Estêvão de Inglaterra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Estêvão I de Inglaterra)
Ir para: navegação, pesquisa
Estêvão
Rei dos Ingleses, Duque dos Normandos
Rei da Inglaterra
Reinado 22 de dezembro de 1135
a 25 de outubro de 1154
Coroação 26 de dezembro de 1135
Predecessor Henrique I
Sucessor Henrique II
Consorte Matilde I, Condessa de Bolonha
Descendência
Eustácio IV, Conde de Bolonha
Matilde de Beaumont
Maria, Condessa de Bolonha
Balduíno de Blois
Guilherme I, Conde de Bolonha
Casa Blois
Pai Estêvão II, Conde de Blois
Mãe Adela da Normandia
Nascimento c. 1092 ou 1096
Blois, França
Morte 25 de outubro de 1154
Dover, Kent, Inglaterra
Enterro Abadia de Faversham, Kent, Inglaterra
Religião Católica

Estêvão (Blois, c. 1092/1096Dover, 25 de outubro de 1154), frequentemente chamado de Estêvão de Blois, foi o Rei da Inglaterra de 1135 até sua morte em 1154, e Conde de Bolonha em direito de sua esposa. Seu reinado foi marcado pela Anarquia, um guerra civil que ele travou contra sua prima e rival Imperatriz Matilde. Ele foi sucedido pelo filho de Matilde, Henrique II, o primeiro da Dinastia Plantageneta.

Estêvão nasceu no Condado de Blois, França; seu pai, o Conde Estêvão II, morreu enquanto ele ainda era jovem, e ele foi levado até sua mãe Adela da Normandia. Colocado na corte de Henrique I, seu tio, Estêvão ganhou proeminência e recebeu várias terras. Ele casou-se com Matilde I, Condessa de Bolonha, herdando propriedades em Bolonha-sobre-o-Mar e Kent que transformaram o casal em um dos mais ricos da Inglaterra. Estêvão escapou de aforgar-se junto com Guilherme Adelin, filho de Henrique I, no naufrágio do White Ship em 1120; a morte de Guilherme deixou em aberto a sucessão do trono inglês. Quando Henrique I morreu em 1135, Estêvão rapidamente cruzou o Canal da Mancha e, com a ajuda de seu irmão Henrique de Blois, um poderoso clérigo, tomou o trono afirmando que a preservação da ordem no reino era mais importante que seus juramentos prestados a Imperatriz Matilde, filha de Henrique I.

Apesar de vários ataques a suas terras na Inglaterra e Normandia vindos de David I da Escócia, rebeldes galeses e Godofredo V de Anjou, marido de Matilde, os primeiros anos de seu reinado foram bem sucedidos. Em 1138, Roberto de Gloucester, o meio irmão da Imperatriz, rebelou-se contra Estêvão ameaçando uma guerra civil. Junto com Waleran de Beaumont, seu conselheiro, Estêvão firmemente defendeu a Inglaterra, inclusive prendendo uma poderosa família de bispos. Quando a Imperatriz e Roberto invadiram em 1139, ele não conseguiu esmagar a rebelião rapidamente, que centrou-se no sudoeste da Inglaterra. Estêvão foi abandonado por muitos de seus seguidores após ser capturado na Batalha de Lincoln em 1141, também perdendo o controle da Normandia. Ele foi libertado depois de sua esposa e Guilherme de Ypres, um de seus comandantes militares, terem capturado Roberto, porém a guerra continuou por muitos anos com nenhum dos lados conseguindo uma grande vantagem.

Estêvão ficou cada vez mais preocupado em garantir que seu filho, Eustácio, fosse seu sucessor. Ele tentou convencer a igreja a coroar seu filho para reforçar sua posição: o Papa Eugênio III recusou-se e o rei começou a discutir cada vez mais com seus clérigos. Em 1153, o filho da Imperatriz invadiu a Inglaterra para armar uma aliança com poderosos barões para conquistar o trono. Os dois exércitos confrontaram-se no Castelo de Wallingford, porém nenhum dos lados saiu vitorioso. Estêvão começou a considerar e negociar a paz, um processo que foi apressado após a morte repentina de Eustácio. Estêvão e Henrique assinaram o Tratado de Winchester um ano depois, em que o rei reconhecia Henrique como seu herdeiro em troca da paz. Estêvão morreu no ano seguinte.

Índice

Início de vida (1096–1135) [editar]

Infância [editar]

Estêvão nasceu em Blois, França, em 1092 ou 1096.nota 1 1 Seu pai era Estêvão II, Conde de Blois, um importante nobre francês; o pai de Estêvão participou pouco da sua infância por ser um cruzado.2 Estêvão II, durante a Primeira Cruzada, adquiriu a reputação de covarde e voltou ao combate em 1101 para reconstruir sua reputação, porém morreu na Batalha de Ramla.3 A mãe de Estêvão, Adela da Normandia, era filha de Guilherme I de Inglaterra e Matilde de Flandres, famosa entre seus contemporâneos por sua piedade, riqueza e talento para a política.1 Ela teve grande influência no início da vida de Estêvão.4

A França do século XII era um conjunto de condados e organizações políticas menores sob o controle mínimo de um rei. O poder do monarca estava ligado ao seu controle da rica província de Ilha de França, leste de Blois.5 No oeste jazia os condados de Maine, Anjou e Touraine, e ao norte estava o Ducado da Normandia, de onde Guilherme I havia conquistado a Inglaterra em 1066. O controle da herança anglo-normanda ainda estava sendo disputado pelos filhos de Guilherme.6 Apesar de dialetos regionais, os governantes da região falavam uma língua similar, seguiam a mesma religião e eram relacionados; também eram muito competitivos e frequentemente entravam em conflito por territórios valiosos e castelos.7

Estêvão tinha pelo menos quatro irmãos e uma irmã, além de provavelmente duas meias-irmãs.4 Guilherme era seu irmão mais velho, e sob circunstâncias normais teria herdado o título de conde.3 Guilherme provavelmente sofria de retardo mental,nota 2 e Adela passou o título para Teobaldo, seu segundo filho, que posteriormente adquiriria o condado de Condado de Champagne além de Blois e Chartres.3 O outro irmão mais velho de Estêvão, Odo, morreu jovem ainda na adolescência. Henrique de Blois, seu irmão mais novo, nasceu provavelmente quatro anos depois de Estêvão.4 Os irmãos formavam uma família muito unida, e Adela encorajou Estêvão a tornar-se um cavaleiro feudal e Henrique a virar clérigo, possivelmente para que seus objetivos pessoais não entrassem em conflito.9 Estêvão foi criado na casa de sua mãe ao invés de ser enviado à algum parente, algo fora do comum; ele aprendeu latim e cavalgada, estudando história e histórias bíblicas com Guilherme, o Normando.10

Relação com Henrique I [editar]

Uma árvore genealógica da família de Estêvão, com sua mãe Adela no topo e em baixo, da esquerda para a direita, Guilherme, Teobaldo e Estêvão.

