Jacques Derrida

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Jacques Derrida
Retrato de Jacques Derrida
Nascimento 15 de julho de 1930
El-Biar, Argélia
Morte 8 de outubro de 2004 (74 anos)
Paris, França
Nacionalidade Franco-argelina
Ocupação Filósofo
Influências
Influenciados
Magnum opus Gramatologia
Escola/tradição Fenomenologia, Pós-estruturalismo, Desconstrução
Principais interesses Filosofia da Linguagem, Teoria da Literatura, Ontologia, Ética
Ideias notáveis Desconstrução, Logocentrismo, Fonocentrismo, Différance, Brisure, Disseminação

Jacques Derrida (El Biar, Argélia, 15 de julho de 1930Paris, 8 de outubro de 2004) foi um filósofo francês, que iniciou durante os anos 1960 a Desconstrução em filosofia. Esta "desconstrução", termo que cunhou, deverá aqui ser compreendido, tecnicamente, por um lado, à luz do que é conhecido como "intuicionismo" e "construcionismo"" no campo da meta-matemática, na esteira da obra de Brouwer e depois Heyting, ao qual Derrida irá adicionar as devidas consequências dos teoremas da indecidibilidade de Kurt Gödel e, por outro, a um aprofundamento critico da obra de Husserl, Heidegger e Levinas na ultrapassagem da metafisica tradicional que ele vai apresentar como sendo uma "metafisica da presença".

Com uma obra imensa, a rondar os 100 títulos, ao qual se junta a edição em curso dos seus Seminários, é o filósofo mais traduzido no mundo, tendo exercido um profundo impacto nas mais diversas áreas das humanidades e ciências humanas, em especial nos campos da estética, teoria da literatura e filosofia do direito, e gerado debates decisivos com os pensadores mais importantes de sua época (Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault, John Searle, Paul Ricoeur, Jürgen Habermas, entre outros).

A sua figura é diversas vezes alvo de ataques polémicos, sobretudo por autores que se reclamam da tradição "analítica", pelas suas opções de escrita filosófica, em geral retomando opiniões expressas por John Searle nos media, aquando da sua polémica durante os anos 80. Refere-se várias vezes também nestas polémicas os nomes de Alan Sokal e Jean Bricmont, embora estes autores nunca o tenham tratado especificamente, tendo-o apenas referindo em entrevistas nos media, como parte do que identificam de forma difusa como "pensamento francês", o que não evitou que diversos jornalistas o tenham associado à polémica.

Depois de ter leccionado na Sorbonne (1960-1964) e na École Normale Supérieure de Paris (1964-1984), J. Derrida foi Director de Estudos da École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris (1984-2003).

Derrida tornou-se desde finais dos anos 60, professor convidado das mais prestigiadas universidades europeias e norte-americanas (Berlim, San Sebastiian, John Hopkins, Yale, Irvine, New School for Social Research, Cardozo Law School, Cornell, New York University, entre muitas outras). Foi-lhe igualmente outorgado o Doutoramento Honoris Causa por diversas universidades como a Universidade de Cambridge, Universidade de Columbia, The New School for Social Research, Universidade de Essex, Universidade de Leuven, Williams College,Universidade de Silesia, Universidade de Coimbra entre mais de uma outra dezena delas. Em 2002 foi nomeado para a Cátedra - Gadamer na Universidade de Heidelberg por designação expressa do próprio filósofo alemão. Foi membro estrangeiro honorário, desde 1985, da American Academy of Arts and Sciences e da Modern Language Association of America, assim como Presidente honorário do Parlement International de Écrivains.

Foi ainda membro fundador do Collége International de Philosophie de Paris, sendo o seu primeiro director eleito.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De origem judaica, mas secular, Derrida nasceu e cresceu na Argélia. Sofreu, durante a época da Segunda Guerra com as consequências das políticas anti-semitas. Entretanto, a descoberta dos livros de Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Nietzsche, André Gide e Albert Camus, durante a adolescência, contribuíram para sua vocação literária e filosófica.

