Eleições estaduais no Piauí em 1994

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1990 Brasil 1998
Eleições estaduais no  Piauí em 1994
3 de outubro de 1994
(Primeiro turno)
15 de novembro de 1994
(Segundo turno)
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Candidato Mão Santa Átila Lira
Partido PMDB PFL
Natural de Parnaíba, PI Piripiri, PI
Vice Osmar Araújo Marcelo Coelho
Votos 615.945 487.635
Porcentagem 55,81% 44,19%


Brasão do Piauí.svg
Governador do Piauí

Eleito
Mão Santa
PMDB

As eleições estaduais no Piauí em 1994 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais em 26 estados e no Distrito Federal[1] e nela foram eleitos o governador Mão Santa, o vice-governador Osmar Araújo, os senadores Hugo Napoleão e Freitas Neto, 10 deputados federais e 30 estaduais.[2] Como nenhum candidato a governador obteve maioria dos votos válidos, houve segundo turno em 15 de novembro entre Mão Santa e Átila Lira, ambos egressos da ARENA e do PDS e aliados na eleição de 1990 e nele Mão Santa venceu a despeito de iniciar a campanha com o apoio de apenas três dos cento e quarenta e oito prefeitos do estado.[3] Além deles também disputaram o Palácio de Karnak os médicos Nazareno Fonteles e Marciano Silveira.

Natural de Parnaíba (PI), o governador Mão Santa é médico formado pela Universidade Federal do Ceará em 1966 e especialista em coloproctologia e ganhou esse apelido em razão de suas atividades profissionais. Inicialmente membro do MDB migrou para a ARENA elegendo-se deputado estadual em 1978 e após perder as eleições para prefeito em sua cidade natal em 1976 e 1982 foi eleito suplente de deputado federal pelo PDS em 1986 renunciando a esta condição ao ser eleito prefeito de Parnaíba em 1988.[2] Segundo a Constituição e a Lei nº 8.713[4] o seu mandato começaria em 1º de janeiro de 1995 e seria de quatro anos originalmente sem direito a reeleição.[nota 1]

O adversário de Mão Santa foi o economista e administrador de empresas Átila Lira. Nascido em Piripiri e formado na Universidade Federal de Minas Gerais com pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas,[5] foi do MDB e da ARENA. Egresso do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e da Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), foi secretário do Trabalho e Ação Social nos governos Dirceu Arcoverde e Djalma Veloso e presidiu o Instituto de Assistência Médica e Hospitalar e a Fundação Estadual do Trabalho no governo Lucídio Portela. Secretário de Educação e presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Educação do Estado do Piauí (FADEP), atual Universidade Estadual do Piauí, no governo Hugo Napoleão, trocou o PDS pelo PFL e embora tenha perdido as eleições para prefeito de Teresina em 1985 e 1988, conquistou um mandato de deputado federal em 1986 e 1990 retornando à Secretaria de Educação no governo Freitas Neto.

No pleito para senador havia duas vagas em disputa o resultado apontou as vitórias de Hugo Napoleão e Freitas Neto sendo que foi a primeira vez desde 1970 que um mesmo partido elegeu dois senadores por voto direto[nota 2] enquanto Lucídio Portela tinha metade do mandato a cumprir.[6]

Primeiro político a romper a barreira do meio milhão de votos na história do Piauí, o senador reeleito Hugo Napoleão nasceu em Portland (EUA) onde o pai diplomata servia ao governo brasileiro. Advogado formado em 1967 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro estagiou na procuradoria-geral de Justiça da Guanabara, foi assessor jurídico do Banco Denasa de Investimentos e membro do escritório de Victor Nunes Leal. Eleito deputado federal pela ARENA em 1974 e 1978, migrou para o PDS com a reforma partidária elegendo-se governador do Piauí em 1982 migrando para o PFL no curso do mandato em apoio à candidatura presidencial de Tancredo Neves. Eleito senador em 1986 foi ministro da Educação, ministro interino da Cultura no Governo Sarney, presidente nacional do PFL e ministro das Comunicações no Governo Itamar Franco durante o mandato.[7][8]

O outro senador eleito foi Freitas Neto, economista formado pela Universidade Mackenzie de São Paulo. Nascido em Teresina integrou o extinto Fomento Industrial do Piauí (FOMINPI) e foi diretor comercial das Águas e Esgotos do Piauí S/A (AGESPISA) no primeiro governo Alberto Silva. Eleito deputado estadual pela ARENA em 1974 e 1978 chegou a presidente da casa (1977-1979) da qual se afastou para ocupar a Secretaria de Governo na gestão Lucídio Portela. Pelo PDS foi eleito deputado federal em 1982, mas licenciou-se para ocupar a prefeitura de Teresina durante o primeiro governo Hugo Napoleão, a quem seguiu no ingresso ao PFL.[9] Derrotado por Alberto Silva ao disputar o Palácio de Karnak em 1986, foi presidente da Telecomunicações do Piauí S/A (TELEPISA) por decisão do ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães e a seguir foi eleito presidente do diretório estadual do PFL e em 1990 foi eleito governador do Piauí.

