História da Liga dos Campeões da UEFA

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A história da Taça dos Clubes Campeões Europeus e da Liga dos Campeões é comprida e memorável, com cinquenta anos de competição à procura de vencedores e perdedores de todas as partes do continente.

Traçando a história da Liga dos Campeões desde o seu início, é possível dividir períodos em que equipas ou países específicos dominaram a competição, sendo rapidamente superadas por outra equipa ou equipas.

O formato do torneio também já sofreu várias mudanças significativas durante os anos, com a criação da fase de grupos em 1992 e a inclusão dos vice-campeões das ligas domésticas no torneio em 1997 como alguns dos exemplos mais notáveis.

Genesis[editar | editar código-fonte]

Primeiros torneios[editar | editar código-fonte]

As competições entre equipas de países europeus diferentes podem traçar as suas origens à data de 1887, quando a 'Challenge Cup' foi fundada como uma competição entre clubes do Império Austro-Húngaro que em circunstâncias normais não se iriam defrontar. Esta competição existiu até 1922, com o Wiener Sportclub como vencedores finais, ficando com o troféu. A Challeng Cup é considerada a antecessora da primeira competição entre clubes europeus, a Mitropa Cup, que se iniciou depois do fim do Imperío Austro-húngaro na Primeira Guerra Mundial. Nesse momento, as várias nações da Europa Central estavam a introduzir ligas profissionais. A introdução de um torneio internacional de clubes tinha a intenção de ajudar os clubes profissionais financeiramente. A Mitropa Cup foi jogada pela primeira vez em 1927.

Uma tentativa inicial de criar uma taça para os campeões nacionais da Europeia foi feita pelo clube suiço FC Servette em 1930. O torneio, chamado Coupe des Nations, foi um grande sucesso e os campeões das dez maior nações europeias de futebol desse tempo foram convidados. O troféu por ganho pelo clube húngaro Újpest FC. Contudo, mesmo com o sucesso que teve, o campeonato nunca mais foi organizado, por problemas financeiros.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o reduzido desempenho da Mitropa Cup levou à fundação de uma nova competição, a Copa Latina, para equipas da França, Itália, Espanha e Portugal. Esta competição consistia num mini-torneio realizado no final de cada temporada pelos campeões das ligas dos respectivos países.

"Amigáveis dos Holofotes" — A mudança para um grande torneio europeu[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 1950, jogar futebol sobre holofotes era ainda uma novidade. O Verão de 1953 presenciou os primeiros conjuntos de luzes no Molineux Stadium do Wolverhampton Wanderers, que foi testado inicialmente num amigável contra o South African XI. Durante os meses seguintes, o Wolves jogou uma série de amigáveis de holofotes contra equipas desconhecidas. Começando o Racing Club da Argentia, defrontaram também o Spartak Moscow da URSS, antes de se encontraram com o Honved da Hungria num jogo com transmissão televisiva na BBC. A equipa do Honved incluía muitos dos Magiares Mágicos que tinham humilhado a Inglaterra por duas vezes. O Wolves ganhou o jogo por 3-2, o que levou o seu treinador Stan Culllis a proclamá-los como "Campeões do Mundo", mesmo tendo perdido com o Estrela Vermelha (até então o sétimo qualificado da sua liga doméstica). Este foi então o impulso final para Gabriel Hanot, editor do L'Équipe, que tinha uma longa campanha para que um torneio europeu fosse jogado debaixo de holofotes.

Antes de declaramos o Wolverhampton como invencíveis, deixem-nos ir para Moscovo e Budapeste. E há outros clubes internacionalmente reconhecidos: A.C. Milan e Real Madrid, para nomear apenas dois. Um campeonato de clubes mundial, ou pelo menos um europeu - maior, mais significativa e mais prestigiada do que a Mitropa Cup e mais original do que uma competição para equipas nacionais - deve ser lançado.
Gabriel Hanot

O congresso da UEFA de Março de 1955 viu a proposta a ser levantada, sendo consequentemente aprovada em Abril do mesmo ano, e o pontapé de saída da Taça dos Clubes Campeões Europeus seria na temporada seguinte.

