra Guaranítica e acabaram com as reduções em 1757. Em 1767 os jesuítas foram expulsos da Espanha e de seus domínios, por ordem de Carlos III. As reduções passaram a ser dirigidas por grupos seculares e religiosos, mas entraram em um processo de decadência.

O Vice-Reino do Rio da Prata foi criado em 1776 pelo rei Carlos III, integrando em sua jurisdição os atuais territórios da Argentina, e doUruguai, dos atuais estados brasileiros do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Paraguai, a Bolívia e o norte do Chile. A criação do Vice-Reino do Rio da Prata separou o Paraguai do Vice-Reino do Peru. A capital do novo Vice-Reino achava-se na cidade de Buenos Aires. A criação do Vice-Reino obedeceu à necessidade de organizar melhor a administração do extenso território acossado pelo contrabando e pela constante penetração dos portugueses e luso-brasileiros. Em 1777 a província do Paraguai foi integrada no Vice-Reino do Rio da Prata dentro do qual se manteve até 1811. Em 1782, estabeleceu-se no Vice-Reino o regime das intendências. Assunção era, na província ou Intendência do Paraguai, o único povoado com categoria de cidade. A zona ao sul do rio Tebicuary e ao leste da cordilheira de Caaguazú por sua vez correspondia à Governação das Missões Guaranis (ou Província Subordinada das Missões) constituída com os restos das Missões Jesuíticas que ficaram sob controle espanhol.

Independência e conflitos[editar | editar código-fonte]

Casa da Independência (1811).

À medida que Buenos Aires tornava-se mais poderosa, os líderes paraguaios insurgiam-se contra o declínio da importância de sua província e, embora também contestassem a autoridade espanhola, recusaram-se a aceitar a declaração de independência da Argentina (1810) como extensiva ao Paraguai. Nem mesmo a intervenção de um exército argentino, comandado pelo general Manuel Belgrano, conseguiu efetivar a incorporação da província. Mais tarde, porém, quando o governador espanhol do Paraguai solicitou auxílio português para defender a colônia dos ataques de Buenos Aires, os paraguaios, liderados por Fulgencio Yegros, Pedro Juan Caballero e Vicente Ignácio Iturbide, depuseram o governador Bernardo Velasco e proclamaram a independência do país a 15 de maio de 1811.

Após curto período de anarquia, José Gaspar Rodríguez Francia implantou uma ditadura. Durante seu governo, o Dr. Francia isolou o Paraguai do resto do mundo, não mantendo relações com nenhum país e proibindo a emigração e a imigração. Reprimiu a oposição ao regime e utilizou a política isolacionista como meio de deter as ambições expansionistas do Brasil e da Argentina e a penetração estrangeira. A fim de evitar a necessidade de comércio exterior, o ditador estimulou a autossuficiência agrícola, mediante a introdução de novas culturas e desenvolveu as manufaturas. Essa política isolacionista contribuiu para preservar o caráter homogêneo do povo paraguaio e seu espírito de independência.

Diversas imagens da Guerra do Paraguai.

Francia foi sucedido por Carlos Antonio López (1840-62), que abandonou o isolacionismo, expandiu o comércio externo e a educação e abriu as portas do país para técnicos estrangeiros. Aumentava, contudo, a fricção entre o Paraguai e seus dois poderosos vizinhos, Brasil e Argentina. O ditador argentino Juan Manuel Rosas ergueu obstáculos ao comércio exterior paraguaio, mediante bloqueio econômico, enquanto reavivavam-se disputas fronteiriças. Consciente do perigo, Antonio López, tratou de fortalecer o exército, que seu filho Francisco Solano López (1862-70) teria amplas oportunidades de usar. Treinado por oficiais alemães e equipado com armas europeias modernas, o exército paraguaio tornou-se uma força formidável empregada numa aventura expansionista.

