Ilyushin Il-2

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Translation Latin Alphabet.svg
Este artigo está a ser traduzido de en:Ilyushin Il-2 (desde novembro de 2012). Ajude e colabore com a tradução.
Il-2
Ilyushin Il-2 Sturmovik
Descrição
Fabricante Ilyushin
Primeiro voo 2 de Outubro de 1939
Entrada em serviço 1941
Missão Aeronave de ataque ao solo
Tripulação 2
Dimensões
Comprimento 11,6 m
Envergadura 14,6 m
Altura 4,2 m
Área (asas) 38,5 m²
Peso
Tara 4.360 kg
Peso total 6.160 kg
Propulsão
Motores 1x Mikulin AM-38F V-12 refrigerado a água
Performance
Velocidade máxima 414 km/h
Alcance 720 km
Tecto máximo 5.500 m
Relação de subida 10,4 m/s
Armamento
Metralhadoras 2 metralhadoras fixas na dianteira, 7.62 mm ShKAS
1 metralhadora operada manualmente na parte traseira da cabine, 12.7 mm Berezin UBT, 150 projéteis
Notas
Até 600 kg de bombas ou 8 foguetes RS-82 + 4 foguetes RS-132
2 canhões fixos na dianteira calibre 23 mm, VYa-23

O Ilyushin Il-2 (Cirílico Илью́шин Ил-2) foi uma aeronave de ataque ao solo (Shturmovik) na Segunda Guerra Mundial, produzido pela extinta União Soviética em grande escala. Em combinação com seu sucessor, o Ilyushin Il-10, um total de 42.330[1] foram construídos, sendo desta forma a aeronave militar mais produzida de toda a história, estando entre as aeronaves mais produzidas do mundo, junto com o avião civil Cessna 172 e o biplano soviético Polikarpov Po-2, visto algumas vezes lado a lado com o Il-2 nas linhas de frente. O Shturmovik é considerado o melhor avião de ataque ao solo da Segunda Guerra Mundial.[2] Era excelente contra tanques de guerra com sua precisão quando bombardeava em mergulho, além da possibilidade de penetração de seus projéteis na fina blindagem na parte de cima do tanque.[3]

Para os pilotos do Il-2, a aeronave era conhecido como o diminutivo "Ilyusha". Para os soldados em solo, era conhecido como "Corcunda", "Tanque voador" ou ainda "Soldado de infantaria voador". Entretanto, ficou conhecido após a guerra como "Bark".[4] O Il-2 teve participação crucial na Frente Oriental. Joseph Stalin também reconheceu o Il-2 de sua própria e inimitável maneira: quando a produção de uma fábrica em particular estava atrasada em suas entregas, Stalin enviou um telégrafo com palavras duras ao gerente da fábrica, declarando que "Essas aeronaves são tão essenciais para o Exército Vermelho quanto o ar e pão." [5]

Projeto e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Il-2M no Museu Nacional de Aviação em Krumovo, Bulgária

A idéia de uma aeronave de ataque ao solo blindada já vinha do começo dos anos 1930, quando Dmitry Pavlovich Grigorovich projetou os biplanos blindados TSh-1 e TSh-2. Entretanto, os motores soviéticos da época não tinham potência suficiente para prover energia suficiente para aeronaves pesadas, para se alcançar uma boa performance. O Il-2 foi projetado por Sergey Ilyushin e sua equipe em 1938. O protótipo, TsKB-55 foi uma aeronave de dois assentos com uma blindagem pesando 700 kg, protegendo a tripulação, o motor, radiadores, e o tanque de combustível. Carregado, o Ilyushin pesava mais de 4,700 kg,[6] , sendo o peso da blindagem cerca de 15% do peso total da aeronave. Aeronave utilizada exclusivamente na Segunda Guerra Mundial, e projeto de fuselagem dianteira similar ao alemão Junkers J.I, foi construída inteiramente de metal, a blindagem do Il-2 foi projetada como parte da estrutura monocoque da Ilyushin, desta forma reduzindo consideravelmente o peso. O protótipo TsKB-55, que voou pela primeira vez em 2 de Outubro de 1939,[6] ganhou a competição contra o Sukhoi Su-6 e recebeu a designação da Força Aérea Soviética como BSh-2. Os protótipos - TsKB-55 and TskB-57 - foram construídos na fábrica nº 39 em Moscou, onde era a base da engenharia da Ilyushin na época.

