José Manuel Durão Barroso

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José Manuel Durão Barroso
José Manuel Durão Barroso
Primeiro-ministro de  Portugal
Mandato 6 de abril de 2002
até 17 de julho de 2004
Antecessor(a) António Guterres
Sucessor(a) Pedro Santana Lopes
Mandato 23 de novembro de 2004
Antecessor(a) ItáliaRomano Prodi
Sucessor(a) Luxemburgo Jean-Claude Juncker[1]
Vida
Nascimento 23 de março de 1956 (58 anos)
Lisboa
Dados pessoais
Primeira-dama Margarida Sousa Uva
Partido PCTP/MRPP (de 1976 a 1980)
PSD (desde 1980)
Religião Católica Romana
Profissão Jurista e Professor Universitário
Assinatura Assinatura de José Manuel Durão Barroso

José Manuel Durão Barroso GCC (Lisboa, São Jorge de Arroios, 23 de março de 1956) é um político e professor português, actual presidente da Comissão Europeia, cargo que ocupa desde Novembro de 2004. Em Portugal, foi sub-secretário do Ministério dos Assuntos Internos, em 1985, e ministro dos Negócios Estrangeiros em 1992. Entre 2002 e 2004, ocupou o cargo de primeiro-ministro da República Portuguesa. A 23 de novembro de 2004, Durão Barroso assumiu as funções de Presidente da Comissão Europeia, tendo sido reconduzido no cargo em Novembro de 2009, após ter sido reeleito pelo Parlamento Europeu a 16 de Setembro.[2]

Família[editar | editar código-fonte]

É filho de Luís António Saraiva Barroso (Rio de Janeiro, Santa Ana, 22 de junho de 1922), transmontano de origem, e de sua mulher (casados no Peso da Régua, Peso da Régua, a 4 de fevereiro de 1952), Maria Elisabeth de Freitas Gomes Durão (Vila Real, Folhadela, 19 de dezembro de 1922 - Lisboa, 16 de abril de 2010), irmão de Luís José Durão Barroso e sobrinho materno de Diamantino Durão.

Formação e início de carreira[editar | editar código-fonte]

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, após o 25 de Abril de 1974, obteve depois o grau de mestre em Ciências Económicas e Sociais, pelo Instituto Europeu da Universidade de Genebra (Institut Européen de l'Université de Genève). Desenvolveu uma carreira académica como Assistente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo passado pelo Departamento de Ciência Política da Universidade de Georgetown (em Washington), onde efectuou trabalho de pesquisa no âmbito do seu nunca concluído doutoramento. De regresso a Lisboa, Durão Barroso foi Professor Auxiliar, apesar de não possuir o grau de Doutor, e director do Departamento de Ciência Política da Universidade Lusíada de Lisboa.

Participou na reunião de Bilderberg de 1994, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros do XII Governo Constitucional. Um ano depois estava a candidatar-se à liderança do partido. Perdeu para Fernando Nogueira, mas a sorte acabou por o bafejar, porque Nogueira foi derrotado nas legislativas por António Guterres (num ciclo político muito desfavorável ao PSD). Durão, entretanto agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a 8 de Junho de 1996,[3] ficou como reserva e tornou-se líder social-democrata em 1999, quando Marcelo Rebelo de Sousa saiu. Apesar de ter perdido as legislativas de 1999 para António Guterres, não se deu por vencido, ficando célebre a sua frase «tenho a certeza que serei primeiro-ministro, só não sei é quando». O seu vaticínio acabou por confirmar-se, tornando-se primeiro-ministro do XV Governo Constitucional em 2002, um governo de coligação PSD-CDS.

Em 2003, voltou a estar presente no clube de Bilderberg, na qualidade de primeiro-ministro. Em meados de 2004 era designado presidente da Comissão Europeia. Voltou a participar na reunião deste ano de 2005 de Bilderberg, que teve lugar na Alemanha, na qualidade de presidente da Comissão. Participou também da última reunião do grupo na Grécia de 14 a 16 de Maio de 2009.[4]

O início da actividade política[editar | editar código-fonte]

A sua actividade política teve início nos seus tempos de estudante, antes da Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. Foi um dos líderes da FEM-L (Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas), do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), força política de inspiração maoísta. Durão Barroso foi expulso do MRPP depois de ter demonstrado uma série de atitudes que atentavam contra os princípios pelos quais o partido se movia; por exemplo: A situação em que Durão Barroso surge na sede do PCTP/MRPP com uma carrinha cheia de mobília da Faculdade de Direito de Lisboa, roubada na sequência dos tumultos pós 25 de Abril. Nesse instante, Arnaldo Matos (líder do partido) ordena a Durão Barroso que vá devolver o material roubado.

