História do Paraguai

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O Paraguai foi descoberto por Aleixo Garcia e Sebastião Caboto, ambos sob as ordens da Espanha, em 1524. A cidade de Asunción foi fundada por Juan de Salazar y Espinosa, natural de Espinosa de los Monteros (Espanha) sendo consolidada por Juan de Ayolas. Originou-se assim um longo período de colonização que durou até 1811, quando o país alcançou sua independência.

Índice

Tempos pré-colombianos [editar]

Quando da chegada dos espanhóis ao território do Paraguai Oriental, ou seja, a área entre o rio Paraná a leste e o rio Paraguai a oeste, o território era habitado por diversas etnias indígenas que se encontravam em estado de guerra entre elas. Estas etnias pertenciam a três grupos diferentes: os do Pampa, os lágidos e os amazônicos. Ainda não se sabe qual destes grupos chegou primeiro ao território. O que se sabe é que até o século XV os guaranis conseguiram avançar desde o norte, isto graças à sua superioridade numérica e posse de uma cultura material mais desenvolvida, onde praticavam o cultivo da mandioca, milho e amendoim. A prática de uma agricultura de roça permitia que obtivessem excedentes necessários para manter uma população em contínuo crescimento demográfico, e que necessitava de novos territórios.

Os guaranis encontraram na região grupos jês ou lágidos como os guayaki, coletores e caçadores, e também os grupos do Pampa, como os paiaguás. O primeiro contato dos guaranis com os europeus foi com Aleixo Garcia, explorador português que participou em várias expedições à América do Sul com a frota espanhola.

Entre o final de 1524 e começo de 1525, Garcia chegou onde hoje fica Assunção, treze anos antes de sua fundação. O grupo recrutou 2.000 guerreiros guaranis para invadir terras no Chaco paraguaio, enfrentando as tribos locais, consideradas perigosas pelos exploradores. Marchando para o oeste, o grupo de García descobriu as Cataratas do Iguaçu (em guarani, "Águas Grandes") cruzando o Rio Paraná. Na descoberta das Cataratas do Iguaçu, existem versões conflitantes entre os historiadores. Alguns dizem que foi Álvar Núñez Cabeza de Vaca quem descobriu as quedas; outros, Alejo Garcia. As datas, porém, são próximas.

O grupo subiu o rio Pilcomayo, chegando às fronteiras do império inca provavelmente na zona da atual Cochabamba, Bolívia, e travou ali alguns combates com a ajuda dos avá guarani oito anos antes de Francisco Pizarro conquistá-los. Os exploradores pilharam as aldeias que encontraram pelo caminho, antes que o exército de Huayna Capac, então governante inca, reagisse. Quando voltava para o litoral Garcia foi assassinado às margens do rio Paraguai pelos paiaguás, perto da atual cidade de San Pedro del Ycuamandiyú, mas a notícia da pilhagem aos incas chegou aos exploradores espanhóis e atraiu Sebastião Caboto, filho do explorador genovês João Caboto, ao Rio Paraguai, dois anos depois.

A exploração da Bacia do Prata [editar]

Sebastião Caboto estava navegando para o oriente em 1526 quando ouviu falar das façanhas de Garcia. Achando que o Rio de Solís poderia proporcionar uma passagem mais fácil ao Oceano Pacífico para ir ao Peru do que pelo Estreito de Magalhães, acabou explorando o estuário do Prata.

Deixando um grupo na orla nordestina do estuário, Caboto subiu em direção ao norte pelo Rio Paraná por aproximadamente 160 quilômetros, quando fundou um pequeno forte chamado Sancti Spiritu próximo da atual cidade argentina de Rosario. Continuou a exploração rio acima cerca de 800 quilômetros além da confluência com o Rio Paraguai, ainda no Paraná, quando a navegação se tornou complicada devido às fortes corredeiras.

As barreiras naturais [editar]

Caboto, vendo que não era mais possível avançar em direção ao norte, resolveu retornar, não sem antes obter alguns objetos de prata que, segundo os índios do lugar, vinham de bem longe, de uma terra a oeste. O navegador decidiu desistir de sua rota no rio Paraná e entrou no Rio Paraguai. Aproximadamente quarenta quilômetros antes da atual Assunção, Caboto encontrou uma tribo guarani que possuía objetos de prata. Crendo ter encontrado a rota para as riquezas do Peru, nomeou o Rio Paraguai como "Rio da Prata". Hoje, no entanto, o nome só se aplica ao estuário onde está atualmente a cidade de Buenos Aires.

O retorno de Caboto à Espanha [editar]

Em 1530, retornou à Espanha e Carlos V (1519-56) foi informado sobre suas descobertas. O imperador deu permissão a Dom Pedro de Mendoza para montar uma expedição ao estuário do Prata. O imperador também o nomeou governador do Rio da Prata e lhe concedeu o direito de nomear a seu sucessor.

