Eduardo Suplicy

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Eduardo Suplicy
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Vereador de São Paulo
Período 1.º - 1º de janeiro de 1989
até 31 de março de 1990

2.º - 1º de janeiro de 2017
até atualidade

Senador por São Paulo
Período 1º de fevereiro de 1991
até 1º de fevereiro de 2015
(3 mandatos consecutivos)
Deputado Federal por São Paulo
Período 1º de fevereiro de 1983
até 31 de janeiro de 1987
Deputado Estadual de São Paulo
Período 15 de março de 1979
até 31 de dezembro de 1982
Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo
Período 2 de fevereiro de 2015
até 1º de abril de 2016
Prefeito Fernando Haddad
Dados pessoais
Nascimento 21 de junho de 1941 (77 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Filomena Matarazzo
Pai: Paulo Cochrane Suplicy
Alma mater Universidade Estadual de Michigan
Cônjuge Marta Suplicy (1964-2001)
Partido MDB (1978-1980)
PT (1980-atualidade)
Profissão professor, economista

Eduardo Matarazzo Suplicy (São Paulo, 21 de junho de 1941) é um economista, professor universitário, administrador de empresas e político brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é um dos fundadores. Atualmente é vereador do Município de São Paulo. Foi Senador pelo Estado de São Paulo durante 24 anos.[1]

Membro do ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo, é bisneto do conde Francesco Matarazzo, sendo o oitavo dos onze filhos de Filomena Matarazzo (1908-2013), neta do conde, e do corretor de café Paulo Cochrane Suplicy (1896-1977).[2][3]

É formado em administração de empresas pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em economia pela Universidade Estadual de Michigan (Estados Unidos), onde também concluiu seu mestrado e doutorado (PhD). Em 2 de fevereiro de 2016, recebeu também o título de Doutor Honoris Causa da Université Catholique de Louvain (UCL/Bélgica).[4] Juntamente com Suplicy receberam também o título honorário a urbanista Paola Viganò e o idealizador da Wikipédia, Jimmy Wales.[5]

Trajetória profissional e acadêmica[editar | editar código-fonte]

Ainda como estudante, Suplicy atuou como pesquisador do Centro de Pesquisa e Publicações na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV). Foi também estagiário da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA). Depois de graduado, em 1964, trabalhou com seu pai no escritório Suplicy de corretagem, com responsabilidade sobre o setor de exportação de manufaturados.[6]

Em 1966, prestou concurso para professor de economia na EAESP/FGV e foi aprovado. Manteve-se como professor titular desta instituição até dezembro de 2012, quando se aposentou. Ao longo do tempo como professor, não deixou de ministrar aulas nos períodos em que exerceu mandatos parlamentares.[7]

Também em 1966, seguiu para os EUA para realizar seu mestrado em economia pela Michigan State University até 1968. De volta ao Brasil, lecionou novamente em tempo integral até 1970. Em agosto de 70 voltou aos EUA para fazer seu doutorado em economia, outra vez em Michigan. Contou neste período com o vínculo de um ano em Stanford. Defendeu sua tese em 1973 sob o título "Os efeitos da minidesvalorização na economia brasileira", que foi publicada pela FGV em 1976.

Contribuiu com artigos para diversos veículos de imprensa ao longo de sua carreira, como o jornal Última Hora e Jornal da Tarde. Em 1975, foi editor de economia da Revista Visão, onde trabalhou com Vladimir Herzog. De 1976 a 1980 foi redator de artigos de economia para a Folha de S.Paulo. Foi neste período que, convidado para realizar palestras em universidades, conheceu o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva,[8] que fora convidado para acompanhar uma das palestras de Suplicy na Fundação Santo André.

Suplicy ainda voltaria a ser professor em tempo integral em 1987 e parte de 1988, quando esteve desvinculado de cargos parlamentares. Foi neste período que publicou seu livro “Da Distribuição da Renda e dos Direitos à Cidadania”, em que aborda as diferentes formas que cada setor da sociedade brasileira tem para influenciar a política econômica.