Henrique I, seu tio e Rei da Inglaterra, foi uma grande influência no início da vida de Estêvão. Henrique chegou ao poder após a morte de seu irmão mais velho, Guilherme II de Inglaterra. Em 1106, ele invadiu e capturou o Ducado da Normandia, que era controlado por Roberto II, seu irmão mais velho, derrotando o exército normando na Batalha de Tinchebray.11 Henrique então entrou em conflito com Luís VI de França, que aproveitou a oportunidade para declarar que Guilherme Clito, filho de Roberto, era o Duque da Normandia. A resposta do rei inglês foi formar uma rede de alianças com os condados ocidentais da França contra Luís, criando um conflito regional que duraria por toda a infância de Estêvão.12 Adela e Teobaldo aliaram-se com Henrique, e a mãe de Estêvão decidiu colocá-lo na corte.13 A próxima campanha de Henrique na Normadia começou em 1111, lutando contra rebeldes que se opunham ao seu domínio. Estêvão provavelmente acompanhou o rei durante a campanha militar de 1112, onde foi feito cavaleiro, e definitivamente esteve presente na corte durante a visita de Henrique a Abadia de Saint-Evroul em 1113.14 Estêvão foi a Inglaterra pela primeira vez em 1113 ou 1115, quase certamente como parte da corte real.13

Henrique tornou-se um poderoso patrono de Estêvão; o rei provavelmente escolheu apoiá-lo porque ele era parte de sua família e um aliado regional, e ainda sim sem riqueza ou poder suficiente para ser uma ameaça ao rei ou seu herdeiro, Guilherme Adelin. Mesmo em uma família com grande influência regional, por ser o terceiro filho, Estêvão precisava do apoio de um patrono poderoso para progredir na vida.15 Com o apoio de Henrique, Estêvão rapidamente começou a acumular terras e possessões. Depois da Batalha de Tinchebray, o rei confiscou o Condado de Mortain de Guilherme de Mortain e o Honour of Eye, um grande senhorio pertencente a Roberto Malet. Em 1113, Estêvão recebeu o título e as honras junto com outras terras que eram propriedades do rei.16 A entrega da Honour of Lancaster seguiu-se depois dela ter sido confiscada das mãos de Roger, o Poitevin.17 Estêvão também recebeu as terras de Alençon no sul da Normandia, porém os locais se rebelaram e procuraram a ajuda do Conde de Anjou.18 Ele e Teobaldo foram amplamente derrotados na campanha subsequente, que culminou na Batalha de Alençon, e os territórios não foram recuperados.19

Finalmente, o rei arranjou seu casamento com Matilde em 1125, filha e única herdeira do Condado de Bolonha, que dominava tanto o importante porto de Bolonha como grandes propriedades no noroeste e sudeste da Inglaterra.17 Em 1127, Guilherme Clito, um potencial reclamante ao trono inglês, parecia que iria tornar-se o Conde da Flandres; Henrique enviou Estêvão em missão para impedir isso, e após sua eleição, Clito atacou as terras de Estêvão em Bolonha como retaliação.20 Eventualmente foi declarada uma trégua, e Guilherme Clito morreu no ano seguinte.21

White Ship e sucessão [editar]

Uma representação do século XIV do naufrágio do White Ship.

Em 1120, a situação política da Inglaterra mudou drasticamente. Trezentas pessoas embarcaram no White Ship em Barfleur, Normandia, para chegar na Inglaterra. Dentre essas pessoas estava Guilherme Adelin, herdeiro do trono, e outros nobres.22 Estêvão deveria ter viajado no mesmo navio, porém mudou de ideia no último momento e decidiu esperar outra embarcação, ou por medo da superlotação ou porque estava sofrendo de diarreia.nota 3 23 O navio naufragou no caminho, e todos os passageiros com a exceção de dois morreram, incluindo Guilherme Adelin.nota 4 24

Com a morte de Adelin, a herança do trono inglês foi posta em dúvida. As regras de sucessão no oeste da Europa eram incertas na época; em algumas partes da França, a primogenitura do homem, em que o filho mais velho herdaria o título, estava ficando cada vez mais popular. Também era uma tradição para o Rei da França coroar seu sucessor enquanto ainda estava vivo, deixando bem claro a linha de sucessão. Entretanto, o caso era diferente na Inglaterra. Em outras partes da Europa, como na Normandia e na Inglaterra, a tradição mandava as terras serem divididas, com o mais velho recebendo as terras maiores e mais valiosas, e o mais jovem ficando com as menores ou recentemente adquiridas.25 O problema complicava-se ainda mais pela sequência de instáveis sucessões Anglo-Normandas nos sessenta anos anteriores – Guilherme I tomou a Inglaterra pela força, Guilherme II e Roberto II, Duque da Normandia lutaram entre si para estabelecer a herança, e Henrique I adquiriu a Normandia também pela força. Não houve sucessões pacíficas e incontestadas.26