Fundação de Candelária [editar]

Juan de Ayolas era o imediato de Mendoza. Foi enviado rio acima em rota de reconhecimento. Voltou com milho e a informação de que o forte de Caboto, em Sancti Spiritu, tinha sido abandonado. Foi enviado novamente para explorar uma possível rota ao Peru. Acompanhado por Domingo Martínez de Irala, Ayolas navegou outra vez para o norte até chegar a uma pequena baía no rio Paraguai que batizou Candelária, onde hoje fica o Forte Olimpo.

O desaparecimento de Ayolas [editar]

Deixando a Irala como seu lugar-tenente, Ayolas se aventurou no chaco em busca da Serra do Prata, chegando a saquear o Peru. Porém nunca mais retornou. Acredita-se que o tenham assassinado os payagua, índios do Chaco Paraguaio.

Crescimento territorial e populacional da colônia [editar]

Cabildo de Asunción (1537-1811).

Os primeiros europeus, membros da expedição comandada por Juan de Salazar de Espinosa e Gonzalo de Mendoza e destinada a procurar Ayolas, estabeleceram-se na zona refugiados depois do fracasso da primeira fundação da cidade de Buenos Aires no começo do século XVI, e fundaram uma fortificação que seria futuramente a cidade de Asunción (Assunção) no dia 15 de agosto de 1537, dia de Nossa Senhora de Assunção. Espinoza e Mendoza declararam que era um bom lugar de "amparo e conserto da conquista". Continuaram rio acima e se encontraram com Irala, que tinha ordens de esperar a seu chefe Ayolas. Os três homens o procuraram sem resultados positivos. Então, Salazar e Gonzalo de Mendoza desceram o rio de regresso ao recém-fundado Forte de Assunção.

Irala lutara contra os índios kario, donos da terra, capitaneados pelo cacique Avambae, vencendo-os ao pé de um cerro que domina a vista da atual Assunção. Essa formação geográfica foi batizada como Lambaré, nome dado em honra ao cacique vencido. Lambaré, hoje, é uma populosa cidade vizinha à capital paraguaia. Os índios kario se aliaram a seus vencedores contra os índios guerreiros payagua e guaikuru. Como prova de aliança, os kario deram até dez mulheres a cada chefe espanhol.

Depois de 20 anos, a população de Assunção (Asunción) já era aproximadamente 1.500 pessoas, a maioria índios. Os embarques de prata que vinham desde o Peru até a Europa passavam obrigatoriamente por Assunção. Esta se converteu então no núcleo de uma província espanhola que abarcou uma porção tão grande que foi apelidada de a Província Gigante das Índias.

Asunción finalmente converteu-se na sede de uma província colonial espanhola, tornando-se conhecida como "Mãe de Cidades" já que dela partiram as correntes povoadoras de diversas cidades: Ontiveros, a Cidade Real del Guayrá e a primeira Villa Rica del Espíritu Santo na antiga província do Guayrá (no atual estado do Paraná, Brasil), Santiago de Jerez no Itatín (no atual Mato Grosso do Sul), de San Francisco de Mbiazá na costa do Oceano Atlântico (atual estado brasileiro de Santa Catarina), Santa Cruz de la Sierra no Chaco Boreal, bem como as importantes cidades argentinas de Buenos Aires, Corrientes, Santa Fé e Concepción de Buena Esperanza, mais conhecida como Concepción del Bermejo.

Sob o governo de Hernandarias, chegam ao Paraguai os jesuitas para contribuir à tarefa de pacificação dos indígenas, dando assim origem às célebres reduções jesuíticas. Desde 1604 a 1767 os jesuítas realizam com os indígenas guaranis do Paraguai um original governo teocrático. As reduções jesuitas chegaram a constituir um estado praticamente independente, já que tinham autonomia com respeito aos governadores de Assunção. As missões chegaram a abrigar mais de um quarto de milhão de indígenas, onde se lhes ensinava a religião católica, agricultura, artesanato e pequena indústria.

A organização total abarcou 32 reduções. As missões primeiro instalaram-se na região do Guayrá (também chamado La Pinería)-atual estado do Paraná - e depois se estabeleceram entre os rios Tebicuary e o divortium aquarum (divisor de águas) entre a Bacia do Prata e as bacias menores, afluentes diretas do Oceano Atlântico. A língua guarani foi respeitada e fixou-se em forma escrita; nela foram vertidas importantes obras de teologia, impressos na primeira imprensa do Rio da Prata. Paralelamente o assuncenho Ruy Díaz de Guzmán escrevia as primeiras obras de História referentes à região do Cone Sul.

Com respeito à organização das reduções, cada povoado era administrada por um cura Reitor, máxima autoridade; o cura doutrinário, encarregado da instrução religiosa; o cura Dispenseiro, encarregado da administração econômica; e o cura auxiliar ou coadjuntor, que era o elo entre o reitor e a população.

Em 1617, durante o governo de Hernandarias - e contra sua vontade - produziu-se a divisão da Província em duas governadorias: a do Paraguai e a de Buenos Aires. Desta forma o Paraguai perdeu a zona marítima do estuário do rio da Prata, e conservou só Assunção, Ciudad Real e Villa Rica del Guayrá. A perda da "saída por terra" pelo porto de Buenos Aires fez-se sentir bem mais desde que a província espanhola do Paraguai perdeu o estratégico território chamado de Mbiazá ou Yviazá (ou La Vera), que correspondia ao atual estado brasileiro de Santa Catarina, território no qual se achava o estratégico porto, fundado em 1538, de San Francisco de Mbiazá.

