Meio-Norte

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Sub-regiões do Nordeste: 1 Meio-norte, 2 Sertão, 3 Agreste e 4 Zona da Mata

O Meio-Norte é uma das sub-regiões do Nordeste do Brasil. Encontram-se aqui duas das nove capitais da região, São Luís e Teresina, e outras importantes cidades no interior como Imperatriz, Timon, Caxias, Açailândia e Balsas no Maranhão, além de Parnaíba, no Piauí. Latitudinalmente o Meio-Norte pode ser subdividido em setentrional e meridional, e longitudinalmente em leste e centro-oeste, sendo o leste ocupado pelo Piauí ocidental, e o centro-oeste pelo estado maranhense.

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros habitantes do Maranhão faziam parte de dois grupos indígenas: os tupis e os jês. Os tupis habitavam o litoral. Já os jês habitavam o interior.

Palácio dos Leões em São Luís, edifício-sede do governo estadual, construído no núcleo onde a cidade foi fundada pelos franceses.

São Luís, localizada na ilha de Upaon-Açu, é uma das duas únicas cidades brasileiras fundada por franceses, no dia 8 de setembro de 1612.

Em 1621 quando o Brasil foi dividido em duas unidades administrativas — Estado do Maranhão e Estado do Brasil — São Luís foi a capital da primeira unidade administrativa. Na segunda metade do século XVIII, devido à Guerra de Independência, os Estados Unidos interrompem sua produção de algodão e abrem espaço para que o Maranhão passe a fornecer a matéria-prima demandada pela Inglaterra. Em 1755, é fundada a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão e o porto de São Luís ganha enorme movimento de chegada e saída de produtos e se torna uma das regiões economicamente mais fortes da colônia. Com a proibição do uso de escravos indígenas e o aumento das plantações, sobe muito o número de escravos africanos.

O Centro Histórico de São Luís foi construído durante a expansão econômica provocada pela exportação de algodão

Todavia, após o fim da Guerra Civil dos Estados Unidos da América, quando perdeu espaço na exportação de algodão, o estado entrou em colapso; somente após o final da década de 1960 no século XX, o estado passou a receber incentivos e saiu do isolamento, com ligações férreas e rodoviárias com outras regiões.

A região do Piauí começou a ser povoada pelos colonizadores europeus no século XVII, desde o interior, na época em que os vaqueiros, que vieram principalmente da Bahia, à procura de pastos. A pecuária foi elemento decisivo do povoamento do Piauí. Em 1718, o território, até então pertencente à Bahia, passou a fazer parte do Maranhão. Em 1811, o príncipe Dom João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal, elevou o Piauí à categoria de capitania independente.

Depois que o Brasil tornou-se independente, em 1822, as tropas com fidelidade a Portugal ocuparam a cidade de Parnaíba; as adesões foram recebidas pelo grupo, mas os brasileiros acabaram por derrotar os portugueses em 1823. Certos anos após a batalha, por movimentos revoltosos, como a Confederação do Equador e a Balaiada, o Piauí também foi atingido. Em 1852, o governo provincial transferiu a capital de Oeiras para Teresina.

Características[editar | editar código-fonte]

O Meio-Norte é uma faixa de transição entre a Amazônia e o Sertão. Uma de suas vegetações (além da Floresta-Tropical) é conhecida como Mata dos Cocais, em razão da grande quantidade das palmeiras de babaçu e carnaúba encontradas na região.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Lençóis Maranhenses

O Meio Norte é localizado em uma estrutura rochosa formada pela Bacia Sedimentar do Parnaíba, possuindo diversas formas de relevo.[1] Na bacia do Parnaíba, foi descoberto gás natural, utilizado no Complexo Termelétrico Parnaíba, localizado em Santo Antônio dos Lopes (MA).

Há uma extensa planície no norte maranhense, correspondendo aos terrenos com amplitudes altimétricas inferiores a 200 m, que penetram para o interior, acompanhando os vales dos rios, formando planícies aluviais (Mearim, Itapecuru e Parnaíba).[1] No litoral leste do Maranhão encontra-se o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, e na fronteira com o Piauí, o Delta do Parnaíba, importantes atrações turísticas.

