Televisão no Brasil

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A televisão no Brasil começou em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi. Desde então a televisão cresceu no país e hoje representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira. A TV Digital no Brasil teve início às 20h30min do dia 2 de dezembro de 2007, inicialmente na cidade de São Paulo, pelo padrão SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital), o mais completo e avançado do mundo.

História[editar | editar código-fonte]

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

A televisão no Brasil começou em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi. Nos anos 1950, a TV teve no Brasil um caráter de aventura, sendo os primeiros anos marcados pela aprendizagem, com improvisos ao vivo (não havia ainda o videotape). O alto custo do aparelho televisor - que era importado - restringia o seu acesso às classes mais abastadas. Os recursos técnicos eram primários, dispondo as emissoras apenas do suficiente para manter as estações no ar.[1]

Assis Chateaubriand queria aumentar seu conglomerado de mídia Diários Associados, e para isso, resolveu trazer a televisão para o Brasil. Como na época o equipamento não era produzido no país, toda a aparelhagem teve de ser trazida dos Estados Unidos.

Junto aos seus funcionários, foi buscar todos os equipamentos que chegaram por navio no porto de Santos no dia 25 de março de 1950, no litoral do estado de São Paulo. Os equipamentos eram todos encomendados da Radio Corporation of America (RCA). Antes disso, já havia realizado uma pré-estréia com uma apresentação do Frei José Mojica, um padre cantor mexicano. As imagens geradas não passaram do saguão do prédio dos seus Diários Associados, que possuía alguns aparelhos de televisão instalados.

Em 10 de setembro, é realizada uma transmissão pela TV Tupi ainda em sua fase experimental. O conteúdo exibido era um filme onde o ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas relatava seu retorno à vida política.

Então, no dia 18 de setembro de 1950,[1] Assis realiza seu grande sonho: coloca no ar oficialmente a TV Tupi canal 3 de São Paulo, PRF-3 TV. O transmissor de televisão comprado da RCA foi colocado no topo do prédio Banco do Estado de São Paulo. As imagens são geradas a partir de um estúdio localizado na Rua 7 de Abril, no centro da cidade. Uma célebre frase é dita por uma jovem criança de 5 anos de idade: "está no ar a televisão no Brasil". O logotipo do canal era um pequeno índio, e a garota estava vestida a caráter.

Na época a programação era improvisada e gerada completamente ao vivo. Os imprevistos ocorriam freqüentemente; somente na inauguração do canal uma câmera importada estragou poucas horas antes de entrar no ar, e todo o programa foi feito com somente uma câmera. Como não havia televisores ainda em São Paulo e nem outro lugar do país, Chateaubriand espalhou 200 aparelhos em lugares "estratégicos" da cidade de São Paulo.

Hebe Camargo, uma das pioneiras na televisão Brasileira.

Conta-se que estes aparelhos, importados, não conseguiriam chegar ao país no dia da primeira transmissão por problemas alfandegários. Sabendo disso, Chateaubriand utilizou de sua influência, que atingia diversos âmbitos, e antecipou a chegada destes aparelhos.

O primeiro programa criado especialmente para a televisão foi TV na Taba, cuja apresentação ficava a cargo de Homero Silva. Além dele, Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Ciccilo, o balé de Lia Aguiar, Vadeco, Ivon Cury, Wilma Bentivegna, Aurélio Campos, o jogador Baltazar, a orquestra de George Henri e a poetisa Rosalina Coelho Lisboa também participavam.

A TV Tupi também foi a primeira a produzir e veicular um telejornal no Brasil. Imagens do Dia foi ao ar em 19 de setembro sem horário fixo, geralmente indo ao ar às 21:30 ou 22:00. As matérias eram filmadas com película de 16 milímetros e muitas vezes tinham de ser revelados e levados de avião para São Paulo ou Rio de Janeiro, quase sempre chegando em cima da hora.

A televisão continuava com audiência não muito significativa, pois todos os televisores tinham de ser importados. Mesmo assim, Chateaubriand conseguiu vender um ano de espaço publicitário para algumas empresas.

