Vale de Fergana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde outubro de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Vista da cidade usbeque de Shakhimardan, no Vale de Fergana.
Vale de Fergana.

O vale de Fergana (em uzbeque: Farg‘ona vodiysi; em quirguiz: Фергана өрөөнү, pronúncia AFI[ferʀɑnɑ œrœːny]; em tajique: водии Фaрғонa, em russo: Ферганская долина, em persa: وادی فرغانه) é uma região fértil da Ásia Central abrangendo o Quirguistão, o Tajiquistão e o leste do Uzbequistão. O vale estende-se por cerca de 22000 km² e é habitado por cerca de 10 milhões de pessoas, um quinto da população total da Ásia Central.

O Vale do Ferghana é considerado o coração do Uzbequistão, um terço da população daquele país vive naquele vale, que contém uma planície que é continuamente fertilizada pela inundação do Rio Syr Darya que nasce na Cordilheira Pamir e forma um vale de cerca de 300 km de comprimento e 170 km de largura, rodeado pelas Montanhas Chatkal (parte da Cordilheira Tian Shan) ao norte, Montanhas Fergana (também parte da Cordilheira Tian Shan) ao leste, e as Montanhas Pamir-Alai (parte da Cordilheira Pamir) ao sul.

É a região mais densamente povoada da Ásia Central[1] .

História[editar | editar código-fonte]

Historicamente, o melhor acesso para os comerciantes e conquistadores ocorreu através do Portão Khodjent no oeste do Vale, onde o rio deixa o vale antes da Estepe da Fome. Tribos invasoras ingressaram na região na Idade do Bronze e se misturaram com os povos agrícolas locais. Pinturas em cavernas no alto das montanhas revelam cenas antigas da caça e da agricultura. A cidade de Khodjent é da época das conquistas de Alexandre, o Grande, em 329 AC, quando foi fundada a nona cidade denominada como Alexandria (Alexandria Eskhate)

No Séculos II AC, o chinês Zhang Qian, considerado o fundador da Rota da Seda, alcançou o vale, depois de uma década de lutas contra povos nômades que promoviam saques nas regiões fronteiriças da China. Zhang buscou estabelecer relações comerciais com os povos que habitavam o Vale e relatou a existência de cultivo de arroz e de trigo, fabricação de vinho de uvas, bons cavalos, cidades fortificadas, várias centenas de milhares de habitantes, capacidade de lutar com arcos e lanças, que podiam ser disparadas a partir de cavalos.

Os cavalos do Vale de Fergana, devido ao seu grande tamanho e velocidade, foram cobiçados pelo Imperador Wudi, da Dinastia Han. Tais cavalos foram importantes para as campanhas militares chinesas que viabilizaram rotas comerciais entre o leste e o oeste, trazendo a seda para a Europa e o vinho para a China. Os sogdianos foram importantes comerciantes naquele setor da Rota da Seda. Os budistas construíram um importante templo em Kuva.

Ocorreu uma invasão árabe, seguida de uma turca e de uma chinesa, depois o vale se tornou a fronteira do Império Samânida. A capital da região foi Kasansay, e depois, sucessivamente: Aksiketh, Uzgen e Andijan, onde vivia um descendente de Tamerlão Babur, o último timúrida e o primeiro mogul, que nasceu em 1483.

A partir do início do Século XIX, o Canato de Kokand se expandiu para além de Vale de Fergana, e se tornou a terceira potência da Ásia Central. O crescimento econômico permitiu o financiamento da educação islâmica e de obras públicas.

Depois a região passou a ser parte do Império Russo e depois da União Soviética. Contra a dominação russa, surgiu o Movimento Basmachi (bandido), que eram mujahidins que lutavam contra os infiéis russos.

Em 1924, a região foi dividida entre três repúblicas soviéticas: o Uzbequistão, o Quirguistão e o Tajiquistão. Na época soviética ocorreu um intenso desenvolvimento agrícola e industrial. Em 1939, foi construído um canal de 270 km em apenas 45 dias, por 180 mil voluntários, e a região se converteu em centro de produção de algodão para a União Soviética.

A independência do Uzbequistão, do Quirguistão e do Tajiquistão, fomentou disputas mesquinhas, que ocasionalmente geraram agressões inter-étnicas.

Ao longo da era soviética as práticas islâmicas sobreviveram fortemente na região e após essa época teve início um financiamento estrangeiro para movimentos islâmicos fundamentalistas[1] .

Enclaves[editar | editar código-fonte]

A fronteira entre os três países que dividem o vale de Fergana é sinuosa e inclui oito enclaves:

  • Barakexclave quirguize no Usbequistão
  • Sarvan – exclave tajique no Usbequistão
  • Vorukh – exclave tajique no Quirguistão
  • Kalacha ocidental - pequeno exclave tajique no Quirguistão
  • So'x – exclave usbeque no Quirguistão
  • Shohimardon - exclave usbeque no Quirguistão
  • Kalacha - exclave usbeque no Quirguistão
  • Dzhangail - exclave usbeque no Quirguistão.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b HISTORY OF FERGHANA VALLEY, em inglês, acesso em 18 de fevereiro de 2015.