Derrida iniciaria seu curso superior em 1952 (na École Normale Supérieure), época em que descobriu as obras de Edmund Husserl, Soren Kierkegaard e Heidegger. Entre os professores da École, figuravam Michel Foucault e Louis Althusser.

Derrida trabalhou como professor auxiliar na Universidade de Harvard. Casou-se em junho de 1957 com Marguerite Aucouturier, e prestou serviço militar a seguir. Tornou-se professor em 1959, na escola secundária de Le Mans, proferindo também algumas conferências. Completou na Bélgica sua formação com a agrégation (exame francês que permite ao diplomado tornar-se funcionário permanente do ensino público). De 1960 a 1964 ele deu aulas na Sorbonne; no ano de 1964 obteve o prémio Jean-Cavaillè (um prêmio para produção em Epistemologia), por sua tradução de A origem da geometria, de Edmund Husserl.

Em 1965 foi chamado para dar aulas na École Normale Supérieure, ocupando o cargo de diretor de pesquisas, junto com Louis Althusser. Seria professor naquela escola até 1984. Sua participação num colóquio na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore e no ano de 1966, marca o início de uma série de viagens para os Estados Unidos.

Fundou a associação Jan Hus em 1981, destinada a auxiliar intelectuais dissidentes da Tchecoslováquia. Chegou a ser preso em Praga, após um seminário clandestino, e foi libertado graças à intervenção de François Mitterrand.

Desde a saída da École Supérieure e até seu falecimento, Derrida foi diretor da École des Hautes Études en Science Sociales, de Paris. Desde 1986 ele era professor de humanidades na Universidade da Califórnia (câmpus de Irvine), onde era também diretor do arquivo de manuscritos. Em 2001, recebeu o Theodor W. Adorno-Preis, em Frankfurt. Um filme sobre ele, feito por Amy Ziering-Kofman e Kirby Dick com sua participação, foi lançado em 2002.

Derrida morreu em Paris, no dia 8 de outubro de 2004 em decorrência de um câncer no pâncreas.

Esteve no Brasil três vezes: em 1995, na USP e na PUC-SP; e em 2001, no Rio de Janeiro, e em agosto de 2004, em evento organizado na Maison de France, no Rio de Janeiro.

Esteve em Portugal em 2003 na Universidade de Coimbra onde lhe foi outorgado um Doutoramento Honoris Causa, a 16 de Novembro, participando de um colóquio internacional em torno do conceito de soberania política com o título "A Soberania. Critica, Desconstrução. aporias. Em torno do pensamento de Jaques Derrida" e que decorreu de 17 a 19 de Novembro nesta Universidade.

Obra[editar | editar código-fonte]

A Desconstrução[editar | editar código-fonte]

Derrida vai encontrar um reconhecimento precoce no exigente panorama intelectual francês do inicio dos anos 60, vencendo o prestigiado prémio Jean Cavaillés (prémio de epistemologia) pela sua introdução (e tradução) da "Origem da Geometria de Edmund Husserl" (1961), com apenas 31 anos de idade, e onde se pode já perceber as grandes linhas de força que iriam marcar a novidade, profundidade e rigor do seu pensamento.

Esta originalidade leva-lo-á muitas vezes a ter de cunhar os seus próprios conceitos, dos quais se destacará desde logo o neologismo "differance", traduzido por vezes por "diferância", por vezes por"diferência"(dando conta do signo sempre como resultado simultâneo da "diferença" (différence), tal como a compreende Saussure, como do diferir (différer), onde o sentido do termo nos remete sempre para o que veio antes como o que vem a seguir, o eixo paradigmático como o eixo sintagmático, o sincrónico como o diacrónico, lançando-o incontornavelmente numa "semiose infinita" e impossibilitando radicalmente qualquer análise que o pudesse cristalizar numa "presença" a si. Différance joga assim com o fato da palavra francesa différer poder significar tanto "diferir"("postergar" / "adiar", em termos diacrónicos, o que nos remete para uma temporalização, para actividade, para a fala, para o uso, para a génese) quanto "diferenciar" (em termos Saussureanos, onde os termos se determinam reciprocamente na estrutura da Língua, não detendo um significado "em si" mas determinando-se pela relação diferencial que estabelecem com os demais termos, sincronicamente, o que nos remete para um espaçamento, para passividade, para língua, para esquema, para a estrutura).

