Revolução de Outubro

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Revolução de Outubro
Revolução Russa
Red Guard Vulkan factory.jpg
A Guarda Vermelha.
Data 25 de outubro de 1917
(7 de novembro, no calendário gregoriano)
Local Petrogrado, Rússia
Desfecho
Beligerantes
Partido Bolchevique
Soviete de Petrogrado
Guarda Vermelha
SRs
Rússia Governo Provisório Russo
Comandantes
Vladimir Lenin
Leon Trótski
Pavel Dybenko
Vladimir Antonov-Ovseyenko
Nikolai Podvoisky
Rússia Alexander Kerensky
Rússia Pyotr Krasnov
Rússia Pinhas Rutenberg
Forças
10 000 marinheiros vermelhos,
20 000 – 30 000 homens da Guarda Vermelha
500 – 1 000 soldados voluntários, 1 000 membros do batalhão de mulheres

A Revolução de Outubro, também conhecida como a Revolução Bolchevique, Grande Revolução Socialista de Outubro,[nota 1] ou Revolução Vermelha,[1] segundo a historiografia oficial da antiga União Soviética e de acordo com alguns grupos comunistas, foi a segunda fase da Revolução Russa de 1917, após a Revolução de Fevereiro. A data de 25 de outubro de 1917 corresponde ao calendário juliano em vigor na Rússia czarista, mais tarde abolido pelo novo governo bolchevique. No resto do mundo ocidental, sob o calendário gregoriano, os acontecimentos começaram a 7 de novembro de 1917.

A insistência do Governo Provisório em prosseguir a guerra — muito impopular — impediu a implementação das profundas reformas exigidas pela população.[2] Na ausência destas reformas, o programa bolchevique, refletido nos seus slogans de "Paz, Pão e Terra" e "Todo o Poder aos Soviets" (conselhos operários), conquistou rapidamente apoiantes no outono de 1917.[2] A crise económica, que se tinha agravado desde o verão, a ameaça da frente para os soldados na capital, a desilusão com a falta de reformas governamentais e o apoio da maioria dos partidos ao Governo Provisório favoreceram os bolcheviques, que desencadearam uma intensa campanha de propaganda na capital, então Petrogrado.[2] Entre as classes mais pobres da cidade, houve uma recusa geral de fazer sacrifícios para continuar a guerra e de permanecer nos governos de coligação com os Kadets após o golpe de Kornilov.[2]

Apesar da aparente fraqueza do Governo Provisório, alguns dias antes da revolução tornou-se claro que uma insurreição armada contra o Governo Provisório pelos bolcheviques sozinhos — como Vladimir Lenin tinha defendido anteriormente — seria rejeitada pelas massas. A tomada do poder foi então aprovada, mas seguindo uma estratégia defensiva, liderada principalmente por Leon Trotsky, que consistiu em assegurar a transferência do poder durante o Segundo Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia prestes a ter lugar.[3] Seria o Soviete de Petrogrado e não o partido que tomaria o poder, e qualquer tentativa do governo de resistir seria apresentada como um ataque contrarrevolucionário.[3] A ordem do governo para enviar parte da guarnição para a frente próxima desencadeou a revolução.[3]

Defendendo as suas ações como uma defesa contra a contrarrevolução, o novo Comité Militar Revolucionário Petrogrado (CMR) — controlado na prática pelos bolcheviques — assumiu rapidamente o controlo das unidades da guarnição.[4] Seguiu-se uma série de confrontos sem derramamento de sangue entre o governo e o CMR pelo controlo de pontos estratégicos na capital, que terminou com a vitória do último e o isolamento do primeiro, que mal conseguiu obter qualquer ajuda militar. Depois veio finalmente o assalto ao Governo que Lenin vinha a exigir há semanas, que terminou com a captura de quase todo o Governo Provisório na noite de 25 de outubro(jul.)/7 de novembro(greg.) de 1917, com o Segundo Congresso dos Sovietes já em sessão.[1]

O abandono desse congresso pelos socialistas moderados em protesto contra as ações bolcheviques facilitaram a formação de um governo (o Sovnarkom) exclusivamente deste partido.[4] As negociações subsequentes para formar um governo de coligação entre os vários partidos socialistas foram frustradas pela intransigência dos partidos. As tentativas da oposição de realizar um contra-ataque através de uma insurreição na capital e a marcha de tropas da frente sobre a cidade também fracassaram.

O poder do novo governo espalhou-se pelo país em várias fases, com sérios confrontos em algumas áreas, tais como Moscovo. A fraqueza militar da oposição e a popularidade das primeiras medidas, contudo, favoreceram Lenin e os seus seguidores. A rejeição pela oposição mais radical da tomada do poder pelos bolcheviques e a incapacidade da oposição moderada de tomar o poder através das instituições — devido à dissolução da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques em Janeiro de 1918 e à expulsão dos partidos socialistas dos sovietes na primavera seguinte — levou à guerra civil russa.

Contexto[editar | editar código-fonte]

No início do outono de 1917, após o fracasso do golpe de Kornilov, a crise económica russa agravou-se.[5] Na capital, o desemprego, a escassez de combustível e de alimentos, e a inflação, agravaram-se.[5] Para a maioria da população, as condições de vida deterioraram-se, enquanto o Governo Provisório parecia limitar-se a meras medidas administrativas.[6] No meio desta crise, a reputação do presidente do Governo Provisório, Aleksandr Kerensky, afundou-se: a ala direita alegou que ele tinha traído Kornilov, e a ala esquerda e as massas na capital viram-no como cúmplice na tentativa contrarrevolucionária.[5] A derrota de Kornilov beneficiou principalmente os bolcheviques, mas o estado de espírito das massas era, na verdade, a favor do estabelecimento de um novo Governo soviético que unisse as várias correntes socialistas, e não exclusivamente bolcheviques, uma inclinação que se refletiu em inúmeras resoluções aprovadas após a derrota de Kornilov.[5]

A radicalização das massas refletiu-se na perda de controlo dos moderados sobre os principais sovietes do país: o Soviete de Moscovo passou para o controlo bolchevique a 5 de setembro(jul.)/18 de setembro(greg.), enquanto o Soviete de Petrogrado passou a 25 de setembro(jul.)/8 de outubro(greg.), após sucessivas derrotas dos moderados em várias votações.[7] Trotsky, recentemente libertado da prisão, tornou-se presidente do Soviete da capital.[7] Mais de uma centena de sovietes em todo o país exigiram que o Comité Executivo Central de Toda a Rússia (VTsIK) — ainda sob controlo dos socialistas moderados — tomasse o poder, enquanto noutras localidades importantes os bolcheviques também ganharam uma maioria nos seus sovietes locais.[7] A frota báltica, muito próxima da capital, mostrou a sua rejeição de Kerensky.[8] Os camponeses da região de Petrogrado elegeram um bolchevique como o seu representante na iminente Conferência Democrática.[8] Nas grandes cidades, o apoio aos bolcheviques cresceu acentuadamente.[8]

