Marciano

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Marciano
Imperador bizantino
Solidus Marcian RIC 0509.jpg
Soldo de Marciano celebrando as suas vitórias.
Governo
Reinado 25 de agosto de 45027 de janeiro de 457
Consorte Esposa de nome desconhecido
Pulquéria
Antecessor Teodósio II
Sucessor Leão I, o Trácio
Dinastia Dinastia Teodosiana
Vida
Nome completo Flávio Marciano
Flavius Marcianus
Nascimento 392
Ilíria ou Trácia
Morte 27 de janeiro[1] de 457 (65 anos)
Sepultamento Igreja dos Santos Apóstolos, Constantinopla
Filhos Da esposa de nome desconhecido:
Márcia Eufêmia
São Marciano
Soldo de Marciano
Nascimento 392
Morte 27 de janeiro[1] de 457 (65 anos)
Veneração por Igreja Católica; Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 17 de fevereiro, juntamente com Santa Pulquéria
Polêmicas Controvérsia monofisita
Gloriole.svg Portal dos Santos

Flávio Marciano, em latim Flavius Marcianus, (39227 de janeiro [1] de 457), foi imperador romano do Oriente de 450 até sua morte. O governo de Marciano marcou a recuperação do Império do Oriente, já que o imperador o protegeu de ameaças externas e reformou-o economicamente e financeiramente. Por outro lado, a política de isolamento de Marciano deixou o Império Romano do Ocidente, sem ajuda contra os ataques bárbaros, que se materializaram nas campanhas italianas de Átila e no saque vândalo de Roma (455).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Marciano nasceu em 392[2] em Illyricum[3] (na Ilíria) ou na Trácia.[4] Filho de um soldado, ele passou seus primeiros anos de vida como um soldado desconhecido, membro de uma unidade militar localizada em Philippopolis (atual Plovdiv)[4] (Trácia). Marciano foi enviado com sua família para uma guerra contra os sassânidas (provavelmente a Guerra Romano-Sassânida de 421-422)[5] , mas ao longo da estrada do leste ele adoeceu na Lícia;[6] [7] neste momento ele já pode ter sido tribuno e comandante de sua unidade.[5]

Após se recuperar de sua doença, ele foi para Constantinopla, onde atuou por quinze anos como doméstico sob o comando dos generais Ardabúrio e Aspar.[6] [8] Em 431/434 enquanto combatia na África sob Aspar, Marciano foi preso pelo vândalos perto de Hipona. Segundo uma lenda posterior, foi trazido perante o rei Genserico (428-477), que soube por um presságio que Marciano deveria se tornar imperador, e foi solto sob juramento de nunca mais pegar em armas contra os vândalos.[4] [9]

Através da influência destes generais, tornou-se capitão de guarda, e mais tarde foi elevado a categoria de senador. Com a morte de Teodósio II (450), ele foi escolhido para consorte pela irmã do último, Pulquéria,[4] [10] sendo chamado para governar um império humilhado e empobrecido pelas incursões dos hunos. Quando à sua ascensão ao trono, Marciano já estava com 58 anos.[11]

Governo[editar | editar código-fonte]

Genserico saqueando Roma, por Karl Briullov, na Galeria Tretyakov.

Ao tornar-se imperador, Marciano repudiou os constrangedores pagamentos de tributo[10] [12] a Átila, o Huno (434-453), que este costumava receber de Teodósio em troca de não atacar o Império do Oriente. Ciente de que jamais conseguiria tomar Constantinopla, Átila voltou-se para o ocidente e liderou as suas famosas campanhas na Gália em 451 e na Itália em 452, sem molestar o território bizantino.

Marciano reformou as finanças, controlou as extravagâncias e recolonizou os distritos devastados. Repeliu ataques contra a Síria e o Egito (452) e reprimiu distúrbios na fronteira com a Armênia (456). O fato marcante de seu reinado é o Concílio de Calcedônia (451), no qual Marciano procurou mediar os desentendimentos entre as escolas rivais de teologia.

