Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti
A Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti ou MINUSTAH (sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti), é uma missão de paz criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 30 de abril de 2004, por meio da resolução 1542,[1] para restaurar a ordem no Haiti, após um período de insurgência e a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Os objetivos da missão são principalmente:
- Estabilizar o país.
- Pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes.
- Promover eleições livres e informadas.
- Formar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti.[2]
A missão está no país desde junho de 2004 e era chefiada pelo diplomata tunisiano Hédi Annabi, que faleceu em 12 de janeiro, durante o terremoto de 2010. A sua morte foi confirmada no dia seguinte pelo presidente René Préval.[3]
Em outubro de 2010, o Conselho de Segurança da ONU decidiu ampliar o mandato da MINUSTAH até 15 de outubro de 2011 e reafirmou seu compromisso de ajudar na reconstrução do país, após o terremoto de janeiro de 2010.[4]
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[editar] Histórico
[editar] Antecedentes
No ano de 2001, Jean-Bertrand Aristide venceu as eleições presidenciais, sendo que menos de 10% da população votou.[5] A oposição negava-se a aceitar o resultado, criando um impasse.[6] No ano de 2004, por meio de negociações mediadas pela comunidade internacional, em especial a OEA e o CARICOM, Aristide aceitou dissolver seu gabinete ministerial. No entanto, a oposição continuou insatisfeita, e a violência que surgiu no início do mês de fevereiro na cidade de Gonaïves se espalhou pelo país.[7]
As forças rebeldes começaram a ocupar todas as cidades importantes do país, quase sem nenhuma resistência.[8] França e Estados Unidos[9] culpavam Aristide pela onda de violência, enquanto os países do CARICOM pediam pela manutenção da democracia no país, na tentativa de impedir o surgimento de um precedente a justificar golpes contra governos democraticamente constituídos na região.
Com a renúncia de Aristide[10] e seu quase imediato exílio na República Centro-Africana,[11] o Conselho de Segurança das Nações Unidas cria a resolução 1592 de 2004, que solicita a criação de uma força internacional para assegurar a ordem e a paz no Haiti. No entanto, Aristide denuncia que fora sequestrado por fuzileiros norte-americanos, sendo então forçado a renunciar por um grupo de haitianos e civis norte-americanos,[12] informação negada pelos Estados Unidos.[13] Esta ação também teria tido o apoio do governo francês.
Após negociações, e por ter o maior contingente, o Brasil assumiu o cargo de coordenação da recém-formada Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti.
[editar] Início das atividades
As forças de paz foram comandadas pelo General de Divisão brasileiro Augusto Heleno Ribeiro Pereira.[14]
Em um gesto de demonstração de boa-vontade das tropas brasileiras com o povo haitiano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou a Seleção Brasileira de Futebol a participar de uma partida com a Seleção Haitiana de Futebol. Com o apoio da FIFA, o jogo foi realizado em 19 de agosto de 2004 na capital haitiana, Port-au-Prince. O time brasileiro ganhou de 6 a 0.[15][16]
O Gen. Heleno Ribeiro foi substituído em 1º de setembro de 2005 pelo general Urano Teixeira da Matta Bacellar.[17] Em de 7 de janeiro de 2006, o General Bacellar foi encontrado morto em seu quarto de hotel.[18][19][20] Suspeita-se que tenha cometido suicídio. Com isto, o Exército Brasileiro enviou uma delegação para investigar a causa da morte.[21] Assume como comandante interino das forças de paz o general chileno Eduardo Aldunate Herman.[22]
No dia 9 de janeiro, os empresários e comerciantes de Port-au-Prince realizam uma greve-geral de um dia como protesto à violência no país, principalmente pela escalada de seqüestros no mês de janeiro de 2006.
Em 11 de janeiro de 2006, o Instituto Médico Legal (IML) de Brasília divulga laudo do qual o general Bacellar cometera suicídio[23][24] Em 12 de janeiro, as Nações Unidas declaram o mesmo,[25] corroborando a afirmação feita pelas autoridades brasileiras.
Em 18 de janeiro, o general brasileiro José Elito Carvalho Siqueira, foi escolhido como substituto do general Bacellar pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.[26]
No dia 11 de janeiro de 2007 o general-de-brigada Carlos Alberto dos Santos Cruz assumiu o comando da MINUSTAH,[27] permanecendo até abril de 2009, quando foi substituído pelo General Floriano Peixoto Vieira Neto.[28]
[editar] Comandantes militares da MINUSTAH
- Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Brasil: De 2004 até agosto de 2005.
