Um Sonho a Mais

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Um Sonho a Mais
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 45 minutos aproximadamente
Criador(es) Daniel Más
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Roberto Talma
Elenco Ney Latorraca
Fúlvio Stefanini
Marco Nanini
Sílvia Bandeira
Edson Celulari
Tássia Camargo
Roberto Bataglin
ver mais
Tema de abertura "Whisky a Go-Go" - Roupa Nova
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Transmissão original 4 de fevereiro de 1985 - 2 de agosto de 1985
N.º de episódios 155
Cronologia
Último
Último
Vereda Tropical
Ti Ti Ti
Próximo
Próximo

Um Sonho a Mais foi uma telenovela brasileira produzida e exibida no horário das 18 horas pela Rede Globo, entre 4 de fevereiro e 2 de agosto de 1985, substituindo Vereda Tropical e sendo substituída por Ti Ti Ti, em 155 capítulos.

Com argumento de Lauro César Muniz e Daniel Más, baseado na peça teatral Volpone, de Ben Jonson, foi escrita inicialmente por Daniel Más com supervisão de Muniz. Daniel Más foi afastado da trama que passou a ser escrita por Lauro César Muniz, com colaboração de Mário Prata e Dagomir Marquezi. Teve direção de Roberto Talma, Carlos Magalhães, Mário Márcio Bandarra e Luca de Castro e direção geral de Roberto Talma.

Foi exibido o primeiro beijo gay em telenovelas brasileiras, entre os personagens de Ney Latorraca (travestido) e Carlos Kroeber.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Na década de 1960, Antônio Carlos Volpone é acusado de matar o Dr. Telles, seu futuro sogro, e pai de Stella, sua noiva.

Para fugir da acusação, Volpone foge do país, com seu amigo Mosca, faz fortuna, e passa a viver no Egito. Stella casa-se com o ríval de seu antigo noivo, Orlando Aranha e têm uma filha, Mônica.

Vinte anos depois, Volpone vê Stella e Mônica passeando pelo Cairo, sente que continua a amando e decide voltar ao Brasil.

Para não ser preso, anuncia que está com uma grave doença e por isso vive preso numa redoma de plástico, e como está moribundo, procura um herdeiro. Sua chegada ao Rio de Janeiro atrai a atenção da imprensa, em especial da repórter Amélia Bicudo, que passa a investigar sua vida.

Enquanto um ator fica dentro da bolha de plástico, simulando ser Volpone, ele circula disfarçado entre seus antigos amigos e inimigos, investigando quem é o verdadeiro assassino, tentando se aproximar de Stella e vivendo várias aventuras. Volpone assume personalidades como a secretária Anabela Freire, o médico Nilo Peixe, o advogado Augusto Mello Sampaio e o motorista André Silva, tudo isso escudado por seu fiel amigo Mosca.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Ney Latorraca Antônio Carlos Volpone
Anabela Freire
Dr. Nilo Peixe
Augusto Mello Sampaio
André Silva
Moribundo
Fúlvio Stefanini Orlando Aranha
Marco Nanini Mosca / Florisbella Freire
Sílvia Bandeira Stella
Edson Celulari Joaquim
Tássia Camargo Mônica
Roberto Bataglin Emílio
Carlos Kroeber Pedro Ernesto
Cissa Guimarães Amélia Bicudo
Cláudia Magno Regina
Anselmo Vasconcelos Edgar Chaves / Edson Chaves
Henriqueta Brieba Dona Guiomar
Antônio Pedro Lula / Clarabela Freire
Márcia Porto Sandra
Ernesto Piccolo Barrão
Lupe Gigliotti Olívia Krauss
Tony Ferreira Afonso
Emile Eddé Noronha
Paulette Julião
Cinira Camargo Mona
Paulão Taroba
Édson Silva Jaime
Cláudia Messina secretária de Aranha
Chaguinha Mário Alberto
Lys Beltrão Isabel
Tânia Gomide Glenda
Marcelo Ibrahim Beto
Marcus Vinícius Magalhães
Paulinho de Tarso Paulinho
Ivan Correa contínuo
Maria Helena Dias Magda
Eliana Ovalle Sônia
Floro Rodrigues Hulk
Maitê Proença Valéria
José Lewgoy Guilherme Menezes (Nenê)
Tamara Taxman Dorothy
Yara Amaral Beatriz
Suzana Vieira Renata

Elenco de apoio[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Nacional[editar | editar código-fonte]

