Águas de Lindóia

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Lindóia.
Estância Hidromineral de Águas de Lindóia
  Município do Brasil  
Vista da cidade
Vista da cidade
Símbolos
Bandeira de Estância Hidromineral de Águas de Lindóia
Bandeira
Brasão de armas de Estância Hidromineral de Águas de Lindóia
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "A capital termal do Brasil"
Gentílico lindoiense
Localização
Localização de Águas de Lindóia em São Paulo
Localização de Águas de Lindóia em São Paulo
Mapa de Águas de Lindóia
Coordenadas 22° 28' 33" S 46° 37' 58" O
País Brasil
Unidade federativa São Paulo
Região intermediária[1] Campinas
Região imediata[1] Amparo
Municípios limítrofes Lindóia, Itapira, Socorro e Monte Sião (MG)
Distância até a capital 159 (Via Bragança Paulistakm[2]
História
Fundação 16 de novembro de 1938 (81 anos)
Emancipação 30 de dezembro de 1953 (66 anos)
Aniversário 16 de novembro
Administração
Prefeito(a) Gilberto Abdou Helou (PSDB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [3] 60 km²
População total ([4]) 18,705 hab.
Densidade 0,3 hab./km²
Clima tropical de altitude (Cwa)
Altitude 945 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 13940-000
Indicadores
PIB (IBGE/2008[5]) R$ 146 291,143 mil
PIB per capita ([4]) R$ 25 554,26
Website Prefeitura municipal (Prefeitura)
Câmara municipal (Câmara)

Águas de Lindóia é um município do estado de São Paulo, no Brasil. Capital termal do Brasil. Pertencente ao circuito das águas paulista, na região administrativa de Campinas. Abrange uma área de 60 km².

Estância hidromineral[editar | editar código-fonte]

Balneário.

Águas de Lindóia é um dos onze municípios paulistas considerados estâncias hidrominerais pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de estância hidromineral e capital termal do brasil, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

Fotografia noturna do lago em 2008. Ao fundo vista para hotéis e cristo(clique para ampliar).

História[editar | editar código-fonte]

Até ao século XVI, a região era habitada pelos índios caiapós. Em 9 de agosto de 1728, Manuel de Castro, morador da praça de Santos, recebera do governador e capitão-general da então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro uma carta, doando-lhe as terras do Ribeirão das Águas Quentes, advindo como fruto de sesmaria. Na época, já era do saber dos bandeirantes e tropeiros as propriedades curandeiras das águas durante suas incursões saindo da cidade de Bragança Paulista para o planalto goiano, passando por Minas Gerais. Eles foram os maiores divulgadores dos poderes das águas da região durante suas estadias.[6]

Mais tarde, Padre Bueno, um clérigo de Amparo, resolveu adquirir tais terras após haver curado de suas moléstias nas águas do Ribeirão das Águas Quentes. Com sua morte, entretanto, seus herdeiros colaterais abandonaram as terras.

A partir do ano de 1850, momento em que o café era o mais notório e mandante produto nas exportações brasileiras, as terras pertencentes hoje a cidades como Amparo, Serra Negra, Socorro e Águas de Lindóia foram usadas para o plantio e o estabelecimento de fazendas de café. Nesta mesma época, com a abertura dos portos, inúmeras famílias europeias, principalmente italianos, portugueses e espanhóis, estabeleceram-se na nova terra como uma mão de obra renovada a trabalhar em tais fazendas.[7]

Assim começou, através desta gente simples, a divulgação do poder das águas. Na virada do século XIX para o século XX, a região começou a ser ocupada por fazendas de café baseadas na mão de obra assalariada dos imigrantes italianos. Em 1915, o médico italiano Francisco Antonio Tozzi, da comarca de Serra Negra, mudou-se para Águas de Lindóia e iniciou os estudos sobre as curas de doenças de pele e reumatismo. Turistas e cientistas chegaram de toda a parte. Em 1932, a cidade participou da Revolução Constitucionalista de 1932, que lutou contra as forças do governo central brasileiro. Hoje, a infraestrutura da estância é ampla e variada.

Por força da Lei Estadual 2456, o antigo distrito foi elevado à categoria de município em 30 de dezembro de 1953, desmembrando-se de Serra Negra.

O Fundador italiano[editar | editar código-fonte]

Águas de Lindóia surgiu da aventura de um jovem médico italiano, o Dr. Francisco Tozzi, nascido em 1870 na cidade de Benevento, província de Nápoles. Francisco Tozzi, que foi secretário da Saúde de Milão, aceitou o convite de um amigo italiano, pároco da cidade de Socorro, para vir morar no Brasil e prestar assistência médica. O Dr. Tozzi chegou em 1900 à Socorro, cidade do interior de São Paulo.

