Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

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Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Orientação Luterana
Origem 1824
Sede Porto Alegre, RS
Localização  Brasil
Número de membros 717,127 (2015)
Países em que atua  Brasil
O maior templo da IECLB, em Timbó
Igreja da IECLB em Carambeí
Igreja da IECLB em Bonfim, Santa Maria / RS.
Igreja da IECLB em Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
Igreja da IECLB em Fortaleza, capital do Ceará.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) é uma denominação protestante de base teológica luterana, fazendo parte da Federação Luterana Mundial. O Pastor Presidente da IECLB é Nestor Paulo Friedrich[1]. Sua sede localiza-se em Porto Alegre, RS.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A IECLB é originária principalmente da imigração de alemães protestantes luteranos, com formações das congregações suíça em maio de 1824 em Nova Friburgo, RJ; e de alemães em São Leopoldo, RS, em julho de 1824; Blumenau, SC, em 1854; na cidade do Rio de Janeiro 1827; em Domingos Martins, ES, em 1846; Teófilo Otoni - MG em 1862; Limeira - SP em 1873 e Ponta Grossa, PR, em 1877.

Estas comunidades começaram a organizar-se com apoio da Igreja Territorial da Alemanha. Em 1886, fundou-se o Sínodo Rio-Grandense da Igreja Evangélica Alemã, sob a liderança do Pastor Wilhelm Rotermund. Em 1968, esse Sínodo, com o Sínodo Protestante Luterano de Santa Catarina, Paraná e outros Estados da América do Sul (1905), a Associação de Comunidades Protestantes de Santa Catarina e Paraná (1911) e o Sínodo Evangélico do Brasil Central, formaram a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). A Migração de sulistas e capixabas luteranos a partir de 1970 por outras áreas do Brasil, notavelmente em Rondônia fez surgirem novas comunidades.

Em 2004 a IECLB contava com 713.502 membros, distribuídos em 18 Sínodos, 413 paróquias, 1.770 comunidades, 1.162 Pontos de Pregação, 46 Escolas, 13 Ancionatos, 20 Hospitais e 12 Casas de Retiro, 577 pastores e pastoras, 34 diaconisas, 98 obreiros e obreiras diaconais e 135 catequistas. Possui organizações étnicas, como a Comunidade Escandinava, Comunidade Húngara, uma Congregação Japonesa e o Grupo de Negros da Escola Superior de Teologia. A IECLB é forte atuante na área diaconal, atividades ecumênicas e missões evangelísticas.

Organização[editar | editar código-fonte]

Segundo a Constituição da IECLB [2] a igreja organiza-se em comunidades, paróquias e sínodos. Em comum, são dirigidos pelo Concílio da Igreja, o Conselho da Igreja e a Presidência. Atualmente, a IECLB divide-se administrativamente em sínodos:

Sínodo da Amazônia [2]
Sínodo Brasil Central [3]
Sínodo Centro-Campanha-Sul [4]
Sínodo Centro-Sul Catarinense [5]
Sínodo Espírito Santo a Belém [6]
Sínodo Mato Grosso [7]
Sínodo Nordeste Gaúcho [8]
Sínodo Noroeste Riograndense [9]
Sínodo Norte Catarinense [10]
Sínodo Paranapanema [11]
Sínodo Planalto Rio-grandense [12]
Sínodo Rio dos Sinos [13]
Sínodo Rio Paraná [14]
Sínodo Sudeste [15]
Sínodo Sul-Rio-Grandense [16]
Sínodo Uruguai [17]
Sínodo Vale do Itajaí [18]
Sínodo Vale do Taquari [19]

Doutrina[editar | editar código-fonte]

