Cambalacho

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Cambalacho
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 50min 
Criador(es) Sílvio de Abreu
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Jorge Fernando
Antônio Rangel
Elenco Fernanda Montenegro
Gianfrancesco Guarnieri
Natália do Valle
Cláudio Marzo
Susana Vieira
Maurício Mattar
Andréa Avancini
Edson Celulari
Regina Casé
Roberto Bonfim
Rosamaria Murtinho
Consuelo Leandro
Débora Bloch
(Ver mais)
Tema de abertura "Cambalacho", de Walter Queiroz
Transmissão original 10 de março de 19863 de outubro de 1986
N.º de episódios 179 (original)
115 (Vale a Pena Ver de Novo)
10 (Vídeo Show)
179 (Canal Viva)
Cronologia
Último
Último
Ti Ti Ti
Hipertensão
Próximo
Próximo
Programas relacionados Jogo da Vida
Guerra dos Sexos
Sassaricando

Cambalacho foi uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no tradicional horário das 19 horas, entre 10 de março e 3 de outubro de 1986, substituindo Ti Ti Ti e sendo substituída por Hipertensão,[1] em 179 capítulos.[2]

Foi escrita por Sílvio de Abreu, que abordou como tema a "situação vergonhosa" no qual o Brasil passava, na visão do autor.[3] Com supervisão de Daniel Filho, direção de Jorge Fernando e Antônio Rangel, e direção geral de Jorge Fernando.[4]

Foi reapresentada pelo Vale a Pena Ver de Novo, entre 8 de julho e 13 de dezembro de 1991, substituindo Top Model e sendo substituída por Fera Radical, em 115 capítulos.

Em 2011, a Rede Globo chegou a cogitar fazer um remake da trama, novamente no horário das 19 horas e que estrearia em maio de 2012 no lugar da nova versão de Guerra dos Sexos. A Rede Globo adiou o projeto da novela porque a produção tinha semelhanças com outras tramas que a emissora pretendia exibir naquela ocasião.[5]

Foi reexibida pelo quadro Novelão, do Vídeo Show, entre 17 a 28 de setembro de 2012, substituindo Direito de Amar e sendo substituída por Dancin' Days, em 10 capítulos.

Será reexibida na íntegra pelo Canal Viva a partir de 24 de agosto de 2015, substituindo Pedra sobre Pedra, às 14h30.[6] [7]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Andréia planeja um crime perfeito para eliminar seu marido, Antero Souza e Silva, e ficar com sua herança. Só que o testamento remete a fortuna para Leonarda Furtado, a Naná, suposta filha desaparecida de Antero e que vive aplicando cambalachos para sobreviver ao lado de Jerônimo Machado, o Jejê. Para aliviar a culpa que sente por ser trapaceira, Naná leva para sua casa crianças que recolhe nas ruas de São Paulo.

Andréia sentindo-se perdida, constitui seu advogado, o homem que ama, Dr. Rogério, marido de sua irmã Amanda. Amanda, também advogada, por sua vez, sentindo-se traída, coloca-se à disposição de Naná defendendo-a contra todos, principalmente do marido e da irmã.

Mas a história tem uma reviravolta com a chegada de Daniela, suposta filha de Naná que morava no exterior e a mãe não via desde pequena. Acompanhados de Daniela chegam Armandinho e João Pedro, dois vigaristas que se fazem passar por nobres franceses.

E ainda há a pretensiosa Tina Pepper, fã da cantora Tina Turner, que usa uma peruca a imitando. Ela é filha de Lili Bolero, que passa o tempo todo queixando-se da carreira de cantora que teria lhe sido roubada por Ângela Maria.

Produção[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Mais uma novela que mostrou o espírito inventivo de Sílvio de Abreu em sua primeira novela sem a censura no Brasil, o autor usou Cambalacho para criticar o comportamento condescendente frente a falcatruas e à corrupção, uma maneira de combater a ideia de que se pode levar vantagem em tudo. Ele comentou em entrevista: “Cambalacho falava da falta de vergonha geral no Brasil. O país era tão corrupto que as pessoas se sentiam no direito de serem corruptas. Mas essa mensagem não passou na novela. O tom de comédia, as situações engraçadas, foram mais fortes”.[1] Foi por isso que conseguiu criar dois protagonistas anti-heróis, dois trambiqueiros. Também pôde discutir a moral do país, como a questão da homossexualidade, o que seria inconcebível nos tempos da ditadura militar, o que, segundo ele, seria inconcebível em tempos de repressão.[8] [1]

Por meio dos personagens Tiago (Edson Celulari) que é um jovem bailarino que sofre por sua profissão não ser aceita por seu pai, Antero (Mário Lago), e acaba sendo deserdado. Ele é apaixonado por Ana Machadão (Débora Bloch), filha de Gegê (Gianfrancesco Guarnieri), uma jovem que carrega no nome e na personalidade a aspereza que sua profissão de mecânica de automóveis lhe ensinou. Apesar disso, nem Tiago nem Ana são homossexuais. Através dos dois personagens, o autor invertia profissões tradicionalmente masculinas e femininas e trazia a discussão acerca de preconceitos relacionados ao comportamento social. O casal fez tanto sucesso, que implacou a capa da trilha sonora internacional da novela.[9] [1]

Mas também transformou sua trama folhetinesca numa deliciosa e divertida comédia. Muitas idéias excelentes, com uma integração perfeita do texto com o elenco e direção.[4] [1] Ótimos momentos de Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri e Natália do Valle - ela, como a inesquecível vilã Andreia Souza e Silva, a "perigosa", como repetia o refrão do tema musical da personagem.

