Frida Boccara

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Frida Boccara
Frida Boccara em 1975
Informação geral
Nome completo Danielle Frida Hélène Boccara
Nascimento 29 de outubro de 1940
Local de nascimento Casablanca
Marrocos Protetorado Francês de Marrocos
País  França
Data de morte 1 de agosto de 1996 (55 anos)
Local de morte Paris
França
Gênero(s) Chanson, Jazz, Pop, Easy Listening, Folk, Clássica
Ocupação(ões) Cantora
Produtora musical
Instrumento(s) Voz
Extensão vocal Mezzo-soprano
Período em atividade 1959 - 1996
Gravadora(s) Universal-Philips-Polydor
Disques Yvon Chateigner
Edina Music - Nocturne

Frida Boccara, de seu nome completo Danielle Frida Hélène Boccara (Casablanca, 29 de outubro de 1940 - Paris, 1 de agosto de 1996), foi uma cantora e produtora musical francesa de origem judaico-italiana, nascida no então Protetorado Francês de Marrocos.[1]

Passado algum tempo após a independência de Marrocos, Frida Boccara concluiu o bacharelado no Liceu de Casablanca e transferiu-se em 1958 para Paris, na França, onde iniciou sua carreira artística. Grande viajante e poliglota, ela participou de inúmeros festivais, se apresentou em concertos em cerca de 85 países e consagrou-se como uma das melhores intérpretes do panorama musical europeu.[2][3] Boccara faleceu aos 55 anos, devido a uma infecção pulmonar.[4]

Contexto familiar e juventude em Marrocos[editar | editar código-fonte]

Nasceu com o nome de Danielle Frida Hélène Boccara em 29 de outubro de 1940 na cidade de Casablanca, do então Marrocos Francês (oficialmente Protetorado Francês de Marrocos). O nome Frida, que do germânico significa "A Pacífica",[5] fora uma ideia de sua avó paterna, que já batizara uma filha com este nome; sua avó era uma judia natural de Livorno (cidade da região da Toscana, na Itália), onde seus antepassados ​​viviam antes de se estabelecerem na Tunísia Francesa e depois em Marrocos. No entanto, é possível que o sobrenome Boccara tenha sua origem no Uzbequistão,[6] mais precisamente numa cidade uzbeque de nome Bucara.

Seus pais eram Elie e Georgette (nascida Hagège) Boccara,[7] ambos nascidos na Tunísia, mas residentes em Casablanca, onde constituíram sua família. O idioma materno de Frida era o francês, apesar de ter aprendido o árabe marroquino crescendo em Casablanca. Na época, tanto o francês quanto o árabe eram reconhecidos como idiomas oficiais do protetorado, e hoje, embora permaneçam muito falados pela população de Marrocos, apenas o árabe e o berbere possuem o estatuto de línguas oficiais do país.

A música sempre ocupou um lugar importante na vida de Frida, pois a família Boccara amava a arte e em seu lar reinava uma atmosfera criativa; a avó e a mãe de Frida, que haviam sido cantoras profissionais, foram as maiores responsáveis por transmitir às crianças esse fascínio pelo mundo artístico. Uma tia sua - a que também se chamava Frida - era igualmente uma amante das artes, e ganhara um prêmio de pintura quando jovem.[8] Toda a família tinha o costume de cantar. Dois dos irmãos de Frida também seguiriam carreira artística quando adultos: Roger Boccara, seu irmão mais velho - que mais tarde seria profissionalmente conhecido como Jean-Michel Braque -, tornaria-se cantor e compositor, também chegando a gravar discos ao longo de sua carreira; já Lina Boccara, sua irmã mais nova, além de compositora, tornaria-se uma apreciada pianista. Além de Lina, Frida também tinha uma outra irmã mais nova.

Suas primeiras lições musicais se deram através de um professor italiano chamado Nino Vernuccio - um aluno do famoso pianista, professor e compositor franco-alemão Walter Wilhelm Gieseking. A família Boccara frequentemente se reunia durante as noites, onde as crianças com prazer tocavam e cantavam com seus jovens amigos. Ao recordar durante uma entrevista os anos de sua juventude, Frida afirmou que desde sempre gostou de cantar, e quando o fazia durante o dia, costumava fechar todas as portas e janelas de sua casa para que os vizinhos não fossem incomodados.