Na Conferência Democrática que se reuniu pouco depois para discutir a questão de qual governo deveria substituir o diretório de emergência criado por Kerensky durante o golpe de Estado, os bolcheviques continuaram a defender o fim das coligações com a burguesia e a formação de um novo gabinete profundamente socialista, uma posição defendida por Kamenev e Trotsky.[9] Apesar das diferenças entre eles - Trotsky via o novo governo como o primeiro passo para uma transferência de poder para os soviéticos, enquanto Kamenev via-o como um meio de assegurar a convocação da Assembleia Constituinte - ambos ainda estavam confiantes na possibilidade de aprofundar a revolução através de métodos pacíficos.[9] Esta atitude, até então apoiada por Lenin, foi seriamente ameaçada pela sua súbita mudança de atitude em duas cartas dirigidas ao Comité Central do Partido Bolchevique a 15 de setembro(jul.)/28 de setembro(greg.), nas quais rejeitava a atitude moderada e exigia uma insurreição imediata.[9][10] O Comité Central, surpreendido com a nova posição, decidiu ignorar as exigências de Lenin e evitar torná-las conhecidas para não minar a atitude conciliadora que tinha surgido da cooperação entre os socialistas durante o confronto com Kornilov.[11][10]

Face à oposição da maioria do Comité Central Bolchevique para aceitar as suas exigências de uma insurreição militar e tomada do poder, Lenin demitiu-se do Comité, o que não teve qualquer efeito. [12] Em meados de Outubro, intensificou a sua campanha para a tomada imediata do poder, tanto dentro do partido como entre as massas, através de vários escritos em que justificava a sua atitude pela situação nacional e internacional (aumento do apoio aos bolcheviques, ebulição revolucionária no campo, motins no exército alemão, etc.).[12]

A decisão final da Conferência de permitir a Kerensky formar um novo Governo com ministros kadets[13]e de outras formações liberais não fez com que o Comité Central atendesse aos apelos de Lenin para se erguer imediatamente contra ele, mas forçou-o a ponderar novamente sobre a sua posição.[14] Tendo falhado a tentativa de formar um Governo Socialista na conferência, a maioria do Comité começou a basear as suas esperanças de o conseguir no próximo Congresso dos Sovietes. Para os mais radicais, o congresso poderia transferir o poder para um governo de extrema-esquerda que rapidamente implementaria medidas radicais. Para os bolcheviques mais moderados, este novo Governo Provisório garantiria a eleição e reunião da Assembleia Constituinte.[14] O Soviete de Petrogrado classificou o novo Conselho de Ministros como um "Governo para uma guerra civil", recusou-se a dar-lhe qualquer apoio, e anunciou que o próximo Congresso dos Sovietes iria formar um novo gabinete "verdadeiramente revolucionário".[15] A delegação bolchevique deixou o Parlamento Preparatório, e começou a agitação para a formação de um novo Governo e a denúncia de Kerensky e dos seus apoiantes.[16]

Preparativos[editar | editar código-fonte]

Decisão do Comité Central e falta de organização[editar | editar código-fonte]

Lenin, o principal líder bolchevique, exerceu forte pressão sobre o Comité Central do Partido Bolchevique para derrubar o enfraquecido Governo Provisório antes do Segundo Congresso dos Soviéticos.

Apesar dos desejos de Lenin de uma tomada imediata do poder pelo partido bolchevique,[17] relatórios sobre a atitude dos trabalhadores e soldados — dispostos a apoiar uma transferência de poder para os sovietes, mas não a defender o partido sozinho[18] — levaram a liderança bolchevique a concentrar os seus esforços em conseguir que o Segundo Congresso dos Sovietes[19][20] levasse a cabo a transferência do poder governamental para os sovietes.[21] A maioria da liderança preferiu realizar uma transferência de poder durante o Congresso dos Sovietes (o principal representante desta opinião foi Trotsky),[22] e mesmo no Comité Central uma secção considerável, chefiada por Kamenev e Zinoviev, viu com apreensão os apelos de Lenin à insurreição.[23][18] Esta corrente considerou que a situação não era propícia a uma revolta armada[24] e preferiu confiar nos sovietes e na futura Assembleia Constituinte para fazer avançar a revolução.[23][25] Argumentou também que um golpe de Estado uniria toda a burguesia contra o novo governo, que seria incapaz de enfrentar militarmente a Alemanha e que não poderia contar com o apoio decisivo do proletariado mundial.[25][24] Embora Lenin tenha acabado por conseguir impor a sua opinião sobre a necessidade de uma revolta, nenhuma data foi fixada e o Comité Central ficou fortemente dividido.[26]

Lenin estava convencido da necessidade de não esperar e de tomar o poder imediatamente. De modo a justificar tal ação, apresentou várias justificações: a assinatura iminente de uma paz entre os concorrentes na Grande Guerra — um acordo entre potências imperialistas na sua opinião — que Kerensky se preparava para entregar a capital aos alemães, que outro novo golpe de Estado de direita estava a ser preparado como o falhado de Kornilov, ou que o triunfo da revolução russa e mundial seria alcançado com pouca luta.[27] A situação do Governo Provisório era de facto muito grave, e estava rapidamente a perder autoridade; a situação militar na frente norte perto da capital era catastrófica, e a lealdade da guarnição da cidade não estava assegurada a Kerensky.[27] A escassez de combustível e de alimentos estava a provocar o aumento da inflação.[27] A aparente apatia da população poderia facilmente transformar-se em rebelião, e o governo não poderia contar com o

Lev Kamenev, o principal líder da corrente bolchevique mais moderada, opôs-se à tomada do poder pela força como Lenin exigia, lendo o Pravda. Esta corrente considerou que a análise estava errada, que a situação não favorecia a insurreição e preferia a cooperação com outras organizações socialistas e uma estratégia de mudança menos radical e mais gradual.

apoio efetivo do Comité Executivo Central de Toda a Rússia (VTsIK), isolado das massas. O Soviete de Petrogrado já estava nas mãos dos bolcheviques, presidido por Trotsky.[27]

A 24 de setembro(jul.)/7 de outubro(greg.), decidiu concentrar-se em assumir a liderança do maior número possível de sovietes, controlados desde a primavera pelos socialistas moderados, através das eleições.[21] Os Socialistas Revolucionários de Esquerda também adotaram esta estratégia.[21] Em parte, a mobilização das forças dos partidos radicais de esquerda na véspera do Congresso deveu-se a rumores persistentes de uma possível contrarrevolução ou cancelamento do Congresso, que os socialistas moderados só relutantemente tinham concordado em convocar.[28][21] A 7 de outubro(jul.)/20 de outubro(greg.), Lenin regressou à capital e os bolcheviques deixaram o Preparlamento.[27] Trotsky tomou uma decisão crucial ao decidir utilizar os rumores do abandono da capital pelo Governo Provisório para apresentar a apreensão do controlo da guarnição da capital e a entrega de armas aos trabalhadores como medidas de defesa contra os inimigos da revolução, externos (os alemães) e internos (os contrarrevolucionários).[29] Quatro dias mais tarde, Trotsky proclamou as suas suspeitas no Congresso dos Soviéticos da região norte, com a intenção de ganhar a vontade das tropas perto da capital.[30] Neste Congresso foi evidente o apoio esmagador aos bolcheviques da região perto da capital e das tropas alojadas nas proximidades de Petrogrado.[28] Entretanto, os bolcheviques que se opunham à insurreição empreenderam uma campanha para explicar as suas teses contra uma revolta.[18]