O litoral do Maranhão tem aproximadamente 640 km, sendo o segundo mais extenso do Brasil, superado apenas pela Bahia. A faixa litorânea do Maranhão pode ser dividida em Litoral Ocidental, Golfão Maranhense e Litoral Oriental.[1]

No litoral Ocidental, os cursos fluviais como o Turiaçu, o Gurupi, o Maracaçumé e o Tromaí (nos quais a maré enchente penetra vários quilômetros para o interior) deram origem a extensas superfícies aluviais recortadas por um grande conjunto de baías conectadas por canais divagantes e furos que delimitam exuberantes manguezais intercalados por ilhas, cordões litorâneos, lagoas, vasas e praias cuja largura, muitas vezes, supera 1 km. A área de Preservação Ambiental das Reentrâncias Maranhenses se localiza nessa região. [1]

O Golfão Maranhense possui características comuns ao Litoral Ocidental e ao Litoral Oriental. A proximidade do Equador e a configuração do relevo favorecem a amplitude das marés, que alcançam até 7,2 m, e penetram os leitos dos rios causando influências até cerca de 150 km do litoral. É onde fica a ilha de Upaon-Açu (São Luís). Aproveitando-se da profundidade natural, foi construído o Porto de Itaqui.[1]

Delta do Parnaíba

No litoral Oriental, a costa de dunas e restingas é formada por superfícies exclusivamente arenosas com ausência de cobertura vegetal ou com cobertura vegetal parcial, com dunas móveis e fixas intercalas por lagoas de origem pluvial, contendo água doce. Nessa região, localizam-se o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Delta do Parnaíba, importantes destinos turísticos.[1]

A Baixada Maranhense, no entorno do Golfão, tem relevo plano a suavemente ondulado contendo extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, formando extensos lagos interligados, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Grajaú, Pindaré e Pericumã.[1]

O planalto abrange as áreas mais elevadas do centro-sul do Estado, com altitudes entre 200 e 800 metros. Destaca-se. nessa região o Parque Nacional da Chapada das Mesas.[1]

O planalto maranhense abrange as áreas mais elevadas do centro-sul do estado, com altitudes entre 200 e 800 metros. Subdivide-se nas seguintes unidades geomorfológicas: Pediplano Central (área norte, com 686 m;  destacando-se as Serras de Cinta, Negra, Branca, Alpercatas e Itapecuru), Planalto Oriental (Serra do Valentim), Planalto Ocidental (serras do Gurupi, Tiracambu e Desordem), Depressão do Balsas (com cotas máximas alcançando os 350 m) e Planalto Meridional. [1]

Turbinas eólicas em Parnaíba, Piauí.

Ao longo das fronteiras com o Ceará, Pernambuco e Bahia, nas chapadas de Ibiapaba e do Araripe, a leste, e da Tabatinga e Mangabeiras, ao sul, encontram-se as maiores altitudes da região, situadas em torno de novecentos metros de altitude. Entre essas zonas elevadas e o curso dos rios que permeiam o estado, como, por exemplo, o Gurgueia, o Fidalgo, o Uruçuí Preto e o Parnaíba, encontram-se formações tabulares, contornadas por escarpas íngremes, resultantes da áreas erosivas das águas.[2]

Levando em consideração a extensão territorial do Maranhão e observando o mapa de solos do Brasil é possível perceber a variedade de solos desse estado. Por sua posição geográfica, predominam solos tropicais. Pelo predomínio de rochas sedimentares, são grandes as extensões cobertas por latossolos (solos ácidos, na bacia do Tocantins e do Itapecuru), argissolos (médio Mearim e vale do Itapecuru), plintosolos (Leste e Baixada Maranhense), neossolos (Rio Mearim), entre outros.[3]

Nota-se também, em razão do intemperismo e remobilização de óxidos e hidróxidos de alumínio, ferro e manganês, solos de perfil laterítico, como entre os rios Gurupi, Pindaré, Buriticupu, Zutiua e Grajaú.[2]

Clima[editar | editar código-fonte]

Centro Histórico de São Luís, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, em razão do conjunto de azulejos.

Essa região tem diferenças de clima, podendo ser observados três tipos: Equatorial, Tropical semi-úmido e Tropical semi-árido.

  • Equatorial:, ocorrendo no extremo oeste, sendo quente e chuvoso, regido pelo deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e pela Massa Equatorial Continental (mEc), ambas com marcante atuação no outono e inverno. Registra-se curto período seco de inverno e parte da primavera, variando de dois a três meses. A pluviosidade gira em torno de 2.000 a 2.500 mm ao ano.[2]
  • Tropical semi-úmido: na região central, apresenta um período seco entre cinco a seis meses, entre o inverno e a primavera, em razão de uma influência menos expressiva das massas de ar citadas. O regime pluviométrico é de 1.000 a 1.200 mm ao ano. [2]
  • Tropical semi-árido: é o clima mais seco, ocorrendo no estado do Piauí com precipitação entre 500 a 1000 milímetros.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rio Parnaíba

A bacia do Itapecuru, com área de 52.972 km², corresponde a 16 % do estado do Maranhão, e é uma das bacias que forma a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental.