  1. "Chuva de Prata" - Gal Costa
  2. "Mais Que Um Sonhador" - Degradée
  3. "Infinito" - Djavan
  4. "Me Liga" - Os Paralamas do Sucesso
  5. "Me Leva Pra Casa" - Joe
  6. "Leva" - Tim Maia
  7. "Whisky a Go Go" - Roupa Nova
  8. "Egotrip" - Blitz
  9. "Shy Moon" - Caetano Veloso (part. esp. Ritchie)
  10. "Menino Bonito" - Wanderléa
  11. "Juntos" - Ivan Lins (part. esp. George Benson)
  12. "Corações Psicodélicos" - Lobão e os Ronaldos
  13. "Vivendo Ilusão" - Rádio Táxi
  14. "Garota do Ano" - Arnaldo Brandão (part. esp. Brylho)

Internacional[editar | editar código-fonte]

  1. "Love Is Love" - Culture Club
  2. "Together In Electric Dreams" - Giorgio Moroder e Phillip Oakey
  3. "Private Dancer" - Tina Turner
  4. "Small Town Boy" - Bronski Beat
  5. "Steady" - Jules Shear
  6. "Do You Wanna Dance?" - Geraldine
  7. "Theme From "Summer Of '42" (The Picasso Suite)" - Michel Legrand
  8. "I Want To Know What Love Is" - Foreigner
  9. "Invisible" - Allison Moyet
  10. "I Can Wait Forever" - Air Supply
  11. "Boys Make Me Nervous" - Heartbreak U.S.A.
  12. "Nobody Loves Me Like You Do" - Whitney Houston e Jermaine Jackson
  13. "Love Hunger" - Tina Charles
  14. "Sex Over The Phone" - Village People