A IECLB tem por doutrina a base feita pelo reformador Martinho Lutero. Lutero pregava que a salvação vinha pela graça e pela fé, contrariando à ideia das boas obras como salvadoras. A igreja também utiliza os outros livros lançados por Lutero como uma base para o ensino de sua doutrina. O Catecismo Menor é ensinado a pessoas com um básico aprofundamento das principais teologias da Igreja. Um livro semelhante, porém maior e com aprofundamento mais detalhado é conhecido como Catecismo Maior, que é ensinado aos adultos. Além destes documentos, a IECLB também aceita como parte de seu ensino a Confissão de Augsburgo e o Livro de Concórdia. A IECLB utiliza dois sacramentos, o Batismo e a Santa Ceia. São três os credos ecumênicos presentes na IECLB: o Credo Apostólico, o Credo Niceno e o Credo Atanasiano. Em 1580, a Igreja Luterana incorporou os três credos em suas confissões, reunidas no Livro de Concórdia.

Missão Zero[editar | editar código-fonte]

A IECLB possui uma organização missionária chamada Missão Zero, dentro do Movimento Encontrão o qual organiza, desde 2001, projetos missionários no Meio-Norte e no Sertão Nordestino, cujo objetivo, além de alcançar as pessoas daquela região para Cristo, almeja fundar comunidades luteranas.

A Missão Zero teve seus primeiros projetos na década de 90 no oeste de São Paulo e leste do Mato Grosso do Sul. Seu primeiro projeto em 1989 em Três Lagoas/MS, tendo sequencia nas cidades de Araçatuba, Andradina, Birigui, Castilho, Santa Fé do Sul e São José do Rio Preto, todas no oeste do estado de São Paulo, embora nem todos os projetos tenham prevalecido. Em 2007 também foi criado um projeto em Butiá/RS.

Assim, a Missão Zero com foco na missão urbana, também pretende alcançar cidades e bairros de outras regiões do Brasil e do Mundo.

Juventude da IECLB[editar | editar código-fonte]

A IECLB organiza seu trabalho com jovens através da formação de grupos cujos objetivos são o aprofundamento bíblico-teológico, a comunhão cristã e vivência da fé. Os e as participantes dos grupos da Juventude Evangélica, além de um espaço para a reflexão bíblica, buscam também interagir socialmente.

Os grupos em seus encontros refletem sobre a Bíblia e a vivência cotidiana, fazem brincadeiras, praticam esportes, interagem com a sua comunidade e com a sociedade por meio de atividades sociais. Em 2004 havia mais de 700 grupos de jovens, sendo que o número de membros jovens da IECLB (14-25 anos) era de 122 mil.[3] Os 18 sínodos da IECLB e outras entidades paraeclesiásticas (Movimentos internos da IECLB e ONGs principalmente) desenvolvem atividades para os grupos,como acampamentos, congressos, encontrões, retiros, olimpíadas, eventos culturais e musicais.

A Juventude Evangélica da IECLB se organiza com um Conselho Nacional da Juventude Evangélica(CONAJE), Coordenações Sinodais (COSIJE) e grupos de comunidades e paróquias. A cada dois anos acontece o Congresso Nacional na JE (CONGRENAJE), sendo o último, em Timbó/SC, em julho de 2016, reuniu 1.600 pessoas.

Há mais de uma década, o CONAJE tem promovido intercâmbios internacionais, tendo como parceiras as igreja luteranas da Baviera (Alemanha), ELCA (Estados Unidos), Noruega, Suécia, Austrália e IERP (ConeSul).

Foram presidentes do CONAJE: Claudio Becker, Patrícia Ferreira, Alexander Stahlhoefer, Aline Pacheco (Tapes/RS), Viviane Kussler (Entre-Ijuis/RS), Sheila Potin (Santa Maria de Jetibá/ES), Katilene Willms(Blumenau/SC), Rodolfo Fuchs (Porto Alegre/RS) e como atual coordenadora (2016/2018), Martina Wrasse Scherer (Candelária/RS).

