Aldeia de Santa Margarida

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 Portugal Aldeia de Santa Margarida  
—  Freguesia  —
Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida
Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida
Bandeira de Aldeia de Santa Margarida
Bandeira
Brasão de armas de Aldeia de Santa Margarida
Brasão de armas
Aldeia de Santa Margarida está localizado em: Portugal Continental
Aldeia de Santa Margarida
Localização de Aldeia de Santa Margarida em Portugal
40° 3' 41.12" N 7° 16' 40.56" O
País  Portugal
Região Região Centro
Sub-região Beira Interior Sul
Antiga província Beira Baixa
Distrito Castelo Branco
Concelho IDN.png Idanha-a-Nova
Fundação 1218
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Zélia Curto
Área
 - Total 13,62 km²
População (2011)
 - Total 292
    • Densidade 21,4/km2 
Código postal 6060 Aldeia de Santa Margarida
Orago Santa Margarida
Sítio Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida

Aldeia de Santa Margarida é uma freguesia e aldeia portuguesa localizada no concelho de Idanha-a-Nova, pertencente ao distrito de Castelo Branco.

A freguesia tem uma área geográfica de cerca de 13,62 km²[1] e, de acordo com os dados referentes aos últimos Censos, realizados pelo Instituto Nacional de Estatística[2] em 2011, a freguesia era habitada, naquele mesmo ano, por 292 pessoas, registando, deste modo, uma densidade populacional de 21,4 habitantes por quilómetro quadrado.

Ainda de acordo com os mesmos Censos de 2001, Aldeia de Santa Margarida tinha nessa altura um índice de envelhecimento na casa dos 40,82%, uma taxa ligeiramente acima da média do concelho, que era, nesse ano, de 40,76%. Ainda no ano em referência, viviam nesta localidade 149 pessoas com mais de 65 anos de idade.[3]

Aldeia de Santa Margarida tem por orago Santa Margarida.

Índice

Localização[editar | editar código-fonte]

Cruzamento da EN 233.

A pequena freguesia de Aldeia de Santa Margarida encontra-se localizada na antiga região romana chamada Egitânia, a aproximadamente 28 quilómetros da sede do concelho beirão, estando situada a uma altitude de cerca de 426 metros acima do nível médio das águas do mar.

Por definição geográfica, esta localidade é considerada a última povoação do município de Idanha-a-Nova, fazendo fronteira, a noroeste, com os municípios de Penamacor e do Fundão.

Já no que à organização administrativa do país diz respeito, e face à hierarquia que se encontra actualmente em vigor em Portugal, esta localidade beirã do concelho idanhense está inserida na Nomenclatura de Unidades Territoriais para fins Estatísticos (NUTS) III, sub-região estatística referente à Beira Interior Sul.

Esta sub-região, que congrega os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor e Vila Velha de Ródão, está inserida na NUTS II, correspondente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro (a antiga CCR), também conhecida por Região do Centro (Portugal).

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A freguesia encontra-se localizada na região da Beira Baixa, cujos limites são delineados pela Serra da Estrela e pela Serra de São Cornélio a Norte, pelo rio Tejo a Sul, pelo rio Erges a Este e pela Serra da Lousã e pelo rio Zêzere a Oeste. Faz igualmente parte do arciprestado de Castelo Branco. Este, por seu turno, está incorporado na diocese de Portalegre-Castelo Branco.

A aldeia é, das 17 freguesias que compõem o município de Idanha-a-Nova, aquela que ocupa uma menor área geográfica.

Dista cerca de cinco quilómetros da freguesia de Mata da Rainha e do lugar das Martianas, que pertence à freguesia da Orca, estando ambas integradas no município do Fundão. Fica igualmente muito próxima das localidades de São Miguel D'Acha (também pertencente ao concelho de Idanha-a-Nova), que fica a cerca de 5,5 quilómetros, e de Pedrógão de São Pedro (concelho de Penamacor), a aproximadamente 4,5 quilómetros.

As coordenadas para localização geográficas através do recurso a GPS referentes a esta freguesia podem ser 40º 3' N 7º 16' W ou então 40.061422° / -7.277933°

Vista de Aldeia de Santa Margarida, com Serra da Estrela e Serra da Gardunha ao fundo.

Acessos rodoviários[editar | editar código-fonte]

O acesso rodoviário à freguesia é feito através de uma estrada municipal, que faz a ligação à Estrada Nacional N.º 233, a qual, por seu turno, faz a ligação, junto à entrada de São Miguel D'Acha, à freguesia da Orca e, a partir daí, ao Fundão, Covilhã e Guarda.

A via rodoviária de cariz nacional, que passa a cerca de 300 metros da aldeia, faz igualmente a ligação a Castelo Branco, à Guarda, a Penamacor e ao Sabugal. A partir desta última localidade é possível chegar à fronteira com Espanha, através do antigo posto fronteiriço de Vilar Formoso, utilizando para isso a Estrada Nacional n.º 332. A partir de Aldeia de Santa Margarida pode também chegar-se a Espanha através da fronteira junto ao lugar das Termas de Monfortinho, situado na freguesia de Monfortinho, uma localidade relativamente próxima de Penha Garcia.

A Aldeia de Santa Margarida dista cerca de 265 quilómetros de Lisboa, onde se poderá chegar, a partir de Castelo Branco, seguindo pela A23 até Torres Novas, para depois se apanhar a A1, seguindo em direcção a Sul, até Lisboa. Também em Torres Novas, mas viajando no sentido Norte, igualmente pela A1, poder-se-á chegar ao Porto, perfazendo assim um total aproximado de 300 quilómetros.

No entanto, para chegar à região Norte do País, a forma mais rápida é através da A23 seguindo em direcção à Guarda. A partir de Aldeia de Santa Margarida é possível apanhar esta auto-estrada na saída próxima das localidades de Alpedrinha e Castelo Novo ou, então, à saída de Vale de Prazeres, virando em direcção ao Fundão e entrando no nó de Fundão (Sul). Chegados à Guarda, os condutores podem seguir na A25 em direcção a Vilar Formoso ou, em alternativa, a Aveiro e depois para o Porto. Durante este trajecto é ainda possível seguir para Vila Real, através do nó da A24 instalado em Viseu, ou para Bragança, através do nó do IP2 instalado em Celorico da Beira,

A freguesia fica ainda relativamente próxima da Serra da Estrela, à qual se pode aceder, entre outras localidades, através da cidade da Guarda, que fica a cerca de cem quilómetros desta freguesia do concelho idanhense. Pelo caminho passa-se ainda pela Covilhã, a cerca de 60 quilómetros, e pelo Fundão, a 45 quilómetros.

Transportes rodoviários[editar | editar código-fonte]

A constante redução da população tem levado as empresas de transportes rodoviários a diminuírem as ofertas existentes nas ligações entre as diversas localidades da região, sobretudo aquelas que, em termos de população, se encontram mais desertificadas. Neste domínio, a autarquia de Idanha-a-Nova tem vindo a assumir um importante papel.

No âmbito da iniciativa do Cartão Raiano +65, desenvolvido pelo Gabinete de Acção Social e Saúde[4] desta câmara, foi criada, entre outras acções, uma rede de transportes alternativos que abrangem todo o concelho e que funciona durante todos os dias úteis, sendo a sua utilização gratuita para os portadores do Cartão Raiano +65.

A restante população também poderá utilizar estes transportes, embora mediante pagamento de um título de transporte. Esta iniciativa tem contribuído para o aumento da mobilidade dos residentes, nomeadamente no acesso a bens e serviços que normalmente se encontram concentrados na sede do município.

História[editar | editar código-fonte]

Quelha do Reduto.

De acordo com alguns registos, a aldeia terá nascido à volta de um velho castro, em época remota muito anterior à formação de Portugal, existindo mesmo vestígios que parecem justificar a existência de presença humana desde, pelo menos, o tempo dos romanos e dos Lusitanos. O primitivo nome ter-lhe-á vindo de uma velha família do tempo da acção repovoadora, os irmãos Gosende. Quando o povoamento definitivo desta freguesia se verifica já o nome primitivo se teria perdido e era conhecida, somente, por aldeia.