Embora Mão Santa tenha vencido a eleição para governador sua coligação elegeu apenas dois deputados federais e seis estaduais enquanto os situacionistas liderados pelo PFL elegeram dois senadores, oito deputados federais e vinte e dois estaduais ao passo que o PT conquistou duas vagas na Assembleia Legislativa. Dentre os trinta eleitos para ocupar um assento no Palácio Petrônio Portela (sede do legislativo estadual) estavam Wellington Dias e Wilson Martins, futuros governadores do Piauí.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Primeiro turno[editar | editar código-fonte]

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral 1.268.153 eleitores compareceram às urnas com 327.818 (25,85%) votos em branco e 95.544 votos nulos (7,53%) com os 844.791 votos nominais assim distribuídos:[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Átila Lira
PFL
Marcelo Coelho
PPR
251
Vontade do Povo
(PFL, PPR, PP, PL, PTB)
378.947
44,86%
Mão Santa
PMDB
Osmar Araújo
PSDB
151
Resistência Popular
(PMDB, PSDB, PCdoB, PDT, PPS, PMN)
316.200
37,43%
Nazareno Fonteles
PT
Francisco de Assis Negreiros
PSB
131
Frente Popular do Piauí
(PT, PSB)
128.054
15,16%
Marciano Silveira
PRN
Aníbal Magalhães Feitosa
PRN
361
PRN (sem coligação)
21.590
2,55%
  Segundo Turno

Segundo turno[editar | editar código-fonte]

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral 1.182.923 eleitores compareceram às urnas com 15.112 (1,28%) votos em branco e 64.231 votos nulos (5,43%) com os 1.103.580 votos nominais assim distribuídos:[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Mão Santa
PMDB
Osmar Araújo
PSDB
151
Resistência Popular
(PMDB, PSDB, PCdoB, PDT, PPS, PMN)
615.945
55,81%
Átila Lira
PFL
Marcelo Coelho
PPR
251
Vontade do Povo
(PFL, PPR, PP, PL, PTB)
487.635
44,19%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, houve 1.609.711 votos nominais (63,47%), 691.604 votos em branco (27,27%) e 234.991 votos nulos (9,26%) resultando num total de 2.536.306 votos apurados, o dobro do aferido para governador por se tratarem de duas cadeiras senatoriais em disputa.[1][nota 3]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Hugo Napoleão
PFL
Benício Sampaio
PPR
253
Vontade do Povo
(PFL, PPR, PP, PL, PTB)
500.336
31,08%
Freitas Neto
PFL
Eloi Portela
PPR
252
Vontade do Povo
(PFL, PPR, PP, PL, PTB)
435.655
27,06%
Chagas Rodrigues
PSDB
Não disponível
-
452
Resistência Popular
(PMDB, PSDB, PCdoB, PDT, PPS, PMN)
277.870
17,26%
Celso Barros
PMDB
Não disponível
-
152
Resistência Popular
(PMDB, PSDB, PCdoB, PDT, PPS, PMN)
203.132
12,62%
Antônio Pereira
PT
Não disponível
-
133
Frente Popular do Piauí
(PT, PSB)
96.390
5,99%
Gerardo Dantas
PT
Não disponível
-
132
Frente Popular do Piauí
(PT, PSB)
96.328
5,99%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[10] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[11]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Ari Magalhães PPR 76.198 9,64% Oeiras  Piauí
Benedito Sá PP 74.983 9,49% Oeiras  Piauí
Júlio César PFL 68.426 8,66% Guadalupe  Piauí
Alberto Silva PMDB 65.061 8,23% Parnaíba  Piauí
Heráclito Fortes PFL 60.975 7,71% Teresina  Piauí
Mussa Demes PFL 56.240 7,12% Floriano  Piauí
Felipe Mendes PPR 54.260 6,87% Simplício Mendes  Piauí
Paes Landim PFL 52.570 6,65% São João do Piauí  Piauí
Ciro Nogueira PFL 46.938 5,94% Teresina  Piauí
João Henrique PMDB 34.469 4,36% Teresina  Piauí

