Batalha das Filipinas (1944-1945)

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Batalha das Filipinas (1944-1945)
7th Cavalry Leyte Island 20 10 1944.jpeg
Tropas norte-americanas desembarcam em Leyte, iniciando a reconquista das Filipinas.
Data Outubro de 1944 - Abril de 1945
Local Filipinas
Desfecho Vitória dos Aliados
Combatentes
US flag 48 stars.svg Estados Unidos Japão Japão
Comandantes
General Douglas MacArthur Tenente-General Tomoyuki Yamashita
Baixas
14 000 mortos
48 000 feridos
336 000 mortos
12 000 prisioneiros

Batalha das Filipinas (1944 - 1945), também conhecido como Campanha das Filipinas, foi a batalha travada entre japoneses e norte-americanos pela reconquista das Filipinas, após três anos de ocupação do país pelo Japão, durante a II Guerra Mundial.

No verão de 1944, após dois anos de batalhas no Pacífico, as forças aliadas se encontravam a cerca de 500 km a sudeste de Mindanao, a grande ilha das Filipinas localizada mais ao sul do arquipélago que forma o país, depois de retomarem dos japoneses as Ilhas Gilbert, Marianas e Carolinas. Aviões baseados em porta-aviões já há alguns meses bombardeavam as instalações inimigas nas Filipinas. As forças terrestres dos EUA e da Austrália, sob o comando do general Douglas MacArthur, comandante supremo da área do sudoeste do Pacífico, haviam isolado os japoneses na Nova Guiné, bloqueando o porto de Rabaul e capturando bases navais e aéreas pelas ilhas e atóis do Pacífico.

Com a vitória nas Ilhas Marianas (Saipan, Guam e Tinian) em julho de 1944 e nas Ilhas Palau e Morotai em setembro, os aliados cada vez mais se aproximavam do território nacional do Japão. Dos aeroportos nas Ilhas Marinas, os norte-americanos podiam pela primeira vez bombardear as ilhas japonesas partindo de bases terrestres. Apesar do Japão estar claramente perdendo a guerra, suas forças não davam nenhum sinal de capitulação ou colapso, o que fazia com que os comandantes aliados tivessem pressa em atacar os japoneses entrincheirados nas Filipinas, em Formosa e na ilha de Okinawa.

A reconquista[editar | editar código-fonte]

Graças à fraterna e próxima relação entre as Filipinas e os Estados Unidos desde 1898, os comandantes aliados decidiram que era chegado o momento de empreender a reconquista do país, aguardado há tanto tempo pelos filipinos. Depois do general MacArthur ser obrigado a abandonar o país em março de 1942, as Filipinas caíram sob domínio do Japão, que nos quase três anos de ocupação aplicaram um duro tratamento à população nativa, cometendo diversas atrocidades contra civis e obrigando parte deles a realizar trabalho escravo.

Entre 1942 e 1944, MacArthur, baseado na Austrália, providenciou ajuda à guerrilha filipina através de submarinos e lançamentos aéreos de suprimentos e munição, que, das selvas do país, foram capazes de infligir pesados danos às tropas de ocupação, tomando o controle de grande parte da área rural, das matas e das regiões mais montanhosas, quase metade da área total do país.

Em 20 de outubro de 1944, tropas americanas com forte apoio naval e aéreo, desembarcaram nas praias da ilha de Leyte, ao norte de Mindanao. Enquanto lutavam nas praias tentando estabelecer uma cabeça de ponte para a invasão, forças navais do Japão tentavam impedir os desembarques atacando a frota aliada na região, o que resultou na maior batalha naval da Guerra do Pacífico, com a conseqüente derrota japonesa, que deixou de existir como grande força naval de combate a partir dali (ver Batalha do Golfo de Leyte).

O General Douglas MacArthur desembarca novamente em Leyte, três anos após ser obrigado a deixar as Filipinas.

O 6° Exército Americano continuou seu avanço ilha adentro, em batalhas encarniçadas com as tropas japonesas, que recebiam reforços enviados de outras regiões das Filipinas. Com a ajuda de poderosos ataques da força aérea, os americanos conseguiram avançar através de Leyte e na ilha de Samar, ao norte. Em 7 de dezembro, as tropas chegaram à Baía de Ormoc, cortando as linhas de reforço e de suprimento dos inimigos. A partir daí, apesar de combates menores e escaramuças ainda se desenrolarem durante meses, o controle da ilha de Leyte passou a ser dos americanos.