Como sucedeu com outras localidades da época do repovoamento, a esta palavra acrescentou-se o nome de um santo. Ora, viveu no século III, perto de Antioquia, cidade turca de grande importância na época, uma jovem muito bonita, de nome Margarida, que foi expulsa de casa por ter aderido ao Cristianismo. Fez-se pastora e mais tarde, por ter mantido a sua convicção, foi martirizada. Assumiu grande popularidade na Europa dando o seu nome a pessoas de todas as categorias sociais e a grande número de localidades.

Rua do Castelo.

Foi, pois, mas já numa época mais recente, que o nome desta santa veio completar o actual topónimo de Aldeia de Santa Margarida. Isto porque o culto a Santa Margarida, na Península Ibérica, apenas se verifica a partir do século XIV. Tal como aconteceu, de um modo geral em toda a região da velha Egitânia (hoje conhecida por Idanha-a-Velha), a sua população seria muito reduzida, havendo inclusive suspeitas de que a freguesia, durante o século XII, possa mesmo ter chegado a ficar deserta ou quase desabitada.

Embora se desconheça com total certeza qual a verdadeira origem da freguesia de Aldeia de Santa Margarida, supõe-se igualmente que esta possa ter estado ligada à Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida por Ordem dos Templários[5] ou Ordem dos Cavaleiros Templários. De acordo com os diversos relatos históricos existentes, esta ordem de cavalaria teve uma forte influência na região da Beira Baixa durante o período da Reconquista.

Suspeitou-se igualmente que a freguesia fizesse parte da rota dos Caminhos de Santiago de Compostela, uma vez que por cima da porta na fachada da Igreja Matriz virada para o adro se encontra embutida uma concha, símbolo daquele santo. No entanto, e de acordo com algumas informações recolhidas de alguns especialistas neste tipo de património e historiadores, este é um elemento que aparece habitualmente nas igrejas que foram construídas durante o século XVIII e é, tão-somente, um símbolo do baptismo.

Igreja Matriz de Aldeia de Santa Margarida.

Embora algumas marcas se tenham perdido ao longo dos tempos, são vários os vestígios da idade avançada desta localidade que ainda se podem observar ao percorrer as ruas e arredores da aldeia. Na Lajola, que se pensa ser a parte mais antiga da povoação, existiam algumas sepulturas cavadas no granito mas que, hoje, se encontram cobertas com cimento. Na Rua do Reduto existe aquilo que terá sido um castro romano. No quintal anexo terão existido mesmo restos de um contraforte, um poço e uma parede, com toda a probabilidade de ter feito parte do complexo do reduto.

A Igreja Matriz de Aldeia de Santa Margarida, de acordo com uma inscrição cravada numa pedra por cima da porta da entrada principal, é datada de 1708 e foi recentemente restaurada. No campanário da mesma, na fachada que se encontra virada para a estrada, pode-se ver uma pedra que se pensa ser de origem romana.[6] Devido à acção da hera, que durante muitos anos cobriu esta pedra, as inscrições estão, nos dias de hoje, praticamente ilegíveis. Na outra parede está ainda instalada uma das várias fontes distribuídas por diversas ruas da freguesia.

Em 2008 celebraram-se os trezentos anos da construção da igreja e, para o efeito, foram efectuadas várias cerimónias. Na última delas foi colocada uma lápide evocativa do Jubileu do 3.º centenário da edificação daquele espaço de culto.

Evolução administrativa[editar | editar código-fonte]

O rei D. Sancho I deu Proença-a-Velha a D. Pedro Alvito, 11.º mestre da Ordem dos Templários, e a seus frades, que em Abril de 1218 lhe deram foral. Mais tarde, a 1 de Junho de 1510, já no reinado de D. Manuel I, é dado novo foral a Proença-a-Velha. O concelho, da comarca de Castelo Branco, era, então, unicamente constituído pela sede do município e pelas freguesias de Aldeia de Santa Margarida e São Miguel d'Acha,[7] que eram consideradas "povoações termo do concelho".

Foi, ainda, vigairaria da Ordem de Cristo e da apresentação da Mesa de Consciência, igualmente no termo de Proença-a-Velha. Terá tido Justiça ordinária que lhe foi tirada, por sentença, a favor desta.

Com a vitória definitiva dos liberais é extinto concelho de Proença-a-Velha, do qual Aldeia de Santa Margarida fazia parte. O decreto de 6 de Novembro de 1836 extinguiu mais de 400 concelhos, entre os quais o de Proença-a-Velha, sendo este integrado no município de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Uma situação que se manteve até à actualidade.

Actualmente, a Junta de Freguesia é presidida pela senhora Zélia Maria Martins Leitão Curto.

Evolução demográfica[editar | editar código-fonte]

De acordo com os diversos registos encontrados, Aldeia de Santa Margarida nunca foi uma freguesia com um elevado índice populacional.[8] No início do século XX, Aldeia de Santa Margarida chegou a ter quase 750 habitantes. No entanto, com os grandes surtos de emigração verificados na região ao longo da segunda metade do século passado, a população da aldeia caiu drasticamente. No início do século XXI, a população de Aldeia de Santa Margarida era sensivelmente metade da registada no ano de 1900.

População de Aldeia de Santa Margarida (1840 – 2011)
1840 1849 1862 1864 1868 1890 1900 1935 1970 1981 1991 2001 2011
558 652 644 662 651 654 746 909 745 477 459 369 292

Os censos]nacionais realizados em Portugal no ano de 2011 mostraram uma realidade ainda mais dura[9] do que aquela que havia sido apresentada pelos inquéritos à população efectuados no ano de 2001. No espaço de uma década, a população residente em Aldeia de Santa Margarida voltou a diminuir, passando, nesse ano, a estarem contabilizadas apenas 292 pessoas, menos 77 habitantes residentes do que em 2001. Destes, 144 eram homens e 148 mulheres.

No concelho de Idanha-a-Nova habitavam, no final de 2009, 9.952 pessoas, menos 195 pessoas do que no ano anterior. Desta população, 4.743 habitantes eram homens e 5.209 mulheres. Menos 104 homens e 91 mulheres do que em 2008. Em termos de grupos etários, 873 pessoas tinham menos de catorze anos, 784 tinham idades compreendidas entre os 15 a 24 anos e 4.238 entre os 25 a 64 anos.

Entre a população do concelho com 65 ou mais anos contavam-se 4.057 pessoas. Destas, 247 homens e 339 mulheres tinham entre 65 e 69 anos de idade, enquanto 351 homens e 500 mulheres estavam na faixa etária entre os 70 e 74 anos. Além disso, 1.801 habitantes (758 homens e 1.043 mulheres) tinham entre 75 anos e 84 anos e 323 pessoas do sexo masculino e 496 do sexo feminino tinham mais de 85 anos.

De acordo com as informações do Instituto Nacional de Estatística, em 2007, o concelho idanhense tinha uma densidade populacional de 7,3 habitantes por quilómetro quadrado.[10]

População do concelho de Idanha-a-Nova (1801 – 2011)[2]
1801 1849 1900 1930 1960 1981 1991 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011
3543 9844 23002 27998 30418 16101 13630 11586 11400 11253 11085 10929 10720 10561 10352 10147 9952 9716

De acordo com os Censos nacionais de 2011, nesse ano residiam no concelho de Idanha-a-Nova 9597 pessoas. Destes 4560 eram homens enquanto 5037 mulheres. Em comparação, no espaço de dez anos, registou-se um aumento do número de alojamentos existentes no concelho, passando-se assim 11413 em 2001 para os 11890 no ano de 2011.[9]

A estes dados junta-se ainda uma baixa taxa de natalidade verificada na freguesia, que se acentuou no final do século XXI. Facto que tem contribuído de forma decisiva para o crescente envelhecimento da população da aldeia.

De acordo com os Censos realizados no ano de 2001, Aldeia de Santa Margarida tinha um índice de envelhecimento de 40,82%, uma taxa ligeiramente acima da média do concelho, que era, nesse ano, de 40,76%. No ano de 2001 viviam nesta freguesia beirã 149 pessoas com mais de 65 anos de idade.