Já na segunda metade da década de 1950, após iniciar no Liceu de Casablanca o seu bacharelado em Filologia clássica com ênfase no estudo da língua francesa, do latim e do grego clássico, ela tomou a decisão de dedicar-se ao estudo da arte vocal, tendo aulas de canto clássico com uma mezzo-soprano russa, passando a apreciar um repertório bem diversificado, que ia de árias de ópera a canções pop. Charles Aznavour era um de seus músicos favoritos.

Durante uma turnê do grupo The Platters em Casablanca, a jovem Frida Boccara foi apresentada ao compositor e produtor do grupo, Buck Ram, autor da famosa canção "Only You (And You Alone)". Fascinado pela voz de Frida, ele a pediu uma fita com os testes de canto dela, para que pudesse levar consigo em sua viagem a Paris, na França. Sonhando com a carreira de cantora, Frida não pensou duas vezes quando Buck Ram a escreveu de Paris pedindo para que ela fosse ao seu encontro.[9][10] Marrocos já não era mais um protetorado da França, tendo conquistado a sua independência poucos anos antes, mais precisamente em 1956. Frida apenas aguardou a conclusão de seus estudos no Liceu de Casablanca, em 1958, e então tomou, junto a seus irmãos, o primeiro voo rumo à Cidade Luz. Ao se estabelecerem em Paris, eles chegaram a atuar como um trio musical: Roger (já se apresentando como Jean-Michel Braque) e Frida faziam os vocais, enquanto Lina os acompanhava ao piano.

Em Paris: formação musical e início da carreira[editar | editar código-fonte]

O encontro com Buck Ram fez com que Boccara começasse a acreditar em si mesma. Em Paris, Ram a apresentou a personalidades influentes que poderiam direcioná-la ao caminho que a conduziria ao estrelato musical. A conselho do ator e cineasta Sacha Guitry, ela matriculou-se no Petit Conservatoire de la chanson de Mireille, fundado em 1955 pela cantora, compositora e atriz Mireille Hartuch (1906-1996), que a transmitiu o conhecimento, a habilidade e a experiência fundamentais para um jovem talento. Pelo mesmo Petit Conservatoire passariam outros nomes populares da Música Francesa, como Alice Dona, Hervé Cristiani, Yves Duteil, Françoise Hardy, Colette Magny e Alain Souchon. Lá se destacando, Boccara tornou-se a pupila de Mireille - de quem permaneceu próxima até o fim da vida -, passando também a dar aulas de representação, produção vocal e dicção.

Foi através de Mireille que Boccara começou a realizar suas primeiras apresentações musicais na França e a gravar seus primeiros discos. Após assinar um contrato com a gravadora Festival Records, grava em 1961 "Cherbourg avait raison" (música de Guy Magenta e letra de Eddy Marnay e Jacques Larue), que torna-se um grande sucesso na França, contribuindo para que o nome da cantora ganhe notoriedade em todo o país. Com o passar do tempo, ela se apresenta frequentemente em concertos, festivais e programas de rádio e de TV, além de gravar cada vez mais discos.

O ano de 1964 é marcado pela sua primeira tentativa de representar a França no Eurovision Song Contest (Festival Eurovisão da Canção), interpretando a canção "Autrefois" (música de Jean-Pierre Calvet e letra de Eddy Marnay). Tal representação terminaria por ficar a cargo da cantora francesa Rachel, que representou o país no Festival com a música "Le chant de Mallory", de André Popp e Pierre Cour. No entanto, mesmo não sendo classificada para o Eurovision, "Autrefois" não passou despercebida diante do grande público: tendo se tornado uma das canções mais apreciadas naquele momento, este autêntico exemplar do jazz francês permanece ainda hoje como uma pérola existente em toda a obra de Frida Boccara. A cantora continuou a gozar do prestígio entre o público francês, mas a partir daí já começava a experimentar também uma crescente apreciação estrangeira, visto que seu nome já estava a se popularizar especialmente na Espanha, nos Países Baixos (Holanda) e na União Soviética (atual Rússia).

