Censo demográfico do Brasil de 1872

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Original pertencente a família do bibliógrafo Hélio Gravatá, cujos antepassados residiam em Salvador na província da Bahia nesta época.
As listas de família eram preenchidas geralmente pelo chefe do domicílio, que na época era chamado de "fogo".

O censo demográfico do Brasil de 1872 foi a primeira operação censitária realizada em território brasileiro, à época imperial.[1] [2]

Durante o período imperial, o governo sentiu necessidade de obter dados estatísticos para melhor conhecer o País. Por conta disso, em 1871, criou a Diretoria Geral de Estatística – DGE, para organizar as atividades estatísticas nacionais e realizar, no ano seguinte, o primeiro recenseamento feito no Brasil. Com a instalação da República, o novo governo reorganizou a DGE e ampliou suas atividades, implantando o registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos. A partir de 1890, realizados pela então Direção Geral de Estatística, os censos ocorreram de dez em dez anos, com a exceção de 1910 e 1930, nos quais a conjuntura política impediu a realização.[3]

Foram recenseados todos os moradores em domicílios particulares e coletivos e que se encontravam nele na data de referência do censo que foi o dia 1º de agosto de 1872. A distribuição da população se fez segundo a cor, o sexo, o estado de livres ou escravos, o estado civil, a nacionalidade, a ocupação e a religião.

Perfil da população[editar | editar código-fonte]

Províncias e o Município Neutro no território do Império do Brasil em 1872.
Quadro geral da população escrava considerada em relação aos sexos, estados civis, raças, religião, nacionalidade, e graus de instrução para a Província do Rio Grande do Norte no censo de 1872.

Os resultados finais revelaram que o Brasil tinha 9.930.478 habitantes, sendo 5.123.869 homens e 4.806.609 mulheres. Os homens representavam 52% da população total. Com relação ao número de habitantes, os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada.[4]

Segundo o censo 38,3% eram pardos, 38,1% brancos e 19,7% negros. Os índios perfaziam 3,9% do total, curiosamente, os indígenas ficaram durante 101 anos sem aparecer como categoria separada nos levantamentos populacionais, só retornando em 1991. Em 1872, os escravos representavam 15,2% da população brasileira. Os estrangeiros somavam 3,8%, a maioria deles portugueses, alemães, africanos livres e franceses.[5]

Entre a população livre, 23,4% dos homens e 13,4% das mulheres foram considerados alfabetizados. Os dados populacionais por faixa etária mostraram que 24,6% da população eram de crianças menores de 10 anos de idade; 21,1% eram adolescentes e jovens entre 11 e 20 anos; 32,9% eram adultos entre 21 e 40 anos; 8,4 % tinham entre 41 e 50 anos; 12,8% tinham entre 51 e 70 anos; e, por último, apenas 3,4 % tinham mais de 71 anos de idade.[6]

99,72% da população foi classificada como católica (9.902.712 pessoas) e 0,28% (27.766) como não católica, a maioria destes últimos imigrantes alemães. Esses dados, contudo, devem ser analisados com cautela. Havia, naquela época, cerca de 383 mil índios, que seguiam suas próprias concepções religiosas. Além do mais, todos os escravos foram classificados como católicos, porém muitos deles mantinham a religiosidade originária da África que, após a abolição, daria origem às religiões afro-brasileiras.[7]

O censo apresenta, além da contagem da população, informações específicas sobre pessoas com deficiência, acesso à escola e profissões exercidas, entre outras. Na época, a profissão de lavrador era a com o maior número de pessoas, seguida por serviços domésticos. Das profissões liberais, a de artista tinha mais representantes, inclusive entre a população escrava.[8]

O Censo registrou quase 10 milhões de habitantes distribuídos em 20 províncias e no Município Neutro. O Brasil se dividia em 641 municípios, que, por sua vez, se subdividiam em 1.473 paróquias, as unidades mínimas de informação. A coleta foi realizada nas paroquias.[9]

Neste Censo, a região Nordeste ainda aparecia como a maior do país. Das oito províncias mais populosas do Brasil, metade eram do nordeste, também estavam dentre as mais povoadas, já que Pernambuco tinha área menor que São Paulo mas com população maior e a Paraíba com quase a mesma população do Rio Grande do Sul e área bem menor também. Os moradores das regiões nordeste e sudeste combinados compunham 87,2% da população do país.[10]

Em 1872 o peso da população rural era enorme quando comparado ao da urbana. A população das capitais do Império representava 10,41% da população total, ou seja, 1 083 039 pessoas. Para completar o quadro 48% dessa população concentrava-se apenas no Município Neutro da Corte em Salvador e Recife.[11]

População por província[editar | editar código-fonte]

Província Municípios Paróquias não incluídas Total de paróquias População Livre População Escrava Total da população em 1872[12]
Amazonas 7 - 22 56631 979 57610
Pará 32 - 70 247779 27458 275237
Maranhão 37 1 53 284101 74939 359040
Piauí 22 2 27 178427 23795 202222
Ceará 46 - 57 689773 31913 721686
Rio Grande do Norte 22 - 27 220959 13020 233979
Paraíba 24 - 38 354700 21526 376226
Pernambuco 39 - 71 752511 89028 841539
Alagoas 19 - 28 312268 35741 348009
Sergipe 24 5 30 153620 22623 176243
Bahia 72 - 169 1211792 167824 1379616
Espírito Santo 13 - 25 59478 22659 82137
Rio de Janeiro 33 6 123 490087 292637 782724
São Paulo 89 - 142 680472 156612 837354
Paraná 16 - 23 116162 10560 126722
Santa Catarina 11 - 38 144818 14984 159802
Rio Grande do Sul 28 4 72 367022 67791 434183
Minas Gerais 72 14 370 1669276 370459 2039735
Goiás 26 - 54 149743 10652 160395
Mato Grosso 9 - 15 53750 6667 60417
Município Neutro da Corte - - 19 226033 48939 274972
Império do Brasil 641 32 1473 8419672 1510806 9930478

População Cabocla (Indígena) por província[editar | editar código-fonte]

Província População total Caboclos  %
Amazonas 57610 36828 63,9
Pará 275237 44589 16,2
Maranhão 359040 10943 3,0
Piauí 20222 13453 6,6
Ceará 721686 52837 7,3
Rio Grande do Norte 233979 11039 4,7
Paraíba 376226 9567 2,5
Pernambuco 841539 11805 1,4
Alagoas 348009 6364 1,8
Sergipe 176243 3087 1,7
Bahia 1379616 49882 3,6
Espirito Santo 82137 5529 6,7
Rio de Janeiro 782724 7852 1,0
São Paulo 837354 39465 4,7
Paraná 126722 9087 7,1
Santa Catarina 159802 2892 1,8
Rio Grande do Sul 434183 25717 5,9
Minas Gerais 2039735 32322 1,5
Goias 160395 4250 2,6
Mato Grosso 60417 8524 14,1
Município Neutro da Corte 274972 923 0,3
Império do Brasil 9930478 383955 3,9[13]

Quadros do Censo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Brasil, Portal. «Censo de 1872 é disponibilizado ao público». Portal Brasil. Consultado em 11 de dezembro de 2015 
  2. Clotilde Andrade Paiva, Mario Marcos Sampaio Rodarte. «O Recenseamento Geral do Império do Brasil de 1872: uma análise da consistência e uma proposta de correção dos dados» (PDF)  |nome3= sem |sobrenome3= em Authors list (ajuda)
  3. «Universia: Censo no vestibular» 
  4. «PUBLICAÇÃO CRÍTICA DO RECENSEAMENTO GERAL DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 1872» (PDF). Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica - NPHED. Janeiro de 2012. Consultado em 1 de Janeiro de 2017 
  5. Mariana Tokarnia (14 de janeiro de 2013). «Único a incluir população escrava, Censo de 1872 é disponibilizado ao público». Agência Brasil. Consultado em 10 de dezembro de 2015 
  6. «IBGE :: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística». www.ibge.gov.br. Consultado em 11 de dezembro de 2015 
  7. Religião
  8. Mariana Tokarnia (14 de janeiro de 2013). «Censo de 1872 é disponibilizado ao público». Exame. Consultado em 10 de dezembro de 2015 
  9. Roberta Jansen (12 de janeiro de 2013). «Censo de 1872, único a registrar população escrava, está disponível». O Globo. Consultado em 10 de dezembro de 2015 
  10. «IBGE: Dados históricos dos censos» 
  11. Schwarcz, Lilia (1998). As Barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos. [S.l.]: Companhia das Letras. ISBN 9788571648371 
  12. «NPHED - POP72». UFMG 
  13. Pacheco de Oliveira, João (Dezembro de 2012). «Mensurando alteridades, estabelecendo direitos: práticas e saberes governamentais na criação de fronteiras étnicas». Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ISSN 1678-4588. Consultado em 1 de Janeiro de 2017