Nazismo no Brasil

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O nazismo no Brasil teve início ainda antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores fez propaganda política no país para atrair militantes entre os membros da comunidade alemã. Embora a maioria dos teuto-brasileiros não se tenha aderido ou simpatizado com a propaganda hitlerista, o Brasil tinha a maior seção do Partido Nazista fora da Alemanha.[1]

Propaganda Nazista no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1928, foi fundado em Timbó, Santa Catarina, a seção brasileira do Partido Nazista.[2] Naquela época, viviam no Brasil cerca de 100 mil alemães natos e cerca de um milhão de descendentes.[3] A maior parte deles vivia em comunidades isoladas no sul do Brasil que preservavam a língua e a cultura alemã. Com a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de chanceler, na Alemanha, os teuto-brasileiros passaram a ser assediados pela propaganda feita pelo nazismo para atrair seguidores no exterior.

Embora nunca tenha havido um Partido Nazista organizado, legal ou clandestinamente no país, vários membros da comunidade teuto-brasileira foram membros da seção brasileira do Partido Nazista da Alemanha. Esta seção chegou a ter 2.822 membros e foi a maior seção do Partido Nazista alemão no exterior.[4] [5] Como era uma organização estrangeira, somente alemães natos podiam ser filiados; e os brasileiros descendentes de alemães, que por ventura quisessem, podiam atuar somente como simpatizantes.

Calcula-se que cerca de 5% dos imigrantes alemães então residentes no Brasil estiveram, em alguma época, associados ao Partido Nazista alemão.[3] Estes nazistas residiam em 17 estados brasileiros, a maior parte deles em São Paulo.[4] Entretanto, a esmagadora maioria dos teuto-brasileiros não se deixou seduzir pela propaganda e nunca se filiou ao nazismo.[6]

Planos da Alemanha Nazista para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Colônias alemãs no Brasil meridional em 1905 (em cor rosa)

Segundo o historiador René Gertz, no livro O Fascismo no Sul do Brasil, muitos pesquisadores da área da História afirmam em suas teses que não existem evidências empíricas que indiquem que, efetivamente, haveria intenções de Hitler e do alto escalão da Alemanha nazista de planejar um ataque ou conquista em regiões na América Latina.[carece de fontes?]

Estado Novo de Vargas e o Nazismo[editar | editar código-fonte]

Várias pessoas importantes do governo de Getúlio Vargas de 1930 a 1945 nutriram admiração pelo governo da Alemanha Nazista. Entre estas, estavam comandantes militares que apoiaram Getúlio Vargas na implantação da ditadura do Estado Novo como o general Eurico Gaspar Dutra (ministro da guerra de 1936 a 1945, e futuro presidente da República), o general Góis Monteiro[7] (ministro da guerra em 1934) e Filinto Müller (chefe de polícia do Distrito Federal, futuro senador e líder do partido ARENA).

Por outro lado, o governo de Getúlio Vargas era extremamente nacionalista. Com a decretação da ditadura do Estado Novo em 1937, todos os partidos políticos brasileiros tornaram-se ilegais. Além disso, foi proibida a prática de qualquer atividade de natureza política dos estrangeiros residentes no país, que não mais podiam organizar, criar ou manter sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos de caráter político, ainda que tivessem por fim exclusivo a propaganda ou a difusão, entre os seus compatriotas, de ideais, programas ou normas de ação de partidos políticos do país de origem. A partir de então, as atividades do Partido Nazista no Brasil foram duramente reprimidas, assim como a de todos os outros partidos políticos brasileiros ou não.

Apesar de ter vários simpatizantes da Alemanha Nazista, o governo do Estado Novo preferiu manter uma política de apoio aos Estados Unidos em troca de benefícios econômicos.[8] Quando navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães, o Brasil declarou guerra às potências do Eixo.

