Albrecht Dürer

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Albrecht Dürer
Auto-retrato, 1493, óleo sobre tela, Museu do Louvre, Paris
Nascimento 21 de Maio de 1471
Nuremberga
Morte 6 de abril de 1528 (56 anos)
Nuremberga
Nacionalidade Alemão
Ocupação Pintura, gravura e ilustração
Movimento estético Renascimento

Albrecht Dürer (Nuremberga, 21 de maio de 1471 — Nuremberga, 6 de abril de 1528) foi um gravador, pintor, ilustrador e teórico de arte alemão e, provavelmente, o mais famoso artista do Renascimento alemão e um dos que mais influenciou os artistas do século XVI no seu país e nos Países Baixos.

Sobre ele existe uma grande quantidade de informação pessoal, desde cartas, escritos e desenhos acompanhados de anotações minuciosas, que permitem uma boa compreensão da sua obra. A sua maestria como pintor foi o resultado de trabalho árduo e, no campo das artes gráficas, não tinha rival. Conseguiu chamar a atenção do imperador Maximiliano I para o seu trabalho, tendo dele recebido diversas encomendas e nomeado pintor de corte em 1512.

Viveu duas vezes na Itália em adulto. Em 1520, depois da morte do imperador, partiu para os Países Baixos, visitou muitas das cidades do norte e conheceu pintores e homens de letras, entre os quais Erasmo de Roterdão. Nos seus últimos anos, em Nuremberga, ocupou-se principalmente com a elaboração de tratados sobre a medida e proporção humana. Nestes trabalhos, publicados após a sua morte, fundamentou teoricamente a sua forma de abordar a arte, baseando-se nos estudos de Teoria da Arte italianos dos autores que o antecederam. Os seus interesses, no espírito humanista do Renascimento, abrangiam muitos campos: a matemática, a geografia, a arquitectura, a geometria e a fortificação[1].

Índice

[editar] Biografia

[editar] Juventude

Nascimento de Cristo, 1503, pintura a óleo, Antiga Pinacoteca, Munique.

Dürer nasceu a 21 de maio de 1471 em Nuremberga, cidade a que esteve intimamente ligado ao longo da sua vida. O seu pai, Albrecht Dürer, o Velho, era um ourives de origem húngara. Casou-se com Bárbara, filha do seu mestre, Hieronymus Holper, de quem teve dezoito filhos[2], Albrecht foi o terceiro. Como era costume na época, depois de alguns anos de formação escolar, Albrecht entrou para a oficina do seu pai como aprendiz na arte da ourivesaria. Foi aí, certamente, que utilizou pela primeira vez o cinzel, gravando adornos em peças de prata ou ouro. A técnica da gravura não é muito diferente, usando-se neste caso a folha de cobre que servirá para imprimir o papel usando uma prensa. De facto, sabe-se que os melhores gravadores do século XV, começaram como ourives[3].

Em princípio seguiria a profissão do pai, não tivesse ele demonstrado enorme talento quando começou como aprendiz de Michael Wolgemut[4] em 1486, desenhando o seu primeiro retrato. Ao mesmo tempo em que aprendia pintura com Wolgemut, aprofundava os seus conhecimentos sobre técnicas de gravura em metal e em madeira, e artistas como Schongauer e o Mestre de Housebook inspiraram-no a criar o seu próprio estilo.

Nesta primeira etapa formativa, o jovem Dürer herdou os ensinamentos da arte alemã do século XV, legado em que estava bem presente a pintura Flamenga do gótico tardio. Os artistas alemães tinham integrado na sua tradição o seu estilo de artistas flamengos, como Robert Campin, Jan van Eyck e, principalmente, Roger van der Weyden[3]. A ligação comum era o conceito empírico do mundo comum aos povos do norte, mais fundamentado na observação que na teoria. Durante o século XVI, o aprofundamento de laços com a Itália através do comércio e difusão das ideias dos humanistas italianos pelo norte da Europa infundiu novas ideias artísticas no mundo cultural alemão, de tradição mais conservadora. Para os artistas alemães era difícil conciliar o seu imaginário medieval - representada com texturas requintadas, cores brilhantes e formas muito detalhadas, com o ênfase posto pelos artistas italianos na Antiguidade clássica, inspirando-se em temas mitológicos e figuras idealizadas.