1955 a 1960 — "Los Blancos"[editar | editar código-fonte]

O Real Madrid dominou as cinco primeiras competições, a equipa que era conduzida por Alfredo di Stéfano, Ferenc Puskás, Francisco Gento, e José Santamaría venceu as cinco finais confortavelmente.

Embora fosse este o caso, vários outros clubes ofereceram resistência durante o fim dos anos 1950, notalvemente o Stade de Reims da França, que chegou a duas finais, e vários clubes italianos como o Milan e a Fiorentina. O Hibernian foi o primeiro clube da Grã-Bretanha a participar numa Taça dos Clubes Campeões Europeus, chegando às meias-finais do torneio inaugural em 1955.

A final de 1960, com a conquista por parte do Real Madrid da sua quinta final da Liga dos Campeões, na Escócia, Hampden Park, foi o culminar desta era. O Real Madrid venceu claramente o Eintracht Frankfurt da Alemanha Ocidental, por 7-3. Este jogo foi transmitido na televisão pela BBC e Eurovision e com uma assistência de 135.000 espectadores, continua a ser a maior assistência de sempre numa final da Liga dos Campeões.

O melhor do Manchester - A Tragédia de Munique[editar | editar código-fonte]

O Manchester United desfrutava de uma era de ouro com o advento do Busby Babes durante este período, vencendo dois títulos domésticos sucessivos, chegando também às meias-finais da Taça dos Campeões Europeus e à final da FA Cup em 1957. O charme e estilo da jovem equipa tornou o Manchester como o principal concorrente à dominância do Real Madrid. À vinda para casa depois da segunda-mão contra o Estrela Vermelha, onde o United mais uma vez se qualificou para as meias-finais, o avião que transportava os jogadores do United, funcionários e jornalistas caiu enquanto descolava de uma paragem em Munique. O Desastre aéreo de Munique causou a morte de oito membros da equipa, e finalmente acabou com todas as esperanças que o clube tinha em crescer para ultrapassar o Real, cujo estilo pouco ortodoxo e cavalheiro significava que todos os oponentes tinham sido derrotados.

1961 to 1966 — Força Latina, Poder Latino[editar | editar código-fonte]

O domínio do Real Madrid foi encerrado pelos seus maiores rivais domésticos, Barcelona, na primeira ronda da 1961, iniciando uma era de campeões transitórios.

O Barcelona foi até à final nesse ano no Wankdorf Stadion, em Berna na Suíça, onde foi derrotado pelo Benfica. O Benfica, capitaneado pelo avançado José Águas, tendo como líder no meio-campo Mário Coluna de Moçambique, que, juntamente com Eusébio, na época seguinte, defenderam o troféu derrotando o Real Madrid por 5 a 3 na final no Olympisch Stadion, em Amsterdão nos Países Baixos, num dos jogos mais incríveis da história da Champions League.

O Benfica, vindo de Portugal, país que ainda possuía à data uma vasta população devido às suas possessões coloniais, conseguiu supreender o Mundo numa fantástica corrida ao título de campeão Europeu de clubes, assim o maior clube português tornou-se num dos 11 clubes lendários classificados pela FIFA.

O Benfica chega então à sua terceira final consecutiva em 1963, mas desta vez perde a primeira de duas finais para o Milan. Esta grandiosidade do Benfica evoluiu o futebol interno em Portugal, dando assim a selecção Portuguesa condições de chegar ao terceiro lugar no Mundial de Futebol composta inteiramente pelos carismáticos jogadores do plantel do Benfica, alguns nascidos nas colónias portuguesas, que vieram a fazer parte da equipa titular no Mundial de 1966.

Mas, quem dava nas vistas nos anos seguintes era o rival do Milan, a Inter de Milão que venceria o troféu em 1964 e 1965 ganhando ao Real Madrid e ao Benfica, respectivamente. A meia-final de 1965 foi memorável devido à controvérsia entre a Inter e o Liverpool, que resultou em alegados subornos e o resultado combinado para a equipa italiana que, a jogar em San Siro, venceu por 3 a 0.

Esta era foi terminada pelo Real Madrid, que desta vez levou a melhor sobre a Inter na semifinal de 1966. O outro finalista foi o Partizan de Belgrado que saiu derrotado por 2 a 1 no estádio Rei Baudouin, em Bruxelas. O Real conquista assim a sua sexta final da Taça dos Campeões, da qual apenas Paco Gento jogou todas as finais.