O primeiro teleteatro estréia em novembro daquele ano. A Vida por um Fio (baseado no norte-americano Sorry, Wrong Number) era um drama policial com Lima Duarte, Lia de Aguiar, Walter Forster, Dionísio Azevedo e Yara Lins, contando a história de uma mulher estrangulada pelo marido com um fio de telefone.

Em 22 de novembro as concessões do governo passam a existir. Ganharam as primeiras concessões a TV Tupi, a TV Record, canal 7 de São Paulo e a TV Jornal do Commercio, canal 2 de Recife.

Em janeiro de 1951, é inaugurada por Assis Chateaubriand a TV Tupi do Rio de Janeiro (canal 6), o segundo canal de TV do país. Os dois canais operavam de forma independente um do outro, pois não havia na época satélite nem torres de transmissão ou videotape, sendo a programação de cada canal transmitida ao vivo.

Outros canais pioneiros dos anos 1950 foram:

  • a TV Paulista, canal 5 de São Paulo, inaugurada em março de 1952;
  • a TV Record, canal 7 de São Paulo, inaugurada em setembro de 1953;

Com a inauguração desses canais, São Paulo passou a ter em fins de 1953 três canais, e o Rio de Janeiro um canal (TV Tupi).

Aos poucos, o grupo dos Diários Associados inaugurava outras emissoras de TV pelo país. Em 1955, inaugurou-se a TV Itacolomi, canal 4 de Belo Horizonte. Em 1959 surgia a primeira emissora de TV do Rio Grande do Sul: a TV Piratini, canal 5 de Porto Alegre. Essas e outras emissoras do grupo pertencente a Assis Chateaubriand, inauguradas nos anos seguintes, formariam a Rede Tupi de Televisão na década de 1970.

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Sede da Rede Globo em São Paulo, a segunda maior rede de televisão do planeta.[2] [3]

Os anos 1960 foram um período de inovação na TV, numa época de mudanças nos costumes com a revolução sexual, revoltas estudantis (maio de 1968), e conquista da Lua.

Com a evolução técnica das emissoras, o videotape chega finalmente às emissoras brasileiras em 1960, trazido pelo humorista Chico Anysio, permitindo que os erros ao vivo fossem previamente corrigidos, que um programa pudesse ser gravado num horário diferente do horário de sua exibição, e ainda que o mesmo programa pudesse ser reprisado diversas vezes.

O videotape (VT) permitiu a inauguração no país de mais 27 novas emissoras, com 80% da programação exibindo em VT as produções realizadas no eixo Rio-São Paulo.

As primeiras transmissões de televisão via satélite no Brasil ocorreram em 1965. Nesse mesmo ano, em 26 de abril, entrava no ar a TV Globo do Rio de Janeiro, que mais tarde formaria a Rede Globo. Em 1967, a TV Bandeirantes de São Paulo começava as suas transmissões.

Surge em 1960 a TV Excelsior de São Paulo, que viria revolucionar os padrões então existentes. A emissora introduziu uma filosofia de programação visando à industrialização de seus produtos televisivos e à valorização do profissional da área. O foco principal era a produção de telenovelas.

Fachada atual do Teatro Record, em São Paulo.

A TV Cultura é inaugurada em setembro de 1960, pelos Diários Associados.

Em 1963, a TV Excelsior nacionalizou a programação do horário nobre, até então dominado por seriados estrangeiros. O horário foi ocupado com a novela diária "2-5499 Ocupado", produzida pela própria Excelsior. A emissora foi também pioneira na implantação no país da transmissão em rede, ou seja, simultaneamente para várias cidades.[4]

Na década de 1960, a TV Tupi fez sucesso com algumas novelas, entre elas o drama cubano "O Direito de Nascer", que bateu recordes de audiência.

Em 1968, a novela "Beto Rockfeller", de Bráulio Pedroso e Cassiano Gabus Mendes, exibida pela TV Tupi, inovou a estrutura narrativa, apresentando a figura do "anti-herói". A partir daí, as novelas passaram a abordar temas urbanos, suburbanos ou regionais que pudessem ter aceitação nacional.