O rio Itapecuru tem seu regime fluvial tropical com variações regionais provocadas pela regime de chuvas. Na parte média e baixa, onde estão situados os municípios do Território dos Cocais, verifica-se maior regularidade das chuvas, caracterizando um regime mais torrencial. Esse rio é responsável pelo abastecimento de 65% da população da cidade de São Luís.[4]

Os municípios dos Cocais inseridos na bacia são os seguintes: Aldeias Altas, Caxias, Codó, Coroatá, Timbiras, São João do Sóter, Fortuna, Buriti Bravo e Lagoa do Mato.[5]

O rio Parnaíba, que forma a Região Hidrográfica do Parnaíba, possui área de 331.441,5 km². O Maranhão ocupa 62.936,6 km² da bacia, equivalente a 19,02 % do estado, e os municípios inseridos são os seguintes: Parnarama, Matões, Timon, Caxias, Coelho Neto, Duque Bacelar e Lagoa do Mato.

Na margem piauiense, o rio banha as cidades de Floriano, Buriti dos Lopes, a capital do estado, Teresina, dentre outras, e deságua na cidade de Parnaíba, onde forma o Delta das Américas.[5]

São Luís, durante a noite.

A bacia do Munim. com 2.0252 km², também integra a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental, banha a mesorregião do Leste Maranhense e nela estão contidos os municípios: Afonso Cunha, Coelho Neto, Aldeias Altas, Duque Bacelar e Caxias. [5]

Outros rios maranhenses são os rios Mearim, que atravessa o estado de sul a norte e onde se observa o fenômeno da Pororoca, e seu afluente o rio Pindaré.[5]

Os rios Tocantins e Araguaia, no Cerrado até a Mata dos Cocais, também têm relevância, além de formar o acúmulo do aquífero Tocantins-Araguaia.

Essas bacias hidrográficas são importantes tanto pelo abastecimento das cidades próximas das margens dos rios quanto para o aproveitamento na irrigação, de forma que o desmatamento de margens e barramentos dos rios contribuem para o aceleramento da erosão, bem como o uso de produtos tóxicos nas plantações de cana de açúcar e eucalipto poluem as águas e reduzem a quantidade e a qualidade desse bem público vulnerável.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Mata dos Cocais, em Bom Lugar-MA

Na Mata dos Cocais, prevalece uma vegetação transicional entre o cerrado, a Floresta Amazônica e a Caatinga, rica em palmeiras, em especial o babaçu e a carnaúba.

No oeste do Maranhão, delimitada pelo rio Gurupi, ocorre a Floresta Amazônica. A Reserva Biológica do Gurupi fica localizada nessa região.

Encontra-se também nessa região a presença do Cerrado, no sul do Maranhão e do Piauí.

Com 640 km de litoral, o Maranhão tem a maior área de manguezal do país. O desenho irregular desse litoral forma as Reentrâncias Maranhenses, uma área de 12 mil quilômetros quadrados, entre a Baía de São Marcos, em Alcântara, e a Foz do Rio Gurupi, na divisa com o Pará.

A região é recortada por ilhas, dunas, lagoas baías, enseadas, e extensas florestas de mangue. No Campo de Perizes, entre São Luís e Bacabeira, há uma extensa planície de campos alagados.

A área de Preservação Ambiental das Reentrâncias Maranhenses apresenta uma área de 2.680,911 hectares e localiza-se entre a desembocadura do rio Gurupi e a Baía de São Marcos, incluído a Ilha do Cajual, onde está a maior parte dos manguezais do Maranhão.[6]

As Reentrâncias Maranhenses fazem parte da Rede Hemisférica de Defesa das Aves Limícolas, tendo importância fundamental para as aves migratórias, que voam para a região em busca de descanso, alimentação e para a reprodução. Entre as espécies nativas, o guará, ave símbolo da região.[6]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Teresina, a capital do Piauí, uma das cidades mais importantes da região, pelo seu grande e crescente desenvolvimento e pela sua localização estratégica que abrange vasta área de influência.