Trajetória política[editar | editar código-fonte]

Em 1978, Eduardo Suplicy foi eleito deputado estadual pelo antigo MDB. Em 1982, foi eleito deputado federal pelo então recém-criado PT, tendo ajudado a fundar o novo partido. Candidatou-se a prefeito de São Paulo em 1985 (perdeu para Jânio Quadros) e em 1992 (vencido por Paulo Maluf) e a governador em 1986 (superado por Orestes Quércia). Foi o mais votado vereador de São Paulo nas eleições de 1988, tendo cinco vezes mais votos do que o segundo vereador mais votado,[9] ocupando o cargo de presidente da Câmara Municipal no biênio 1989-1990.

O senador Eduardo Suplicy mostra, em plenário, um cartão vermelho, dirigido simbolicamente ao presidente do Senado, José Sarney, pedindo seu afastamento.

Suplicy chegou ao posto de senador por São Paulo em 1991, em todas as vezes eleito pelo PT, completando em 2014 vinte e quatro anos de legislatura, posto pelo qual ele é mais conhecido e com o qual normalmente ele é mais identificado. No início de seu primeiro mandato, defendeu a implementação de um programa de transferência de renda chamado Programa de Garantia de Renda Mínima, que apresentou como proposta em abril de 1991 por meio do Projeto de Lei do Senado 80/1991[10]. A proposta se organizava na forma de um imposto de renda negativo. No projeto original estava previsto que os cidadãos que recebessem até dois salários mínimos poderiam obter uma complementação de 30% da diferença entre sua renda e o próprio valor de dois salários mínimos[11]. Apesar de aprovado pelo Senado Federal o projeto nunca chegou a ser apreciado pela Câmara dos Deputados[12]. Em 2001, Suplicy apresentou um novo projeto para instituir a Renda Básica de Cidadania que garantiria a todos os cidadãos o direito a uma renda incondicional paga em igual valor a todos os habitantes do país[13]. Esta renda teria como objetivo garantir as necessidades básicas de todos os cidadãos. Aprovado em 2003, o projeto deu origem à Lei N° 10.835[14], sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva, em 08 de Janeiro daquele ano. A lei contém um parágrafo que determina que seu alcance deve se dar em etapas. Em seu livro intitulado Renda de Cidadania - A saída é pela porta, Suplicy relata sua trajetória política junto ao PT e demonstra como a Renda Básica de Cidadania apresenta vantagens diante todos os programas de transferência de renda.

Em 2002, disputou as prévias internas do PT, com Luiz Inácio Lula da Silva, para ser o candidato do partido à Presidência da República, alcançando 15,6%[1]. No entanto, desde as primeiras eleições diretas desde a redemocratização do país, esta era a primeira vez que Lula precisou disputar prévias para sair candidato pela legenda.

Em 2003, quando um grupo de deputados federais e senadores do PT (a maioria fundadores do partido), liderados pela senadora do estado de Alagoas, Heloísa Helena, e composto pelos deputados Babá e Luciana Genro, estes foram expulsos do partido, por serem contrários aos caminhos por ele tomados, Suplicy foi um dos seus poucos filiados notórios que defendeu publicamente os dissidentes, o que provocou a ira de outros dirigentes do PT, como José Dirceu, e o risco de não ser mais candidato ao Senado numa próxima legislatura. Este grupo de dissidentes viria mais tarde a fundar o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Em 2009, diante da crise que ocupou o Senado com o arquivamento das onze denúncias contra José Sarney, o senador Eduardo Suplicy - depois de receber centenas de e-mails de seus eleitores pedindo uma atitude - chegou a pedir explicação do presidente da casa em plenário e, mostrando a ele um cartão vermelho simbólico, pediu sua expulsão.

Suplicy é detido durante reintegração de posse na Cidade Educandário, próximo à Raposo Tavares, no dia 25 de Julho de 2016, após manifestação de moradores contrários à ação da Polícia Militar.[15]

Em 1º de abril de 2016, anunciou pedir exoneração do cargo de Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania para, assim, tornar-se elegível ao cargo de vereador nas eleições de 2016.[16][17]

Em 25 de julho de 2016, Suplicy foi detido por três horas no 75º Distrito Policial pela Polícia Militar de São Paulo por ter protestado contra uma reintegração de posse na Zona Oeste de São Paulo.[18].

Foi o mais votado vereador de São Paulo nas eleições de 2016 com 301.446[19] votos (5,62% dos votos validos), tendo quase três vezes mais votos do que o segundo vereador mais votado.[20]

Eleições para o Senado[editar | editar código-fonte]

  • Em outubro de 1998 foi reeleito para seu segundo mandato, com 6.718.463 votos (43,1%) vencendo Oscar Schmidt (PPB), ex-jogador de basquete apoiado por Paulo Maluf.
  • Em outubro de 2006 foi reeleito para seu terceiro mandato como senador por São Paulo, com 8.986.803 votos (47,82%) numa votação mais apertada que as demais, em que disputou novamente com Guilherme Afif Domingos (43,7%), do PFL, e que era apoiado pelo PSDB[21].
  • Em outubro de 2014 tentou seu quarto mandato, mas acabou ficando em segundo lugar, com 6.176.499 votos (32,5%) sendo derrotado pelo candidato do PSDB, José Serra, que obteve 58,49% dos votos.[22]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • The Effects of Minidesvaluations on the brazilian economy, Michigan State University, Michigan, 1973.
  • Compromisso, Brasiliense, 1978.
  • Efeitos das Minidesvalorizações na Economia Brasileira, FGV, Rio de Janeiro, 2ª edição, 1979.
  • Política Econômica Brasileira e Internacional, Vozes, Petrópolis, 2ª edição, 1979.
  • Investigando o Caso Coroa-Brastel, Câmara dos Deputados, Brasília, 1984.
  • Da distribuição da renda e dos direitos à cidadania, Brasiliense, 1988.
  • Programa de Garantia de Renda Mínima, Brasília, Senado Federal, 1992.
  • Atuação Parlamentar: projetos apresentados jan91/abr98, Brasília, Senado Federal, 1998.
  • Renda Mínima: discussões e Experiências, Brasília, Senado Federal, 1998.
  • Documentação do DEOPS-SP: Fotografias, legendas, Secretaria do Estado e da Cultura, 1999
  • Renda de Cidadania: A Saída é pela Porta, Cortez Editora, 2001 e 7ª edição em 2013
  • Atuação Parlamentar, Principais discursos 1999 a 2006, Brasília, Senado Federal, 2006.
  • Renda Básica de Cidadania: a resposta dada pelo vento, L&PM, Porto Alegre, 2002 e 4ª edição em 2006.
  • Um Notável Aprendizado: a busca da verdade e da justiça- do boxe ao senado, Futura, 2007.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Amante do esporte, Suplicy pratica corrida e já foi pugilista.

Em 1964 Suplicy casou-se com Marta Teresa Smith de Vasconcelos, mais conhecida como Marta Suplicy, bisneta e trineta dos barões de Vasconcelos, e teve com ela três filhos: Eduardo (Supla), André e João. Em 2001 o casal se divorciou. Teve um relacionamento com a jornalista Mônica Dallari até o ano de 2017.

Em 1979, Suplicy, então deputado estadual pelo MDB, se sensibilizou pela história do jovem transexual Anderson Herzer, interno da FEBEM e, atuando como seu guardião, deu-lhe uma oportunidade de trabalho em seu gabinete e uma vida livre, fora dos muros da instituição.[27] Apesar do auxílio recebido, Herzer se suicidou aos 20 anos de idade, em 1982, atirando-se do Viaduto 23 de Maio, localizado no centro da cidade de São Paulo.[28] No mesmo ano, foi publicado o seu livro A Queda para o alto, que conta com poemas e textos autobiográficos. A vida de Herzer foi adaptada para o cinema no filme Vera, no qual o papel correspondente a Suplicy foi interpretado por Raul Cortez.

No ano de 96, em reunião no diretório do PT, disse que: "se nós quisermos compreender bem o que hoje estão pensando os jovens nos bairros populares mais periféricos de São Paulo, precisamos ouvir o que dizem as letras dos Racionais MC´s. E é impressionante a energia que despertam”.