1967 a 1968 — A revolta do Antigo Império[editar | editar código-fonte]

Em 1967, o Celtic tornou-se a primeira equipa da Escócia, do Reindo Unido e da Europa setentrional a vencer a competição, batendo a Internazionale no Estádio Nacional situado em Lisboa, capital de Portugal.

A equipa, que passou a ser conhecido como os Leões de Lisboa, treinada por Jock Stein, tinha todos os jogadores nascidos num raio de 40 quilómetros do Celtic Park, em Glasgow, o que permanece incomum pela longa tradição do evento em atrair os melhores e mais cosmopolitanos jogadores de todo o planeta.

O Celtic é o único clube a ter ganho a competição composto inteiramente de jogadores nascidos no páis que representa. Para efeito de contraste, enquanto o Real Madrid tinha vários espanhóis nos anos 1950, suas maiores estrelas eram de outros países - Alfredo di Stéfano veio da Argentina, enquanto Ferenc Puskás veio da Hungria na Revolução Húngara de 1956.

Um ano depois, o Manchester United se tornou a primeira equipa da Inglaterra a vencer a competição, batendo o Benfica por 4 a 1 em prolongamento no Estádio do Wembley, em Londres na Inglaterra. Matt Busby, treinador do United no momento do desastre em Munique, tinha sobrevivido aos ferimentos e estava ainda no comando dos Red Devils. Outros dois jogadores que tinham sobrevivido em Munique jogaram: Bobby Charlton, que marcou dois golos durante o jogo, e Bill Foulkes.

Esse jogo foi incrivelmente equilibrado e, apesar do Manchester ter feito três golos no tempo extra, o Benfica poderia ter ganho o jogo no tempo normal quando Eusébio perdeu uma chance fácil nos segundos finais.

Apesar de se passarem dez anos do desastre aéreo de Munique, vários fãs de todo o continente ficaram muito felizes por Matt Busby (treinador do Manchester United por longo tempo), que depois foi tornado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II do Reino Unido, por serviços prestados ao futebol.

1969 a 1973 — Futebol total[editar | editar código-fonte]

A Taça dos Campeões Europeus passaria então uma década e meia na propriedade de apenas três clubes - cada um vencendo pelo menos três finais, e surgindo regularmente nas últimas eliminatórias da competição.

O primeiro clube a dominar foi o Ajax, que perdeu primeiramente a final de 1969 para o Milan e teve de ver os seus rivais do Feyenoord conquistarem o título em 1970.

Depois deste episódio, o Futebol total de Johan Cruijff, Barry Hulshoff, Ruud Krol, Johan Neeskens, Arie Haan, Gerrie Mühren e Piet Keizer dominou por três confortáveis anos, despachando Panathinaikos de Atenas, Inter de Milão e Juventus de Turim numa rápida sucessão.

Cada jogador podia se adaptar para jogar em qualquer número de posições e funções - artilheiros se revezando com defensores por conta própria, Krol criando tantas oportunidades quanto Mühren, Cruijff parando tanto quanto Hulshoff.

Criado por Rinus Michels e refinado por Stefan Kovacs, o Ajax parecia imbatível até Cruijff optar por se juntar ao antigo treinador Michels no Barcelona mais tarde, em 1973. Com isso, o rápido envelhecimento de vários jogadores e a posterior perda de Neeskens, o Ajax brigou na mais importante competição da Europa por 20 anos.

1974 a 1976 — A ascensão do Bayern[editar | editar código-fonte]

Franz Beckenbauer ajudou o Bayern a dominr o continente no meio dos anos 1970

O Bayern Munique foi o clube seguinte a dominar a competição, vencendo-a três vezes consecutivas na década de 1970.

Liderado por Franz Beckenbauer, com Sepp Maier, Gerd Müller, Uli Hoeneß e Paul Breitner, o Bayern continuou o futebol total, acrescentando-lhe rigidez e organização, criando igualmente uma receita vencedora.

Derrotando primeiro o Atlético de Madrid após um replay em 1974, o Bayern venceu então o Leeds United por 2 a 0, numa final com problemas com o público no Parc des Princes, em Paris na França em 1975; e finalmente o Saint-Étienne, em Hampden Park, Glasgow, em 1976.