Em 1980, Durão Barroso aderiu ao Partido Social Democrata, partido do centro-direita português, no qual está filiado até hoje.

Alguns factos marcantes[editar | editar código-fonte]

Santana Lopes, secretário de estado da cultura, falou insistentemente a Cavaco Silva, então primeiro-ministro, do que considerava a extrema inteligência de Durão Barroso e que este merecia um lugar no governo. Cavaco convidou-o para ser sub-secretário de Estado no Ministério de Assuntos Internos, cargo que ocupou de 1985 a 1987. Rapidamente foi nomeado secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação (1987-1992) e depois ministro dos Negócios Estrangeiros (1992-1995).

Em 1990 ele foi o principal promotor dos acordos de Bicesse, que levaram a um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA de Jonas Savimbi. Foi também um divulgador no panorama político internacional da causa da independência de Timor-Leste, ex-colónia portuguesa invadida a 7 de dezembro de 1975 pela Indonésia e considerada por este país como a sua 27ª província.

Em 1993 o World Economic Forum refere-se a Durão Barroso com um dos "Global leaders for tomorrow" e considera-o um "political star".

Governação[editar | editar código-fonte]

Durão Barroso (à esquerda) enquanto primeiro-ministro de Portugal num encontro na Casa Branca com o então presidente dos EUA George W. Bush

Na oposição, Durão Barroso foi eleito deputado por Lisboa à Assembleia da República em 1995 e foi o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros. Foi eleito Presidente da Comissão Política Nacional do PSD 1999 no XXI Congresso Nacional do PSD que teve lugar em Coimbra, no Pavilhão da Académica, de 30 de abril de 1999 a 2 de maio de 1999, tendo-se tornado então o líder da oposição.

Nas eleições lesgistivas de 2002 conseguiu com o PSD alcançar uma maioria relativa no Parlamento. Formando uma coligação pós-eleitoral com o CDS-PP alcançou uma maioria absoluta que lhe permitiu formar governo com estabilidade.

A 6 de abril de 2002, Durão Barroso tornou-se o 160º primeiro-ministro de Portugal. Como primeiro-ministro destacou-se pela política de contenção da despesa pública (tendo como Ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite) e pelo apoio à invasão do Iraque em 2003, uma decisão que, de acordo com as sondagens, era contrária à opinião da grande maioria dos portugueses. Em 31 de Março de 2004, inaugura em Cabo Ruivo a nova sede da Rádio e Televisão de Portugal.

A mudança para Bruxelas[editar | editar código-fonte]

A 29 de junho de 2004, Barroso anunciou a sua demissão, para assumir o cargo de 12º presidente da Comissão Europeia, remodelada e com mais poderes, sucedendo neste cargo a Romano Prodi, depois de o seu governo ter, durante bastante tempo, apoiado António Vitorino (socialista, da oposição) como candidato português para este cargo. Esta escolha foi feita por unanimidade pelos executivos dos 25 estados-membros da União nessa data, após uma reunião extraordinária do Conselho Europeu.

O Parlamento Europeu deu o seu aval a esta nomeação em 22 de julho de 2004, com 413 votos em 711 (251 contra e 44 abstenções, 3 nulos).[5] Deveria ser conduzido no cargo a 1 de novembro de 2004, para um mandato de cinco anos. No entanto, devido a não ter conseguido reunir os apoio necessários junto do Parlamento Europeu para a aprovação da lista de comissários, a 27 de outubro de 2004, Durão Barroso pediu que a votação fosse adiada para data posterior. Finalmente, a 23 de novembro a sua equipa comissarial foi aprovada pelo Parlamento Europeu.

A primeira Comissão Barroso[editar | editar código-fonte]

A Comissão deveria ter entrado em funções no dia 1 de novembro de 2004 mas, devido à oposição do Parlamento Europeu quanto à escolha de alguns comissários, Barroso viu-se obrigado a esperar. O nome de Rocco Buttiglione para Vice-Presidente e Comissário para a Justiça, Liberdade e Segurança foi trocado pelo de Franco Frattini; Ingrida Udre, que foi proposta pela Letónia para a Fiscalidade e união alfendegária foi substituída pelo húngaro László Kovács que tinha sido originariamente proposto para a Energia.

Tido como próximo do liberalismo económico, foi muito criticado por parte da imprensa europeia de esquerda.[6]

Teve de afrontar em 2005 o «não» à Constituição Europeia de franceses e neerlandeses, que se expressaram em referendo.[7] Declara pouco depois destes votos negativos que não está pessimista e acredita no futuro da União[8] e continua a sua política de aproximação da Europa em relação aos cidadãos.

Apoiou a proposta de Nicolas Sarkozy de fazer um tratado modificado (Tratado de Lisboa) mas recusa a designação de tratado simplificado.

A reeleição[editar | editar código-fonte]

Em 16 de setembro de 2009, Durão Barroso foi reeleito com a maioria absoluta dos votos no Parlamento Europeu.[2]

A vida familiar[editar | editar código-fonte]

Durão Barroso casou em Lisboa, , a 28 de setembro de 1980 com Maria Margarida Pinto Ribeiro de Sousa Uva (Lisboa, Santa Maria de Belém, 25 de novembro de 1955), filha de Luís Fernando Bravo de Sousa Uva (Faro, , c. 1926) e de sua mulher Maria Susana Teixeira de Azevedo Pinto Ribeiro (Lisboa, Anjos, c. 1929) e irmã de Isabel Luísa Pinto Ribeiro de Sousa Uva, com quem tem três filhos: Guilherme de Sousa Uva Durão Barroso, Francisco de Sousa Uva Durão Barroso e Luís de Sousa Uva Durão Barroso.

Condecorações[3] [editar | editar código-fonte]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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Durante a campanha eleitoral de 2002, a esposa de Durão Barroso, Margarida Sousa Uva, dedicou publicamente ao marido um excerto do poema "sigamos o cherne" de Alexandre O'Neill, pretendendo destacar as capacidades de liderança do marido:

Sigamos o cherne, minha amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria…

Este momento teve amplo eco na comunicação social, sendo a alcunha de "Cherne" posteriormente utilizada com fins humorísticos, especialmente por parte da oposição.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

  1. Jornal de Notícias. Juncker eleito presidente da Comissão Europeia 15 de julho de 2014. Visitado em 11 de outubro de 2014.
  2. a b Durão Barroso reeleito presidente da Comissão Europeia por maioria absoluta Jornal Público. Visitado em 16 de setembro de 2009.
  3. a b Ordens Honoríficas Portuguesas Presidência da República Portuguesa Ordens.presidencia.pt.
  4. Greek nationalists protest Bilderberg Club meeting Associated Press Google.com (17 de maio de 2009). Visitado em 17 de maio de 2009.
  5. Élection de José Manuel Durão Barroso par les eurodéputés Foot2004.rtbf.be.
  6. Barroso, le portrait qui a déplu (em francês) Les Coulisses de Bruxelles, Bruxelles Bruxelles.blogs.liberation.fr (4 de julho de 2007).
  7. M. Barroso enterre la Constitution et veut « remettre l'UE au travail », Le Monde, Paris, 23 de setembro de 2005
  8. Discurso de José Manuel Barroso e o balanço da presidência luxemburguesa do Conselho da UE, Bruxelas (em francês) ENA, Histoire de la construction européenne en ligne Ena.lu (22 de junho de 2005).
Precedido por
António Guterres
Primeiro-ministro de Portugal
(XV Governo Constitucional)
20022004
Sucedido por
Pedro Santana Lopes
Precedido por
Romano Prodi
Presidente da Comissão Europeia
2004 – actualidade
Sucedido por
Jean-Claude Juncker
Precedido por
Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente do PSD
19992004
Sucedido por
Pedro Santana Lopes
Precedido por
João de Deus Pinheiro
Ministro dos Negócios Estrangeiros
XII Governo Constitucional
Sucedido por
Jaime Gama
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