A tarefa que Dürer prosseguirá seria a de fornecer um modelo em que os seus compatriotas poderiam combinar o interesse empírico pelos detalhes naturalistas com os aspectos teóricos da arte italiana. Na sua abundante correspondência, especialmente nas cartas ao humanista Willibald Pirckheimer, que se manteria seu amigo ao longo de toda a vida, e em diversas obras publicadas, Dürer defendeu que a geometria e as medidas eram a chave para a compreensão da arte renascentista italiana e, através dela, da arte clássica[5]. Entre os amigos de Dürer contava-se Johannes Stabius, um cartógrafo austríaco que lhe deu os conhecimentos necessários e detalhes para a construção de um relógio de sol.

[editar] Primeira visita à Itália

Em 7 de julho de 1494, casou-se com Agnes Frey, filha de um mercador local, por um arranjo feito pela sua família à sua revelia. Há alguns relatos de que o casal era extremamente infeliz. Essas alegações, baseadas na correspondência trocada entre amigos do artista logo após a sua morte, foram posteriormente descartadas após exames mais aprofundados.[6]

No outono de 1494 viajou à Itália, deixando a esposa em casa. A evidência de sua passagem por Veneza deriva dos desenhos e gravuras com profundas ligações com as obras de autores italianos como Mantegna, Pollaiuolo, Lorenzo de Credi e outros. Durante 1495 voltou para Nuremberga, onde permaneceu por dez anos.

[editar] Retorno para Nuremberga

Nos primeiros anos, ele trabalhou no estilo germânico, mas já estava aberto para a influência do Renascimento. Seus melhores trabalhos dessa época foram xilogravuras, gravuras impressas a partir de blocos de madeira, cenas de gosto popular, como a desenvolvida nas suas famosas série de dezesseis cenas do Apocalipse, de 1498, as sete cenas da Paixão, do mesmo ano e logo depois as séries da Sagrada Família e vários santos. Entre 1503 e 1505 ele gravou uma série de dezessete ilustrações da vida da Virgem Maria. Estas últimas só foram publicadas, no entanto, em 1511.

Dürer preparou-se para trabalhar em gravação em cobre, mais detalhada e de melhor retorno financeiro. Não tentou reproduzir tantas imagens como nas xilogravuras, mas produziu uma quantidade de Madonas, personagens bíblicos ou santos, nus mitológicos e grupos de pessoas comuns, alguns satíricos.

O artista veneziano Jacopo de Barbari, que ele tinha conhecido na Itália, veio a Nuremberga por volta de 1500 e influenciou Dürer com novos conhecimentos de perspectiva, anatomia e proporção, a partir dos quais começou seus estudos. Uma série de desenhos existentes mostra as experiências com a proporção do corpo humano, até chegar na famosa gravura de Adão e Eva (1504) que mostra seu traço firme e detalhado trabalhando na superfície do corpo, usando as ferramentas da gravura com mestria. Duas ou três outras obras com sua soberba técnica foram produzidas em 1505, quando Dürer regressou à Itália para uma segunda visita.

[editar] Segunda visita à Itália

Na Itália, Dürer mudou sua técnica para a pintura, primeiramente produzindo uma série de trabalhos em têmpera sobre tela, incluindo retratos e peças de altar, notadamente o Paumgartner e a Adoração dos Magos. No começo de 1506, estava em Veneza, onde permaneceu até 1507, enquanto suas gravuras adquiriam grande popularidade e eram muito copiadas, ele recebia a encomenda, da comunidade germânica de Veneza, de uma obra para a igreja de São Bartolomeu. O quadro pintado por Dürer estava próximo do estilo italiano – A Adoração da Virgem, também conhecida como Festa das Grinaldas de Rosas - depois adquirida pelo Imperador Rodolfo II e levada para Praga. São conhecidas outras obras produzidas em Veneza, incluindo A Virgem e o Menino, Cristo disputando com os Doutores (supostamente produzida em meros cinco dias) e várias obras menores.