Reconhecimento internacional[editar | editar código-fonte]

"Cent mille chansons" (1968)[editar | editar código-fonte]

Após o fim de seu contrato com a Festival Records, Frida Boccara assinou com a Philips, e, em 1968, logo em seu primeiro disco na nova gravadora, registrou aquela que se tornaria um verdadeiro marco em sua carreira: "Cent mille chansons".

Apesar de ter tornado-se uma das principais marcas de referência de toda a carreira de Frida Boccara, "Cent mille chansons" havia sido gravada primeiro pela cantora brasileira Maysa, já no ano de 1963 (como "100.000 Chansons"). Inspirada numa das composições de Johann Sebastian Bach, a melodia fora composta por Michel Magne em 1962, tendo sido incluída na trilha sonora do filme franco-italiano O Repouso do guerreiro (dirigido por Roger Vadim e com Brigitte Bardot e Robert Hossein como protagonistas). Pouco depois, Eddy Marnay compôs a letra, e em seguida Maysa gravou a canção, que foi incluída num disco lançado pela cantora na França.[11]

Entretanto, o reconhecimento mundial desta canção deu-se, de fato, quando da interpretação criada por Frida Boccara em 68. Com o sucesso, Boccara gravou versões da canção em outros dois idiomas: o italiano - através da versão intitulada "Un paese incantato" - e o neerlandês (holandês) - com a versão de título "De nieuwe dag", que acabou não sendo lançada na época, permanecendo como uma faixa inédita durante muitos anos. Uma versão em língua inglesa intitulada "Go My Love" foi gravada no início dos anos 1970 pela cantora britânica Dusty Springfield, que recebera Boccara em 1969 em seu programa de TV Decidedly Dusty, exibido pela rede britânica BBC.[12][13]

"Un jour, un enfant" (1969), vitória no Eurovision e consagração[editar | editar código-fonte]

Frida Boccara e o jovem cantor holandês Heintje em foto tirada em 26 de fevereiro de 1970, durante uma viagem à Holanda para o Grand Gala du Disque Populaire.

Frida Boccara viu sua carreira chegar ao auge após representar a França no Eurovision de 1969, ocorrido na cidade de Madrid, na Espanha. Neste festival ela interpretou o tema "Un jour, un enfant", que teve música de Emil Stern e letra de Eddy Marnay.[14] Boccara conquistou o primeiro lugar junto a três outras cantoras - Lenny Kuhr, da Holanda, Lulu, do Reino Unido, e Salomé, da Espanha.[15][16] "Un jour, un enfant" tornou-se um estrondoso sucesso, e ficou durante várias semanas em primeiro lugar nas rádios de vários países europeus. Com o lançamento do disco homônimo de 33 rotações naquele mesmo 1969, a cantora terminou por receber o honroso prêmio da Academia Charles Cros em reconhecimento ao seu brilhante trabalho.

"Un jour, un enfant" também ganhou versões interpretadas por Frida em castelhano (espanhol) - "Un día, un niño" -, inglês - "Through the Eyes of a Child" -, italiano - "Canzone di un amore perduto" - e alemão - "Es schlägt ein Herz für dich". Outros artistas também readaptaram a canção para seus respectivos idiomas, como Agnetha Fältskog (integrante do ABBA) com "Sov gott min lilla vän" (em sueco), Kati Kovács com "Gyermekszemmel" (em húngaro), Willeke Alberti com "Zijn eigen wonder" (em holandês) e também o cantor brasileiro Jessé com "Um dia..." (em português).[17]