A reconstrução econômica do país foi perturbada pela sequência de crises políticas, golpes de Estado e guerras civis das últimas décadas do século XIX. Apesar da existência de partidos políticos, Colorado e Liberal, a formação dos governos era, quase sempre, fruto de intervenções militares e revoluções palacianas. Durante a Primeira Guerra Mundial, quando o país permaneceu neutro, houve um período de certa prosperidade. Cresciam paralelamente as disputas com a Bolívia pela posse do Chaco. Desde os primeiros anos do século XX os dois países construíram fortes na área contestada. Após choques esporádicos, estourou a guerra do Chaco (1932-35), que os paraguaios, comandados pelo coronel José Félix Estigarribia, venceram a muito custo. O Tratado de Paz de 1938, assinado com a intermediação do Brasil, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Estados Unidos, deu ao Paraguai a maior parte do território disputado e à Bolívia uma saída para o rio Paraguai via Puerto Suárez.

A guerra do Chaco permitiu o surgimento do primeiro movimento político importante destinado a reformar instituições. O coronel Rafael Franco, líder de um novo partido, o Febrerista, assumiu a 17 de fevereiro de 1936 com grande apoio popular. Empregando métodos ditatoriais, Franco promoveu uma distribuição limitada de terras, promulgou leis sociais e trabalhistas e nacionalizou fontes de matérias-primas. Os reformistas sofreram um revés com um golpe de Estado desfechado pelo exército, mas, em 1939, elegeram o herói da guerra do Chaco, José Félix Estigarribia, como presidente da república. Estigarribia promulgou a constituição reformista de 1940. Seus planos progressistas que previam a reforma agrária e modernização do país caíram por terra após sua morte num acidente aéreo.

Era contemporânea[editar | editar código-fonte]

Higino Morínigo durante um encontro com Franklin D. Roosevelt na Casa Branca em 9 de junho de 1943

Sob o governo do general Higino Morínigo (1940-48), o Paraguai recaiu na ditadura militar, em que as liberdades civis foram suprimidas e restabelecidos os direitos do latifundiários. A oposição cresceu a partir de 1944, e, em 1947, liberais e febreristas, com o apoio de parte do exército, sublevaram-se. Embora derrotados, provocaram a renúncia do ditador. Após sucessivos golpes de Estado que levaram ao poder quatro presidentes, inclusive o escritor Juan Natalicio González, o líder do Partido Colorado, Federico Chávez (1949-54), assumiu o governo. Sua administração caracterizou-se pelo alinhamento com o regime de Juan Domingo Perón, na Argentina. Dificuldades econômicas e financeiras, decorrentes do forte processo inflacionário que se seguira à Guerra Civil de 1947, contribuíram para sua deposição.

Em maio de 1954, o comandante do exército, general Alfredo Stroessner, tomou o poder, Stroessner fez-se eleger presidente nesse ano e foi reeleito em 1958, 1963, 1973, 1978, 1983 e 1988. Para cada eleição, suspendeu-se por um dia o estado de sítio. Stroessner garantiu seu regime exilando os líderes democráticos, cercando-se de áulicos e controlando diretamente as forças armadas. Aos apelos da Igreja em favor dos presos políticos, reagiu expulsando do país vários sacerdotes. No campo econômico, o Paraguai foi marcado por contrabando e pela inauguração da usina hidrelétrica de Itaipu, um projeto conjunto entre Brasil e Paraguai.

Stroessner foi deposto em 3 de fevereiro de 1989 em golpe liderado pelo general Andrés Rodríguez que deixou dezenas de mortos. Empossado na presidência, Rodríguez levantou a censura à imprensa, autorizou a volta dos exilados, legalizou organizações políticas, que estavam proibidas e convocou eleições. A 1º de maio, foi eleito presidente. Em 1991, assinou, em Assunção, junto com os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai, o tratado de criação do mercado Comum do Sul (Mercosul). Nas eleições presidenciais e legislativas de 9 de maio de 1993, ganhou Juan Carlos Wasmosy, que tomou posse na presidência em 15 de agosto do mesmo ano.