Lenin regressou da Finlândia à capital, reuniu-se com o Comité Central Bolchevique a 10 de outubro(jul.)/23 de outubro(greg.), e conseguiu que este aprovasse uma revolta armada contra o governo,[27] mas não que fixasse uma data ou a realizasse perante o Congresso.[31][25][32][33] A decisão ambígua tomada acentuou as divisões internas[24] do partido entre aqueles que eram a favor da posição de Lenin de uma insurreição imediata, aqueles que preferiam levar a cabo uma tomada de poder na altura do Congresso dos Sovietes ou em resposta a um ataque do governo, e a fação mais moderada que se opõe à tomada de poder[34][25] encabeçada por Kamenev.[31] Não foram feitos preparativos para uma insurreição imediata nos dias que se seguiram à reunião do Comité Central, e os quadros bolcheviques não estavam preparados para a levar a cabo por falta de organização e liderança.[34][35] Não havia nenhum plano para tomar o controlo das redes de comunicações e transporte, e os Guardas Vermelhos, cada vez mais favoráveis aos bolcheviques, não tinham sequer um comando unificado na capital.[34][35]

A 12 de outubro(jul.)/25 de outubro(greg.), o comité executivo do Soviete de Petrogrado aprovou a formação de um órgão para coordenar a defesa do próximo Congresso dos Sovietes,[36] o Comité Militar Revolucionário de Petrogrado,[30] que deveria ser formado com representantes do Soviete, da secção de soldados do Soviete, representantes da frota, sindicatos, comités de fábrica, organizações militares dos vários partidos do Soviete, milícias de trabalhadores e outras organizações.[37] Foi também convocada uma reunião das unidades da guarnição para os dias seguintes.[37] O Comité não era um círculo de conspiradores, mas um órgão oficial do Soviete Petrogrado.[30] Os socialistas moderados abandonaram rapidamente a CMR, o que facilitou o seu controlo pelos radicais e especialmente pelos bolcheviques.[38]

Quatro dias antes do Congresso marcado, a 16 de outubro(jul.)/ 29 de outubro(greg.),[35] uma nova reunião do Comité confirmou[39] a decisão de tomar o poder apesar da forte oposição dos moderados;[33] Kamenev ameaçou demitir-se, e ele e Zinoviev começaram a expressar publicamente a sua oposição, para muito desagrado de Lenin.[34][40] A preparação necessária para levar a cabo o golpe contra o Governo Provisório, no entanto, permaneceu nula.[34] A maioria da liderança do partido e as resoluções dos trabalhadores e dos soldados que continuavam a ser aprovadas ainda preferiam tomar o poder através do iminente Congresso dos Sovietes.[34] Por seu lado, os Socialistas Revolucionários de Esquerda preparavam-se também para criar um governo socialista composto pelos vários partidos desta corrente durante o Congresso, mas opuseram-se a uma tomada do antigo poder, uma posição semelhante à dos mencheviques internacionalistas.[41] Nesse mesmo dia Trotsky confirmou as notícias que tinham aparecido em alguns jornais no dia anterior:[30]

Dizem-nos que estamos a preparar uma organização para tomar o poder. Não é segredo.

O objetivo final das manobras do Soviete de Petrogrado foi estabelecido pelo próprio Trotsky: o Congresso dos Sovietes tinha de tomar o poder governamental, declarar um armistício imediato e entregar a terra aos camponeses.[36] Para Lenin, contudo, a tomada do poder deveria ter lugar antes do Congresso,[39] e o papel deste último deveria ser limitado à sua aceitação.[36]

A decisão dos socialistas moderados de adiar o Congresso por cinco dias, devido à falta de delegados na capital, revelou-se crucial: permitiu aos bolcheviques organizarem-se para tomar o poder[42] e significou que a tentativa de Kerensky de desarmar os radicais teve lugar antes da realização do Congresso.[41] Em parte, o atraso do Congresso deveu-se também a provas de dissensão interna no partido bolchevique, o que deu aos socialistas moderados a esperança de que o Congresso acabaria por ter uma maioria contra a posição de Lenin.[42]

Preparativos do Governo Provisório[editar | editar código-fonte]

O Palácio de Inverno, sede do Governo Provisório, e o último lugar ocupado pelos insurgentes. O seu cerco quase não causou vítimas

Numa reunião privada do gabinete na noite de 4 de outubro(jul.)/17 de outubro(greg.), a ameaça militar alemã à capital foi discutida na sequência da ocupação das ilhas bálticas pelo inimigo, perto da Estónia.[22] O Ministro do Bem-Estar, kadet Nikolai Kishkin, propôs a transferência da capital para Moscovo[43] e a inclusão de Petrogrado na zona da frente, sugestão que os ministros socialistas criticaram como reduzindo a influência do Soviete de Petrogrado e do VTsIK no governo e na futura Assembleia Constituinte.[44] Perante as críticas, o Conselho de Ministros decidiu não[16] aceitar a proposta até que a mesma fosse aprovada pelo Preparlamento.[44] Levada ao público, a discussão parecia ser uma tentativa do Governo de utilizar os alemães para esmagar a revolução, que os bolcheviques utilizaram em seu proveito.[44][16] O governo nunca teve realmente a intenção de ceder a cidade ao inimigo, mas de usar a sua proximidade para se livrar dos elementos mais indisciplinados da guarnição, embora os comandantes militares não acreditassem que os alemães realmente ameaçassem a cidade na altura.[43]

Em 9 de outubro(jul.)/22 de outubro(greg.), o comando militar da capital ordenou a marcha[45] de um terço dos regimentos da guarnição para a frente (na verdade, por razões políticas, dado que o comandante da frente norte preferiu não receber reforços da capital).[46][43] As unidades da guarnição repudiaram então o Governo Provisório e proclamaram a sua lealdade ao Soviete de Petrogrado.[47] As tropas que tinham sido mais leais durante a repressão da revolta de julho, incluindo os cossacos,[48] declararam a sua neutralidade ou alinharam-se com o Soviete.[47] Face aos rumores persistentes de um novo golpe de direita, encorajados pelas declarações de Mikhail Rodzhianko a favor do abandono da capital aos alemães[43][16] e pela memória de uma ordem semelhante de Kornilov durante a sua revolta fracassada, a ordem do alto comando alarmou o Soviete, que começou a pesar medidas para se lhe opor.[46][22]

A 13 de outubro(jul.)/26 de outubro(greg.), Kerensky compareceu perante o Preparlamento para negar os rumores de que se preparava para mudar a capital.[49] Mais tarde, o gabinete reuniu-se e decidiu apelar à população para apoiar as ações dos bolcheviques e deixar o seu tratamento ao governo, que estava confiante de que tinha a força necessária, segundo relatórios do Coronel Polkovnikov, o recém-nomeado comandante do distrito militar da capital.[49]