Consequências do nacionalismo do Estado Novo[editar | editar código-fonte]

Imigrantes alemães no Sul do Brasil

O governo do Estado Novo promoveu a integração forçada dos alemães e de seus descendentes que viviam em colônias isoladas no sul do Brasil. Em muitas ocasiões agiu com brutalidade contra imigrantes humildes que não mantinham quaisquer relações com a Alemanha nazista.[9]

Em 1940, durante uma visita a Blumenau, cidade de colonização alemã no estado de Santa Catarina, Vargas declarou: "O Brasil não é inglês nem alemão. É um país soberano, que faz respeitar as suas leis e defende os seus interesses. O Brasil é brasileiro. (...) Porém, ser brasileiro, não é somente respeitar as leis do Brasil e acatar as autoridades. Ser brasileiro é amar o Brasil. É possuir o sentimento que permite dizer: o Brasil nos deu pão; nós lhe daremos o sangue".[10]

Os imigrantes japoneses e italianos também foram perseguidos e forçados a se "abrasileirar". O caso dos teuto-brasileiros é peculiar porque formavam comunidades isoladas que mantinham as tradições e utilizavam quase que exclusivamente o idioma alemão.

Nazistas no Brasil após a guerra[editar | editar código-fonte]

Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, muitos nazistas condenados como criminosos de guerra fugiram para o Brasil e se esconderam entre as comunidades teuto-brasileiras. O caso mais famoso foi de Josef Mengele, médico que ficou conhecido como "anjo da morte" no campo de concentração de Auschwitz. Mengele realizava experiências médicas com seres humanos vivos, sempre sem anestesia, com o propósito de pesquisar o aperfeiçoamento da raça ariana. Uma boa parte das vítimas de suas "experiências científicas" foram anões e irmãos gêmeos.[11] Viveu escondido no interior de São Paulo de 1970 a 1979, quando morreu afogado em Bertioga, no litoral paulista, sem nunca ter sido reconhecido.

Neonazismo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Estados brasileiros por número de simpatizantes do neonazismo. São considerados simpatizantes os internautas que já fizeram o download de mais de 100 arquivos em sites neonazistas.[12]

As cidades do sul do Brasil formadas com a imigração alemã têm procurando reavivar as suas culturas e tradições como forma de promoção do turismo local. Uma consequência inesperada foi o surgimento de grupos neonazistas, os quais têm feito vítimas nas cidades sulistas e na Região Metropolitana de São Paulo. Registrou-se recentemente o surgimento de um movimento neonazista organizado em nível nacional auto-intitulado "Partido Nacional-Socialista Brasileiro", que atua através de um site na internet para o reavivamento dessa ideologia no país.

Não raro, acontecem alguns crimes envolvendo neonazistas nessas regiões. Em 2003, por exemplo, um grupo de skinheads neonazistas obrigou dois jovens punks a pular de um trem em movimento em Mogi das Cruzes.[13] Um deles morreu e o outro perdeu um braço.[13] Em São Paulo, o ressurgimento do movimento nazista tem suas origens na década de 1980, quando surgiram os "Carecas do ABC", grupo de extrema-direita que se opunha ao movimento sindical liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, surgido na mesma região.[13] Desde então, a possibilidade de comunicação pela internet ampliou as fronteiras do movimento.[13] O site Valhala88, desativado em 2007, chegou a receber 200 mil visitas diárias por usuários do país.[13]

Segundo a antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, estudiosa da questão do neonazismo no Brasil, o acalorado debate na eleição presidencial de 2010, deu fôlego ao movimento.[13] Para ela, "a questão do preconceito aos nordestinos (...) vem desde as eleições do Lula. Na eleição da Dilma, isso se radicalizou muitíssimo porque foi levantada a questão do aborto, do casamento gay".[13] Segundo Adriana, há dois grandes grupos etários de neonazistas no Brasil.[13] O primeiro tem entre 18 e 25 anos e o segundo tem entre 35 e 45 anos, e seria o líder do primeiro.[13] Segundo ela, a leitura dos neonazistas é composta por William Patch, Thomas Haden, Miguel Serrano e Olavo de Carvalho.[13] Em relação às bandas, há o Comando Blindado, a banda Zurzir, Defesa Armada e Resistência 88.[13] Atualmente, a região com o maior número de simpatizantes do neonazismo é o Sul, com mais de 105 mil; são considerados simpatizantes os internautas que baixam mais de 100 arquivos de sites neonazistas.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências