DY Centauri

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DY Centauri
Dados observacionais (J2000)
Constelação Centaurus
Asc. reta 13h 25m 34,08s[1]
Declinação -54° 14′ 43,1″[1]
Magnitude aparente 13,2[2]
Características
Variabilidade RCB (inativa)[3]
Astrometria
Velocidade radial 21,30 ± 0,45 km/s[4]
Mov. próprio (AR) -5,943 ± 0,043 mas/a[5]
Mov. próprio (DEC) -0,286 ± 0,042 mas/a[5]
Paralaxe 0,0500 ± 0,0230 mas[5]
Distância 23000 anos-luz
7000[6] pc
Magnitude absoluta -3[6]
Detalhes
Massa 0,8[4] M
Raio 8[4] R
Gravidade superficial log g = 2,50 ± 0,12 cgs[2]
Temperatura 24800 ± 600[2] K
Rotação v sin i = 40 ± 5 km/s[2]
Outras denominações
DY Centauri, 2MASS J13253407-5414431, AAVSO 1319-53.[1]
DY Centauri
Centaurus constellation map.png

DY Centauri é uma estrela variável na constelação de Centaurus. A partir de sua luminosidade, estima-se que esteja a uma grande distância de aproximadamente 7 000 parsecs (23 000 anos-luz) da Terra.[6] O segundo lançamento dos dados da sonda Gaia lista uma paralaxe de 0,050 ± 0,023 mas, o que corresponde a uma distância mais provável entre 6 e 20 kpc.[5]

DY Centauri é classificada como uma variável R Coronae Borealis (RCB), uma classe rara de estrelas supergigantes que apresentam diminuições bruscas e irregulares de luminosidade devido à formação de nuvens de poeira na superfície, mas a última vez em que foi registrado um evento de obscurecimento como esse foi em 1934. Isso parece estar relacionado a mudanças físicas na estrela, representadas por um deslocamento horizontal extremamente rápido através do topo do diagrama HR. Evidências espectrais e fotométricas mostram que DY Centauri aumentou sua temperatura efetiva de 5 800 K em 1906 para 24 800 K em 2010, mantendo uma luminosidade constante.[3] Como consequência, sua magnitude aparente visual apresentou uma diminuição de um valor estimado de 11,75 no começo do século XX para 13,2 em 2010,[2] enquanto é calculado que seu raio diminuiu de 100 R para 8 R.[4] São conhecidas apenas outras três estrelas com esse comportamento, chamadas de estrelas RCB quentes.[3]

Variações periódicas na velocidade radial de DY Centauri foram detectadas, indicando que a estrela é uma binária espectroscópica de linha única em uma órbita excêntrica (e = 0,44) com período de 39,67 dias. A estrela companheira tem uma massa mínima estimada de 0,2 massas solares, podendo ser uma anã branca ou uma estrela da sequência principal de baixa massa. Com uma separação estimada de apenas 10 R no periastro, o sistema deve ter passado por interações no passado recente quando a primária tinha dimensões maiores, formando um envelope comum.[4]

DY Centauri tem uma composição química peculiar e é pobre em hidrogênio e rica em hélio e carbono, tendo sido identificada como uma estrela de hélio extrema (EHe), apesar de em comparação com outras estrelas RCB e EHe ter um conteúdo de hidrogênio relativamente alto.[2][7] Acredita-se que estrelas desse tipo são produto da fusão de duas anãs brancas, sendo portanto estrelas solitárias, o que é inconsistente com a identificação de DY Centauri como uma binária próxima. Portanto, a origem e estado evolutivo do sistema DY Centauri permanecem incertos.[2] No futuro, é provável que a primária evolua para uma subanã B, uma classe de estrelas frequentemente associadas a sistemas binários.[4]

O espectro de DY Centauri indica a presença de uma nebulosa de baixa densidade em expansão ao redor da estrela, formada por gás ionizado pela radiação ultravioleta da fotosfera quente da estrela.[8] A nebulosa tem uma dimensão estimada de 1,2 segundos de arco e, a partir de sua velocidade de expansão, foi provavelmente criada há cerca de mil anos.[6]

Referências

  1. a b c «V* DY Cen -- Variable Star of R CrB type». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 12 de outubro de 2017 
  2. a b c d e f g Pandey, Gajendra; Kameswara Rao, N.; Jeffery, C. Simon; Lambert, David L. (outubro de 2014). «On the Binary Helium Star DY Centauri: Chemical Composition and Evolutionary State». The Astrophysical Journal. 793 (2): artigo 76, 17 pp. Bibcode:2014ApJ...793...76P. doi:10.1088/0004-637X/793/2/76 
  3. a b c Schaefer, Bradley E. (agosto de 2016). «All known hot RCB stars are fading fast over the last century». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 460 (2): 1233-1242. Bibcode:2016MNRAS.460.1233S. doi:10.1093/mnras/stw1065 
  4. a b c d e f Rao, N. Kameswara; et al. (novembro de 2012). «The Hot R Coronae Borealis Star DY Centauri is a Binary». The Astrophysical Journal Letters. 760 (1): artigo L3, 6 pp. Bibcode:2012ApJ...760L...3R. doi:10.1088/2041-8205/760/1/L3 
  5. a b c d Gaia Collaboration: Brown, A. G. A.; Vallenari, A.; Prusti, T.; de Bruijne, J. H. J.; et al. (2018). «Gaia Data Release 2. Summary of the contents and survey properties». Astronomy & Astrophysics. 616: A1, 22 pp. Bibcode:2018A&A...616A...1G. arXiv:1804.09365Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361/201833051.  Catálogo Vizier
  6. a b c d Rao, N. Kameswara; Lambert, David L.; García-Hernández, D. A.; Manchado, Arturo (maio de 2013). «The changing nebula around the hot R Coronae Borealis star DY Centauri». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 431 (1): 159-166. Bibcode:2013MNRAS.431..159R. doi:10.1093/mnras/stt154 
  7. Jeffery, C. S.; Heber, U. (março de 1993). «Spectral analysis of DY Centauri, a hot R Coronae Borealis star with unusually high hydrogen content». Astronomy and Astrophysics. 270 (1-2): 167-176. Bibcode:1993A&A...270..167J 
  8. Rao, N. Kameswara; Giridhar, S.; Lambert, D. L. (dezembro de 1993). «The hot R Coronae Borealis star DY Centauri: Nebular and photospheric lines». Astronomy and Astrophysics. 280 (1): 201-207. Bibcode:1993A&A...280..201R