Já tendo em conta os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao ano de 2008, a taxa de natalidade do concelho de Idanha-a-Nova era de 5,7‰, o que representa um significativo crescimento face ao valor registado no ano de 2007, que era de 4,1‰, mais ainda aquém do valor verificado no ano de 2006, que assinalou uma taxa de 6,3‰.

Taxa de Natalidade (‰) no concelho de Idanha-a-Nova (2000 – 2008)
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
5,2 5,0 6,0 5,2 4,6 5,7 6,3 4,1 5,7

Todos estes dados têm contribuído, a par de algum êxodo urbano que ainda se vai verificando no concelho, quer para a cidade de Castelo Branco, quer para as regiões do litoral português, para um decréscimo sustentado da população residente no município de Idanha-a-Nova. De tal modo que, segundo dados actualizados do INE em 2007, o concelho idanhense registava uma taxa de crescimento efectivo de -2,00%, o decréscimo mais elevado desde 2000.

Taxa de crescimento efectivo (%) no concelho de Idanha-a-Nova (2000 – 2008)
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
-1,85 -1,62 -1,30 -1,50 -1,42 -1,89 -1,49 -2,00 -2,00

Esta é, aliás, uma tendência verificada desde o início do século XXI, como é, aliás, possível verificar no quadro anterior. Tendência que, naturalmente, também tem reflexões reais na taxa de crescimento real da população na freguesia de Aldeia de Santa Margarida.

Evolução política[editar | editar código-fonte]

A nível local, durante os séculos XVII, XVIII e XIX, sobretudo, Aldeia de Santa Margarida sempre teve pouca representação ao nível dos eleitos para os cargos municipais. De acordo com Nuno Pousinho,[11] o peso desta freguesia na vida político-administrativa do então concelho de Proença-a-Velha era reduzido. Deste modo, no final do século XVIII, dos seis informantes existentes no município, somente dois elementos eram de Aldeia de Santa Margarida. O informante tinha como principal missão ajudar o corregedor na escolha dos futuros vereadores, dando preciosas informações sobre os candidatos, a sua vida e personalidade.

Por outro lado, também ao nível dos vereadores, pela sua dimensão, população e peso económico, a representação desta freguesia era diminuta face à sede do município. Assim, e segundo o trabalho de Nuno Pousinho, entre 1780 e 1788, a Aldeia de Santa Margarida nunca teve mais do que seis vereadores, de um total variável de 15 a 20 eleitos. As escolhas quer para vereador, quer para informante eram sempre nomeações de elevada importância em termos sociais.

Elegíveis para vereadores (1780 – 1788)[12]
1780 1781 1782 1783 1784 1785 1786 1787 1788
4 4 4 6 6 6 5 5 5

Já no que diz respeito aos procuradores, e no que se refere aos anos atrás referidos, Aldeia de Santa Margarida nunca teve qualquer elemento arrolado, recaindo as escolhas sempre sobre homens de Proença-a-Velha. Também aqui se vê a diminuta importância da aldeia na vida do pequeno concelho beirão.

Economia[editar | editar código-fonte]

Aldeia de Santa Margarida, tal como muitas das freguesias do interior de Portugal, está muito ligada ao sector primário, nomeadamente à agricultura.

Contudo, e porque no último quarto do século XX se assistiu a um grande êxodo populacional, quer para os grandes centros urbanos no litoral do país, quer para o estrangeiro, a população desta freguesia tem vindo a diminuir de forma significativa. Para esta redução contribuiu igualmente a diminuição da taxa de natalidade. Estes dois factores conjugados contribuíram para um aumento do abandono de muitas das terras. E, consequentemente, uma diminuição da produção agrícola e dos rendimentos daí retirados.

Os principais produtos cultivados na aldeia, à semelhança do que sucede na restante região, são a cortiça, a azeitona, a batata, o milho, a maçã, a uva e a laranja. Produz-se ainda azeite e vinho. Devido à existência de boas pastagens, a criação de ovinos e caprinos tem igualmente algum peso na riqueza da população.

Como outras actividades de interesse salienta-se a construção civil, o pequeno comércio e algum artesanato.

De acordo com os Censos de 2001, tal como refere a Adraces - Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro Sul no seu retrato de Aldeia de Santa Margarida em Novembro de 2009,[13] 67% dos 140 trabalhadores no activo da freguesia eram empregados por conta de outrem. Dos 140 activos, 35,9% estava empregado no sector terciário.

Ainda segundo estes dados, a proporção de reformados era de 43,9% da população.

Em termos salariais, e de acordo com dados do INE referentes a 2009,[14] o ganho médio mensal no concelho de Idanha-a-Nova era de 701,4 euros. Nos homens a média mensal é de 751,0 euros, enquanto nas mulheres o salário médio é de 638,2 euros por mês.

Em termos de sectores de actividade, o sector secundário é aquele que apresenta, em termos médios e gerais, valores mais baixos para os salários. No entanto, em termos parciais, as mulheres registam actualmente o salário médio mais baixo no sector primário, onde ronda os 556,6 euros. De acordo com os dados do INE, no sector primário os vencimentos médios rondam os 636,1 euros. No sector secundário é de 595,5 euros, enquanto no terciário as remunerações médias são de 763,4 euros.

Salário médio no concelho de Idanha-a-Nova, por sector de actividade
Sexo\Sector Primário Secundário Terciário
Masculino 666,3€ 605,9€ 895,8€
Feminino 556,6€ 563,3€ 666,4€
Total 636,1€ 595,5€ 763,4€
Fonte: INE, Anuário Estatístico da Região Centro - 2009

Baixos salários que, associados a menores oportunidades de emprego, ajudam, de algum modo, a explicar o êxodo populacional a que se tem vindo a assistir, no concelho, nas últimas décadas.

Emprego[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados divulgados pelo (IEFP), o concelho de Idanha-a-Nova, em Novembro de 2010, tinha inscritos no centro de emprego local 343 pessoas, das quais 138 eram homens e 205 mulheres.[15] Estes dados revelam um aumento de 15 pessoas em situação de desemprego face ao mês anterior.[16]

Os dados do IEFP permitem ainda perceber que dos 343 desempregados registados em Novembro de 2010, 23 têm menos de 25 anos de idade e 87 têm idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos. O grupo etário que maior número de desempregados regista é o da faixa entre os 35 e os 54 anos, com 148 inscritos, enquanto o dos que têm 55 e mais anos contabiliza 85 inscritos.

Por níveis de escolaridade, o grupo que tem apenas o 1.º ciclo do ensino básico é o que regista mais inscritos, com 116 desempregados. Seguem-se os grupos daqueles que têm menos do que o 1.º ciclo do ensino básico (ou incompleto), com 81 pessoas, e com o 3.º ciclo obrigatório, onde se contabilizam 56 desempregados. Em relação aos que têm formação superior regista-se um total de 13 desempregados.

Verifica-se igualmente, olhando aos dados em apreço, que 211 dos desempregados está inscrito no Centro de Emprego há menos de um ano, enquanto 132 estão há um ano e mais. Das 343 pessoas inscritas, 311 estão à procura de novo emprego, enquanto apenas 32 procuram o seu primeiro emprego.

Cultura e Tradições[editar | editar código-fonte]

Em termos culturais, Aldeia de Santa Margarida não difere muito do que é a tradição na região Beira Baixa.

Festival de Música Tradicional[editar | editar código-fonte]

O Festival de Música Tradicional realizou-se pela primeira vez em 2005, a partir de uma ideia da Comissão de Festas desse ano. Foi inicialmente organizado em conjunto com o Grupo de Cantares de Aldeia de Santa Margarida, e, por regra, tem-se realizado no fim-de-semana mais próximo do feriado do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em 2009 e 2010 não se realizou.

Cantar das Janeiras[editar | editar código-fonte]

Todos os anos, a seguir ao Natal e por altura dos Reis, vários jovens da aldeia juntam-se para percorrer as ruas a cantar as Janeiras aos habitantes da freguesia. Estes retribuem o gesto oferecendo dinheiro e géneros alimentícios, normalmente peças do fumeiro, como uma morcela ou um chouriço.

Serração da Velha[editar | editar código-fonte]

A Serração da Velha é uma antiga tradição popular, frequentemente associada a rituais de passagem e ligada ao simbolismo da regeneração e renovação. Esta tradição realiza-se na noite de quarta-feira que precede o terceiro domingo da Quaresma, período entre o Carnaval e a Páscoa, em muitos locais do Brasil e de Portugal.