Henrique tinha apenas outro filho legítimo, Matilde, porém como mulher ela tinha uma grande desvantagem política.24 Apesar de casar-se com Adeliza de Louvain, ficou cada vez mais improvável que Henrique teria outro filho legítimo e o rei colocou Matilde como seu herdeira.27 Ela havia se casado com Henrique V, o Sacro Imperador Romano-Germânico, lhe dando o título de Imperatriz, porém ele morreu em 1125. Três anos depois ela casou-se com Godofredo V, o Conde de Anjou, cujas terras faziam fronteira com o Ducado da Normandia.28 Godofredo não era popular entre a elite anglo-normanda: por ser um governante Angevin, ele era um inimigo tradicional dos normandos.29 As tensões continuaram a crescer como resultado das políticas internas de Henrique, particularmente sua renda para pagar várias guerras.30 O conflito foi diminuído pela personalidade e reputação do rei.31

Henrique tentou construir uma base política na Inglaterra e na Normandia para apoiar Matilde, exigindo que toda a corte fizesse juramentos em 1127, e novamente em 1128 e 1131, para reconhecê-la como sua sucessora e seus descendentes como seus sucessores depois dela.32 Estêvão prestou o juramento em 1127.33 Mesmo assim, as relações entre Henrique, Matilde e Godofredo ficaram cada vez mais tensas ao final da vida do rei. Matilde e Godofredo sentiam que não possuiam apoio genuíno na Inglaterra. Eles propuseram a Henrique em 1135 que o rei deveria entregar os castelos reais da Normandia à eles enquanto ainda vivo para insistir que a nobreza normanda apoiasse Matilde, dando ao casal uma posição muito mais forte após a morte de Henrique.34 O rei recusou-se, provavelmente com medo de que Godofredo tentasse tomar o controle da região antes do esperado.35 Uma rebelião então começou no sul da Normandia, e Godofredo e Matilde interviram pelo lado dos rebeldes.25 Durante os confrontos, Henrique adoeceu e morreu perto de Lyons-la-Forêt.29

Sucessão (1135) [editar]

Uma representação do século XIII da coroação de Estêvão.

Estêvão era, em 1135, uma figura estabelecida na sociedade anglo-normanda. Ele era extremamente rico, bem-educado e querido por seus companheiros; ele também era considerado um homem capaz de ações firmes. Os crônicos contam que Estêvão era um líder modesto e fácil de lidar, gostava de sentar com seus homens e servos, casualmente rindo e comendo com eles apesar de sua riqueza e poder.36 Ele era bem devoto, tanto quanto a manutenção dos ritos religiosos quanto em sua generosidade para a igreja.37 Estêvão tinha um confessor pessoal indicado pelo Arcebispo de Canterbury, que implementou para ele um regime de penitência. Ele também encorajou a recém criada Ordem de Cister a formar abadias em suas propriedades, conseguindo aliados dentro da igreja.38 Entretanto, continuaram os rumores sobre a covardia de seu pai na Primeira Cruzada, e o desejo de evitar a mesma reputação pode ter influenciado algumas de suas decisões militares mais precipitadas.39 Matilde, sua esposa, foi importantíssima na administração de suas propriedades, que contribuiam para deixá-los como a segunda família mais rica do país, atrás apenas do rei.40 O nobre flamenco Guilherme de Ypres juntou-se a família de Estêvão em 1133 junto com Faramus de Bolonha, um parente flamenco e amigo de Matilde.41

Enquanto isso, Henrique de Blois também ascendeu muito durante o reinado de Henrique I. Ele havia tornado-se um monge da Abadia de Cluny e foi com Estêvão para a Inglaterra, onde o rei lhe transformou no abade de Glastonbury, a abadia mais rica do país. Depois o rei o nomeou como o Bispo de Winchester, um dos bispados mais ricos, permitindo que ele mativesse Glastonbury. A renda dos dois cargos transformaram Henrique no segundo homem mais rico da Inglaterra depois do rei.42 Ele queria reverter o que era visto como invsão da igreja pelos reis normandos.43 Os reis normandos tradicionalmente exerceram grande poder e autônomia em seus territórios sobre a igreja. Desde a década de 1040, de acordo com o historiador Richard Huscroft, os papas colocaram mensagens reformistas que enfatizavam a importância da igreja sendo "governada de forma mais coerente e mais hierarquicamente do centro" e estabelecendo "a sua própria esfera de competência e jurisdição, separada e independente do governante leigo".44

Representação contemporânea de Henrique de Blois, com seu báculo e anel de bispo.

Nenhum dos potenciais reclamantes ao trono estva preparado quando a notícia da morte de Henrique I espalhou-se. Godofredo e Matilde estavam em Anjou, desajeitadamente apoiando os rebeldes em sua campanha contra o exército real, que incluiam vários dos apoiadores de Matilde como Roberto de Gloucester.25 Muitos desses barões haviam jurado permanecer na Normandia até o rei ser enterrado, algo que impedia seus retornos ao país.45 Teobaldo, irmão de Estêvão, estavam em Blois, ainda mais no sul.46 Entretanto, Estêvão estava em Bolonha, e ele partiu para a Inglaterra junto com seu exército particular assim que soube sobre a morte de Henrique I. Roberto de Gloucester tinha guarnecido os portos de Dover e Canterbury e alguns relatos sugerem que ele recusou-se a permitir que Estêvão atracasse.47 Mesmo assim, Estêvão provavelmente chegou em sua propriedade na parte de fora de Londres em 8 de dezembro e começou a tomar o controle da Inglaterra.48

As multidões de Londres tradicionalmente reivindicavam um direito de eleger o novo rei, e proclamaram Estêvão como seu novo monarca, acreditando que ele iria garantir em troca novos privilégios e direitos a cidade.49 Henrique de Blois providenciou o apoio da igreja: Estêvão conseguiu avançar até Winchester, onde Roger, Bispo de Salisbury e Lorde Chanceler, deu instruções para o tesouro real ser entregue a ele.50 Em 15 de dezembro, Henrique entregou ao irmão um acordo que garantiria grandes liberdades a igreja, em troca o Arcebispo de Canterbury e o embaixador papal apoiariam sua sucessão ao trono.51 Havia o pequeno problema do juramento que Estêvão havia prestado para apoiar Matilde, porém Henrique convenceu todos que o rei estava errado em insistir que sua corte fizesse o juramento. Além disso, Henrique I insistiu no juramento para proteger a estabilidade do reino, e em função do caos que poderia seguir-se, Estêvão teria justificativas para ignorá-lo. Henrique também conseguiu convercer Hugo Bigot, servente real, a afirmar que Henrique I havia mudado de ideia sobre a sucessão no leito de morte, nomeando Estêvão.nota 5 53 A coroação de Estêvão ocorreu uma semana depois, em 26 de dezembro, na Abadia de Westminster.nota 6 55

Enquanto isso, os nobres normandos reuniram-se em Le Neubourg para discutir a possibilidade de nomear Teobaldo rei, provavelmente logo em seguida das notícias que Estêvão estava ganhando apoio na Inglaterra.56 Os normandos afirmavam que como conde e o neto mais velho de Guilherme I, ele tinha a reivindicação mais válida para o reino e o ducado, e certamente uma escolha melhor que Matilde.46 Teobaldo encontrou-se com barões normandos e Roberto de Gloucester em Lisieux no dia 21 de dezembro, porém a reunião foi interrompida pelas notícias que a coroação de Estêvão iria acontecer na semana seguinte.57 Teobaldo então concordou em ser feito rei, mas descobriu que seu apoio havia desaparecido: os barões não estavam preparados em apoiar a divisão da Inglaterra e Normandia ao se oporem a Estêvão.58 Estêvão compensou financeiramente Teobaldo, que em troca permaneceu em Blois e apoiou a sucessão do irmão.nota 7 60

Começo do reinado (1136–39) [editar]

Primeiros anos (1136–37) [editar]

Representação do século XIV de Estêvão com uma ave de caça.

O reino anglo-normando de Estêvão havia sido moldado pela conquista normanda da Inglaterra em 1066, e a posterior expansão para o sul de Gales nos anos seguintes.61 Tanto o reino quanto o ducado eram dominados por um pequeno número de poderosos barões que possuiam terras dos dois lados do Canal da Mancha, com barões menores logo abaixo com castelos mais bem localizados.62 Ainda não era claro o quanto dessas terras podia ser passada pela hereditariedade ou por presente do rei, e essa questão começou a gerar tensões durante o reinado de Henrique I. Algumas das terras da Normandia, passadas pela hereditariedade, eram normalmente consideradas mais importantes para os grandes barões do que aquelas na Inglaterra, onde suas possessões não eram tão claras. Henrique I havia aumentado a autoridade e a capacidade da administração real, frequentemente trazendo "novos homens" para ocupar posições chaves ao invés de escolher a nobreza já estabelecida.63 Ele conseguiu maximizar as rendas e conter as despesas no processo, criando um superávit e aumentando o tesouro, porém ao mesmo tempo também aumentando as tensões.nota 8 65

Imediatamente após sua coroação, Estêvão teve de intervir no norte da Inglaterra. David I da Escócia invadiu o norte assim que soube da morte de Henrique, tomando Carlisle, Newcastle e outros importantes castelos.52 O norte da Inglaterra era um território bem disputado na época, com os reis escocêses reclamando Cumberland, e David também reclamando o Reino da Nortúmbria por seu casamento com a filha de um antigo conde anglo-saxão.66 Estêvão rapidamente marchou para o norte com um exército e encontrou David em Durham. Um acordo foi fechado com o rei escocês, e David devolveu todos os territórios que conquistou com a exceção de Carlisle. Em troca, Estêvão confirmou as posses inglesas do Príncipe Henrique, filho de David, incluindo seu título de Conde de Huntingdon.67

Estêvão realizou sua primeira corte na Páscoa de 1136 assim que voltou para o sul.68 Vários nobres reuniram-se em Westminster para o evento, incluindo muitos barões anglo-normandos e a maioria dos alto oficiais da igreja.69 Estêvão emitiu uma nova escritura real, confirmando suas promessas feitas para a igreja, comprometendo-se a reverter as políticas de Henrique em relação as florestas reais e realizar reformas contra abusos do sistema legal real.70 O novo rei mostrou-se como um sucessor natural das políticas de Henrique I, reafirmando a existência dos sete condados do reino e seus senhores.71 A corte de Páscoa foi um evento luxuoso, com muito dinheiro gasto no próprio evento, em roupas e presentes.72 Estêvão concedeu terras e favores para todos aqueles presentes, e entregou muitas terras e privilégios a fundações religiosas.73 Sua ascensão ao trono ainda precisava ser ratificada pelo Papa, e Henrique de Blois parece ter sido o responsável por garantir os testemunhos de apoio do irmão Teobaldo e do rei Luís VI de França, a quem Estêvão representava um equilíbrio útil para o poder Angevin no norte da França.74 O Papa Inocêncio II confirmou Estêvão como rei em uma carta enviada no final daquele ano, e os conselheiros reais espalharam cópias por toda a Inglaterra para mostrar a legitimidade do reinado.75

Os problemas continuaram. O sul de Gales entrou em rebelião após sua vitória na Batalha de Llwchwr em janeiro de 1136 e a emboscada contra Ricardo Fitz Gilbert de Clare em abril, começando ao leste de Glamorgan e rapidamente espalhando-se para o resto da região durante o ano de 1137.76 Owain Gwynedd e Gruffydd ap Rhys conseguiram capturar muitos territórios, incluindo o Castelo de Carmarthen.66 Estêvão respondeu enviando Balduíno, irmão de Ricardo, e o Lorde Roberto Fitz Harold de Ewyas até Gales para pacificar a região. Nenhum dos dois foi muito bem sucedido e, ao final do ano, o rei pareceu ter abandonado suas tentativas para encerrar a rebelião. O historiador David Crouch sugere que Estêvão "se curvou a Gales" nesse período para concentrar-se em outros problemas.77 Ao mesmo tempo, ele teve de suprimir duas revoltas lideradas por Balduíno de Redvers e Roberto de Brampton; Balduíno foi capturado e posteriormente libertado, viajando para a Normandia e tornando-se um dos maiores críticos do rei.78

