Miss Universo 1963

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Miss Universo 1963
IedaMVargas.jpg
Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963
Data: 20 de julho de 1963
Apresentadores: Gene Rayburn
Local: Miami Beach Auditorium
Miami Beach, Estados Unidos
Emissora: CBS
Candidatas: 50
Estreantes no concurso: Bahamas, Curaçao, Okinawa, Trinidad e Tobago
Não participaram do concurso: Benin, Inglaterra, Haiti, Hong Kong, Líbano, Malásia, Taiwan, Taiti, Ilhas Virgens
Voltaram a participar do concurso: Guiana Britânica, Dinamarca, Jamaica, Nicarágua, Suriname
Vencedora: Ieda Maria Vargas
Representou: Brasil Brasil

Miss Universo 1963 foi a 12.ª edição do concurso, realizada em 20 de julho em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos. Cinquenta misses internacionais participaram do evento, vencido pela brasileira Ieda Maria Vargas, a primeira Miss Brasil a ser coroada Miss Universo.[1]

Desde a criação do Miss Internacional em Long Beach, dois anos antes, depois da mudança do Miss Universo para Miami e para a costa leste, este concurso passou a ser considerado o principal concorrente, ao invés do Miss Mundo, que era realizado na Europa. O sucesso do Miss International forçou os organizadores do MU realizarem mudanças em seu formato pela primeira vez na história, já que, no ano anterior, o concurso concorrente tinha sido considerado mais organizado que o Miss Universo.[2]

Organização[editar | editar código-fonte]

Com 50 participantes, a primeira novidade foi realizar a parada das misses em carros abertos, similar ao que era feito em Long Beach. Desfilando em seus trajes típicos, as misses foram aplaudidas por dezenas de milhares de pessoas ao longo das calçadas da cidade. Além disso, a organização passou à imprensa informações de que, naquele ano, 50 mil jovens de cinquenta países competiram em concursos locais, estaduais e nacionais na esperança de irem ao Miss Universo, mais de 3 mil pessoas estavam envolvidas na organização em nível nacional e internacional e 455 repórteres e fotógrafos tinham sido credenciados para a cobertura, número inferior apenas aos Jogos Olímpicos. O prêmio para a vencedora também foi substancialmente aumentado, passando para US$7500 em dinheiro mais contratos para o mandato de um ano no valor de US$10 mil, aproximadamente US$150 mil dólares nos dias de hoje.

Evento[editar | editar código-fonte]

A semana do evento porém, não começou sem percalços. Devido ao calor de 32°C que fazia em Miami, durante as sessões fotográficas em trajes de banho que ocorriam em frente ao Centro de Convenções de Miami, várias candidatas sofreram de desidratação, desmaiaram e tiveram que receber socorro. O episódio levou ao cancelamento de apresentações ao ar livre das misses para a mídia. [3]

A primeira novidade foi a presença da Miss Okinawa, que causou interesse da imprensa por ser uma representante à parte do Japão. Então território americano, o arquipélago no sul do Japão tem uma cultura, língua e costumes próprios, e durante cinco anos, até 1968, enviou representantes ao Miss Universo, sem entretanto conseguir resultados expressivos Algumas misses de belezas diferentes tornaram-se as favoritas, como as Misses Dinamarca, Filipinas, Alemanha, Irlanda – cuja beleza era comparada a Elizabeth Taylor – e a gaúcha Ieda Maria Vargas, de sorriso largo e figura perfeita, batizada de "baby" durante o evento pela sua face de menina,[4] transformada na favorita número 1 da América do Sul.[2]

A Miss Inglaterra, Susan Pratt, acabou não competindo, depois de ser atropelada por um carro nas vésperas do concurso, quebrando uma perna e precisando ser internada num hospital. Mesmo assim, foi apresentada ao público na noite da final, entrando no palco em cadeira de rodas. Pratt foi colega de hospital de Marlene Schmidt, Miss Universo 1961, internada ao mesmo tempo para uma operação de apendicite de emergência, e que recebeu a visita de sua sucessora, a Miss Universo reinante, Norma Nolan. [3]

As semifinalistas escolhidas pelo júri preliminar foram consideradas quase perfeitas e um dos melhores Top 15 da história do concurso. Entre elas, além de Ieda e das outras dadas como favoritas, estavam Argentina, Finlândia, França, Itália, Japão, Filipinas e Estados Unidos.

Foi reportado que os dois americanos e os dois britânicos do júri queriam uma loira como vencedora da edição e a escolha feita era a Miss Dinamarca, Aino Korva, uma das favoritas e de rosto perfeito. Porém, na noite final, um deles, o ator britânico Peter Sellers, cativado pelos grandes olhos negros e pelo sorriso de Ieda, mudou suas notas, dando nota máxima à brasileira em suas três apresentações e decidindo o título em favor dela e deixando a Miss Dinamarca em segundo lugar . [3] Depois do concurso, Sellers convidaria Ieda a fazer carreira no cinema e estrelar seu próximo filme, A Pantera Cor de Rosa, que ela recusou dizendo querer apenas voltar para Porto Alegre após seu mandato, casar e ter filhos; diante da negativa de Ieda, Sellers convidou Claudia Cardinale.[4]

Assim como acontecido com a peruana Gladys Zender em 1957, o pai de Ieda não foi alguém fácil de se lidar pela organização. Depois de várias negociações, seus pais se mudaram para Nova York para estar perto da filha durante seu ano de reinado; sua mãe chegou a fazer várias viagens com ela pelo mundo como dama de companhia. De volta ao Brasil, ela foi recebida não por milhares, mas por milhões de pessoas nas ruas durante sua passagem pelo Rio de Janeiro e por sua Porto Alegre natal, numa época em que os concursos de beleza tinham a mesma importância e popularidade que uma Copa do Mundo.[2]

Resultados[editar | editar código-fonte]

Colocação Candidata País
Miss Universo 1963 Ieda Maria Vargas  Brasil
2º lugar Aino Korva  Dinamarca
3º lugar Marlene McKeown  Irlanda
4º lugar Lalaine Bennett Filipinas
5º lugar Kim Myoung-ja  Coreia do Sul
Semifinalistas (Top 15): Ellen Leibenberg
Helga Ziesemer
Olga Galuzi
Gertude Bergner
Cristina Alvárez
Marite Ozers
Riita Hellevi
Monique Lemaire
Gianna Serra
Noriko Ando
África do Sul
 Alemanha
 Argentina
 Áustria
 Colômbia
 Estados Unidos
 Finlândia
 França
 Itália
 Japão
Premiações especiais
Miss Simpatia Grace Taylor Escócia
Miss Fotogenia Marlene McKeown  Irlanda
Melhor Traje Típico Sherine Ibrahim  Israel

Candidatas[editar | editar código-fonte]

Em negrito, a candidata eleita Miss Universo 1963. Em itálico, as semifinalistas.[5]

Referências

  1. «Miss Brasil eleita Miss Universo». Jornal do Brasil. 22 de julho de 1963. Consultado em 6 de fevereiro de 2015 
  2. a b c «ieda Maria Vargas - Miss Universe 1963». globalbeauties.com. Consultado em 10 de julho de 2011 
  3. a b c «Entretelones Miss Universo 1963». ChileanCharm.com. Consultado em 10 de julho de 2011 
  4. a b «Entardecer no Olimpo». Revista Época. Consultado em 10 de julho de 2011 
  5. «1963». pageantopolis.com. Consultado em 10 de julho de 2011