Complexo portuário e industrial[editar | editar código-fonte]

A Ditadura Militar brasileira (1964-1985) incentivou a instalação do Projeto Grande Carajás, no sudeste do Pará, onde existe a maior reserva de ferro do mundo, além de grandes reservas de manganês, cobre e ouro. O Projeto articulou-se com base no corredor de exportação formado pela Ferrovia Carajás, que percorre 890 quilômetros até a cidade de São Luís (MA), onde fica o porto de Itaqui, que recebe navios graneleiros de até 280 mil toneladas.

O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, porto privado pertencente à Vale, adjacente ao Porto do Itaqui, é destinado principalmente à exportação de minério de ferro e movimenta anualmente mais de 110 milhões de toneladas em minérios.[8]

O Porto do Consórcio Alumar transportou 13,720 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2017.[9]

A ferrovia São Luís-Teresina é destinada ao transporte de combustíveis entre o Porto do Itaqui (São Luís) e a cidade de Teresina. No ano de 2012, 1 milhão de litros de gasolina e 1,3 milhão de óleo diesel chegavam diariamente em Teresina. Desse combustível, 60% chega por via ferroviária e 40% pelas estradas. Diariamente, em 2012, 40 vagões com capacidade de 42 mil litros eram desabastecidos em Teresina. [10]

Também foram formadas indústrias de alumina nas regiões portuárias (Albrás e Alunorte em Barcarena, no Pará;e Alumar, em São Luís), aproveitando-se da energia proveniente da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (TO) e da Usina Hidrelétrica de Estreito (MA).

A região tem expandido seu parque de geração de energia eólica, com a instalação dos complexos de Delta 1 e 2 (em Parnaíba) e de Delta 3 (nos Lençóis Maranhenses). Também tem ganhado destaque a expansão da energia solar, com a inauguração do Parque Solar Nova Olinda, o maior da América Latina, com potência de 292 MW.

A indústria é mais forte e diversificada no complexo industrial (alumina, alimentícia) e portuário de São Luís, enquanto que na Imperatriz também conta com grandes indústrias como a Suzano Celulose. Já a capital do Piauí tem um parque industrial pouco diversificado.

Agropecuária[editar | editar código-fonte]

O avanço da agricultura nesta zona geográfica ocorre sobretudo com a soja, mas também com arroz, milho e algodão. A produção de soja, de algodão e de milho concentra-se no sul desta sub-região, que faz parte do cerrado nordestino. No Piauí, destacam-se as cidades de Uruçuí, Bom Jesus e Ribeiro Gonçalves. No Maranhão, o desenvolvimento é facilitado pelas excelentes condições de logística da região para exportação.

Estrada de Ferro Carajás, em Açailândia.

Desde 1992, quando começou a funcionar o Corredor de Exportação Norte, toda a produção agrícola do sul do Maranhão passou a escoar para o Porto do Itaqui e o da Ponta da Madeira, em São Luís, por um longo trecho de estrada de ferro operado pela Vale. O cultivo nessa área é realizado em fazendas altamente mecanizadas, com os melhores índices de produtividade agrícola por hectare no Brasil. Tem ainda como benefício a menor distância em relação ao mercado europeu.

Posteriormente, a Ferrovia Norte-Sul integrou a cidade de Anapólis, em Goiás, atravessando o estado do Tocantins e se conectando à ferrovia Carajás, na cidade de Açailândia, ampliando a capacidade de exportação, pelos portos de São Luís, da produção agrícola do Centro-Oeste.

Terminal da Ponta da Madeira, em São Luís

Com a construção do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) no porto de Itaqui, ampliou-se a capacidade de exportação de grãos como soja, milho e arroz, utilizando-se da infraestrutura da Ferrovia Carajás para escoamento da produção do sul do estado, bem como dos estados de Tocantins e Goiás, com a Ferrovia Norte Sul. No ano de 2017, o porto movimentou em torno de 6 milhões de toneladas de soja.[11]

O setor agrícola maranhense se destaca na produção de arroz (5º estado de maior produtividade de arroz do país e o 1º do Nordeste.), cana-de-açúcar, mandioca (2º posição no Nordeste de área plantada), milho, soja (2º maior produtor da região Nordeste), algodão (2º maior produtor do Nordeste) e eucalipto.[12]

Na Pecuária, vale destacar a criação de bovinos no Maranhão, na Amazônia legal e em áreas de cerrado.

Setor de serviços e turismo[editar | editar código-fonte]

Por fim, o setor de serviços e o turismo exercem grande importância para a economia, com visitas aos Lençóis Maranhenses, o Delta do Parnaíba, a Chapada das Mesas, ao Centro Histórico de São Luís, dentre outros lugares.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Bumba-meu-boi, elemento essencial das festividades juninas do Meio-Norte.