Paralelamente, um espaço abriu-se na TV Tupi para projetos experimentais, através de programas como Móbile, Poder Jovem e Colagem, que buscavam encontrar o real significado artístico da linguagem da televisão.

O programa "Família Trapo", um dos mais famosos programas de humor da TV Record, era transmitido ao vivo direto do Teatro Record em São Paulo, com a presença do público e duas horas de duração. Este formato do programa "Família Trapo" serviu de inspiração mais tarde para o programa "Sai de Baixo", da Rede Globo, nos anos 1990.

A TV em cores no Brasil começa em 1962, quando a TV Excelsior de São Paulo transmite no Sistema NTSC o programa Moacyr Franco Show. Em 1963 a TV Tupi de São Paulo também experimenta a transmissão em cores e começa a transmitir o seriado Bonanza nas noites de sábado, também em NTSC. Mas o sistema não vingou, pois todas os receptores coloridos eram importados e custavam muito caro. As transmissões de TV em cores, no Brasil, só começariam efetivamente nove anos depois.

Em 1969, a TV Cultura é vendida à Fundação Padre Anchieta, sendo refundada no dia 15 de Junho, como uma emissora de televisão pública.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

A Copa do Mundo de 1970, no México, chegou em cores no Brasil em transmissão experimental para as estações da Embratel, que retransmitia para os raros possuidores de televisão colorida no Brasil. A Embratel reuniu convidados na sua sede no Rio de Janeiro, em São Paulo (no Edifício Itália) e em Brasília. O sinal, recebido em NTSC (padrão americano), era convertido para PAL-M e captado por aparelhos de TV instalados nas três cidades. Poucos puderam assistir aos jogos em cores. Na TV Globo havia, na época, apenas um aparelho de TV em cores.[5]

Em outubro de 1970, mergulhada em dívidas, a TV Excelsior encerrava suas atividades. Em 1975, surgia a TV Educativa (TVE), com sede no Rio de Janeiro.

Em 1971 o governo baixou uma lei determinando o corte da concessão das emissoras que não transmitissem uma porcentagem mínima de programas em cores. O sistema oficial passou a ser o PAL-M, que era uma mistura do padrão M do sistema NTSC e das cores do sistema PAL Europeu. O objetivo era criar uma indústria totalmente nacional, com seu sistema próprio.

Em 1972, com a regulamentação do sistema PAL-M no Brasil, ocorreu oficialmente a primeira transmissão em cores no Brasil, a partir de Caxias do Sul, RS, por ocasião da Festa da Uva, em 19 de fevereiro. Em 31 de março do mesmo ano, inaugura-se oficialmente a televisão em cores no Brasil.

Para aumentar as vendas de receptores coloridos a Fábrica Colorado patrocinou reprises de jogos de futebol todas as tardes nas TVs Bandeirantes e Gazeta. Em 1973, a TV Globo veiculou a primeira telenovela em cores da televisão brasileira: O Bem Amado. Com a Copa do Mundo de 1974, a venda de receptores coloridos colocou definitivamente o Brasil no mundo da TV em cores.

Formando redes nacionais que alcançavam grande parte do território brasileiro, a TV Globo e a TV Tupi lideravam a audiência na maioria das praças. As sucessivas crises administrativas e financeiras vividas pela TV Tupi ao longo da década de 1970 levaram a Rede Globo a assumir uma posição hegemônica no mercado televisivo brasileiro, quadro que perduraria até fins da década de 1980.