Referências

  1. «Eduardo Suplicy: Da lona ao nocaute». revistaepoca.globo.com 
  2. «Folha Online - Ilustrada - Saiba o que pensa Filomena Matarazzo Suplicy, avó de Supla - 04/12/2001». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 10 de junho de 2017. 
  3. «Morre a matriarca da família Matarazzo Suplicy, Dona Filomena | Da Redação | VEJA SÃO PAULO». VEJA SÃO PAULO. 8 de dezembro de 2013 
  4. «Eduardo Matarazzo Suplicy Docteur Honoris Causa UCL». www.youtube.com  no You Tube
  5. «Les DHC 2016: Eduardo Matarazzo Suplicy, Paola Vigano e Jimmy Wales» (em francês) 
  6. Brasil, CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «EDUARDO MATARAZZO SUPLICY | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 18 de fevereiro de 2018. 
  7. «Biografia». Eduardo Suplicy. Consultado em 18 de fevereiro de 2018. 
  8. «O Quixote da renda mínima». Valor Econômico 
  9. «Vereadores Eleitos em 1988 na cidade de São Paulo» 
  10. «Projeto de Lei do Senado n° 80, de 1991 - Pesquisas - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2018. 
  11. Ramos, Carlos Alberto (novembro de 1994). «TD 0357 - O Programa de Renda Mínima» (PDF). Brasília: IPEA. Consultado em 17 de Fevereiro de 2018. 
  12. «www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=18311». www.camara.gov.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2018. 
  13. «Projeto de Lei do Senado n° 266, de 2001 - Pesquisas - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2018. 
  14. «L10835». www.planalto.gov.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2018. 
  15. «Suplicy é detido durante reintegração de posse na zona oeste - São Paulo - Estadão». Estadão 
  16. «Suplicy deixa secretaria para se candidatar a vereador de São Paulo - Jornal Opção». Jornal Opção. Consultado em 2 de abril de 2016. 
  17. «Suplicy confirma pré-candidatura a vereador em SP». Portal Fórum. Consultado em 2 de abril de 2016. 
  18. «Suplicy é detido em protesto contra reintegração e liberado após 3 horas». 25 de julho de 2016. Consultado em 26 de julho de 2016. 
  19. «Câmara Municipal de São Paulo Eduardo Suplicy». Câmara Municipal de São Paulo. Consultado em 5 de março de 2017. 
  20. G1 São Paulo (3 de outubro de 2016). «Veja os 55 vereadores eleitos em SP». G1. Consultado em 3 de outubro de 2016. 
  21. «Folha Online - Especial - 2006 - Eleições - Apuração - São Paulo - Senador». eleicoes.folha.uol.com.br. Consultado em 5 de junho de 2018. 
  22. «Senador e deputados federais/estaduais eleitos: Apuração e resultado das Eleições 2014 SP (Fonte: TSE) - UOL Eleições 2014». UOL Eleições 2014. Consultado em 5 de junho de 2018. 
  23. «Candidatos ao Senado por São Paulo nas eleições 2018: veja a lista». G1. 7 de agosto de 2018. Consultado em 12 de setembro de 2018. 
  24. «Senadores e deputados federais/estaduais eleitos: Apuração e resultado das Eleições 2018 SP - BOL Eleições 2018». BOL Eleições 2018. Consultado em 8 de outubro de 2018. 
  25. «Apuração e resultados para governador, senadores e deputados em São Paulo | 1º turno | Eleições 2018». Folha de S.Paulo. 7 de outubro de 2018. Consultado em 7 de outubro de 2018. 
  26. «Suplicy sofre segunda derrota no Senado e perde vaga para Mara e Olimpio». UOL. 7 de outubro de 2018. Consultado em 7 de outubro de 2018. 
  27. Suplicy, Eduardo. "O Direito Inalienável a Uma Renda Básica no Século XXI". Palestra. Porto Alegre: Forum Social Mundial.
  28. Suplicy, Eduardo. "A queda para o alto". Jornal do Brasil. Senado Federal.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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