O Maranhão é um dos estados mais miscigenados do Brasil, o que pode ser demonstrado pelo número de 69,9% de pardos autodeclarados ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística[13], resultado da grande concentração de escravos indígenas e africanos nas lavouras de cana-de-açúcar, arroz e algodão, ao longo dos séculos XVII e XIX.

Alguns dos povos indígenas existentes no estado são: no tronco macro-jê,Timbira (Mehim), Kanela (Apanyekra e Ramkokamekra), Krikati, Gavião (Pukobyê), Kokuiregatejê, Timbira do Pindaré e Krejê; no tronco macro-tupi, a família tupi-guarani, com os povos falantes das línguas tenetehára: Guajajara, Tembé e Urubu-Kaapor, além dos Awá-Guajá e de um pequeno grupo guarani.

O Maranhão conta muitas comunidades quilombolas em toda região da Baixada, rio Itapecuru e Mearim.

A população branca, 20,6 por cento[14], é quase exclusivamente composta de descendentes de portugueses, dada a pequena migração de outros europeus para a região. Destaca-se a migração de sírios e libaneses no século XX.

Metrô de Teresina

O Maranhão é reconhecido por manifestações como o bumba-meu-boi, festa de tradição afro-indígena que aflora no norte do estado nas festas do mês de junho. Além disso, nas festas juninas também acontecem o Tambor de Crioula, o Cacuriá, o Tambor de Mina, e as quadrilhas (em especial no sul do Maranhão). No carnaval, prevalece o carnaval de rua, onde os blocos populares se misturam aos brincantes, às bandinhas tradicionais ou de forró na capital e nas cidades do interior.

A cidade de São Luís é considerada a capital brasileira do reggae, tendo sido fundado o Museu do Reggae do Maranhão, o primeiro fora da Jamaica, no de 2018.[15]

Faz parte do seu patrimônio cultural a riqueza de poemas e romances dos seus grandes escritores, tais como Aluísio de Azevedo, Gonçalves Dias, Graça Aranha, dentre outros, o que tornou a cidade e São Luís conhecida como a Atenas Maranhense. A cidade foi tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura como Patrimônio cultural da Humanidade, em 1997. Possui um acervo arquitetônico colonial avaliado em cerca de 3 500 prédios, conhecidos pelos azulejos portugueses.[16]

Campo Maior, Piauí

Na culinária do estado, destaca-se o tempero, diferenciado fazendo uso de ingredientes como cheiro-verde(coentro e cebolinha verde), cominho em pó, pimenta-do-reino e vinagreira . É marcante a presença de peixes e frutos do mar como camarão, sururu, caranguejo, siri, pescada, robalo, tainha, curimbatá, mero, surubim e outros peixes de água doce e salgada. Além de consumir outros pratos como arroz de cuxá, sarrabulho, dobradinha, mocotó, carne-de-sol, galinha ao molho pardo, todos acompanhados de farinha d'água.

Dentre os bolos consumidos pelos maranhenses, podem ser destacados o bolo de macaxeira e o de tapioca. As sobremesas típicas da mesa maranhense são os doces portugueses e uma infinidade de doces, pudins e sorvetes feitos de frutas nativas como bacuri, buriti, murici, jenipapo, tamarindo, caju, cupuaçu, jaca etc.

A juçara (ou açaí) é muito apreciada pelos maranhenses, consumida com farinha, camarão, peixe, carne-de-sol ou mesmo na forma de suco, sorvete e pudim. Dada a importância da juçara na cultura maranhense, é realizada anualmente a Festa da Juçara.[17]

Usina Hidrelétrica de Estreito e Ferrovia Norte-Sul, em Estreito-MA

A panelada, um cozido preparado a partir das vísceras da vaca, é popular em Imperatriz, segunda maior cidade no interior do estado, é oferecida em diversos pontos da cidade.

O estado do Piauí é muito rico em manifestações culturais. Como o estado é relativamente grande, havendo vários tipos de clima, vegetação e relevo, é comum a variedade de culturas conforme o local. As manifestações mais comuns no Piauí são: Bumba-Meu-Boi, Cavalo Piancó, Congada, Samba de Cumbucaoda de São Gonçalo, Reisado, entre outros.

A culinária piauiense é conhecida pelo gosto pelos temperos como a pimenta de cheiro, o coentro e o cheiro verde. O maior destaque é a galinha à cabidela, popularmente conhecida com galinha caipira, que é cozida ao molho e acrescenta-se um pouco do sangue da galinha.