Com elevado padrão técnico, exibindo telenovelas de grande apelo popular, programas jornalísticos como Jornal Nacional, Fantástico e Globo Repórter, além de filmes e séries nacionais e estrangeiras, a Rede Globo tornou-se caso sui generis na história da televisão mundial, ao transformar-se em fonte primária ou única de informação e entretenimento para milhões de brasileiros, formando opiniões, criando costumes e definindo tendências. O poder de influência da Rede Globo junto à opinião pública brasileira é, até hoje, alvo de críticas por parte de setores mais intelectualizados da sociedade.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1980, o governo declarou peremptas as concessões de sete emissoras da Rede Tupi, inclusive as cabeças de rede em São Paulo e Rio de Janeiro, provocando o fim da mais tradicional emissora de TV do país. Os empresários Sílvio Santos e Adolpho Bloch ganharam as concessões dos canais de televisão vagos com o fim das TVs Tupi e Excelsior, após vencerem concorrência pública, da qual também participaram os grupos Abril, Capital, Visão e Jornal do Brasil.[6]

Sílvio Santos lançou o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), em 1981, de programação eminentemente popularesca, cujo carro-chefe durante vários anos foi o programa de auditório dominical apresentado pelo próprio Sílvio Santos. Em 1983, surgiu a Rede Manchete, de propriedade de Bloch, voltada para o público de maior escolaridade e renda.

Em 1981, a Rede Globo ganhou pela primeira vez o Prêmio Emmy Internacional, na categoria Popular Arts, com o especial infantil Vinícius para Criança - A Arca de Noé.[7] No ano seguinte, a emissora recebeu novamente o prêmio, desta vez com o especial Morte e Vida Severina, baseado na obra de João Cabral de Melo Neto.[8]

Em 7 de julho de 1983, durante uma greve nacional de trabalhadores, a TV Bandeirantes teve seus transmissores lacrados por 15 horas. A emissora havia veiculado notícias sobre a greve, o que era proibido pelo governo militar.[9] No início de 1984, a Rede Globo evitou transmitir os comícios do movimento Diretas Já, que pedia o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. O boicote da Rede Globo, que teria sofrido pressão por parte dos militares para não noticiar os comícios,[10] [11] fez com que parte de sua audiência migrasse para os telejornais de outras emissoras. Somente a partir de abril daquele ano, sob pressão da opinião pública, a Globo passou a veicular os comícios em rede nacional.

O fim do regime militar e a promulgação da Constituição de 1988 significaram o fim da censura à imprensa e aos programas de televisão. Roque Santeiro, novela de Dias Gomes, cuja exibição havia sido vetada pelo governo militar na década de 1970, pôde, enfim, ser apresentada pela Rede Globo em 1985, tornando-se um dos maiores fenômenos de audiência do gênero no país.

Levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas demonstra que até março de 1979 havia 1.483 emissoras de rádio e TV no Brasil. Durante o governo de José Sarney, entre 1985 e 1990, foram distribuídas 1.091 concessões de rádio e TV, sendo que 257 foram no mês que antecedeu a promulgação da Constituição. Daquele total, 165 beneficiaram 91 parlamentares, 90% dos quais votariam a favor do mandato presidencial de cinco anos, defendido por Sarney, durante a Assembléia Nacional Constituinte.[12] Com isso, grande parte das novas emissoras de televisão do Brasil viria a ser controlada por grupos oligárquicos regionais.

A Rede Globo foi acusada de ter ajudado a eleger o candidato Fernando Collor de Mello na eleição de 1989, especialmente por meio da edição manipulada de trechos do último debate entre Collor e seu adversário Luís Inácio Lula da Silva. A edição polêmica foi apresentada no Jornal Nacional, na véspera da votação e num momento em que não poderia haver mais propaganda partidária na TV.[13] [14]

Também em 1989, a TV Record de São Paulo, cujas ações até então pertenciam ao Grupo Silvio Santos e ao Grupo Paulo Machado de Carvalho, foi vendida ao empresário-bispo Edir Macedo.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

A disputa pela audiência entre as grandes redes de televisão acirrou-se a partir de 1990. Ainda que tenha mantido a liderança nos índices durante a maior parte da década, a Rede Globo enfrentou a concorrência da Rede Manchete e do SBT. Esporadicamente, a Rede Manchete chegou a liderar a audiência nas maiores praças, com programas como a novela Pantanal e o jornalístico Documento Especial. Já o SBT apresentava na sua grade telenovelas produzidas no México e programas de apelo popular como o humorístico A Praça É Nossa, o jornalístico Aqui Agora e o programa de auditório Domingo Legal.