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Broom icon.svg
Seções de curiosidades são desencorajadas pelas políticas da Wikipédia.
Ajude a melhorar este artigo, integrando ao corpo do texto os itens relevantes e removendo os supérfluos ou impróprios.
  • Exibida entre 4 de fevereiro e 3 de agosto de 1985 em 155 capítulos.
  • Daniel Más era colunista social antes de escrever a novela e, no lançamento da trama, anunciou que muitos personagens eram inspirados em figuras da sociedade carioca e paulista. A socialite Yonita Salles Pinto chegou a gravar uma cena com sua cópia, a personagem Renata (Suzana Vieira).
  • A idéia inicial era repetir o esquema que tinha dado certo com Sílvio de Abreu e Carlos Lombardi. Lombardi tinha sido colaborador de Abreu em Guerra dos Sexos, e em Vereda Tropical passava à titular com Abreu o supervisionando. Más tinha colaborado com Lauro César Muniz em Transas e Caretas e ia escrever a nova novela com supervisão de Muniz.
  • Devido à baixa audiência, Daniel Más foi afastado da novela no capítulo 37, no ar em 18 de março de 1985, uma segunda-feira e, a partir daí, Lauro César Muniz, Mário Prata e Dagomir Marquezi assumiram a história.
  • O ritmo agitado, a trama non-sense (inclusive com personagens se dirigindo ao telespectador), as citações à figuras pop (o ator Emile Eddè, que interpretava um psicólogo era sósia de Woody Allen, divulgador da psicanalise no cinema) e da alta sociedade, assustaram o grande público, causando a queda na audiência.
  • Os novos autores recolocaram a trama nos trilhos, mas mantiveram o humor cáustico, o que deu à novela a fama de cult, com fãs fiéis.
  • A repórter Amélia Bicudo (Cissa Guimarães) fazia matérias absurdas para o fictício Jornal do Amanhã, cobrindo assuntos que nada tinham a ver com o resto da trama, como um quadro de humor dentro da novela. Ela estava sempre acompanhada do câmera Barrão (Ernesto Piccolo) e do produtor Paulinho (Paulinho de Tarso). Com os novos autores, a personagem passou a investigar a vida de Volpone. O ator José Wilker fez uma participação numa cena, como o chefe de Amélia Bicudo, que a orientava para a nova tarefa, à sério.
  • Cissa Guimarães mostrou tanta simpatia no papel que, poucos anos depois, passou a ser repórter de verdade no programa Video Show, com bastante sucesso.
  • O grande sucesso da novela foi a personagem Anabela Freire, uma quarentona, solteirona, porém charmosa, que conquistava o milionário Pedro Ernesto (Carlos Kroeber). O sucesso era tanto que surgiram sua irmã Florisbela (Marco Nanini) e a prima Clarabela (Antônio Pedro), que não estavam no argumento inicial.
  • Numa das cenas mais engraçadas, Anabela vai a uma danceteria - nome usado pelas casas noturnas na época - e dança loucamente na pista de dança, quando começa uma música de Nina Hagen. Anabela dubla a música inteira olhando direto para os telespectadores.
  • Sem ter como fugir do assédio de Pedro Ernesto, Anabela acaba casando-se com ele. É na cerimônia que acontece o beijo que é considerado o primeiro beijo gay numa telenovela brasileira.
  • Mas como Anabela não consuma o casamento, Pedro Ernesto manda vir de São Paulo a sexóloga Olga del Volga, personagem já famosa do ator Patrício Bisso. Olga adapta-se perfeitamente a novela, que passa a ter quatro travestis falando todo o tipo de besteiras, num típico humor gay, ocupando a maior parte da trama.
  • A parte conservadora da audiência não perdôou tal ousadia e pediu providências ao Governo Federal. A censura da Nova República exigiu a retirada dos travestis da novela. A TV Globo só conseguiu manter Anabela Freire, pois ela estava na sinopse aprovada pela censura.
  • Numa cena simbólica, Anabela amanhece numa praia e Volpone vai tirando sua peruca e maquiagem, como se o personagem tivesse acordado de um surto e agora voltasse a seu estado normal.
  • O ator José Lewgoy não gostou de seu personagem e pediu para deixar a trama. Guilherme, que vivia para satisfazer os caprichos da mulher Renata, de repente diz a ela que não suporta mais viver em segundo plano e a deixa. A despedida dos personagens foi gravada nos corredores dos estúdios da TV Globo, no Jardim Botânico, simulando um aeroporto, com os funcionários da TV passando e conversando ao lado dos atores.
  • A atriz Suzana Vieira interpretava a misteriosa e cínica Renata. O visual da personagem era chiquérrimo. Os cabelos da atriz estavam loiros e bem curtos.
  • O ator Anselmo Vasconcelos interpretava Edson Chaves, um advogado sem muito destaque. Os autores fizeram o personagem sumir e o ator voltou como Edgar Chaves, um punk bem louco que se instalava na mansão de Volpone. O personagem caiu nas graças do público e criou uma gíria própria, dizia "tá maus" toda vez que algo o desagradava. Depois Edson Chaves voltou à trama, sendo inimigo de seu irmão gêmeo punk.
  • Numa cena que ficou famosa, Edson preparava uma sessão de tortura para Edgar, querendo saber os segredos de Volpone. Edgar era trancado num quarto, amarrado a uma cadeira e então, obrigado a ouvir por horas as músicas do grupo Menudo, sucesso da época. Edgar ficava aos berros de desespero enquanto ouvia o hit "Não se reprima" nas alturas.
  • A abertura mostrava um bailinho de jovens nos anos 60, com elementos típicos do início desta década, em forma de gags humorísticas. A abertura era constantemente modificada com o acréscimo de mais cenas, o grupo Roupa Nova chegou a ser incluído posteriormente, como o grupo que tocava no bailinho.
  • Whisky a Go Go, o tema de abertura, interpretado pelo grupo Roupa Nova, até hoje faz sucesso.
  • O título provisório da novela era Esconde-esconde, mas foi escolhido Um Sonho a Mais como título definitivo.
  • Destaque para a brilhante atuação de Carlos Kroeber como o atrapalhado e apaixonado Pedro Ernesto.
  • A protagonista feminina da novela foi a única escolhida por computador na história das telenovelas brasileiras. Como não havia nenhum nome definido, foram colocados os dados da personagem num programa de computador cruzados com as características de várias atrizes, o computador selecionou Sílvia Bandeira, que nunca tinha tido personagem fixo numa novela, mas tinha sido premiada pelo filme Bar Esperança. Ela fazia a sofisticada Stella.
  • Silvia Bandeira fez muito sucesso na época em um comercial de TV, anunciando uma marca de shampoo. Ela fazia o comercial com uma garotinha, que fazia sua filha.
  • No auge do romance entre Anabela Freire e Pedro Ernesto, Sílvia Bandeira reclamou do "absurdo" da situação e de que ficara em segundo plano, em entrevita à revista Amiga.
  • No final, Volpone descobria que realmente estava a beira da morte e recorria a vários médicos. No último capítulo era operado e se recuperava no hospital, mas ao saber que Renata - que era a verdadeira assassina de Dr.Telles - estava fugindo do Brasil, Volpone escapava do hospital e corria ao aeroporto para tentar impedi-la, mas acabava morrendo assim que a alcançava.
  • Na última cena da novela, Ney Latorraca e Sílvia Bandeira, num cenário que simulava o céu, recebiam e cumprimentavam todo o elenco, que entrava, um por um, no cenário, com todos vestidos de branco, numa grande confraternização.
  • O autor Daniel Más só voltou a escrever uma novela três anos depois, com Bambolê.
  • O ator Ricardo Zambelli, marido da atriz Zaira Zambelli, morreu num acidente motociclístico poucos dias depois da estréia da novela, durante o Carnaval. Era seu primeiro personagem fixo numa novela, um rico entediado.
  • Tássia Camargo fez de sua personagem Mônica, um grande sucesso. Tanto, que estampou a capa da revista Playboy, de junho de 1985.