[editar] Nuremberga e as obras-primas

A despeito do reconhecimento que recebeu dos venezianos, Dürer voltou a Nuremberga no meio de 1507, ali permanecendo até 1520. Em 1509, comprou o Albrecht-Dürer-Haus. Sua reputação espalhara-se por toda a Europa e ele era tratado com camaradagem e amizade pelos mestres da época. O próprio Rafael sentia-se honrado em trocar desenhos com ele.[7]

Os anos entre o seu retorno e a sua viagem aos Países Baixos são comumente divididos pelo tipo de trabalho no qual estava principalmente ocupado. Esses cinco anos, 1507 – 1511, são predominantemente os anos em que pintou mais em sua vida, trabalhando com um grande número de estudos e desenhos preliminares. Produziu aqueles que foram considerados seus quatro melhores trabalhos: Adão e Eva (1507), Virgem com Iris (1508), A Ascensão da Virgem (1509) e Adoração da Trindade por todos os Santos (1511). Durante este período ele completou também a série de xilogravuras da Grande Paixão e da Vida da Virgem, ambas publicadas em 1511, junto com uma segunda edição das cenas do Apocalipse.

De 1511 a 1514, Dürer concentrou-se nas gravuras, tanto em madeira quanto em cobre. A sua obra-prima desse período foram as trinta e sete xilogravuras da Pequena Paixão (1511) e um conjunto de quinze gravações em cobre do mesmo tema (1512). No ano seguinte, apareceram seus trabalhos mais famosos em cobre, A Morte do Cavaleiro, Melancolia I e São Jerônimo em seu Escritório (ambos de 1514). Em Melancolia I aparece um quadrado mágico de quarta ordem que se acredita o primeiro a aparecer na arte européia. Os dois números no meio da fileira de baixo dão a data da gravação: 1514. Produziu nessa época ainda uma vasta gama de outras obras, incluindo retratos em têmpera de 1516, gravuras com vários temas, experiências em gravações em ferro ou zinco. Para o Imperador Maximiliano, trabalhou em parte do Portão triunfal, desenhou o retrato e decorou as margens do livro de oração, antes da morte deste em 1519.

[editar] Viagem aos Países Baixos

No verão de 1520, o desejo de Dürer por um novo mecenas, após a morte do imperador Maximiliano, e o aparecimento de doenças contagiosas em Nuremberga, ocasionaram sua última viagem. Junto com a esposa e a aia desta, viajou para os Países Baixos em julho para estar presente na coroação do novo imperador, Carlos V. Sua viagem pelo Rio Reno até Colônia e então para Antuérpia, onde foi bem recebido, produzindo inúmeros desenhos em várias técnicas. Até chegar a Aachen para a coroação, excursionou a Bruxelas, Bruges, Gante, Zeeland e Nijmegen. Retornou finalmente para casa em julho de 1521, tendo contraído uma doença indeterminada que o afligiu pelo resto da vida.

[editar] Últimos anos

Autorretrato de Dürer, 1498,Museu do Prado, Madri.

De volta em Nuremberga, Dürer começou uma série de figuras religiosas. Muitos esboços e desenhos preliminares sobreviveram, mas não grandes pinturas. Isso se deve em parte ao declínio de sua saúde, mas mais por causa do tempo que gastou na preparação de seus trabalhos teóricos em geometria e perspectiva, proporções e fortificações. Embora tivesse dom natural para escrever, trabalhou duramente para produzir essas obras.

A consequência dessa ênfase nos escritos foi a pequena produção artística. Apenas três pinturas, um retrato de Hieronymus Holtzschuher, uma Madona com o Menino e dois painéis mostrando os Quatro Apóstolos: São João com São Pedro ao fundo e São Paulo com São Marcos ao fundo. Algumas gravuras em cobre, retratos basicamente, como o do Grande Cardeal, Frederico de Wise, Pirckheimer, Melanchthon e Erasmo de Roterdão, que contem a inscrição "Imago Erasmi Roterodami ab Alberto Durero ad vivam effigiem deliniata" e "ΤΗΝ ΚΡΕΙΤΤΩ ΤΑ ΣΥΓΓΡΑΜ ΜΑΤΑ ΔΙΞΕΙ" que pode ser traduzido por "Seus escritos dão uma imagem melhor do homem que este retrato".