Nessa década houve o advento das redes em UHF. A MTV Brasil estreou em 1990. Em 1994, entra no ar a Rede Mulher (atual Record News) e, em 1995, a Rede Vida.

Também nesse período, a TV Cultura e a TV Record, ambas com sede em São Paulo, mais a CNT do Paraná, passaram a transmitir em rede.

Com início das operações da TVA, em 1991, surgiram as primeiras emissoras de TV por assinatura no Brasil. O setor de TV por assinatura, dominado pelos grupos brasileiros Abril e Globo e pelo conglomerado norte-americano News Corporation, apresentou crescimento tímido em seus primeiros quinze anos, e só viria a expandir-se mais tarde, impulsionado pela venda associada, por parte das operadoras, de serviços de banda larga de Internet. [15]

O aquecimento da economia a partir da implantação do Plano Real, em 1994, provocou uma mudança no perfil do telespectador da TV aberta no Brasil. As camadas populares passaram a ter mais facilidade para adquirir aparelhos de televisão, o que teve reflexo na programação das emissoras de TV aberta. Passaram a predominar, na grade de programação das grandes redes de televisão, programas de conteúdo erótico, sensacionalista e de apologia à violência. A banalização do conteúdo televisivo passou a ser alvo de críticas de intelectuais, educadores e autoridades públicas brasileiras.

Após sucessivas crises financeiras, a Rede Manchete fechou suas portas em 1999. Em seu lugar, entrou no ar a RedeTV!, emissora de cunho popular e jovem, do empresário Amilcare Dallevo.

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Presidente Lula em pronunciamento durante cerimônia de início das transmissões da televisão digital no Brasil.

A primeira década do século XXI foi marcada, na televisão brasileira, pelo advento dos reality-shows, dentre os quais se destacaram Casa dos Artistas, no SBT; No Limite e Big Brother Brasil, ambos na Rede Globo; e mais O Aprendiz e A Fazenda, ambos da Rede Record. Já a audiência das telenovelas, em especial as veiculadas pela Rede Globo, sofreram queda acentuada. Entre outros fatores, credita-se a crise na audiência das telenovelas ao crescimento da TV paga e da Internet residencial.[16]

Não obstante, a teledramaturgia brasileira continuou sendo referência no cenário internacional. Caminho das Índias, escrita por Glória Perez e exibida pela Rede Globo em 2009, foi a primeira telenovela do Brasil a conquistar o Prêmio Emmy Internacional.[17]

Com o crescimento da Internet, as emissoras de televisão passaram a lançar canais de interação com o público telespectador que gradativamente migrava para a rede mundial de computadores. Ao mesmo tempo que a audiência da TV aberta vem caindo nos grandes centros urbanos, aumentam os acessos aos sites que veiculam vídeos com conteúdo televisivo. Associado a esse fenômeno, veio o sucesso dos programas de humor voltados para o público jovem, como o Pânico na TV, o CQC e o Legendários, que lançam mão da interatividade com os internautas.

Com investimentos de porte e marketing agressivo, a Rede Record assumiu a vice-liderança de audiência da TV aberta em 2007. Entretanto a Globo ainda mantinha, em agosto daquele ano, o triplo da audiência da Record.[18]

A televisão digital entrou em operação comercial no final de 2007. Na mesma época, foi lançada a TV Brasil, primeira emissora pública lançada por iniciativa do governo federal.

Ainda em 2007, entrou em vigor a classificação indicativa dos programas de televisão, por faixa etária, feita pelo Ministério da Justiça.

Década de 2010[editar | editar código-fonte]

A Rede Globo voltou a ganhar o Prêmio Emmy Internacional em 2011, com o Jornal Nacional; em 2012, com a novela O Astro e o seriado A Mulher Invisível;[19] e em 2013, com a novela Lado a Lado.