Juan Carlos Wasmosy, do partido Colorado, foi eleito presidente em 1993. Investigações sobre a ligação de paraguaios com o narcotráfico internacional e o veto aos protestos de militares, em 1994, geraram conflitos entre Wasmosy e o chefe do exército, Lino Oviedo, que tentou um golpe, frustrado por manifestações no país e dos demais membros do Mercosul e dos Estados Unidos. Oviedo foi indicado a concorrer à presidência, mas um tribunal militar o condenou a dez anos de prisão, em março de 1998, pela tentativa de golpe, tornando-o inelegível. Seu substituto, Raúl Cubas, venceu o pleito em maio e libertou Oviedo por decreto. A corte Suprema declarou ilegal o indulto, mas Cubas ignorou essa posição.

Em março de 1999, o vice-presidente eleito, Luis María Argaña, rival do Oviedo no Partido Colorado, foi morto a tiros em Assunção. Manifestantes exigiram a destituição de Cubas, apontado pelo executor Pablo Vera Esteche juntamente com Oviedo como mandantes do crime [4] [5] . No dia 26, seis manifestantes foram assassinados enquanto pediam a saída de Cubas. Ele renunciou depois e refugiou-se no Brasil. Luis González Macchi, presidente do congresso, assumiu. Em outubro, um pistoleiro confessou ter matado Argaña e implicou Oviedo e Cubas no crime. No leste do país, cresceu a tensão entre paraguaios e brasileiros.

O ex-presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos.

Militares se rebelaram em maio de 2000, mas a nova tentativa de golpe fracassou, outra vez por causa da pressão externa. O governo declarou estado de sítio e atribuiu a tentativa de Oviedo, que foi preso por policiais em Foz do Iguaçu e levado para Brasília. Após cinco anos de exílio retorna ao Paraguai. Ao chegar ao país, foi preso [6] e cumpriu pena até 2007. Foi candidato à presidência e derrotado em 2008. Candidatou-se novamente em 2013, porém faleceu em fevereiro daquele ano em um acidente de helicóptero.

Em 2001, Macchi foi acusado num escândalo de corrupção. A situação se agravou com protestos de camponeses, em Assunção, contra a política econômica do governo. Centenas de milhares de pessoas fizeram manifestações para pedir a saída do presidente, mas a oposição não obteve votos necessários para abrir um processo de impeachment.

Cubas retornou ao país em 2002 e se entregou às autoridades para ser julgado pela morte de seis manifestantes em 1999. Foi colocado em prisão domiciliar. A ala oviedista deixou o partido Colorado e fundou União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), como objetivo de viabilizar a eleição de Oviedo como presidente.

A câmara paraguaia aprovou, em dezembro, o início do processo de impeachment contra Macchi por desvio de 16 000 000 de dólares estadunidenses de fundos estatais e uso de automóvel roubado. Em fevereiro de 2003, o pedido de impeachment obteve o voto de 25 dos 45 senadores, mas foi rejeitado, pois seriam necessários, no mínimo, dois terços dos senadores (trinta senadores).

O colorado Nicanor Duarte Frutos foi eleito presidente em abril de 2003, com 37% dos votos. Em segundo lugar, ficou Julio César Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), com 24%. Os colorados mantiveram a maioria no congresso, mas com menos força: o número de deputados do partido caiu de 45 para 37 e o de senadores de 24 para 16. O PLRA elegeu 21 deputados e doze senadores. Em agosto, Duarte tomou posse, em meio a grave crise econômica. Fora da presidência, Macchi foi proibido pela justiça de sair do país, onde deveria responder às acusações de corrupção.

Em 2004, Oviedo regressou à nação e foi preso ao desembarcar em Assunção. Seus advogados alegaram que a condenação foi ilegal e deveria ser anulada pela corte Suprema.

O congresso aprovou, em julho de 2005, a presença de tropas estadunidenses no país até dezembro de 2006, como parte de acordo de cooperação militar com os Estados Unidos. O acordo, porém, gerou especulações sobre a instalação de uma base militar estadunidense na região do Chaco, próximo à Tríplice Fronteira entre Paraguai, Bolívia e Argentina. Os governos de Assunção e Washington negaram.

O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo.