Movimentos[editar | editar código-fonte]

Na IECLB, encontram-se ativos vários movimentos, com diversas ênfases de trabalho:

A Missão Evangélica União Cristã (MEUC) é uma entidade missionária evangélica que se reconhece na tradição da reforma e do pietismo, inserida no contexto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com atividades realizadas em diversas cidades do Brasil.

O trabalho da MEUC é desenvolvido por meio de diversas comunidades cristãs, departamentos com foco específico, através de trabalhos sócio-missionários, e do ensino e formação teológica.

História da MEUC:

  • 1926

Sra. Johanna Michel envia carta a Alemanha solicitando um missionário ao Brasil.

  • 1927

Chega ao Brasil 1º missionário alemão Alfred Pfeiffer em São Bento do Sul - SC.

  • 1929

Pfeiffer fixa residência em Blumenau O trabalho é focado em Evangelizações e formação de grupos de Estudo Bíblico. Cidades atendidas: Blumenau, Rio do Sul, Timbó, Ibirama, Jaraguá do Sul, Joinville entre outras.

  • 1931

Chega ao Brasil o 2º missionário alemão Friedrich Jakob Dietz. Dietz se instala em Blumenau e Pfeiffer volta a São Bento do Sul.

  • 1936

Fundação legal da Missão Evangélica União Cristã (MEUC) – originalmente MarkusVerein.

  • 1937

Construída a 1ª sede da MEUC em Blumenau - SC.

  • 1938

Chega ao Brasil o 3º missionário alemão Willy Steenbock.

  • 1950

Joinville - SC.

  • 1957

Rio do Sul - SC.

  • 1958

Ijuí - RS. Dietz inicia trabalho no Rio Grande do Sul.

Por quase 30 anos a MEUC contou apenas com os 3 missionários pioneiros alemães.

Instalados os primeiros missionários brasileiros – João Brückeimer e Sigfried Müller.

  • 1960

Fundada a Escola Bíblica em São Bento do Sul – 5 alunos.

  • 1961

Fundado o Lar Filadélfia.

  • 1969

Ibirama - SC.

  • 1973

1º Retiro de Crianças da MEUC.

  • 1979

Maripá - PR. R. Voigt inicia trabalho no Paraná.

  • 1980

1º Congresso de Jovens da MEUC, em São Bento do Sul - SC.

Palmitos - SC.

1ª Edição do "Caminho e Testemunho".

  • 1984

Paraguai (Casilla Dos) / 1992 - UNEPA - Paraguai.

  • 1985

Bom Amigo (Blumenau - SC).

  • 1988

Escola Bíblica passa a ser CETEOL - Centro de Ensino Teológico.

  • 1989

Fundação CERENE – Centro de Recuperação Nova Esperança. Tratamento de dependentes químicos (alcoolismo e drogadição).

1º Missionário da MEUC no Paraguai.

  • 1990 Devocionário "Surpresas para Hoje".
  • 1993 Marechal Candido Rondon - PR.

MEAME - Ijuí - RS.

  • 1994

IECLB reconhece curso de Bacharelado em Teologia do CETEOL para ordenação de pastores.

  • 1995

Cascavel - PR.

  • 1997

1º Banda e Louvor.

  • 1998

Ecos da Esperança.

Projetos Casa Lar.

Joinville - SC

  • 1999

1ª edição do Congresso de Famílias.

Reconhecimento do curso de teologia como graduação pelo MEC (Ministério de Educação e Cultura).

  • 2000

CETEOL se torna FLT – Faculdade Luterana de Teologia, com credenciamento de Instituição de Ensino Superior.

  • 2002

PEAL Timbó (Projeto Espaço Alternativo).

  • 2006

Concórdia - SC.

  • 2009

São Gabriel do Oeste - MS.

  • 2014

Sidrolândia - MS.