Entre os frequentes colaboradores de Frida Boccara incluem-se compositores como Eddy Marnay (um grande amigo de Frida,[18] que declaradamente a tinha como uma de suas melhores intérpretes) e Michel Magne, além de seus irmãos Jean-Michel Braque e Lina Boccara. Alguns dos grandes sucessos interpretados por Frida no período compreendido entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970 são Les moulins de mon cœur" - música de Michel Legrand e letra de Eddy Marnay (que ganhou uma famosa versão em inglês por vários artistas, intitulada The Windmills of Your Mind) -, "Belle du Luxembourg" - música de Michel Magne e letra de Eddy Marnay -, "L'enfant aux cymbales" - música adaptada por Vinícius de Moraes a partir de uma composição de Johann Sebastian Bach e letra de Eddy Marnay -, "Je ne veux pas te dire adieu" - adaptação em língua francesa por Eddy Marnay do sucesso na voz de Dean Martin "It Takes So Long to Say Goodbye", cuja melodia fora composta por Haven Gillespie e Larry Shay -, "La croix, l'étoile et le croissant" - música composta por seu irmão Jean-Michel Braque e letra por Eddy Marnay (uma canção pela tolerância entre as três grandes religiões cujo símbolo é a cidade de Jerusalém - o cristianismo, representado pela cruz, o judaísmo, representado pela estrela de Davi, e o Islã, representado pela lua crescente) -, "Mr. Callaghan" - música de Philippe Monay e letra de Eddy Marnay -, "Venise va mourir" - música composta por Stelvio Cipriani (para o filme "Anonimo Veneziano", de Enrico Maria Salerno) e letra escrita por Eddy Marnay -, "Trop jeune ou trop vieux" - música de Jean-Michel Braque e letra de Eddy Marnay - e "Pour vivre ensemble" - música de Jean-Michel Braque e letra de Eddy Marnay.

Frida Boccara no Grand Gala du Disque Populaire, ocorrido na Holanda, em 27 de fevereiro de 1970.

Engajada com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Boccara se apresentava frequentemente em eventos promovidos pela UNICEF para a defesa dos direitos das crianças ao redor do mundo. Ao longo de sua carreira, viajou e se apresentou em concertos em cerca de 85 países,[19] passando pela Austrália, Japão, países da América do Norte (sendo especialmente apreciada na província francófona de Québec, no Canadá) e da América do Sul (dentre os quais o Brasil). Na antiga União Soviética, atual Rússia, experimentou um êxito que também fora impressionante, conseguindo rapidamente ultrapassar, só neste país, a marca de um milhão de cópias vendidas.

Às vezes penso que uma grande parte da vida de artistas como eu transcorre nas horas que passamos de um lado para o outro dentro dos aviões.[20]
Frida Boccara

Boccara possuía um diploma de bacharel que recebera no Liceu de Casablanca ao completar seus estudos em Filologia clássica com ênfase em francês, grego e latim. No entanto, ao longo de sua vida, ela continuou se dedicando ao estudo da linguística, e além do seu nativo francês e do árabe de Marrocos, era capaz de dominar o inglês, o espanhol, o português, o russo e o hebraico. Em suas apresentações performou canções num total de 13 línguas[21] - embora em sua discografia encontrem-se registradas canções em apenas sete dos treze idiomas com os quais adquiriu esse contato, sendo estes sete idiomas o francês, o espanhol, o inglês, o alemão, o italiano, o russo e o holandês.

Frida Boccara e o Brasil[editar | editar código-fonte]

Já no ano de 1959, quando Frida Boccara começou a gravar suas canções, um de seus primeiros registros foi uma versão em língua francesa da famosa canção brasileira Manhã de Carnaval, intitulada "La chanson d’Orphée" em referência ao filme ítalo-franco-brasileiro Orfeu Negro, lançado à época com grande sucesso e que teve Manhã de carnaval incluída em sua trilha sonora.