O nome de Naná (Fernanda Montenegro), quando fazia cambalachos como cartomante-vidente, era "Mãe Narda". Outra curiosidade, era o apelido da personagem Cecília (Rosamaria Murtinho), que gostava de ser chamada Céci, com o acento na primeira sílaba, ao invés de Cecí.

O nome da academia de Amanda (Susana Vieira) se chamava Phsysical, que tinha seu formato de pirâmede. Tina Pepper (Regina Casé) tomou conhecimento do livro "O livro da Salamandra", através de uma cliente da academia Physical, Dona Romilda (Wilza Carla). Tina roubou o livro da cliente e começou a fazer feitiços para deixar os homens enlouquecidos, foi desta maneira que a moça conseguiu despertar o interesse de Aramís (Paulo César Grande), que curiosamente no último capítulo se apaixonou verdadeiramente por ela.

Destaque também para as presenças hilariantes de Regina Casé e Consuelo Leandro, que viveram Tina Pepper e Lili Bolero, mãe e filha na novela. Enquanto Tina Pepper queria ser a Tina Turner brasileira (no auge da popularidade na época), ela usava uma peruca para imitá-la. No decorrer da trama, Tina Pepper gravou um disco e ficou rica e famosa, tendo inclusive se apresentado no Cassino do Chacrinha. Sua música “Você Me Incendeia” virou um hit dentro e fora da novela. Já Lili Bolero passou a novela inteira dizendo que perdera o sucesso, por causa da cantora Ângela Maria, Em virtude disso, a cantora surgiu numa participação especial. No último capítulo é revelado que Naná (Fernanda Montenegro) era realmente filha de Antero (Mário Lago) com Dona Ubiratânia (Henriqueta Brieba).

Apaixonado por cinema, Silvio de Abreu sempre traz referências à sétima arte nos seus trabalhos na televisão. Segundo o autor, a trama de Andréia é inspirada em filmes policiais.[4] Já Naná e Gegê vivem na atmosfera de Oliver Hardy e Stan Laurel, conhecidos como O Gordo e o Magro, personagens americanos que se tornaram ícones na comédia cinematográfica mundial.[4] [1]

A canção Thanks for The Memories inspirou Silvio de Abreu a escrever a trama de Susana Vieira (Amanda) e Cláudio Marzo (Rogério).[4]

As primeiras chamadas da novela aguçavam a curiosidade do telespectador: “você sabe o que quer dizer ‘cambalacho’?”. O termo popularizou-se, tornando-se expressão comum para designar golpe, trapaça.[1]

Gravações[editar | editar código-fonte]

A novela, ambientada em São Paulo, indicava as passagens de tempo através de letreiros luminosos, criados por computador e postos no alto dos prédios da cidade. Nesses painéis apareciam desenhos e frases do tipo "Cai a noite", "Amancheceu", "Enquanto isso", entre outros.[10] [1]

Silvio de Abreu pretendia gravar o encontro de Debbie Day (Christine Nazareth) e Rogério (Cláudio Marzo), em Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas a locação precisou ser em Roma, na Itália, onde a equipe de produção poderia usar a infraestrutura da Tele Monte Carlo, emissora das Organizações Globo entre os anos 1985 e 1993.[10] [1]

Poucos antes da novela estrear, no governo de José Sarney, o Brasil lançou o Plano Cruzado. Algumas cenas da novela, por conta disso, tiveram de ser adaptadas, pois faziam referência a valores ainda cotados em Cruzeiro (a moeda anterior). A solução foi mostrar na tela a correspondência de valores.[4] [1]

As mães dos atores e atrizes que interpretavam as crianças que Naná (Fernanda Montenegro) abrigava em sua casa ajudavam a direção da novela a guiá-las. As mães tinham vários truques e acabavam dirigindo os próprios filhos.[4]

Joana Fomm, intérprete de Joana, encerrou sua participação na novela no decorrer das gravações por motivo de saúde.[4] [1]

O ator Marcos Frota, que viveu o trapezista Rick na novela, deu continuidade na vida real a atividade circense, criando anos depois um circo.

Foi o primeiro trabalho de Zilka Salaberry, após o término do programa Sítio do Picapau Amarelo, em janeiro de 1986. A atriz que vivera Dona Benta por muitos anos, fez uma participação em Cambalacho como a juíza que dava a herança de Antero (Mário Lago) à Naná (Fernanda Montenegro).

