Mata dos cocais

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A Mata ou Zona dos Cocais é um interespaço transicional brasileiro, uma floresta ombrófila aberta que fica entre a Floresta amazônica, o Cerrado e a Caatinga, [1] [2] [3] ocupando os estados do Maranhão, Piauí, no Meio-Norte brasileiro, e também em partes do Ceará, Pará e Tocantins. Tem esse nome pela alta quantia de cocais, principalmente o babaçu e a carnaúba.

A cidade de Bom Lugar, no Maranhão.

Área de abrangência[editar | editar código-fonte]

A Mata dos Cocais está situada entre uma zona de transição entre os biomas da Amazônia (no oeste), do Cerrado (no sul) e da Caatinga (no leste), nos estados do Maranhão, centro-norte do Piauí, pequenas porções no extremo oeste do Ceará, leste do Pará e norte do Tocantins, onde há predominância de especies que ocorrem nestas três formações, como o gênero Orbignya por exemplo.

Relevo[editar | editar código-fonte]

A Zona dos Cocais fica assentada em uma estrutura rochosa formada pela Bacia Sedimentar do Parnaíba, possuindo diversas formas de relevo.[4]

Há uma extensa planície no norte maranhense, correspondendo aos terrenos com amplitudes altimétricas inferiores a 200 m, que penetram para o interior, acompanhando os vales dos rios, formando planícies aluviais (Mearim, Itapecuru e Parnaíba).[4]

O planalto abrange as áreas mais elevadas do centro-sul do Estado, com altitudes entre 200 e 800 metros.[4]

Levando em consideração a extensão territorial do Maranhão e observando o mapa de solos do Brasil é possível perceber a variedade de solos desse estado. Por sua posição geográfica, predominam solos tropicais. Pelo predomínio de rochas sedimentares, são grandes as extensões cobertas por latossolos (solos ácidos, na bacia do Tocantins e do Itapecuru), argissolos (médio Mearim e vale do Itapecuru), plintosolos (Leste e Baixada Maranhense), neossolos (Rio Mearim), entre outros.[5]

Nota-se também, em razão do intemperismo e remobilização de óxidos e hidróxidos de alumínio, ferro e manganês, solos de perfil laterítico, como entre os rios Gurupi, Pindaré, Buriticupu, Zutiua e Grajaú. [6]

Vegetação e flora[editar | editar código-fonte]

Palmeiras Babaçu na cidade de Itapecuru-mirim, no Maranhão

Na Mata dos Cocais, prevalece uma vegetação transicional entre o cerrado, a Floresta Amazônica e a Caatinga, rica em palmeiras, em especial o babaçu e a carnaúba.

O poeta maranhense Gonçalves Dias menciona as palmeiras no famoso poema Canção do Exílio, no trecho "Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá".

A floresta de babaçu é um tipo de floresta onde esta palmeira predomina pela sua maior resistência que outras espécies tropicais, ocorrendo nos vales dos rios Parnaíba e Itapecuru. O babaçu é a palmeira de maior importância econômica para o território pelo potencial de seus produtos, em especial para as comunidades tradicionais que coletam os frutos, conhecidas como quebradeiras de coco babaçu.[7]

A palmeira babaçu é protegida por diversas normas, como a lei estadual do Maranhão nº 4.734/86, pela Constituição do Maranhão (artigo 196) e pelas diversas leis municipais do Babaçu Livre.

Outras espécies de palmeiras encontradas na região são a oiticica, o buriti e o açaí (na porção oeste do bioma).

  • As menores altitudes são ricas em espécies nativas de arbustos. Das espécies madeireiras encontradas, destacam-se o angico, canela-de-velho, sapucaia, pau-d’arco, pau-marfim, faveira-de-bolota, sambaíba ou lixeira, candeia, jacarandá, gonçalo-alves, aroeira, olho-de-boi, pau-terra, pau-pombo, maçaranduba, cedro. [7]
    Palmeiras de Buriti. no Maranhão
    As espécies extrativas de uso alimentício e artesanal como o pequi, bacuri, mangaba, açaí, cajuí, araticum, macaúba, anajá, puçá, murici, guabiraba, tucum, araçá, pitomba, mangabeira, pente-de-macaco são espécies de importância econômica para as comunidades tradicionais, mas possuem distribuição irregular e populações reduzidas.[7]
  • Em relação a flora medicinal, foram catalogadas 58 espécies de 31 famílias . Entretanto, essa vegetação original está sendo suprimida por empresas de cana de açúcar e eucalipto, sendo que os municípios Caxias, Aldeias Altas, Coelho Neto e Duque Bacelar são os municípios mais sujeitados a transformação da paisagem pelos monocultivos.[7]

Clima[editar | editar código-fonte]

Palmeiras Babaçu

Esse ecossistema tem diferenças de clima, podendo ser observados três tipos: Equatorial, Tropical semi-úmido e Tropical semi-árido.