Em muitas localidades, a velha é uma boneca em forma de mulher, enquanto noutros é um tronco de madeira, que é carregada para o local onde vai ser serrada. Além da Velha, fazem parte do cortejo, os netos, o sacristão, um juiz, um louco e as vizinhas. Todas estas personagens, acompanhadas pelo restante povo, acompanham a Velha que, antes de ser serrada, percorre a aldeia presa num cortiço transportado por um burro.[17]

De acordo com A. Alfredo Alves,[18] no volume III da Revista Lusitana, no dia conhecido geralmente por esta designação, um grupo de rapazes percorre as rua da aldeia, já um pouco embriagados, carregando consigo um enorme cortiço. Ao chegarem à porta das mulheres mais idosas da freguesia, o cortiço é colocado no chão e um ou vários jovens, fingindo que estão a serrar a suposta velha que se encontra dentro do cortiço, começam a gritar a plenos pulmões: «ai a nossa avó, ai a nossa avó (nome da pessoa).». Simultaneamente, os outros elementos do grupo, fingindo ser a velha que se encontra no cortiço, suplicam aos berros para não ser serrada. O povo acompanha a encenação com gritos de «Serra a velha, serra a velha!»

Chorar o Entrudo[editar | editar código-fonte]

Outra das tradições existentes em Portugal e que também em Aldeia de Santa Margarida era costume, no passado, cumprir-se, por alturas do Carnaval, era o Chorar o Entrudo.[18] Era costume ir chorar à porta de indivíduos que se sabe não gostarem que se lhes aponte factos ridículos da sua vida. É claro que, como recorda A. Alfredo Alves, na Revista Lusitana depositada no Instituto de Camões, muitas vezes estas chamadas de atenção acabavam com cenas de pugilato.

No que à tradição em si diz respeito, por norma dois ou três choradores colocavam-se à porta da vítima e, para melhor se fazerem ouvir, utilizavam uma trombeta. Um deles gritava então:

- Oh amigo fulano de tal, estás tu lá ou não?

- Onde há-de ele estar senão sentado ao seu lume, a conversar com a mulher e com os filhos - respondia outro. Ao que todos retorquiam:

- É verdade, é verdade.

A partir daqui desenvolviam-se as tiradas jocosas, como por exemplo:

- Oh, amigo, lembras-te ainda de quando mataste o porco?

- Pois não havia de lembrar, se até, sem ele saber, lhe roubaram o rabo do porco no dia da matação.

- É verdade, é verdade - respondiam todos, em sonoras gargalhadas.

Deitar fora o Entrudo[editar | editar código-fonte]

Na Revista Lusitana, A. Alfredo Alves fala ainda em outra tradição relacionada com o período do Entrudo. Na terça-feira de Carnaval, à meia-noite, era costume em Aldeia de Santa Margarida, assim como em outras freguesias portuguesas, deitar-se fora o Entrudo. Para isso eram disparavam-se armas para o ar, queimavam-se bombas e atiravam-se vasos de barro recolhidos desde o início do ano.

Encomendar as almas[editar | editar código-fonte]

Durante a Quaresma, já de noite cerrada, era costume, à luz de velas ou lanternas de azeite, grupos de homens encapotados de negro e mulheres com os seus xailes pretos tradicionais, pela cabeça, reunirem-se no adro e em locais específicos da aldeia.[18] Aí entoavam, em coro, com tom dolente e triste, procurando passar uma enorme angústia, cânticos em memória das benditas almas do Purgatório. Entre os cânticos habituais, cantavam-se estes versos:

À porta das almas santas

Bate Deus a toda a hora.

As almas lhe responderam

Ó meu Deus, que queres agora?

Quem quiser dar esmola aos pobres,

Reparai bem como a dais.

Dai-a com a mão direita

Por alma dos vossos pais.

Quero que deixeis o mundo

E que venhais para a glória

Em companhia dos anjos

E da Virgem Nossa Senhora.

Santa Teresa de Jesus,

Menina de cinco anos,

Meteu cartas ao correio

Este mundo é de enganos.

Quem quiser dar esmolas aos pobres,

Não precisa de ter riqueza,

Dai das vossas migalhinhas

Que sobram da vossa mesa

Santa Teresa de Jesus

Foi ao inferno em vida,

Veio toda admirada

De ver tanta alma penada.

No final de cada verso ou estrofe, o encomendador pedia vários Pai Nosso pelos que andam sobre as águas do mar ou pelos parentes de cada um, entre vários outros pedidos.

Enterro do Senhor[editar | editar código-fonte]

Outra das tradições pascais desta aldeia.[19] Ao início da noite de Sexta-feira Santa realiza-se uma procissão pelas ruas da aldeia, com os homens a transportarem em ombros o esquife onde jaz o corpo de Jesus Cristo. A procissão é acompanhada com cânticos melancólicos, sendo que na frente do cortejo um popular transporta a matraca que anuncia a passagem da procissão.

O Belocissimo[editar | editar código-fonte]

Antigamente, durante as sextas-feiras da Quaresma, era tradição um grupo de rapazes e raparigas correr as ruas da freguesia cantando o belocissimo.[18] A letra de tais cânticos é a seguinte:

O' Belocissimo

Senhor Jesus Christo

Pela Vossa morte e paixão.

O' Belocissimo

Senhor Jesus Christo

Pela vossa c'roa d'espinhos

O' Belocissimo

Senhor Jesus Christo

Pelos vossos divinos cravos.

Ao longo do cântico, o grupo de rapazes e raparigas ia enumerando os martírios de Cristo.

Alvíssaras[editar | editar código-fonte]

Era costume, em tempos mais antigos, que na madrugada de Sábado de Aleluia se fossem dar as alvíssaras (boas festas) à Senhora da Granja e à Senhora das Dores e, claro, ao vigário da freguesia.[18] Durante o percurso era cantadas alvíssaras à Ressurreição, com acompanhamento de violas, guitarras e os tradicionais adufes. À porta do vigário, que por tradição oferecia aos cantores pão, vinho e frutos secos, era usual cantar-se o seguinte verso:

Acorde, senhor vigário,

Que já dá o sol na cruz:

Venha dar as boas festas

Ao coração de Jesus.

Fogueiras de Santo António[editar | editar código-fonte]

Usual em tempos idos, recuperou-se agora na freguesia algumas tradições de Santo António, nomeadamente as fogueiras e a queima do rosmaninho durante a noite. O povo junta-se, naturalmente, no largo da Capela de Santo António e além da muita diversão aproveita para comer as sardinhas e os pimentos assados e beberem do vinho da terra.

Festas e romarias[editar | editar código-fonte]

Páscoa[editar | editar código-fonte]

Por altura do domingo de Páscoa realiza-se a habitual missa pascal, no final da qual se beija a cruz do Senhor, sendo seguida de procissão pelas ruas da aldeia. Na Sexta-Feira Santa realiza-se uma procissão pelas ruas da aldeia, denominada Enterro do Senhor, com os homens a transportarem em ombros o esquife onde jaz o corpo de Jesus Cristo. A procissão é acompanhada com cânticos, com um popular, na frente do cortejo, a transportar a matraca, a qual marca a passagem da procissão.

À meia noite, de sexta-feira para sábado, é igualmente feita a Encomendação das Almas. Um grupo de mulheres junta-se no campanário da Igreja Matriz e inicia os cânticos. Em procissão o cortejo percorre todos os cruzeiros da aldeia, até chegar ao cemitério.

Senhora da Granja[editar | editar código-fonte]

Procissão de Nossa Senhora da Granja, 1979.

No dia seguinte à Páscoa, na segunda-feira, no lugar da Granja, próximo da freguesia, realiza-se uma festa conjunta com a população de Proença-a-Velha, a Romaria da Senhora da Granja, em honra da Nossa Senhora da Granja, da Santa Luzia e da Nossa Senhora das Preces, que consiste numa missa na pequena capela e numa procissão.

A Ermida de Nossa Senhora da Granja é um antigo local de culto, situado no campo, próximo das povoações de Aldeia de Santa Margarida, São Miguel de Acha, Pedrógão de São Pedro, Bemposta, Medelim e Proença-a-Velha, à qual pertence.

