Songs of Innocence (álbum)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Songs of Innocence.
Songs of Innocence
Álbum de estúdio de U2
Lançamento 9 de setembro de 2014
(ver histórico de lançamento)
Gravação 2010–14
Estúdio(s) Electric Lady Studios (Nova York City, NY)  · Pull Studios (Nova York City)  · The Church Studios (Londres, Inglaterra)  · Assault e Battery (Londres)  · Shangri-La (Los Angeles, CA)  · The Woodshed (Los Angeles)  · Hanover Quay Studios (HQ) (Dublin, Irlanda)  · Strathmore House (Dublin)
Gênero(s) Rock
Duração 48:11
Gravadora(s) Island  · Interscope
Produção Danger Mouse  · Declan Gaffney  · Flood  · Paul Epworth  · Ryan Tedder
Cronologia de U2
No Line on the Horizon
(2009)
Songs of
Experience

(2017)
Singles de Songs of Innocence
  1. "The Miracle (of Joey Ramone)"
    Lançamento: 15 de setembro de 2014
  2. "Every Breaking Wave"
    Lançamento: 9 de dezembro de 2014
  3. "Song for Someone"
    Lançamento: 11 de maio de 2015

Songs of Innocence (estilizado como SOI) é o décimo terceiro álbum de estúdio da banda de rock irlandesa U2. O álbum foi produzido por Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Mark "Flood" Ellis, sendo lançado em 9 de setembro de 2014 pelas gravadoras Island e Interscope Records, sendo um material complementar ao álbum sucessor, Songs of Experience (2017), configurando uma espécie de álbum complementar. Enquanto Songs of Experience explora a maturidade e também uma coleção de cartas escritas por Bono à pessoas mais íntimas naquela época, Songs of Innocence expressa o período da adolescência dos integrantes da banda na Irlanda na década de 1970, inspiradas pelos Ramones e The Clash. O vocalista descreveu como uma "coleção das primeiras jornadas" e "o álbum mais pessoal que já escreveram". O álbum foi divulgado pela primeira vez um evento da Apple como surpresa da festa e liberado no mesmo dia para todos os clientes do iTunes Store sem nenhum custo. O álbum ficou disponível até o dia 13 de outubro de 2014 no formato de download digital através do iTunes Radio e Beats. No dia de seu lançamento, esteve disponibilizado à mais de 500 milhões de usuários do reprodutor de mídia — pois havia sido liberado gratuitamente aos usuários que possuíam conta no serviço online — o que de acordo com o diretor executivo da Apple, Tim Cook, foi "o maior lançamento de um álbum de todos os tempos". Segundo a Apple, estimasse que o álbum tenha sido acessado em seu primeiro mês de lançamento por cerca de 81 milhões de usuários que possuíam conta no site, dentre os quais 26 milhões baixaram o CD completo, colocando-o entre os 40 álbuns mais vendidos da história da música.[1]

Em geral, recebeu avaliações variadas, com alguns críticos musicais consumidores desaprovando esta estratégia de lançamento digital, visto que o o álbum foi automaticamente adicionado às bibliotecas de áudio dos usuários que possuíam o dispositivo iOS, então recém-lançado, sem o consentimento dos mesmos, tornando-se um download indesejado. Seu sucesso comercial foi menor comparado ao seu álbum-irmão, alcançando a posição de número 1 em dez países, e onze paradas musicais distintas; esteve no "Top 10" de 32 paradas diferentes, somando um total de 29 locais distintos. Devido a forma com que foi lançada, acabou afetando o seu desempenho comercial, vendendo apenas 101 mil cópias na América do Norte e ficando somente por seis e oito semanas no Reino Unido e Estados Unidos, respectivamente. Innocence recebeu uma indicação ao Prémio Grammy de "Melhor Álbum de Rock" de 2015.

Para sua divulgação, três singles foram lançados: O primeiro deles foi "The Miracle (of Joey Ramone)", usada como canção-tema em um comercial televisivo da Apple como parte de uma campanha para divulgação do novo material, em que a empresa teria gasto 100 milhões de dólares. Comercialmente, obteve a posição de número 1 na Adult Alternative Songs, nos Estados Unidos. O segundo single, "Every Breaking Wave", obteve uma boa aceitação da crítica, sendo classificada na posição de número 3 na lista das "50 Melhores Canções de 2014" pela revista Rolling Stone. Apesar disso a canção esteve pouco presente nas paradas musicais; e por último, "Song for Someone", também obtendo pouco sucesso nas paradas musicais. A turnê Innocence Tour foi iniciada em maio de 2015 na cidade de Vancouver, no Canadá; finalizando em dezembro do mesmo ano em Paris, na França.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Período No Line[editar | editar código-fonte]

A banda teve passagem no Hanover Quay Studios (HQ) para a gravação de seu álbum, em Dublin, em novembro de 2011.
O grupo foi visto em gravação de algumas canções no estúdio "A" do Electric Lady Studios, desde junho de 2013.