- Urano Teixeira da Matta Bacellar, Brasil: De setembro de 2005 até janeiro de 2006.
- Eduardo Aldunate Herman, Chile: janeiro de 2006 (Pro tempore).
- José Elito Carvalho Siqueira, Brasil: De janeiro de 2006 até janeiro de 2007.
- Carlos Alberto dos Santos Cruz, Brasil: De janeiro de 2007 até abril de 2009.
- Floriano Peixoto Vieira Neto, Brasil: De abril de 2009 até abril de 2010.
- Luiz Guilherme Paul Cruz, Brasil: a partir de abril de 2010 até março de 2011.
- Luiz Eduardo Ramos Batista Pereira, Brasil: a partir de março de 2011.
[editar] Países contribuintes
Abaixo uma lista com os países que contribuem para a formação da força multinacional das Nações Unidas para a estabilização no Haiti.
[editar] Efetivos militares
Argentina, Benim, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Croácia, Equador, Espanha, França, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka, Estados Unidos e Uruguai.[29]
Atualmente, as tropas argentinas têm assento na cidade nortista de Gonaïves,[30] uma das zonas de mais conflito no país. A presença militar chilena se concentra principalmente no porto de Cap Haitien,[31][32] também ao norte do país.
[editar] Força policial e civis
Argentina, Benin, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Canadá, Chade, Chile, China, Colômbia, Egito, El Salvador, França, Granada, Guiné, Jordânia, Madagascar, Mali, Maurícia, Nepal, Níger, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Romênia, Federação Russa, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Espanha, Togo, Turquia, Estados Unidos, Uruguai, Vanuatu e Iêmen.[29]
[editar] Baixas
Desde que a missão de paz começou em junho de 2004, 35 integrantes morreram. O incidente mais recente ocorreu em 7 de janeiro de 2010 quando ocorreu um terremoto que abalou o país deixando 18 militares brasileiros mortos.
[editar] Mortes contabilizadas
- Militares
- Brasil: 22
- General Bacellar, por suicídio;
- Cabo da Marinha do Brasil que não fazia parte do contingente da força de paz. Estava no navio brasileiro que levava mantimentos, equipamentos militares e soldados para o país caribenho e morrera quando fazia atividades físicas a bordo.
- No dia 2 de agosto de 2007, por volta das 19:45 (hora local - Haiti), no Ponto Forte Dourados, bairro de Boston - Porto Príncipe, o soldado Rodrigo da Rocha Klein, de 21 anos, natural de São Luiz Gonzaga/RS, originário do 4º Regimento de Cavalaria Blindado, onde servia desde 2004 sofreu um acidente no momento que se deslocava na laje do ponto forte tropeçando em um fio de alta tensão da rede pública e recebendo uma descarga elétrica, vindo a falecer no local.
- No dia 1º de maio de 2008, faleceu o 3º Sgt FN Carlos Freires Barbosa, 36 anos, vítima de aneurisma cerebral..[33]
Faleceram mais 18 militares brasileiros no Terremoto de 2010.[34]
- Jordânia: 6
- Nepal: 2
- Filipinas: 2
- Sri Lanka: 2
- Uruguai: 1
- Policiais civis
- Canadá: 1
- Empregados civis locais
- Total: 1
[editar] Outras missões da ONU no Haiti
[editar] Participação de militares femininas
Esta missão caracterizou-se por possuir as primeiras mulheres brasileiras militares em uma Missão de Paz da ONU.
Com a chegada do 6º Contingente Brasileiro, Força Jauru no final de 2006,[35] a presença feminina se fez presente em território haitiano, através das seguintes militares:
- Capitão-tenente (MD) Stella Beatriz Kruger - Marinha do Brasil
- Primeiro-tenente (MD) Ana Beatriz - Exército Brasileiro
- Primeiro-tenente (MD) Silvana - Exército Brasileiro
- Primeiro-tenente (CD) Michelle - Exército Brasileiro
Referências
- ↑ MINUSTAH tenta controlar situação no Haiti com 9.400 homens - Folha Online, acessado em 26 de fevereiro de 2007
- ↑ Primeiro projeto "Quick Impact Project" da MINUSTAH inaugurado em Porto Príncipe pela Brigada Haiti - Defesa.net
- ↑ U.N. mission chief in Haiti killed in quake. Reuters (13 January 2010). Página visitada em 13 January 2010.