Entretanto, o governo — com Kerensky ausente da frente entre 14 de outubro(jul.)/27 de outubro(greg.) e 17 de outubro(jul.)/30 de outubro(greg.)[50] estava cada vez mais preocupado com a possibilidade de um levantamento bolchevique, embora os comandantes militares na capital continuassem a assegurar-lhes que as medidas necessárias para o esmagar tinham sido tomadas.[51] Kishkin estava convencido de que o governo tinha forças suficientes para esmagar uma possível insurreição bolchevique, mas não para tomar medidas preventivas contra eles.[52] O vice-primeiro-ministro Aleksandr Konovalov decidiu solicitar reforços às escolas militares de Oranienbaum e Peterhof, artilharia das escolas de artilharia da capital, e enviar um batalhão de ciclistas ao Palácio de Inverno para reforçar a sua defesa.[53] No regresso de Kerensky, Konoválov teve de o persuadir a permanecer na capital e assistir a uma reunião do gabinete em que os ministros da Defesa e do Interior estavam confiantes de poder esmagar quaisquer distúrbios e o próprio Kerensky[50] expressou a esperança de que os bolcheviques se levantassem para que pudessem ser esmagados.[51] Na noite seguinte, uma nova reunião do gabinete aprovou a implementação de novas medidas para pôr termo a uma possível revolta, que Kerensky combinou com os comandantes militares da capital.[51] As patrulhas cossacas contornaram a cidade na noite anterior à suposta revolta — a data original de abertura do Congresso dos Sovietes — e a defesa do Palácio de Inverno foi reforçada.[54] O Conselho de Ministros também emitiu várias proclamações apelando à população para manter a ordem.[52] Kerensky informou tanto o embaixador britânico como o Preparlamento estava preparado para enfrentar os bolcheviques.[54] Em Kaluga, perto de Moscovo, os cossacos foram ordenados a dissolver o soviete local e o mandado de captura[55] de Lenin foi renovado; todas estas medidas foram fortemente apoiadas pelos Mencheviques e Socialistas Revolucionários do Comité Executivo Central de Toda a Rússia (VTsIK).[54]

A tentativa do VTsIK de conseguir o apoio das unidades militares da guarnição para o governo falhou: as unidades enviaram delegados à conferência com o Coronel Polkovnikov, mas os representantes do VTsIK não conseguiram convencer os delegados a apoiar o governo face ao soviete.[56][57] Nos dias anteriores à tomada do poder pelos bolcheviques, o governo Kerensky não conseguiu travar o seu enfraquecimento.[58][59]

Os preparativos do governo foram concluídos a 20 de outubro(jul.)/2 de novembro(greg.) com o envio de uma companhia de quarenta ciclistas para o Palácio de Inverno e o pedido ao alto comando das unidades cossacas da frente para substituir aqueles considerados mais próximos dos bolcheviques.[56] O plano do governo incluía o controlo dos principais edifícios da capital, do centro da cidade e das pontes que a conduzem a partir da periferia.[56]

Vésperas do 2.º Congresso dos Sovietes[editar | editar código-fonte]

A 21 de outubro/3 de novembro, uma conferência de unidades da guarnição de Petrogrado, organizada pelo Comité Militar Revolucionário de Petrogrado (CMR), confirmou a lealdade das unidades ao Soviete de Petrogrado em relação ao governo. A revolução finalmente aprovada encorajou o Comité Militar Revolucionário e o Soviete de Petrogrado a tomar o poder, assinar a paz, assegurar o abastecimento alimentar da população e aprovar a reforma agrária.[60][61][62] Nessa mesma noite, os enviados do CMR dirigiram-se ao chefe do distrito militar da capital, o Coronel Polkovnikov, para o informar que a partir daí todas as ordens tinham de ser aprovadas pelo CMR,[48] reclamação que o general se recusou a aceitar.[60][63][61][62] Esta atitude levou o CMR a informar as unidades da guarnição no dia seguinte que considerava o comando do distrito militar contrarrevolucionário, que pensava que a revolução estava em perigo, e que cada ordem tinha de ser aprovada pelo CMR.[60][61][62] Começou então a enviar os seus próprios comissários para as principais unidades militares da capital e assim assegurar o controlo da guarnição, da qual privou o Governo.[60][61][62] As unidades receberam geralmente com entusiasmo os novos comissários da CMR, muitas vezes bolcheviques recentemente libertados da prisão.[64] O CMR também ordenou aos arsenais[61] que não fornecessem armas ou munições sem a sua permissão.[63]

A 22 de outubro/4 de novembro, as manifestações seguiram-se uma após outra na capital; tinha sido proclamado "Dia do Soviete de Petrogrado" e tanto os Bolcheviques como os Socialistas Revolucionários de Esquerda tentaram mobilizar a população a favor da transferência de poder para os sovietes, com grande sucesso.[60][64][65] Os oradores enviados pelo CMR aos regimentos suscitaram o descontentamento com o governo.[60] A cidade estava tensa face a possíveis confrontos entre os manifestantes e os cossacos, que tinham convocado uma marcha patriótica nesse dia para comemorar a libertação de Moscovo de Napoleão.[65] Algumas unidades foram mobilizadas e decidiram permanecer em alerta até ao início do Congresso dos Sovietes.[60] Alguns grupos de Guardas Vermelhos também se encontravam em alerta.[66] Em meados da tarde, o Chefe do Estado-Maior General da Região Militar da Capital, General Yakov Bagratuni, pediu à Frente Norte que preparasse várias unidades militares para envio imediato para Petrogrado, mas o Comissário da Frente, Voitinsky, disse que tal medida era impossível sem explicar às tropas para que estavam a ser preparadas.[64] Kerensky repetiu o pedido em vão pouco tempo depois.[64]

No dia seguinte, o CMR anunciou à população as medidas[64] que tinha tomado para controlar a guarnição e os pontos estratégicos da capital, com o argumento de que defendia a revolução.[66] Após um dia de debate, a Fortaleza de São Pedro e São Paulo decidiu finalmente submeter-se às ordens da CMR.[66][67][68][69] O arsenal da fortaleza permitiu ao CMR armar numerosos Guardas Vermelhos.[69] A autoridade dos comandantes do distrito militar da capital era cada vez menor. [70]