O sucesso da novela Carrossel, em 2012, devolveu temporariamente ao SBT a vice-liderança de audiência, após disputa acirrada com a Rede Record. [20] [21] A Record recuperaria a vice-liderança no ano seguinte.[22]

A exibição do último capítulo da novela Avenida Brasil, da Rede Globo, em outubro de 2012, levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a montar um esquema especial de reforço da capacidade de geração de energia no país, para evitar o risco de um apagão logo após o término da exibição do capítulo, quando a maior parte das pessoas sairia de frente do aparelho de televisão e voltaria a usar equipamentos elétricos como chuveiro e geladeira, ao mesmo tempo. Essa situação já havia ocorrido por ocasião da exibição dos últimos capítulos de novelas anteriores da emissora.[23] [24]

Em setembro de 2013, a MTV Brasil encerrou suas atividades. Seu sinal na TV aberta passou a ser ocupado pela Ideal TV [25]

A chegada da TV Digital ao Brasil[editar | editar código-fonte]

A Televisão no Brasil está passando por uma fase de transição para a transmissão digital, que proporciona uma qualidade superior de som e imagem.

O governo brasileiro optou por uma versão modificada do ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting-Terrestrial) - Padrão japonês, criando o ISDB-TB, sistema de TV digital único no mundo, incompatível com o padrão utilizado no Japão. A TV Digital no Brasil teve sua estreia oficial às 20:30 do dia 2 de dezembro de 2007, na cidade de São Paulo, após cerca de seis meses de transmissões experimentais. A inauguração da nova transmissão foi transmitida por todas as emissoras.

Programação[editar | editar código-fonte]

Telenovelas[editar | editar código-fonte]

Programas de auditório[editar | editar código-fonte]

Videoclipes musicais[editar | editar código-fonte]

Jornalismo sensacionalista[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1990, junto do crescimento da violência nas grandes cidades brasileiras, a programação da TV no fim da tarde começou a ser tomada pelos programas de jornalismo sensacionalista. O primeiro foi o Aqui Agora (SBT). Inspirado neste, surgiram Cidade Alerta (Record), Brasil Urgente (Band), 190 Urgente e Programa Cadeia (CNT), Repórter Cidadão (RedeTV!).

O principal componente dos programas é o apresentador, que na maioria dos programas adiciona um tom sério porém sensacionalista a reportagens geralmente de tragédias ou perseguições. É muito comum também encontrar as "unidades móveis" do programa que andam pelo centro da cidade seguindo a polícia em algum tipo de missão. Os helicópteros também são um recurso utilizado, geralmente para mostrar engarrafamentos. Outra atitude comum dos apresentadores é cobrar a polícia por mais ação diante do comportamento dos criminosos.

Este tipo de programa explora a degradação humana bem como é o pano de fundo para as praticas comerciais não sendo em nenhum momento um programa jornalistico de verdade.

Nos estados da Região Norte e Região Nordeste e outros há uma explosão de programas policiais locais, exibidas no horário de almoço. As afiliadas do SBT, Rede Record, Rede Bandeirantes, RedeTV! e a TV Diário, do Ceará, são as que mais investem nesse tipo de programa.

Programas infantis[editar | editar código-fonte]

Xuxa e ‎Eliana, apresentadoras infantis.

Muito antes do advento de artistas infantis como Mara Maravilha, Xuxa, Eliana e Angélica, como era praxe, a TV Tupi importou do rádio o primeiro programa infantil da televisão brasileira, o Clube do Guri (originalmente chamado de Gurilândia). O programa durou 21 anos no ar (1955 - 1976), misturando crianças-prodígio e mães-corujas vigilantes. Entre as principais atrações do programa, estavam musicais, declamação de versos de Castro Alves e canções com instrumentos musicais.