- ↑ ONU amplia mandato de missão no Haiti por mais um ano Terra, 14 de outubro de 2010]
- ↑ Aristide vence eleições no Haiti BBCBrasil.com
- ↑ Oposição haitiana faz pressão pela renúncia de Aristide - BBCBrasil.com, acessado em 26 de fevereiro de 2007
- ↑ Rebeldes já controlam nove cidades no oeste do Haiti BBCBrasil.com
- ↑ Sem resistência, rebeldes desfilam pela capital do Haiti BBCBrasil.com
- ↑ EUA estão 'decepcionados' com Aristide, diz Powell BBCBrasil.com
- ↑ Aristide renunciou formalmente, afirma Paris UOL Últimas Notícias
- ↑ Aristide viaja para a República Centro-africana (alto funcionário) UOL Últimas Notícias
- ↑ Aristide diz que foi forçado a sair do Haiti pelos EUA BBCBrasil.com
- ↑ EUA dizem que é 'absurda' acusação de golpe no Haiti BBCBrasil.com
- ↑ Uma homenagem a quem aconteceu e fez acontecer A Continência
- ↑ Haitianos são goleados, mas fazem festa BBCBrasil.com
- ↑ 18/08/2004 - 18h34 Brasil não 'dá bola' para Lula e goleia Haiti por 6 a 0 UOL Esporte
- ↑ Um novo comandante para a MINUSTAH - Exército Brasileiro Acessado em 15 de fevereiro de 2007
- ↑ Brasileiro chefe militar de missão da ONU no Haiti é encontrado morto, mas causa não foi descoberta
- ↑ General brasileiro morre no Haiti Wikinotícias. Acessado em 15 de fevereiro de 2007
- ↑ Nota oficial do Exército
- ↑ Avião da FAB leva investigadores para o Haiti
- ↑ Chileno vai assumir comando das tropas no Haiti BBCBrasil.com
- ↑ Laudo preliminar do IML de Brasília aponta suicídio de Urano no Haiti Diário Vermelho, acessado em 17 de fevereiro de 2007
- ↑ Laudo indica que Bacellar cometeu suicídio BBCBrasil.com, acessado em 15 de fevereiro de 2007
- ↑ HIGHLIGHTS OF THE SPOKESMAN'S NOON BRIEFING Nações Unidas (em inglês), acessado em 15 de fevereiro de 2007
- ↑ ONU convida brasileiro para comandar tropas no Haiti BBCBrasil.com, acessado em 15 de fevereiro de 2007
- ↑ Panorama Haiti: entrevista com o General Santos Cruz. Página visitada em 14 de janeiro de 2009. [1]
- ↑ Rádio ONU. Exclusiva: General Floriano Peixoto. Página visitada em 14 de janeiro de 2009. [2]
- ↑ a b Haiti - MINUSTAH - Facts and Figures
- ↑ Tropas brasileiras ajudam vítimas de tempestade no Haiti - BBCBrasil.com
- ↑ CUMPLIENDO EXITOSAMENTE SU PLANIFICACIÓN, FUERZAS CHILENAS SE ENCUENTRAN EN FASE FINAL DE DESPLIEGUE - Estado Mayor de la Defensa Nacional
- ↑ ACTIVIDADES BATALLÓN CHILE II - Estado Mayor de la Defensa Nacional
- ↑ 1q Tropa do Brasil atua em incêndio - Ministério das Relações Exteriores
- ↑ Chegam a Brasília corpos de 17 militares mortos no Haiti - Uol. Página acessada em 20 de janeiro de 2010
- ↑ Força Jauru assume a missão brasileira no Haiti (pdf) pp. 7 (dezembro 2006). Página visitada em 11 de março de 2007.
- EDITORA ABRIL, Almanaque Abril. 1996, diapositivos (cd rom).
- DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÕES PÚBLICAS DAS NAÇÕES UNIDAS. Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH). In Nações Unidas - UN, 2000 - 2004. Disponível em http://www.un.org/Depts/dpko/missions/minustah Acesso em 10 de julho de 2004.
[editar] Ver também
- Lista das missões de manutenção da paz das Nações Unidas
- Forças Armadas do Brasil
- Exército brasileiro
- Política externa do Brasil
[editar] Ligações externas
- Site oficial da MINUSTAH (em francês)
- Site da MINUSTAH no Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (em inglês)
- Foto da MINUSTAH/Haiti (em inglês)
- Haiti: estamos abandonados. (em inglês) Relato crítico de pesquisadores da Unicamp no Haiti, sobre a atuação da MINUSTAH e do Batalhão Brasileiro da MINUSTAH (BRABATT). 13 de janeiro de 2010.