Durante sua passagem pelo Brasil, Boccara participou do Festival Internacional da Canção realizado em 1969 no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, tendo obtido o quarto lugar entre os finalistas internacionais, com a canção "Les vertes collines", de Darry Cowl e Eddy Marnay. Como eram recompensados os quatro primeiro colocados, ela recebeu o seu prêmio das mãos de Wilson Simonal no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A canção brasileira Cantiga por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, interpretada por Evinha, obteve o primeiro lugar no concurso, tendo mais tarde sido gravada por Frida em língua francesa sob o título de "Berceuse pour Luciana".[22] Segundo a própria Frida em uma entrevista concedida nos anos 1970, a sua participação no festival realizado no Rio em 1969 seria a sua melhor lembrança profissional em toda a sua carreira.[23]

Dentre as canções brasileiras que gravou em francês também estão Funeral de um lavrador, de Chico Buarque e João Cabral de Melo Neto (intitulada em francês "Funérailles d'un laboureur brésilien"[24]), Catavento (sucesso de 1969 na voz da cantora Maysa), de Paulinho Tapajós e Arthur Verocai (Catavento foi adaptada para o francês como "Girouette"), e Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros (que em francês ficou com o nome de "Taureau"), além de ter interpretado "Aria cantilena", um fragmento das "Bachianas brasileiras", do maestro e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos.

A canção "L'enfant aux cymbales", grande sucesso na voz da cantora, foi adaptada em língua francesa por Eddy Marnay a partir da canção brasileira Rancho das flores, escrita pelo poeta e músico brasileiro Vinícius de Moraes, que usou uma melodia baseada na cantata de Bach "Jesus bleibet meine Freude" (conhecida como Jesus, alegria dos homens). "L'enfant aux cymbales" foi dedicada à cidade do Rio de Janeiro, e sua letra fala do Carnaval do Rio e das crianças correndo atrás dos músicos. Em suas canções Frida também homenagearia outras cidades, como Veneza - em "Venise va mourir" (cujo título se refere ao fato de que um dia a cidade italiana desaparecerá, submergida pelas águas) -, Cherburgo - em "Cherbourg avait raison" -, Paris - em "Tiens, c'est Paris" -, Bruxelas - em "Bruxelles" - e Valldemossa - em "Valdemosa".

Estilo[editar | editar código-fonte]

Frida Boccara com o ciclista holandês Peter Post e a cantora italiana Caterina Valente, em 1971.
Boccara num encontro com Charles Trenet, Christian Lebon, Mireille Hartuch e Jérôme Savary (de costas), provavelmente em fins dos anos 1970.

Talvez por influência da formação clássica que adquiriu, ou talvez por simples gosto, Frida Boccara tornou-se uma das primeiras cantoras populares a cantar compositores clássicos. Em seu repertório estão presentes Antonio Vivaldi (com "Les Quatre chemins de l'amour"), Georg Philipp Telemann (com "L'Année où Piccoli jouait Les choses de la vie"), Gioachino Rossini (com "Rossini et Beaumarchais"), Edvard Grieg (com "Un sourire au-delà du ciel"), Bedřich Smetana (com "Ma rivière"), Wolfgang Amadeus Mozart (com "Les enfants de Mozart"), Johann Sebastian Bach (com "Cent mille chansons", "La chanson du veilleur", "L'enfant aux cymbales" e "Jesus bleibet meine Freude"), Ludwig van Beethoven (com "Le dernier rendez-vous"), Enrique Granados (com "Mille fontaines"), Johannes Brahms (com "Wiegenlied"), Edward Elgar (com "Land of Hope and Glory"), Arcangelo Corelli (com "La Nuit"), Heitor Villa-Lobos (com "Aria Cantilena") e Georg Friedrich Haendel (com "Un Monde en sarabande").

No entanto, não limitando-se a esse nicho, ela interpretou estilos muito diferentes, que iam desde o jazz ("Autrefois"; "Armstrong"), passando pelo folk ("La ronde aux chansons"; "La Mariée") e canções de grandes musicais ("Un pays pour nous", versão em francês de "Somewhere", do famoso musical West Side Story) até temas popularizados por filmes ("Venise va mourir", canção inspirada no tema do filme "Anonimo Veneziano"; "Au matin de mon premier amour", inspirada no tema do filme "Angélique marquise des anges"; "Je me souviens", a partir do tema de "Amarcord"; e tambem "L'Île nue" e "Il n'y a pas de fumée sans feu", que foram inspiradas nas canções-temas de seus respectivos filmes homonimos) e também grandes clássicos da chanson (como "Ne me quitte pas", de Jacques Brel, e "La Mamma", de seu ídolo Charles Aznavour).