  • Equatorial: Abrange 20% do bioma, ocorrendo no extremo oeste, sendo quente e chuvoso, regido pelo deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e pela Massa Equatorial Continental (mEc), ambas com marcante atuação no outono e inverno. Registra-se curto período seco de inverno e parte da primavera, variando de dois a três meses. A pluviosidade gira em torno de 2.000 a 2.500 mm ao ano.[6]
  • Tropical semi-úmido:Com mais de 65% do clima deste bioma, na região central, apresenta um período seco entre cinco a seis meses, entre o inverno e a primavera, em razão de uma influência menos expressiva das massas de ar citadas. O regime pluviométrico é de 1.000 a 1.200 mm ao ano. [6]
  • Tropical semi-árido:Com 15% da ocupação do bioma, é o clima mais seco, ocorrendo no estado do Piauí com precipitação entre 500 a 1000 milímetros.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rio Itapecuru, próximo à cidade de Itapecuru-mirim.
rio Itapecuru

Três bacias hidrográficas exercem influência sobre a região dos Cocais, sendo a mais importante a bacia do Itapecuru, com área de 52.972 km² , correspondente a 16 % do estado do Maranhão, e uma das bacias que forma a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental.

O rio Itapecuru tem seu regime fluvial tropical com variações regionais da pluviosidade. Na parte média e baixa, onde estão situados os municípios do Território dos Cocais, verifica-se maior regularidade das chuvas, caracterizando um regime mais torrencial. Os municípios dos Cocais inseridos na bacia são os seguintes: Aldeias Altas, Caxias, Codó, Coroatá, Timbiras, São João do Sóter, Fortuna, Buriti Bravo e Lagoa do Mato.[7]

A segunda bacia mais importante é a do rio Parnaíba, que forma a Região Hidrográfica do Parnaíba, com área de 331.441,5 km². O Maranhão ocupa 62.936,6 km² da bacia, equivalente a 19,02 % do estado, e os municípios inseridos são os seguintes: Parnarama, Matões, Timon, Caxias, Coelho Neto, Duque Bacelar e Lagoa do Mato.[7] Na margem piauiense, o rio banha as cidades de Floriano, Buriti dos Lopes, a capital do estado, Teresina, dentre outras, e deságua na cidade de Parnaíba, onde forma o Delta das Américas.

A bacia do Munim. com 2.0252 km², também integra a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental, banha a mesorregião do Leste Maranhense e nela estão contidos os municípios: Afonso Cunha, Coelho Neto, Aldeias Altas, Duque Bacelar e Caxias. [7]

Outros rios maranhenses do bioma são os rios Mearim, e seu afluente o rio Pindaré.

Os rios Tocantins e Araguaia, no Cerrado até a Mata dos Cocais, também têm relevância, além do acumulo do aquífero Tocantins-Araguaia.

Essas bacias hidrográficas são importantes tanto pelo abastecimento das cidades próximas das margens dos rios quanto para o aproveitamento na irrigação, de forma que o desmatamento de margens e barramentos dos rios contribuem para o aceleramento da erosão, bem como o uso de produtos tóxicos nas plantações de cana de açúcar e eucalipto poluem as águas e reduzem a quantidade e a qualidade desse bem público vulnerável.[7]

Urubu-rei

Fauna[editar | editar código-fonte]

A fauna é muito diversificada, tendo, porém, poucos mamíferos de grande porte.

Ao nível do solo, há poucos animais, vivendo a maioria nas copas das árvores: aves, macacos, insetos, etc. Dentre os insetos, destacam-se os besouros em diversidade e em quantidade. [8]

Podem ser encontradas algumas ameaçadas de extinção como: urubu-rei, tatu-canastra e cachorro-do-mato-vinagre. Outras espécies importantes são: papagaios, periquitos, perdizes, seriemas, gatos maracajás, veados, cobras, jacarés, guariba, macaco-prego, caititu, guaxinim, paca e tamanduá.[9]

Economia[editar | editar código-fonte]

Carnaúbas em São Miguel- Piauí.

A economia dos estados que ficam neste bioma se baseia na indústria de mineração, química e a produção alimentícia.

A Ditadura Militar brasileira (1964-1985) incentivou a instalação do Projeto Grande Carajás, no sudeste do Pará, onde existe a maior reserva de ferro do mundo, além de grandes reservas de manganês, cobre e ouro. O Projeto articulou-se com base no corredor de exportação formado pela Ferrovia Carajás, que percorre 890 quilômetros até a cidade de São Luís (MA), onde fica o porto de Itaqui, que recebe navios graneleiros de até 280 mil toneladas.

Também foram formadas indústrias de alumina nas regiões portuárias (Albrás e Alunorte em Barcarena e Alumar, em São Luís), aproveitando-se da energia proveniente da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.

Integrou-se economicamente, assim, as regiões da Amazônia e da Mata dos Cocais.