Novamente, com o envelhecimento da equipa, o Bayern não teria mais vitórias na era da Taça Europeia por 25 anos.

1977 to 1985 — Dominância inglesa, Hamburgo, Juventus e desastre do Heysel[editar | editar código-fonte]

Em 1977, ao obter o título derrotando na final o Borussia Mönchengladbach por 3 a 1 em Roma, o Liverpool iniciou uma época de supremacia dos clubes ingleses, que ganhariam seis títulos consecutivos, num total de sete títulos em oito anos. No ano seguinte, em 1978, o Liverpool torna-se o primeiro clube britânico ao vencer os campeões belgas, o Club Brugge, no Wembley.

O Liverpool perdeu na primeira fase do campeonato de 1979 para o também inglês Nottingham Forest, que acabou ganhando o torneio no que foi uma das mais impressionantes ascensões ao topo do futebol continental na história futebolística da Europa. O Nottingham derrotou a equipa sueca Malmö por 1 a 0 na final em Munique; e pelo mesmo placar derrotou o Hamburgo, no ano seguinte, na final em Madrid.

O Liverpool voltou novamente a sagrar-se campeão em 1981 quando venceu o Real Madrid, em Paris, pelo placar de 1 a 0, conquistando assim seu terceiro troféu.

Mostrando a força do futebol inglês no período, o Aston Villa ganhou a competição em 1982 com uma vitória simples de 1 a 0 sobre o Bayern em Roterdão.

Em 1983, o Hamburgo surpreendeu a Europa após vencer a Juventus de Michel Platini e se tornar campeão europeeu, numa final que não possuiu participação inglesa pela primeira vez em sete anos.

No entanto, o Liverpool retornou à final do campeonato no ano seguinte para derrotar a Roma no estádio do adversário, após uma disputa de grandes penalidades, ganhando o título pela quarta vez.

O Liverpool voltaria a defender o título em Bruxelas, no ano seguinte, mas a derrota para a Juventus por 1 a 0 tornaria-se irrelevante frente ao desastre do Estádio Heysel, onde 39 torcedores da Juventus morreriam. Como punição, os clubes ingleses ficaram 5 anos impedidos de jogar na Liga, sendo o Liverpool impedido por 6 anos.

As consequências do futebol inglês devido às acções dos fãs do Liverpool foram indiscutivelmente graves em termos de superioridade, com os clubes ingleses a lutarem para terem um impacto significativo aquando do seu regresso.

1986 a 1988 — Finais inesperados[editar | editar código-fonte]

Com o banimento dos clubes ingleses das competições europeias por um período de 5 anos, o domínio inglês deu lugar a uma sequência de conquistas inéditas por parte de três clubes. Nos anos que sucederam o desastre de Heysel, o troféu foi conquistado pelo Steaua Bucareste da Roménia, o Porto de Portugal e o PSV Eindhoven dos Países Baixos, respectivamente.

A final ganha pelo Porto ao Bayern Munique foi uma final especial, com um audacioso golo de calcalhar pelo argelino Rabah Madjer, dando ao Porto o seu primeiro título, enquanto que o Steaua chocou o Barcelona em Sevilha.

1989 to 1991 — O retorno do Milan[editar | editar código-fonte]

O Milan conquistou o bicampeonato em 1989 e 1990. O trio holandês constituído por Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard formava o brilhante coração no lado italiano.

O clube falhou então a tentativa do tri, na final de 1991, em que o vencedor foi a equipa jugoslava do Estrela Vermelha, que venceu o Marselha nos penaltys depois de um jogo sem golos.

A final de 1991 foi a única final durante o perído de 1989-1998 que não recebeu uma equipa italiana.

Neste ano os clubes ingleses já podiam voltar a competir nas competições europeias, mas o Liverpool, que venceu o campeonato inglês tinha mais um ano para cumprir.

1992 a 1996 — Cosistência Italiana e o retorno do Juventus[editar | editar código-fonte]

Os clubes ingleses voltaram ao torneio em 1991, mas nenhum deles conseguiu chegar aos quartos-de-final. O Arsenal (1991-92), Leeds United (1992-93), Manchester United (1993-94 e 1994-95) e os Blackburn Rovers (1995-96) lutavam para fazer alguma diferença na Europa e eram frequentemente derrotados por equipas bem mais fracas. Isso acontecia em grande parte pela lei inglesa que só permitia que três jogadores fossem estrangeiros, fazendo com que as equipas não pudessem escalar seus melhores jogadores.