Numa entrevista concedida em fins dos anos 1980, Frida afirmou admirar imensamente o trabalho de grandes artistas da música pop como Barbra Streisand, Michael Jackson e George Michael, a quem se referiu como "artistas extraordinários".

Últimos anos, morte e legado[editar | editar código-fonte]

Em 1980, o Ministério da Cultura da França a concedeu o título de Chevalier da Ordem das Artes e Letras, uma condecoração que visa recompensar as pessoas que se distinguem pela sua criação no domínio artístico ou literário ou pela sua contribuição ao desenvolvimento das artes e das letras na França e no mundo. Neste mesmo ano, a televisão francesa a solicitou para que pudesse concorrer como intérprete na seleção da canção que representaria a França no Festival Eurovisão da Canção daquele ano. Boccara candidatou-se com sua recém-lançada canção "Un enfant de France", mas terminou o evento em penúltimo lugar com a quinta posição. No ano seguinte ela esteve novamente presente na seleção, interpretando "Voilà comment je t'aime", porém mais uma vez não se classificou, chegando ao final do evento em quarto lugar.

Após vários discos com distinta fortuna, Frida Boccara ausenta-se cada vez mais da cena musical durante a década de 1980. Tendo enfrentado alguns problemas de saúde, especificamente problemas de visão, que fizeram com que tivesse de usar os óculos com os quais não mais deixaria de aparecer durante suas apresentações, chegou nessa época a passar por algumas intervenções cirúrgicas. Seus fãs ao redor do mundo sentiam pela sua ausência, e, ao retornar aos palcos em 1988, ela não pode oferecer uma grandiosa apresentação. No entanto, extremamente querida pelo público de Québec, continuou a ter enorme sucesso por lá - seu disco "Témoin de mon amour", que havia sido lançado àquela época no Canadá, chegara a primeira posição no ranking dos mais vendidos, o que fez com que Frida tivesse grande sucesso também nas rádios e nos programas de televisão. Em 1989 ela lançou seu primeiro CD, "Expression", uma compilação com 23 sucessos; porém, devido a sua frágil saúde, apenas esporadicamente a cantora voltou a se apresentar em público nos anos seguintes.[25]

Em 1996, Frida Boccara é acometida por uma infecção pulmonar (algumas fontes alegam que tal infecção fora uma pneumonia, outras alegam um edema pulmonar), e vem a falecer no dia 1 de agosto do referido ano em Paris, aos 55 anos. Ela está sepultada no Cimetière parisien de Bagneux, um cemitério judeu localizado na comuna de Bagneux, nos arredores da capital francesa.[26]

O ministro da cultura francês Philippe Douste-Blazy manifestou-se em memória de Frida, declarando que ela fora "uma cantora popular autêntica, que durante muitos anos levou a música francesa pelos palcos do mundo".