Por norma, a seguir à festa religiosa, muitos dos visitantes aproveitam os terrenos contíguos, repletos de oliveiras, à capela para realizarem alegres piqueniques familiares. Nestes terrenos, embora não na altura da festa, podem ser encontrados bois e vacas a pastar.

A romaria não pode terminar sem que, após o almoço, homens e mulheres das freguesias de Proença-a-Velha e Aldeia de Santa Margarida, à vez e ao despique, homenageiem a Senhora da Granja cantando, primeiro, à porta da capela e, depois, percorrendo o recinto à volta da pequena ermida, para regressar à porta da capela para a despedida final e desejo de regresso no ano seguinte.

Pascoela[editar | editar código-fonte]

Festa de cariz exclusivamente masculino, também conhecida por Festa da Cabra, realiza-se na segunda-feira seguinte à romaria de Nossa Senhora da Granja, também no lugar da Granja. Nesse dia, os homens de Aldeia de Santa Margarida juntam-se na capela logo pela manhã e preparam um borrego oferecido por um popular, para o almoço. Pela tarde, após o repasto, seguem-se momentos de enorme lazer, com cantigas à desgarrada, jogos de cartas e jogo da malha. Os homens acabam por regressar à aldeia, percorrendo as ruas da freguesia a pé, a cantar, acompanhados de violas e acordeão.

Festival das Flores[editar | editar código-fonte]

Aspecto de rua da aldeia durante o festival.

O Festival das Flores, organizado pela Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida[20] e tendo o apoio directo da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, realizou-se pela primeira vez em Maio de 2010,[21] constituindo-se, desde logo, como um enorme sucesso. No ano seguinte, no fim-de-semana de 30 de Abril e 1 de Maio, decorreu a segunda edição do festival.[22]

Além dos milhares de flores, naturais e artificiais, espalhadas pelas ruas e casas da aldeia, e que foram feitas exclusivamente pela população desta freguesia, esta iniciativa contou ainda com a presença de dezenas de expositores de produtos e doçaria regionais, tasquinhas de comes e bebes e muita animação, de manhã até à noite, ao longo dos dois dias que durou o festival.

Em Maio de 2013 a freguesia irá realizar o IV Festival das Flores.

Convívios Benfiquista e Sportinguista[editar | editar código-fonte]

Para festejar os feitos das suas equipas, os adeptos dos dois principais clubes de Lisboa, Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal, realizam anualmente, no mês de Junho, o Convívio Benfiquista, que se realiza desde 2004,[23] e o Convívio Sportinguista,[24] mais antigo, que é organizado pelo menos desde 1995. Em fins-de-semana distintos, os adeptos de um e outro clube reúnem-se logo pela manhã e, ao longo do dia vão desenvolvendo diversas actividades.

O dia é concluído com um jantar e baile no Salão de Festas de Aldeia de Santa Margarida.

Convívio dos Filhos da Terra[editar | editar código-fonte]

Marca o arranque do tradicional período de férias e procura juntar na aldeia todos aqueles que, naturais desta freguesia idanhense, vivem longe da terra que os viu nascer.

A primeira edição realizou-se em 2009 e ocorre sempre no último sábado de Julho.

Festa de Verão[editar | editar código-fonte]

Procissão de Verão.

A Festa de Verão de Aldeia de Santa Margarida é, muito provavelmente, o momento alto e mais popular do ano. Realiza-se sempre no mês de Agosto, no fim-de-semana mais próximo do feriado do dia 15, data em que a Igreja Católica festeja a Assunção de Nossa Senhora.[25]

Porque sucede num habitual mês de férias, este é também um excelente pretexto para o regresso dos emigrantes à terra que os viu nascer. A festa popular é ainda uma celebração em honra da padroeira Santa Margarida, onde se homenagea igualmente São Sebastião e Santo António.

A esta vertente da festa popular, que se realiza durante três a cinco dias, junta-se também a festa religiosa. No domingo realiza-se a eucaristia, seguida de uma procissão por várias ruas, ornamentadas com flores, da aldeia. Durante o percurso pela freguesia, os três andores dos santos e as diversas bandeiras festivas são levados em ombros por vários populares voluntários.

Durante a década de 1980, inúmeros artistas passaram pela festa de Verão de Aldeia de Santa Margarida, que era mesmo uma das melhores do concelho. Entre esses artistas destaque para Tó Maria Vinhas, Nuno da Câmara Pereira e Ana Faria e os Queijinhos Frescos. Mais recentemente, em Agosto de 2011, actuou também na festa de Verão desta freguesia o artista Mikkel Solnado, filho do humorista, apresentador de televisão e actor português Raul Solnado.

Natal e Missa do Galo[editar | editar código-fonte]

Lançamento do balão.

É uma das festas mais antigas e tradicionais da aldeia. Na noite de Consoada, os populares deslocam-se à tradicional Missa do Galo. Mas a festa começa no dia anterior ao Natal, com os habitantes da Aldeia a reunirem-se no adro da Igreja Matriz para ver ser acendido o tradicional madeiro, que consiste numa gigantesca fogueira feita com troncos, sobretudo de sobreiros, e que são reunidos pelos rapazes da aldeia que, no ano seguinte, vão às "sortes" (inspecção militar). A lenha é, normalmente, oferecida por populares.

Actualmente, face à falta de rapazes novos, muitos populares, de forma voluntária, ajudam os jovens a recolher a madeira necessária para acender a fogueira em ponto gigante.

No final da Missa do Galo, o pároco da freguesia dá a beijar a pequena imagem do Menino Jesus a todos os populares que, simultaneamente, deixam ainda as suas oferendas num cesto junto à imagem. De seguida, os habitantes juntam-se à porta da igreja para assistir ao lançamento do balão de ar quente e ao fogo de artifício. Esta é uma tradição que é considerada quase única em Portugal[26] na noite de Natal, havendo apenas registo de algo semelhante na cidade de Faro. Estes actos repetem-se no dia seguinte, após a missa do dia de Natal.

Tanto quanto se sabe, a primeira vez que o balão de ar quente foi lançado na noite de Consoada foi no ano de 1955.[27]

Passagem de ano[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma festa que, nos últimos anos, está a ganhar cada vez mais consistência e adeptos, já que ajuda a trazer à Aldeia, na festa da passagem de ano, muitos dos filhos da terra que se encontram a viver longe dali. Realiza-se no Salão de Festas da freguesia e prolonga-se até altas horas da madrugada, sendo composta por um jantar e baile depois das doze badaladas.

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

A gastronomia de Aldeia de Santa Margarida pouco difere da das outras freguesias do concelho e região. Entre vários pratos, há a destacar os pratos confeccionados à base de carne, como a sopa de matança, a caldeirada de borrego, o ensopado de javali ou de veado, pernil recheado de javali ou arroz de lebre, bem como uns espargos silvestres à moda de Idanha-a-Nova. Outro prato muito típico desta região é o borrego assado em forno de lenha.

Mas nem só de carne se faz a gastronomia de Aldeia de Santa Margarida. Embora se trate de uma localidade situada no interior do país, uns dos pratos que mais furor fazem nas mesas dos restaurantes são o achigã frito com arroz de tomate ou as migas de peixe.

Para quem goste de doces, há a destacar as famosas papas de carolo, feitas à base de sêmola de milho moído, ou arroz doce. Aldeia de Santa Margarida, à semelhança de muitas outras freguesias da Beira Baixa, tem também por tradição o fabrico das filhóses na altura do Natal. São feitas com farinha e ovos, podendo levar também abóbora e raspa de laranja. São fritas em azeite muito quente e depois de confeccionadas, e ainda quentes, podem ser polvilhadas com uma mistura de açúcar e canela.

Além disso, são ainda típicos da freguesia, tal como de todo o concelho, os borrachões, as broas de mel, os bolos de leite, os esquecidos, os bolos de azeite, o bolo doce da Páscoa e as tigeladas cozidas em forno de lenha.