A segurança da Normandia também era uma preocupação. Godofredo de Anjou invadiu a região no início de 1136 e, depois de uma trégua temporária, atacou novamente no final do ano, saqueando e queimando propriedades ao invés de mantê-las como território.79 Eventos na Inglaterra impediram que o próprio Estâvão fosse para a Normandia, então Teobaldo e Waleran de Beaumont, nomeado governador da Normandia, lideraram os esforços para defender o ducado.80 O rei retornou para a região apenas em 1137, encontrando-se com Luís VI e Teobaldo para formar uma aliança regional informal, provavelmente intermediada por seu irmão Henrique, afim de conter o crescente poder Angevin na região.81 Como parte do acordo, Luís reconheceu Eustáquio, filho de Estêvão, como o Duque da Normandia em troca dele jurar vassalagem ao rei francês.79 Porém, Estãvão não foi tão bem sucedido em manter territórios ao longo da fronteira da Normandia com Anjou, que Godofredo havia tomado no final de 1135.82 O rei formou um exército para retomar a região, porém atritos entre seus mercenários flamencos liderados por Guilherme de Ypres e os barões normandos locais resultaram em um conflito dentro de suas próprias forças.83 Os normandos desertaram, forçando Estêvão a desistir de sua campanha.84 Ele concordou com uma nova trégua com Godofredo, prometendo pagar dois mil marcos por ano em troca da paz.nota 9 79

A relação de Estêvão com a igreja ficou gradualmente mais complexa. A carta régia de 1136 prometeu rever a posse de todas as terras tiradas da igreja pela coroa desde 1087, porém essas propriedades estavam sob o domínio de nobres. Em seu papel de Abade de Glastonbury, as reivindicações de Henrique de Blois acerca de várias terras em Devon levou a uma considerável agitação. Em 1136, Guilherme de Corbeil, Arcebisbo da Cantuária, morreu. Estêvão confiscou sua fortuna pessoal, criando um descontento em parte do clero.79 Henrique queria chegar ao posto, mas seu irmão apoiou Teobaldo de Bec, que eventualmente foi nomeado para o cargo. O papado acabou nomeando Henrique como legado papal, possivelmente como consolação por não conseguir a Cantuária.86

Os primeiros anos de Estêvão como rei podem ser interpretados de maneiras diferentes. Do ponto de vista positivo, Estêvão estabeleceu a fronteira norte com a Escócia, conteve os ataques de Godofredo na Normandia, fez paz com Luís VI, teve boas relações com a igreja e foi amplamente apoiado por seus barões.87 Mesmo assim, houve vários ploblemas. O norte da Inglaterra era agora controlado por David e o Príncipe Henrique, Estêvão havia abandonado Gales, as batalhas na Normandia haviam desestabilizado o ducado, e um número cada vez maior de barões passou a acreditar que o rei não lhes havia dado as terras e os títulos que achavam serem merecidos.88 O dinheiro também estava acabando: o considerável tesouro de Henrique I foi todo esvaziado em 1138 por causa dos custos da corte de Estêvão e pela necessidade de manter suas forças mercenárias na Inglaterra e Normandia.89

Defendendo o reino (1138–39) [editar]

A torre de menagem de Goodrich, um exemplo do estilo de fortificação que na década de 1130 lentamente começou a substituir os castelos de mota.

Em 1138, Estêvão foi atacado em vários frontes diferentes. Primeiro, Roberto de Gloucester rebelou-se contra o rei, iniciando o caminho para uma guerra civil na Inglaterra.89 Roberto, filho bastardo de Henrique I e meio-irmão de Matilde, era um dos mais poderosos barões anglo-normandos, controlando propriedades na Normandia e no Condado de Gloucester. Ele era conhecido por ser um grande estadista, por sua experiência militar e capacidade de liderança.90 Em 1135, Roberto havia tentado convencer Teobaldo a tomar o trono; ele não compareceu a primeira corte de Estêvão em 1136 e foram necessárias várias intimações para fazê-lo a comparecer a corte em Oxford naquele mesmo ano.91 Roberto renunciou sua vassalagem a Estêvão em 1138 e declarou seu apoio a Matilde, iniciando uma grande rebelião regional em Kent e no sudeste da Inglaterra, apesar do próprio Roberto ter permanecido na Normandia.92 Na França, Godofredo de Anjou aproveitou a situação e invadiu novamente a Normandia. David da Escócia também invadiu o norte da Inglaterra, afirmando apoiar a reivindicação de sua sobrinha Matilde ao trono, avançando em direção ao sul até Yorkshire.nota 10 93

Os embates anglo-normandos durante o reinado de Estêvão foram caracterizados por campanhas militares baseadas na guerra de exaustão, em que os comandates tentavam tomar importantes castelos do inimigo para permitir o controle do território adversário e, no final, ter uma vitória lenta e estratégica.94 Os exércitos da época baseavam-se em soldados montados e cavaleiros de armadura, apoiados pela infantaria e besteiros.95 Essas forças eram levas feudais, convocadas pelos nobres locais por um limitado período de serviço durante a campanha ou, em um número cada vez maior, mercenários, que eram mais caros porém mais flexíveis e mais habilidosos. Entretanto, esses exércitos eram inadequados para sitiar castelos, tanto os antigos castelos de mota quanto as novas torres de menagem feitas de pedra. As máquinas de cerco da época eram muito menos poderosas do que o trabuco, dando aos defensores uma vantagem substancial contra seus agressores. Como resultado, os comandantes preferiam longos cercos para derrotar os inimigos pela fome, ou operações para enfraquecer as muralhas, do que ataques diretos. Ocasionalmente os exércitos travavam batalhas campais, porém elas eram consideradas manobras de alto risco e frequentemente evitadas pelos comandantes mais cautelosos.94 Os custos das guerras cresceram consideravelmente durante o início do século XII, e reservas adequadas de dinheiro estavam mostrando-se cada vez mais importantes para o sucesso das campanhas.96

Um penny de prata do Príncipe Henrique, cunhada em sua homenagem em Corbridge após seu acordo de paz com Estêvão.