Fundação da Associação dos Programas Educacionais e Assistenciais – PEAL. [4]

  • Movimento Encontrão - O Encontrão é movimento de renovação e despertamento espiritual que afirma e se firma na Palavra de Deus. Com raízes na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e vinculação inquestionável, tem a vontade de renovação canalizada pela evangelização, discipulado e capacitação. A partir de 1955 começaram a chegar ao Paraná e Rio Grande do Sul vários pastores pietistas e missionários luteranos do evangelicalismo dos Estados Unidos e Canadá. Em 1965 chegou em Novo Hamburgo, RS, o missionário estadunidense John Aamot, pregando que Deus é um Senhor amoroso que habita em nosso corações (não na estrutura física da igreja) e que quer se relacionar conosco todos os dias (não apenas no domingo). Muitos jovens luteranos foram impactados com sua mensagem e decidiram formar um movimento que aplicasse o modelo bíblico de igreja, ou seja, um movimento que aplicasse a lei do amor, a comunhão e a evangelização de todas as pessoas. Assim nasceu o Movimento Encontrão dentro da IECLB. [5].

Na década de 1960-70 o Brasil recebeu inúmeros impulsos de avivamento e graças a Deus o vento do Espírito Santo também soprou sobre a IECLB. Entre as diversas formas do agir de Deus, alguns evangelistas foram os instrumentos para um trabalho de evangelização que mais tarde resultou no Movimento Encontrão.

A partir do ano de 1965 chegaram missionários norte-americanos que falavam de um Deus que está perto, próximo de nós. A proposta de evangelizar, discipular e capacitar fez com que o trabalho transcendesse os limites da membresia tradicional e formal da comunidade luterana e, assim, também da germanidade. O despertamento nas comunidades passou a agregar leigos, pastores e estudantes de teologia também de outras origens a este movimento que se reunia informal e espontaneamente.

Logo se viu a importância de juntar as pessoas das mais diversas localidades e comunidades para celebrarem os feitos de Deus em suas vidas e juntos buscar por novas estratégias a fim de que isto se espalhasse com maior força por todos os rincões do nosso país. Grandes encontros reuniam estas pessoas e nascia assim o Movimento Encontrão, informal, horizontal, transparente, estando a serviço da ação de Deus na prática da evangelização, na vivência do discipulado e no objetivo da edificação da Igreja.

Os Encontrões foram multiplicando-se e em 1985 aconteceu o primeiro Encontrão Nacional, que passou a se repetir a cada quatro anos.

No final da década 1980, insatisfeitos com os rumos da educação teológica convencional na IECLB, resolveu-se investir em um centro de formação. Assim, no início dos anos 90 foi fundado o CPM (Centro de Pastoral e Missão) em Curitiba-PR que hoje é Centro de Pastoreio e Missão, nome da casa do Movimento Encontrão. Ela abriga a FATEV (Faculdade de Teologia Evangélica em Curitiba), a secretaria da Missão Zero e os Ministérios. O CPM é um braço de um movimento que acontece em cada comunidade envolvida e através de cada pessoa que se identifica com esse chamado. [6]

  • Pastoral Popular Luterana - PPL - Uma pastoral é essencialmente testemunho e ação. Tem suas raízes na mensagem bíblica. Esse testemunho e ação motivada pela mensagem bíblica ganha enorme relevância na atualidade por seu conteúdo e propostas de mudança da realidade. A ação pastoral é um agir evangélico no meio popular.

A pastoral popular tem sua origem na luta de libertação na América Latina, onde o povo reconhece a atuação de Deus na história pela prática da justiça. Esta sua origem também define o seu público e tarefa específica que o cuidado para com aqueles/as que se encontram em situação de fragilidade devido a desigualdade social e de todas as demais consequências de tal desigualdade. A pastoral popular eficiente é aquela que,conforme Jesus fez, consegue ler e interpretar a sociedade do seu tempo, a fim de detectar os problemas que fazem com que o povo sofra. E, a partir de então, sejam denunciados, tendo em seu horizonte a mudança, a realização da justiça.