Entretanto, o governo estava confiante de que tinha tropas leais suficientes para esmagar uma possível revolta, embora dias antes o ministro do Interior tivesse admitido que não era suficientemente forte para atacar diretamente os radicais de esquerda.[66] Kerensky, no entanto, estava confiante que poderia abater qualquer desordem e disse ao embaixador britânico que esperava que os bolcheviques se levantassem, para que ele os pudesse abater.[71] No entanto, as manobras da CMR, os preparativos da Guarda Vermelha e as manifestações de apoio à tomada do poder pelos soviéticos acabaram por desestabilizar o governo, que tentou, em vão, receber reforços militares da frente norte.[71] Face à iminente abertura do Segundo Congresso dos Sovietes, que provavelmente aprovaria a sua destituição e a transferência de poder, o Governo decidiu tentar aplicar medidas preventivas.[72] Na noite de 23 de outubro/5 de novembro, Kerensky propôs a detenção do CMR,[64] mas o Gabinete aprovou apenas a acusação de alguns membros, o encerramento de dois jornais bolcheviques e o reforço da defesa do Palácio de Inverno, medidas menores e insuficientes que, no entanto, desencadearam o confronto ao proporcionar a ação "contrarrevolucionária" de que os seus opositores estavam à espera.[71] Kerensky ordenou ainda a Bagratuni que apresentasse um ultimato à CMR: deve revogar a sua ordem de controlo da guarnição ou enfrentar quaisquer medidas que o Governo considerasse adequadas para restaurar a ordem.[64] Nessa mesma noite, o CMR, influenciado pelos moderados do Soviete de Petrogrado, decidiu aceitar o ultimato de Kerensky, uma concessão que se revelou fútil.[68]

Distribuição de forças e situação da guarnição[editar | editar código-fonte]

ligação=https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Guardias_Rojos_junto_al_palacio_de_invierno,_oto%C3%B1o_de_1917.jpg|direita|miniaturadaimagem|Guardas Vermelhos em Petrogrado Enquanto o Governo dependia principalmente dos cadetes e dos três regimentos de cavalaria cossacos guarnecidos na capital, os bolcheviques dependiam dos Guardas Vermelhos — numerosos e determinados, mas inexperientes, — dos marinheiros, fervorosos apoiantes, mas poucos em número — e dos soldados, peritos e muito numerosos, mas geralmente passivos nos combates.[73] Os bolcheviques procuraram ganhar o favor dos cento e cinquenta mil homens da guarnição; a sua relutância em serem enviados para a frente, como o Governo e o comandante da frente norte pretendiam, era vantajosa para eles.[73]

A 17 de outubro/30 de outubro, Vladimir Cheremisov e o seu comissário, o ex-bolchevique Voitinsky, realizaram uma conferência com as unidades da guarnição para lhes explicar a necessidade de se juntarem às unidades da frente para defender a capital.[73] A delegação da guarnição maioritariamente bolchevique desconfiou dos verdadeiros motivos por detrás da mudança e insistiu que o Soviete de Petrogrado deveria ter a última palavra na transferência das unidades.[74] Com as partes em desacordo, a conferência foi um fracasso; cinco dias depois, o 5.º Exército de Cheremisov elegeu um novo comité com uma maioria bolchevique.[74] No mesmo dia da reunião, o Soviete criou a organização que devia coordenar os assuntos militares: o Comité Militar Revolucionário, que de facto era controlado pela organização equivalente do partido bolchevique.[74] No dia seguinte ao encontro com Cheremisov, as unidades da guarnição reuniram-se por sua vez no Instituto Smolny e expressaram a sua falta de confiança no governo e o seu apoio ao Soviete de Petrogrado. Os membros do VTsIK que tinham autorizado a reunião acabaram por abandoná-la sem terem sido autorizados a falar.[74]

Acontecimentos em Petrogrado[editar | editar código-fonte]

Encerramento das tipografias de imprensa e primeiros confrontos[editar | editar código-fonte]

ligação=https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Kerensky--russianrevolutio00leviuoft.png|direita|miniaturadaimagem|283x283px|Kerensky, presidente do desprestigiado Governo Provisório, que teve de enfrentar a revolta Por volta das 3 da manhã de 24 de outubro/6 de novembro, Kerensky estava no Palácio de Inverno, acompanhado pelos comandantes militares, para elaborar medidas para impedir os bolcheviques; o ultimato para o CMR tinha ficado sem resposta e o gabinete tinha pouco antes aprovado a detenção dos seus líderes.[75] Então chegou um mensageiro indicando que o CMR tinha finalmente aceite as exigências dos comandantes militares, mas Kerensky recusou-se a abandonar o seu plano:[76] o General Bagratuni continuou a pedir reforços da frente (junkers de Oranienbaum, tropas da tempestade de Tsárskoye Seló e artilharia de Pávlovsk)[77] enquanto o Coronel Polkóvnikov ordenou a prisão e julgamento dos comissários enviados pelo CMR para as unidades de guarnição.[75] O CMR seria submetido a julgamento e os libertados após a sua participação nos Jornadas de Julho seriam novamente detidos.[77] Dois jornais bolcheviques, Rabochi Put e Soldat, seriam encerrados por incitação à insurreição,[77] e dois outros jornais conservadores também seriam encerrados, para manter a aparência de imparcialidade.[75][76] A guarda do Palácio de Inverno foi também reforçada.[76] Convencido de que estas medidas poderiam ser mal recebidas pelos grupos políticos, aceitou a sugestão de alguns ministros de ir explicá-las ao parlamento no mesmo dia.[76] [[Archivo:Броневик_у_Смольного_1917.JPG|ligação=https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:%D0%91%D1%80%D0%BE%D0%BD%D0%B5%D0%B2%D0%B8%D0%BA_%D1%83_%D0%A1%D0%BC%D0%BE%D0%BB%D1%8C%D0%BD%D0%BE%D0%B3%D0%BE_1917.JPG%7Cesquerda%7Cminiaturadaimagem%7CGuardas Vermelhos em frente ao Instituto Smolny, centro da Revolução de Outubro]] De madrugada, às 5h30 da manhã, um pequeno destacamento de cadetes e milicianos enviados pelo Governo invadiu as instalações de impressão dos dois diários bolcheviques, destruiu a edição do dia, danificou as instalações e fechou as instalações de impressão.[78][75][76][77] Os funcionários foram ao vizinho Instituto Smolny, à sede do Soviete de Petrogrado, ao Comité Revolucionário Militar Petrogrado, e ao Partido Bolchevique, para relatar o que tinha acontecido.[78][75][79] Foi convocada uma reunião de emergência que incluiu representantes do Soviete, do CMR, e do partido bolchevique e socialistas revolucionários de esquerda; a ação governamental foi marcada como contrarrevolucionária, e em breve foi recebida informação sobre movimentos suspeitos de tropas.[78][79] O CMR considerou imediatamente as medidas como uma traição à revolução e um ataque ao congresso e enviou a sua "diretiva n.º 1" às unidades, ordenando a sua mobilização. [78][75][79] Apesar dos desejos de uma minoria tanto no CMR como na liderança bolchevique, a ideia de uma revolta imediata contra o Governo[80] foi abandonada e as medidas tomadas limitaram-se a assegurar a realização do Congresso dos Sovietes.[81]