Marciano evitou envolver-se no destino do Império do Ocidente. Ele não fez nada para ajudar o oeste, durante as campanhas de Átila e, fazendo jus a sua promessa, ignorou as depredações de Genserico, mesmo quando os vândalos saquearam Roma em 455. Foi recentemente argumentado, no entanto, que Marciano estava mais ativamente envolvido no auxilio ao Império Ocidental do que os historiadores haviam acreditado e que o envolvimento de Marciano pode ser discernido nos eventos que levaram até, inclusive, a morte de Átila.[13]

Pouco antes da morte de Átila, em 453, este voltava a entrar em conflito com Marciano. O chefe huno viria a falecer antes que uma guerra aberta começasse. Em um sonho, Marciano afirmou que viu o arco de Átila quebrado diante dele, e poucos dias depois, ele recebeu a notícia que seu grande inimigo estava morto.

Marciano, acometido por uma doença (possivelmente gangrena) contraída durante uma peregrinação religiosa, morreu em 27 de janeiro de 457[1] . Foi socorrido por sua filha Eufêmia e por seu genro Antêmio.[14] Foi sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla, juntamente com Pulquéria.[5] [15] A Igreja Ortodoxa considera-o e a sua mulher Pulquéria como santos, celebrados em 17 de fevereiro.

Marciano não tinha um varão para sucedê-lo no trono, tornando, assim, o mesmo vago, no entanto, o general Aspar encarregou-se de ascender como imperador alguém que lhe favorecesse, o militar Leão.[16]

Casamentos[editar | editar código-fonte]

Márcia Eufêmia foi a única filha conhecida de Marciano, e ela era casada com Antêmio, posteriormente imperador romano do Ocidente.[17] A identidade de sua mãe é desconhecida.[14] [18] [19]

Pulquéria foi sua segunda esposa.[4] Ela havia feito um voto de castidade e este casamento foi uma mera aliança política, que instituiu Marciano como um membro da Dinastia teodosiana pelo casamento, nunca tendo sido consumado. Eufemia nunca teve meio-irmãos.[14] [20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Teodósio II
Imperador bizantino
450 - 457
Sucedido por
Leão I, o Trácio


Referências

  1. a b c d Teodoro, o Leitor, 367. Teófanes, o Confessor AM 5949 gives April 30.
  2. Chronicon Paschale, s.a. 457.
  3. Teodoro, o Leitor, 354.
  4. a b c d e Evágrio Escolástico. História Eclesiástica: Fortunes and character of Marcian. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1. , vol. II.
  5. a b c Arnold Hugh Martin Jones, "Marcianus 8", The Prosopography of the later Roman empire: A.D. 260–395, Volume 1, Cambridge University Press, 1987, ISBN 0521201594, p. 714-5.
  6. a b Teófanes, o Confessor, AM 5943
  7. Jorge Cedreno I.63; Zonaras, XIII 24.5.
  8. Procópio, Bellum Vandalicum I.4.7.
  9. Procópio, Bellum Vandalicum I.4.2; Teófanes, o Confessor, AM 5931, 5943; Zonaras, XIII.24.12-16; Jorge Cedreno I.604.
  10. a b trabalho coletivo. Oxford - Grande História do Mundo. Idade Média. Povos Errantes - Merovíngios.. Poznań: [s.n.], 2006. p. 48. vol. 15. ISBN 83-7425-025-9
  11. Warren Treadgold. A history of the Byzantine State and Society (em Inglês). Stanford University Press: [s.n.], 1997. 97 pp. ISBN 0-8047-2630-2
  12. Warren Treadgold. Byzantium and Its Army, 284-1081 (em inglês). Stanford University Press: [s.n.], 1995. 193 pp.
  13. Babcock, Michael A., The Night Attila Died: Solving the Murder of Attila the Hun, Berkley Books, 2005
  14. a b c Geoffrey S. Nathan, "Marcian (450-457 A.D.)"
  15. John Robert Martindale. The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume II, AD 395–527 (em Inglês). Cambridge University Press: [s.n.], 1980. 714-715 pp. ISBN 9780521201599
  16. Warren Treadgold. A history of the Byzantine State and Society (em inglês). Stanford University Press: [s.n.], 1997. 149 pp. ISBN 0-8047-2630-2
  17. Sidônio Apolinário, Carmina II 194-7, 216, 481-482
  18. Charles Cawley. Resenha bibliográfica de Marciano e sua filha em "Terras Medievais" (em inglês). Fmg.ac.
  19. R. B. Stewart. "My Lines: Aelia Marcia Euphemia". Ancestry.com.
  20. Geoffrey Greatrex. Pulcheria (Wife of the Emperor Marcian) (em inglês). Roman-emperors.org.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]