Festival de Vilar de Mouros

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Rio Coura durante o festival em 2003

Festival de Vilar de Mouros é um festival de música, que se realiza no verão em Vilar de Mouros, Caminha, Portugal.

O Festival de Vilar de Mouros realizou-se pela primeira vez em 1965, com características idênticas a outros eventos minhotos de folclore, tendo ganho alguma projecção nacional na quarta edição, em 1968, com o alargamento do âmbito à música erudita e ao fado.  Nesse ano, o fundador do festival, o médico António Barge, teve a "arte" de conseguir juntar num mesmo evento o regime, através da Banda da Guarda Nacional Republicana, e a oposição, com músicos de intervenção como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira.

O festival de 1968 não passou despercebido à PIDE (polícia política), que recebeu relatórios sobre as canções proibidas cantadas em coro por Zeca Afonso e pelo público, mas teve pouco impacto no país.

Insatisfeitos, Dr. António Barge e a família decidiram fazer uma paragem para prepararem a realização de um grande festival em 1971, ano do nono centenário da entrega de Vilar de Mouros à Sé de Tui.  O festival de 1971 foi considerado o "Woodstock" português, numa alusão ao mítico evento realizado em 1969 nos Estados Unidos, levou a Vilar de Mouros Elton John, Manfred Mann, os principais grupos pop portugueses, Amália Rodrigues, Duo Ouro Negro e novamente a Banda da GNR. Como prova do estrondoso sucesso desta edição foi-lhe atribuído o ano de nascimento do Festival Vilar de Mouros, ainda hoje recordado e transmitido de gerações em gerações. Apenas em 1982 se realizou o segundo desta dimensão.

Festivais[editar | editar código-fonte]

1971[editar | editar código-fonte]

A 7 e 8 de Agosto de 1971, por altura das comemorações do IX centenário da doação de Vilar de Mouros à Sé de Tui, foi realizado um festival de música com um formato até então impensável para a época, existindo porém plena liberdade de expressão entre todos aqueles que participaram no Festival de Vilar de Mouros de 1971, o que leva a ser considerado pela crítica nacional e internacional como o Woodstock português.

Entre as 30.000 pessoas que assistiram ao festival encontravam-se muitos hippies oriundos de vários pontos da Europa.

Na sua edição original, o Festival de Vilar de Mouros foi organizado por António Augusto Barge[1] e apresentou um alinhamento musical variado, cobrindo as áreas de música tradicional, fado, pop e rock. Entre os artistas que actuaram destacam-se algumas que estão na origem do rock português:

7 de Agosto 8 de Agosto
  • Manfred Mann
  • Objectivo
  • Pentágono (iam actuar com Paulo de Carvalho mas este desistiu)
  • Quarteto 1111
  • Bridge
  • Psico
  • Pop Five Music Incorporated
  • Celos
  • Sindicato
  • Elton John
  • Pop Five Music Incorporated
  • Psico
  • Sindicato
  • Mini-Pop
  • Celos
  • Objectivo
  • Pentágono
  • Bridge
  • Quarteto 1111

Quarteto 1111 foi a primeira banda a actuar e Elton John fechou a noite. As restantes bandas podem não estar listadas pela ordem de actuação.

Assistiram ao festival mais de 30.000 pessoas, tendo sido montado um grande acampamento.

Fica na memória, os milhares de jovens, hippies, e excêntricos portugueses, bem como muitos hippies estrangeiros que naquele longínquo ano de 1971, estiveram em Vilar de Mouros, por entre um clima de liberdade, diversão, e actos livres e sinceros de contra-cultura, na esperança de expressar uma nova vida e ideia, o que contraria o que dizem daquela época, por entre um cigarro de erva ou uma viagem de LSD, souberam deixar a sua marca na história da cultura e música portuguesa, deixar bem claro que através de imagens, testemunhos, e filmes, que a juventude da época não estava desligada ou limitada da informação e acontecimentos que mudaram o mundo, e essa prova está no grande e genuíno festival desse maravilhoso ano de 1971.

Quem assistiu ao primeiro grande Festival de Vilar de Mouros, conta com saudade e emoção, o espírito vivido naquele ano, onde jovens conviveram uns com os outros em pleno clima de paz, amor, e liberdade, e a ouvir os primeiros grupos de rock portugueses, os verdadeiros "pais" do rock português.

