Revolução Bolchevique

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A Revolução Russa de 1917 foi um dos acontecimentos mais importantes da história do século XX. Ela foi o produto de um amplo processo histórico. A Revolução Russa de 1905 foi a primeira grande mobilização operária, quando nasceram os conselhos operários, que reapareceriam em 1917.

A Rússia era então um país de população predominantemente camponesa (cerca de 70% da população total), e que ainda mantinha relações de produção pré-capitalistas na agricultura, ao mesmo tempo em que passava por um processo acelerado de industrialização, concentrada em alguns grandes centros urbanos.

O início[editar | editar código-fonte]

A Rússia sofria sérios problemas ainda, sob uma monarquia absolutista, com uma burguesia incipiente. A entrada do país na guerra enfraquecera mais ainda a economia e o exército, já em dificuldades. A situação agravou-se com a convocação militar obrigatória, que paralisou a agricultura. Nos últimos meses de 1916, o país estava à beira do colapso total. A crise alimentar, o rigoroso racionamento e ainda as derrotas frente aos Impérios Centrais explodiram numa onda de greves e passeatas.

A Revolução de Fevereiro de 1917[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1917, a crise russa chegou ao máximo, quando, esgotados os estoques de alimentos, a população se revoltou. A Duma apenas se limitava a criticar o governo, já que sua composição burguesa não tinha força política para articular o movimento que se agigantava. As greves gerais e passeatas pacíficas juntaram-se à revolta de guarnições militares, que se recusaram a obedecer à ordem de atirar contra os manifestantes.

No dia 27 de fevereiro, a multidão liderada pelos militares amotinados invadiu o Palácio de Inverno de Petrogrado e investiu contra a Duma, mas esta conseguiu se aliar aos revoltosos. Com a abdicação do czar, em 15 de março, formou-se um governo provisório, chefiado pelo Príncipe Lvov, tendo Kerenski como ministro da guerra. O governo provisório instalou uma república burguesa controlada pelo Partido Constitucional Democrata (Kadets), representante dos liberais moderados.

Para responder às reivindicações populares e atrair os líderes dos sovietes, o governo prometia convocar uma Assembléia Constituinte. Diante disso, em abril, o líder bolchevique Lênin voltou à Rússia lançando as Teses de Abril. Nesse programa político, Lênin propunha a formação de uma República de sovietes, a nacionalização dos bancos e a saída imediata da guerra. Os mencheviques, ao contrário, defendiam a industrialização e a permanência na guerra até a vitória. Assim desentendendo-se com os sovietes, a burguesia não foi capaz de se manter no poder nem de evitar a influência cada vez maior dos bolcheviques na revolução.

A Revolução de Outubro de 1917[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1917, Trótski, novo líder do soviete de Petrogrado, organizou a Guarda Vermelha. Com isso os burgueses perderam definitivamente o poder de conduzir a República. Kerenski caiu, após ter criado um governo burguês-socialista: todos queriam a imediata passagem do poder aos sovietes.

Lênin, conseguindo a coordenação de todos os sovietes, estabeleceu as seguintes medidas:

Essas medidas desencadearam uma guerra civil: os contra-revolucionários eram apoiados pela França, Inglaterra e Estados Unidos, que temiam que a revolução se espalhasse pelo mundo. Mas os russos brancos, politicamente desunidos, foram liquidados pelo Exército Vermelho em 1921.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • A Revolução Bolchevique foi o processo derivado da ascensão das lutas operárias e camponesas da chamada "Revolução de Fevereiro", reinstituindo os conselhos operários. Após a Revolução de Fevereiro, instalou-se uma dualidade de poderes - de um lado, o Estado Czarista, representando a classe dominante; de outro, os conselhos operários e de soldados, representando a população trabalhadora. Este processo durou até outubro, quando ocorre a chamada "Revolução Bolchevique", na qual o Partido Bolchevique assume o poder estatal.

O processo de tomada do poder do Estado pelo Partido Bolchevique é interpretado das mais variadas formas. Para alguns, como o revolucionário anarco-marxista Jan Wacław Machajski, atuante naquela época, foi um golpe de Estado e não uma revolução dos trabalhadores. Esta teoria seria defendida por várias tendências políticas de esquerda não-bolchevista e por alguns historiadores. Para outros, os adeptos e seguidores do bolchevismo, a tomada do poder significou a implantação do socialismo na Rússia.