As qualidades pessoais de Estêvão como líder militar focavam-se em suas habilidades em combate pessoal, suas capacidades em guerra de cerco e uma notável capacidade de mover forças militares rapidamente por distâncias relativamente longas.97 Em resposta as invasões e revoltas, o rei rapidamente assumiu várias campanhas militares, primariamente na Inglaterra ao invés da Normandia. Sua esposa Matilde foi enviada até Kent com navios e recursos de Bolonha com a tarefa de tomar de volta o porto de Dover, controlado por Roberto.90 Um pequeno número de cavaleiros pessoais de Estêvão foram enviados para o norte afim de ajudar na luta contra os escoceses. As forças de David foram derrotadas mais tarde em agosto do mesmo ano na Batalha de Standard. David ainda mantinha parte do norte apesar de sua derrota.93 Estêvão foi para o oeste para tentar reconquistar Gloucestershire, primeiro atacando a Welsh Marches no norte, tomando Hereford e Shrewsbury, em seguida marchando para sul rumo a Bath. A cidade de Bristol mostrou-se muito resistente, e Estêvão se contentou em saquear a área próxima.90 Parecia que os rebeldes esperavam que Roberto viesse intervir com apoio naquele ano, porém ele ficou na Normandia tentando convencer a Imperatriz Matilde a invadir a Inglarerra.98 Dover se rendeu à rainha no final de 1139.99

A campanha militar de Estêvão progrediu bem na Inglaterra, e o historiador David Crouch a descreve como "uma realização militar de primeira". O rei aproveitou a oportunidade com uma vantagem militar e fez um acordo de paz com a Escócia.99 Sua esposa foi enviada para negociar outro acordo entre Estêvão e David, chamado de tratado de Durham; Northumbria e Cumbria ficariam com o Príncipe Henrique, filho de David, em troca de fidelidade e paz na fronteira.93 Entretanto, o poderoso Ranulf le Meschin, Conde de Chester, considerava ter os direitos de Carlisle e Cumberland, ficando extremamente insatisfeito com o acordo com os escoceses.100 Mesmo assim, o rei agora podia concentrar sua atenção na iminente invasão de Roberto e Matilde.101

Pré-guerra civil (1139) [editar]

Grande Selo de Estêvão.

Estêvão se preparou para a invasão angevin criando um número maior de condados.102 Durante o reinado de Henrique I, existiam apenas um número pequeno de condados e eram principalmente de natureza simbólica. Estêvão criou muitos outros, colocando neles homens considerados leais e competentes comandantes militares, também entregando novas terras e poderes executivos adicionais em áreas mais vulneráveis do país.103 O rei tinha vários objetivos em mente, que incluiam garantir a lealdade de seus principais apoiadores ao dar-lhes títulos de nobreza e melhorar as defesas das principais partes do reino. Waleran de Beaumont, seu principal conselheiro, irmão gêmeo de Roberto de Leicester, foi uma grande influência. Os Beaumont, seu irmão mais novo e seus primos receberam a maioria dos novos condados.104 A partir de 1138, Estêvão entregou a família os condados de Worcester, Leicester, Hereford, Warwick e Pembroke, que – combinados com as terras do Príncipe Henrique em Cumberland e Northumbria – criavam um território que servia de zona-tampão entre o sudeste, Chester e o resto do reino.105 O poder dos Beaumont cresceu tanto com suas novas terras que o historiador David Crouch sugere que ficou "perigoso ser qualquer coisa diferente de amigo de Waleran" na corte de Estêvão.106

Estêvão tomou atitudes para retirar de seu caminho um grupo de bispos que ele considerava uma ameaça ao seu reinado. A administração real sob Henrique I ficou à cargo de Roger, Bispo de Salisbury, apoiado por seus sobrinhos Alexandre e Nigel, respectivamente os bispos de Lincoln e Ely, e seu filho Roger le Poer, o Lorde Chanceler.107 Esses bispos eram poderosos donos de terras e líderes eclesiásticos que começaram a contruir novos castelos e aumentar suas forças militares, o que levou Estêvão a suspeitar que estavam prestes de defender a Imperatriz Matilde. Roger e sua família também eram inimigos de Waleran, discordando de seu controle da administração real. Em junho de 1139, o rei realizou sua corte em Oxford, onde ocorreu uma luta entre Alan de Brittany e os homens de Roger, um incidente provavelmente criado de forma deliberada por Estêvão.108 O rei respondeu exigindo que Roger e os outros bispos entregassem todos os seus castelos na Inglaterra. Essa exigência foi apoiada pela prisão dos bispos, com a exceção de Nigel que fugiu para o Castelo de Devizes; o bispo se rendeu apenas depois de Estêvão cercar o castelo e ameaçar executar Roger le Poer.109 Os catelos restantes foram entregues ao rei.nota 11 108

Henrique de Blois ficou alarmado com a situação, tanto por princípio, já que Estêvão havia concordado em 1135 a respeitar as liberdades da igreja, quanto por pragmatismo porque ele próprio havia construído seis castelos recentemente e não queria ser tratado da mesma maneira. Como legado papal, Henrique convocou o rei para comparecer perante um conselho eclesiástico afim de responder pela confiscação das propriedades. Henrique afirmava os direitos da igreja de investigar e julgar todas as acusações contra membros do clero. Estêvão designou Aubrey de Vere como seu porta-voz, alegando que Roger de Salisbury foi preso não como bispo, mas como um barão que estava se preparando para apoiar Matilde. O rei apoiou Hugh, Arcebispo de Ruão, que desafiou os bispos a provar que o direito canônico lhes dava permissão para construir e serem donos de castelos.111 O incidente acabou com quaisquer ameça militar dos bispos, porém danificou a relação que Estêvão tinha com o clero, particularmente com seu irmão Henrique.nota 12 113