Mais tarde, a TV Tupi também emplacou outros sucessos infantis, como o Teatrinho Trol (1956 - 1966) e o Capitão Aza (1966 - 1979). Este último, além de suas atrações próprias, apresentava desenhos como Speed Racer e Corrida Maluca, além de outros clássicos como A Feiticeira e Jeannie é um Gênio, sendo pioneiro no formato do programa infantil que exibe desenhos animados.

A segunda geração dos programas infantis na televisão brasileira ficou a cargo da TV Paulista, adquirida posteriormente pela Rede Globo, responsável pela produção de célebres programas infantis como, Zás Trás, que foi um programa infantil de auditório da década de 1960, que era exibido no fim da tarde, dirigido por Renan Alves e apresentado por Márcia Cardeal, Capitão Furacão (1965 - 1970) que foi exibido pela Globo a partir do dia de estréia da emissora (26 de abril de 1965), a primeira versão da Vila Sésamo (1972 - 1977), Globinho (1972 - 1982), que era um programa infantil em formato de telejornal, além dos programas que exibiam desenhos animados, como Globo Cor Especial (1973 - 1983) e os especiais HB 78, HB 79, HB 80, HB 81 e HB 82, que exibiam exclusivamente os desenhos dos estúdios Hanna-Barbera.

Um dos programas infantis mais famosos da televisão brasileira é o Sítio do Pica-Pau Amarelo,cuja primeira versão estreou em 1951 e durou até 1963 na TV Tupi,a sua segunda versão foi produzida pela Rede Globo de 1977 a 1986 e a terceira versão foi produzida de 2001 a 2007. As três versões tinham formatos diferentes,mas tinham praticamente os mesmos personagens.

Um outro expoente desse período foi o Balão Mágico que foi o primeiro infantil da televisão brasileira apresentado por crianças que foi exibido por 3 anos de 1983 a 1986.

A Eliana começou o seu primeiro programa infantil "Festolândia" no SBT em 1991, ela foi considerada "Uma das melhores apresentadoras infantis da Televisão Brasileira", conquistou muitas crianças e foi a primeira apresentadora do programa "Bom Dia & Cia," ainda está no ar na emissora. Após sete anos no SBT e contratou com a Rede Record, onde apresentou programa "Eliana e Alegria" sempre teve ótima audiência e derrotou a Xuxa em várias vezes e os seus programas infantis na TV Record foram transmitidos em mais 53 países.Os programas infantis que foram apresentado por Eliana entra com suas músicas de sucessos como "Pop Pop", "A Força do Mestre", "Dona Felicidade" e principalmente o sucesso "Os Dedinhos" e vários músicas. A Eliana foi conhecida como "Eliana Dedinhos", ela fez grande sucesso na Televisão Brasileira como as outras grandes apresentadoras infantis Mara Maravilha, Xuxa e Angélica. Em 2005, Eliana decide se desligar da imagem de apresentadora infantil para comandar o Tudo é Possível, o que marca sua entrada na grade dos domingos da emissora e em 2009, retorna ao SBT onde atualmente hoje o também dominical Programa Eliana.

A terceira geração dos programas infantis da televisão brasileira teve início nos primeiros anos da década de 1980,um novo formato de programas infantis. No qual,o formato era centrado na personalidade de suas apresentadoras.O primeiro programa a ter este formato foi O Bozo que começou em 1981 na então TVS futuro SBT, Depois veio o Clube da Criança,exibido pela Rede Manchete de 1984 a 1995 com várias apresentadoras. Neste programa foram reveladas os dois maiores ícones do período Xuxa e Angélica que posteriormente iriam para a Rede Globo,apresentar programas do mesmo formato. Em 1986 Xuxa se transferia para a Rede Globo para apresentar aquele programa que é o símbolo do período o Xou da Xuxa que duraria 6 anos e teria o formato exportado para vários países da América Latina.Em contraponto,na disputa pela audiência o SBT também usaria o mesmo formato com Mara Maravilha ,Simony, Eliana e Mariane,até os primeiros anos da década de 90. Um marco para o fim dessa geração foi o se deu quando o programa Bozo acabou em 1991, Esse também foi o único programa que pegou o final da 2ª geração dos programas infantis. Com o fim do Bozo, veio o fim do Xou da Xuxa um ano depois. O formato ainda suspiraria em outras emissoras até os primeiros anos da década de 2000.