Seu filho, Tristan Boccara (a quem havia dedicado a canção "Tristan"),[27] nasceu nos anos 1970 e seguiu os passos da mãe, sendo hoje músico. Vários artistas apreciadores do repertório de Frida regravaram ou interpretaram em suas respectivas línguas alguns dos sucessos dela; a exemplo destes as canadenses Céline Dion e Marie Denise Pelletier, a sueca Agnetha Fältskog (do ABBA), a britânica Dusty Springfield, a francesa Anne-Marie David, a holandesa Lenny Kuhr e também os brasileiros Martinha e Jessé.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 1959 : «Baccara 9» n° 17 - Mes Frères/La chanson d’Orphée (Super 45 RPM - VA compilation)
  • 1960 : L'Orgue des amoureux/Le Doux Caboulot (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1960 : Verte Campagne/Quand la valse est là/Le Grand Amour/Depuis ce temps-là (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1961 : La Seine à Paris/Les Amours du samedi/Les Bohémiens/Jenny (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1961 : On n'a pas tous les jours 20 ans/Berceuse tendre/Les Nuits/Les Yeux de maman (Super 45 RPM - Totem Records)
  • 1961 : Cherbourg avait raison/Comme un feu/Un jeu dangereux/Tiens, c'est Paris (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1962 : Les Trois Mots/Aujourd'hui je fais la fête/Je veux chanter/Je ne peux plus attendre (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1962 : Le Ciel du port/Les Portes de l'amour/Ballade pour un poète/D'abord je n'ai vu (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1962 : Un premier amour/Bruxelles/L'Homme de lumière/Les Pas (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1962 : Java des beaux dimanches/Les Javas/Rose de sang/Quien sabe (Qui peut savoir) (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1963 : Moi je n'ai pas compris/J'ai peur de trop t'aimer/On les a attendus/Rien a changé (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1963 : Souviens-toi des Noëls de là-bas/Donna/Johnny Guitar/Ballade pour notre amour (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1964 : Autrefois/Chaud dans mon cœur/Le Souffle de ma vie/Je suis perdue (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1965 : Tous les enfants/Aujourd'hui/Plus jamais/Un jour (Super 45 RPM - Festival Records)
  • 1967 : Поёт Фрида Боккара [Poyot Frida Bokkara/Canta Frida Boccara] (LP lançado pela gravadora russa Мелодия ["Melodiya"] / apenas na Rússia)
  • 1969 : Un jour, un enfant (33 RPM - Philips)
  • 1969 : Les Vertes Collines (33 RPM - Philips / apenas no Brasil)
  • 1970 : Au pays de l’arbre blanc (33 RPM - Philips)
Frida Boccara e Caterina Valente em 1971.
  • 1971 : Pour vivre ensemble (33 RPM - Philips)
  • 1971 : Place des Arts 71 (live à Montréal / 33 RPM / duplo - Philips / reeditado em CD em 2006 apenas no Canadá)
  • 1971 : So ist das Leben/Er wird Dir dankbar sein (45 RPM - Polydor / apenas na Alemanha)
  • 1972 : Rossini et Beaumarchais (33 RPM - Philips)
  • 1974 : Je me souviens (Mi Melancolia e Je me souviens, adaptações em espanhol e francês do tema musical Mia Malinconia do filme Amarcord, de Federico Fellini + versão instrumental por Nino Rota) (45 RPM - Deram Records)
  • 1975 : Oriundi (33 RPM - London Records)
  • 1976 : Valdemosa - Oublier (33 RPM - Philips)
  • 1977 : An Evening with Frida Boccara (live en Australie / 33 RPM / duplo - Philips)
  • 1978 : L’Année où Piccoli jouait "Les choses de la vie" (33 RPM - Philips)
  • 1979 : Frida Boccara & De Mastreechter Staar (33 RPM - Philips, apenas na Holanda)
  • 1979 : Un monde en sarabande / La Prière (45 RPM - Philips)
  • 1980 : Un enfant de France / Écrit dans la pierre (45 RPM - Philips)
  • 1983 : Dis-leur / Aime-moi (45 RPM - Kébec-Disque / apenas no Canadá e na França)
  • 1988 : Témoin de mon amour (33 RPM - Productions Guy Cloutier / apenas no Canadá)
Compilações
  • 1967 : Frida Boccara (33 RPM - MusiDisc / compilação dos anos de 1961 a 1965)
  • 1972 : Greatest Hits (33 RPM - Philips / apenas na Holanda)
  • 1984 : Cent mille chansons, « Série grandes vedettes » (33 RPM - Philips)
  • 1989 : Expression (CD pela PolyGram com 23 faixas)
  • 1993 : Master Série (CD pela PolyGram com 16 faixas / lançado apenas em Quebec)
  • 1994 : Un jour, un enfant (CD pela Spectrum Music/Karussell France)
  • 1997 : Frida Boccara (CD pela Podis/Polygram, 23 faixas)
  • 1999 : Un jour on vit (CD pela Disques Yvon Chateigner)
  • 1999 : Ses premiers succès (CD com 18 faixas pela Disques Yvon Chateigner)
  • 2003 : Canta en español (CD pela Divucsa Music SA / apenas na Espanha)
  • 2005 : Live Place-des-Arts de Montréal (CD - XXI-21/Universal Canada / apenas no Canadá)
  • 2006 : Un sourire au-delà du ciel (CD pela Édina Music - Nocturne)
  • 2007 : La Grande Frida Boccara, l'ultime compilation (CD com 25 faixas - XXI-21/Universal Canada / apenas no Canadá)
  • 2008 : Un enfant de France (CD pela Édina Music - Nocturne)
  • 2010 : Les Grandes Années - 1972-1988 (box com 3 CDs pela Marianne Mélodie)
  • 2010 : Collection Chanson Française (CD pela Disques Mercury)
  • 2012 : Oriundi + Jérémie + Alone - The International Versions (três lançamentos em CD pela Natris Records)