Também se observa a mineração relativa à exploração de areia, brita, calcário e gipsita.[10]

Com relação à produção de alimentos, verifica-se a produção de materiais de óleos vegetais, provenientes do extrativismo vegetal das palmeiras do babaçu e da carnaúba; e a ocupação do território para a pecuária extensiva e a agricultura de pequeno e médio porte (arroz, cana-de-açúcar, mandioca, feijão e frutas)[11].  

Conservação[editar | editar código-fonte]

O bioma enfrenta diversos processos de degradação ambiental, como a poluição de seus rios, o assoreamento, a destruição das matas ciliares e a retirada ilegal de areia[12] A Mata dos Cocais também enfrenta o desmatamento para a criação de gado e o plantio de eucalipto, alterando a estrutura ecológica local, proporcionando assim a fragilização da fauna e da flora [13].

Algumas iniciativas de proteção do bioma são as leis de proteção do babaçu (Lei estadual do Maranhão n° 4.734/86 e leis municipais do Babaçu Livre), bem como a criação de unidades de conservação como o Parque Estadual do Mirador, onde fica a nascente do rio Itapecuru; a Área de Proteção Ambiental dos Morros Garapenses; a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense; Reserva Extrativista Chapada Limpa; Reserva Extrativista da Mata Grande; Reserva Extrativista do Quilombo do Flexal; o Parque Estadual Sítio Rangedor e Área de Proteção Ambiental da Região do Maracanã em São Luís; dentre outras.

Desenvolvimento sustentável[editar | editar código-fonte]

Quebradeira de coco babaçu, no Tocantins

O desenvolvimento sustentável é o sistema de desenvolvimento econômico onde não agrida a natureza. O projeto de desenvolvimento sustentável ocorre desde 2001, pelo projeto do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Os recursos mais usados são o babaçu, a oiticica e a carnaúba.

Produtos feitos a partir de palmeiras da Mata dos Cocais:

  • Babaçu: Biocombustível, óleo, ração, palmito
  • Buriti: Doces, óleo, produtos de beleza, artesanato
  • Carnaúba: Laxante, cera, componentes eletrônicos, produtos alimentícios, madeira, adubação
  • Oiticica: Biocombustível, produtos de beleza e higiene
  • Rio Pindaré

Referências

  1. http://www.infoescola.com/geografia/mata-dos-cocais/
  2. http://www.brasilescola.com/brasil/mata-dos-cocais.htm
  3. http://www.mundoeducacao.com/geografia/mata-dos-cocais.htm
  4. a b c [www.labogef.iesa.ufg.br/links/sinageo/articles/476.pdf «RELEVO DO ESTADO DO MARANHÃO: UMA NOVA PROPOSTA DE. CLASSIFICAÇÃO TOPOMORFOLÓGICA. FEITOSA, A. C»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF) 
  5. EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2.ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006. [S.l.: s.n.] 
  6. a b c Bandeira, Iris Celeste Nascimento. Geodiversidade do estado do Maranhão / Organização Iris Celeste Nascimento. – Teresina : CPRM, 2013. [S.l.: s.n.]  line feed character character in |título= at position 35 (ajuda)
  7. a b c d e f g h [sit.mda.gov.br/download/ptdrs/ptdrs_qua_territorio034.pdf «PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL- Ministério de Desenvolvimento Agrário por meio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF) 
  8. Gomes Gonçalves, Marcos Paulo. «Relação Entre Tempo e Besouros em Mata de Cocal». Revista Brasileira de Meteorologia. 32 (4): 543–554. ISSN 0102-7786. doi:10.1590/0102-7786324003 
  9. «Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais - SEMA». www.sema.ma.gov.br. Consultado em 29 de janeiro de 2018 
  10. «Mineração – Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Energia do Maranhão – SEINC». Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Energia do Maranhão – SEINC. Consultado em 29 de janeiro de 2018 
  11. (PDF) [www.ma.gov.br/agenciadenoticias/wp.../01/perfil-da-agricultura-maranhense-1.pdf www.ma.gov.br/agenciadenoticias/wp.../01/perfil-da-agricultura-maranhense-1.pdf] Verifique valor |url= (ajuda)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  12. http://www.sbpcnet.org.br/livro/64ra/resumos/resumos/7596.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. «Exploração do babaçu terá destaque nos debates da 64ª reunião da SBPC». Maranhão. 22 de julho de 2012 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PIRES, J. M. Sobre o conceito "zona dos cocais" de Sampaio. In: Anais do XIII Congresso da Sociedade de Botânica do Brasil, 1962, Recife. Recife: Universidade do Recife, Instituto de Micologia, 1964, p. 271-275.
  • SAMPAIO, A.J. A zona dos cocais e a sua individualização na phytogeographia. Annais Acad. Bras. Ciências, v. 5, n. 2, p. 61-65, 1933.
  • SANTOS FILHO, F. S. et al. Cocais: zona ecotonal natural ou artificial? Revista Equador, UFPI, vol. 1, n. 1, p. 2-13, 2013. link.