Os clubes da Serie A chegaram à final em sete temporadas consecutivas, vencendo duas. A final de 1992, jogada no Estádio do Wembley, foi vencida pelo Barcelona contra a Sampdoria. Barça, treinado por Johan Cruyff, era conhecido como "Equipa de Sonho" à data da sua vitória.

Marcel Desailly, que ganhou a Taça Europeia pelo Marselha e pelo A.C. Milan em anos consecutivos

A competição foi então renomeada para Liga dos Campeões da UEFA para a temporada de 1992-1993. Marselha venceu a final de 1993, vencendo o A.C. Milan, mas foram banidos mais tarde de defenderem o seu título no que foi apenas o início de um colapso que surgiu pelo descobertas de denúncias de partidas locais arranjadas pelo presidente Bernard Tapie. A equipa foi então despojada da Primeira Divisão Francesa depois de ter sido revelado que Tapie tinha alterado a contabilidade do clube. O Marselha permanece ainda como o único clube francês a ter ganho uma Taça Europeia/Liga dos Campeões.

Louis van Gaal, antigo treinador do Ajax, levou os jovens talentos a vencerem a Liga dos Campeões em 1995

Em 1994, o A.C. Milan reclamou o troféu por derrotar o Barcelona num resultado de 4-0, que muitos apontaram como um dos melhores desempenhos na final da Taça Europeia da era moderna. O Milan eram considerados os mais fracos, com dois importantes defesas forçados a ficar de fora, mas o treinador Fabio Capello rejeitou o tradicional catenaccio italiano, o que os levou a vencer o Barça de Johan Cruyff.[1] Marcel Desailly, defesa do Milan, já tinha jogado pelo Marselha quando os mesmos venceram a Liga dos Campeões, sendo o primeiro jogador a vencer a Taça em temporada consecutivas em clubes diferentes e o primeiro a ter-se transferido para o oponente da final.

Milan chegaria igualmente à final em 1995, mas perdeu por 1 a 0 para o Ajax composto pelo brilhante atacante de 19 anos Patrick Kluivert. Foi o primeiro triunfo do clube desde 1973, quando venceram três títulos consecutivos, e muitos dos jogadores dominariam também na selecção holandesa. O Ajax chegou novamente à final em 1996, mas perdeu para a Juventus depois das grandes penalidades.

Durante este tempo, o mundo do futebol tinha acabado de se adaptar às mudanças radicais trazidas pela Lei de Bosman, mais conhecida por autorizar jogadores sem contracto de se transferirem para outros clubes sem uma taxa de transferência. Contudo, o maior impacto foi sentido na Liga dos Campeões. As quotas para nações da União Europeia foram eliminadas, sendo que os jogadores de um estado membro da UE não eram considerados estrangeiros nos estados membros da UE.

1997 and 1998 — Fénix renascida[editar | editar código-fonte]

O Borussia Dortmund entrou na lista dos campeões da Taça Europeia em 1997 quando derrotaram os então campeões da Juventus na final, depois de terem derrotado os campeões ingleses do Manchester United na semifinal. Mas a temporada de 1996-97 foi uma de progresso para o futebol inglês na Taça Europeia, pois o Manchester United era então a primeira equipa inglesa a chegar entre os oito melhores na era pós-Heysel.

Em 1997-98, os vice-campeões de algumas ligas europeias foram autorizados a disputar o torneio. O objectivo da UEFA era aumentar a qualidade do seu torneio principal incluindo mais equipa de topo das melhores ligas. O título de 1998 foi para o Real Madrid, que levantou a taça pela sétima vez na história, sendo a primeira após 1966, ao derrotar a Juventus por um resultado de 1 a 0, o que seria a terceira final consecutiva do clube (e a segunda derrota consecutiva).