Dois de seus livros foram publicados em vida: Instrução para medições à régua e ao compasso, de 1525, e o Tratado sobre fortificações, de 1527. O livro Sobre proporção do corpo humano saiu logo após sua morte, em 1528, com a idade de 56 anos.

[editar] Dürer arquiteto

Grande teórico da cidade do Renascimento, foi o primeiro fora da Itália. Publicou em 1527, em Nuremberga, o Tratado sobre fortificação de cidades, vilas e castelos, onde apresenta um esquema de uma cidade ideal quadrada, opondo-se ao ponto de vista de maior parte dos tratadistas italianos, como Barbaro, Filarete, e até Vitrúvio, cujo texto da Antiguidade é referido como obra-prima para estes arquitectos e urbanistas ("Clássico Anticlássico").

[editar] Obras de destaque

[editar] Quadros

  • Adoração dos Magos (1508)
  • Os Quatro Apóstolos (1526)

[editar] Gravuras

[editar] Livros

  • Dürer, Albrecht. Unterweisung der Messung mit dem Zirkel und Richtscheit (Instrução para medições à régua e ao compasso). [S.l.: s.n.], 1525.
  • Dürer, Albrecht. Arcibus castellisque condendis ac muniendis rationes aliquot (Tratado sobre as fortificações). [S.l.: s.n.], 1527.
  • Dürer, Albrecht. Vier Bücher von menschlicher Proportion (Sobre as proporções do corpo humano - publicação póstuma). [S.l.: s.n.], 1528.

[editar] Museus

Museus onde se encontram obras de Dürer:

[editar] Galeria

[editar] Curiosidade

Foi dado o nome Dürer a uma cratera na superfície do planeta Mercúrio.

Referências

  1. Lawrence Gowing. Historia Universal del Arte (em Espanhol). [S.l.]: Sarpe, 1984. vol. 10. 84-7291-598-0
  2. Alistair Smith, Angela Ottino Della Chiesa. The complete paintings of Dürer (em Inglês). [S.l.]: Penguin Books, 1986.
  3. a b Panofsky, Erwin. Vida y Arte de Alberto Durero (em espanhol). Madri: Alianza, 1995. ISBN 84-206-7027-8
  4. Bob Raczka. Before They Were Famous: How Seven Artists Got Their Start: Bob Raczka's Art Adventures. [S.l.]: Millbrook Press, 2011. ISBN 9780761373001
  5. Larry Silver, Jeffrey Chipps Smith. In: Larry Silver, Jeffrey Chipps Smith. The essential Dürer. [S.l.]: University of Pennsylvania Press, 2010. 0812241878
  6. Allen 2005, pp. 38-45
  7. Heaton 1870, pp. 98

[editar] Bibliografia

  • Allen, L. Jessie. Albrecht Dürer (em inglês). [S.l.]: Kessinger Publishing, 2005. ISBN 9780766194755. Página visitada em 20 de janeiro de 2012.
  • "Albrecht Dürer, dans Marie-Nicolas Bouillet et Alexis Chassang (dir.)". Dictionnaire universel d'histoire et de géographie. (1878). 
  • Lee, Raymond L; Fraser, Alistair B. The Rainbow Bridge (em inglês). [S.l.]: Penn State Press, 2001. ISBN ISBN 0-271-01977-8
  • Mueller, Peter O. Substantiv-Derivation in Den Schriften Albrecht Durers (em alemão). [S.l.]: Walter de Gruyter, 1993. ISBN 3-11-012815-2
  • Raczka, Bob. Before They Were Famous: How Seven Artists Got Their Start (em inglês). [S.l.]: Millbrook Press, 2011. 32 p. ISBN 9780761373001. Página visitada em 20 de janeiro de 2012.
  • Heaton, Charles. The history of the life of Albrecht Dürer of Nürnberg (em inglês). [S.l.]: Macmillan, 1870. 340 p.. Página visitada em 20 de janeiro de 2012.
  • Bell Scott, William. Albert Dürer: his life and works (em inglês). Londres: Longmans, Green, 1869. 324 p.. Página visitada em 20 de janeiro de 2012.

[editar] Ligações externas

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