Em fevereiro de 2009, o U2 lançou seu décimo-segundo álbum de estúdio, No Line on the Horizon. Em geral recebeu revisões favoráveis, estreando na primeira posição em mais de 30 países,[2] entretanto, as vendas atingiram apenas cinco milhões de unidades, sendo relativamente baixa para os padrões do grupo, não contendo um single de sucesso.[3] Apesar de ter sido considerado como um álbum experimental em relação aos antecessores, os críticos afirmaram que "No Line não era tão experimental como o esperado".[4]

O grupo esforçou-se para completar um disco mais satisfatório, e continuamente adiava o seu projeto de lançamento. Em junho de 2009, Bono disse que, embora nove canções já estivessem sido concluídas, o álbum só seria lançado se possuísse uma qualidade musical superior à do último álbum.[5] Em dezembro de 2009, um relatório indicava que a banda já estava trabalhando em estúdio, com o objetivo de lança-lo em meados de 2010, durante a turnê U2 360° Tour.[6] Em abril de 2010, o empresário de longa data da banda na época, Paul McGuiness, confirmou que não seria concluído em junho. No entanto, indicou que era "improvável que o novo material fosse lançado antes de 2010",[7] e que "até o momento estava planejado para ser lançado no início de 2011" — também não aconteceu.[8] No decorrer do tempo, McGuiness mais uma vez reiterou que a banda planejara "liberá-lo em meados de 2011", a tempo para a terceira e última etapa da 360° Tour, enganando-se novamente.[9]

Originalmente, o seu título era Songs of Ascent, contendo as canções de sessões de gravação do disco,[10][11] mas McGuiness afirmou que este nome seria "improvável", visando o que o grupo esperava para ser um registro com canções excluídas do último material.[9] Planejado como um álbum-irmão — semelhante a Zooropa (1993) em relação à Achtung Baby (1991) — o vocalista afirmou que o material gravado seria "um trabalho meditativo e reflexivo", com um tema de "jornada".[12][13] Na época, a banda revelou que o primeiro single estava previsto para ser "Every Breaking Wave".[12][14] Erroneamente, foi publicado no Amazon.com que o próximo álbum seria lançado em 27 de maio de 2011.[15] O baixista Adam Clayton, a uma entrevista com Huey Morgan da BBC Radio, afirmou que "as gravações foram interrompidas por conta do acidente que Bono sofreu durante a turnê 360º Tour e o período de recuperação do pós-operatório". Bono havia realizado uma cirurgia de emergência no nervo ciático em maio de 2010, afirmando também que o grupo estava "fazendo alguns experimentos musicais com o produtor" — referindo-se a Danger Mouse.[16] O grupo teve que remarcar as datas da turnê na América do Norte e uma aparição no Festival de Glastonbury de 2010. Apesar dos pesares, foram capazes de usar o tempo de inatividade para escrever e gravar outras novas canções.[17]

Desenvolvimento e gravação[editar | editar código-fonte]

O U2 começou a trabalhar com o músico Danger Mouse, sendo produtor principal do álbum.

Em agosto de 2010, relatos indicaram que o grupo estava trabalhando em três projetos separadamente: um álbum de rock tradicional produzido por Danger Mouse, um álbum dance produzido pelo DJ David Guetta juntamente com o will.i.am e a produtora RedOne, e o material de Songs of Ascent, este sendo considerado um "projeto morto".[18][19][20][21][22][23][22][24]

Mais tarde, Guetta esclareceu que ele não estava envolvido no projeto dance e que só havia discutido uma possível colaboração com Bono.[25] Em outubro, Bono disse que o trabalho estava sendo "produzido por Danger Mouse e que 12 faixas já haviam sido concluídas" até aquele momento.[26] A banda continuou a fazer grandes progressos em janeiro de 2011, trabalhando ao lado de Mouse na cidade de Nova York.[22] O projeto de Songs of Ascent acabou não se concretizando e não dado sequência, pois sua evolução estava lenta e aparente abandonada — sendo incluídas no livro The Greatest Albums You'll Never Hear (2014).[27] Segundo o site de entretenimento musical Spinner, numa entrevista com o rapper americano Jay-Z, ele respondeu a uma pergunta relacionada ao lançamento do álbum do U2, afirmando: "Eu disse algo em respeito da grande pressão que deve ser exercida a uma banda, para satisfazer as suas próprias expectativas",[28] e acrescentou: "Bono disse que o que falei na entrevista o deixou reflexivo. Por isso, ele decidiu voltar ao estúdio mesmo com o material pronto para continuar trabalhando nele, até o ponto que fizesse você pensar: 'É a melhor coisa que puderam fazer'".[28][29] Além de seu trabalho com banda irlandesa, Bono e o guitarrista The Edge também se comprometeram a compor e escrever as letras para a trilha sonora do musical Spider-Man: Turn Off the Dark (2011), que passou por inúmeros atrasos e mudanças criativas, por meio de sua estréia em junho de 2011.[30]

Ryan Tedder também foi um dos novos produtores incluídos pela banda em 2013, para ajudá-los a completar Innocence.

Em novembro de 2011, retornaram às sessões de gravações no Hanover Quay Studios (HQ) na cidade de Dublin, na Irlanda, depois de Bono ter sido visto dando autógrafos aos fãs em frente ao estúdio.[31][32] Em junho de 2012, em entrevista ao programa The Late Late Show, Bono afirmou que o "grupo tinha acabado de concluir suas melhores três semanas no estúdio, desde 1979".[33] Em janeiro de 2013, os integrantes disseram que iriam lança-lo em setembro daquele ano, e que seu título seria 10 Reasons to Exist.[34] Em maio de 2013, o U2 passou um tempo no Electric Lady Studios em Nova York com Danger Mouse, para finalizar o processo de mixagem. Depois de trabalhar com a eles por dois anos,[35] Mouse foi obrigado a deixar de atender a outros projetos musicais.[36] Posteriormente, contrataram o colaborador de longa data da banda, Mark "Flood" Ellis, juntamente com Ryan Tedder — músico e produtor da banda OneRepublic — e Paul Epworth, para ajudarem na produção.[35]

Em junho de 2013, gravaram um cover da canção "This Is", da banda de rock irlandesa Aslan. A performance foi filmada mais tarde estreando para uma plateia ao vivo no "A Night for Christy" — um evento de arrecadação de fundos para ajudar o vocalista Christy Dignam com o tratamento médico necessário para combater a sua forma rara de câncer no sangue.[37] Também compuseram e gravaram uma edição prevista para ser lançada em dezembro de 2013, sendo convidados pelo produtor Harvey Weinstein, para contribuírem com uma canção para o filme Mandela: Long Walk to Freedom (2013).[38][39] A canção trabalhada para o filme, "Ordinary Love", acabou sendo lançada como single e fazendo parte da trilha sonora da longa-metragem sobre Nelson Mandela,[40][38] rendendo-lhes o Prémio Globo de Ouro de 2013, na categoria de "Melhor Canção Original".[41][38] Em fevereiro de 2014, lançam a canção "Invisible", sendo apresentada no comercial do Super Bowl XLVIII e disponibilizado gratuitamente no iTunes Store, aspirando lança-la em parceria com a Product Red e o Bank of America, no combate contra a AIDS.[42][43] Até aquele momento, "Invisible" estava prevista para ser incluída nas gravações do álbum, servindo-lhes como material promocional; entretanto, foi usada apenas como uma prévia do que iria ser lançado futuramente.[44]

Ao término das gravações de Innocence uma semana antes de seu lançamento,[36] The Edge afirmou que "a maior parte do trabalho foi realizado muito rapidamente na reta final, nos últimos pares das semanas",[36] descrevendo os últimos quatro dias em particular, como "íntegros".[36] Mencionando sobre o longo período de criação do CD, Bono alegou que "os rumores dizem que não fizemos um álbum de estúdio nos últimos cinco anos. Mas na verdade, nós fizemos vários. Apenas não lançamos porque estávamos esperando por algo que fosse tão bom quanto os álbuns que já fizemos".[36]

Composição[editar | editar código-fonte]

A canção ficou na posição 3, na lista das "50 Melhores Canções de 2014" pela Rolling Stone.

"Song for Someone" foi escrita por Bono, em inspiração à sua esposa, Ali Hewson.

"California" remete à primeira vez que os integrantes visitaram a cidade de Los Angeles.

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Tematicamente, Songs of Innocence relembra à juventude dos integrantes irlandeses, ao tocarem músicas da época de suas infâncias, no período de seus primeiros relacionamentos amorosos, sobre arrependimentos — sendo inspiradas nas bandas Ramones e The Clash — e o estilo eletrônico da banda Kraftwerk. Bono descreveu Innocence como "o álbum mais pessoal que já escreveram".[45] Em uma entrevista com Gus Wenner, da revista Rolling Stone, o vocalista afirma que eles queriam "fazer um álbum bastante pessoal [...] tentando descobrir por que queríamos estar em uma banda, de ter amizades, de cada um do grupo ter relacionamentos amorosos e de termos nossas famílias. O álbum foi nosso primeiro trajeto, nossa primeira jornada em aspectos geográficos, espiritual e sexual. E isso foi difícil, mas seguimos em frente".[46] Também afirmou que "se sentia desafiado ao escrever sobre temas pessoais e de querer estar em uma banda de rock", logo após que o produtor Jimmy Iovine ter lhes dito: "A pessoa que [Bono] precisava ser para criar um álbum que quisesse teria que percorrer um longo caminho a partir do local que ele vivesse" [sic].[36] A Rolling Stone considerou do álbum ser conceitual — uma ideia que Bono rejeitava, embora tivesse dito que existia uma coesão lírica que o mesmo acreditava ser única entre os álbuns do U2.[46]

A canção "The Miracle (of Joey Ramone)" presta homenagem a Joey Ramone, vocalista da banda Ramones, sendo uma forte influência para o frontman.[47] Relembram que durante a adolescência deles, compareceram em um show dos Ramones,[48] e foi a experiência de assistir Joey tocar que fez com que o vocalista se sentisse menos constrangido em relação ao seu próprio canto.[46] "Every Breaking Wave" fala sobre a dificuldade de "se entregar completamente a uma pessoa", com personagens líricos que estão "viciados em classificar o fracasso e o renascimento".[49] "California (There Is No End to Love)" recorda a primeira visita do grupo em Los Angeles e de como a cidade contrastava com a sua terra natal, a cidade de Dublin.[47] A música "Song for Someone", é uma canção de amor escrita para a esposa de Bono, Ali Hewson. A letra de "Iris (Hold Me Close)" fala sobre a mãe de Bono, Iris Hewson, que faleceu quando ele tinha 14 anos, após sofrer um aneurisma cerebral no funeral de seu avô. As letras comparam ela e sua influência em Bono, como uma estrela que morreu há muito tempo, mas cuja luz ainda alcança a terra.[50] Bono reescreveu a letra da música depois de ler uma carta em que o jornalista, James Foley, escreveu para a sua família enquanto estava preso em cativeiro antes de ser decapitado pelo grupo terrorista islâmico, ISIS, ao refletir que "todos irão ser lembrados pelos melhores momentos da vida. Os momentos mais simples".[49]