Em 1717 a rebelião 'comunera representou o primeiro grito de liberdade de toda América, mas com a derrota na batalha de Tovatí em 1721 foram impostas duras sanções ao departamento que asfixiaram completamente sua economia.

Em 1750, o tratado de limites entre Espanha e Portugal, afetou o Paraguai com as perdas de Guayrá (entre o rio Paraná e o Oceano Atlântico), a grande província do Itatín e a região de Cuyabá (atual Cuiabá, no Mato Grosso) que foram cedidos ao Brasil português a mudança da Colônia do Sacramento, na Banda Oriental do rio da Prata.

No ano de 1750 a corte espanhola e a coroa portuguesa decidiram repartir o território das reduções indígenas. Os jesuítas não aceitaram, e os exércitos espanhol e português empreenderam a chamada Guerra Guaranítica e acabaram com as reduções em 1757.

Em 1767 os jesuítas foram expulsos da Espanha e de seus domínios, por ordem de Carlos III. As reduções passaram a ser dirigidas por grupos seculares e religiosos, mas entraram em um processo de decadência.

O Vice-Reino do Rio da Prata foi criado em 1776 pelo rei Carlos III, integrando em sua jurisdição os atuais territórios da Argentina, e doUruguai, dos atuais estados brasileiros do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Paraguai, a Bolívia e o norte do Chile. A criação do Vice-Reino do Rio da Prata separou o Paraguai do Vice-Reino do Peru. A capital do novo Vice-Reino achava-se na cidade de Buenos Aires. A criação do Vice-Reino obedeceu à necessidade de organizar melhor a administração do extenso território acossado pelo contrabando e pela constante penetração dos portugueses e luso-brasileiros.

Em 1777 a província do Paraguai foi integrada no Vice-Reino do Rio da Prata dentro do qual se manteve até 1811. Em 1782, estabeleceu-se no Vice-Reino o regime das intendências. Assunção era, na província ou Intendência do Paraguai, o único povoado com categoria de cidade. A zona ao sul do rio Tebicuary e ao leste da cordilheira de Caaguazú por sua vez correspondia à Governação das Missões Guaranis (ou Província Subordinada das Missões) constituída com os restos das Missões Jesuíticas que ficaram sob controle espanhol.

Independência [editar]

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À medida que Buenos Aires tornava-se mais poderosa, os líderes paraguaios insurgiam-se contra o declínio da importância de sua província e, embora também contestassem a autoridade espanhola, recusaram-se a aceitar a declaração de independência da Argentina (1810) como extensiva ao Paraguai. Nem mesmo a intervenção de um exército argentino, comandado pelo general Manuel Belgrano, conseguiu efetivar a incorporação da província. Mais tarde, porém, quando o governador espanhol do Paraguai solicitou auxílio português para defender a colônia dos ataques de Buenos Aires, os paraguaios, liderados por Fulgencio Yegros, Pedro Juan Caballero e Vicente Ignácio Iturbide, depuseram o governador Bernardo Velasco e proclamaram a independência do país a 14 de maio de 1811.

Guerra do Paraguai [editar]

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Na desastrosa Guerra da Tripla Aliança (1865-1870), o Paraguai perdeu dois terços da população adulta masculina e muito do seu território.

Guerra do Chaco [editar]

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Estagnou economicamente ao longo do meio-século seguinte. Na Guerra do Chaco de 1932-1935, ganhou à Bolívia grandes áreas, economicamente importantes.

A ditadura militar [editar]

Os 35 anos de ditadura militar de Alfredo Stroessner terminaram em 1989 e, apesar de um aumento marcado nas lutas políticas internas em anos recentes, têm tido lugar desde então eleições presidenciais relativamente livres e regulares.

Fim do domínio colorado [editar]

Nas eleições de 2008, o candidato Fernando Lugo, um ex-bispo católico que obteve vantagem de quase dez pontos percentuais sobre a candidata colorada (Blanca Ovelar), venceu as eleições. Ele representa uma coalizão ampla da qual participam vários partidos e movimentos sociais, misturando liberais, socialistas, organizações de agricultores, sindicatos e entidades estudantis 1

O Partido Colorado domina o cenário político do país desde 1947 e sua posição consolidou-se em 1954, quando o general Alfredo Stroessner deu um golpe de Estado impondo uma brutal ditadura. Esse regime só chegou ao fim em 1989, em um levante comandado por alguns setores da mesma legenda governista.

Estas eleições marcaram o fim do domínio colorado, com o final dos 61 anos de domínio do Partido, marcados nas últimas décadas pela corrupção e por suspeitas de irregularidades na administração.

Referências

  1. Fim do domínio colorado no Paraguai. O Globo Online - Acessado em 20 de abril de 2008.

Ver também [editar]

Ligações externas [editar]

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