  • Logo após Lênin assumir o poder, os inimigos dos bolcheviques foram prontamente eliminados, a começar pela família imperial, os Romanov. Nicolau II ficou aprisionado em Ekaterinburgo até julho de 1918, quando foi executado com toda a sua família. Neste período ocorreu um intenso processo de burocratização, com esvaziamento dos "sovietes" e conselhos operários, intensa repressão, inclusive a marinheiros, camponeses, trabalhadores ligados a outras tendências de esquerda (anarquistas, socialistas revolucionários), assim como a dissidentes dentro do Partido Bolchevique.

De 1924 a 1926, o poder do Partido e do país estava nas mãos da tróika formada por Stalin, Lev Kamenev e Gregory Zinoviev, criada por ocasião da doença de Lênin. A segunda tróika, vigente do final de 1926 até o fim de 1928, era composta por Stalin, Nikolai Ivanovitch Bukarin e Alexei Rykov. Zinovyev e Kamenev, foram executados em 1936. Burkarin e Rykov, foram executados em 1938. Karl Radek, integrante do Comintern, faleceu na prisão.

  • Stálin assumiu o comando do país com poderes ditatoriais. Expulsou do partido e do exército todos os seus possíveis inimigos ou rivais. Milhões foram presos, executados ou deportados para campos de trabalho na Sibéria. Estima-se que mais de 6 milhões de pessoas foram mortas. Os números são eloquentes: o censo de 1937 revelou que a população havia caído em oito milhões de pessoas, por causa da coletivização forçada no campo, da repressão política e das execuções. Entre 1937 e 1938, foram presos cerca de um milhão e meio de “inimigos do povo”. Oficialmente foram realizadas 681.692 execuções - uma média de quase mil por dia.

A stalinização do Exército Vermelho prendeu e eliminou três marechais, 14 comandantes-de-exército, 8 almirantes, 60 comandantes-de-corpos-de-exército, 136 comandantes-de-divisão, 221 comandantes-de-brigada, 11 vice-comissários de defesa, 75 membros do soviete militar e mais 528 outros altos oficiais e funcionários do setor militar. Cientistas e intelectuais também foram atingidos pelo expurgo. Andrei Nikolaevitch Tupolev, projetista do avião que leva seu nome e do primeiro túnel aerodinâmico russo, e Sergei Korolev, que em 1933 construiu o primeiro foguete experimental soviético movido a combustível líquido, foram presos e enviadas para a Sibéria. Também foram presos (e muitos deportados para prisões siberianas ou executados) quase todos os astrônomos do Observatório de Pulkovo, os estatísticos que tabularam o recenseamento de 1937, centenas de linguistas e de biólogos, que refutaram a linguística e a biologia “oficial”, e cerca de 2 mil membros da União dos Escritores.

Entre as vítimas mais famosas estão os escritores Isaac Babel (fuzilado em 1940), Boris Pilniak (fuzilado em 1938) e Iuri Olecha, Panteleimon Romanov, os poetas Nikolai Kliuev (provavelmente morreu em um campo de prisioneiros, em 1937), Nikolai Zabolotsky (preso durante oito anos), o polonês Ossip Mandelstam (morto na Sibéria, em 1938), o armênio Gurgen Maari, os georgianos Paolo Iashvili, Mikheil Javakhishvili e Titsian Tabidze (os dois últimos mortos em 1937) e o compositor Dmitri Shostakovich (jogado no limbo do ostracismo).

  • Porém a vítima mais conhecida do stalinismo foi Leon Trotski, o fundador do Exército Vermelho. Em 1927, foi expulso do partido e do país. Em 1940, estava exilado no México, quando foi assassinado, a mando de Stalin.

Os crimes de Stalin foram denunciados por Nikita Khrutchev, durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1953, quando Khrutchev assumiu o cargo de secretário-geral do partido. Tempos depois, já como primeiro-ministro do país, ao participar de uma conferência com membros do Partido Comunista, pediu que lhe fizessem as perguntas por escrito. Uma das indagações, feita por um dos integrantes da platéia, pedia que ele explicasse por que não denunciara Stalin pelo terror contra os burgueses,[1] quando o líder ainda estava vivo. Vermelho de raiva, o então chefe do governo soviético gritou: “Quem fez está pergunta?”. Ninguém respondeu. Já calmo, ele prossegue: “Pela mesma razão que você não se apresenta agora; simplesmente por medo”. Calcula-se que, de 1917 a 1953, ano da morte de Stalin, os expurgos, a fome, as deportações em massa, o trabalho forçado no Gulag e os fuzilamentos mataram algo em torno de 20 milhões de pessoas na antiga URSS.

Referências


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