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Foram eleitos trinta deputados estaduais.[nota 4][nota 5]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Robert Freitas PFL 27.566 3,09% José de Freitas  Piauí
José Néri[nota 6] PPR 26.045 2,92% Ipaumirim  Ceará
Matias Melo PPR 24.673 2,77% Parnaíba  Piauí
Leal Júnior PFL 23.669 2,65% Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Ismar Marques PFL 23.276 2,61% Luzilândia  Piauí
Fernando Monteiro PFL 23.242 2,61% Teresina  Piauí
Francisco Martins PFL 22.503 2,52% Bertolínia  Piauí
Moraes Souza PFL 22.413 2,51% Parnaíba  Piauí
Adolfo Nunes PPR 21.216 2,38% Teresina  Piauí
Wilson Brandão PFL 21.011 2,36% Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Pompílio Evaristo PTB 20.452 2,29% São Miguel do Tapuio  Piauí
Juraci Leite PFL 19.946 2,24% Pedro II  Piauí
Ferreira Neto PFL 19.884 2,23% São Raimundo Nonato  Piauí
Luiz Menezes[nota 6] PPR 18.782 2,11% Piripiri  Piauí
César Melo PFL 18.088 2,03% Campo Maior  Piauí
Eurimar Nunes[nota 6] PPR 17.893 2,01% Canto do Buriti  Piauí
Xavier Neto PL 17.498 1,96% Amarante  Piauí
Paes Landim PFL 17.256 1,93% São João do Piauí  Piauí
Kennedy Barros PFL 16.936 1,90% Picos  Piauí
Chico Filho PMDB 16.575 1,86% Floriano  Piauí
Wilson Martins PSDB 14.513 1,63% Santa Cruz do Piauí  Piauí
Tadeu Maia PPR 14.429 1,62% Itainópolis  Piauí
Bona Medeiros PFL 14.328 1,61% União  Piauí
Humberto Silveira PFL 13.973 1,57% Jaicós  Piauí
Warton Santos PMDB 13.868 1,55% Picos  Piauí
Bona Carboreto PMDB 13.751 1,54% Campo Maior  Piauí
Kleber Eulálio PMDB 13.610 1,53% Teresina  Piauí
Manin Rego PMDB 13.522 1,52% Barras  Piauí
Wellington Dias PT 13.140 1,47% Oeiras  Piauí
Olavo Rebelo PT 5.507 0,62% Esperantina  Piauí

Notas

  1. Cenário alterado pela promulgação da Emenda Constitucional nº 16 de 4 de junho de 1997 que assegurou este direito ao presidente da República, aos governadores e aos prefeitos que se achassem no exercício do mandato.
  2. A rigor a ARENA conquistou as duas vagas no ano de 1978, mas cabe lembrar que Dirceu Arcoverde foi eleito por voto direto e Helvídio Nunes pelo voto indireto.
  3. Existe uma relação de suplentes de senador no caso das eleições de 1994 no Piauí, mas ainda não foi possível designar por completo a correta apresentação das chapas.
  4. O governador Mão Santa nomeou Manin Rego, Warton Santos e Kleber Eulálio para a sua equipe e assim foram convocados os suplentes Themístocles Filho, Paulo Eudes e Carlos Augusto. Decidido a manter este último no parlamento, nomeou Themístocles Filho, Bona Carboreto, Manin Rego e Chico Filho para secretarias de estado ao longo do governo.
  5. Para garantir a convocação do suplente Pedro Borges, eleito pela coligação adversária, nomeou José Isaías da Silva e depois Moraes Souza para secretarias de estado.
  6. a b c Por ocasião das eleições municipais de 1996, José Néri, Luiz Menezes e Eurimar Nunes foram eleitos prefeitos em Picos, Piripiri e Canto do Buriti, respectivamente. Em Floriano foi eleito o suplente de deputado José Leão, daí foram efetivados Homero Castelo Branco, Moisés Reis e José Isaías da Silva, os três do PFL.

Referências

  1. a b c d «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 1 de fevereiro de 2017 
  2. a b «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí». Consultado em 4 de outubro de 2013 
  3. Governador defende a divisão do estado (online). Folha de S. Paulo, 17/11/1994. Página visitada em 4 de outubro de 2013.
  4. «BRASIL. Presidência da República Lei 8.713 de 30/09/1993». Consultado em 1 de maio de 2012 
  5. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Átila Lira». Consultado em 4 de outubro de 2013 
  6. «Página oficial do Senado Federal do Brasil». Consultado em 4 de outubro de 2013 
  7. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Hugo Napoleão». Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  8. «Senado Federal do Brasil: senador Hugo Napoleão». Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  9. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Freitas Neto». Consultado em 4 de outubro de 2013 
  10. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 17 de dezembro de 2016 
  11. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 17 de dezembro de 2016 
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