1999 — "Football, bloody hell"[editar | editar código-fonte]

1999 vai ser lembrando pela tríplice coroa do Manchester United. O United percorreu um caminho impressionante até à final, ao se qualificar de um grupo que continha o Barcelona e o Bayern Munique, vencendo depois as gigantes italianas - Inter de Milão e Juventus - vencedora das duas últimas mãos. Eles conquistaram também uma grande reputação na Inglaterra ao vencer a Premier League e a FA Cup enquanto percorriam caminho para a final da Liga dos Campeões. Tendo sido bem sucedidos em ambas as competições, os presságios pareciam estar com o United para a Liga dos Campeões - com Roy Keane suspenso, o guarda-redes Peter Schmeichel, no seu último jogo pelo clube, iria ser o capitão da equipa nessa noite, que seria também o 90º aniversário de nascimento de Sir Matt Busby.

Os seus adversários, o Bayern Munique, também procuravam a tríplice coroa, e passaram a liderar o jogo apenas seis minutos depois do início, após a marcação de um livre por Mario Basler. O golo parecia ser suficiente para o Bayern, já que o Manchester não encontrou nenhum caminho para marcar, embora Schmeichel estivesse inspirado para manter a equipa no jogo. Quando o árbitro Pierluigi Collina assinalou três minutos de compensação, o clube inglês enviou toda os jogadores para o ataque e foram recompensados num canto de David Beckham, momento em que Teddy Sheringham equalizou o resultado depois de Ryan Giggs ter falhado. Faltando poucos segundos para o final da compensação, outro canto de Beckham providenciou perigo em que Shenrigham cabeceou para Ole Gunnar Solskjær, que lançou o pontapé que enviou a bola para a cobertura da rede e deu ao seu clube a vitória na Taça Europeia. Alex Ferguson, treinador do Manchester, memoravelmente resumiu a experiencia numa entrevista pós-jogo em que disse:

Football, bloody hell

Era o primeiro título do clube desde 1968 e a primeira vitória inglesa desde o título do Liverpool em 1984.

2000 a 2002 — Domínio Espanhol[editar | editar código-fonte]

A temporada de 1999-2000 viu novamente mudanças nas entradas para a Liga dos Campeões. Agora, das três ligas principais (Espanhola, Italiana e Alemã, segundo as tabelas da UEFA) poderiam entrar quatro equipas, enquanto que as três seguintes (Inglesa, Francesa e Holandesa) apenas poderiam enviar três clubes.

Zinedine Zidane, que marcou o golo da vitória pelo Real Madrid na final de 2002

Nesta época, os clubes espanhóis voltaram ao topo da Europa e iniciaram uma espécie de domínio no século XXI depois de venceram duas Taças Europeias nos anos 1990 com o Barcelona em 1992 e o Real em 1998. A La Liga teve três semi-finalistas na Liga dos Campeões de 2000 (Real Madrid, Valencia e Barcelona) e a primeira final completamente de um só país, neste caso a Espanha, com o Real Madrid e o Valencia. O Real Madrid iniciou o século XXI ao mesmo estilo do século XX ao vencer o Valencia por 3 a 0, levantando a European Cup de novo. Esta foi então a primeira final a receber a participação de duas equipas do mesmo país. A caminho da final, o Real atingiu a notável proeza de eliminar sucessivamente o vice-campeão (o Bayern Munique, nas semifinais e o campeão (o Manchester United, nos quartos-de-final). O empate contra o United recebeu um status lendário entre os fãs do Madrid depois de uma memorável vitória fora em Old Trafford (2 a 3).

A La Liga teve outro bom desempenho na Champions League de 2001, com o Real Madrid e o Valencia a chegarem às semifinais novamente. Os Los Che chegaram de novo à final, apenas para serem derrotados de novo. O vencedor, desta vez, foi o Bayern Munique, que tinha anteriormente derrotado o Real Madrid nas semifinais, o que finalmente apagou a memória da sua derrota na final de 1999. O jogo acabou empatado 1 a 1, com o Bayern a vencer nos penaltys por 5-4. A vitória atribuíu ainda ao treinador Ottmar Hitzfeld a distinção de vencer a Taça Europeia com duas equipas diferentes, tendo levado em 1997 o Borussia Dortmund à vitória. O Valencia tinha agora acabado de perder duas finais consecutivas da Liga dos Campeões.