Assim nasceu a Pastoral Popular Luterana (PPL), formada a partir da atuação de membros, lideranças e ministros/as vinculados à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). A Pastoral Popular Luterana não possui uma data certa para seu surgimento. Ela aparece num momento histórico compreendido entre o final da década de 1970 e início da década de 1980, em algumas comunidades do sul do Brasil, espalhando-se depois por vários estados do sul até o Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia, Pará. Seus participantes inicialmente eram somente pastores, pastoras, mas logo de início, em torno de 1984, ela contou com a participação de leigos engajados em lutas sociais.Conforme consta em ata do seminário da Pastoral Popular Luterana ocorrida em Palmitos no ano de 1990, a sigla PPL teve origem numa reunião ocorrida em Esteio/RS, sendo seu principal objetivo “motivar as pessoas para um trabalho popular”.

Também consta nesta ata que uma das importantes características da PPL é ser ecumênica e somar forças nas ações concretas com grupos e movimentos sociais organizados.

A PPL aparece nos momentos finais de uma violenta etapa da história brasileira, em que o país viveu sob a ditadura militar (1964 a 1985), gerando repressão, opressão, violência e desigualdade. Por isto é extremamente significativo entender como a PPL, um movimento eclesial com opções de esquerda, conseguiu ir se estabelecendo numa igreja minoritária e historicamente vinculada à imigrantes alemães.

Em oposição à experiência da ditadura, a PPL sempre deu muito valor à formação, organização e protagonismo popular, a partir de uma visão de fé motivado pela Teologia da Libertação e pela confessionalidade luterana, e de testemunho evangélico das comunidades lá na sua base. Foi o exercício da missão profética de denúncia e anúncio em vista do Evangelho de Jesus Cristo.

A PPL assim se definiu conforme os seus estatutos:

Pastoral Popular Luterana, a seguir denominada PPL, é uma associação civil, sem fins lucrativos, de cunho religioso, autônoma em relação ao Estado e aos Partidos Políticos, comprometida com o movimento social e comunitário, de caráter assistencial, educacional e de assessoria, composta por pessoas ligadas organicamente à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. Conforme consta em ata do seminário da Pastoral Popular Luterana ocorrida em Palmitos no ano de 1990, a sigla PPL teve origem numa reunião ocorrida em Esteio/RS, sendo seu principal objetivo “motivar as pessoas para um trabalho popular”. Também consta nesta ata que uma das importantes características da PPL é ser ecumênica e somar forças nas ações concretas com grupos e movimentos sociais organizados. A PPL aparece nos momentos finais de uma violenta etapa da história brasileira, em que o país viveu sob a ditadura militar (1964 a 1985), gerando repressão, opressão, violência e desigualdade. Por isto é extremamente significativo entender como a PPL, um movimento eclesial com opções de esquerda, conseguiu ir se estabelecendo numa igreja minoritária e historicamente vinculada à imigrantes alemães.

Em oposição à experiência da ditadura, a PPL sempre deu muito valor à formação, organização e protagonismo popular, a partir de uma visão de fé motivado pela Teologia da Libertação e pela confessionalidade luterana, e de testemunho evangélico das comunidades lá na sua base. Foi o exercício da missão profética de denúncia e anúncio em vista do Evangelho de Jesus Cristo. A PPL assim se definiu conforme os seus estatutos:

Pastoral Popular Luterana, a seguir denominada PPL, é uma associação civil, sem fins lucrativos, de cunho religioso, autônoma em relação ao Estado e aos Partidos Políticos, comprometida com o movimento social e comunitário, de caráter assistencial, educacional e de assessoria, composta por pessoas ligadas organicamente à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB

Com fundamentos na teologia luterana assim como na teologia da libertação, a PPL visa contribuir com suas ações para a transformação social, por meio de uma leitura crítica das realidades que se apresentam e da própria fé cristã. Esta tarefa é realizada por meio de objetivos que são:

  • Promover a reunião e organização de pessoas e grupos de comunidades cristãs engajadas em instituições da sociedade civil, visando prepará-las para ações transformadoras na sociedade, desde uma perspectiva eclesial, bíblico-teológica e sociocultural;
  • Implementar a ação pastoral junto a comunidades eclesiais e organizações do movimento social, considerando as dimensões celebrativa, de animação, conscientização e formação;
  • Buscar a transformação da sociedade numa perspectiva libertadora e ecumênica, junto com outros grupos, comunidades eclesiais e segmentos sociais;
  • Animar a promoção humana através de ações de solidariedade, de formação teológica e política, e de preparação de lideranças eclesiais e comunitárias;
  • Incentivar a organização social, educacional, cultural e recreativa de pessoas associadas e grupos com os quais a PPL trabalha;
  • Realizar atividades filantrópicas que visem atender carências do público com o qual a PPL trabalha, especialmente de grupos empobrecidos, comunidades eclesiais e setores do movimento social;
  • Realizar encontros nacionais, regionais e locais, em forma de seminários, cursos, congressos, retiros, fóruns, debates e conferências, visando o aprimoramento pessoal e comunitário do público alvo da PPL, a interligação de atividades, a análise da realidade e o aprofundamento bíblico-teológico.

É por meio desta voz profética, que não somente denuncia, mas também anuncia, e que evidentemente não se restringe ao grupo de pessoas ligadas à PPL, que as pessoas podem perceber que o Reino de Deus já se manifesta aqui neste mundo, na prática da justiça, na vivência do amor e da solidariedade. [7].

  • Inclusão Luterana - É um grupo cristão, de denominação luterana, criado em 2014 que busca dar visibilidade à comunidade LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais) dentro da igreja cristã. Defende que todos os cristãos e cristãs possam participar de modo integral da igreja de Jesus Cristo, inclusive com casamento e ordenação igualitários.
  • CAPA - Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia - É uma organização da sociedade civil, vinculada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, com atuação nos três estados do sul do Brasil – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Criado em 1978, iniciou suas atividades em 15 de junho de 1979, na cidade de Santa Rosa (RS), com o nome de Centro de Aconselhamento ao Pequeno Agricultor.

O CAPA nasceu no momento em que agricultoras e agricultores familiares eram expulsas e expulsos do campo, pelo modelo de desenvolvimento chamado “Revolução Verde” – um pacote de modernização baseada na produção agrícola em grande escala, no uso intensivo de agrotóxicos e na mecanização, rompendo com a lógica da agricultura familiar. Já ali, a proposta do CAPA se fundamentava na disseminação de práticas econômica e ecologicamente sustentáveis, entre famílias produtoras rurais, oferecendo alternativas para a permanência no campo.[8] O CAPA é um serviço da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) que, como igreja de Cristo, tem o compromisso de não se conformar com injustiças sociais e a agressão à Natureza. O CAPA foi colocado à disposição das agricultoras e dos agricultores familiares para, em conjunto, e com base nos princípios da agroecologia e da cooperação, desenvolver experiências de produção, beneficiamento, industrialização e comercialização, de formação e capacitação, de saúde comunitária, que sirvam de sinais de que o meio rural pode ser um espaço de vida saudável e de realização econômica para todas e todos. [9]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

A IECLB é bastante conhecida, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, devido a suas emissões de rádio através das Rádios União FM que, diferente de outras fundações evangélicas, propõe-se a levar programação de música ambiente, adulto-contemporânea e de MPB, intercalado com notícias e frases de reflexão, além dos cultos luteranos. Em Blumenau, Santa Catarina, já houve uma União FM que já foi afiliada a Rede Antena 1 de 2004 até 2016. E em Novo Hamburgo, a União FM é a primeira emissora FM, e também a primeira a irradiar em FM estéreo, na região do Vale do Sinos, inaugurada em 1980.