Entre outros conceitos que se tornaram centrais na sua obra, e aos quais procurará dar um sentido exacto em filosofia, encontram-se o de indecidibilidade, de incalculável, de incondicional, de impossibilidade, da ausência (do emissor como do receptor), da iteratividade (capacidade de ser repetido em diferentes contextos), do rastro (trace), do suplemento, do sup(r)erar ("relevée" como tradução do "aufheben" hegeliano), etc.

Levando aos limites o contraste entre termos bipolares, Derrida é invariavelmente levado à necessidade de criar e reelaborar novos termos capazes de superar toda a relação dialéctica simples que nos permitisse reduzir o pensamento à ordem do calculável. Desta forma, Derrida irá levar a cabo uma exaustiva desconstrução de inúmeras cópulas de opostos subjacentes à metafisica tradicional, onde ele vai encontrar sempre, por baixo da cristalização dos conceitos, não apenas uma indeterminação dos limites de um em relação a um outro, abrindo-se em quiasmos indecidíveis, como também, senão sobretudo, uma subordinação hierarquizante de um ao outro, oposições que se reconhecem nas copulas ontológicas primeiras e suas múltiplas declinações: o inteligível e o sensível, o espontâneo e o receptivo, a autonomia e a heteronomia, o empírico e o transcendental, o imanente e o transcendente, como o interior e o exterior, o fundador e fundado, ou o fonético e a escrita na linguística, a razão e a loucura na psicanálise, o sentido próprio e o sentido figurado na literatura, o masculino e o feminino na teoria dos géneros, o homem e o animal na ecologia, a besta e o soberano no campo politico, a teoria e a prática no próprio pensamento.

Os quiasmos tornam-se assim um movimento maior do pensamento onde nos temos de confrontar com o descontruir das clivagens simples da tradição, percebendo-se a necessidade de se pensar simultaneamente, por exemplo, a receptividade espontânea como a espontaneidade receptiva, a heteronomia autónoma como a autonomia heterónoma, a imanência transcendente como a transcendência imanente, o empírico transcendental como o transcendental empírico (ilustrando-se aqui os pares de opostos que irão servir de motor para as respostas às quatro questões Kantianas: "o que posso fazer?", "o que devo fazer?", "O que posso esperar?" e "O que é um homem?")

Derrida vai assim, à semelhança do trabalho de Gödel no campo da meta-matemática, impor na filosofia a experiência do indecidível enquanto limite de qualquer teoria expressa numa qualquer sintaxe necessariamente incompleta. É este indecidível, que transporta consigo, necessariamente, a exigência ético-politica da decisão, e que excede todo o cálculo que, reduzindo a deliberação a um qualquer processo, tornaria a decisão simples produto, retirando assim toda a verdadeira responsabilidade aos agentes, reduzidos ao mero papel de actores numa operação que os transcende mas que poderia servir, por si, de garantia da sua verdade e justiça.

Livros lançados em português[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Jacques Derrida é autor de mais de 80 trabalhos:

Introduction (et traduction) à L'origine de la géométrie de E. Husserl, PUF, 1962.

Le Problème de la genèse dans la philosophie de Husserl, Paris, coll. «Epiméthée», PUF, 1990. Rééd. 2010.

De la grammatologie, 1967, Les Éditions de Minuit.

La Voix et le phénomène, 1967, Presses universitaires de France.

L'Écriture et la différence, 1967, Seuil.

Marges – de la philosophie, 1972, Les Éditions de Minuit.

Positions, 1972, Les Éditions de Minuit.

La dissémination, 1972, Seuil.

Éperons. Les styles de Nietzsche, 1972, Champs Flammarion.

L'archéologie du frivole, Galilée, 1973.

Glas, 1974, Galilée.

La vérité en peinture, 1978, Champs Flammarion.

La carte postale. De Socrate à Freud et au-delà, 1980, Flammarion.

