Olímpio Mourão Filho

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Olímpio Mourão Filho (Diamantina, 1900Rio de Janeiro, 1972) foi um militar brasileiro que participou ativamente do movimento integralista e do golpe militar de 1964. Foi o redator do Plano Cohen, documento falsamente atribuído à Internacional Comunista, que foi utilizado como motivo para a implantação da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas[1] [2] . Em 31 de março de 1964 ordenou que as tropas da IV Região Militar que comandava em Juiz de Fora seguissem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, fato que precipitou o golpe militar de 1964 alguns dias antes do dia planejado pelos conspiradores[1] [2] [3] [4] . Entre 1967 e 1969, foi presidente do Superior Tribunal Militar[5] [6] .

Plano Cohen e Golpe do Estado Novo[editar | editar código-fonte]

Mourão Filho foi um dos principais líderes da Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento nacionalista que se tornou importante durante o período em que Getúlio Vargas governou constitucionalmente o Brasil.

Segundo suas memórias[7] , em 1937, quando dirigia o serviço secreto da Ação Integralista Brasileira, redigiu um documento de circulação interna que simulava um plano comunista de tomada de poder no Brasil denominado Plano Cohen. Como também era capitão e servia no Estado-Maior do Exército, algumas cópias desses papéis foram parar nas mãos de oficiais do Exército Brasileiro.

Enquanto se aguardavam as eleições presidenciais para janeiro de 1938, foi denunciado pelo governo a existência do Plano Cohen como um plano elaborado pelos comunistas para tomar o poder[1] [2] . A divulgação do documento acabou por criar um clima favorável à instauração da ditadura do Estado Novo, fato ocorrido em 10 de novembro de 1937, na qual foi decretado o fechamento de todos os partidos políticos, inclusive a AIB.

Em 11 de maio de 1938, algumas pessoas, inclusive integralistas, invadiram violentamente o Palácio Guanabara, sede do Governo Federal, numa tentativa de um golpe de Estado para a deposição do presidente Getúlio Vargas. Depois deste episódio conhecido como Intentona Integralista, os líderes da extinta Ação Integralista Brasileira, Mourão entre eles, foram presos e processados. Posteriormente foram anistiados por Getúlio Vargas sob a imposição de fidelidade ao líder do Estado Novo[carece de fontes?].

Intervenção Militar de 1964[editar | editar código-fonte]

Mourão Filho teve um papel determinante no contra golpe militar de 1964. Na manhã do dia 31 de março de 1964, Mourão disparou telefonemas para todo o Brasil, dizendo: "Minhas tropas estão na rua!" Na noite do mesmo dia ordenou que as tropas da IV Divisão de Infantaria que comandava em Juiz de Fora seguissem para ocupar o estado da Guanabara, atual cidade do Rio de Janeiro[1] [3] . As forças do general foram reforçadas por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João del-Rei. Seguiram sem resistência e terminaram por se confraternizar no meio do caminho com as guarnições do I Exército que haviam partido da do Rio de Janeiro com a missão de confrontá-las. Esta operação se chamou "Operação Popeye", em referência ao inseparável cachimbo de Mourão Filho.

A sua atuação foi criticada por seus aliados, entre estes Magalhães Pinto, então governador de Minas Gerais e líder civil do contra golpe de Estado, que afirmou: …por ter deslocado as tropas com poucas armas, recursos e precipitadamente de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro, Mourão poderia ter causado um banho de sangue[carece de fontes?]. Porém, sem encontrar resistência da esquerda, isso não ocorreu na prática.

Segundo algumas publicações de cunho político de orientação conservadora, Mourão Filho participou em São Paulo de reuniões políticas em frente à praça da Sé, e em seu diário constam anotações sobre os "direitos que todo governo deveria promover"[carece de fontes?].

Superior Tribunal Militar[editar | editar código-fonte]

Mourão Filho foi ministro do Superior Tribunal Militar, tendo tomado posse no dia 9 de setembro de 1964. Ele exerceu a presidência da Corte durante o período que foi do dia 17 de março de 1967 ao dia 17 de março de 1969[6] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d KERN, Ib (2007). Não há anjos no poder: histórias vivas de um repórter, página 74 (em Português) Editora AGE Ltda - 238 páginas. Visitado em 22/08/2012.
  2. a b c LEITE FILHO, Neiva Moreira. El caudillo Leonel Brizola: um perfil biográfico, páginas 263-264 (em Português) Editora Ground, 2008 - 543 páginas. Visitado em 22/08/2012.
  3. a b LAQUE, João Roberto. Pedro e os Lobos, página 93 (em Português) 638 páginas. Visitado em 22/08/2012.
  4. GASPARI, Elio (2002). Ilusões armadas, Volume 1: A Ditadura Envergonhada, páginas 57-72 (em Português) Editora Companhia das Letras - 417 páginas. Visitado em 22/08/2012.
  5. ARRUDA, joão Rodrigues; MAIEROVITCH, Walter Fanganiello (2002). O uso político das Forças Armadas: e outras questões militares, página 149 (em Português) Mauad Editora Ltda - 167 páginas. Visitado em 22/08/2012.
  6. a b Ministros do STM: 1808-2001 (em Português) Diretoria de Documentação e Divulgação do STM (2001). Visitado em 22/08/2012.
  7. MOURÃO FILHO, OLÍMPIO; Memórias: A Verdade de um Revolucionário; L&PM Editores Ltda; Porto Alegre, 1978.