Foram "ouvidos" ecos da lendária vitória do Real Madrid em 1960 quando os mesmos defrontaram outra equipa germânica, o Bayer Leverkusen na final de 2002 no Hampden Park, em Glasgow. O Bayer tornou-se assim a primeira equipa a chegar à final sem ter ganho a sua liga doméstica. Com a sua política "Galactica", o Real Madrid pretendia contratar um jogador de classe mundial a cada ano. Nessa época, os mesmos adicionaram o FIFA World Player of the Year por múltiplas vezes, Zinedine Zidane, para o seu plantel depois de um recorde de €71 milhões. O francês mostrou habilidade ao acrobaticamente marcar de volley, aumentando o placar para 2-1, o que deu ao clube o seu nono título europeu, depois de vencerem o Barcelona nas semifinais. Nesta época, a Espanha dominou novamente ao ser o país com mais representantes nas meias-finais pela terceira época consecutiva (três em 200, dois em 2001 e outros dois em 2002), o que culminou com o terceiro título do Real Madrid em cinco anos.

Como nota, a derrota tornou a época totalmente sem sucessos para o Bayer Leverkusen. Primeiramente, desceram para segundo lugar na Bundesliga no último jogo da época, depois perderam a final da Taça Europeia, e finalmente foram derrotadaos na final da Taça Alemã, conquistado uma inacreditável "quase-tríplice coroa". Por fim, alguns dos jogadores do Bayer (incluindo a estrela Michael Ballack) saíram derrotados da final do Mundial de 2002 pela Alemanha nesse Verão.

2003 — O retorno do Milan[editar | editar código-fonte]

A temporada seguinte viu o retorno dos clubes italianos ao topo da Europa. Embora tivessem dominado a competição nos anos 1990, os clubes italianos desceram tão depressa nos anos seguintes que em 2002 a Itália não possuiu um único representante nos quartos-de-final. Contudo, na época seguinte, três clubes italianos chegaram às meias-finais e a final opôs o A.C. Milan frente à Juventus. O Milan venceu então a sua sexta Taça Europeia ao vencerem os seus velhos rivais por 3-2 em grandes penalidades, depois de um empate sem golos. A vitória soube especialmente melhor ao capitão, Paolo Maldini, que levantou o troféu em Manchester exactamente 14 anos depois do seu pai, Cesare Maldini, o ter feito igualmente pelo Milan em Londres. Outro facto memorável foi realizado por Clarence Seedorf, que venceu a Liga dos Campeões pela terceira vez, e por três clubes diferentes. O jogador já tinha vencido outras duas finais pelo Ajax em 1995 e pelo Real Madrid em 1998.

A fase de grupos desse ano conseguiu também obter interessantes factos. Três equipas tiveram exactamente os mesmos resultados em todos os jogos. O Barcelona conseguiu com sucesso vencer todos os seis jogos, enquanto que o mediocre Spartak Moscow perdeu todos os jogos. O AEK de Atenas empatou seis vezes e tornou-se a primeira equipa que não se qualificou sem nenhuma derrota, acabando em terceiro. O Newcastle fez ainda história ao ser a primeira equipa a perder os três primeiros jogos e a qualificar-se para os oitavos-de-final, ao vencer a Juventus, o Dyanamo Kiev e o Feyenoord, acabando em segundo com 9 pontos.

2004 a 2006 — Resultados inesperados e retornos triunfantes[editar | editar código-fonte]

2004: Intrusos[editar | editar código-fonte]

Houve uma grande perturbação em 2004 quando o FC Porto derrotou o Monaco por 3 a 0, vencendo a Taça Europeia. Os golos foram marcados por Carlos Alberto, Deco e Dmitri Alenichev. Não havia sido depositada qualquer esperança nas equipas, mas ambas conseguiram deixar para trás grandes nomes europeus como o Manchester United, o Real Madrid e o Chelsea.

O FC Porto e o seu carismático treinador, José Mourinho, alcançaram o feito de raro de vencer uma Taça Europeia depois de uma Taça UEFA no ano anterior. O internacional russo Alenichev tornou-se o terceiro jogador, depois de Ronald Koeman e Ronaldo, a marcar um golo em duas finais europeis consecutivas, e Vítor Baía tornou-se o décimo jogador a vencer os três títulos europeus de clubes. Esta merecida vitória foi baseada numa defesa apertada, um meio-campo de topo e um hábil ataque, maravilhosamente orquestrada pelo Nº 10 Deco. Nessa época, uma área metropolitana (Atenas) foi representada pela primeira vez na fase de grupos por três equipas: Olympiacos, Panathinaikos e AEK Athens.