"Volcano" traz o tema do "antigo eu" abordando o "eu atual" de Bono, afirmando: "É este o rapaz que se tornou, o que diabos aconteceu com você?".[51] "Raised by Wolves" fala sobre os atentados de Dublin e Monaghan em 1974 que mataram 33 pessoas, mas que foram evitadas naquele dia. A canção foi escrita a partir da perspectiva de Andy Rowen, testemunhando os bombardeios e que tempo depois caiu na dependência da heroína — Rowen é o mesmo tema da canção "Bad" (1984).[50] "Cedarwood Road" relembra a rua em que viveram durante a sua juventude, em Dublin.[47] A canção "Sleep Like a Baby Tonight" descreve um padre pedófilo,[52] e foi descrita por Tom Doyle, da revista Q, como uma "enganosa cantiga de ninar [...] com sintetizadores pulsantes".[50][53] Bono presenteou Ali com um álbum da banda Kraftwerk, The Man-Machine (1978), época de quando eles estavam namorando na adolescência, sendo o mesmo nome incluído no verso da canção "Iris (Hold Me Close)": "Mas foi você que fez de mim seu homem, Máquina...").(traduzido do original)[nota 1][54] A faixa "This Is Where You Can Reach Me Now" possui traços musicais da banda The Clash,[46] e, de acordo com o encarte do álbum, a canção é dedicada ao guitarrista e vocalista Joe Strummer.[55] A canção "The Troubles" fala sobre seguir em frente com seus próprios problemas, refletido a redenção pessoal descrita no verso: "Eu tenho uma vontade de sobrevivência, então você pode me machucar e machucar um pouco mais, eu posso viver com a negação, mas você não é mais problema meu",[nota 2] presumindo-se também que a temática dela fosse sobre a situação política da Irlanda do Norte.[56]

As edições deluxe do álbum apresentam duas músicas adicionais. A canção "Lucifer's Hands" é baseada em uma peça instrumental da canção "Return of the Guitar Stingray", que a banda estreou ao vivo em 2010 e tocada como a música de abertura em cada um dos seus 32 concertos naquele ano.[57][58][59] "The Crystal Ballroom" descreve a antiga boate Dublin (mais tarde conhecido como McGonagle), local onde a banda tocava frequentemente nos seus primeiros anos. Liricamente, Bono imaginava-se no palco do local presenciando seus pais dançando na plateia.[60]

Capa, encarte e título[editar | editar código-fonte]

Divulgação do lançamento da capa, encarte e diferentes formatos físicos do álbum (esquerda), com a capa lançada pela versão do iTunes no formato digital (direita).

A capa para as cópias do álbum lançadas no iTunes foi criada pela MAD Agency London, assemelhando-se com a etiqueta branca comumente usada para a promoção de gravação do LP.[61] O trabalho artístico da capa lançada pela versão do iTunes ao estilo "design anti-capa" foi uma homenagem ao formato lançado em vinil, que ficou popular durante a década de 1970 e início de 1980, fotografadas por Glen Luchford.[62]

As cópias físicas contaram com embalagens diferentes. A imagem de capa lançada em formato físico apresenta o baterista Larry Mullen Jr. protegendo e abraçando seu filho, sendo tirada também pelo artista Glen Luchford, inicialmente como uma experiência.[63][64] Entretanto, o grupo achou que a foto evidenciava uma metáfora do próprio conceito álbum, com o tema sendo "como se estivesse segurando a própria inocência, passando a ser muito mais difícil do que manter a inocência de outra pessoa".[63] Bono alegou que "com esta gravação, fomos em busca do rock cru e do íntimo, trazendo tudo à tona". A capa assemelhasse aos seus álbuns anteriores Boy (1980) e War (1983), com o rosto de Peter Rowan na capa quando ele era criança — amigo de infância de Bono.[65] A ideia única da relação entre pai e filho veio dos integrantes irlandeses, com o baterista afirmando: "Na foto, eu estava me segurando no meu filho, mas na verdade ele é que estava me segurando. Ele faz 18 anos de vida nesta imagem e não existe emoção, mágoa, amor, dor e todas essas coisas [...] e ninguém vai saber o que significa. A imagem é pública, mas a nossa intimidade familiar é algo somente nosso."[66]

Por ser um álbum complementar a Songs of Experience (2017), o título também foi inspirado pela obra literária Canções de Inocência e de Experiência (1789) do poeta William Blake, refletindo a ingenuidade dos membros da banda, remetendo ao tempo em que eram mais novos.[67]

Divulgação e lançamento[editar | editar código-fonte]

Apresentação da banda na Apple, durante o lançamento do produto iPhone 6, na qual o álbum também foi divulgado.

Nos dias que antecederam o dia do evento do lançamento do iPhone 6 e Apple Watch na cidade de Cupertino, na Califórnia, começou a circular rumores de que o U2 também estava envolvido.[68] Um porta-voz do grupo negou relatos de que eles iriam comparecer no evento ou que um novo álbum viria pré-instalado no dispositivo iOS — certamente no intuito de despistar os jornalistas.[69][70] Ao final da apresentação do lançamento dos produtos, os integrantes apareceram no palco para tocar a canção seu primeiro single do álbum.[71][72] Em seguida, o grupo juntamente com o diretor executivo da Apple, Tim Cook, fizeram um anúncio surpresa de que eles tinham completado seu décimo terceiro álbum de estúdio, e que seria lançado digitalmente no mesmo dia a todos os usuários no iTunes de forma gratuita.[70][73][74] As canções foram incluídas automaticamente na biblioteca de áudio dos aparelhos móveis exclusivos no iTunes Radio e Beats até o dia 13 de outubro de 2014, com o lançamento em formato físico a partir do dia seguinte.[72][75][76][75] Innocence esteve disponibilizada para mais 500 milhões de usuários, para que Tim Cook comercializasse o novo material musical no objetivo de ser o "maior lançamento de todos os tempos", com cerca de 200 mil usuários baixando-o somente no primeiro dia.[72][77] Em quatro dias, o álbum foi baixado mais de 2 milhões de vezes, e segundo os dados da Apple, 33 milhões de pessoas tiveram acesso às canções na primeira semana, seja através do iTunes ou através de transmissões.[78][79]