Nota sobre os lançamentos de 2012: o CD Oriundi apresenta integralmente todas as faixas contidas no disco homônimo de 1975; Jérémie reúne 10 faixas, dentre as quais duas inéditas em CD - "Jérémie" e "Un Coeur dans un port"; já o álbum Alone - The International Versions reúne 12 faixas cantadas por Frida Boccara em inglês, espanhol, alemão, italiano e uma faixa inédita em holandês - "De nieuwe dag".

Referências

  1. http://www.leparolier.org/europeen/classartistes/f/fridaboccara2.htm
  2. http://yvettes.blog4ever.com/page-4-frida-citoyenne-du-monde-par-lina-boccara
  3. http://www.eurovision-info.net/index.php?option=com_content&view=article&id=565:frida-boccara-lauthentique&catid=65:zoom-sur&Itemid=78
  4. http://www.independent.co.uk/news/people/obituary-frida-boccara-1309417.html
  5. http://www.dicionariodenomesproprios.com.br/frida/
  6. http://www.leparolier.org/europeen/classartistes/f/fridaboccara2.htm
  7. https://www.geni.com/people/FRIDA-BOCCARA/6000000033330972177
  8. http://i.ebayimg.com/images/g/UScAAMXQ2dBSFCR-/s-l1600.jpg
  9. http://pt.encydia.com/es/Frida_Boccara
  10. http://i.ebayimg.com/images/g/UScAAMXQ2dBSFCR-/s-l1600.jpg
  11. https://secondhandsongs.com/performance/198734
  12. http://nostalgiacentral.com/music/music-on-film-and-tv/dusty-springfield-show-thedusty/
  13. http://www.imdb.com/title/tt0298624/fullcredits?ref_=tt_ov_st_sm
  14. http://www.eurovision.tv/page/history/year/participant-profile/?song=20395
  15. http://www.eurovision.tv/page/history/by-year/contest?event=286
  16. http://pt.encydia.com/es/Frida_Boccara
  17. http://www.eurovision-info.net/index.php?option=com_content&view=article&id=565:frida-boccara-lauthentique&catid=65:zoom-sur&Itemid=78
  18. http://yvettes.blog4ever.com/page-18-eddy-marnay-son-ami
  19. http://www.leparolier.org/europeen/classartistes/f/fridaboccara2.htm
  20. http://i.ebayimg.com/images/g/UScAAMXQ2dBSFCR-/s-l1600.jpg
  21. http://i.ebayimg.com/images/g/UScAAMXQ2dBSFCR-/s-l1600.jpg
  22. https://www.discogs.com/Frida-Boccara-Berceuse-Pour-Luciana/release/3475225
  23. http://yvettes.blog4ever.com/page-3-en-parlant-avec-frida-suite
  24. https://www.discogs.com/Frida-Boccara-Funerailles-Dun-Laboureur-Bresilien/release/4210368
  25. http://www.leparolier.org/europeen/classartistes/f/fridaboccara2.htm
  26. http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?GRid=10345563&page=gr
  27. http://yvettes.blog4ever.com/page-6-tristan-boccara

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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