Às 10 da manhã, o gabinete voltou a reunir-se para Kerensky para informar os ministros sobre as medidas tomadas durante a madrugada; ele ainda estava confiante de que tinha a situação sob controlo, apesar das dúvidas de outros ministros.[82] A milícia da cidade, no entanto, desobedeceu às ordens do governo para prender membros da CMR ou para desmantelar as forças leais aos bolcheviques, dado caber ao Conselho Municipal e não ao Conselho de Ministros.[82] Durante os dias seguintes, as milícias mantiveram as suas atividades policiais e não tomaram parte na defesa do Governo Provisório.[82] A maioria das medidas ordenadas por Kerensky foram, de facto, defensivas: destacamentos de cadetes foram enviados para guardar as estações ferroviárias e a guarda do Palácio de Inverno foi reforçada.[82]

No mesmo dia, o primeiro ministro Kerensky tentou acelerar a chegada das tropas leais ao Governo à capital, esquartejar a guarnição e retirar os comissários políticos do Comité Militar Revolucionário ali localizados, sem sucesso.[83] Durante a manhã e início da tarde tornou-se claro que a maioria das tropas da capital seguia as diretivas do Soviete de Petrogrado e ignorava as ordens do Governo.[83] Os dois lados acusaram-se mutuamente de trair a revolução e afirmaram ser os seus defensores.[81]

[81]À tarde, tornou-se conhecido que as tropas que viriam à capital para o alívio do Governo tinham passado para as fileiras do Comité ou estavam a ser detidas longe da cidade pelos apoiantes do Comité.[84][81] Os marinheiros do cruzador Aurora, que se encontrava nos estaleiros franco-russos para reparações, amotinaram-se contra os seus oficiais quando ordenaram que o navio deixasse a capital, uma ordem que tinha sido anulada pelo soviete da frota.[83][77] O governo tinha apenas alguns milhares de soldados na cidade — principalmente oficiais, cossacos, cadetes e um batalhão de mulheres — e estava em clara desvantagem numérica contra os seus opositores.[81][84][77] [81][84][77]Cerca de duzentos deles tinham aparecido no Palácio por volta do meio-dia, e sessenta e oito cadetes da Academia de Artilharia Mikhailovsky juntaram-se a eles duas horas mais tarde.[84] As suas tentativas de manter o controlo da guarnição da capital revelaram-se infrutíferas.[81] Embora a maioria dos soldados estivesse relutante em participar nos combates, aqueles que o fizeram estavam inclinados a obedecer ao Soviete.[81] Embora a maioria das unidades permanecesse no seu quartel, algumas das unidades mais radicalizadas responderam ao apelo do Soviete, tal como quase todos os Guardas Vermelhos,[81] o suficiente para assegurar a vantagem numérica do Soviete de Petrogrado sobre o governo.[85][81]

Fragilidade do Governo[editar | editar código-fonte]

Ao meio-dia, o Preparlamento iniciou uma nova sessão presidida por Nikolai Avksentiev.[86] Kerensky veio pouco depois e pediu para fazer uma comunicação especial para a assembleia.[87][88] Num discurso de uma hora no seu estilo característico,[86] pediu o seu apoio incondicional após descrever os acontecimentos dos últimos dias, que lhe foi negado,[89][90] mesmo na ausência da esquerda radical[85] e apesar da ovação que recebeu antes de se retirar.[88][87] A esquerda moderada — reunida com urgente na VTsIK desde a meia-noite até às 4 da manhã do dia seguinte[91] — limitou-se a emitir um novo e fútil apelo de calma e aviso de uma possível contrarrevolução em resposta à revolta.[85] Após quatro horas de debate,[92] os socialistas moderados conseguiram passar por uma estreita maioria uma moção de apoio ao governo, condicionada à adoção imediata de reformas radicais, de modo a atrair os apoiantes dos bolcheviques e de acalmar aqueles que tinham vindo a exigir tais medidas desde março.[93][94][90] Kerensky rejeitou a proposta[95] e alegou ser capaz de resolver a situação por si próprio.[91][96] [[Archivo:Leo_Trotzki_Oktober_1917.jpg|ligação=https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Leo_Trotzki_Oktober_1917.jpg%7Cesquerda%7Cminiaturadaimagem%7CLeon Trotsky, revolucionário russo e principal organizador da revolução em Petrogrado]] Após deixar a sede do Preparlamento, Kerensky marchou até ao quartel-general do distrito militar, anexo ao Palácio de Inverno, para dirigir as ações contra os bolcheviques, de novo de carácter defensivo: mantendo o controlo dos edifícios oficiais e dos pontos de comunicação estratégicos contra possíveis ataques e isolamento dos subúrbios, levantando as pontes sobre o Neva.[88] Foram enviados destacamentos de cadetes para proteger edifícios e patrulhar as ruas, algumas instituições oficiais começaram a fechar e, às 15:00, os telefones do Instituto Smolny foram desligados na central telefónica.[97][77]

Entre as 14:00 e as 15:00, os cadetes tomaram o controlo da Ponte Nikolayevsky[98] e da ponte do palácio,[99] levantando a primeira; outro destacamento tentou fazer o mesmo com a Ponte Liteiny, mas a multidão impediu-os de o fazer,[98] e um grupo de Guardas Vermelhos tomou o controlo da mesma.[97] Por volta das 18:30, o Regimento Pavlovski - fiel ao CMR - ocupou a Ponte Troitski, ultrapassando outra patrulha de cadete que se dirigia para lá com o mesmo objetivo.[97] O comissário do regimento granadeiro estacionado no distrito de Petrogrado enviou as suas forças para ocupar as pontes (as pontes granadeiro e Samsonovsky) assim que recebeu a notícia do que estava a acontecer noutras áreas, mesmo antes de receber a ordem do CMR.[97][98] A meio da tarde, as principais pontes da capital estavam nas mãos dos revoltosos,[99] e as tentativas do governo para as levantar falharam.[85]

O CMR formou uma comissão para dirigir o confronto com o Governo; as suas ordens, na realidade, consistiam em pouco mais do que enviar mais comissários, desta vez para pontos estratégicos, para exigir a sua submissão ao CMR.[100] Gradualmente, ao longo do dia, os principais centros da capital passaram para as mãos das forças leais ao Soviete de Petrogrado numa série de confrontos sem derramamento de sangue com as forças leais ao Governo.[85] Às quatro horas da tarde, os ciclistas que guardavam o Palácio de Inverno decidiram retirar-se;[100][99] um dos seus comissários ocupou a central de telégrafos uma hora mais tarde por ordem do Comité Militar, apoiado pelos soldados que o guardavam do Regimento pró-CRC de Kexholm.[101][99] Três horas mais tarde chegou um destacamento de cadetes para assumir o controlo do edifício, mas os soldados recusaram-se a permitir que o fizessem e os cadetes retiraram-se.[102][99] Por essa altura, a CMR solicitou o envio de marinheiros da Frota Báltica de Helsingfors,[99] que partiram para a capital em quatro varredores de minas e mais tarde, às 3 da manhã do dia seguinte, por caminho de ferro.[103][104] Estes últimos não chegaram a tempo de participar nos eventos na capital, pois a sua viagem foi dificultada pelas autoridades ferroviárias.[104] Entretanto, um grande número de Guardas Vermelhos tinha sido mobilizado e estavam a afluir a Smolny.[100] Inquieto quanto à possível reação do Governo, o CMR ordenou a apreensão de novas instalações-chave na cidade:[92] depois das 21 horas, as tropas insurgentes — o Regimento de Guardas Izmailovsky, o primeiro da guarnição a apoiar o Governo durante as Jornadas de Julho[99] — ocuparam a Estação Báltica, cortando possíveis reforços ao Governo a partir de oeste;[99][92] por volta das 21 horas, passaram do gabinete telefónico para o gabinete do telégrafo, onde seriam enviados para a cidade: por volta das 21:00, passaram do telégrafo para a agência noticiosa vizinha;[99] também foram enviados comissários para tomar posse da central telefónica, da central elétrica e das restantes estações ferroviárias.[92] Uma hora mais tarde, cadetes da Escola de Artilharia Mikhailovsky tentaram prender Lenin na gráfica bolchevique próxima, no distrito de Výborg; no entanto, não só Lenin não estava lá, mas quando encontraram os escritórios bolcheviques, uma unidade de Guardas Vermelhos que tinha acabado de chegar, prendeu-os.[92]