Ilustração da divulgação do lançamento do álbum junto ao iPhone 6, em parceria com a Apple, com o lançamento grátis para os usuários do smartphone.

A Apple teria pago uma quantia inespecífica ao grupo musical e à gravadora Universal Music Group, em uma exclusividade de cinco semanas para a distribuição do disco.[80] Além disso, a empresa concordou em uma campanha de marketing para o álbum num custo de 100 milhões de dólares, iniciando com um comercial de TV da canção "The Miracle (of Joey Ramone)".[72] A parceria da Apple com o grupo remonta ao álbum How to Dismantle an Atomic Bomb (2004), na promoção do primeiro single do mesmo, "Vertigo" (2004), sendo destaque a nível internacional; lançando também a versão da edição especial iPod U2, juntamente com o box coletânea The Complete U2 (2004).[81] Innocence foi comparado com dois outros álbuns — o álbum Magna Carta Holy Grail (2013), do rapper Jay-Z, que foi patrocinado pela Samsung;[71][82] e o álbum Beyoncé (2013), que também foi lançado sem qualquer promoção de aviso prévio.[71][83] Para amenizar o prejuízo das lojas afetadas pelo período de exclusividade digital, a Universal Records ofereceu uma versão deluxe contendo quatro canções adicionais, acompanhado de duas versões acústicas das sete.[84] As faixas bônus foram exclusivas para as lojas B&M e serviços de transmissão musical por cinco semanas antes de tornarem-se disponíveis no iTunes.[84] As lojas também receberam ofertas de catálogo, tendo desconto nas lojas por três dólares em um período de tempo.[84] No mesmo dia, as canções lançadas foram ao ar na íntegra pela emissora RTÉ 2fm, da rádio irlandesa RTÉ; seguindo uma tradição de longa data, a banda deu uma entrevista para Dave Fanning, divulgando o novo material antes de qualquer outra emissora.[85] Um representante do Grammy inicialmente afirmou que o álbum não se elegeria ao Prémio Grammy de 2015, pois não estaria disponível para compra antes do prazo de sua elegibilidade. No entanto, essa decisão foi revertida depois que a Universal Music lançou um vinil de edição limitada do álbum para os varejistas sobre a data limite.[35]

Em uma nota no site do grupo em anunciação do lançamento de Innocence, Bono deu a entender que um álbum de seguimento seria lançado, denominado Songs of Experience (2017).[86] O empresário Guy Oseary, também indicou que o grupo teve colaborações com a Apple, planejando lidar "com a inovação e de como o álbum é ouvido". Oseary afirmou que o grupo irlandês queria dar apoio ao álbum como uma "forma artística e lírica com conteúdo videográfico", acreditando que fosse envolver os ouvintes mais do que o áudio digital.[87] Na capa da revista Time da edição de 29 de setembro de 2014, a banda revelou que eles estavam trabalhando com a Apple para desenvolver um novo formato de música digital e que esperavam influenciar os interesses dos consumidores em adquirirem música.[88] Bono disse que seria "um formato interativo audiovisual que não pudesse ser pirateada e iria trazer de volta a capa do álbum de maneira poderosa para a maioria, onde você pudesse tocar e chegar por trás das canções". Segundo ele, o formato foi lançado 18 meses depois da conclusão, e o grupo esperava que os artistas musicais menos conhecidos fossem beneficiados financeiramente com este tipo de lançamento inovador musical.[89]

Promoção[editar | editar código-fonte]

Promovida pela Product Red, o concerto do Dia Mundial de Combate à AIDS de 2014 contou com as participações de The Edge, Larry Mullen Jr., Bruce Springsteen, Carrie Underwood, Kanye West, Chris Martin e Adam Clayton, respectivamente.

Para promover o álbum, a banda fez aparições em vários programas de televisão e rádio. Sua primeira aparição foi no programa Che Fa Tempo Che, na cidade de Milão;[90][91] e no Le Grand Journal na cidade de Paris.[92] A banda apresentou-se nos programas The Graham Norton Show, tocando as canções "Cedarwood Road" e "Song for Someone";[93][94] também em uma entrevista com Zane Lowe pela BBC Radio 1, ambas na cidade de Londres.[95][96][97]

Compareceu no programa Later... with Jools Holland, executando as canções "Volcano" e "Every Breaking Wave",[98] fazendo-se presente no programa The Late Late Show da RTÉ One, na cidade de Dublin.[99][100] A banda fez a performance de "Every Breaking Wave" no MTV Europe Music Awards de 2014.[101][102][103] No dia 16 de novembro de 2014, a banda anunciou que teria que adiar uma visita prevista ao The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, por conta de um acidente de bicicleta que Bono sofreu no Central Park, requerendo intervenção cirúrgica para se recuperar.[104][105] Decorrente do cancelamento da apresentação da banda no programa, o ator e apresentador Jimmy Fallon realizou uma paródia da performance de Bono no próprio programa.[106][107]