Notas

  1. As opiniões variam sobre a data exata do nascimento de Estêvão. R. H. C. Davis propõe 1092, e King 1096.1
  2. Guilherme foi descrito como sendo "deficiente em inteligência ... segunda classe"; ele também fez um estranho juramento na Catedral de Chartres para matar um bispo local. As especificídades de sua condição não são claras.8
  3. Crônicos contemporâneos variam na explicação sobre a ausência de Estêvão no White Ship. Orderic Vitalis cita uma doença como o motivo.23
  4. Houve grandes especulações sobre a causa do naufrágio do White Ship. Algumas teorias focam-se na superlotação, outros afirmam que o capitão e os oficiais beberam de mais.23
  5. Historiadores modernos como Edmund King duvidam que Hugo Bigot estava sendo verdadeiro em seu relato.52
  6. As opiniões variam sobre o quanto da tomada de poder de Estêvão pode ser considerada um golpe. Frank Barlow descreve claramente como um golpe de estado. Edmund King não tem tanta certeza que essa seja uma descrição apropriada para os eventos.54
  7. Os eventos na Normandia não são bem registrados, e a sequência exata de eventos não é muito clara. O historiador Robert Helmerichs, por exemplo, descreve algumas inconsistências nesses relatos. Alguns historiadores, como David Crouch e Helmerichs, dizem que Teobaldo e Estêvão provavelmente haviam feito um acordo para tomar o trono após a morte de Henrique.59
  8. Os historiadores muito debateram sobre a natureza da administração de Henrique I e as ligações entre a Inglaterra e a Normandia. Por exemplo, C. Warren Hollister afirma que o rei criou um sistema político equilibrado e funcional, balanciando as diferentes tensões nos dois territórios; uma análise que Frank Barlow também faz. Em contraste, David Carpenter salienta a pressão no sistema anglo-normando e as tensões que se acumularam durante o período. A análise de Marjorie Chibnall sobre a Normandia nota aspectos distintos da política, a pressão das relações através do Canal da Mancha e as relações próximas entre as elites inglesas e normandas.64
  9. Godofredo concordou com o acordo em parte por causa da pressão criada pela aliança regional anglo-franco-normanda contra ele.85
  10. David era relacionado a Imperatriz Matilde e Matilde de Bolonha através de sua mãe, a rainha Margarida.
  11. O impacto dessas prisões na eficácia da subsequente administração real e na lealdade da igreja da Inglaterra foi muito discutido. Kenji Yoshitake representa o consenso acadêmico atual de que o impacto dessas prisões "não foi sério", colocando o início da desintegração do governo real na posterior Batalha de Lincoln.110
  12. Keith Stringer afirma que Estêvão "certamente estava correto" em confiscar os catelos, e que a ação foi uma "demonstração calculada de maestria real"; Jim Bradbury e Frank Barlow elogiam a solidez militar da tática. Entretanto, David Carpenter e R. H. C. Davis salientam que Estêvão acabou quebrando suas promessas com a igreja, foi forçado a comparecer perante um julgamento e danificou sua relação com o irmão, algo que teria implicações em 1141.112

Referências

  1. a b c Davis 1977, p. 1; King 2010, p. 5
  2. Davis 1977, p. 1
  3. a b c Davis 1977, p. 4
  4. a b c King 2010, p. 5
  5. Barlow 1999, p. 111; Duby 1993, p. 192
  6. Carpenter 2004, p. 137
  7. Barlow 1999, p. 111; Koziol 1992, p. 17; Thompson 2002, p. 3
  8. Davis 1977, p. 4; King 2010, p. 8
  9. Davis 1977, p. 5; King 2010, p. 5
  10. Crouch 2002, p. 241; King 2010, p. 9
  11. Huscroft 2005, p. 69
  12. Huscroft 2005, p. 70
  13. a b King 2010, p. 13
  14. King 2010, p. 11
  15. Davis 1977, p. 10
  16. Davis 1977, p. 7; King 2010, p. 13
  17. a b Davis 1977, p. 8
  18. King 2010, p. 15
  19. Davis 1977, p. 6; King 2010, p. 15
  20. King 2010, pp. 32–33
  21. King 2010, p. 34
  22. Bradbury 2009, p. 1
  23. a b c Bradbury 2009, p. 2
  24. a b Bradbury 2009, p. 3
  25. a b c Barlow 1999, p. 162
  26. Carpenter 2004, p. 124; Huscroft 2005, pp. 65, 69–71
  27. Bradbury 2009, pp. 6–7
  28. Barlow 1999, p. 160
  29. a b Barlow 1999, p. 161
  30. Carpenter 2004, p. 160
  31. Carpenter 2004, p. 161; Stringer 1993, p. 8
  32. Bradbury 2009, p. 9; Barlow 1999, p. 161
  33. Barlow 1999, p. 161; King 2010, pp. 30–31
  34. King 2010, pp. 38–39
  35. Crouch 2008a, p. 162; King 2010, p. 38
  36. King 2010, p. 301
  37. Crouch 2002, p. pp. 279–281
  38. Barlow 1999, p. 164
  39. Barlow 1999, p. 167
  40. King 2010, p. 24
  41. Amt 1993, p. 86; Bennett 2000, pp. 102, 106
  42. King 2010, p. 29
  43. Stringer 1993, p. 66
  44. Hushcroft 2005, p. 190
  45. Crouch 2002, p. 246
  46. a b Barlow 1999, pp. 163–164
  47. Barlow 1999, p. 163; King 2010, p. 43
  48. King 2010, p. 43
  49. King 2010, p. 45
  50. King 2010, pp. 45–46
  51. King 2010, p. 46
  52. a b King 2010, p. 52
  53. Crouch 2002, p. 247
  54. Barlow 1999, p. 165; King 2010, p. 46
  55. King 2010, p. 47
  56. King 2010, pp. 46–47
  57. Barlow 1999, p. 163; King 2010, p. 47
  58. Barlow 1999, p. 163
  59. Crouch 2002, p. 245; Helmerichs 2001, pp. 136–137
  60. Barlow 1999, p. 163; Carpenter 2004, p. 168
  61. Barlow 1999, p. 86
  62. Barlow 1999, pp. 91–92
  63. Carpenter 2004, p. 159
  64. Barlow 1999, p. 162; Carpenter 2004, pp. 159–160; Chibnall 2008, pp. 94, 115; Helmerichs 2001, p. 137
  65. Carpenter 2004, p. 155
  66. a b Carpenter 2004, p. 165
  67. King 2010, p. 53
  68. King 2010, p. 57
  69. King 2010, pp. 57–60; Davis 1977, p. 22
  70. Carpenter 2004, p. 167
  71. White 2000, p. 78
  72. Crouch 2002, p. 250
  73. Crouch 2008a, p. 29; King 2010, pp. 54–55
  74. Crouch 2008b, pp. 46–47
  75. Crouch 2002, pp. 248–249
  76. Carpenter 2004, pp. 164–165; Crouch 1998, p. 258
  77. Crouch 1998, pp. 260, 262
  78. Bradbury 2009, pp. 27–32
  79. a b c d Barlow 1999, p. 168
  80. Crouch 2002, p. 252; Crouch 2008b, pp. 46–47
  81. Crouch 2008b, p. 47
  82. Davis 1977, p. 27
  83. Bennett 2000, p. 102; Davis 1977, p. 27
  84. Davis 1977, p. 28
  85. Barlow 1999, p. 168; Crouch 2008b, p. 50
  86. King 2010, p. 317
  87. Barlow 1998, pp. 165, 167; Stringer 1993, pp. 17–18
  88. Barlow 1998, p. 168; Crouch 1998, p. 264; Carpenter 2004, p. 168
  89. a b Carpenter 2004, p. 169
  90. a b c Barlow 1998, p. 169
  91. King 2010, pp. 61–62
  92. Stringer 1993, p. 18
  93. a b c Carpenter 2004, p. 166
  94. a b Bradbury 2009, p. 71
  95. Bradbury 2009, p. 74
  96. Stringer 1993, pp. 24–25
  97. Davis 1977, p. 127; Stringer 1993, pp. 15–16
  98. Bradbury 2009, p. 67
  99. a b Crouch 2002, p. 256
  100. Davis 1977, p. 50
  101. Carpenter 2004, p. 170
  102. Bradbury 2009, p. 52
  103. Bradbury 2009, p. 70
  104. Barlow 1999, pp. 171–172; Crouch 2008a, p. 29
  105. Barlow 1999, p. 172
  106. Crouch 2008a, p. 43
  107. Davis 1977, p. 31
  108. a b Davis 1977, p. 32
  109. Yoshitake 1988, p. 98
  110. Yoshitake 1988, pp. 97–98; 108–109
  111. Barlow 1999, p. 173
  112. Stringer 1993, p. 20; Bradbury 2009, p. 61; Davis 1977, p. 35; Barlow 1999, p. 173; Carpenter 2004, p. 170
  113. Barlow 1999, p. 173; Davis 1977, p. 34