D'un ton apocalyptique adopté naguère en philosophie, Galilée, 1983.

Otobiographies. L'enseignement de Nietzsche et la politique du nom propre, Galilée, 1984.

Schibboleth : pour Paul Celan, 1986, Galilée.

Parages, Galilée, 1986.

Ulysse gramophone, Galilée, 1987.

Mémoires – Pour Paul de Man, Galilée, 1988.

Signéponge, 1988, Seuil.

Limited Inc., Galilée, 1990.

Heidegger et la question, 1990, Flammarion.

De l'esprit, 1990, Galilée.

Mémoires d'aveugle. L'autoportrait et autres ruines, 1990, Réunion des musées nationaux.

Du droit à la philosophie, 1990, Galilée.

Donner le temps. 1. La fausse monnaie, 1991, Galilée.

Donner la mort, 1992, Galilée.

Points de suspension, Entretiens, Galilée, 1992.

Passions, 1993, Galilée.

Khôra, Galilée, 1993.

Sauf le nom, Galilée, 1993.

Prégnances, Brandes, 1993.

Spectres de Marx, 1993, Galilée.

Force de loi, Galilée, 1994.

Politiques de l'amitié, 1994, Galilée.

Moscou aller-retour, L'Aube, 1995.

Mal d'archive, Galilée, 1995.

Apories, 1996, Galilée.

Résistances – de la psychanalyse, 1996, Galilée.

Le monolinguisme de l'autre, 1996, Galilée.

Echographies – de la télévision, Galilée, 1996.

Adieu à Emmanuel Lévinas, 1997, Galilée.

Cosmopolites de tous les pays, encore un effort, 1997, Galilée.

Le droit à la philosophie du point de vue cosmopolitique, Unesco/Verdier, 1997.

Marx en jeu (avec Marc Guillaume), 1997, Descartes & Cie. 2

De l'hospitalité (avec Anne Dufourmantelle), 1997, Calmann-Lévy.

Demeure, Maurice Blanchot, 1998, Galilée.

Voiles (avec Hélène Cixous), 1998, Galilée.

Le toucher, Jean-Luc Nancy, 1998, Galilée.

Psyché: Inventions de l'autre, 1998, Galilée.

Feu la cendre, 1999, Éditions des femmes.

Sur parole, 1999, Éditions de l'Aube.

États d'âme de la psychanalyse, Galilée, 2000.

Tourner les mots. Au bord d'un film, Galilée/ Arte 2001.

Foi et Savoir, Seuil, 2001.

Papier machine, Galilée, 2001.

L'université sans condition, Galilée, 2001.

Le siècle et le pardon, entretien avec Michel Wieviorka, Seuil, 2001.

Le concept du 11 septembre, dialogues à New York avec Giovanna Borradori, Jacques Derrida et Jürgen Habermas, 2002.

Au-delà des apparences, conversations avec Antoine Spire, Ed. Le Bord De L'eau, 2002.

Artaud le Moma, Galilée, 2002.

Fichus, Galilée, 2002.

H.C. pour la vie, c'est à dire..., Galilée, 2002.

Marx & Sons, Puf/Galilée, 2002.

Chaque fois unique, la fin du monde, Galilée, 2003.

De quoi demain..., entretiens de Jacques Derrida et Élisabeth Roudinesco, 2003.

Voyous, Galilée, 2003.

Béliers, Galilée, 2003.

Genèses, généalogies, genres et le génie, Galilée 2003.

Le concept du 11 septembre. Dialogues à New York avec Jürgen Habermas, Galilée, 2004.

Apprendre à vivre enfin. Entretiens avec Jean Birnbaum, Galilée / Le Monde, 2005. (posthume)

L'animal que donc je suis, Galilée, 2006.

Séminaire : La bête et le souverain, vol. 1 : 2001-2002, Galilée, 2008.

Demeure, Athènes, Galilée, 2009.

Séminaire : La bête et le souverain, vol. 2 : 2003-2004, Galilée, 2010. (

Dois documentários são dedicados a ele:

  • D'ailleurs Derrida, 2000
  • Derrida, 2002

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]