No início de dezembro de 2014, em Nova York a banda irlandesa — com exceção de Bono — juntamente com Chris Martin e Bruce Springsteen, realizaram um show surpresa na Times Square, em celebração do Dia Mundial de Combate à AIDS.[108][109][110] O U2 retornou ao The Tonight Show em 8 de maio de 2015, participando de animações em que satirizavam o acidente de Bono e os próprios membros da banda se disfarçando de cantores de rua em uma estação de metrô de Nova York. Lançaram um vídeo prévio da turnê Innocence Tour, que foi iniciado dia 14 de maio.[111] Para recompensar a área de Los Angeles pela desistência da KROQ Almost Acoustic Christmas, a banda se apresentou para 500 fãs no Roxy Theatre, em Hollywood, no dia 28 de maio de 2015, entre os dias já confirmados dos shows de sua turnê.[112] Também autorizaram várias faixas das canções do álbum a serem incluídos no jogo eletrônico musical Rock Band 4: "Cedarwood Wood" foi incluído no jogo, enquanto que "The Miracle (of Joey Ramone)" e "California (There Is No End to Love)" foram disponibilizados como conteúdo para download.[113]

Films of Innocence[editar | editar código-fonte]

A banda lançou a curta-metragem inspirada em Songs of Innocence..

Films of Innocence é um curta-metragem lançada em 9 de dezembro de 2014, produzido por Christina Hardy e Lois Newcombe, dirigido por Jefferson Hack, e lançada pela gravadora Island Records.[114] Embora a banda não tivesse divulgado a data de lançamento, posteriormente foi confirmada por um representante da banda e as informações sobre o filme ficaram disponíveis no iTunes como pré-encomenda somente a partir de 18 de novembro de 2014.[104] Ao contrário de Innocence, este "contraponto visual" não seria gratuito, sendo vendida por 7 e 9 libras, em sua versão padrão e em HD, respectivamente.[104]

Inspirada por um mural de políticos na cidade de Belfast, capital da Irlanda do Norte, recrutaram onze artistas urbanos para criar seus próprios filmes artísticos, com cada um interpretando uma canção diferente do álbum. Os artistas envolvidos na colaboração foram Robin Rhode, D*Face, Modo 2, Chloe Early, Ganzeer, Vhils, Maser, ROA, DALeast, Todd James e Oliver Jeffers. A coleção de filmes foi disponibilizada no iTunes e Amazon.com.[115] Foi divulgado no iTunes que o resultado foi uma "estimulante amostra de diversos enfoques, estilos e discursos", ao mesmo tempo em que propõe jogar "com o tempo e com o tamanho do mundo".[116] Os artistas receberam livre arbítrio para criar e mostrar suas respostas pessoais às músicas do álbum através de uma série de animações e cenas de versões ao vivo das canções. O resultado deste projeto foi uma exposição de abordagens, estilos e comentários.[117]

Recepção musical[editar | editar código-fonte]

Crítica profissional[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic 64/100[118]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 3 de 5 estrelas.[119]
Chicago Tribune 2 de 4 estrelas.[120]
The Daily Telegraph 4 de 5 estrelas.[121]
The Guardian 3 de 5 estrelas.[122]
Mojo 4.5 de 5 estrelas.[50]
NME 4/10[123]
Pitchfork 4.6/10[124]
Rolling Stone 5 de 5 estrelas.[54]
Slant Magazine 3 de 5 estrelas.[125]
Spin 7/10[126]

Songs of Innocence recebeu avaliações mistas dos críticos musicais. De acordo com a revisão da Metacritic, recebeu uma pontuação média de 64/100, com base nas avaliações de 32 revisores, geralmente favoráveis.[118] Neil McCormick, do The Daily Telegraph, disse que o álbum é "revigorante e coeso... um grande álbum, atacando com melodias fluidas, coros brilhantes e ideias líricas ousadas".[121] David Fricke, da Rolling Stone, afirmou que o álbum tem uma "dinâmica triunfante, uma renascença focada". Fricke pronunciou também que o Innocence foi "o primeiro trabalho do U2 em que fizeram seus próprios contos de forma tão direta, com os pontos fortes e revelação como compositores".[54] Carl Wilson, da revista Spin, afirmou que as canções foram "mais compactas e diretas, evitando a escala global" das canções dos outros álbuns do grupo "para uma perspectiva mais íntima e pessoal". Wilson elogiou a banda pela contratação de produtores contemporâneos em ajudá-los a "juntar-se, em vez de ganhar pelo popular em 2014".[126] Tom Doyle, da revista Mojo, pronunciou-se com relação a Innocence: "O mais estimulante, enérgico e coeso álbum do U2 em anos", elogiando os temas pessoais. Acrescentou também, que o álbum "reconecta a banda com a estridente busca de despertar totalmente de seu nascimento, lembrando não somente a nós, mas a si mesmos [...] dos contras e prós de seus princípios".[50]