O BSh-2 era pesado demais e tinha potência de menos, com o motor Mikulin AM-35 de 1.022 kW (1.370 hp) projetado para dar sua potência máxima em altas altitudes. por este motivo, foi reprojetado como TsKB-57, um projeto mais leve com um único assento, com o mais potente Mikulin AM-38 com 1,254 kW (1,680 hp), uma melhoria do AM-35 otimizado para operação em níveis mais baixos.[7] O TsKB-57 voou pela primeira vez em 12 de Outubro de 1940.[6] As aeronaves de produção passaram nos testes de aceitação do estado em Março de 1941, e foi então designado como Il-2 em Abril do mesmo ano.[8] As entregas para as unidades em operação começaram em Maio de 1941.[9]

Descrição técnica[editar | editar código-fonte]

O Il-2 é um monoplano de asa baixa, monomotor à pistão, para dois tripulantes (apenas um nas versões mais antigas), projetados especialmente para operações de "assalto". Sua característica mais notável foi a inclusão de blindagem na fuselagem, protegendo os tripulantes, o motor, radiadores de água e de óleo e também os tanques de combustível.

Produção[editar | editar código-fonte]

O Il-2 foi produzido em enormes quantidades, se tornando a aeronave militar mais produzida na história da aviação, mas apenas 249 foram construídas quando a Alemanha Nazi invadiu a União Soviética em 22 de Junho de 1941.[9]

A produção no começo foi devagar, pois após a invasão alemã, as fábricas de aeronaves ao redor de Moscou foram movidas ao leste dos Montes Urais. A Ilyushin e seus engenheiros tinham então tempo para reconsiderar os métodos de produção, e apenas dois meses após a mudança, os Il-2 já voltaram a ser produzidos. Entretanto, isso não foi suficiente para Stalin, que chegou a mandar o seguinte telegrama para Shenkman e Tretyakov:

Você decepcionou seu país e o Exército Vermelho. Você tem coragem de não ter fabricado nenhum IL-2 até agora. Nosso exército vermelho precisa do IL-2 como o ar que respira, como o pão que come. Shenkman produz um IL-2 por dia e Tretyakov constrói um ou dois MiG-3 diariamente. Isso é um escárnio para nosso país e para o Exército Vermelho. Peço que não testem a paciência do governo, e solicito que construa mais Il's. Este é meu aviso final.
Stalin[5]

Como resultado, a produção dos Shturmoviks ganharam velocidade rapidamente. A citação de Stalin comparando o Il-2 como pão para o Exército Vermelho tomou conta das fábricas da Ilyushin e logo o exército recebeu seus Shturmoviks em quantidade.[10] [11]

Histórico operacional[editar | editar código-fonte]

Il-2 no Museu da Força Aérea Polaca em Varsóvia.

Uso inicial e confusão operacional[editar | editar código-fonte]

A primeira utilização do Il-2 em ação foi com o 4º ShAP (Regimento de Ataque ao Solo), sobre o Rio Berezina dias após o início da invasão.[12] A aeronave era tão nova que os pilotos não haviam recebido treinamento em voo de características da aeronave e táticas de ataque, e a tripulação de solo também não recebeu treinamento para recarregar e abastecer. O treinamento recebido permitiu aos pilotos apenas decolar e pousar, pois nenhum dos pilotos chegou a atirar.[carece de fontes?] Haviam 249 Il-2 disponíveis para voo em 22 de Junho de 1941. Nos três primeiros dias, o 4º ShAP perdeu 10 Il-2 por ação do inimigo, e outros 19 foram perdidos por outras causas, e 20 pilotos foram mortos.[13] Em 10 de Julho, o 4º ShAP tinha apenas 10 aeronaves, de um total de 65 recebidas.[14]

Novas táticas[editar | editar código-fonte]