1982[editar | editar código-fonte]

Em 1982, realiza-se a 2ª grande edição do Festival, mantendo e expandindo a vocação de apresentar uma grande diversidade de estilos, com participações nacionais e internacionais nas áreas do jazz, rock, blues, fado, folclore e música clássica[2]. Dos participantes nesta edição destacam-se:

1996[editar | editar código-fonte]

Entre 9 de Agosto e 11 de Agosto de 1996 realizou-se a 3ª grande edição do Festival de Vilar de Mouros, destacando-se desta vez a participação de:

1999[editar | editar código-fonte]

A 4ª grande edição do festival teve lugar entre 17 de Agosto e 22 de Agosto de 1999, com um recinto aumentado e um maior número de palcos, por lá passaram:

2000[editar | editar código-fonte]

Em 2000 a 5ª grande edição do Festival de Vilar de Mouros, teve a participação de nomes como:

2001[editar | editar código-fonte]

Entre 13 e 15 de Julho de 2001 mais uma edição, desta vez a 6ª, com a participação de:

2002[editar | editar código-fonte]

A 7ª grande edição do festival teve início a 12 de Julho de 2002 e contou com a presença de:

2003[editar | editar código-fonte]

A 8ª grande edição do Festival de Vilar de Mouros aconteceu entre 18 de Julho 20 de Julho de 2003 e contou com a participação de:

2004[editar | editar código-fonte]

Com início a 16 de Julho de 2004 a 9ª grande edição do festival apresenta um cartaz com:

2005[editar | editar código-fonte]

Neste ano a 10ª grande edição do festival decorreu entre 28 e 31 de Julho, apresentado música para todos os gostos, destaca-se a presença no palco principal de:

entre outros.

2006[editar | editar código-fonte]

  • Festival dos 35 anos de Vilar de Mouros, a 11ª grande edição teve lugar entre 21 e 23 de Julho pelo preço simbólico de 35 euros, contando com grandes nomes dos mais variados géneros musicais, destacando-se:

2014[editar | editar código-fonte]

Após oito anos de interregno, devido a discordância entre as partes envolvidas na organização, o Festival de Vilar de Mouros decorreu de 31 de julho a 2 de agosto[3].

O festival foi organizado pela Fundação AMA Autismo[4], pela Câmara de Caminha e a junta de freguesia de Vilar de Mouros. O festival foi exemplo de um projecto de economia social, uma vez que as receitas reverteram na íntegra para a construção de um edifício, em Viana do Castelo, de apoio a pessoas com autismo.

Entre os grupos participantes estiveram os Stranglers que regressaram a Vilar de Mouros depois de terem estado em 1982, os Guano Apes que actuaram em 2003 e os Blind Zero que estiveram no festival em 2001. O festival contou ainda com Capitão Fausto, José Cid, Trabalhadores do Comércio e Xutos e Pontapés.[5]

2015[editar | editar código-fonte]

Em 2015 o festival não se realizou devido à falta de meios por parte da associação encarregada de organizar o evento (Fundação AMA Autismo).

2016[editar | editar código-fonte]

O Festival Vilar de Mouros[6] [7]regressou em 2016, entre os dias 25 e 27 de agosto, organizado pela Camara Municipal de Caminha, Surprise & Expectation, e Junta de Freguesia de Vilar de Mouros. O contrato tripartido tem duração de seis edições. Espera-se agora que se encontre a estabilidade que o mais antigo festival nacional necessita para continuar a fazer história. Este ano contou com o seguinte alinhamento :

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. «António Augusto Barge». Câmara Municipal de Caminha. Arquivado desde o original em 27 de Junho de 2014. Consultado em 21 de Julho de 2014. 
  2. "Programa do Festival de Vilar de Mouros - 1982"
  3. «Everything is New no "Vilar de Mouros"». 
  4. «Fundação AMA Autismo». Fundação AMA Autismo. Arquivado desde o original em 21 de Julho de 2014. Consultado em 21 de Julho de 2014. 
  5. «Stranglers e Guano Apes em Vilar de Mouros». 
  6. «Festival Vilar de Mouros 2016». www.festivalvilardemouros.pt. Consultado em 2016-06-02. 
  7. «Festival Vilar de Mouros». www.facebook.com. Consultado em 2016-06-02.