A última sequência da novela fugiu do tradicional e contou com imagens gravadas de um helicóptero – ao som da música “Armando Eu Vou” (cantada por Cida Moreira) - as sequências finais contaram com a participação de um corpo de balé caracterizado com figurinos dos personagens da novela, que, no final da coreografia, vistos do alto, os bailarinos formavam a palavra “cambalacho” pelas ruas de São Paulo.[10] [1]

No último capítulo de Cambalacho, o autor Silvio de Abreu aparece em cena como o padre do casamento de Naná (Fernanda Montenegro) e Gegê (Gianfrancesco Guarnieri). O diretor Jorge Fernando surge como palhaço no circo do personagem Ricky, vivido por Marcos Frota. Quem também fez uma participação especial, no decorrer da novela, foi o diretor Daniel Filho, como um agente da Interpol.[4] [1] Ainda houveram as participações especiais do piloto de automobilista Ingo Hoffmann, que, num certo momento da trama, patrocinou o personagem Atos (Flávio Galvão), que passava a ser piloto de motos na empresa de Ingo, a Hoffman & Hoffman, e de Cláudia Raia, a atriz desfiou um sotaque espanhol e fez uma milionária portenha. Participação esta aguardada há muito, porque, segundo Cláudia, Silvio de Abreu escreveu especialmente para ela o papel de Debbie Day, que teve que recusar na época em que Roque Santeiro – novela na qual atuava – se estendeu (o papel acabou ficando com Christine Nazareth).[1]

Exibição internacional[editar | editar código-fonte]

Cambalacho foi vendida para mais de dez países, entre os quais, Angola, Bolívia, Itália, Porto Rico, Portugal e Venezuela.[4]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Participação especial
As crianças
Participações especiais em outros capítulos

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora Nacional[editar | editar código-fonte]

Cambalacho Nacional
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento 1986
Gênero(s) Vários
Formato(s) Vinil
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de vários intérpretes
Último
Último
-
Cambalacho Internacional
Próximo
Próximo

Nacional[editar | editar código-fonte]

  • Capa: logotipo da novela
  1. "Perigosa" – Syndicatto
  2. "Armando Eu Vou" – Cida Moreira
  3. "Jerônimo" – Germano Mathias (part. esp. Canto a Canto)
  4. "Parece Mas Não É" – Carbono 14
  5. "Estrela de Bastidor" – Ângela Maria
  6. "Vila Curiosa" – Passoca (part. esp. Papavento)
  7. "Cambalacho" – Wálter Queiróz
  8. "Filho da Cidade" – Sérgio Dias
  9. "Só Eu Sei" – Gilliard
  10. "O Ganso Que Dança" – Zona Sul
  11. "Jardins" – A Voz do Brasil
  12. "Deus Nos Acuda" – Fundo de Quintal
  13. "Alguém Que Olhe Por Mim (Someone To Watch Over Me)" – Emílio Santiago

Trilha sonora internacional[editar | editar código-fonte]

Cambalacho Internacional
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento 1986
Gênero(s) Vários
Formato(s) Vinil
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de vários intérpretes
Último
Último
-
Próximo
Próximo

Internacional[editar | editar código-fonte]

  1. "The Captain Of Her Heart" – Double
  2. "Bad Boy" – Gloria Estefan & Miami Sound Machine
  3. "Don't You Love Me Anymore" – Joe Cocker
  4. "Let's Dance" – Chris Rea
  5. "Greatest Love Of All" – Whitney Houston
  6. "Don Quichotte" – Magazine 60
  7. "Somebody Won't Sleep Tonight" – Frederick
  8. "On My Own" – Patti LaBelle e Michael McDonald
  9. "Something About You" – Level 42
  10. "Manic Monday" – Bangles
  11. "Cherish" – Kool & The Gang
  12. "Better Be Good To Me" – Tina Turner
  13. "Rough Boy" – ZZ Top
  14. "I'm Losing You" – Ven-Uto

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n Nilson Xavier. Cambalacho - Bastidores Teledramaturgia. Visitado em 17 de abril de 2015.
  2. Memória Globo. Cambalacho Globo.com. Visitado em 17 de abril de 2015.
  3. Gomez, Heloiza (5 de maio de 2010). Silvio de Abreu fala sobre PASSIONE (em português) M de Mulher Minha Novela Online. Visitado em 09-07-2010.
  4. a b c d e f g h i j Memória Globo. Cambalacho Globo.com. Visitado em 17 de abril de 2015.
  5. Alberto Pereira Jr (18 de março de 2011). Globo quer remake de "Cambalacho" Folha de São Paulo UOL. Visitado em 18 de abril de 2015.
  6. Novela "Cambalacho" chega ao VIVA a partir de agosto Canal Viva (6 de abril de 2015). Visitado em 6 de abril de 2015.
  7. Canal Viva vai reprisar a novela Cambalacho Conta Mais (6 de abril de 2015). Visitado em 6 de abril de 2015.
  8. Cambalacho - Censura Memória Globo Globo.com. Visitado em 17 de abril de 2015.
  9. Cambalacho - Ações socioeducativas Memória Globo Globo.com. Visitado em 17 de abril de 2015.
  10. a b c Cambalacho - Produção Memória Globo Globo.com. Visitado em 17 de abril de 2015.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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