Por do sol na Baía de São Marcos, vista do Centro Histórico de São Luís. No lado direito, o Palácio dos Leões, sede do governo estadual. Nos prédios ao fundo, o Bairro Renascença.

Outros destaques aparecem no acompanhamento da galinha que são a paçoca (carne seca pilada com farinha), a Maria Isabel (arroz misturado com carne seca), o baião de dois (arroz misturado com feijão novo) e o sarapatel (confeccionado com carne, fígado, coração e rim de porco). Destacam-se também comidas populares como a buchada de bode e a panelada, servida nos mercados públicos.

Apesar de todas essas especiarias famosas e deliciosas a estrela de todas fica com os derivados do caju: o doce e a famosa cajuína (bebida sem álcool, clarificada e esterilizada, preparada a partir do suco de caju, apresentando uma cor amarelo-âmbar, resultante da caramelização dos açúcares naturais do suco).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Mata dos Cocais

Economia do Maranhão

Estrada de Ferro Carajás

Porto do Itaqui

Bumba-meu-boi

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina

Região Metropolitana de São Luís

Usina Hidrelétrica de Boa Esperança

Usina Hidrelétrica Estreito

Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf)

Referências

  1. a b c d e f g h i [www.labogef.iesa.ufg.br/links/sinageo/articles/476.pdf «RELEVO DO ESTADO DO MARANHÃO: UMA NOVA PROPOSTA DE. CLASSIFICAÇÃO TOPOMORFOLÓGICA. FEITOSA, A. C.   Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. a b c d Bandeira, Iris Celeste Nascimento. Geodiversidade do estado do Maranhão / Organização Iris Celeste Nascimento.   Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2.ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006. [S.l.: s.n.] [S.l.: s.n.] 
  4. «Veja como funciona o sistema de abastecimento de água de São Luís». Maranhão. 19 de novembro de 2013 
  5. a b c d (PDF) [[sit.mda.gov.br/download/ptdrs/ptdrs_qua_territorio034.pdf «PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL- Ministério de Desenvolvimento Agrário por meio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial»] [sit.mda.gov.br/download/ptdrs/ptdrs_qua_territorio034.pdf «PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL- Ministério de Desenvolvimento Agrário por meio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial»]] Verifique valor |url= (ajuda)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. a b «Reentrâncias Maranhenses reúnem 19 cidades e tem importância mundial». G1 
  7. «Estimativa Populacional 2013» (PDF). Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1º de julho de 2013. Consultado em 31 de janeiro de 2014. 
  8. «30 anos do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira». www.vale.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  9. Redação. «Portos e Navios - Porto Itaqui é o 11º no ranking geral em movimentação de cargas» 
  10. Dia, Portal O. «Com greve, dez milhões de litros de combustíveis estão retidos em Teresina - Piauí - Portal O Dia». Portal O Dia. Consultado em 13 de março de 2018. 
  11. [«Porto do Itaqui bate recorde histórico com movimentação de soja». Porto do Itaqui bate recorde histórico com movimentação de soja «Porto do Itaqui bate recorde histórico com movimentação de soja». Porto do Itaqui bate recorde histórico com movimentação de soja] Verifique valor |url= (ajuda)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  12. (PDF) [www.ma.gov.br/agenciadenoticias/wp.../01/perfil-da-agricultura-maranhense-1.pdf www.ma.gov.br/agenciadenoticias/wp.../01/perfil-da-agricultura-maranhense-1.pdf] Verifique valor |url= (ajuda)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. «IBGE | Cidades | Infográficos | Maranhão | São Luís | Dados Gerais». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 3 de fevereiro de 2018. 
  14. «IBGE | Cidades | Infográficos | Maranhão | São Luís | Dados Gerais». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 3 de fevereiro de 2018. 
  15. «São Luís - Maranhão - A Capital brasileira do reggae - EcoViagem». ecoviagem.uol.com.br. Consultado em 3 de fevereiro de 2018. 
  16. Centre, UNESCO World Heritage. «Historic Centre of São Luís». whc.unesco.org (em inglês). Consultado em 3 de fevereiro de 2018. 
  17. «48ª edição da Festa da Juçara tem início neste domingo | O Imparcial». O Imparcial. 7 de outubro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Observatório de Geografia(território brasileiro) - Araújo,Regina/da Silva, Sandra Corrêa/Guimarães, Raul Borges - 1ª edição/ editora Moderna.2009
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