Bibliografia [editar]

  • Amt, Emilie. The Accession of Henry II in England: Royal Government Restored, 1149–1159. Woodbridge: Boydell Press, 1993. ISBN 978-0-85115-348-3
  • Barlow, Frank. The Feudal Kingdom of England, 1042–1216. 5 ed. Harlow: Pearson Education, 1999. ISBN 0-582-38117-7
  • Bennett, Matthew. In: Dunn, Diana E. S. (ed.). War and society in medieval and early modern Britain. Liverpool: Liverpool University Press, 2000. Capítulo: The Impact of 'Foreign' Troops in the Civil Wars of Stephen's Reign, ISBN 978-0-85323-885-0
  • Bradbury, Jim. Stephen and Matilda: the Civil War of 1139–53. Stroud: The History Press, 2009. ISBN 978-0-7509-3793-1
  • Carpenter, David. Struggle for Mastery: The Penguin History of Britain 1066–1284. Londres: Penguin, 2004. ISBN 978-0-14-014824-4
  • Chibnall, Marjorie. In: Dalton, Paul; White, Graeme J. (eds.). King Stephen's reign (1135–1154). Woodbridge: Boydell Press, 2008. Capítulo: Introduction, ISBN 978-1-84383-361-1
  • Crouch, David. In: King, Edmund (ed.). The Anarchy of King Stephen's Reign. Oxford: Clarendon Press, 1998. Capítulo: The March and the Welsh Kings, ISBN 0-19-820364-0
  • Crouch, David. The Normans: The History of a Dynasty. Londres: Hambledon Continuum, 2002. ISBN 978-1-85285-595-6
  • Crouch, David. The Beaumont Twins: The Roots and Branches of Power in the Twelfth Century. Cambridge: Cambridge University Press, 2008a. ISBN 978-0-521-09013-1
  • Crouch, David. In: Dalton, Paul; White, Graeme (eds.). King Stephen's reign (1135–1154). Woodbridge: Boydell Press, 2008b. Capítulo: King Stephen and northern France, ISBN 978-1-84383-361-1
  • Davis, R. H. C.. King Stephen. Londres: Longman, 1977. ISBN 0-582-48727-7
  • Duby, Georges. France in the Middle Ages 987–1460: from Hugh Capet to Joan of Arc. Oxford: Blackwell, 1993. ISBN 978-0-631-18945-9
  • Helmerichs, Robert. In: Abels, Richard Philip; Bachrach, Bernard S. (eds.). The Normans and Their Adversaries at War. Woodbridge: Boydell Press, 2001. Capítulo: Ad tutandos partriae fines: The Defense of Normandy, 1135, ISBN 978-0-85115-847-1
  • Huscroft, Richard. Ruling England, 1042–1217. Harlow: Pearson, 2005. ISBN 0-582-84882-2
  • King, Edmund. King Stephen. New Haven: Yale University Press, 2010. ISBN 978-0-300-11223-8
  • Koziol, Geoffrey. Begging Pardon and Favor: Ritual and Political Order in Early Medieval France. Nova Iorque: Cornell University, 1992. ISBN 978-0-8014-2369-7
  • Stringer, Keith J.. The Reign of Stephen: Kingship, Warfare and Government in Twelfth-Century England. Londres: Routledge, 1993. ISBN 978-0-415-01415-1
  • Thompson, Kathleen. Power and Border Lordship in Medieval France: the County of the Perche, 1000–1226. Woodbridge: Boydell Press, 2002. ISBN 978-0-86193-254-2
  • White, Graeme J.. In: Dunn, Diana E. S. (ed.). War and society in medieval and early modern Britain. Liverpool: Liverpool University Press, 2000. Capítulo: Earls and Earldoms during King Stephen's Reign, ISBN 978-0-85323-885-0
  • Yoshitake, Kenji. (1988). "The Arrest of the Bishops in 1139 and its Consequences". Journal of Medieval History: pp. 97–114.