A descoberta das fontes[editar | editar código-fonte]

Em 1909, o Dr. Tozzi, fundador de Águas de Lindóia, soube da história de um padre da cidade de Lindoia, vizinha à Socorro e Serra Negra, que havia sido curado de um eczema de pele utilizando as águas que jorravam a 28 graus de um morro denominado "Águas Quentes". Após mandar analisar aquela água e confirmar suas propriedades curativas, o Dr. Tozzi adquiriu as terras ao redor das fontes e iniciou em 1910 a construção das Thermas de Lindoya.

Os primeiros hotéis[editar | editar código-fonte]

As Thermas de Lindoya, construídas a partir de 1910, eram formadas por três grandes casas, cada uma delas com um refeitório e quartos enfileirados unidos por um corredor. Apesar da estrutura simples, as construções receberam nomes pomposos: Hotel Senado, Hotel Catete e Hotel Câmara. O Senado recebia os clientes mais pobres, enquanto que o Catete era o que mais se assemelhava a um hotel, recebendo os clientes de melhor posição.

O início do povoado[editar | editar código-fonte]

A construção das Thermas de Lindoya, em um local muito distante para as condições de transporte da época (1910), fez com o Dr. Tozzi precisasse prover os operários de condições mínimas de subsistência. Desta forma nasceram as primeiras ruas, armazéns, casas, farmácia, escola e consultório médico. O Dr. Tozzi mudou-se com a família para o novo povoado em 1914.

O engarrafamento de água mineral[editar | editar código-fonte]

As histórias de cura realizadas pelas "Thermas de Lindoya" ganharam o Brasil, atraíam cada vez mais pessoas e propiciaram o início do engarrafamento de água mineral, em 1916. Além de adquirida pelos clientes das Thermas de Lindoya, a água era enviada à Serra Negra em carroças por um produtor de vinho da região, e de lá seguia para outras cidades.

O hotel que iniciou o ciclo turístico[editar | editar código-fonte]

Apesar do sucesso das "Thermas de Lindoya", o empreendimento ainda exigia que o Dr. Tozzi aplicasse todos os recursos financeiros obtidos com sua clínica. Isto significava, em valores da época, cem mil réis por dia, o equivalente a mais de 30 consultas de três mil réis cada. A solução encontrada pelo Dr. Tozzi foi a construção de um hotel moderno, que atraísse pessoas de melhor poder aquisitivo e que, de certa forma, subsidiassem a hospedagem dos mais pobres nos outros "hotéis". Em 1929 surgia o Hotel Glória (hoje, Grande Hotel Glória), com um belo salão para refeições, salão para refeições dietéticas, salão de diversões, cozinha ampla, apartamentos de 2 ou três quartos, água corrente, iluminação elétrica, banheiros independentes e outros "luxos". O novo hotel mudou a rotina do lugar realizando sofisticados bailes com música ao vivo que terminavam precisamente às 22 horas, por ordem expressa do Dr. Tozzi e em prol da saúde dos hóspedes! Nem mesmo o presidente da província de São Paulo, Washington Luiz, mais tarde presidente do Brasil, escapou do excesso de zelo do médico italiano, e sempre resignou-se a encerrar suas danças no horário determinado quando hospedou-se no Hotel Glória.

O hábito de fazer a estação de águas[editar | editar código-fonte]

Muitos problemas de saúde tinham, naquela época, como única solução a permanência em um balneário, onde a ingestão de água, a alimentação e a rotina diária era acompanhada por médicos. Os hóspedes chegavam aos balneários com receitas prescrevendo o período de permanência - 10, 20, 30 ou até 60 dias. Independente de prescrição médica, as famílias programavam longos períodos de hospedagem durante as férias. Fazer turismo e cuidar da saúde eram praticamente sinônimos. Algo como fazer turismo e fazer compras, nos dias de hoje. Thermas de Lindoya era considerado um dos melhores balneários do mundo e, sem dúvida, era o mais "badalado" da região sudeste do Brasil, recebendo artistas e políticos. O conforto do Hotel Glória, as festas e a freqüência de personalidades ilustres, somados à fama das águas, da comida e das crescentes histórias de cura, criaram na época uma pergunta comum na sociedade paulistana: "você não vai fazer a estação de águas de Lindoya?"