2005: O milagre de Istambul[editar | editar código-fonte]

Uma surpresa parecida repetiu-se em 2005, desta vez envolvendo dois dos clubes europeus mais bem sucedidos. Os campeões europeus por seis vezes, A.C. Milan, defrontaram o Liverpool, campeão por quatro vezes, no que pode ser considerada uma das finais mais dramáticas na história da competição. O Milan eram considerados os esmagadores favoritos, tendo reclamado o título dois anos antes e trazendo uma equipa repleta de estrelas que incluía Paolo Maldini e o ucraniano Andriy Shevchenko em conjunto com uma nova ameaça ao estilo do ataque brasileiro, o médio Kaká. O Liverpool, por outro lado, tinha lutado por uma campanha fraca na sua liga doméstica, acabando num humilde quinto lugar. Contudo, o clube produziu uma série de desempenhos incríveis na Europa, vencendo a Juventus pela primeira vez desde o Desastre de Heysel, e depois eliminando os campeões da Premiership, o Chelsea.

O Milan iniciou bem o jogo, com Maldini a marcar o golo mais rápido de uma final europeia, apenas 52 segundos do início do jogo. Os italianos tomaram então controlo do jogo, com um sensacional desempenho do brasileiro Kaká. Ao final da segunda parte, o clube de Milão já goleava por 3-0. Aos 3-0, o Liverpool parecia já morto e enterrado, tanto que uma pequena minoria dos apoiantes do Liverpool deixou o estádio durante o intervalo, uma decisão que os faria arrepender no fim.

O treinador espanhol Rafael Benítez mudou o curso do jogo a partir do momento que introduziu o médio germânico Dietmar Hamann. Depois do guarda-redes Jerzy Dudek ter defendido com sucesso um livre de Shevchenko, um dos maiores reaparecimentos numa final europeia estava prestes a começar. O capitão Steven Gerrard marcou e apenas dois minutos depois, Vladimír Šmicer reduziu o placar para 3-2. Quando o relógio marcava uma hora de jogo, o espanhol Xabi Alonso completou outro golo, e empatou com sucesso o placar para 3 a 3.

O Milan quase venceu no fim do prolongamento, quando Shevchenko falhou dois remates. Isso tornou-se crucial, já que o jogo prossegiu para uma desempate por grandes penalidades, em que o Liverpool trinfou por 3-2, em que Dudek mais uma vez defendeu um remate de Shevchenko. O Liverpool tinha acabado de conquistar a sua mais improvável Taça Europeia, e sendo o seu quinto título, o clube inglês recebeu a honra de manter o troféu original.

Os red's quase falharam na qualificação para a fase de grupos. Participando no Grupo A, em conjunto com o Monaco, o Deportivo La Coruña e o Olympiacos, o Liverpool encontrava-se no terceiro lugar no dia do sexto jogo, e tinham de vencer por uma vitória limpa ou por pelo menos uma vantagem de dois golos no seu último jogo com o Olympiacos. Ao fim da primeira parte, os gregos estavam a lideram por um golo. Embora Florent Sinama Pongolle tivesse empatado dois minutos antes do intervalo, o placar continuava 1-1 com menos de dez minutos para o final do jogo. Depois de 81 minutos, Neil Mellor ofereceu a liderança ao Liverpool e, com apenas quatro minutos para o fim do tempo regulamentar, Steven Gerrard marcou um golo espectacular que os qualificaram para a fase de eliminatórias.[2]

Mudanças nas regras: posições da liga e qualificação[editar | editar código-fonte]

Houve uma eventual controvérsia devido ao Liverpool ter ficado em quinto na sua liga doméstica, não se qualificando para a competição de 2005-2006. O último qualificado pela liga inglesa (treta).

Referências

  1. Champions League 1993 (em inglês) UEFA.
  2. Liverpool 3-1 Olympiakos (em inglês) BBC News. British Broadcasting Corporation (8 de dezembro de 2004).