A quarta geração dos programas infantis da televisão brasileira teve início nos primeiros anos da década de 90 e dura até hoje. O início deste período foi a estréia TV Colosso em 1993 na Rede Globo e a substituição gradativa das apresentadoras por crianças e ou adolescentes no comando dos programas. O primeiro programa a fazer esta substituição foi a TV Globinho em 2000 e posteriormente,o SBT desenvolveria um novo formato.No qual, se basea na interatividade.Por meio de ligações telefônicas para o programa,os apresentadores sorteam prêmios por meio de brincadeiras com a participação dos telespectadores.o maior expoente deste período é a menina Maisa Silva que desde os quatro anos apresenta o Bom Dia & Cia com uma desenvoltura considerada precoce para sua idade.

Lucro[editar | editar código-fonte]

  • Ranking das emissoras com maior renda (em Reais), segundo a revista Exame especializada em economia e negócios. Dados relativos a 2012.
Ranking Emissora Lucro em 2013 Fonte
#1 Rede Globo R$ 2,9 Bilhão [26]
#2 Rede Record R$ 1,5 Bilhão [27]
#3 SBT R$ 1 Bilhão [28]
#4 Band R$ 679,0 Milhões[nota 1]
#5 Grupo RBS R$ 233,7 Milhões [29]

Canais[editar | editar código-fonte]

Televisão por estado[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Lucro relativo a 2011. Sem fontes para 2012

Referências

  1. a b "A Televisão Brasileira", Centro Cultural de São Paulo, Pesquisa e texto: Edgard Ribeiro de Amorim, 1998, pág.09.
  2. Globo Network Institutional (em português) Organizações Globo. Página visitada em 2007-11-19.
  3. Estagiar (em português) Organizações Globo. Página visitada em 2007-11-19.
  4. "A Televisão Brasileira", Centro Cultural de São Paulo, Pesquisa e texto: Edgard Ribeiro de Amorim, 1998, págs. 35 e 36.
  5. Jornal Nacional - 15 Anos de História" (1984, Rio Gráfica Editora - atual Editora Globo)
  6. Folha de S.Paulo, 20 de março de 1981
  7. Memória Globo
  8. Memória Globo
  9. Mercado Brasileiro de Televisão, César Bolaño (EDUC, 2ª edição, 2004).
  10. Globo censurou Diretas Já, diz Boni, Vi O Mundo
  11. Comícios das Diretas Já, Memória Globo
  12. Folha de S. Paulo, 3 de setembro de 1995.
  13. Filme Beyond Citizen Kane, da BBC
  14. Debates: Collor x Lula Memória Globo. Página visitada em 7 de setembro de 2013.
  15. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u382393.shtml
  16. Audiência das novelas da Globo
  17. Memória Globo
  18. Revista Veja, 10 de outubro de 2007
  19. A Mulher Invisível e O Astro ganham o Emmy Internacional - Jornal Nacional, 20 de novembro de 2012
  20. SBT sai do terceiro lugar e do marasmo - Observatório da Imprensa
  21. SBT recupera segundo lugar - Luís Nassif Online
  22. Record retoma a vice-liderança - MSN Entretenimento
  23. ONS reforça sistema elétrico para final de Avenida Brasil - G1
  24. Avenida Brasil: final pode causar apagão elétrico no Brasil, preocupa-se ONS - Radar Pop Estadão
  25. Possebon, Samuel (20 de setembro de 2013). No lugar da MTV, TV Abril terá programas de negócios e carreiras Tela Viva. Converge Comunicações. Página visitada em 20 de setembro de 2013.
  26. Lucro da Globo sobe 36% e chega a R$ 2,9 bilhões
  27. Faturamento 2012 - Rede Record
  28. Melhores e Maiores - SBT
  29. Melhores e Maiores - Grupo RBS

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]