Centros de formação[editar | editar código-fonte]

A história da Faculdades EST, em especial do Bacharelado em Teologia, está intimamente relacionada com a imigração alemã no sul do Brasil. A partir de 1824, um número expressivo de alemães de confessionalidade luterana chegou ao sul do país, iniciando o trabalho de edificação de comunidades. Inicialmente, esse trabalho era feito por pessoas leigas, ou por pastores vindos do exterior. Logo, sentiu-se a necessidade de uma formação teológica em terra brasileira. Num artigo publicado em 1920, já se constatava a necessidade, segundo o pastor Hermann Dohms, de pastores familiarizados com a situação do país, que conferissem à igreja o caráter de uma instituição arraigada no povo. Para tanto, foi criado, em 1921, um curso de formação humanística de ensino médio que se tornou, a partir de 1931, o Instituto Pré-Teológico - com sede própria no Morro do Espelho, São Leopoldo. Nesse Instituto, em 1940, iniciou-se um "curso teológico propedêutico", que teve que ser interrompido em 1942, com a declaração de guerra à Alemanha pelo Brasil.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, fundou-se o primeiro curso oficial de Teologia. Em 26 de março de 1946 foi constituída a primeira "Escola de Teologia" da IECLB. Esta foi transferida, em 1948, de uma modesta casa no Morro do Espelho para a Casa Sinodal, o prédio que abrigou o sínodo Rio dos Sinos e, mais recentemente, passou a ser a Secretaria Acadêmica da Faculdades EST. Em 1956, foi inaugurada a "Casa dos Estudantes", cujas dependências são conhecidas hoje por "prédio velho". Anteriormente pertencente ao Sínodo Rio-Grandense, a Faculdade de Teologia passou a ser, a partir de 1958, uma instituição da Federação Sinodal (hoje, IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), com abrangência nacional. Nessas primeiras décadas, o corpo docente da Faculdade era constituído, em sua maioria, por docentes provenientes da Alemanha. A partir de 1968, no entanto, o processo de abrasileiramento foi acelerado. 

Em 1984, a Faculdade de Teologia passou a constituir a Escola Superior de Teologia (EST). A EST surgiu abrigando cinco institutos: Faculdade de Teologia, Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa ( atual Programa de Pós-Graduação em Teologia), Instituto de Educação Cristã, Instituto de Capacitação Teológica Especial e Instituto de Pastoral. Posteriormente, foram criados o Instituto de Música e o Instituto de Formação Diaconal, a Escola Sinodal de Educação Profissional (Esep) e o Instituto Superior de Música de São Leopoldo (ISMSL).

O conjunto de atividades desenvolvidas por esses diferentes institutos ao longo dos anos fez com que a EST passasse a ser uma instituição que atua em diferentes níveis: graduação, pós-graduação, extensão e técnico. O Regimento Geral, aprovado em 2002, substituiu os antigos institutos por pró-reitorias, permanecendo a Escola Sinodal de Educação Profissional (Esep) e o Instituto Superior de Música de São Leopoldo (ISMSL).

Em 2007, o regimento geral foi reformulado, visando integrar o IEPG, a ESEP, o ISM e a EST numa única instituição de ensino superior, sob a marca Faculdades EST, com seus respectivos cursos.[10]

Referências

  1. «IECLB reelege pastor Nestor Friedrich à presidência». Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  2. | Constituição da IECLB
  3. BOBSIN, Oneide, KUNH JUNIOR, Norberto, BECKER, Claudio G. Sociabilidade Juvenil, In: Protestantismo em Revista. [1]
  4. Empresadois, MEUC - Website by. «História - Quem somos | MEUC». Missão Evangélica União Cristã 
  5. «Portal Luteranos - IECLB» 
  6. «História | Movimento Encontrão». me.org.br. Consultado em 25 de outubro de 2017 
  7. http://pastoral.org.br/quem-somos/
  8. http://www.capa.org.br/page/historia/
  9. http://www.capa.org.br/page/missao/
  10. http://www.est.edu.br/conheca-a-est/historia

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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