Aliança Democrática (Brasil)

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A Aliança Democrática foi um pacto promovido entre políticos de vários partidos para tentar vencer a eleição presidencial brasileira de 1985, mais especificamente entre a agremiação Frente Liberal (FL) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O pacto foi bem-sucedido, resultando na eleição indireta da chapa Tancredo NevesJosé Sarney para presidente e vice-presidente da República, respectivamente.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Passada a derrota da emenda pela eleição direta a presidente da República — emenda Dante de Oliveira — a 25 de abril de 1984, diversos setores se mobilizaram para tentar legitimar o colégio eleitoral que se reuniria a 15 de janeiro de 1985. A composição do colégio era a seguinte: PDS, 361; PMDB, 273; PDT, 30; PTB, 14; e PT, 8 votos.1 O PDS tinha, portanto, maioria absoluta. No partido, três candidatos disputavam a indicação: Paulo Maluf, Mário Andreazza e Aureliano Chaves. O primeiro lançara-se em campanha com métodos polêmicos. O presidente do PDS, José Sarney, propôs a realização de prévias eleitorais. Desautorizado pelo presidente da República, João Figueiredo, o senador maranhense afastou-se do partido, em reunião na qual agentes de Maluf tentaram impor-se pela força, no dia 11 de junho de 1984.2

A posição de Figueiredo era vista como resultado do desejo de concretizar proposta de Leonel Brizola, de prorrogação de seu mandato por dois anos, seguida de eleições diretas. Mas Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, que disputava com Ulysses Guimarães3 a indicação do PMDB, mobilizou-se mais rápido, fechando a articulação para viabilizar a sua candidatura.

A Aliança Democrática[editar | editar código-fonte]

Logo em seguida à crise do PDS, um grupo formado por Aureliano Chaves, Marco Maciel, Jorge Bornhausen e José Sarney reuniu-se na chamada Frente Liberal e decidiu apoiar Tancredo. A candidatura deste último foi apoiada por todos os governadores do Nordeste (menos Wilson Braga, da Paraíba) e por Antônio Carlos Magalhães e outras lideranças que foram à convenção do PDS — onde Maluf venceu Andreazza por 439 a 350 votos. A 18 de julho,4 em nome dos dissidentes, Aureliano Chaves formalizou o apoio do grupo a Tancredo e a indicação de José Sarney para compor a chapa como candidato a vice-presidente.

A Aliança Democrática foi lançada em manifesto ("Compromisso com a Nação") no dia 7 de agosto de 1984.5 A 12 de agosto, na convenção do PMDB, a chapa foi consagrada (Tancredo, 656 a 32, Sarney, 543 a 143).

A candidatura da Aliança Democrática enfrentou os mesmos métodos de Maluf que haviam caracterizado a campanha interna no PDS. Os eleitores “malufavam” sob a suspeita de corrupção ostensiva.6 O trabalho da Aliança Democrática, no entanto, era de políticos muito experientes, lideranças que haviam passado pelas crises do regime de 1945 e pelos "anos de chumbo". No dia 15 de janeiro de 1985 reuniu-se o colégio eleitoral para eleger o presidente e o vice-presidente da República e o resultado foi exatamente o previsto pela equipe de Tancredo: 480 a 180 votos.

Resultados e desdobramentos[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de março, véspera da posse do novo governo, Tancredo Neves foi internado com sintomas de apendicite. No dia 15 de março tomou posse o vice-presidente, José Sarney. Por mais de um mês, alongou-se a agonia de Tancredo, atingido por uma infecção generalizada. No dia 21 de abril, o mais solene de Minas Gerais, o presidente eleito não resistiu. Seu enterro foi o pico da comoção nacional acumulada.

O símbolo da vitória da Aliança Democrática é a presença, na mesa presidencial, do "Compromisso com a Nação". O sucessor de Tancredo Neves, José Sarney, cumpriu todos os pontos daquela proposta, a começar pelas eleições diretas para todos os cargos, legalização dos partidos e convocação da assembléia constituinte, concretizando a transição democrática no Brasil.

Referências

  1. Ronaldo Costa Couto, História Indiscreta da Ditadura e da Abertura, p. 348.
  2. Idem, p. 352, para narrativa da reunião por José Sarney.
  3. Idem, p. 367.
  4. Idem, p. 360.
  5. Paulo Bonavides, "História Constitucional do Brasil", p. 787-793.
  6. Ronaldo Costa Couto, "História Indiscreta da Ditadura e da Abertura", p. 371.