Em 9 de janeiro de 1945, a partir da base de operações estabelecida no Golfo de Lingayen, os americanos desembarcaram em Luzon - a maior das ilhas filipinas e onde se encontra a capital Manila - com um total de 175.000 homens, estabelecendo uma cabeça de praia de 20 km. Sob forte apoio aéreo, as tropas ganharam terreno na ilha, tomando o campo de pouso de Clark Field – três anos antes uma base aérea americana – 60 km ao norte de Manila, em fins de janeiro.

Outros desembarques de tropas isolaram a península de Bataan sem grandes combates enquanto pára-quedistas e tropas de assalto anfíbio retomaram a fortaleza de Corregidor após breve resistência. Sem combates prolongados, os americanos retomavam aos japoneses dois locais, Bataan e Corregidor, onde três anos antes haviam sido derrotados em sangrentas batalhas que duraram mais de quatro meses até a rendição dos aliados, iniciando o período de ocupação japonesa nas Filipinas (ver Batalha de Bataan e Batalha de Corregidor).

Batalha de Manila[editar | editar código-fonte]

Apesar do otimismo inicial, com a chegada das tropas americanas rapidamente às cercanias de Manila, a batalha pela conquista da cidade duraria um mês e seria a maior batalha urbana de toda a guerra no Sudeste Asiático.

Considerada cidade aberta e abandonada sem luta pelos Aliados durante a primeira Batalha das Filipinas, em 1941-42, desta vez os atuais ocupantes japoneses se entrincheiraram na cidade com uma divisão de fuzileiros navais e marinheiros e obrigaram os americanos a uma luta sangrenta casa a casa, edifício a edifício, que destruiu completamente a cidade e suas preciosas construções históricas, causando a morte de mais de 20.000 soldados e o massacre de cerca de 100.000 civis, atingidos pelos bombardeios, pelo fogo cruzado e milhares assassinados pelos japoneses (ver Massacre de Manila ), na sua fúria contra os habitantes da capital, devido à frustração pela derrota que sofriam e por não terem esperança de vitória nem de saírem com vida.

A batalha terminou apenas em abril, sobre os escombros da cidade destruída, com a explosão do último reduto de defesa japonesa no Forte Drum, uma fortaleza na Baía de Manila próxima a Corregidor, que matou todos os defensores sobreviventes.

O fim[editar | editar código-fonte]

Após a conquista de Manila e a invasão de ilha de Palawan no extremo oeste das Filipinas, as tropas norte-americanas desembarcaram em Mindanao, a última das grandes ilhas filipinas a serem tomadas, em 17 de abril. Cebu, Negros e diversas ilhas menores do arquipélago foram também ocupadas. Os combates em Mindanao e Luzon continuaram contra um inimigo derrotado como força de combate e sem esperança de vitória mas que não se rendia e, que usando da tática de se dividir em pequenos grupos, se embrenhavam nas florestas das ilhas e resistiram até junho de 1945.

Nos últimos meses da guerra, guarnições japonesas expulsas dos grandes centros continuaram a lutar em pequenos bolsões do território filipino cada vez menores devido às operações de limpeza do exército norte-americano, notadamente nas selvas, até a rendição final do Japão em 2 de setembro. Muitos não se renderam e se embrenharam nas matas mesmo depois da guerra terminada, morrendo de doenças e inanição.

Danos humanos[editar | editar código-fonte]

Exército e Força Aérea estadunidense[editar | editar código-fonte]

Localização Mortos Feridos Total Notas
Leyte 3.593 11.991 15.584 [1]
Luzon 8.310 29.560 37.870 [2]
Centro e SUl das Filipinas 2070 6.990 9.060 [2]
Total 13.973 48.541 62.514

Japoneses[editar | editar código-fonte]

Localização Mortos Capturados Total Referências
Leyte 80.557 828 81.385 [3]
Luzon 205.535 9.050 214.585 [4]
Centro e Sul das Filipinas 50.260 2.695 52.955 [2]
Total 336.352 12.573 348.925

Referências

  1. Cannon, Leyte: Return to the Philippines, pp. 368–369
  2. a b c Smith, Triumph in the Philippines, pp. 692–693
  3. Cannon, Leyte: Return to the Philippines, pp. 351–352
  4. Smith, Triumph in the Philippines, p. 694