As táticas melhoraram quando a tripulação soviética começou a utilizar o poder dos Il-2. Ao invés de aproximar horizontamente e baixo, a 50 metros de altitude, o alvo era normalmente mantido à esquerda do piloto e era feita uma curva e um mergulho de 30 graus, usando um ataque escalonado de 4 a 12 aeronaves de uma vez. Apesar dos foguetes do Il-2 (RS-82 e RS-132) terem a capacidade de destruir veículos blindados com um único tiro, eles eram tão imprecisos que os pilotos experientes preferiam utilizar os canhões.[15] Outra arma poderosa do Il-2 era o PTAB, um tipo de bomba (protivotankovaya aviabomba, "bomba de aviação anti-tanque"). Eram designados PTAB-2.5-1.5, pois tinham o tamanho de uma bomba de 2.5 kg, mas pesavam apenas 1.5 kg devido ao espaço vazio na bomba. Eram carregados até 192 dessas bombas em quatro carregadores externos ou até 220 se utilizada a parte ventral da fuselagem. A bomba podia facilmente penetrar a blindagem relativamente fina da parte de cima de todos os tanques alemães. Os PTAB's foram utilizados em larga escala pela primeira vez na Batalha de Kursk.

Subsequentemente, o Il-2 foi amplamente utilizado no Frente Oriental. A aeronave conseguia voar em condições de pouca luz e carregar munição suficiente para destruir a blindagem dos tanques Panther e Tiger I. Eram também capazes de se defender contra caças inimigos, abatendo eventualmente um Messerschmitt Bf 109.

Eficiência como avião de ataque[editar | editar código-fonte]

Il-2's soviéticos atacando uma coluna alemã durante a Batalha de Kursk

As verdadeiras capacidades do Il-2 são de difícil determinação das poucas evidências que foram deixadas. W. Liss em Aircraft profile 88: Ilyushin Il-2 menciona o envolvimento da aeronave na Batalha de Kursk em 7 de Julho de 1943, na qual 70 tanques de guerra da 9ª divisão alemã foram destruídas pelo Ilyushin Il-2 em apenas 20 minutos.[16] Entretanto, no dia 1 de Julho de 1943, a 9ª divisão de tanques alemã tinha apenas um total de 83 tanques e veículos blindados disponíveis, que continuou em ação por mais de três meses, com a maioria de seus tanques ainda intactos.[17]

Em outro reporte soviético desta ação, uma publicação soviética afirma que:

As forças em solo são de grande valor para a aviação no campo de batalha. Por muitas vezes os ataques inimigos foram frustrados graças as nossas operações aéreas. Deste modo, em 7 de Julho os ataques de tanques inimigos foram interrompidos na região de Kashara. Aqui, nossas aeronaves de ataque realizaram três poderosos ataques em grupos de 20 a 30, resultando na destruição de 34 tanques. O inimigo foi forçado a interromper novos ataques e recuar com os remanecentes de suas forças ao norte de Kashara.
Glantz and Orenstein 1999, p. 260.

Outros reportes soviéticos sobre a Batalha de Kursk, sugeriam que os Sturmoviks destruíram mais de 270 tanques de guerra e milhares de homes em um período de apenas duas horas contra a 3ª divisão de tanques alemã.[18] Novamente, em primeiro de Julho, pouco antes do início da Operação Cidadela, a 3ª divisão de tanques alemã tinha apenas 90 tanques de guerra e veículos blindados, sendo 180 a menos do que os soviéticos disseram ter sido destruídos pelos Sturmoviks[19] e no dia 11 de Julho, a divisão ainda mantinha 41 tanques de guerra operacionais.[20]

Referências

  1. Jane's 1989, pág. 529.
  2. Matricardi 2006, pág. 284.
  3. Aircraft in Profile 1970, pág. 191.
  4. Gunston 1995, pág. 106.
  5. a b Hardesty 1982, pág. 170.
  6. a b c Gunston 1995, pág. 104.
  7. Green and Swanborough 1980, p. 2.
  8. Gunston 1995, pp. 105–106.
  9. a b Green and Swanborough 1980, p. 3.
  10. Austerslått, Tor Willy. "Ilyushin Il-2." break-left.org, 2003. Acessado em: 07 de Novembro de 2012.
  11. Goebel, Greg.
  12. Gordon, Komissarov e Komissarov 2004, pág. 38.
  13. Bergstrom 2007, pág. 26. Cites document "TsAMO f. 319, op.4799d.25." Russian Central Military Archive at Podolsk.
  14. Shores 1977, pág. 73.
  15. Shores 1977, pp. 72–82.
  16. Liss 1966
  17. Jentz 1996, p. 79.
  18. Crosby 2006, pág. 365.
  19. Jentz 1996, p. 78.
  20. Glantz and House 1999, pág. 353.


Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Imagens e media no Commons