Ao cair da noite, as forças do Soviete de Petrogrado já estavam no controlo da maior parte da cidade.[105] As medidas do Soviete, contudo, permaneceram na defensiva, para evitar um possível golpe de Estado e para assegurar a realização do Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, que deveria levar a cabo a transferência de poder.[105]

Entretanto, Lenin, ainda escondido na capital, assistiu com inquietação aos últimos desenvolvimentos;[106] não compreendendo porque é que os seus co-religionistas não puseram um fim definitivo ao Governo Kerensky sem esperar pela abertura do congresso, solicitou sem sucesso ao partido a autorização para ir a Smolny.[107] Desesperado com a passividade do comité central, à tarde tentou angariar o apoio dos comités da cidade e dos distritos.[107] Incapaz de se conter e apesar da ordem do comité central de permanecer escondido, disfarçou-se e partiu de elétrico e depois a pé para Smolny acompanhado apenas por um guarda-costas.[108]

O início[editar | editar código-fonte]

A Rússia sofria de sérios problemas, como o facto de se encontrar sob uma governação autocrática pelo Czar Nicolau II, uma economia rural e desorganizada.[109] Além disso, a Rússia era palco de várias tensões sociais e políticas: com uma burguesia incipiente além do desgaste que o país enfrentava depois da Guerra da Criméia,[110] o operariado apesar de ser em escasso número, era bastante reivindicativo e exigia melhores salários de condições de trabalho. A entrada do país na guerra enfraquecera mais ainda a economia e o exército, já em dificuldades. A situação agravou-se com a convocação militar obrigatória, que paralisou a agricultura. Nos últimos meses de 1916, o país estava à beira do colapso total. A crise alimentar, o rigoroso racionamento e ainda as derrotas frente aos Impérios Centrais explodiram numa onda de greves e passeatas. A Rússia de Kerensky tentou elevar a conscrição e combater as deserções, o que causou resistência.[111] A Revolução tem sua inspiração matricial no iluminismo francês de Rousseau e na sua outra revolução.[112]

Partidos Políticos[editar | editar código-fonte]

1. Monárquicos de várias tendências, estes grupos outrora poderosos trabalhavam às escondidas ou unidos aos cadetes que gradualmente se levantaram em prol do seu programa.

2. Cadetes, eram assim chamados devido às iniciais do seu nome em inglês, Constitucionais Democratas. O seu nome oficial era Partido da Liberdade do Povo. Sob o Czar, compunha-se de liberais das classes abastadas e era o partido da reforma política. Em Março de 1917 formaram o Primeiro Governo Provisório, tendo sido derrubado em Abril. À medida que a Revolução se tornou mais social e económica os Cadetes tornaram-se também mais conservadores.

3. Socialistas Populistas ou Trudoviques (Grupo Trabalhista). Partido numericamente diminuto, composto por intelectuais, dirigentes das sociedades cooperativas e camponeses conservadores.

4. Partido Operário Social-Democrata Russo de origem socialista marxista. No Congresso de 1903 deu-se uma decisão em duas alas, uma maioritária (Bolshinstvo)e uma minoritária (Menshinstvo) que viriam a dar lugar a dois partidos: Mencheviques e Bolcheviques

a) Menchevique incluía socialistas de vários tons e que acreditavam numa evolução gradativa da sociedade até ao socialismo.

b) Internacionalistas Mencheviques formavam a ala radical dos mencheviques, opositores de uma coligação com os liberais.

c) Bolchevique que para dar mais ênfase à sua separação ao socialismo moderado e parlamentar e passaram a chamar-se Partido Comunista.

5. Iendinstvo pequeno grupo em decomposição, formado quase todo pelo discípulos de Gueorgui Plekhanov um dos pioneiros do Marxismo russo e seu grande político teórico. Já idoso, Plekhanov torna-se um patriota conservador radical, mesmo para os Mencheviques.

6. Partido Socialista Revolucionário foi na sua origem o partido revolucionário dos camponeses. Depois da Revolução de Fevereiro foi fortalecido por muitos adeptos.

Em 1917 os intelectuais mais jovens e radicais do partido, saem e fundam o Partido Socialista Revolucionário de Esquerda.

7. Partido Socialista Revolucionário de Esquerda. Adotando teoricamente o programa de Ditadura Proletária dos Bolcheviques, a princípio relutaram em seguir a tática bolchevique. Por várias vezes abandonou o governo bolchevique mas sempre retornava a ele. Com a política cada vez mais conservadora e moderada do Partido Socialista Revolucionário torna-se o grande partido camponês .

8. Maximalistas uma facção dissidente do Partido Socialista Revolucionário, durante a Revolução de 1905, no tempo que este era o maior partido camponês. Logo depois torna-se um pequeno grupo de camponeses anarquistas.

O Poder Dual[editar | editar código-fonte]

História da Rússia
Petrograd1919.JPG
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Perestroika e Glasnost
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Desde a Revolução de Fevereiro, a Rússia possuía dois governos paralelos, funcionando no mesmo palácio. Um, chamado de Governo Provisório foi formado pela antiga Duma e adotou a forma parlamentar de governo. O outro era o Comitê Central do Soviete de Petrogrado, composto por socialistas de vários matizes, e com a predominância dos mencheviques em primeira hora. O Governo Provisório era francamente a favor da continuação da guerra. O Comitê Central carecia de consenso sobre esta questão. Entretanto, por não participar do Governo Provisório, pôde repetidamente culpá-lo pela situação caótica sob a qual o país vivia.

Em 20 e 21 de Abril houve manifestações contra a guerra, e unidades militares se juntaram a estas, que assumiram o caráter de insurreição. Vários ministros se demitiram, e em 1 de Maio o comitê central, após votação, permitiu que seus membros participassem do Governo Provisório. Os bolcheviques foram contrários a isto. Seis socialistas se tornaram parte do gabinete, e Kerensky se tornou ministro da guerra. A partir daí, os bolcheviques se tornaram a oposição "oficial", enquanto que os agrupamentos socialistas participantes do governo se tornaram alvo das críticas direcionadas ao governo.