O concelho de Idanha-a-Nova, assim como toda a região da Beira Baixa, é ainda muito famoso pelos seus queijos. Em Idanha-a-Nova, bem como em Aldeia de Santa Margarida, produzem-se tradicionalmente três tipos de queijo artesanal: o queijo de ovelha, queijo de mistura e queijo picante. São feitos a partir exclusivamente do leite de ovelha ou à base de uma mistura de leite de ovelha e de cabra. Graças à sua qualidade superior e à tradição do processo de produção, estes queijos conquistaram o direito ao uso da Denominação de Origem Protegida (DOP),[28] reconhecida pela União Europeia.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Exemplar de trapeço ou trepesso.

O artesanato nesta freguesia não difere muito das diversas expressões culturais que podem ser encontradas no concelho, abrangendo praticamente todos os materiais disponíveis. Derivados do modo de produção rural foram sendo criados produtos visando, essencialmente, a respectiva utilidade prática. Simultaneamente procuraram acompanhar a evolução da vida social e o bem-estar, pelo que foram aparecendo produtos que passaram a ter um objectivo mais decorativo.

"Nuns e noutros se espelham o engenho, a criatividade e a aplicação do saber feito de experiência e cultura, transmitidos de geração em geração. Trata-se de um património cultural, de valor incalculável, que é urgente defender através da divulgação e adequada comercialização", salienta a autarquia idanhense na sua página oficial.[29]

Além dos bordados e das mantas de fio e de orelos, actualmente ainda é possível encontrar-se na região de Aldeia de Santa Margarida, e do próprio concelho de Idanha-a-Nova, quem faça os famosos trapeços (ou trepessos), que mais não são do que pequenos bancos, feitos com cortiça e pregos de madeira.

Segundo António Cajado Martins, um dos últimos seguidores desta arte em Aldeia de Santa Margarida, cortam-se bocados de cortiça que depois são compostos com a navalha até ficarem mais bonitos e lisos. Por fim pregam-se as diferentes peças umas nas outras com pregos feitos de paus de esteva, completando assim o pequeno banco.[30]

Património[editar | editar código-fonte]

Casa Sarafana.

Heráldica[editar | editar código-fonte]

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

Brasao AldeiaStaMargarida.JPG

É composto por um escudo de prata, torre sineira com dois arcos a negro, lavrada do campo, com ramos verdes de oliveira nos flancos frutados de negro e com sinos a vermelho, badalados de azul.

Tem ainda uma coroa mural de três torres a prata e um listel branco com a legenda "Aldeia de Santa Margarida" a negro.

Bandeira[editar | editar código-fonte]

BandeiraASM.JPG

A bandeira de Aldeia de Santa Margarida tem um fundo de cor verde, com uma haste e lança a ouro, com cordão e borlas a prata e verde.

No centro da mesma encontra-se o brasão da aldeia.

Selo[editar | editar código-fonte]

Selo.gif

Este símbolo tem em destaque os símbolos centrais do brasão da freguesia, que se encontra ladeado, a toda a volta, pelas inscrições "Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida" e "Idanha-a-Nova", o concelho ao qual pertence esta freguesia, sendo estas inscrições separadas por duas estrelas.

Instituições e equipamentos[editar | editar código-fonte]

Liga dos Amigos de Aldeia de Santa Margarida[editar | editar código-fonte]

Centro de Dia para Apoio a 3.ª Idade de Aldeia de Santa Margarida.

Aldeia de Santa Margarida dispõe de um Centro de Dia para Apoio a 3.ª Idade, gerido pela Liga dos Amigos de Aldeia de Santa Margarida, fundada a 20 de Abril de 1997, e que se encontra aberto a todos aqueles que, sendo naturais desta localidade, se queiram inscrever como associados da Liga. Tem um quadro laboral de seis funcionárias, que realizam diversos serviços de apoio ao domicílio, e nas instalações do próprio Centro, entre as quais servir refeições, fazer a limpeza das casas e o tratamento das roupas, bem como a higiene pessoal dos idosos e a realização de serviços diversos do dia-a-dia (compras de bens alimentícios e medicamentos, pagamento de compras, etc.).

O Centro funciona diariamente, das 8 horas da manhã às 7 horas da tarde, e, na última sexta-feira de cada mês, é realizada uma missa. Na época natalícia realiza-se também uma festa de Natal, que procura juntar no mesmo espaço os utentes e os familiares dos idosos, bem como os restantes associados.

A Liga dos Amigos de Aldeia de Santa Margarida tem ainda em curso um projecto que visa a construção de um Lar de Apoio a 3.ª Idade. Para esse efeito adquiriu, em 2006, a Casa Sarafana, situada ao lado da Igreja Matriz da freguesia, cujas obras esperam apoio financeiro para arrancar.[31]

Trata-se de uma antiga casa senhorial, pertencente à família Vaz Sarafana, abastada família que em tempos habitou Aldeia de Santa Margarida. A casa, além de um amplo espaço interior, dispõe igualmente de um grande jardim nas traseiras. Tem também uma entrada directa para o interior da igreja, facilitando deste modo o acesso aos futuros frequentadores do lar.

Associação de Caçadores de Aldeia de Santa Margarida[editar | editar código-fonte]

No edifício da Junta de Freguesia, em dias específicos, funcionam ainda o centro de saúde e posto médico. Serve igualmente de posto dos correios e local de ensaio do Grupo de Cantares de Aldeia de Santa Margarida.

Zona de Caça Associativa de Aldeia de Santa Margarida.

É também aqui que se reúne a Associação de Caçadores de Aldeia de Santa Margarida, criada em Maio de 1998 e que conta, actualmente, com cerca de meia centena de associados, todos naturais ou residentes na aldeia.

A 24 de Agosto de 1999, com a portaria n.º 708/99, o Governo português, através do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, criou a zona de caça associativa de Aldeia de Santa Margarida (processo n.º 2182 da Direcção-Geral das Florestas), concessionando a mesma zona à Associação de Caçadores de Aldeia de Santa Margarida por um período de seis anos.[32] Nessa altura, a zona de caça englobava uma área de 1158,56 hectares, abrangendo os municípios de Idanha-a-Nova e Penamacor.

Mais tarde, através da portaria n.º 868/2005 de 21 de Setembro de 2005,[33] o mesmo ministério autorizou a renovação da concessão solicitada pela Associação e, simultaneamente, procedeu à anexação de outros prédios rústicos. A renovação foi autorizada por um período de doze anos, passando a zona de caça a englobar uma área de 1425 hectares, nos municípios de Idanha-a-Nova e Penamacor.

As principais espécies de caça existentes na freguesia, e no concelho idanhense, são o coelho-bravo, o pombo-torcaz, a rola, a codorniz, a lebre, a perdiz, o tordo e o javali.

A Associação tem como principais objectivos, além da caça organizada, o ordenamento das espécies cinegéticas, o controlo de predadores e a manutenção de terrenos pertencentes à zona de caça e que é devidamente fiscalizada por um guarda florestal. Tem ainda a responsabilidade de inventariar as espécies e detectar os incêndios nos terrenos da zona de caça associativa.

Grupo de Cantares de Aldeia de Santa Margarida[editar | editar código-fonte]

Festival de Música Tradicional.

Em Aldeia de Santa Margarida existe um grupo de cantares, composto maioritariamente por mulheres, que procura recolher, promover e preservar o património cultural de Aldeia de Santa Margarida e do concelho de Idanha-a-Nova. Têm como principais instrumentos musicais a viola, bandolim e o adufe, o instrumento mais típico desta região de Portugal.

O Grupo de Cantares de Aldeia de Santa Margarida, criado por escritura a 13 de Julho de 2006,[34] tem actuado em diversos festivais de música tradicional organizados por ranchos folclóricos da Beira Baixa, e não só, envergando os antigos trajes típicos da aldeia e da região. O grupo tem sido também convidado para animar várias festas organizadas por outras associações culturais e recreativas da região, bem como feiras e festivais organizados, sobretudo, pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e de Penamacor. Além, claro, da habitual actuação anual nas festas de Verão de Aldeia de Santa Margarida.

O Grupo de Cantares foi fundado em 1998, e, anualmente, no início do mês de Junho, promove o Festival de Música Tradicional de Aldeia de Santa Margarida, organizado pela primeira vez em 2005. Já no início do ano de 2007 lançou o seu primeiro trabalho discográfico, que foi baptizado com o nome do grupo e no qual foram compilados alguns dos seus cantares mais habituais e mais conhecidos da região da Beira Baixa e, sobretudo, do concelho de Idanha-a-Nova.

