Weltschmerz

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Figura melancólica de um poeta. Gravura de Jusepe de Ribera.

Weltschmerz (do alemão, literalmente dor de mundo, também cansaço do mundo, pronunciado [ˈvɛltʃmɛɐ̯ts]) é um termo cunhado pelo autor alemão Jean Paul Richter em seu romance de 1827, Selina,[1] e denota o tipo de sentimento experimentado por alguém que entende que a realidade física nunca poderá satisfazer as exigências da mente.[2] Seu significado original no Deutsches Wörterbuch pelos Irmãos Grimm, denota uma tristeza profunda sobre a insuficiência do mundo (tiefe Traurigkeit über die Unzulänglichkeit der Welt). A tradução pode diferir dependendo do contexto; em referência ao eu pode significar "cansaço do mundo", enquanto em referência ao mundo pode significar "a dor de mundo".[3]

Este tipo de visão de mundo foi generalizado entre vários autores românticos e decadentes tais como Lord Byron, Oscar Wilde, William Blake, o Marquês de Sade, Charles Baudelaire, Giacomo Leopardi, François-René de Chateaubriand, Alfred de Musset, Mikhail Lermontov, Nikolaus Lenau,[4] Hermann Hesse[5] e Heinrich Heine.[4]

Frederick C. Beiser define Weltschmerz mais amplamente como "um estado de espírito de cansaço ou tristeza sobre a vida que surge da consciência aguda do mal e do sofrimento",[6] e observa que na década de 1860 a palavra era usada ironicamente na Alemanha para se referir à hipersensibilidade dessas mesmas preocupações.

Exemplos amplos[editar | editar código-fonte]

O significado moderno de Weltschmerz na língua alemã é a dor psicológica causada pela tristeza que pode ocorrer quando percebe-se que as próprias fraquezas de alguém são causadas pela inadequação e crueldade do mundo e as circunstâncias (físicas e sociais).[7]

Em Trópico de Câncer, Henry Miller descreve um conhecido, "Moldorf", que tem receitas para Weltschmerz em pedaços de papel no bolso. John Steinbeck escreveu sobre esse sentimento em dois de seus romances; em East of Eden, Samuel Hamilton sente isso depois de conhecer Cathy Trask pela primeira vez, e é referido como os Welshrats em The Winter of Our Discontent. Ralph Ellison usa o termo em Invisible Man em relação ao pathos inerente ao canto dos espirituais: "sob a rapidez do ritmo quente havia um ritmo mais lento e uma caverna e eu entrei e olhei em volta e ouvi uma velha cantando uma espiritual tão cheio de Weltschmerz quanto flamenco". Kurt Vonnegut faz referência ao sentimento em seu romance Player Piano, no qual é sentido pelo doutor Paul Proteus e seu pai. No romance Free Fall in Crimson, de John D. MacDonald, Travis McGee descreve Weltschmerz como "saudade de um lugar que você nunca viu".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Weltschmerz | Romantic literary concept». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 6 de outubro de 2020 
  2. Georg Büchmann (1898). Geflügelte Worte. Der Citatenschatz des deutschen Volkes 19. ed. [S.l.]: Haude & Spener'sche Buchhandlung (F. Weidling). pp. 223–224. Consultado em 31 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 29 de maio de 2013 
  3. «Weltschmerz is the word that perfectly sums up how you're feeling right now». Metro (em inglês). 30 de maio de 2020. Consultado em 18 de julho de 2020 
  4. a b Braun, Wilhelm Afred (1905). Types of Weltschmerz in German Poetry. London: Columbia University Press. Consultado em 9 de abril de 2016 
  5. Stelzig, Eugene L. (1988). Hermann Hesse's Fictions of the Self: Autobiography and the Confessional Imagination. Princeton, NJ: Princeton University Press. p. 81. ISBN 0-691-06750-3. Consultado em 9 de abril de 2016 
  6. Beiser, Frederick C. (2016). Weltschmerz: Pessimism in German Philosophy, 1860-1900. [S.l.]: Oxford University Press. 1 páginas. ISBN 9780191081347 
  7. Heinssen, Johannes (2003). Historismus und Kulturkritik: Studien zur deutschen Geschichtskultur im späten 19. Jahrhundert (em alemão) 1 ed. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht. 615 páginas. ISBN 9783525351932 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]