A Ascensão do Partido Bolchevique[editar | editar código-fonte]

Os bolcheviques começaram um grande esforço de propaganda, triplicando a tiragem do Pravda em menos de um mês (de 100 mil cópias em Junho para mais de 350 mil em Julho). Outra tentativa de insurreição, liderada pelos bolcheviques, aconteceu entre 3 e 5 de Julho, mas sem sucesso. O comitê central adotou uma série de resoluções impedindo a prisão e julgamento dos bolcheviques. Sentindo sua fraqueza, o governo permitiu que vários fossem postos em liberdade.

Em 20 de Agosto os bolcheviques ganharam um terço dos votos nas eleições municipais. A atividade dos sovietes diminuía e suas reuniões se tornavam menos concorridas. Enquanto outros partidos socialistas abandonavam os sovietes, os bolcheviques aumentavam sua presença. Em 25 de Setembro eles conquistaram a maioria na Seção Trabalhista do Soviete de Petrogrado e Trotsky foi eleito presidente.

O Caso Kornilov[editar | editar código-fonte]

Após os acontecimentos de Julho, o General Lavr Kornilov foi apontado Comandante-em-Chefe do Exército Russo. Kornilov, assim como a maior parte da classe média russa, acreditava que o país estava se deteriorando e que uma derrota militar na guerra seria desastrosa para o orgulho e honra russas. Ele anunciou que Lenin e seus "espiões alemães" deveriam ser enforcados, os sovietes eliminados, a disciplina militar restaurada e o Governo Provisório deveria ser 'reestruturado'.

Kerensky o demitiu em 9 de Setembro, por suspeita de que este pretendia criar uma ditadura militar. Kornilov respondeu com um chamado a todos os russos para que 'salvassem sua pátria moribunda' e ordenou a seus cossacos e chechenos que avançassem sobre Petrogrado, com a ajuda de especialistas e equipamentos britânicos. Sem poder confiar em seu próprio exército, Kerensky buscou ajuda na organização militar bolchevique, os Guardas Vermelhos.

As jornadas de julho e o golpe de Kornilov[editar | editar código-fonte]

Em julho, as massas de trabalhadores e soldados de Petrogrado, exasperadas com a derrota da ofensiva militar ordenada pelo Governo Provisório e pelos sacrifícios causados pelo desabastecimento, iniciaram um levante contra o governo. Os bolcheviques se opuseram em princípio, porque viam que o resto do país ainda apoiava os socialistas-revolucionários e os mencheviques e temiam que a capital se isolasse.

Mesmo assim, estiveram do lado dos manifestantes e procuraram dirigi-los. Por isso, foram reprimidos pelo Governo Provisório e centenas de seus militantes, inclusive dirigentes como Kamenev e Trotsky, foram presos. Foi decretada ordem de prisão contra Lenin e Zinoviev, que foram obrigados a passar à clandestinidade.

Em agosto, o general Kornilov, comandante em chefe do exército, tenta um golpe militar contrarrevolucionário, enviando tropas da frente de guerra à Petrogrado para derrubar o governo de Kerensky, que pede apoio.

Os bolcheviques chamaram à luta contra Kornilov e se colocaram na vanguarda da organização militar para derrotá-lo. Foi formada a Guarda Vermelha com os operários de Petrogrado. Delegados dos Soviets e dos soldados da capital conseguiram convencer as tropas sobre o caráter do golpe e a abandonar a marcha sobre a capital. Kornilov foi derrotado e preso sem que se disparasse um tiro.[113]

O Comitê Central é posto de lado[editar | editar código-fonte]

Em 20 de Outubro (anunciado em 26 de Setembro) tomou lugar o Segundo Congresso Pan-Russo de Sovietes, por iniciativa dos bolcheviques, a despeito de que apenas 8 de 169 sovietes tenham expressado apoio a este. As eleições para a assembleia constituinte estavam próximas, e aparentemente os bolcheviques pretendiam ofuscá-la e tomar-lhe o poder com uma reunião paralela por eles controlada. O Comitê Central denunciou a manobra, mas repentinamente e sem explicação, a aprovou em 17 de Outubro.

O Comando Militar é posto de lado[editar | editar código-fonte]

Em 6 de Outubro, com o avanço alemão ameaçando Petrogrado, o governo planejou evacuar a cidade. O Comitê Central foi contra. O plano foi abandonado. No dia 9, o Soviete votou a favor de um Comitê Militar-Revolucionário (CMR) que o protegesse de possíveis golpes no estilo de Kornilov. Na prática, entretanto, esse comitê foi pouco mais que uma fachada para a atividade dos Guardas Vermelhos.

Na noite de 21 de Outubro, o CMR tomou o controle da guarnição de Petrogrado em nome da seção dos soldados do Soviete. O comandante do distrito, Coronel Polkovnikov, se recusou a ceder o comando, no que foi condenado publicamente como "contra-revolucionário".

A Insurreição Bolchevique[editar | editar código-fonte]

A insurreição bolchevique começou em 24 de Outubro, quando as forças contrarrevolucionárias tomaram medidas modestas para proteger o governo. O CMR enviou grupos armados para tomar as principais agências telegráficas e baixar as pontes sobre o rio Neva. A ação foi rápida e sem impedimentos.

Um comunicado declarando o fim do Governo Provisório e a transferência do poder para o Soviete de Petrogrado foi emitida pelo CMR às 10 horas de 25 de Outubro – de facto escrito por Lênin. À tarde uma sessão extraordinária do Soviete de Petrogrado foi presidida por Trotsky. Ela estava cheia de deputados bolcheviques e socialistas de esquerda. O Segundo Congresso de Sovietes abriu naquela noite, escolhendo um Conselho de Comissários do Povo composto por três mencheviques e 21 bolcheviques e socialistas de esquerda, e que formaria a base de um novo governo. O Comitê Executivo do Soviete de Petrogrado rejeitou a decisão daquele congresso e convocou os sovietes e o exército para defender a Revolução.

Na noite do dia 26 o Congresso aprovou o Decreto da Paz, propondo a retirada imediata da Rússia da Primeira Guerra Mundial, e o Decreto da Terra, que propunha a abolição da propriedade privada e a redistribuição de terras entre os camponeses.

As tentativas de tomada de poder dos bolcheviques tiveram sucesso na maior parte da Rússia. Entretanto, o mesmo não se deu em regiões etnicamente diferentes, como na Ucrânia. O conflito entre os bolcheviques e os vários grupos não bolcheviques à direita (tsaristas, liberais, nacionalistas) e à esquerda (socialistas democráticos e anarquistas) levaram à Guerra Civil Russa, que duraria até o final de 1922.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Em russo Вели́кая Октя́брьская социалисти́ческая револю́ция, transliterado como Velíkaya Oktiábrskaya sotsialistícheskaya revoliútsiya ou Velíkaja Oktjábr'skaja socialistíčeskaja revoljúcija.

Referências[editar | editar código-fonte]

Citações

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ler mais[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]