Grupo de Bombos "Os Tapori a Bombar"[editar | editar código-fonte]

O grupo de bombos de Aldeia de Santa Margarida, "Os Tapori a Bombar", foi criado em Outubro de 2008 e é composto por 12 elementos. A primeira aparição pública do Grupo de Bombos Os Tapori a Bombar ocorreu a 25 de Outubro de 2008. Este grupo foi, de certo modo, impulsionado pelo grupo do Paul "Tok'Avakalhar", uma vez que foi a partir da sua actuação em Aldeia de Santa Margarida que se começou a formar. Além disso foi também junto daquele grupo que "Os Tapori a Bombar" adquiriram a maioria dos instrumentos.

O nome escolhido é inspirado no nome de uma antiga tribo Lusitana, os Tapori.

Entre os instrumentos contam-se 6 bombos, 5 caixas e um pífaro. No final de 2009 foi adquirida uma gaita-de-foles transmontana.

"Os Tapori a Bombar" dão ainda formação a cinco crianças.

A 3 de Julho de 2010 realizam o I Encontro de Bombos de Aldeia de Santa Margarida.

União Desportiva de Aldeia de Santa Margarida[editar | editar código-fonte]

Em 30 de Maio de 1980 foi constituída a Associação Cultural e Desportiva de Aldeia de Santa Margarida (ACDASM), que tinha por como principais objectivos a promoção cultural, desportiva e recreativa dos seus associados, bem como da população local. A ACDASM fomentou sobretudo o atletismo, o cicloturismo, o ténis, o tiro ao prato, o futebol de 11 e o futebol de 5.

Sob a égide desta colectividade foi inaugurado a 30 de Julho de 1983 o Campo de Jogos António Vaz Sarafana. Este espaço, para além de campo de futebol, serve ainda de recinto das festas que se realizam no Verão, no fim-de-semana mais próximo do dia 15 de Agosto.

O recinto conta ainda com um ringue de futebol de 5, inaugurado a 28 de Abril de 1985. O campo de jogos está ainda equipado com uma estrutura de bar, um grelhador, casas-de-banho e um parque infantil. No espaço anexo ao campo foi também construído o salão multi-usos, que dispõe de uma cozinha, forno e um pequeno bar de apoio.

Efectuam-se aqui algumas das pequenas festas, também conhecidas por ramos, que se realizam na freguesia ao longo do ano, em períodos muito específicos, como o Natal, a Passagem de Ano ou o Carnaval. Festividades que são aproveitadas pelas comissões de festas, responsável pela festa de Verão, para efectuar um peditório para ajudar a pagar as festividades.

Em 1997 os dirigentes da Associação Cultural e Desportiva de Aldeia de Santa Margarida resolveram, por questões organizacionais, criar uma nova entidade, denominada União Desportiva de Aldeia de Santa Margarida. Esta colectividade, embora tenham mantido os mesmos objectivos da anterior e haja cumprido todas as formalidades para funcionar legalmente, não tem registado, até ao momento, qualquer actividade.

Mão D'Arte[editar | editar código-fonte]

No seguimento de alguns cursos de bordados ministrados na aldeia, foi constituída, por algumas ex-formandas, uma cooperativa, a Mão D'Arte, com o objectivo de produzir e comercializar produtos artesanais.

A cooperativa de artesanato registou sempre uma reduzida actividade e, em 2007, acabou por ser dissolvida.[35]

Pirotecnia Beirense[editar | editar código-fonte]

No lugar da Fonte Nova funciona, desde 1875, uma oficina de pirotecnia que, desde essa altura, tem sido dirigida pela família Robalo. Os conhecimentos nesta arte dos foguetes e balões de ar têm sido transmitidos na família, de geração para geração, até à actualidade. Uma fábrica que contribuiu para que Aldeia de Santa Margarida seja conhecida como a terra dos fogueteiros. A Pirotecnia Beirense, cujo actual gerente é o senhor José Robalo, também proprietário de um dos cafés da aldeia, é conhecida em quase todo o país e Ilhas, tendo já sido distinguido, ao longo dos anos, com vários prémios.

Equipamentos educativos[editar | editar código-fonte]

Escola Primária de Aldeia de Santa Margarida.

A freguesia dispõe igualmente de um infantário e de uma escola do primeiro ciclo do ensino básico. O edifício foi inaugurado em 1935 e, na altura, representou um importante melhoramento para a freguesia que desde 1925 tinha encerrada a anterior escola primária da povoação.

Ao longo dos anos, nomeadamente entre a década de 50 e 70 do século passado, o elevado número de crianças então existentes nesta aldeia obrigou mesmo ao recurso a um espaço anexo, provisório, que serviu igualmente de sala de aulas.

No entanto, com o decréscimo de população na freguesia, e consequentemente com a redução da taxa de natalidade, ao abrigo de um programa elaborado pelo Ministério da Educação português, o estabelecimento de ensino foi encerrado oficialmente no final do ano lectivo de 2006/2007, devido ao baixo número de alunos existentes nesta localidade no ensino primário.

A escola manteve-se aberta ainda durante dois anos, mas acabou por encerrar portas, em definitivo, no final do ano lectivo de 2008/2009.[36]

Casa Diocesana[editar | editar código-fonte]

Solar Megre, Casa Grande ou Casa das Freiras.

No largo da Igreja Matriz está edificada o Solar Megre, actual Casa Diocesana, que possui uma enorme quinta, nas traseiras do edifício.

O Solar Megre, também conhecido por Casa Grande ou Casa das Freiras, foi construído nos princípios do século XIX, pertenceu inicialmente à família Godinho Boavida, sendo mais tarde adquirida pelo Dr. Domingos Megre. Nos anos 50/60 do século XX foi doado pela família Megre à Diocese de Portalegre-Castelo Branco e albergou, durante muitos anos, as irmãs da congregação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, que prestava diversos serviços à comunidade e várias actividades de apostolado, entre as quais cursos de cristandade, cursos de catequese, cursos de noivos, retiros e encontros de casais.

O solar possui ainda uma grande quinta, onde eram criados porcos, vacas, ovelhas, galinhas e cavalos, além de diversas culturas agrícolas que serviam, sobretudo, para abastecer a cozinha da congregação diocesana.

Mais tarde, e depois de as Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus terem abandonado esta freguesia beirã, a Casa Grande foi ocupada pela Le Patriarche - Association Lucien J. Engelmajer, uma associação francesa de recuperação de toxicodependentes. Também aqui a quinta tinha um papel importante não só na criação de animais e bens para alimentação, como também para actividades dos internados. A associação permaneceu na aldeia até meados da década de 1990. O edifício está desocupado e a diocese colocou-o à venda.

Ponte da Ribeira de Ceife[editar | editar código-fonte]

Data da inauguração da Ponte sobre a Ribeira de Ceife.

À saída de Aldeia de Santa Margarida, na estrada que vai para a Mata da Rainha e para as Martianas, existe uma ponte sobre a Ribeira de Ceife. A meio da ponte existe uma pedra, do lado direito de quem vem das Martianas para Aldeia, com a indicação da data de inauguração da ponte. A pedra não é difícil de encontrar e tem várias inscrições, algumas mais legíveis do que outras. Infelizmente o estado de conservação não é o melhor, pelo menos no que diz respeito às inscrições que lá se encontram.

Daquilo que é dado a perceber, a placa indica que a ponte foi inaugurada a 17 de Março de 1938. Contudo, o ano não parece muito perceptível. De qualquer modo, o que parece lá estar inscrito é o seguinte:

OBRAS PÚBLICAS

MELHORAMENTOS

RURAIS

PONTE INAUGURADA EM 17 de MARÇO de 1938 SENDO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

S.E. GENERAL OSCAR F. CARMONA

PRESIDENTE DO MINISTÉRIO

DOUTOR OLIVEIRA SALAZAR

MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS

ENGENHEIRO DUARTE PACHECO

Parece haver aqui algumas incongruências pois, de acordo com a bibliografia disponível, em Março de 1938 Duarte Pacheco ainda não voltara a ser ministro das Obras Públicas. Só o seria, novamente, a partir de Maio desse ano.