Rob Mitchum, da Pitchfork Media, criticou afirmando que "aponta para um tamanho único, uma sonoridade vagamente inspiradora com uma abordagem pobre nos detalhes apesar da afirmação da imprensa conjunta dizer que é tudo 'muito, muito pessoal'".[124] Greg Kot, do Chicago Tribune, disse que a banda "soou tão impessoal como sempre" e que o álbum era "plano e estranhamente complacente". Kot foi um dos vários críticos a interpretar o álbum como "o derivado de artistas previamente influenciados pelo U2, como Imagine Dragons".[120] Em um comentário de Caspar Llewellyn Smith, do The Guardian, escreveu que o grupo foi "andando pelo velho caminho sem muita noção de como avançar musicalmente".[122] Ben Patashnik, do NME, reprovou a estratégia de lançamento, escrevendo que "o álbum foi gratuito e faz parecer barato".[123] Sal Cinquemani, do Slant Magazine, considerou o álbum um sucesso temático, porém, argumentou que a lançamento não-convencional deveria ter sido o caso para um "álbum mais experimental e mais ousado, que refletisse melhor o seu corajoso lançamento inovador".[125]

Niall Stokes, da revista Hot Press, em sua revisão de quatro estrelas, afirmou que "quando se trata de fazer um impacto com o seu álbum, ninguém faz isso melhor do que o U2".[127] Brian Mansfield, do USA Today, declarou que "o método de distribuição do álbum ficaria marcado. Entretanto, se as pessoas tirassem um tempo para ouvi-lo algumas vezes e processa-lo na mente, descobririam uma sonoridade que remete a banda nos seus primeiros dias, com mais musicalidade e timbre.".[128] Catherine Mayer, da revista Time, publicou que "as 11 faixas 'olham para trás', às raízes musicais da banda na era punk e pós-punk, prestando homenagens explícitas aos Ramones e The Clash e levando particularidades de gêneros musicais posteriores ao grupo, como Arcade Fire e Coldplay, que possuem influências do grupo irlandês".[129] Jon Pareles, do The New York Times, reiterou que "as músicas de Innocence não remetem aos 'espaço-morto' do U2, como no início de carreira. Ele exulta possibilidades em várias faixas. Se conecta emocionalmente, como no verso de 'The Miracle (of Joey Ramone)': "Sim, eu queria ser a melodia acima do som, acima da dor, eu era jovem, não burro".[nota 3][130] Ryan Bray, do Consequence of Sound, realçou que "Innocence tem essencialmente uma ação em três partes: O agradavelmente familiar, o novo e o pouco incomum"; finalizou: "Subtraindo toda a arrogância e a polêmica em torno do seu lançamento equivocado, o disco soa muito parecido com o que você esperaria de uma banda que soa como nas três décadas de sua carreira. É uma miscelânea, mas um conjunto agradável e inofensivo. Como uma defesa e uma crítica, não há realmente nada para obter preocupação acerca deste assunto."[131]

Reconhecimento e controvérsias[editar | editar código-fonte]

A banda foi homenageada no Prémio Bambi na cidade de Berlim, em 2014.

Apareceu no ranking do fim de ano dos melhores álbuns de 2014. A Rolling Stone classificou-o como o mais criticado de 2014, afirmando que foi "o álbum de rock mais cru do ano, a qualquer preço", embora sugerindo que "na sua gama de sons poderia haver um álbum incompleto".[132] A Mojo colocou-o na 33ª posição no ranking de sua lista das "50 Melhores Álbuns de 2014".[133] A The Telegraph classificou-o na posição de número 14 na lista dos "50 Melhores Álbuns do Ano",[134] enquanto que a revista Q colocou-a na posição de número 44 em sua lista.[135] Em contrapartida, Randall Roberts do Los Angeles Times, disse que era a pior versão de 2014.[136] Para o Prémio Grammy, foi nomeado na categoria de "Melhor Álbum de Rock" de 2015.[137] A banda também foi homenageada com o Prémio Bambi na cidade de Berlim, em 2014.[138]

A decisão da banda ao permitir downloads gratuitos do álbum foi questionada por Keith Nelson, guitarrista da banda de rock estadunidense Buckcherry, que acreditava estar desvalorizando a indústria da música. Nelson afirmou: "Eles enviaram uma mensagem a todos que a música é livre, e isso é preocupante. É fácil fazer isso quando se é um bilionário e dinheiro não é realmente uma preocupação. Mas quando você trabalha como uma banda de rock n' roll, cada moeda conta muito. É decepcionante ver alguém fazer isso."[139] Esta visão foi mencionada pela Entertainment Retailers Association, informando que as vendas no Reino Unido foram mínimas na semana seguinte ao lançamento do álbum. O presidente da organização, Paul Quirk, afirmou: "Isso confirma nossa visão de que doar centenas de milhões de álbuns, simplesmente, desvaloriza a música e corre o risco de alienar 60% da população que não são clientes do iTunes". E acrescentou: "Doando canções como esta é tão prejudicial para o sentido da música quanto a pirataria".[140] De acordo com a Billboard, um executivo anônimo da gravadora perguntou ceticamente se o "doação faz bem para os negócios".[84]

Certo número de clientes do iTunes ficaram descontentes com o fato do álbum aparecer em suas bibliotecas musicais sem a autorização dos mesmos: as músicas foram baixadas nos seus dispositivos móveis automaticamente.[141][142][143][144][145] Chris Richards, do The Washington Post, afirmou esta postura como "distópico lixo eletrônico".[146] Chris Wade, da revista Slate, disse que era "extremamente preocupante" e que "o consentimento e interesse não é mais um requisito para possuir um álbum, só prerrogativa corporativa".[147] Vijith Assar, da Wired, afirmou: "O mecanismo de entrega equivale a nada mais do que um spam com transferências forçadas".[148] Em resposta às críticas, a Apple criou uma página na web dedicada aos usuários que desejassem excluir permanentemente o álbum de seus dispositivos.[149] Embora Bono tivesse se desculpado com os fãs durante uma sessão de perguntas e respostas no Facebook, com relação as canções estarem inseridas automaticamente na biblioteca de música,[150] ele recusou-se a oferecer um pedido público de desculpas, dizendo: "É um dos momentos de maior orgulho da história da banda."[151]