Em novembro, o presidente Duarte anunciou planos de mudar a constituição para concorrer a um segundo mandato. A oposição e os membros do próprio partido governista rejeitaram a proposta. Por considerá-la ilegal, entraram com pedido de impeachment contra o presidente. Na câmara dos Deputados, a iniciativa recebeu 39 votos, menos do que os 53 necessários e foi rejeitada.

Em março de 2006, milhares de paraguaios saíram às ruas, na maior manifestação popular dos últimos anos, contra a tentativa de Duarte de concorrer a novo mandato. Em junho, o ex-presidente Macchi foi condenado a seis anos de prisão por desvio de recursos públicos. Em setembro, morreu, em Brasília, o ex-ditador Alfredo Stroessner.

Em 20 de abril de 2008, Fernando Lugo foi eleito o novo presidente do Paraguai dando fim a quase seis décadas de domíno do partido Colorado. O ex-bispo católico e teólogo prometeu realizar uma reforma agrária dentro dos marcos constitucionais, ampliar o sistema de seguridade social do Paraguai e lutar pela soberania energética do país.

Foi votado no dia 22 de junho de 2012 um processo de afastamento de Lugo, no qual o presidente sofreu um impeachment pelo Parlamento paraguaio em pouco mais de 24 horas. O presidente teve apenas 2 horas de defesa, o que gerou protestos por parte de apoiadores, governos estrangeiros e entidades internacionais.

Em uma reunião realizada em Mendoza, Argentina em 29 de junho de 2012, a Unasul, em consenso dos chefes de estado participantes, considerou o processo uma violação da ordem democrática [7]

Segundo a ministra da defesa do Paraguai, o chanceler da Venezuela teria instigado os militares paraguaios a usarem a força contra a decisão do congresso, o que foi confirmado por um comandante paraguaio.[8] Na mesma reunião que decidiu pela suspensão do Paraguai do Mercosul, os demais membros aceitaram a Venezuela no bloco, processo que se encontrava parado devido ao Congresso paraguaio. De acordo com o vice-presidente uruguaio, isso viola o tratado de Assunção que instituiu o bloco.[9]

Referências

  1. PAOLI, Juan Bautista Rivarola (2010). La Colonización del Paraguay (1537 – 1680) Portal Guaraní. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  2. Redação (14 de agosto de 2010). Fundación de Asunción Paraguay Mi País. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  3. MENDES JUNIOR, Antonio & MARANHÃO, Ricardo - República Velha; Coleção Brasil História, Texto & Consulta. São Paulo, Ed. Brasiliense, 3ª. Ed., 1983, p. 46
  4. [Miami Herald]. 29/Out/1999-Pistoleiro preso responsabiliza Oviedo e Cubas pelo assassinato de Argañas (em inglês). Página visitada em 23 de Fevereiro de 2013.
  5. Ariane Roder (2004). Tese de Mestrado - Pós-Graduação em Ciências Políticas p. 35 e ss.. Fac. de Filosofia, Letras e Ciências da USP. Página visitada em 21 de junho de 2014.
  6. [IstoÉ]. [http://www.terra.com.br/istoe-temp/1851/internacional/1851_presidenciavel_carcere.htm 6/4/2005-Um presidenciável no cárcere] (em português). Página visitada em 23 de Fevereiro de 2013.
  7. Unasul. 29/Jun/2012-Reunião Extraordinária do Conselho de Chefes de Estado e de Governo do UNASUL: 1- Decide expresar su más enérgica condena a la ruptura del orden democrático en la República del Paraguay, ejecutando mediante un procedimiento sumarísimo que evidenció una clara violación del derecho al debido proceso y, en consecuencia, de las mínimas garantías para su adecuada defensa (em espanhol). Página visitada em 24 de Fevereiro de 2013.
  8. http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5873199-EI20486,00-Paraguai+investiga+venezuelano+por+incitar+militares+a+defenderem+Lugo.html
  9. http://www.dgabc.com.br/News/5966907/vice-presidente-uruguaio-critica-venezuela-no-mercosul.aspx

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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