A visita de Madame Curie, Prêmio Nobel de Química[editar | editar código-fonte]

O trabalho do Dr. Tozzi atraíra a atenção de Madame Curie, Prêmio Nobel de Química, que realizava pesquisas na França sobre a radioatividade. Madame Curie veio ao Brasil em 1928 e visitou as Thermas de Lindóia(futura Águas de Lindoia-SP). A radioatividade foi o tema das conversas, porque anos mais tarde descobriu-se que a água mineral de Águas de Lindóia atingia 3.179 maches na escala radioativa, contra 185 maches das famosas fontes de Jachimou na Tchecoslováquia e 155 maches das fontes de Bad Gastein, na Áustria. A radioatividade natural da água é extremamente benéfica para o organismo, e Águas de Lindóia possui, comprovadamente, a água mineral de maior radioatividade em todo o planeta.[8]

Águas de Lindóia e a Missão Apolo 11[editar | editar código-fonte]

O Balneário Municipal exibe uma nota fiscal muito interessante (NF no 20.218), emitida em 02 de abril de 1969, três meses e meio antes do homem chegar a lua pela primeira vez a bordo da Apolo 11. Segundo este documento, foram embarcadas para Cabo Kennedy, a pedido da NASA, 100 dúzias de garrafas com 500 ml contendo água mineral de Águas de Lindóia. Algumas pessoas que trabalharam na empresa engarrafadora naquela época confirmam a história e acrescentam que a água enviada foi retirada da Fonte Santa Filomena, que ainda jorra no Balneário. O site da NASA comprova que a cápsula Eagle, onde os astronautas Neil A. Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins fizeram a viagem, possuía dois reservatórios para água, mas não especifica com qual água eles foram abastecidos. Os motivos que teriam levado a NASA a escolher a água mineral de Águas de Lindóia são a baixa acidez e rápida absorção pelo organismo.[9]

Religião[editar | editar código-fonte]

Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

O município pertence à Diocese de Amparo.

Espiritismo[editar | editar código-fonte]

Águas de Lindoia possui 4 Centros Espíritas.[10]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Morro Pelado.

A altitude média do município é de 945 metros, atingindo seu ponto mais alto no Morro Pelado, aos 1 400 metros de altura. Por estas características, goza de um clima agradável, classificado como transição entre subtropical e tropical de altitude.

Sua população é estimada em 18.705 habitantes pelo IBGE em 2019, predominantemente na área urbana (apenas 155 pessoas na zona rural (CENSO IBGE2010[11] )).

A cidade é servida pela rodovia SP-360, BR-146, SP-147.

TERRITÓRIO E AMBIENTE

Área da unidade territorial [2019] 60,126 km²

Esgotamento sanitário adequado [2010] 92,9 %

Arborização de vias públicas [2010] 82,1 %

Urbanização de vias públicas [2010] 73,3 %

Bioma Mata Atlântica


Apresenta 92.9% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 82.1% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 73.3% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). Quando comparado com os outros municípios do estado, fica na posição 212 de 645, 474 de 645 e 9 de 645, respectivamente. Já quando comparado a outras cidades do Brasil, sua posição é 293 de 5570, 2241 de 5570 e 60 de 5570, respectivamente.(FONTE:IBGE)[12]


Administração[editar | editar código-fonte]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

A cidade foi atendida pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB) até 1973[13], quando passou a ser atendida pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que construiu a central telefônica utilizada até os dias atuais. Em 1998 esta empresa foi privatizada e vendida para a Telefônica[14], sendo que em 2012 a empresa adotou a marca Vivo[15] para suas operações de telefonia fixa.

Referências

  1. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  2. «Distancia entre Águas de Lindóia e a capital São Paulo». Google Maps. 4 de junho de 2020 
  3. IBGE. «Área territorial oficial de Águas de Lindóia». Consultado em 3 de junho de 2020 
  4. a b «IBGE Águas de Lindóia». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 4 de junho de 2020 
  5. «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  6. «Site oficial da cidade». Consultado em 4 de junho de 2020 
  7. «Imigração no Brasil». Wikipédia, a enciclopédia livre. 18 de abril de 2017 
  8. «Site oficial da cidade». Consultado em 4 de junho de 2020 
  9. «Reportagem G1 07/07/2017». Consultado em 4 de junho de 2020 
  10. «Águas de Lindoia». www.usecircuitodasaguas.org. Consultado em 3 de junho de 2020 
  11. «CENSO 2010». População residente. Consultado em 4 de junho de 2020 
  12. «IBGE Cidades». Consultado em 7 de junho de 2020 
  13. «Relação do patrimônio da CTB incorporado pela Telesp» (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo 
  14. «Nossa História». Telefônica / VIVO 
  15. GASPARIN, Gabriela (12 de abril de 2012). «Telefônica conclui troca da marca por Vivo». G1 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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