Apesar da má impressão a respeito do lançamento, um estudo independente realizado pela Grupo Kantar, fazendo uma seleção de usuários iOS, descobriram que em janeiro de 2015, 23% dos ouvintes musicais se tocava pelo menos uma canção do U2, mais do que qualquer outro artista para esse mês. O estudo também constatou que daqueles que ouviam as músicas da banda, 95% deles tinha acesso de pelo menos uma faixa de Innocence.[152]

Innocence + Experience Tour[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Innocence Tour
Performance da banda durante a noite de abertura da turnê, no Rogers Arena, em maio de 2015.

Após o lançamento do álbum, a banda embarcou na turnê mundial Innocence Tour. Foi a primeira vez que o grupo tocou em arenas, desde a turnê Vertigo Tour.[153] 76 shows foram planejados, inaugurando no dia 14 de maio de 2015 no Rogers Arena, localizado na cidade de Vancouver, no Canadá; e finalizando em 7 de dezembro do mesmo ano no AccorHotels Arena, em Paris, na França.[154][155][156] A turnê incluiu duas etapas: A primeira na América do Norte consistindo de maio a julho; e a segunda na Europa, de setembro a dezembro.[153][157][158] Os shows foram agendados em pares para cada mercado devido o setlist alternativo — "Innocence para a primeira parte e Experience para a segunda".[159] No entanto, a banda decidiu alterar seus planos por receio de decepcionar os frequentadores assíduos de seus concertos, com as diferenças entre os setlists. Em vez disso, o grupo estruturou seus shows em torno de uma narrativa solta de "inocência" e passando para a "experiência", com um conjunto fixo de canções dos primeiros sets de cada show e um segundo set variável, separadas por um intervalo.[160]

O palco abrangia um comprimento do andar local, sendo dividido em três partes: Um segmento retangular que iluminava como uma letra "i" para representar "inocência"; um palco circular menor que iluminava como uma letra "e", representado por "experiência"; e uma passagem entre elas para representar a transição entre os dois temas.[160] Uma grande e retangular tela de vídeo foi suspendida e paralela com a passagem; a estrutura dispõe de telas de vídeo sobre os dois maiores rostos dos integrantes e uma passarela interior entre elas fazendo com que os membros da banda tocassem em meio a projeções de vídeo.[161][162] O sistema de som foi movida para as extremidades de cada local onde tocavam e dispostos em uma matriz oval na esperança de melhorar a acústica, distribuindo uniformemente o som em toda a arena.[160] O cenógrafo Willie Williams, responsável pelo jogo de luzes e iluminações da turnê U2 360° Tour, foi o mesmo designer da Innocence Tour.[163] Ao todo, a turnê arrecadou 152,2 milhões de dólares e mais de 1,29 milhões de ingressos vendidos apenas em 2015.[164] Os dois shows de encerramento da turnê em Paris, foram remarcadas propositalmente devido aos ataques de novembro de 2015, sendo filmada pela rede de televisão americana HBO,[165][166] sendo confirmado o lançamento do filme-concerto Innocence + Experience: Live in Paris (2016).[167]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as letras escritas por Bono e The Edge, todas as músicas compostas por U2.

N.º TítuloProdutor(es) Duração
1. "The Miracle (of Joey Ramone)"  Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder 4:16
2. "Every Breaking Wave"  Danger Mouse, Tedder, Declan Gaffney(a) 4:13
3. "California (There Is No End to Love)"  Gaffney, Epworth, Danger Mouse 4:00
4. "Song for Someone"  Tedder, Flood 3:47
5. "Iris (Hold Me Close)"  Epworth, Tedder, Danger Mouse(a) 5:20
6. "Volcano"  Gaffney, Epworth(a) 3:15
7. "Raised by Wolves"  Gaffney, Danger Mouse 4:06
8. "Cedarwood Road"  Danger Mouse, Epworth 4:26
9. "Sleep Like a Baby Tonight"  Danger Mouse 5:02
10. "This Is Where You Can Reach Me Now"  Danger Mouse 5:06
11. "The Troubles" (com participação de Lykke Li)Danger Mouse, Gaffney(a) 4:46
Duração total:
48:11
Notas
  • ↑(a) Denota um produtor adicional.

Gráficos e certificações[editar | editar código-fonte]

Certificações[editar | editar código-fonte]

País Certificação Vendas
 Áustria (IFPI Áustria)[224] Ouro 7.500x
 Brasil (ABPD)[225] Ouro 20.000*
Flag of Spain.svg Espanha (PROMUSICAE)[226] Ouro 20.000^
 Itália (FIMI)[227] 2× Platina 100.000*
 Polónia (ZPAV)[228] 2× Platina 40.000*
 Reino Unido (BPI)[229] Prata 60.000^
^Valores enviados com base em certificação individual
*Números de vendas com base em certificação individual
xNúmeros não especificados com base em certificação individual

Créditos[editar | editar código-fonte]