Lendas[editar | editar código-fonte]

Campanário da Igreja Matriz.

Lenda do Sino[editar | editar código-fonte]

Reza a história que um certo dia, quando se lavravam as terras no lugar chamado de Sesmarias, terá o bico do arado tocado num objecto, que após ter sido desenterrado se revelou ser um sino. Contudo, e como este lugar ficava entre São Miguel D’Acha e Aldeia de Santa Margarida, ambas as povoações defendiam a posse sobre este curioso achado. Após longa discussão e sem um entendimento, as duas populações chegaram a uma solução: sairiam dali, chegariam às suas aldeias e voltariam de novo àquele lugar. Quem chegasse primeiro teria direito ao sino. Os de Aldeia de Santa Margarida foram os vencedores e ficaram com o sino que, segundo a lenda, ainda hoje está no campanário e que data de 1795.

Figueira dos Medos[editar | editar código-fonte]

Contam os mais antigos que, na Aldeia de Santa Margarida, há um lugar chamado Figueira dos Medos, também conhecido por Espojadores. Um local situado numa encruzilhada de quatro caminhos. Aqui, conta a lenda, sempre que se verificava uma noite de Lua Cheia, os lobisomens existentes na freguesia juntavam-se para se transformarem.

Barroco das Campainhas[editar | editar código-fonte]

A caminho das poldras da ribeira de Ceife, existe uma grande rocha de granito, que encanta os novos visitantes da aldeia, pela sua beleza, tamanho e forma. Os habitantes da aldeia aproveitam então para brincar com o visitante (se tiverem confiança com a pessoa) dizendo-lhe que naquele barroco se ouvem campainhas. Perante as dúvidas da outra pessoa é lançado o desafio de encostar a cabeça à pedra de modo a conseguir ouvir tão inesperado sim. Nesse instante, mal o inexperiente visitante aproxima a cabeça do barroco, o amigo aldeão empurra-lhe a cabeça contra a pedra e a outra pessoa, com a dor, ouve mesmo campainhas!

Feiras e mercados[editar | editar código-fonte]

Realizam-se na Aldeia de Santa Margarida duas feiras anuais. Uma a 3 de Agosto e outra a 8 de Dezembro. Ao longo do restante ano realiza-se o habitual mercado mensal, no último sábado de cada mês.

Tanto a feira como o mercado realizam-se no Largo de Santo António, situado junto à Capela de Santo António.

Sítios e lugares[editar | editar código-fonte]

Fonte Nova.
  • Atafona
  • Badaneiras
  • Barracão
  • Barros
  • Bica
  • Cabanal
  • Castanheiros
  • Figueira dos Medos
  • Fonte Nova
  • Freixal
  • Granja
  • Grasiela
  • Gravelha
  • Lajola
  • Mendes
  • Moinhos
  • Montes
  • Paiol
  • Pinheira
  • Poço das casinhas
  • Poldras da Ribeira
  • Sesmarias
  • Sumos
  • Talefe
  • Taliscas
  • Terço
  • Vale Mescavide
  • Vale de Santa Catarina

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013. IGP Instituto Geográfico Português. Página visitada em 27 de Março de 2014. "descarrega ficheiro zip/Excel"
  2. a b INE. Instituto Nacional de Estatística.
  3. Diagnóstico Social do Município de Idanha-a-Nova (PDF). Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. Cm-idanhanova.pt (Janeiro de 2005).
  4. Gabinete de Acção Social e Saúde da CM Idanha-a-Nova. Cm-idanhanova.pt.
  5. vide Aldeia de Santa Margarida - Pequenas Notas da sua História, pgs. 17 a 19, Nuno Pousinho, 2005
  6. Projecto de Paleoantropologia e Paleoecologia no Alto Tejo Português, 1990. Ipa.min-cultura.pt.
  7. vide Manuela Mendonça, Proença-a-Velha. Uma povoação com História, págs 103 e 104, Edições Colibri, 2000
  8. vide Aldeia de Santa Margarida - Pequenas Notas da sua História, pgs. 21 a 23, Nuno Pousinho, 2005
  9. a b Resultados preliminares dos Censos 2011, no sítio do INE. Instituto Nacional de Estatística.
  10. Densidade populacional por local de residência no sítio do INE. Instituto Nacional de Estatística.
  11. vide Aldeia de Santa Margarida - Pequenas notas da sua história", página 34 e seguintes, Nuno Pousinho, 2005
  12. vide Aldeia de Santa Margarida - Pequenas Notas da sua História, pgs. 34 e 35 e Anexos 1, 3 e 5, Nuno Pousinho, 2005
  13. Observatório Local da Adraces - Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro Sul (PDF). Adraces.pt.
  14. Anuário Estatístico da Região Centro - 2009 p. 157. Instituto Nacional de Estatística.
  15. Estatísticas Mensais de Desemprego por Concelho referente ao mês de Novembro de 2010 (PDF). Iefp.pt.
  16. Estatísticas Mensais de Desemprego por Concelho referente ao mês de Outubro de 2010 (PDF). Iefp.pt.
  17. vide Serração da Velha no Arelho, in Jornal Oeste Online, edição de 13 de Março de 2003
  18. a b c d e Alves, A. Alfredo. Algumas tradições populares recolhidas em Aldeia de Santa Margarida, concelho de Idanha-a-Nova (PDF). Revista Lusitana, Volume III - página 74 a 79, Livraria Portuense, 1895. Instituto-camoes.pt.
  19. Vídeos da procissão do Enterro do Senhor, realizada a 2 de Abril de 2010 na Aldeia de Santa Margarida. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt.
  20. Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida (01 de Janeiro de 2014). Festival das Flores de Aldeia de Santa Margarida. Junta de Freguesia de Aldeia de Santa Margarida. Página visitada em 28 de Julho de 2014.
  21. Festa da Flor inunda Aldeia de Santa Margarida. Diário de Notícias (Portugal) (2 de Maio de 2010).
  22. Blogue de Aldeia de Santa Margarida. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt.
  23. Blogue de Aldeia de Santa Margarida sobre os convívios benfiquistas já realizados. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt.
  24. Blogue de Aldeia de Santa Margarida sobre os convívios sportinguistas já realizados. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt.
  25. Assunção de Nossa Senhora. Cancaonova.com.
  26. Reportagem "Viver o Natal na Beira". Gazeta do Interior. Gazetadointerior.pt (21 de Dezembro de 2005).
  27. Tradição de Natal - Um pouco de história. Blogue de Aldeia de Santa Margarida. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt (21 de Janeiro de 2010).
  28. Denominação de Origem Protegida (DOP). Ec.europa.eu.
  29. Artesanato em Aldeia de Santa Margarida e no concelho de Idanha-a-Nova. Cm-idanhanova.pt.
  30. Arte e engenho do Ti António Cajado. Aldeiadesantamargarida.blogs.sapo.pt.
  31. Novo lar espera luz verde do Governo. Jornal Reconquista. Reconquista.pt (27 de Agosto de 2009).
  32. Portaria n.º 708/99, que cria a zona de caça associativa de Aldeia de Santa Margarida (processo n.º 2182-DGRF) (PDF). Diário da República.
  33. Portaria n.º 868/2005, que renova a concessão da zona de caça associativa de Aldeia de Santa Margarida (PDF). Diário da República.
  34. Diário da República nº 177 da Série II (PDF) p. 18829. Diário da República (13 de Setembro de 2006).
  35. Informação sobre cooperativas dissolvidas. Inscoop.pt.
  36. Santa Margarida com nova casa para internet. Jornal Reconquista. Reconquista.pt (27 de Agosto de 2009).
  37. Livros escritos por Francisco Marcelo Curto. Biblioteca Nacional de Portugal. Catalogo.bn.pt.
  38. Biografias de Francisco Rolão. O Portal da História. Lusitana.org.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Sítios da Aldeia[editar | editar código-fonte]

Sítios municipais[editar | editar código-fonte]

Jornais regionais e publicações[editar | editar código-fonte]

Instituições oficiais[editar | editar código-fonte]

Associações[editar | editar código-fonte]